ESPECIAL DON SIEGEL #12: BABY FACE NELSON (1957)

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E eis que Don Siegel resolve fazer um filme meio biográfico de uma das figuras criminosas mais fascinantes da história americana, Lester J. Gillis, mais conhecido por seu apelido, Baby Face Nelson. Tal fascínio é menos por uma eventual identificação do personagem com o público – o cara era um psicopata desprezível – e mais pelas possibilidades de um estudo de personagem cheio de características dramáticas e psicológicas e pelo momento histórico rico em detalhes. E a visão de Siegel sobre o sujeito em BABY FACE NELSON não poderia ser diferente: crua, revisionista e extremamente brutal. Continuar lendo

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SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT 5: THE TOY MAKER (1991)

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Ho, ho, ho! Hoje é natal e finalizamos a série SILENT NIGHT DEADLY NIGHT com o quinto exemplar. O diretor e produtor Brian Yuzna, do capítulo anterior, resolveu tomar conta da franquia e produziu já no ano seguinte SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT 5: THE TOY MAKER, dirigido por Martin Kitrosser. Não sei se ele tinha planos de fazer a série prosperar, o fato é que a coisa toda acabou neste aqui.

A ideia do Papai Noel assassino segurando um machado já havia sido deixada de lado desde o terceiro filme. Contanto que o horror se passasse durante o natal, qualquer coisa estava valendo. O que aprontariam os realizadores nesse quinto capítulo? Com um roteiro assinado pelo Yuzna e o tal de Kitrosser, a ideia brilhante que tiveram foi, vejam só, uma releitura do famoso personagem criado por Carlo Collodi, o Pinóquio (ou Pinocchio, em italiano). Temos um velho fabricante de brinquedos decadente chamado Joe Petto (Hahaha!), vivido por ninguém menos que o velho Mickey Rooney, e seu filho, que é meio virado da cabeça, chamado Pino (!!!). Quando percebi esses nomes, matei a charada que estava por vir…

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Mas a trama de THE TOY MAKER segue um moleque que, numa noite perto do natal, recebe um misterioso presente deixado na porta de sua casa. Seu padastro percebe a movimentação e interrompe o coito com a mulher para mandar o guri pra cama. E é até bem grosso com o menino, por isso não ficamos muito sensibilizados quando o sujeito resolve abrir o presente, é “atacado” pelo brinquedo e bate as botas sob o olhar assustado do garoto. A vida segue, o moleque desde então não consegue falar, só faz cara de bunda o resto do filme, e sua mãe (Jane Higginson) tenta manter as coisas em ordem depois da morte do marido.

As coisas começam piorar para mãe e filho quando o tal Pino resolve se meter misteriosamente na vida deles, perseguindo e invadindo a casa, até culminar numa sequência final na qual descobrimos que Pino não é exatamente o que, a princípio, imaginamos. A não ser que você tenha se ligado na referência do Pinocchio…

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Apesar de um tanto ridícula na prática, essa contextualização dos personagens de Collodi neste filmeco de horror é interessante. O problema é que THE TOY MAKER custa a engrenar. A primeira hora de filme é muito chata, sem clima e várias boas ideias são desperdiçadas. Uma delas são os tais brinquedos com os aparatos mortais. As melhores sequência do filme só acontecem praticamente no climax final. Numa delas, a babysitter do garoto resolve fazer bobiças com o namorado e o quarto é invadido por brinquedos programados para matar! E aqui percebe-se o potencial que o filme teria se tivessem elaborado mais momentos com os brinquedos. Na verdade, há, mas é pouco e nem se comparam com a cena do quarto. Aposto que um Charles Band não desperdiçaria a oportunidade. Por outro lado, temos Mickey Rooney marcando presença e pagando mico com seu Geppetto de araque. E olha como são as coisas. Dizem que Rooney escreveu uma carta de repúdio quando o primeiro filme da série foi lançado, dizendo que a produção difamava o espírito natalino… Teve que aceitar participar de uma das continuações pra receber um cheque e pagar as contas no fim do mês. Rooney, não custa lembrar, ainda vive, está com 93 anos.

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THE TOY MAKER vale uma conferida para quem estiver interessado em assistir a série inteira. Como filme de horror independente, já que não tem qualquer ligação com os outros filmes exceto pelo título, é fraco, apesar da última meia hora, com brinquedos assassinos, efeitos especiais criativos e um Pinocchio macabro com complexo de Édipo.

Para finalizar, em questão de preferência, coloco os filmes da série na seguinte ordem:

5. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT III: BETTER WATCH OUT! (89), M. Hellman
4. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT V: THE TOY MAKER (91), Martin Kitrosser
3. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT II (87), Lee Harry
2. SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT (84), Charles E. Sellier
1. INITIATION: SILENT NIGHT, DEADLY NIGHT IV (90), Brian Yuzna

Feliz natal!