ALMIGHTY THOR (2011)

Este aqui é complicado… Não sei nem por onde começar. Mas tudo bem, vamos pela história, que não possui qualquer relação com os quadrinhos do Deus do Trovão, mas já sabemos de antemão que se trata de mais uma produção da The Asylum, então não é surpresa alguma. Em ALMIGHTY THOR, Loki (Richard Grieco) não é irmão de Thor (Cody Deal), mas uma espécie de feiticeiro que surge sem muita explicação e usa seus poderes e umas criaturas que parecem cachorros misturados com dinossauros, feitos em um CGI bem fuleiro, para destruir Asgard em busca de um tal martelo da invencibilidade!
Odin, antes de ser morto (ah, não se preocupem com spoilers), se livra do martelo através de um portal mágico. Seu filho, Thor, junto com uma guerreira local, consegue passar pelo portal e vem parar aqui na terra, onde tenta encontrar o artefato para derrotar Loki!
Sim, até parece ser um filmaço, mas não se engane pela minha descrição, nem pelo poster ou trailer. ALMIGHTY THOR é uma porcaria extremamente mal dirigida, com efeitos especiais pobres, um roteiro risível, atuações constrangedoras, pós produção mal acabada, etc. Claro que tudo isso são detalhes que dão um charme às produções da The Asylum e divertem aqueles que sabem apreciar esse tipo de tralha. O problema é a “seriedade” com a qual a coisa é levada. O filme é arrastadíssimo, chato e sem graça… e nem cabe aqui a desculpa da falta de dinheiro da produção. Falta mesmo é bom senso dos realizadores…
As cenas da batalha do início dão vergonha alheia. A noção de tempo, espaço e continuidade é lançada às favas e é preciso ter estômago pra aceitar alguma coisa. Quando a trama passa a transcorrer na Terra, a impressão é de que o filme vai melhorar. Mas infelizmente consegue ficar pior!!! É uma encheção de linguiça que tem certa graça no início pela situação ridícula, do tipo tão ruim que chega a ser bom, mas depois meia hora assistindo a mesma coisa, fica difícil… De tempos em tempos temos umas ceninhas de ação, mas são rápidas e não dá pra animar muito a vida do espectador.
Das poucas centelhas de genialidade (sim, temos algumas, haha!), uma delas é este plano acima, onde Thor parte pra cima de Loki com uma UZI!!!! O martelo não é suficiente?! Esse era o espírito que o filme deveria manter do início ao fim, mas não consegue… Quem consegue é Richard Grieco, o único que parece à vontade, percebeu a bomba que se meteu e não está nem aí, apenas ri de si mesmo. Cody Deal faz um Thor patético, abobalhado, bunda mole e chorão…difícil, muito difícil…
Mas ainda assim, prefiro ALMIGHTY THOR do que o THOR do Kenneth Branagh!

PS: A direção é de Christopher Ray, filho do Fred Olen Ray!

filmes recentes

Alguns filmes da safra mais recente que andei vendo, PRESSÁGIO (Knowing, 2009) não se sai tão mal quanto eu imaginava, até porque o único trabalho de Alex Proyas que eu havia conferido até então foi EU, ROBÔ, do qual eu não vejo graça alguma. Mas existem alguns momentos interessantes aqui, como as cenas-catástrofes, valorizadas pelo bom uso de efeitos em CGI. Até mesmo a trama conseguiu não me cansar. O difícil foi aguentar Nicolas Cage, cada vez mais no piloto automático e no fundo do poço, e o fedelho que interpreta seu filho. É mais um desses filmes consumíveis e facilmente esquecíveis.

Agora, tem como não apreciar um filme que possui o extremo bom gosto de iniciar com uma canção de Leonard Cohen? Não estou falando de QUANDO OS HOMENS SÃO HOMENS, do Altman, aliás, é um bom exemplo dum filme que preciso ver… mas me refiro a MR73 (2008), de Olivier Marchal, puta filme policial francês como há muito tempo não via!

A trama gira em torno do policial interpretado por Daniel Auteuil – grande ator, está perfeito no papel de um homem sendo devorado vivo, como bem define uma personagem. Sujeito está acabado, bêbado, traumatizado por uma tragédia de família, e tentando incansavelmente resolver um caso de um serial killer. Paralelamente, o roteiro constrói uma subtrama que envolve uma moça que na infância teve seus pais brutalmente assassinados por um psicopata que está prestes a sair da prisão por bom comportamento. Filmaço mesmo! Marchal consegue trabalhar as questões morais sem ser piegas e o final é poderoso, a direção é segura, corajosa e sem frescuras e Daniel cria um personagem e tanto. Altamente recomendado!

Já o filme que conta a origem do personagem de quadrinhos Wolverine, X-MEN ORIGINS: WOLVERINE (2009), não fica num nível muito acima de THE SPIRIT não. Ou seja, só não chega a ser uma decepção pega de surpresa porque eu não esperava muita coisa, mas mesmo assim surpreende pela incompetência dos responsáveis em adaptar um material que não necessita de muito esforço pra ficar bom. Mesmo assim, deu no que deu… O filme tem cheiro de blockbuster sem vergonha que só serve pra encher os bolsos dos executivos que se aproveitam da série iniciada em 2001.

As mudanças na origem do personagem em relação à fonte são ofensivas e forçam a barra, aliás, o roteiro é dos mais vagabundos, cheio de falhas e clichês mal trabalhados que me irritam profundamente. Nem mesmo as cenas de ação conseguem tirar o filme do buraco. O diretor Gavin Hood não tem, sequer, noção do que está fazendo. Confia demais nos efeitos de CGI (bem cretinos, diga-se de passagem), não tem ciência de espaço, não valoriza os planos, cenas de lutas mal acabadas, artificiais, mal filmadas, um horror. Até o povo que detona o Zack Snyder vai começar achar WATCHMEN uma obra prima!

Para finalizar, um dos melhores filmes visto em 2009: VINYAN (2008), do diretor belga Fabrice Du Welz, que dirigiu o ótimo CALVAIRE. O enredo traz um casal que vai aos confins da Tailândia procurar o filho que há seis meses se perdeu no Tsunami e, possivelmente, está vivo em algum lugar, pelo menos na cabeça da mãe. Mas acabam sendo engolidos pelo local, pelos mistérios que transcendem a região, numa jornada de sobrevivência e tentativa de se manterem lúcidos. É um filme que envolve o espectador com o poder das imagens exuberantes, clima atmosférico perturbador e uma atuação magnífica do casal, principalmente Emmanuelle Béart. Talvez eu escreva mais sobre ele, caso aconteça uma revisão, ou até porque o filme mereça mesmo.

OBS: O Dia da Fúria foi atualizado hoje! Tem textinho do Osvaldo Neto sobre O DIA DA DESFORRA e um meu sobre QUANDO OS BRUTOS SE DEFRONTAM. Delírios de Sergio Sollima!

THE SPIRIT (2008), de Frank Miller

Quando estou com uma espectiva baixa, eu acabo gostando de certos filmes por algum motivo ou outro, acho que acontece com todo mundo. Mas eu estava com uma expectativa tão baixa para THE SPIRIT, mas tão baixa, que nem fazendo força pra gostar eu consegui retirar algo interessante do filme. Frank Miller simplesmente perdeu a noção de seu espaço. Já foi um dos grandes criadores do ramo dos quadrinhos, mas dar uma de diretor depois de ter feito um “estágio” com Robert Rodriguez em SIN CITY, valha-me Deus!


THE SPIRIT não funciona pra nada, absolutamente nada! E ainda ofende os fãs do personagem criado por Will Eisner. É um retrocesso total do avanço rumo à maturidade que as adaptações de HQ’s em Hollywood estava alcançando com filmes como IRON MAN, THE DARK KNIGHT e WATCHMEN. É um completo desastre…


Os personagens são mal explorados, mal desenvolvidos, mal dirigidos, na verdade, a direção, de um modo geral, parece não existir. Miller simplesmente ligou a câmera com os atores em frente de um fundo verde e os deixou proferindo as falas decoradas de um roteiro vagabundo que o próprio Miller escreveu. E os pobres atores nem se esforçaram pra tentar amenizar o papel ridículo que estavam fazendo…


E que desperdício! Tantas beldades num filme… se pelo menos o Miller tivesse culhões pra fazer algo mais picante com as atrizes que tinha em mãos. O máximo foi uma bundinha de nem dois segundos da Eva Mendes. E o pobre Samuel L. Jackson – que eu adoro fazendo um papel caricato – está ridículo no pior sentido possível. E não digo nada do atorzinho que interpreta o Spirit (que eu não sei o nome, nem estou com vontade de olhar no google).


As cenas de ação também não ajudam em nada, não conseguem quebrar o ritmo da série de vergonha alheia. A única coisa que poderia ajudar é o visual (mas não se engane, caro leitor, até isso prejudica o andamento). Miller parece tão encantado com os artifícios estéticos que esquece que tem um roteiro narrativo a executar. Fora que este estilo adotado em THE SPIRIT, além de já estar batido, não tem sentido algum de haver, a não ser para desviar a atenção do publico (já que os quadrinhos de Eisner não possuem este visual), diferente de um SIN CITY, por exemplo, que utiliza para se aproximar com a estética da própria graphic novel adaptada.

Pura sorte não ter conseguido assistir a essa bomba no cinema…

Miller fingindo que é diretor de cinema.

WATCHMEN (2009), de Zack Snyder

Sinceramente não tenho do que me queixar de WATCHMEN. Acho que os críticos sérios reclamam demais e os fãs estão fazendo chiliques por pura oposição preconceituosa, já que consideram a obra infilmável. Problemas com o diretor eu até entendo, mas ainda bem que eu não tenho. Minha expectativa era discreta, mas bastante curiosa – e da fonte da qual beberam, é de se esperar no mínimo um bom filme. A grande sacada de Zack Snyder (e seus roteiristas) foi tentar ao máximo manter a lealdade do universo criado por Alan Moore e Dave Gibbons respeitando a estória central (com uma pequena modificação no desfecho, mas nada muito gritante), as subtramas, estrutura narrativa, personagens, localização temporal, etc. Evidentemente muita coisa se perde, algumas passagens ganham mais espaço que outras, a ação é intensificada, mas o resultado não deixa de ser surpreendente.

Zack Snyder é desses que na maior parte do tempo pensa que está dirigindo um vídeo clipe e ainda possui a velha mania de exagerar no slow motion durante as cenas de ação. Felizmente, WATCHMEN não é um filme de ação e a força narrativa concentra-se na dramaticidade das situações vividas pelos personagens, heróis decadentes e humanos em uma realidade bem estranha. E Snyder, na medida do possível, até que manda bem como narrador. Pelo menos conseguiu me segurar tranquilamente em suas 2h e 40m de duração. Isso tudo levando em conta o visual fascinante muito semelhante ao das páginas dos quadrinhos, mesmo sendo a maioria criada por CGI (e não sou muito radical, sempre elogiei quando bem utilizado, como é o caso aqui); há também os personagens complexos e interessantes interpretados por um elenco que dá conta do recado, principalmente Jackie Earle Haley no papel de Rorschach, de longe o mais batuta, obscuro e revoltado do grupo, além de visualmente/psicologicamente idêntico ao original. A trilha sonora vai gerar uma discussão à parte. É uma das mais inusitadas para um filme do gênero e conta com uma compilação que vai de Simon & Garfunkel a Leonard Cohen. Eu achei sensacional a escolha das canções e maneira como foram inseridas na trama.

Embora tenha o probleminha da câmera lenta (que é um pouco mais contida em relação a 300), as cenas de lutas de uma forma geral são boas e sem os exageros afetados, filmadas de maneira simples, claras e violentas pra dedéu! Com direito a ossos quebrados, fraturas expostas e bastante sangue. Aliás, o filme possui uma essência extremamente violenta com momentos de gore que deixaria Lucio Fulci orgulhoso. WATCHMEN conta também com uma cena de sexo bem picante para o padrão de filmes de super-heróis, o que não é muito habitual. Admiro essa determinação do Snyder em abraçar uma obra e brigar com seja lá quem for para que o filme tenha a sua visão mesmo contendo elementos pouco rentáveis para os executivos de Hollywood – como nudez, sexo, violência gráfica, a longa duração, detalhes em relação à fidelidade da obra. A preocupação parece situar sempre na qualidade de seu filme (mesmo que ainda tenha muito que amadurecer). É um diretor no mínimo corajoso, na minha opinião, e o filme ganha muito com isso: WATCHMEN é uma das melhores e mais fiéis adaptações de HQ’s.