BACURAU EM CANNES

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BACURAU, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é o representante brasileiro em competição em Cannes. Ontem teve a sua estreia e parece que surpreendeu o público do festival. O tweet do crítico A. A. Dowd, do A.V. Club, me deixou bem animado:

BACURAU is wild shit. I would not have guessed that dude who made NEIGHBORING SOUNDS would turn around and (co)direct a movie that reminds me of John Carpenter, Wes Craven, and FIRST BLOOD. But this is where we are, and I’m glad we got here.

O filme ainda tem o grande Udo Kier no elenco… Enfim, agora BACURAU entrou definitivamente  na lista de prioridades para este ano.

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DRAGGED ACROSS CONCRETE (2018)

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Assisti recentemente a DRAGGED ACROSS CONCRETE e não só confirma a belezura de filme que eu esperava (afinal, fora anunciado como um policial casca-grossa estrelado pelo Mel Gibson de bigode), um dos melhores do ano até o momento, como também coloca em definitivo o seu diretor, S. Craig Zahler, se é que havia alguma dúvida, entre os melhores da atualidade nesse ofício de fazer filmes.

Então temos Mel Gibson – de bigode – e Vince Vaughn (repetindo a parceria com o diretor) como uma dupla de detetives cujos ideais nem sempre vão de acordo com os burocráticos métodos da força policial. São do tipo que atiram primeiro e fazem perguntas depois. O tipo de policial asqueroso que só é bom no cinema. Na vida real, desprezo qualquer tipo de fascismo, obviamente. Como cinéfilo, no entanto, aceito qualquer ideologia radical que seja colocada na tela, até porque acima do discurso sempre tem o cinema, a linguagem e a ética de olhar o mundo sem falsidade. Zahler tem esse olhar e usa bem esse contexto como como trampolim narrativo, para a habitual jornada ao inferno que seus personagens traçam (como em BONE TOMAHAWK e BRAWL IN CELL BLOCK 99). E porque esse tipo de personagem – policiais reacionários – é foda pra caralho (no cinema).

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Ainda na trama, a dupla acaba se ferrando quando é flagrada por uma gravação de celular usando de força bruta pra cima de um suspeito durante uma batida policial. A mídia está pronta para cair matando em cima e o capitão da esquadra, interpretado pelo grande Don Johnson, dá à dupla uma suspensão não remunerada de seis semanas. Isso não ajuda muito os dois policiais, que precisam de seus contracheques para enfrentar os problemas financeiros do cotidiano, já que a vida é dura, policial ganha mal pra cacete, e trabalhar honestamente não “dignifica a alma”, como muitos dizem… Preocupações latentes no cinema de Zahler: amargas questões sociais e o tênue limite entre a justiça e a arbitrariedade.

Em determinado momento começa a tal “descida ao inferno”. O desespero começa a beliscar os calcanhares e os dois detetives decidem emboscar um grupo de ladrões de banco que acabou de fazer um puta assalto. O filme vira uma trama de gato e rato, com planejamentos, perseguições, tiroteios, assassinatos à sangue frio… Tudo o que precisamos num filme policial badass temos aqui. Mas bem ao estilo Zahler, o que significa acompanhar esses personagens ao submundo mais escabroso possível, onde os habitantes cruéis e sádicos não valem o peido de uma égua ​​e ainda assim é impossível tirar os olhos da tela.

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E Zahler me parece muito apaixonado por contar exatamente a história que quer contar, insistindo em cada detalhe de todas situações, personagens e possibilidades, e até cheguei a me perguntar se precisava daquilo tudo (o filme tem mais de 2h30m), que uma edição mais disciplinada poderia ter feito alguns favores… Mas ao final eu já estava tão imerso e envolvido no papo do Zahler, no ritmo lento, na tensão crescente cirurgicamente construída, no universo daqueles personagens, que sequências como a da participação de Jennifer Carpenter, por exemplo, que é totalmente descartável, nem me incomodaram. E o que poderia ser excesso nas mãos de uns, Zahler transforma em enriquecimento narrativo.

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E tudo é filmado com precisão, longos planos, com uma câmera rígida, um mínimo de edição, fundamental para sentir o peso das imagens, da atmosfera e da dor. Desde seu primeiro filme, Zahler trabalha com o mesmo diretor de fotografia, Benji Bakshi, o que deve ajudar a criar uma certa uniformidade autoral e visual na obra do diretor. A violência, outro elemento constante no cinema de Zahler, ainda que em menor escala por aqui, permanece brutal e fascinante como nos seus filmes anteriores. E assim S. Craig Zahler tem se estabelecido como uma das vozes mais distintivas do moderno cinema de ação/policial americano. E do horror, talvez?

Mel Gibson está do jeito que sempre gostamos. Em estado de graça, no papel de um policial cansado e fodido, uma espécie de Martin Riggs envelhecido, em descompasso com o mundo, anacrônico, enfim, um personagem que se encaixa como uma luva ao ator, que oferece uma de suas melhores performances desde os anos 90. Vê-lo descarregando chumbo em desafetos e recarregando seu revolver com uma agilidade impressionante é um dos grandes momentos do cinema em 2019. E, obviamente, tem o bigode mais badass do ano.

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Vaughn sempre a tentar se dissociar das comédias que fez ao longo da carreira, mas não tenho problema algum com ele fazendo papéis puramente dramáticos. Óbvio que de vez em quando dá a sensação de que fará uma piada a qualquer momento, mesmo em situações pesadas ou tensas. Mas seu desempenho aqui é sólido. Já tinha demonstrado que podia fazer sujeitos sérios e trágicos em BRAWL ON CELL BLOCK 99. Mas o filme não é apenas Gibson e Vaugh. É também Tory Kittles, que rouba o filme para si em vários momentos, vive um dos assaltantes de banco e possui o seu próprio arco dramático. No elenco ainda se destacam Michael Jai White (numa participação bem maior que eu esperava) e uma pontinha sempre bem-vinda de Udo Kier.

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Infelizmente, é mais um trabalho poderoso do Zahler que não teremos o prazer de ver nos cinemas. Portanto, assista da maneira que conseguir. Vale a pena.

BRAWL IN CELL BLOCK 99 (2017)

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Devo postar essa semana algumas impressões sobre o novo filme do S. Craig Zahler, DRAGGED ACROSS CONCRETE, que é um dos melhores filmes deste ano até o momento (junto com A MULA e GLASS), mas enquanto não finalizo o post, republico e atualizo o textinho sobre BRAWL IN CELL BLOCK 99, o filme anterior de Zahler, que escrevi para o Action News. BONE TOMAHAWK, o primeiro trabalho do homem já escrevi também por aqui…

Este último, aliás, pegou muita gente de surpresa. Claro, parecia promissora essa mistura de horror e western lá por volta de 2015, que tinha Kurt Russell no papel principal, mas acho que ninguém esperava que seria uma obra tão madura, brutal e fascinante vindo de um diretor estreante. Estreante, mas demonstrando talento, impondo uma narrativa de ritmo lento e poético em contraste com um excesso retumbante de violência, construindo personagens fortes, configurando uma crescente de tensão cujo parâmetro remete quase literalmente à uma descida ao inferno.

O receio com diretores estreantes que lançam obras poderosas logo de cara é algo comum. Se errasse a mão num filme seguinte eu já estaria preparado para isso. Acontece. BONE TOMAHAWK poderia ter sido apenas um acidente. Não foi. BRAWL IN CELL BLOCK 99, seu segundo trabalho, mostra que o diretor não está para brincadeiras. Um baita filmaço que narra mais uma jornada às profundezas da degradação humana recheado de violência e ainda apresenta uma performance espetacular de Vince Vaugh, o elemento mais indispensável à condução da narrativa.

Vaugh é Bradley Thomas, um ex-pugilista, alcoólatra em recuperação, um motorista de reboque que acabou de perder o emprego, marido traído e o satanás em pessoa quando precisa usar as mãos, fruto de um código de honra que carrega no fundo da alma. Há uma cena em que o sintetiza bem, quando descobre que sua mulher esteve pulando a cerca. Bradley não é um homem abusivo, mas ele reage da maneira que consegue naquele momento: estraçalhando metodicamente seu carro com as mãos nuas.

Depois de resolver seus problemas matrimoniais e preservar seu casamento, Bradley decide voltar a um trabalho antigo, entregando “pacotes” para um traficante local. Dezoito meses depois, o sujeito está bem melhor financeiramente, morando numa casa confortável e espaçosa, e sua esposa grávida de seis meses. Contra o instinto de Bradley, seu chefe entra em negociação com um poderoso narcotraficante, Eliazar (Dion Mucciacito), para realizar um trabalho. Durante a empreitada, Os homens de Eliazar fazem merda e acabam trocando tiros com a policia. No meio da confusão, Bradley resolve mirar nos traficantes ao invés dos tiras…

Isso não ajuda muito no seu julgamento, e depois que se recusa a entregar qualquer nome de seus associados, Bradley é condenado a sete anos em uma prisão de segurança média. Mas os problemas de Bradley começam mesmo quando recebe a visita de um misterioso homem (Udo Kier) que representa o traficante Eliazar. O sujeito não está nada feliz com as ações que Bradley tomou durante o tiroteio, o que custou dois de seus homens e alguns milhões de dólares.

Para resumir, Eliazar tomou a esposa de Bradley como refém e tem um abortista à sua disposição com algumas ideias bem sádicas na cabeça, só para assegurar que o protagonista pague sua dívida. Na verdade, Bradley recebe uma missão: assassinar um indivíduo que se encontra detido numa prisão de Segurança Máxima, no tal bloco 99. Só que para chegar lá, Bradley terá que aprontar um bocado, o que significa uma jornada sangrenta de muita pancadaria e ossos quebrados rumo a um verdadeiro inferno.

Para quem está familiarizado com BONE TOMAHAWK, vai perceber como as duas obras dialogam entre si na gradual construção de tensão, numa metodologia de cicatrização lenta. Zahler novamente demonstra uma habilidade única para construir um universo em que a narrativa existe em seus próprios termos e ritmo. Os quadros que duram o tempo que tem que durar (e que fazem uma busca quase obsessiva pela mesma perspectiva), os pequenos detalhes visuais que enriquecem a narrativa (reparem nas diferenças, tanto sutis quanto gritantes, entre os presídios de segurança média e máxima, até chegar no nível mais baixo em termos de cenário de prisão), na sensibilidade para a elaboração de uma história que se desenrola com personagens vividamente detalhados.

Diferentes cenários, mesma obsessão de perspectiva.

Tal como em BONE TOMAHAWK – que toma seu tempo e leva mais da metade de projeção para chegar ao ponto crucial da sua trama de pesadelo e violência – BRAWL IN CELL BLOCK 99 também não tem muita pressa para chegar ao cenário do título. Em vez disso, passamos boa parte do filme assistindo a um homem que recebeu uma dura pancada da vida, fez escolhas “erradas” e agora precisa fazer o que é necessário manter seu código, para fazer o que é “certo”.

Vaughn é uma revelação aqui, cada momento seu na tela é a indagação de escolhas morais, sobre os “certos” e “errados”, que um sujeito precisa fazer quando está disposto a encarar todos os castigos imagináveis ​​para garantir o bem estar daqueles que ama. E Vaugh entrega uma performance notável, uma performance física, com um uso do corpo de forma magistral, dando um impulso ainda mais extremo para as cenas de violência. Além de Vaugh e Kier, o elenco ainda conta com Don Johnson (DEAD BANG) como carcereiro casca-grossa de penitenciária, e Jennifer Carpenter (DEXTER) fazendo esposa de Bradley.

O filme confirma o escritor-diretor Craig S. Zahler como um dos grandes talentos do cinema americano atual e é uma que este trabalho nunca tenha chegado nas salas de cinema aqui no Brasil… Mas tudo bem, um filme como BRAWL IN CELL BLOCK 99 não merece mesmo um público bunda-mole como o nosso. A jornada moral de Bradley é uma experiência intensa que será reduzida como “cinema choque”, “violento demais”, e toda a reflexão imbuída e o que ela representa será ignorada. Para cinéfilos mais “experimentados” isso aqui é ouro.

SUSPIRIA (1977)

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Vocês sabem, SUSPIRIA, o clássico absoluto do horror italiano do mestre Dario Argento, será lançado num remake dirigido por Luca Guadagnino, de ME CHAME PELO SEU NOME. Pra mim, remakes nem fedem nem cheiram, mas acabo assistindo. Se forem bons, elogio, se forem ruins, lamento a perda de tempo… Poderia ter visto coisa melhor. Mas mantenho sempre a ideia de que o original estará lá para ser visto e revisto independente de quantas refilmagens fizerem. No caso de SUSPIRIA, até acho que pode sair algo interessante. O cinema de horror atual anda num bom momento e acho o Guadagnino um sujeito com talento. É só não esperar nada no mesmo nível que é a maravilha do Argento que vou encarar de boa…

Sobre o filme do Argento, revi há poucos dias em DVD em casa mesmo. Uma belezura. Mas a melhor experiência que tive com o filme, foi mais ou menos há um ano quando SUSPIRIA passou remasterizado no Instituto Moreira Sales, da Paulista, onde tive a oportunidade de sentir o poder sensorial dessa obra-prima do horror em todo o seu esplendor. Quero dizer, aquela telona explodindo a exuberância de cores e o volume até o talo, ficou simplesmente impossível sair da sessão sem estar, no mínimo, atordoado.

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Nem é o meu filme favorito do Argento, fico com INFERNO (1980) ou PROFONDO ROSSO (1975), mas SUSPIRIA tem um cantinho reservado no coração e revê-lo é uma experiência visual transcendental, seja numa tela de cinema, seja na TV em DVD. Sempre fico de queixo caído com sua narrativa onírica, a trilha sonora experimental do Goblin, o design de produção estilizado e as composições visuais meticulosamente trabalhadas em benefício do horror, de um universo de horror muito próprio, um mundo de beleza, mistério, oculto e violência… É um festival sensorial único, a síntese do filme de horror como arte.

A sinopse é bem simples: uma estudante americana de balé, Suzy Banyon (Jessica Harper), chega numa noite tempestuosa em Freiburg, na Alemanha, para estudar numa prestigiosa academia de dança. Quando um táxi a deixa na entrada do local, ela vê uma jovem na porta agindo de modo estranho antes de sair para a noite, correndo pela floresta encharcada e escura. No dia seguinte, quando Suzy se estabelece na escola, descobre que a garota que viu na noite anterior foi brutalmente assassinada. A partir daí, Suzy começa a perceber que há algo nitidamente bizarro, ocorrências estranhas vão rolando na escola e com seu corpo docente, e ela resolve meter o nariz para descobrir…

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Qualquer coisa além disso já não tem tanta importância. Quero dizer, para ser sincero, a trama e seus dispositivos narrativos, construção de personagens e etc, não são exatamente o que mais interessam ao Argento, ainda que integrem o universo formal do diretor como contador de história de terror. O fato é que Argento chega a um ponto da carreira no qual o enredo e personagens se tornam completamente subservientes ao visual, à atmosfera, à música. O que realmente importa em SUSPIRIA, portanto, é a lógica de pesadelo que motiva os personagens a agirem de forma absurda em cenários barrocos onde a violência é bela. São exatamente os momentos em que o trabalho visual se destaca que SUSPIRIA se revela tão magistral e original. A sequência do primeiro assassinato é uma das minhas favoritas, digna de antologia: a violência, o sangue, a faca entrando no coração exposto e os últimos e trágicos enquadramentos (alguns dos mais icônicos do horror italiano)… O que se vê na tela é pura poesia.

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Dizem que Daria Nicolodi, atriz e roteirista italiana que era casada com Argento e que escreveu o roteiro de SUSPIRIA, baseou-se nas experiências de sua avó, que frequentou uma escola de atores onde os professores também ensinavam magia negra aos alunos… Vai saber se isso é verdade. Em outras declarações, ela diz que a ideia de SUSPIRIA teria surgido de um sonho que teve. O que faz mais sentido. A sensação parece ser mesmo a de um pesadelo estruturado num conto de fadas macabro, com os personagens falando coisas sem sentido e percorrendo os corredores sinistros e ricamente decorados da Academia de Dança. É como se Suzie entrasse numa espécie de buraco do coelho, como em Alice no País das Maravilhas, só que o mundo paralelo aqui é mais peculiar ao pesadelo, ao horror. SUSPIRIA me mostrou o quão aterrador, poético e sofisticado o cinema de horror italiano pode ser (e não só o Argento, mas também Fulci, Bava, Soavi, Freda, etc).

Então, que venha o remake, mesmo tendo consciência de que vai ser praticamente impossível superar este aqui. Mas se for bom, já tá valendo.

Ah, e só pra lembrar, SUSPIRIA é o primeiro exemplar de uma trilogia unida a partir da ideia das “Três Mães”, um triunvirato de bruxas ancestrais e maléficas cuja magia poderosa lhes permite manipular eventos mundiais em escala global. Os outros filmes são o já citado INFERNO e THE MOTHER OF TEARS.

BLOOD FOR DRACULA (1974)

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O multi-artista visual Andy Warhol é mais conhecido pelos quadros das latas de sopa Campbell’s e de outros trabalhos que se tornaram ícones do movimento Pop Art. Mas muita gente esquece que o sujeito investiu boa parte de sua carreira artística como diretor e produtor de cinema. Claro, os filmes que dirigia eram obras conceituais e experimentais, algumas realmente realizadas para serem exibidas em galerias de arte, como SLEEP, por exemplo, que tem umas cinco horas de duração e que mostra um homem dormindo e nada mais.

No entanto, como produtor Warhol associou-se ao talento de alguns diretores que estavam na onda do cinema underground, em especial um sujeito chamado Paul Morrissey, que foi responsável por criar, junto com Warhol, uma boa safra de filmes da contracultura americana dos anos 70, como a trilogia TRASH, FLESH e HEAT. Mas uma das coisas que mais gosto dessa parceria são as releituras bizarras de clássicos do horror, de histórias protagonizadas por monstros ícones. São duas belezinhas que valem a pena conhecer: FLESH FOR FRANKENSTEIN e o meu filme favorito de Drácula, BLOOD FOR DRACULA, que revi agora no início do ano.

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BLOOD FOR DRACULA é uma variação bem atípica da criação de Bram Stoker. O filme inicia na Romênia por volta de 1920 com Udo Kier vivendo um Conde Drácula exótico, moribundo, fraco e necessitado de sangue de virgens, já que não consegue arranjar mais moças puras para chupar o cangote. É, então, convencido pelo seu criado, Anton, encarnado pelo esquisito Arno Juerging, para ir à Itália, país religioso que preza pelo cabaço de suas filhas, onde, teoricamente, seria mais fácil de arranjar o “alimento”, bem diferente da Romênia, onde a virgindade é escassa e Dracula já está visado como perigo para jovens distraídas. Continuar lendo