LET ME DIE A WOMAN

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Notícia linda que fiquei sabendo essa semana.

Esse senhor aí em cima é o mestre Walter Hill e ele foi escalado para fazer um novo filme de ação. Até aí, tudo bem, tudo normal, para o cara que nos brindou com THE WARRIORS, THE DRIVER, 48 HORAS, O LIMITE DA TRAIÇÃO e vários outros filmaços do gênero, nada mais justo.

Só que olhando mais de perto o projeto, percebe-se umas peculiaridades interessantes. Escrito pelo próprio Hill, a partir de uma história de Denis Hamill, o filme, que se chama até o momento TOMBOY, A REVENGE TALE, trata de um assassino profissional que decide se vingar de seus desafetos após ter sido traído, capturado e… pasmem, ter tido uma não consensual mudança de sexo!

Portanto, temos um assassino que se transforma numa assassina contra sua vontade e parte para a ação. O hom… quero dizer, a moça será interpretada por Michelle Rodriguez, que é, sem dúvida alguma, a escolha perfeita para a personagem. O filme já conta também com a Sigourney Weaver no elenco. Não sei se vai ser interpretando uma mulher mesmo…

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A história por si só tem um conceito legal. Mas o que realmente me anima é o fato do Hill comandar a produção. O último filme do sujeito foi BALA NA CABEÇA, com o Sylvester Stallone, que embora muita gente não tenha ficado tão empolgado, eu curti bastante e demonstra que o velho ainda sabe dirigir ação quando lhe é exigido. Fico otimista com o novo projeto.

Outro importante nome envolvido é o de Saïd Ben Saïd, produtor que gosta de trabalhar com diretores mais cascudos e alguns de seus trabalhos inclui os últimos filmes do Brian De Palma, David Cronenberg, o penúltimo do Roman Polanski e até o próximo do Paul Verhoeven, ELLE, que está em fase de pós-produção.

TOMBOY, A REVENGE TALE tem previsão de ser lançado em 2017 e vamos torcer pra que seja do caralho (não resisti, desculpem) e que tenha o herói transgênero mais badass da história do cinema! Mesmo que seja o único…

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SOUTHERN COMFORT (1981)

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SOUTHERN COMFORT é sobre um grupo da Guarda Nacional americana que realiza uns treinamentos de localização e navegação pelos pântanos da Louisiana, tentando encontrar um local específico, exercitando a utilização de mapas, etc. A maioria deles está levando o trabalho bem à sério, muito preocupados com as putas que vão comer quando terminar o exercício. Quero dizer, até mesmo as armas que levam em punho estão carregadas com festim. Em quem vão atirar? Estão em solo americano, não existe inimigo nesse treinamento…

Os problemas começam quando se dão conta de que estão completamente perdidos. Onde deveria haver tal objetivo, só tem água e mais água… Decidem então pegar “emprestado” algumas canoas que encontram num acampamento aparentemente abandonado à beira do rio, com alguns animais esfolados no local e tal… Mas deixam um bilhete pra quem quer que fosse. Depois de alguns minutos navegando, o pelotão descobre que está sendo observado à distância por um grupo de cajuns*, os possíveis donos das canoas. Eles gritam para que leiam o bilhete, mas os caipiras não se mexem. Um dos soldados então, decide ser o engraçadinho da turma e começa a atirar na direção dos sujeitos com uma metralhadora cheia de festim. Rá! Muito engraçado mesmo.

* Os Cajuns são os decendentes dos Acadianos, expulsos do Canadá, que se instalaram na Louisiana. [/Wikipédia mode off]

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Só que os cajuns respondem ao fogo, e a munição deles é bem real, para azar dos pobres militares. A primeira bala já acerta a testa do lider do pelotão (Peter Coyote) e, bom, vocês já podem começar a imaginar o que teremos aqui.

Walter Hill é um dos canônes em orquestrar sequências de ação, colocou Charles Bronson pra brigar em gaiolas em seu primeiro filme, realizou uma das obras mais representativas dos anos 70 com THE WARRIORS, fez algumas das perseguições de carros mais impressionantes que eu já vi em THE DRIVER, imitou Sam Peckinpah num western, enfim é um dos grandes mestres do cinema de ação americano e… agora é o diretor de um dos melhores filmes de caipiras psicopatas que existe!

Na época, era clara a intenção de Hill em fazer referência à guerra do Vietnam, mas o filme se manteve atual e até há poucos anos era difícil ver SOUTHERN COMFORT sem pensar no Iraque e outros países do Oriente Médio. Mantém sua análise, só muda o local. Quero dizer, temos aqui um pelotão americano, alguns deles agindo como autênticos imbecis, numa região na qual não entendem porcaria nenhuma de seus habitantes, sua cultura, não falam nem sua língua. Chega sem permissão, se achando os fodões, mas descobre rapidinho que a coisa não é bem assim. O adversário conhece o território, monta armadilhas, sabe onde se esconder e como monitorá-los…

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É o simbolo perfeito para o fracasso inevitável nesse tipo de negócio que o governo americano insiste em fazer de vez em quando ao longo de sua história.  E não importa se estão apenas “pegando emprestado uma canoa”… Com toda essa substância, fica difícil não preferir SOUTHERN COMFORT em relação a outros filmes do gênero “caipiras assassinos“, como DELIVERANCE, de John Boorman, por exemplo, que é mais aclamado (e não tiro os méritos).

Mesmo suprimindo a análise política, sobra ainda um puta thriller de caçada humana (o final, na vila dos cajuns, é de ficar com o coração na boca, a contrução da tensão é absurda), o qual destaca-se desde o roteiro, escrito à seis mãos pelo próprio Walter Hill, Michael Kane e David Giler, a utilização dos cenários naturais dos pântanos da Louisiana, passando pela direção habitualmente magistral de Hill e, principalmente, o elenco com feras do calibre de Powers Boothe, Keith Carradine, Fred Ward, Peter Coyote e especialmente um Brion James tão assustador quanto os piores monstros e psicopatas dos slashers oitentistas.