THE PUNISHER (1989)

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Ano passado tivemos uma memorável participação do personagem Justiceiro na segunda temporada da série do Demolidor, da Marvel. Interpretado por Jon Bernthal, a presença de uma das minhas figuras favoritas dos quadrinhos deu uma elevada no seriado e trouxe alguns dos momentos mais brutais que assisti em 2016, como a sequência da pancadaria na prisão e muita morte à sangue frio, pra deixar o Matt Murdock de cabelo em pé.

Foi um retorno digno do personagem, bem melhor que os anteriores e recentes, THE PUNISHER (2004) e PUNISHER: WAR ZONE (2008). No entanto, a adaptação do personagem em live action que mais me encanta e que este do seriado não chega aos pés, é o clássico épico THE PUNISHER, de 1989. Dirigido por Mark Goldblatt e estrelado pelo único e inigualável Dolph Lundgren, essa é a versão que permanece a mais truculenta, trágica e fiel sobre Frank Castle. E eu realmente AMO essa merda…

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Um detalhe sobre essa adaptação que me agrada é o fato de não haver uma preocupação com as origens do Justiceiro. Quero dizer, a trama não é sobre os acontecimentos que fizeram Frank Castle se tornar o sádico e violento vigilante como acontece em 99% das adaptações de quadrinhos para o cinema.

THE PUNISHER se passa cinco anos depois do trágico destino que levou a família do ex-policial, com o Justiceiro já em atividade, sedento por vingança, eliminando a escória humana que assola a cidade e deixando um rastro de mais de 125 corpos ao longo dos anos, especialmente membros da máfia italiana, que são os responsáveis pela morte de seus familiares. Há uma cena em que o Justiceiro aparece nu, em meditação no seu esconderijo, nos subterrâneos da cidade, relembrando a morte de seus entes, mostrado apenas num rápido flashback. O suficiente pra não encher muito o saco com o passado do cara… Até porque o Justiceiro fica entediado muito rápido e não demora para sair novamente pelas ruas para matar o primeiro mafioso italiano que encontrar pela frente.

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O grande problema é que exterminar praticamente todo o crime organizado local deixou os pobres italianos mafiosos vulneráveis a uma invasão hostil da yakuza. Como tirar um pirulito de uma criança, os japoneses execultam um plano que consiste em sequestrar os filhos de cada chefe de família como insentivo para que entreguem todo o império da máfia italiana de mão beijada. Isso inclui o filho de um dos gangsters mais poderosos do pedaço, Gianni Franco (Jeroen Krabbe, excelente!), que negocia uma trégua com o Justiceiro o tempo suficiente para resgatar seu filho e se possível eliminar vários “olhinhos puxados” vestidos de quimono.

A trama ainda tem espaço para um subplot com Louis Gossett Jr. vivendo um detetive que conhecia Castle antes de toda a tragédia de cinco anos atrás. E agora o caça incansavelmente. Algumas das melhores sequências de THE PUNISHER são os dois contracenando. Porra, vamos ser sinceros, algumas das melhores cenas de qualquer filme adaptado de quadrinhos são com Gossett e Dolph em cena. Eu desafio a qualquer um a me mostrar numa adaptação de HQ recente uma cena tão poderosa como esta:

Como você chama 125 cadáveres em 5 anos?
Um trabalho em andamento.

Simplesmente do CARALHO!

A escolha de Dolph como Castle/Justiceiro é uma das grandes sacadas do filme. Por mais que no período tivéssesmo vários atores casca-grossas, não consigo pensar em ninguém no lugar do sueco… Porra, Dolph Lundgren tem o look, conseguiu imprimir uma intensidade lacônica para o papel, que sem dúvida alguma é o melhor desempenho de sua carreira. Seu justiceiro até pode pertencer ao mesmo universo de um Capitão América e de um Homem-Aranha, mas ele é humano. Quebra pescoços, dá tiros, facadas, socos, chutes, mas chega a um ponto que o cara fica exausto e Dolph realmente representa alguém que consegue lidar com uma horda de ninjas de forma brutal, mas no fim das contas é apenas um homem cansado, precisando de uma boa noite de sono.

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Na época do lançamento, a New World Pictures, que produziu THE PUNISHER, tava bem mal das pernas e o filme acabou indo parar no mercado de vídeo bem antes do planejado… Aqui no Brasil mesmo, se não estou enganado, nem chegou a passar nos cinemas. O orçamento também não é lá grandes coisas, algo em torno de dez milhões de dólares, o que é uma pena pela grandeza do projeto e do roteiro casca-grossa que conseguiram aqui… Mas até que isso não é necessariamente uma coisa ruim quando temos um diretor do calibre de Mark Goldblatt no comando. O sujeito já possuia na época vasta experiência como montador e editou dezenas de filmes de ação porretas, como RAMBO II (85), O EXTERMINADOR DO FUTURO (84) e COMANDO PARA MATAR (85).

Goldblatt tirou leite de pedra com THE PUNISHER, mas o resultado das sequências de ação é fantástico. Se por um lado um orçamento maior fizesse a coisa toda ser um espetáculo visual deflagrador, o baixo orçamento fez com que o cara tivesse que usar a criatividade, filmar ação sem frescuras, crua, com boa contagem de corpos e doses cavalares de violência. Dá pra perceber que Goldblath edita o filme na câmera, filmando o essencial, com poucos movimentos, mas com equadramentos precisos, bom uso dos cenários e grandes sacadas estéticas. A sequência final na base yakuza, por exemplo, deveria servir de base para qualquer cineasta que se interessa por sequências de ação, tanto pela energia, ritmo, gramática da ação quanto pela beleza estética e uso das cores…

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Aliás, essa sequência final é simplesmente épica em todos os sentidos! Castle e Franco invadem o quartel general da Yakuza enchendo samurais e ninjas de chumbo grosso sem piedade alguma. Castle ainda tem que enfrentar no combate corporal alguns capangas e salvar Franco de estourar os próprio miolos na iminência de ter o filho assassinado. Depois, quando tudo parece terminado e Castle já não aguenta nem “uma gata pelo rabo” de tão exausto, o próprio Franco tenta matá-lo como vingança dos 125 corpos ao longo dos anos. Por fim, temos a clássica cena do menino botando o revolver na cabeça de um estafado Justiceiro, que é de lascar. E Castle ainda desafia o moleque a puxar o gatilho! Como um filme desse não é reconhecido como uma obra-prima dos cinema de ação oitentista?!

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Há ainda algumas outras tantas cenas que eu destacaria. O tiroteio nas docas, com os Yakuzas exterminando os italianos e o Justiceiro chegando no local para acabar com a festa dos japas… Temos Dolph Lundgren zanzando de motocicleta dentro dos túneis do esgoto, a cena do cassino, o tiroteio eletrizante no parque de diversões abandonado, a cena em que Castle é torturado pelos Yakuza… Será que só eu consigo enxergar a grandeza e a beleza desse filme?

Bem, não é muito difícil entender a falta de aceitação dos fãs com essa adaptação. Especialmente os mais xiitas que encrencam até com a camisa sem caveira do Justiceiro. Tá certo que é um ícone, o emblema do cara, a mesma coisa que levar o Batman para às telas sem o morcego no uniforme, mas não é pra tanto. O grande lance é que THE PUNISHER não possui um clima de história em quadrinhos, aquele estilo que flui com a leveza da maioria dos filmes da Marvel, especialmente os de hoje.

Mas acho que o filme realmente capta a essência do personagem e coloca na tela com o tom que deveria ter. É uma porrada violenta! THE PUNISHER possui uma carga pesadíssima de desgraça e melancolia que se mistura entre as cenas de ação. A persona que Dolph cria para Castle é deplorável e depressiva, dá até pena do cara… E isso tem tudo a ver com o Castle dos quadrinhos. Revisto hoje, só consigo pensar na atual geração das adaptações de super-heróis para o cinema, uma das vertentes mais em voga do cinema hollywoodiano atual, e que até possui alguns exemplares bacanas, como GUERRA CIVIL, HOMEM DE FERRO 3 e DR. ESTRANHO, mas é tudo tão limpinho e bonitinho, cheio de efeitos especiais, não chegam nem perto de ter o clima amargo e pesado de THE PUNISHER, ou personagens realmente trágicos como o Frank Castle de Dolph, ou sequências de ação cruas e violentíssimas… Enfim, só consigo pensar que realmente se trata da minha adaptação de HQ de super-heróis favorita de todos os tempos. Lidem com isso.

RED SCORPION (1988)

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RED SCORPION é algo um tanto extraordinário. É um típico escapismo de ação oitentista, de ótima qualidade por sinal, mas que, acreditem, serve também de base para um interessante estudo de personagem, com transformações bem construídas e uma forte intensidade emocional. Nada muito profundo, obviamente, mas fora do comum em relação a outros exemplares do gênero.

Vejamos: Dolph Lundgren interpreta um assassino soviético altamente treinado, uma verdadeira máquina de matar, enviado à África para eliminar um líder rebelde em um país comunista dominado por Cuba, mas acaba falhando em sua missão e é jurado de morte pelo seu próprio país. Foge pelo deserto onde passa por uma experiência transcendental filosófica com um nativo africano que lhe mostra a essência da vida. Ele retorna para os rebeldes agora com o objetivo de unir-se a eles, arranja uma metralhadora bem grande e detona o maior número de carcaça soviética num final explosivo!!! Não é de chorar?

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Há o lado político de RED SCORPION, que é uma das propagandas mais bobas que eu já vi. Um russo que muda de lado e extermina comunista?! Pffff, tinha que ser coisa do produtor Jack Abramoff, famigerado lobista de Washinghton que foi preso há alguns anos condenado por corrupção e fraudes… dizem que hoje trabalha numa pizzaria. Mas houve um tempo em que suas visões políticas eram colocadas nos filmes que produzia, como este aqui.

Mas o que vale mesmo é a atuação de Dolph Lundgren e as transformações, não políticas, mas universais e humanas, que seu personagem sofre no decorrer do filme. No elenco ainda temos Brion James, também fazendo sotaque russo, e M. Emmet Walsh vivendo um jornalista americano preconceituoso que detesta o Dolph, mas deve ser porque é velho, barrigudo e acabado, enquanto Dolph é aquela montanha de músculos e no calor africano, usa pouquíssimas roupas, para alegria da mulherada (ou de alguns rapazes que jogam no outro time… nada contra).

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Outro destaque vai para as sequências de ação, dirigidas pelo grande Joseph Zito, o mesmo cara que fez BRADDOCK e a obra-prima INVASÃO USA, ambos com o Chuck Norris! Então já dá pra confiar, o cara é da pesada e filma ação com uma truculência absurda e RED SCORPION deve ter mais testosterona que a urina do Mike Tyson! É explosão que não acaba mais, armamento pesado cuspindo fogo freneticamente, há uma perseguição no meio do deserto que lembra INDIANA JONES, com Dolph pulando de um caminhão pra uma motocicleta e, depois, de volta para o caminhão, tudo em movimento e trocando balas com seus perseguidores. O final é um espetáculo pirotécnico que só o bom cinema de ação dos anos 80/90 sabia promover.

E vale ressaltar que a direção de Zito não é apenas notável nas cenas de ação. O sujeito realmente sabe tirar proveito das belezas naturais dos cenários africanos, principalmente nas sequências em que Dolph encara o deserto ao lado do nativo e participa do ritual do escorpião, ganhando uma tatuagem e o título de “Red Scorpion”. O visual do filme impressiona e no fim das contas estamos diante de um místico action movie casca-grossa.

RED SCORPION ganhou uma continuação durante os anos 90, sem o Dolph, que acabei não assistindo ainda.

MESTRES DO UNIVERSO (Masters of the Universe, 1987)

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Comprei recentemente o dvd nacional de MESTRES DO UNIVERSO, de Gary Goddard e com o Dolph Lundgren, a famigerada adaptação da Cannon do desenho animado dos anos 80, HE-MAN, que nos importunava na infância. Uma das lembranças que eu tenho quando assisti a esta versão para o cinema pela primeira vez – e isso foi ainda nos anos 80, em VHS – foi de que essa merda não tinha nada, absolutamente NADA a ver com o desenho que via todas as manhãs na globo. O que não significa muita coisa, já que abracei a causa do mesmo jeito e curti essa bizarrice brega pra cacete como se não houvesse amanhã… Ao longo dos anos fui revendo, sempre com variadas mudanças de opinião. Na maioria das vezes achava a coisa mais ridícula do mundo! Mas hoje retorno ao meu gosto de infância e me divirto à valer com essa bagaceira.

Convenhamos também que o desenho, embora fosse legal assistir com 6 anos, era muito bobo e haviam outros exemplos de aventura com muito mais profundidade, substancia e bem mais divertidos que HE-MAN, como os THUNDERCATS e o sensacional SILVERHAWKS. Quero dizer, não estamos falando de uma adaptação de um Dostoiévski ou Kafka, mas de um cartoon criado com o único objetivo de vender bonecos, ou seja, ninguém deveria estar preocupado com a maldita fidelidade na adaptação, se mudaram a história ou os personagens principais, que se dane! Contanto que seja divertido, estamos aí… E eu diria que MESTRES DO UNIVERSO consegue isso.

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Mas enfim, a trama é a mais simples possível. O Esqueleto (sempre excelente Frank Langella) finalmente conquistou o Castelo de Greyskull e seu exército toca o terror no reino de Eternia. Os rebeldes resistem liderados pelo homem de cueca, He-Man, que não dá moleza com sua espada, fonte de grande poder e que Esqueleto almeja colocar as mãos… Er… Esqueleto quer botar as mãos na espada do He-Man… Acho que isso soa meio estranho, mas basta não pensar muito, vamos levar a coisa de modo literal.

Há também um anão, chamado Gwildor, que inventa um chave cósmica que abre portais para qualquer lugar nos confins do universo. Em determinado momento, os heróis ficam encurralados e numa tentativa de escapar acabam abrindo um portal para algum lugar qualquer… Uma cidadezinha nos Estaos Unidos… Para variar. Definir que a história vai se passar quase totalmente na terra é, naturalmente, uma simples questão de orçamento. Quanto menos cenários interplanetários construídos, menos gastos em efeitos especiais e decoração. Portanto, a aventura é transportada para a Terra em 1987, com todos os aparatos visuais e sonoros que só aquele período foi capaz de nos proporcionar.

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De alguma forma, a tal chave cósmica vai parar nas mãos de um aspirante a rockstar estúpido e sua namoradinha, interpretada por uma jovem Courtney Cox. Esqueleto, que também possui uma dessas chaves, envia seus mercenários para terra para pegar a outra chave cósmica e levá-la de volta… Mas He-Man está lá com Mentor (Jon Cypher) e Teela (Chelsea Field) para atrapalhar a vida de esqueleto. E para compor ainda mais o brilhante elenco, temos Meg Foster como Maligna.

Para ser honesto, toda essa historinha de chaves cósmicas e viagens intergaláticas em portais é o que menos interessa em MESTRES DO UNIVERSO. Posso garantir pelo menos que não é uma trama chata, sempre se mantém em movimento com boa energia pra durar noventa minutos. E toda vez que se ameaça deixar a peteca cair, uma nova sequência de ação ou uma bobagem com efeitos especiais surge em cena pra nos entreter cada vez mais. E o que realmente importa em MESTRES DO UNIVERSO são os pequenos detalhes excêntricos que me fazem sorrir durante a sessão, não importa se fazem sentido ou não… Adoro, por exemplo, a cena em que os mercenários contratados para irem à Terra são apresentados:

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É o efeito sensorial e nostálgico, é ver um He-Man de carne e osso matando à vontade seus inimigos com pistolas de raio laser ou com sua espada, é a galeria de personagens em maquiagens esquisitas… E isso tudo é espetacular! Todas as cenas de ação são recheadas de lasers, faíscas e fumaça, lutas grosseiras, tudo filmado numa simplicidade, exagero e imediatismo que às vezes sinto falta no cinema de ação atual, onde só querem saber de realismo, realismo e câmeras chacoalhando…

Só a cena em que He-Man usa uma espécie de skate voador fugindo e perseguindo asseclas do Esqueleto é mais emocionante que 80% dos filmes de ação atual. A sequência final também é um deleite, com algumas sacadas de iluminação de encher os olhos, especialmente no duelo final entre He-Man e Esqueleto, com o cenário em penumbra dando destaque aos dois inimigos mortais. Sem contar que MESTRES DO UNIVERSO faz cópia descarada de vários elementos de STAR WARS, desde tiroteios com armas lasers ao uniforme dos soldados de Esqueleto, cujos capacetes são praticamente cópias do visual de Darth Vader.

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Apesar do que eu disse lá em cima sobre orçamento, o de MESTRES DO UNIVERSO não era dos piores para um filme da Cannon… Uma tentativa frustrada e arriscada da dupla Golan e Globus em salvar a produtora que no final da década de 80 já andava mal das pernas. Obviamente os fracassos de bilheteria deste e alguns outros, como SUPERMAN 4,  acabaram por levar a produtora à falência em poucos anos. No entanto, percebe-se que o dinheiro foi bem gasto por aqui em cenários, efeitos especiais, maquiagem e vestuário. Claro, tudo irremediavelmente oitentista,  uma época em que bom gosto não era nada e néon era tudo.

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Ainda bem que as modas passam e sobra o saudosismo. O filme hoje é salvo por esse encantamento nostálgico, pela energia honesta em se fazer uma aventura bem movimentada e divertida, sem muita frescura, e por ter Dolph Lundgren em seu primeiro papel de herói no cinema, a melhor personificação de He-Man que eles poderiam ter encontrado na época. E até que o sueco se sai bem, com pouquíssimas falas e boa presença, especialmente nas cenas de ação.

Outro destaque óbvio é Frank Langella como esqueleto. O próprio ator considera o personagem como um de seus favoritos, e é perceptível, por mais sinistro que esteja, o sujeito se divertindo na atuação, olhando diretamente para câmera usando uma maquiagem horrível! Langella não tá nem aí em soar ridículo e seu Esqueleto transcende ao sublime. Mas um dos personagens que mais gosto é o detetive Lubic, vivido por James Tolken, o diretor careca da escola de DE VOLTA PARA O FUTURO. O cara tá engraçadíssimo como tira durão que cai de para-quedas nessa aventura intergalática. E o melhor de tudo é vê-lo entrando na ação, com uma escopeta, atirando nos mini Darth Vaders. Simplesmente sensacional.

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MESTRES DO UNIVERSO não é nenhuma obra-prima, deixando isso bem claro, nem mesmo um clássico esquecido, até porque entendo perfeitamente quem acha o filme uma merda e decidiu colocá-lo no limbo. Mas acho divertidíssimo e faria uma bela sessão dupla com FLASH GORDON dos anos 80, outra adaptação bem legal, mas renegada e que merecia, pelo menos, uma reavaliada dos detratores. Havia uma época que rolava notícias de um projeto para um novo filme do He-Man, que seria até dirigido pelo John Woo, mas já faz um bom tempo que não se fala mais nisso… Talvez até seja melhor que continue assim.

THE REAL PUNISHER

A primeira temporada da série do Demolidor, DAREDEVIL, produzida pelo Netflix, foi uma das melhores coisas que assisti em 2015 em termos de ação (aliás, agora que me dei conta que não postei minha habitual lista de melhores filmes de ação do ano passado…que não foi lá grandes coisas, mas preciso postar, ainda há tempo). Muito superior àquela porcaria que o Ben Affleck estrelou lá por 2001 ou 2002, a série é badass pra cacete, visceral, humana e é recheada de sequências de ação da mais alta qualidade. Essa semana saiu o trailer da segunda temporada, que tem como trunfo a presença do Justiceiro (Punisher), que sempre foi um dos personagens que mais me interessou quando colecionava quadrinhos na minha adolescência nos anos 90. E o trailer tá de arregaçar:

Vivido por Jon Bernthal, o Shane de THE WALKING DEAD, a participação do Justiceiro/Frank Castle na série tem tudo para ser um dos grandes momentos deste ano, e Bernthal é uma boa escolha. O personagem já tinha chegado às telas duas vezes na década passada. Primeiro com THE PUNISHER (2004), com Thomas Jane no papel principal, e em PUNISHER: WAR ZONE (2008), com o personagem sendo encarnado por Ray Stevenson. O primeiro é passável, dá pra assistir, pelo que me lembre… Mas o segundo é péssimo em todos os sentidos. Tenho certeza absoluta que esse novo Justiceiro de DAREDEVIL vai arrasar com esses dois.

MAAAASSSS… Não vamos esquecer que o melhor Justiceiro de todos é e sempre será o Dolph Lundgren e uma das melhores adaptações de quadrinhos de todos os tempos ainda é (e sempre será também) THE PUNISHER, de 1989, dirigido pelo Mark Goldblatt:

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A segunda temporada de DAREDEVIL vai estrear em março, mas até lá eu revejo essa belezinha, que é insuperável!

SOLDADO UNIVERSAL (Universal Soldier, 1992)

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É curioso voltar a SOLDADO UNIVERSAL, de Roland Emmerich, tendo em mente o que a série se tornou. Claro, eu adoro o dois últimos, especialmente o DAY OF RECKONING (2012), mas não deixa de ser estranho. Lembro-me de assistir a este aqui logo que saiu nas locadoras da pequena cidade onde morava, um  evento de proporções épicas pra um moleque como eu, viciado em filmes de ação e que já acompanhava os dois astros, Jean-Claude Van Damme e Dolph Lundgren. Revendo agora, depois de tanto tempo, percebe-se lá suas fragilidades, mas ainda é um filmaço eletrizante, com toques sci-fi, que não tem como dar errado.

Vamos fingir que ninguém viu ou esqueceu da história de SOLDADO UNIVERSAL e mandar uma sinopse, até porque o conceito do filme é legal: soldados americanos mortos no Vietnã são, de alguma maneira, reanimados nos dias de hoje, passam por uma lavagem cerebral e formam um esquadrão de elite do governo americano, num programa militar secreto chamado Unisol.

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Gosto da ideia do filme nunca explicar direito os detalhes por trás da experiência de reviver os corpos dos soldados. Como a coisa funciona? Acho que nem os roteiristas sabem explicar. Mas em tempos de INTERSTELLAR, onde tudo é explanado nos mínimos detalhes, tendo como base teorias da física, algo direto e objetivo como SOLDADO UNIVERSAL chega a ser um frescor.

Entre essas unidades “zumbis” está um caso especial: um soldado, Van Damme, e seu sargento, Dolph, antes de baterem as botas tiveram um pequeno desentendimento… No calor da guerra, o tal sargento surta, mata seus próprios subordinados e coloca em prática seus talentos artesanais fazendo um colar de orelhas decepadas. Van Damme e Dolph podiam ter resolvido esse problema no diálogo, mas parece que não deu… Já no programa militar, os dois começam a recordar as diferenças passadas e, como não vão muito com a cara do outro, retomam a briga de décadas atrás. SOLDADO UNIVERSAL é basicamente isso.

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Na sua essência, o filme é uma grande sequência de perseguição, ou como uma montanha russa, com seus altos e baixos, mas sempre com a adrenalina injetada na veia do espectador, nos bombardeando com tiroteios alucinantes, pancadarias grosseiras, explosões, uma dose de violência que não existe mais no cinema comercial americano, perseguições de carro, caminhão, ônibus, à pé, nos mais diversos cenários… Sobra tempo até para uns toques de humor.

Em cima de tudo isso, SOLDADO UNIVERSAL consegue desenvolver um lado emocional interessante com Luc Deveraux, personagem do Van Damme, que “acorda” nessa nova época e de alguma maneira quer reconstruir seu passado, tentando retornar a casa dos pais, diferente de Andrew Scott (Lundgren), que “desperta” tão insano e com sede de sangue quanto no período da guerra. É uma situação que me toca um bocado, em meio a tantas cenas explosivas de ação gratuita.

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É evidente que é preciso ignorar os sotaques, algo que nunca me incomodou, na verdade, mas ambos, Van Damme e Dolph, estão extremamente à vontade em seus personagens. O primeiro com sua simpatia característica, um lado cômico, mostrando a bunda em plano detalhe para fazer uma graça com a mulherada e outros públicos, mas carrega também uma certa vulnerabilidade que dá a impressão de que nunca vai conseguir derrotar seu oponente.

Já o Dolph está insano como o sargento psicopata artesão-de-colar-de-orelhas! O sueco encaixa muito bem no papel de vilão, já havia feito isso antes, como em ROCKY 4, mas em SOLDADO UNIVERSAL tem um dos melhores desempenhos de sua carreira. Outros brutamontes aparecem como unisoldiers, como Ralf Moeller e Tommy ‘Tiny’ Lister. Ed O’Ross e Ally Walker, que faz o par quase romântico com Van Damme na aventura, completam o elenco.

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Roland Emmerich, que é um diretor com mais erros do que acertos em sua carreira, pode se orgulhar de ter criado alguns momentos que se tornaram clássicos do cinema de ação dos anos 90. A já citada cena com o Dolph e o colar de orelhas, gritando “can you hear me?“, ou Van Damme atravessando as paredes de um motel de beira de estrada sob uma saraivada de balas atiradas pelos unisoldiers. A sequência de luta no restaurante também é muito boa e há a perseguição onde o Dolph arremessa granadas no veículo ocupado pelo herói. Enfim, o que não falta é ação da boa para alegrar o dia! E nem mencionei o confronto final entre Dolph e Van Damme, que é épico, brutal e fecha a bagaça com chave de ouro.

Apesar de ser um filme que tem um lado reflexivo, com questões éticas sobre a utilização de corpos humanos para experiências governamentais e a busca de humanidade num personagem à deriva no tempo, SOLDADO UNIVERSAL não tenta fingir ser aquilo que não é. Ou seja, é honesto em tratar-se de reconhecer que é um produto de entretenimento, por vezes estúpido e inverossímil, mas que consegue divertir com todos os elementos que os admiradores de cinema de ação esperam ver num filme como esse. Menos a bunda do Van Damme… Isso eu dispenso.