ESPECIAL HALLOWEEN 2013 #03: LA LLAMADA DEL VAMPIRO (1972)

Não poderia faltar um Eurohorror obscuro neste especial de Halloween. LA LLAMADA DEL VAMPIRO, dirigido por José María Elorrieta, é uma produção espanhola do período áureo do exploitation daquele país e que combina com muita desenvoltura algumas doses de sexo com o universo dos chupadores de sangue. O filme até pode não ser uma maravilha, uma obra prima do horror (e não é mesmo), mas sexo e vampiros são dois elementos perfeitamente compatíveis quando misturados.

Após uma introdução na qual uma loura vampira tenta atacar um velhote num castelo e tem o peito cravado por uma estaca, somos apresentados a uma jovem doutora e sua bela assistente que chegam a um vilarejo espanhol para substituir o médico local, que acabara de bater as botas. Logo, são instaladas num antigo castelo local para ficarem à disposição especial do Barão que vive por lá, um ancião muito doente, que por coincidência trata-se do mesmo velho e do mesmo castelo do início do filme.

O problema é que uma onda de mortes tem acontecido na região. Os corpos estão sempre secos, sem sangue, e com dois furinhos no pescoço. No diário do falecido médico surge a palavra vampirismo, uma besteira para a cética médica, que tem seus conceitos baseados na ciência e acaba confrontando com as superstições do vilarejo, sem imaginar que a verdade pode não ser aquilo que acredita.

E diferente de outros exemplares do gênero, até que LA LLAMADA DEL VAMPIRO tenta explorar de alguma maneira o mistério das crenças e do ceticismo de alguns personagens. E por isso a trama acaba tendo momentos parados, só de conversa fiada, e isso prejudica o ritmo… Mas não impede de ter também os ingredientes que o tornam um típico exploitation, como a violência, que abusa do sangue fake avermelhado, e umas sequências de, digamos, putaria: espanholas em trajes mínimos, peitos gratuitos, sexo lésbico, essas coisas…

Claro, se você nunca tiver assistido a um Eurotrash na vida, não conhece Jess Franco, Jean Rollin, Joe D’Amato, José Ramon Larraz, não há sangue e mulher pelada que te ajude. A minha recomendação é distância de LA LLAMADA DEL VAMPIRO! Agora, para quem já está familiarizado, vai desfrutar tranquilamente do que o filme tem a oferecer. O visual, por exemplo, não possui a mesma sofisticação de um Mario Bava ou as produções da Hammer, mas há uma certa atmosfera e soluções estéticas interessantes; há pelo menos um detalhe tosquíssimo para servir de humor involuntário: o tal vampiro do título, vivido por Nicholas Ney, que é extremamente ridículo! E nunca é demais lembrar que temos algumas espanholas bem à vontade…

Confesso que não conhecia o realizador José María Elorrieta até por os olhos em LA LLAMADA DEL VAMPIRO. Descobri no imdb que o sujeito já era um veterano na época que dirigiu este aqui e já possuía um currículo de mais de três décadas, incluindo vários exemplares de horror. Talvez algum dia eu explore um pouco mais a filmografia do homem. Este aqui, garanto, foi uma boa surpresa dentro do gênero.

FEMALE VAMPIRE (1973)

A abertura de FEMALE VAMPIRE é uma beleza! Lina Romay se revela através de uma densa bruma vestindo apenas uma capa preta, com os seios à mostra, vagando lentamente em direção ao público, hipnotizado pela sua formosura. A câmera do diretor Jess Franco aproveita para dar alguns dos seus zoons característicos, mostrando em planos detalhes os dotes íntimos e robustos da vestal que continua seu trajeto diretamente para a câmera até a imagem escurecer.

É uma bela homenagem do Franco à exuberância de sua atriz, esposa, musa inspiradora, Lina Romay, que faleceu recentemente, vítima de câncer, aos 58 anos… E aqui prestamos a nossa singela homenagem à ela, pelo amor e dedicação que sempre teve ao cinema extremo e por ter inspirado esse prolífico cineasta a fazer mais de 200 obras!

FEMALE VAMPIRE é um dos filmes ideais para homenageá-la, embora não seja um dos meus favoritos do Franco. Na verdade, trata-se uma dessas produções mais discretas do diretor, realizado com pouquíssimo recurso, talvez filmado em três dias no máximo, com várias cenas claramente improvisadas e sem foco (da câmera mesmo!), sem roteiro, sem sentido algum. No entanto, a presença de Romay é um espetáculo. Nunca a considerei uma grande atriz, tecnicamente falando, mas para uma beldade que se vestia apenas quando o roteiro pedisse e praticava felaccios não simulados para as câmeras do marido, o talento pode ficar em segundo plano, não tem problema… hehe! Ela era perfeita naquilo que fazia.

Se há uma trama para ser descrita aqui, seria algo parecido com isso: Lina Romay é uma vampira muda que ao invés de utilizar os convencionais caninos para perfurar o pescoço e chupar o sangue de suas vítimas, prefere fazer um sexo mortal, cujo orgasmo leva o parceiro(a) à morte. E o filme inteiro segue nessa linha, só na sacanagem e mais sacanagem. Mas tanta sacanagem também cansa e é muito comum o Franco perder totalmente a noção de ritmo. Por outro lado, é justamente nesse tipo de filme que Franco ia às favas com a lógica ou a opinião pública, aproveitava de sua liberdade criativa, botava seu lado safado pra funcionar e ainda criava praticamente do nada uma espécie de narrativa de sonho, cheio de imagens oníricas… Talvez não funcione para o espectador comum, mas o autêntico fã de Jess Franco é igual ao sujeito que adora comer jiló, ninguém convence de que aquilo é ruim de doer!

O filme possui três cortes diferentes com graus de erotismo que variam de um para o outro, todas editadas pelo próprio Franco, utilizando pseudônimos. Na versão que eu vi, conhecida como FEMALE VAMPIRE, não há sexo explícito, apesar de uma ceninha rápida na qual Romay se empolga e abocanha o pinto do ator que contracenava. Mas se querem ver a versão mais quente, se não estou enganado, o título é EROTIKILL. Há ainda uma versão que acredito ser mais branda cujo título é LES AVALEUSES.
Eu não como jiló, mas sou fã de Jess Franco e por mais que FEMALE VAMPIRE tenha seus problemas, é um belo conto erótico sobre vampirismo que cresce a cada revisão, graças, especialmente, ao brilho da musa Lina Romay. Requiescat in pace, bella…