TOP 12 PAUL W.S. ANDERSON

A essa altura, obviamente, já terminei de ver todos os onze longas que o Paul W. S. Anderson realizou, como disse que ia fazer… Não sei se vou comentar todos, mas pelo menos os coloco em ordem de preferência e com estrelinhas (máximo cinco estrelas) indicando o quanto eu gosto de cada filme.

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12. THE SIGHT (2000) ★ ★ ★

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11. RESIDENT EVIL (2002) ★ ★ ★

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10. AVP: ALIEN VS. PREDATOR (2004) ★ ★ ★

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09. DEATH RACE (2008) ★ ★ ★

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08. SOLDIER (1998) ★ ★ ★

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07. MORTAL KOMBAT (1995) ★ ★ ★ ★

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06. THE THREE MUSKETEERS (2011) ★ ★ ★ ★

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05. POMPEII (2014) ★ ★ ★ ★

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04. RESIDENT EVIL: AFTERLIFE (2010) ★ ★ ★ ★

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03. SHOPPING (1994) ★ ★ ★ ★

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02. EVENT HORIZON (1997) ★ ★ ★ ★

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01. RESIDENT EVIL: RETRIBUTION (2012) ★ ★ ★ ★

Que venha agora o episódio final da série RESIDENT EVIL, que vai chegar agora no fim do mês. Já estou devidamente preparado para o que der e vier…

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MORTAL KOMBAT (1995)

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Depois de assistir a SHOPPING, filme de estreia de Paul W. S. Anderson que eu comentei aqui outro dia, coloquei como missão neste início de ano rever todos os filmes do diretor e, obviamente, conferir o que não assisti ainda. Tô cagando se o cara é mal visto em alguns círculos… Vou ver mesmo assim. Então me deparei já de cara com MORTAL KOMBAT, que é o segundo trabalho do sujeito. Nem me lembro da última vez que vi essa tralha, mas lá nos meus doze, treze anos, era um verdadeiro espetáculo! Não era assim um grande fã do jogo (preferia Street Fighter), mas dava os meus “Fatality” de vez em quando. Além disso, não perdia uma Sessão Kickboxer, na Band…Bons tempos… Como basicamente, no fim das contas, MORTAL KOMBAT não deixa de ser apenas um filme de luta, era o paraíso um garoto da minha idade deparar-se com uma obra desse quilate.

Mas estava ainda com receio de saber como seria assistir hoje… Na época do lançamento, me lembro do filme ser recebido por muitos como a grande adaptação de videogame para o cinema. Tá certo que a concorrência não era das melhores… o que é aquele filme do Super Mario? E não vou nem falar nada do STREET FIGHTER, com JCVD… O fato é que Paul W. S. Anderson e sua turma conseguiram realmente captar a essência do jogo e combinar com certa perspicácia dentro de uma linguagem de cinema tudo aquilo que um fã de MK poderia almejar. Scorpion dizendo: “Get over here!“, Sub Zero congelando pessoas, Shang Tsung dizendo “Flawless Victory!” e “Finish Him!“, Goro com seus quatro braços destroçando seus adversários, Johnny Cage deixando sua foto autografada após uma peleja, etc, etc, etc… Tá tudo aqui!

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Portanto, revê-lo agora depois de tantos anos apenas confirmou a grande adaptação que é. Não que o resultado seja a oitava maravilha do universo do cinema… Longe disso, continua sendo uma tralha. Mas em termos de adaptação o filme merece seus elogios por conseguir manter os traços característicos do jogo na narrativa.

Além disso, é bem divertido como filme de fantasia e artes marciais. Algumas lutas são realmente bacanas, bem coreografadas e Anderson tem excelente noção de como utilizar os cenários, os espaços, na interação com os combates e os poderes dos personagens. Toda a sequência do confronto entre Cage e Scorpion, por exemplo, é de um cuidado que impressiona, tanto na manipulação dos ambientes quanto na encenação física, na trocação de socos e pontapés entre os personagens. De uma riqueza visual notável! A coisa começa em uma floresta conspícua e totalmente simétrica, com Scorpion lançando sua famosa “corrente” sobre o pobre Johnny, que não tem defesa, exceto fugir e arranjar uma solução para contra-atacar. Depois os dois são transportados a uma espécie de porão infernal onde o pau come de verdade… É disparado a melhor sequência de MK. É legal que em alguns momentos Anderson tenta realmente recriar os enquadramentos do jogo, o que torna tudo tão familiar e fascinante, como no confronto entre Liu Kang e Sub-Zero.

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MORTAL KOMBAT possui boa produção, com efeitos especiais decentes para o período (a concepção do Goro é simplesmente incrível), exceto algumas cenas de CGI que já na época eram ridículas e acabaram ficando muito datadas. O elenco é muito bom, a maioria dos atores não são apenas competentes, como Robin Shou (Liu Kang) e Linden Ashby (Johnny Cage), mas também representações físicas bastante precisas de seus personagens no jogo. Destaque para Christopher Lambert como Raiden, cheio de gracinhas constrangedoras, mas que me racham de rir, e o grande e expressivo Cary-Hiroyuki Tagawa fazendo o feiticeiro Shang Tsung, sempre um deleite vê-lo como vilão. O elenco ainda tem Trevor Godard, como Kano, Bridgette Wilson fazendo Sonya Blade e Talisa Soto encarnando a Kitana.

Só acho uma pena a classificação PG-13 para a adaptação de um jogo que abusava da violência gráfica, dos famigerados “Fatality” sangrentos. MORTAL KOMBAT é bem limpinho e a violência é praticamente zero. Não estraga a diversão, mas para os fãs mais xiitas e admiradores de um gore, a coisa fica a desejar. O filme possui alguns outros problemas mais estruturais, o próprio fio condutor do entrecho, o torneio de lutas, é mal explicado, nunca sabemos quem luta com quem, onde e quando; há momentos que é numa arena com público, em outros parece que os lutadores estão num universo paralelo completamente sozinhos. Pode ser relevado, mas são coisas que poderiam ser melhor exploradas. E não vou entrar em muitos detalhes sobre a trilha sonora… Uma insuportável batida eletrônica que é simplesmente um horror…

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Torto e falho em alguns pontos sim, mas MORTAL KOMBAT continua sem dúvida alguma uma das mais admiráveis adaptações de video-game para as telas de cinema e um competente exemplar de artes marciais dos anos 90, que envelheceu muito bem, dependendo do seu gosto pra esse tipo de filme… MK ainda teve mais duas continuações, mas esses eu não tenho coragem ainda de me aventurar tão cedo. Já tinha achado ruin na época e acho que não vai ser agora que vou mudar de opinião.

SHOPPING (1994)

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Entrei numa de redescobrir a carreira do Paul W.S. Anderson… Acho que é por causa do fechamento da saga RESIDENT EVIL no final do mês, uma franquia das atualidades que me interessa muito e do qual quatro filmes são dirigidos pelo homem. Sempre gostei dos filmes do Anderson, mas nunca parei pra pensar no sujeito como diretor de talento, um sujeito que possui uma visão tão rara dentro do cinema de ação atual, com estilo próprio, inventivo e até mesmo poético sobre o espetáculo popular e gêneros subestimados pelos cinéfilos acadêmicos (da mesma forma que eu penso sobre um Michael Bay e os caras da franquia VELOZES E FURIOSOS). Estilo que às vezes pode passar batido. É só reparar: Boa parte da crítica séria o despreza, a maioria dos cinéfilos o ignora, e o cara fica jogado de lado entre os realizadores genéricos. Quando não é bem assim.

Resolvi assistir ao SHOPPING, que é o filme de estreia de Anderson, um trabalho quase experimental, tão estilizado quanto existencialista, de baixo orçamento feito ainda na Inglaterra, e me surpreendi positivamente de todas as formas possíveis. O filme é fantástico, principalmente quando se percebe o quanto o cara saca pra cacete de mise en scène e trabalho de câmera. Me peguei pensando se os filmes seguintes, já sob a batuta dos grandes estúdios ele mantinha essa assinatura autoral. Lá atrás, ainda nos anos 90, Anderson fez uma das primeiras adaptações de Video Game realmente interessante, MORTAL KOMBAT, e realizou um dos filmes de horror espacial mais atmosféricos e arrepiantes daquela década, O ENIGMA DO HORIZONTE. Pelo menos é a impressão que eu guardo… Preciso rever e avaliar esses exemplos e até mesmo o que ele dirigiu em RESIDENT EVIL – apesar do quarto, AFTERLIFE, estar bem fresco ainda, acho um puta filmaço – pra confirmar essa tese. Por enquanto, SHOPPING foi uma descoberta das boas!

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Na época em que foi realizado, havia uma preocupação das autoridades britânicas em relação a um fenômeno marginal no qual jovens roubavam carros e dirigiam-se contra vitrines de lojas. Apesar do propósito ser claramente o roubo, descobriu-se que a ideia era mais pela diversão do que lucro. SHOPPING pega esse fenômeno e o transporta para uma cidade futurista, dark e estilizada, onde temos Billy (Jude Law fazendo sua estreia em longas), um jovem viciado em adrenalina, em carros e velocidade, que é praticante assíduo desses roubos. O rapaz começa o filme saindo da prisão e deixa bem claro que não tem intenção alguma de se ajustar, mesmo com a persuasão ineficaz do delegado (Jonathan Pryce). Uma relação fracassada com seu pai, mostrada posteriormente, deu a Billy uma total falta de respeito por qualquer autoridade.

A única influência boa que poderia surtir algum efeito em Billy é Jo (Sadie Frost), sua parceira no crime, que ocasionalmente o incita a sair dessa vida e oferece a possibilidade de algum tipo de relacionamento mais maduro. Mas Billy tem a mentalidade de um adolescente petulante, niilista, cujas energias hormonais são canalizadas para a busca de adrenalina em perseguições de carro com a polícia e um comportamento anti-social sem objetivo. Não é difícil ver que nada disso vai acabar bem.

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Mas enquanto o filme é infundido pela imaturidade do protagonista, não dá pra dizer o mesmo sobre Paul W.S. Anderson e suas habilidades no comando desse seu debut. O cara dirige com uma energia do caralho! É impressionante como a câmera simplesmente não pára em constantes travellings, panorâmicas elaboradas, ângulos dinâmicos, cenas de ação alucinantes habilmente encenadas, tirando leite de pedra do orçamento minúsculo. Além disso, consegue extrair excelentes desempenhos de seu elenco, tanto dos novatos (Law, Frost) quanto dos atores mais experientes (há uma breve participação de Sean Bean). E tem ainda um olho fantástico para a luz, a textura, os espaços, transformando paisagens industriais e áreas abandonadas de Londres em uma cidade apocalíptica desprovida de qualquer tipo de calor ou esperança humana.

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Na época, o filme foi uma reação à indústria cinematográfica britânica do início dos anos 90, a hegemonia das adaptações literárias dos James Ivory da vida e dramas realistas sociais em detrimento do cinema “entretenimento”, dos filmes que despertam os prazeres visuais e narrativos de gênero, como ação, thriller, etc. Em outras palavras, SHOPPING era o manifesto rebelde de Anderson dentro da industria britânica. Menos de um ano depois do lançamento,  Danny Boyle aparece com COVA RASA e logo, TRANSPOTTING. Não estou querendo dizer que Anderson reinventou o cinema britânico com SHOPPING, mas não dá pra negar que ao menos dentro de um contexto do cinema comercial, Anderson e Boyle estiveram trabalhando na vanguarda de uma nova onda no cinema britânico.

Paul W.S. Anderson pode até não ser um cineasta sofisticado, mas é inegável seu notável senso estético e formal, e espero encontrar esse estilo único mesmo nos seus blockbusters de Hollywood atuais. Já SHOPPING é meu novo “queridinho” dos anos 90, uma bela descoberta que ainda pretendo revisitar algumas vezes.