KERUAK – O EXTERMINADOR DE AÇO (Vendetta dal Futuro, aka Hands of Steel, 1986)

L4 HandsNão sei quantos de vocês tiveram esse privilégio, mas sou desses que pode se orgulhar de ter visto KERUAK – O EXTERMINADOR DE AÇO, de Sergio Martino, passando à tarde, no SBT, quando era moleque no início dos anos 90. Bons tempos. O filme é simplesmente um clássico da infância e quando os canais da televisão aberta ficaram caretas só me restou a lembrança, já que não consegui encontrar o filme em VHS na adolescência na região onde morava. Desde então não revi KERUAK, apesar da possibilidade que surgiu a partir da era dos torrents. Bem, resolvi matar a saudade agora e só posso dizer que valeu muito a pena. Foram 95 minutos com os olhos brilhando com o que há de mais divertido, bizarro e picareta no cinema B de ação italiano. Continuar lendo

TORSO (I Corpi Presentano Tracce di Violenza Carnale, 1973), de Sergio Martino

TORSO é sem dúvida uma das experiências mais bacanas com o gênero giallo que eu já tive! A trama é bem simples e com certeza você já deve ter visto um milhão de filme com a mesma premissa, mas e daí? É a filosofia da forma superando o conteúdo o que nós temos aqui! A primeira metade da estória se passa dentro de um campus universitário, onde se inicia uma série de misteriosos assassinatos envolvendo mulheres em “situções picantes”, se é que me entendem. Depois, o grupo de belas protagonistas – quatro jovens amigas – vai passar o fim de semana num casarão isolado em uma pequena vila no interior da Itália e, obviamente, o perigoso assassino com suas luvas pretas vai marcar presença para fazer a festa dos fãs do gênero. Martino filma muitíssimo bem, ainda não havia atingido ao máximo seu estilo sofisticado presente em filmes posteriores, mas realiza tudo de uma maneira pura, grosseira, genial, e não poupa o público de assassinatos violentos regados com bastante groselha! Aproveita também as beldades e, com exceção de Suzy Kendall, todas as outras atrizes estão bem à vontade em frente às câmeras, o que ajuda em muito o tom erótico pelo qual o filme é conhecido. No elenco ainda temos o astro do cinema popular italiano, Luc Merenda. O clímax ao final é um dos grandes momentos da carreira de Martino, o suspense é calmamente trabalhando, acumulando tensão, preparando o espectador para as surpresas (que neste período ainda surpreendia o público, diferente de hoje…). Só vendo com os próprios olhos para acreditar no que esse cara é capaz! Se Sergio Martino realizou algum filme melhor que TORSO, ainda preciso descobrir.

OBS: e que título genial o filme recebeu na Itália, não é mesmo?

A ILHA DOS HOMENS PEIXES (L’isola degli uomini pesce, 1979), de Sergio Martino

Já faz um tempinho que vi este aqui. E embora o italiano Sergio Martino tenha uma reputação reconhecida pelos seus elegantes gialli, até que era um diretor bem diversificado e transitou por quase todos os gêneros do cinema popular italiano. A ILHA DOS HOMENS PEIXES, realizado ao final da década de 70, é um belo exemplar dessa sua diversificação, uma mistura de ficção científica, terror e seriados de aventura dos anos 30, com um tom de Ilha do Dr. Moreau, e para quem é fã deste tipo de material, a diversão é garantida.
O filme transcorre no fim do século XIX, quando, a caminho de uma prisão localizada numa ilha, um navio que transportava os presos acabou afundando, deixando apenas sete sobreviventes, entre os quais seis são prisioneiros e o outro é o médico da embarcação, Claude de Ross, vivido por Claudio Cassinelli. Numa certa noite, depois de algum tempo à deriva, o bote salva-vidas se choca contra umas rochas e os sobreviventes são naturalmente levados a uma ilha que estava no meio do caminho.

A partir daí, um a um, os presos vão sendo abatidos por estranhas criaturas, sobrevivendo apenas o dr. Ross e mais dois prisioneiros, que prosseguem explorando a ilha e descobrindo seus mistérios, o que inclui uma vasta combinação de elementos estranhos num mesmo filme e que torna tudo mais interessante, como um vulcão prestes a entrar em erupção, experiências diabólicas com seres humanos, vodu e até mesmo o tesouro perdido de Atlântida!

O ator britânico Richard Johnson é quem encarna o vilão Rackham, dono de uma mente maquiavélica. É um grande personagem, sádico, sarcástico… não chega a ser tão marcante, mas funciona. Já Cassinelli é o típico herói dos filmes daquele período, agrada vê-lo como homem de ação. Mas o grande frescor para os olhos é a presença de Barbara Bach, com uma boa atuação e uma beleza impecável, embora possa decepcionar o público masculino que espera algo do nível da Ursula Andress em MOUNTAIN OF THE CANNIBAL GOD, também do diretor Sergio Martino, onde exibe seus doces encantos…

A direção de Martino é simplesmente funcional, sem nenhum tipo de experimentação ou frescura, apenas para contribuir para o sucesso do material, embora alguns momentos sejam arrastados, principalmente na primeira metade, dando um contraste com o final que é bem agitado. De qualquer maneira, o resultado é divertido. E o mais legal é o visual das criaturas, os homens peixes do título, e toda a mitologia criada para justificar a sua existência.

Mas ainda assim, para o “público normal”, provavelmente tudo no filme soará um tanto “trash” (seja lá o que isso significa para este público), mas deve ser bem melhor que a continuação que o próprio Sergio Martino filmou em 1995 e que eu ainda não vi. Alguém aí sabe me dizer se LA REGINA DEGLI UOMINI PESCE presta?