CPC UMES FILMES – PROMOÇÃO DIA DOS PAIS

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A CPC UMES FILMES Selecionou uma coleção de DVDs imperdíveis do seu catálogo que estão com 30% de desconto, para presentear os papais antenados com o bom cinema!

São 15 títulos que estão de R$ 39,90 por R$ 27,90 por tempo limitado.

Clique aqui e confira a relação de filmes.

 

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Lançamento de Julho – CPC-UMES Filmes: BORIS GODUNOV (1986)

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O lançamento de julho da CPC UMES FILMES será BORIS GODUNOV, dirigido e protagonizado por Serguei Bondarchuk (O DESTINO DE UM HOMEM) a partir de um clássico do escritor e poeta russo Aleksandr Pushkin.

O filme já se encontra em em pré-venda no site da distribuidora.

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SOBRE O FILME:
“Um ano após Gorbachev iniciar a introdução na URSS das reformas que dissolveram as derradeiras barreiras à restauração capitalista, Serguei Bondarchuk adapta, dirige e estrela a tragédia de Pushkin, BORIS GODUNOV, ambientada no período 1598-1605, às vésperas da “Era das Perturbações”. Com a morte do czar Ivan, o Terrível, Boris Godunov se torna regente e 13 anos mais tarde, em 1598, assume o trono, com aparente relutância, assombrado por rumores de que fora responsável pelo envenenamento do legítimo herdeiro de Ivan, o filho Dimitry. Alguns anos depois, um pretendente posa como o príncipe perdido e lidera uma revolta para derrubar Boris, personagem, a exemplo do Macbeth de Shakespeare, profundamente dividido entre a ambição e o remorso.”

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SOBRE O DIRETOR SERGUEI BONDARCHUK:
“Serguei Bondarchuk nasceu na Ucrânia. Depois de combater na Segunda Guerra com o Exército Soviético, concluiu seus estudos na Universidade Estatal Russa de Cinematografia Gerasimov (VGIK), em 1948. A partir de então trabalhou como ator no Estúdio Mosfilm, debutando em um papel secundário no filme A JOVEM GUARDA, dirigido pelo próprio Serguei Gerasimov. Em 1951 protagonizou o drama CAVALEIRO DA ESTRELA DE OURO. Em 1955 interpretou o papel principal em uma adaptação de Otelo, de Shakespeare, dirigida por Serguei Yutkevich. Em 1959 estreou na direção em O DESTINO DE UM HOMEM. Do seu trabalho como diretor destacam-se ainda GUERRA E PAZ (1968), adaptação do romance de Lev Tolstoi; ELES LUTARAM PELA PÁTRIA (1975), sobre a Batalha de Stalingrado; e a adaptação da obra de Aleksandr Pushkin, BORIS GODUNOV, que protagonizou e dirigiu em 1986. Seu último trabalho foi ‘O DON TRANQUILO’ (1992), série de TV que realizou com seu filho, Fyodor. Foi distinguido com o título de Artista Popular da URSS em 1952, com o Prêmio Stalin também em 1952, e como Herói do Trabalho Socialista em 1980.”

Vale destacar ainda WATERLOO, produção internacional sob a batuta de Dino De Laurentiis (em parceria com o Mosfilm), um épico de guerra com Rod Steiger no papel de Napolão Bonaparte.

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ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY (2017), CPC-UMES Filmes

Em Junho do ano passado, a CPC-UMES Filmes fez o lançamento nos cinemas de ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY, e como blog parceiro, tive a oportunidade de assistir na presença do diretor, o grande Karen Shakhnazarov, realizador de CIDADE DOS VENTOS, que já comentei por aqui, e atual presidente do Mosfilm, principal estúdio da Rússia. E no mês passado, a CPC-UMES Filmes lançou ANNA KARENINA em DVD e Blu-Ray.

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Produção russa muito bem cuidada e suntuosa de 2017, adaptação do clássico de Tolstói com um viés diferenciado, com a narrativa sendo temperada com os escritos do autor russo Vikenty Veresaev sobre a guerra russo-japonesa, contando a história a partir do ponto de vista do Conde Vronsky, amante de Anna. Um drama histórico tecnicamente deslumbrante, bem dirigido e com ótimo elenco, que vale a pena uma conferida. Para quem é fã do material e se interessa pelo tema, é uma boa pedida.

ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY pode ser encontrando na loja virtual da distribuidora e em várias lojas do gênero e livrarias, em DVD e Blu-Ray. E não deixe de curtir a página da CPC UMES FILMES no Facebook para ficar sabendo das novidades do cinema soviético e os seus próximos lançamentos.

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Lançamento de Junho – CPC UMES Filmes: A ASCENSÃO (1977)

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O lançamento de junho da CPC UMES FILMES é o filme A ASCENSÃO, de Larisa Shepitko. Um dos mais importantes da cinematografia soviética, o filme ganhou o Urso de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 1977.

A edição em DVD é a partir de matriz restaurada em 2018, com altíssima qualidade de som e imagem. E como sempre, com tradução e legendas direto do russo.

O lançamento será dia 28/06/19 e já está em pré-venda no site da distribuidora.

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SOBRE FILME:
“No rigoroso inverno que assola a URSS durante a 2ª Guerra Mundial, dois guerrilheiros soviéticos deixam seu acampamento na Bielorrússia à procura de alimentos para o grupo. A jornada é de provações e sofrimento. Capturados pelos nazistas, reagem diferentemente ao mesmo tratamento brutal. Adaptação do romance ‘Sotnikov’, do escritor bielorrusso Vassil Bykov. ”

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SOBRE A DIRETORA LARISA SHEPITKO:
“Diretora de cinema, roteirista e atriz, Larisa Efimovna Shepitko nasceu em 1938 em Artemovsk, na Ucrânia, integrante da então União Soviética. Estudou no Instituto Gerasimov de Cinematografia (VGIK), em Moscou, onde foi aluna do diretor Aleksandr Dovzhenko, até a morte deste em 1956. Como estudante atuou em vários filmes, incluindo O POEMA DO MAR (1958), iniciado por Dovzhenko e concluído por sua esposa, Yulia Solntseva. Larisa graduou-se no VGIK em 1963, com um diploma de honra pelo seu filme CALOR, realizado quando ela tinha apenas 22 anos. O filme conta a história de uma nova comunidade agrícola na Ásia Central em meados dos anos 50. Na montagem de CALOR foi auxiliada por Elem Klimov, também estudante do VGIK, com quem se casou no mesmo ano. Dois de seus filmes seguintes foram ASAS (1966) e VOCÊ E EU (1971), este o único que realizou em cores. A ASCENSÃO (1977), que trata das provações de um grupo de guerrilheiros na luta contra o fascismo no rigoroso inverno da URSS, em 1942, foi o último filme que concluiu. Com ele conquistou o Urso de Ouro no 27º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Em 1979, quando filmava ADEUS A MATIORA, sua vida foi abruptamente interrompida aos 41 anos, num desastre de automóvel junto a quatro membros de sua equipe técnica.”

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Anna Karenina: A História de Vronsky em Blu-Ray e DVD

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ANNA KARENINA: A HISTÓRIA DE VRONSKY chega às lojas e sites no final de maio através da distribuidora CPC UMES FILMES.

Lançamento nos formatos DVD e Blu-Ray, o filme foi o primeiro que a CPC UMES FILMES lançou no circuito comercial de cinemas do país, no ano passado. O longa foi muito bem recebido, tanto pelo público quanto pela crítica especializada. O aclamado romance de Tolstoi ganhou nova perspectiva nas mãos do diretor Karen Shakhnazarov, que temperou a narrativa com os escritos de Vikenty Veresaev sobre a guerra russo-japonesa e contou a história a partir do ponto de vista do Conde Vronsky, amante de Anna.

No link a seguir, a pré-venda, já disponível no site da CPC UMES FILMES:
http://www.cpcumesfilmes.org.br/prestashop/37-anna-karenina-a-historia-de-vronsky

QUANDO VOAM AS CEGONHAS (1959); CPC UMES FILMES

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Já tinha visto QUANDO VOAM AS CEGONHAS no DVD que a Continental lançou na década passada. Não lembro direito da qualidade dessa versão – como sabemos qualidade nunca foi o forte dessa pífia distribuidora – mesmo assim, lembro de ficar extremamente impressionado com as imagens que o diretor Mikhail Kalatozov e o seu fotógrafo, Sergey Urusevsky, conceberam. Um deslumbrante exercício estético em preto e branco de encher os olhos. Toda essa impressão se confirmou agora com a revisão do filme lançado em DVD, com imagem restaurada, pela CPC UMES FILMES, na sua incrível série Cinema Soviético. 

QUANDO VOAM AS CEGONHAS foi a coroação do cinema soviético no período e um dos melhores filmes anti-guerra já feitos. Trata-se de uma experiência emocionalmente devastadora, contando a história de amor envolvendo o jovem Boris, que se une ao exército soviético num rompante de patriotismo, deixando para trás a sua bela namorada Veronika. O filme detalha minuciosamente a maneira como a guerra separa os dois pombinhos, tornando-se um dos primeiros filmes soviéticos a realmente lidar com os efeitos negativos da Segunda Guerra Mundial.

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Dois pontos chamam a atenção em QUANDO VOAM AS CEGONHAS. Primeiro, o coração do filme é Tatiana Samoylova, que dá vida à Veronika, numa atuação hipnotizante e emocionalmente forte. Uma das grandes performances do período. Sobrinha-neta do famoso e influente ator e professor de teatro Constantin Stanislavski, cujo método de atuação inspirou dezenas de grandes atores como Marlon Brando, Jack Nicholson, Paul Newman e muitos outros, é bem provável que Samoylova tenha usado seus ensinamentos. Demonstrando grande talento e uma beleza ímpar, foi convidada para trabalhar em Hollywood e em outros lugares fora da União Soviética depois de QUANDO VOAM AS CEGONHAS, mas foi forçada a recusar essas ofertas por conta da situação política daquele contexto. Infelizmente, seu único outro grande papel foi na aclamada adaptação soviética de 1967 de Anna Karenina.

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Outro ponto marcante de QUANDO VOAM AS CEGONHAS é o visual impactante, que já mencionei, o deslumbre das imagens, um trabalho extremamente ousado e inventivo em termos de direção e cinematografia, com uso de câmeras na mão, composições viscerais e utilização dos espaços e profundidade de campo. É dessas obras reveladoras sobre como as possibilidades ilimitadas no manuseio de uma câmera, da edição, da luz e sombras, essa matéria prima que chamamos de CINEMA, têm a capacidade de transcender a própria natureza do filme…

Não existe um plano sequer em QUANDO VOAM AS CEGONHAS que seja imperfeito ou desnecessário. Há uma sequência, no entanto, que é uma das minhas favoritas, quando Veronika corre em direção à uma estação de trem e Kalatosov faz desse simples ato um dos momentos mais imaginativos do filme, com uma câmera chacoalhando, um trabalho de câmera genial que cria um efeito ofegante, permitindo que nos sintamos exatamente como Veronika se sente. É simplesmente absurdo.

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Não é toa que digo que foi a coroação do cinema soviético. QUANDO VOAM AS CEGONHAS recebeu a Palma de Ouro no festiva de Cannes, em 1958, desbancando filmes como MEU TIO, de Jacques Tati, e NO LIMIAR DA VIDA, de Ingmar Bergman. E apesar de não ter vencido como melhor atriz, Samoylova recebeu uma menção especial por sua atuação.

Kalatosov também é conhecido por outra obra deslumbrante chamada EU SOU CUBA, um filme todo encadeado com alguns dos mais belos planos da história do cinema. Também foi lançado aqui no Brasil numa edição vagabunda pela Continental. Nada que a CPC UMES FILMES não possa consertar com uma edição caprichada, da mesma forma que temos agora esta de QUANDO VOAM AS CEGONHAS, uma obra-prima do cinema soviético indispensável a qualquer indivíduo interessado por cinema de verdade.

O filme pode ser encontrando na loja virtual da distribuidora e em várias lojas do gênero e livrarias. E não deixe de curtir a página da CPC UMES FILMES no Facebook para ficar sabendo das novidades, especialmente do cinema soviético, e os seus próximos lançamentos em DVD e no cinema.

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LANÇAMENTO CPC UMES FILMES: QUANDO VOAM AS CEGONHAS

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O primeiro lançamento em DVD de 2019 da CPC UMES FILMES será QUANDO VOAM AS CEGONHAS, de Mikhail Kalatozov, clássico obrigatório do cinema soviético, produzido pelo Mosfilm e vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1958. A edição é a partir de cópia restaurada.

Sinopse: “Veronika e Boris, um jovem casal de namorados, são separados pela convocação do rapaz para se juntar ao Exército Vermelho durante a 2ª Guerra Mundial. Ansiosa por notícias do front, a moça é acolhida pela família de Boris, quando sua casa é destruída por um bombardeio, e acaba forçada a se envolver com o primo do rapaz, com quem resignadamente se casa. Mas continua a esperar por Boris.”

O lançamento de QUANDO VOAM AS CEGONHAS está previsto para o dia 08 de março.

Acesse a loja virtual da distribuidora para mais informações e para adquirir o seu exemplar na pré-venda.

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95 ANOS DO MOSFILM

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O mais antigo estúdio de filmes da Europa, o MOSFILM, está completando 95 anos de fundação. Além disso, cinco grandes diretores do cinema russo também fazem anivesário no mês de janeiro. Por isso, a CPC UMES FILMES, distribuidora parceira do blog, está realizando até domingo (03/02) uma super promoção na sua loja virtual.

Treze filmes dos diretores aniversariantes e produzidos pelo MOSFILM com descontos, de 39,90 por 24,90.

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Sergei Eisenstein é um dos aniversariantes de Janeiro

Diretores aniversariantes:
Lev Kuleshov (13/01), Serguei Eisenstein (22/01), Grigori Aleksandrov (23/01), Mikhail Romm (24/01) e Leonid Gayday (30/01).

Filmes em promoção:

As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques
O Velho e o Novo
Aleksandr Nevsky
Volga-Volga
Circus
Primavera
Lenin em Outubro
O Fascismo de Todos os Dias
Lenin em 1918
Bola de Sebo
A Questão Russa
12 Cadeiras
Braço de Diamante 

Clique aqui para acessar o site da CPC UMES FILMES e aproveitar a promoção!

O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES (1987); CPC UMES FILMES

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Pode parecer incomum, mas existe um gênero chamado Red Western, formado por produções que recriam o velho oeste americano sob uma visão, e até uma ideologia, do bloco oriental, especialmente a União Soviética. Não sou lá grande especialista no assunto e vi pouquíssimos exemplares, mas recentemente a CPC UMES Filmes lançou o que, definitivamente, deve ser um dos melhores Red WesternO HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES, da diretora ucraniana Alla Surikova. Na verdade, trata-se mais de uma sátira ao mito do western, com toda a sua iconografia e bagagem de gênero mais cinematográfico da sétima arte, servindo como moldura e pretexto para uma bela homenagem ao próprio cinema.

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Um projecionista, chamado Mr.First, chega a uma pequena cidade do Oeste selvagem e traz consigo um primitivo projetor com várias bobinas dos primeiros filmes da história do cinema. Todas as noites, ele faz uma sessão no bar local, o que surte um grande efeito nos caubóis. Logo na primeira dessas sessões, O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES recria o famoso relato dos espectadores que viram pela primeira vez a imagem do trem chegando à estação, no filme dos irmãos Lumière, projetado no Salão Indiano do Grand Café do Boulevard des Capucines, de onde título deste aqui faz uma alusão, e no qual, segundo consta a história, teria sido caótico, com as pessoas se levantando das cadeiras, assustadas, achando que seriam atropelados pelo trem da tela…

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Aqui os personagens recebem essas imagens com chumbo grosso, fazendo vários buracos no lençol branco pendurado na parede do saloon… Mas à medida que as sessões vão acontecendo, seus comportamentos vão mudando. Eles param de brigar um com os outros, começam a falar mais educadamente e se portar com cavalheirismo; e ao invés de doses de whisky, começam a encher a cara com leite…

Obviamente é uma ideia um tanto ingênua essa de O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES  na sua análise sobre a influência do cinema no comportamento humano, no seu poder de transformação através das imagens. Mas não deixa de funcionar como fábula auto-reflexiva nesse sentido. E, além disso, desde o início o filme estabelece claramente suas intenções satíricas, com números musicais e um humor que beira ao pastelão em alguns momentos, e não uma tese acadêmica sobre o assunto. Importa muito a diversão, as sequências e gags que surgem em consequência dessa ideia de levar o cinema a um tempo e lugar remoto, em um universo tão inerente à sétima arte como o velho oeste; e, claro, a ideia da primeira experiência cinematográfica, como o indivíduo é afetado por imagens em movimento projetadas num lençol branco na parede.

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Algumas sequências são memoráveis e afirmam a vitalidade da diretora Surikova na realização. O bar local sendo completamente destruído numa típica e exagerada briga de saloon e, logo depois, os próprios brigões põem-se a trabalhar para consertar o estrago; os trechos em que o pastor da igreja e o dono saloon põem em prática seus planos diabólicos para acabar com as sessões de cinema (ambos representando repartições do sistema que gostam de cagar regra na cultura da sociedade: igreja e capitalistas); ou o épico tiroteio, com balas que não machucam ninguém, mas muito bem coreografado,  quando um bando de índios invade a cidade querendo participar das projeções; mas o simples fato do filme possuir essa ótica soviética de um universo tão ocidental, tão americano, com personagens ultra estereotipados do velho oeste – e a esquisitice de vê-los falando em russo – já seria suficiente para tornar O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES um exemplar notável do cinema soviético.

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Como já disse antes, O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES foi lançado em DVD no Brasil recentemente pela CPC UMES Filmes, e é uma dessas pérolas do cinema mundial que merece ser redescoberto (foi um grande sucesso na Russia, na época de seu laçamento, mas hoje anda esquecido). Merece também um lugar na prateleira e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página da CPC UMES FILMES no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

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5ª MOSTRA MOSFILM DE CINEMA RUSSO

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“Entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro a Cinemateca Brasileira abre a 5ª Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo. Nos sete dias de evento serão exibidas 10 produções do estúdio, que é o maior da Europa e um dos mais importantes e pioneiros do mundo. Na abertura, às 19:30 h do dia 29/11, será exibido o fundamental VÁ E VEJA (1985), do diretor Elem Klimov. Frequentemente referenciado como um dos filmes mais perturbadores sobre a guerra e seus efeitos, o longa foi restaurado em 2017, em um processo que levou quatro meses para ser concluído e foi coordenado pelo próprio Karen Shakhnazarov, Diretor Geral do Mosfilm.

As cópias restauradas são, inclusive, os destaques desta 5ª Mostra. Dos 10 filmes que serão exibidos estão disponíveis em cópias restauradas, além de VÁ E VEJA, o clássico QUANDO VOAM AS CEGONHAS (1957), de Mikhail Kalatozov, CIDADE ZERO (1988), de Karen Shakhnazarov, e a épica adaptação do romance GUERRA E PAZ, de Liev Tolstoi. Dividido em quatro partes, o filme de Serguei Bondarchuk foi premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1969, sendo um dos melhores momentos do longa a reconstituição da Batalha de Borodino, que contou com mais de 300 atores, 120 mil figurantes, cerca de 200 canhões e 100 mil rifles.

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A Mostra é uma realização do CPC-UMES Filmes com o Estúdio Mosfilm em parceria com a Cinemateca Brasileira.”

PROGRAMAÇÃO:

Quinta, 29 de novembro
19:30 – ABERTURA – Vá e Veja

Sexta, 30 de novembro
19:00 – Cidade Zero
21:00 – Decisão: Aniquilação

Sábado, 01 de dezembro
15:00 – Guerra e Paz I – Andrei Bolkonsky
17:45 – Guerra e Paz II – Natasha Rostova
19:40 – A Ascensão
21:40 – Criança Abandonada

Domingo, 02 de dezembro
15:00 – Guerra e Paz III – O Ano de 1812
17:00 – Guerra e Paz IV – Pierre Bezukhov
20:00 – Quando Voam as Cegonhas – TELA EXTERNA (exibição ao ar livre)

Segunda, 03 de dezembro
19:15 – O Incógnito de São Petersburgo
21:00 – Quando Voam as Cegonhas

Terça, 04 de dezembro
19:15 – Circus
20:45 – A Ascensão

Quarta, 05 de Dezembro
19:15 – Vá e Veja
21:45 – Bola de Sebo

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O DESTINO DE UM HOMEM (1959); CPC UMES FILMES

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Baseado num romance de Mikhail Sholokhov, O DESTINO DE UM HOMEM narra a odisseia amarga de um soldado soviético na Segunda Guerra Mundial. Andrei Sokolov (interpretado pelo próprio diretor, Sergei Bondarchuk), é um simples carpinteiro que deixa sua esposa, um filho e duas filhas, para atuar na guerra como caminhoneiro, prevendo que voltaria em breve. Seu destino, no entanto, não corresponde às suas previsões e ele acaba caindo nas mãos dos nazistas. A história é contada num longo flashback, numa narrativa que contempla vários anos em que vemos o sujeito comendo o pão que o Diabo amassou, pulando de um campo de concentração a outro, tratado brutalmente pelos alemães e forçado a trabalhos desumanos.

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Há vários pontos fortes para elogiar no filme de Bondarchuk, os vários “blocos” que estruturam o filme guardam momentos interessantes, de situações carregadas de sentimento à instantes de pura tensão. Mas uma coisa que me impressiona em tudo isso é como esses soviéticos filmam bem pra cacete. O olhar expressionista do diretor não fica nada a dever de seus “conterrâneos” do período, como Grigori Chukhrai, em A BALADA DE UM SOLDADO, ou Mikhail Kalatozov, com QUANDO VOAM AS CEGONHAS, que são filmes que tiveram maior projeção internacional na época, especialmente pelo cinema formalmente inventivo que praticavam. O DESTINO DE UM HOMEM também chama a atenção nesses quesitos, seja pela estética, com um imaginário preto-e-branco poético na maior parte do tempo, ou seja pelo trabalho de câmera e montagem espetaculares. A sequência que antecede a prisão de Andrei, com o sujeito dirigindo seu caminhão num campo aberto em meio a um bombardeio nazista, por exemplo, é simplesmente arrebatador, desses momentos que provam que, pelo menos no formalismo, na técnica, os soviéticos eram insuperáveis e estavam muito à frente de grande parte do cinema de Hollywood do período.

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Alguns anos depois, Bondarchuk dirigiria WATERLOO, produção internacional sob a batuta de Dino De Laurentiis, com Rod Steiger no papel de Napolão Bonaparte… Acho que vale a pena ir atrás.

O DESTINO DE UM HOMEM é um belíssimo filme de guerra, humano e tocante que merece ser visto e admirado. E foi lançado em DVD recentemente no Brasil pela CPC UMES FILMES numa ótima edição, com imagem restaurada. Vale a pena uma visitada na loja online da distribuidora para adquirir este e várias outras obras sensacionais do acervo da distribuidora, repleta de preciosidades soviéticas. E curta também a página da CPC UMES FILMES no Facebook para ficar por dentro das novidades e futuros lançamentos.

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Os dois últimos lançamentos em DVD da CPC UMES Filmes estão imperdíveis. Em julho tivemos O DESTINO DE UM HOMEM (1959), de Serguei Bondarchuk, e que já estou com o DVD em mãos para conferir:

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SINOPSE: Convocado pelo Exército Vermelho para atuar como motorista de caminhão durante a Segunda Guerra, Andrei é capturado pelos alemães e jogado em um campo de concentração.

Quando retorna ao lar não encontra sua mulher e filhos, mortos pelos fascistas. O fantasma de uma vida sem propósito o atormenta, mas não abala seu espírito. Adaptação do romance homônimo de Mikhail Sholokhov, que ganharia o Prêmio Nobel de Literatura em 1965.

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Em breve comento algo a mais sobre O DESTINO DE UM HOMEM.

O Lançamento de Agosto é O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES (1987), de Alla Surikova.

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SINOPSE: Na alvorada do século 20, Mr. Johnny First chega ao Oeste Selvagem com um projetor e alguns rolos de filme. O título dessa deliciosa sátira ao western way of life é uma alusão ao Salão Indiano do Grand Café do Boulevard des Capucines, onde os Irmãos Lumière encantaram as plateias com sua maravilhosa invenção. O filme foi visto por mais de 60 milhões de espectadores na URSS.

Ambos os filmes já estão disponíveis (CAPUCINES ainda em pré-venda) na loja virtual da CPC UMES FILMES, uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e seus próximos lançamentos.

OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU (1976) | CPC UMES FILMES

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Acho que nunca tinha visto um filme tão autêntico sobre ciganos, que faz tanto um estudo realista antropológico desse universo quanto extrai um lirismo, uma poesia imagética cheia de artificialidades e clichês a partir dessa cultura. E tudo funciona lindamente… Produzido pela Mosfilm e baseado no conto “Makar Chudra” (1892), a primeira obra literária publicada pelo escritor russo Maximo Gorky, OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, de Emil Loteanu, romantiza esse universo habitado por figuras tão enigmáticas, marginalizadas e excêntricas, com uns bigodões de fazer o Tom Selleck morrer de inveja… Figuras sempre festivas, alegres, de espírito livre e aventureiro. Mas também melancólicas e trágicas por natureza.

O filme se contextualiza no final do século XIX, na província austro-húngara da Bessarabia e tem como fio condutor uma história de amor: o ladrão de cavalos cigano Loiko Zobar (Grigore Grigoriu) – “Não há cavalo que Loiko não pudesse roubar e nenhuma garota que pudesse resistir a ele…” que se apaixona perdidamente pela clarividente e sedutora Radda (Svetlana Toma), cujo olhar seria capaz de parar uma manada de cavalos descontrolados. Como pano de fundo, uma região ocupada militarmente que enfatiza o tom opressivo dos poderosos em contraste com a linhagem libertária cigana.

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Sem prezar tanto por um rigor narrativo, é nos costumes culturais, no carnaval de cores, sons, na musicalidade e imagens que desfilam na tela que o diretor Loteanu foca suas atenções e reside o charme de OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU. Algumas de suas imagens grudam na memória e da paixão do ladrão de cavalos por Radda surgem momentos de pura poesia: Radda, de seios nus, tira as suas longas saias coloridas, uma após a outra, e há dezenas delas! Ou o último encontro do casal que termina de maneira digna das mais famosas tragédias de Shakespeare…

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Há também alguma ação, perseguições à cavalo, brigas de facas e situações de perigo… Se OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU tivesse inaugurado um gênero mais movimentado, eu chamaria de “gypsie western“…

Eu já havia ficado embasbacado com o outro filme do diretor moldávio Emil Loteanu, que foi uma dessas descobertas das mais interessantes que fiz nos últimos tempos. Descoberta graças ao lançamento em DVD da CPC UMES FILMES no final do ano passado de UM ACIDENTE DE CAÇA, que eu já comentei por aqui. Agora a distribuidora nos brinda com OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, mais uma obra peculiar, de rara beleza poética, da coleção “Cinema Soviético” que todo mês a CPC UMES FILMES tem lançado.

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Para conhecer mais o trabalho da distribuidora, descobrir as maravilhas de seu acervo, comprar (que é o mais importante) e saber das novidades, não deixe de visitar a loja on line da distribuidora e também a página no Facebook (aliás, ainda não divulguei o próximo lançamento deles, o que farei ainda esta semana!).

DUAS NOTÍCIAS: CPC UMES FILMES

a CPC UMES FILMES, que já vem fazendo um belíssimo trabalho de distribuição em DVD’s no Brasil, contemplando clássicos soviéticos e novidades do atual cinema russo, faz agora seu primeiro lançamento nos cinemas. Trata-se de ANNA KARENINA: A HISTÓRIA DE VRONSKY, que está em cartaz nos cinemas de São Paulo. Produção muito bem cuidada de 2017, dirigido por Karen Shakhnazarov, realizador de CIDADE DOS VENTOS, que já comentei por aqui, e atual presidente do principal estúdio da Rússia, a Mosfilm, o filme é mais uma adaptação do clássico de Tolstói e para quem é fã do material e se interessa pelo tema, é uma boa pedida para ver algo diferente da mesmice do circuito na tela grande. Confira a programação dos cinemas e não perca.

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E por falar em lançamento, a CPC UMES FILMES lança em Julho, em DVD, OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, do diretor Emil Loteanu, o mesmo que realizou UM ACIDENTE DE CAÇA, que já comentei por aqui.

Segundo o site da CPC UMES FILMES, OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU é uma obra inteligente, com atmosfera fascinante, cuja ação transcorre nas estepes da Bessarábia, na periferia do Império Austro-Húngaro. Foi lançado em 1976 e teve mais de 64 milhões de espectadores nos cinemas da União Soviética na época. Com trilha musical de Evgeniy Doga, habitual colaborador de Loteanu, e baseado no conto de Gorky “Makar Chudra” (1892), o longa narra a tempestuosa história de amor entre a bela jovem Rada e o ladrão de cavalos Loyko Zobar.

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Em breve posto minhas impressões. O filme estará disponível a partir do dia 27/06 no site da CPC UMES FILMES e nas lojas parceiras. Clique aqui para conferir mais informações.

DERSU UZALA EM DVD – CPC UMES FILMES

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No ano em que se completa vinte anos da morte do diretor japonês Akira Kurosawa, a CPC UMES FILMES está lançando DERSU UZALA, produzido pela Mosfilm, numa bela edição restaurada. No final do ano passado, publiquei por aqui algumas impressões dessa obra-prima quando vi na mostra de cinema soviético organizado pela própria CPC UMES FILMES e mal posso esperar para rever em DVD. Vai ficar bonito na estante. Em breve trago mais detalhes dessa edição.

DERSU UZALA já está disponível na loja virtual da distribuidora, que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video no Brasil, com filmes que realmente valem a pena ter na coleção. Clique aqui para adquirir o seu!

E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

DVD REVIEW: CIDADE DOS VENTOS (2007); CPC UMES FILMES

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Estou super atrasado, mas no último feriadão de carnaval eu finalmente parei para assistir ao lançamento em DVD de Dezembro da CPC UMES FILMES, CIDADE DOS VENTOS, um filme russo nostálgico, com tons autobiográficos inspirados nas memórias juvenis do seu diretor, Karen Shakhnazarov.

O cenário é a Moscou de 1973 e a trama gira em torno de Sergei (Aleksandr Lyapin), um jovem estudante de 18 anos, que se auto declara dissidente diante das características políticas do país, ambicioso por parecer cool, comprando calças jeans e discos de rock dos Rolling Stones e Deep Purple no mercado negro. E pelas atitude do rapaz, a faculdade é apenas um lugar para pegar garotas que se impressionam com sua habilidade de andar na moda ou conseguir coisas difíceis, como ingressos grátis para teatro ou um disco de uma banda famosa que acabou de ser lançado.

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Enquanto isso, a União Soviética tenta se manter dentro de sua ideologia, firme e forte, mesmo que os jovens já comecem a se interessar mais pela cultura de outros países. Como o título original em russo indica, é o início do desaparecimento de um império. Continuar lendo

DERSU UZALA (1975)

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Sobre a sessão de ontem de DERSU UZALA, de Akira Kurosawa, na Cinemateca, na 4º Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo, foi uma experiência daquelas assistir a esta belíssima obra na tela grande, à céu aberto, com direito à barraquinhas com bebidas e comidas típicas da Rússia. A mostra vai até hoje e é um trabalho incrível da CPC UMES Filmes, que os mais habituados aqui do blog já conhecem.

Mas peralá, um filme de Akira Kurosawa, um dos mais reverenciados diretores japoneses, numa mostra de cinema russo? Vamos com calma. Para quem não conhece, DERSU UZALA é uma produção russa, dirigida pelo mestre japonês, o único longa do diretor realizado fora de seu país e talvez o mais importante de sua carreira, representando um renascimento criativo após um tempo sombrio na vida do cineasta. Kurosawa vivia maus momentos no final da década de 60, com o fracasso comercial de DODESKADEN e a falta de financiamento dos produtores para futuros projetos. Isso abalou até a vida pessoal do diretor, que caiu numa profunda depressão que culminou numa tentativa de suicídio no início dos anos 70. Foi com o convite da grande produtora russa, Mosfilm, que DERSU UZALA foi possível.

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Na verdade, o projeto de DERSU UZALA vinha de longa data. Kurosawa tinha planos já na década de 50 para sua produção, mas teve dificuldade em adaptar a história a um cenário japonês, sem imaginar que um dia ele poderia realmente filmá-la na Rússia, com atores russos. O filme é baseado em um livro autobiográfico de Vladimir Arsenev, que narra as suas aventuras explorando territórios selvagens de seu país para realizar um trabalho topográfico na região. Nas mãos de Kurosawa, a aventura ganha o status de poesia existencialista, com um estudo de caráter abordando o impacto que um primitivo de bela alma tem em um sujeito do mundo civilizado. Continuar lendo

DVD REVIEW: BRAÇO DE DIAMANTE (1969); CPC UMES FILMES

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A última semana foi uma correria danada, mudei de apartamento, o trabalho no fim do mês também foi mais pesado que o habitual, não tive muito tempo pra ver muitos filmes nem postar alguma coisa por aqui. Tudo parece estar voltando ao normal de novo agora que começou Dezembro e pude conferir o lançamento em DVD do mês de novembro da CPC UMES FILMES, a deliciosa comédia soviética BRAÇO DE DIAMANTE, dirigido por Leonid Gayday e estrelado por várias rostos que, embora desconhecidos para nós, eram populares do cinema russo. O próprio BRAÇO DE DIAMANTE nunca foi muito comentado aqui no Brasil, mas se tornou um filme cultuado em alguns países e é considerado uma das melhores comédias realizadas na Rússia, tendo sido um sucesso de bilheteria levando mais de setenta milhões de espectadores aos cinemas. Portanto, um verdadeiro achado esse lançamento da CPC UMES FILMES.

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O enredo de BRAÇO DE DIAMANTE é inspirado numa notícia real sobre contrabandistas suíços que tentaram transportar jóias em acessórios ortopédicos. Na trama, um misterioso criminoso do mercado negro (conhecido apenas como “O Chefe”) tenta contrabandear um lote de jóias da Turquia para a União Soviética, escondendo os artefatos dentro do gesso que seria colocado no braço de seu capanga, Gennadiy Kozodoyev (interpretado por Andrey Mironov, que se revelou um gênio da comédia).

O pilantra viaja para o estrangeiro num navio de cruzeiro turístico para pegar os diamantes, mas os contrabandistas locais não sabem como é a aparência de Gennadiy; só sabem que ele deve fingir uma queda e dizer um código para se identificar. Devido a uma atrapalhada, os bandidos acabam confundindo Gennadiy com seu companheiro de viagem, que havia conhecido no cruzeiro, um cidadão soviético comum, Semyon Gorbunkov (interpretado por Yuiy Nikulin). Colocam um gesso ao redor do braço de Semyon juntamente com as jóias.

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Ao retornar do cruzeiro, Semyon conta o que aconteceu para a polícia e o capitão, trabalhando disfarçado de taxista, usa o pobre Semyon como isca para pegar os criminosos. A partir daí, a maior parte do filme se constrói nas várias tentativas, uma mais engraçada que a outra, dos capangas ineptos do chefe, Gesha e Lyolik (Anatoliy Papanov), para atrair Semyon em situações nas quais possam remover o gesso e recuperar as jóias. As coisas melhoram ainda mais quando a esposa de Semyon começa a suspeitar que ele foi recrutado como agente secreto da polícia, ou pior, está tendo um caso com uma amante…

Paródia inteligente e hilária de filmes de crime e espionagem, com um toque Hitchcockiano do “homem errado em circunstâncias erradas”, BRAÇO DE DIAMANTE ainda reflete de forma satírica o estilo de vida soviético do período, com interessantes informações que podemos captar nos diálogos e situações, como na cena em que Gorbunkov chega em casa após a viagem e uma das primeiras coisas que sua esposa pergunta é se ele havia tomado Coca-Cola e visto a Sophia Loren.

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E é bacana perceber essa contextualização sobre as realidades soviéticas para entrar mais na graça do filme, mas tenho certeza de que os cinéfilos vão apreciar também o trabalho de Gayday como diretor, a maneira como constrói as situações de humor, como um autêntico Jerry Lewis soviético, as composições visuais, a diversidade estilística e principalmente o encanto do elenco, especialmente Mironov, que rouba o filme e dá uma aula de expressão corporal e comédia física como o capanga atrapalhado posando de dândi, e que não fica nada a dever aos grandes comediantes do cinema ocidental, como Lewis, Peter Sellers, Leslie Nielsen, Chevy Chase, etc.

Enfim, BRAÇO DE DIAMANTE não tem lá grandes ambições além de nos divertir e nos fazer soltar boas risadas, mas o faz com muito estilo, muita eficiência, conferindo seu humor à uma estatura de arte. Foi lançado em DVD no mês passado pela CPC UMES FILMES, mas ainda dá tempo de acessar a loja virtual da distribuidora e adquirir mais um item essencial que eles têm lançado. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

LANÇAMENTO DE NOVEMBRO DA CPC UMES FILMES: BRAÇO DE DIAMANTE

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E o lançamento deste mês está simplesmente imperdível!

SINOPSE: O cidadão soviético Semyon Gorbunkov sai a passeio num cruzeiro marítimo. Em seu retorno, acaba levando à URSS jóias escondidas por engano no gesso colocado em torno de seu braço esquerdo depois de uma queda em Istambul. Enquanto os contrabandistas realizam várias tentativas para recuperar as pedras preciosas, um capitão da polícia russa usa Gorbunkov como isca para pegar os criminosos. Mas a esposa do nosso herói começa a desconfiar que ele foi recrutado pela inteligência estrangeira ou está tendo um caso. Está armado o quiprocó.

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SOBRE O DIRETOR: Nascido em Svobodny, na Sibéria, Leonid Iovich Gayday alcançou imensa popularidade e amplo reconhecimento. Seus filmes quebraram recordes de público – “Braço de Diamante” (1968) atingiu a marca de 76 milhões e 700 mil espectadores. Ainda hoje estão entre os DVDs mais vendidos na Rússia. Gayday ingressou no Exército Vermelho em 1942, foi ferido em 1943. Estudou interpretação, entre 1947 e 1949, no Teatro Dramático de Irkutsk. De 1949 a 1955 cursou o Instituto Estatal de Cinema (VGIK), formou-se diretor e foi trabalhar no Mosfilm. Mestre da comédia em ritmo acelerado, trabalhou com atores excepcionais como Georgiy Vitsin, Leonid Kuravlev, Mikhail Pugovkin, Savely Kramarov, Natalya Seleznyova, Natalya Krachkovskaya e sua esposa Nina Grebeshkova. Dirigiu 24 filmes, entre os quais vários clássicos:  “Os Destiladores” (1961), uma adaptação cinematográfica do conto de O. Henri; “Gente de Negócios” (1962); “Operação Y e Outras Aventuras de Shurik” (1965); “Prisioneira do Cáucaso” (1966); “Braço de Diamante” (1968); “12 Cadeiras” (1970); “De Volta do Futuro” (1973); “Impossível!” (1975); “O Inspetor Geral” (1977).

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BRAÇO DE DIAMANTE é o lançamento de novembro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu! E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

DVD REVIEW: O CONTO DO CZAR SALTAN (1966); CPC UMES Filmes

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Fiquei bem feliz quando vi que o lançamento do mês de outubro da distribuidora parceira do blog, CPC UMES Filmes, seria um trabalho de Alexander Ptushko. Para quem não conhece, Ptushko foi o grande mago dos efeitos especiais do cinema russo, considerado o Ray Harryhausen dos lados de lá. Trabalhou, por exemplo, no clássico VIY (1967). Mas acabou vingando também como diretor. E dos bons! Quase sempre trabalhando com cinema fantástico, construiu uma obra rara de contos de fantasia e de cores. O cara sabia pintar com a câmera como poucos, como podem ver nos screenshots que ilustram o post. Entre seus filmes mais famosos estão SADKO (1953, a versão russa do personagem Sinbad), ILYA MUROMETS (1957) e RUSLAN E LUDMILA (1972). Vale destacar também um mais raro, mas igualmente brilhante, FLOR DE PEDRA (1946). O CONTO DO CZAR SALTAN entra fácil no meio desse bolo e agora pode ser conferido em DVD no Brasil através da CPC UMES Filmes.

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A trama é de uma simplicidade tocante, mas repleto de elementos de contos de fada. Foi baseado num poema de Aleksandr Pushkin, inspirado num conto popular russo, e até os diálogos são retirados exatamente como no poema, incluindo as rimas. Uma czarina escolhida a dedo pelo seu czar, o Saltan do título, é traída por suas irmãs invejosas e, juntamente com seu filho, o príncipe Gvidon, é lançada ao mar dentro de um grande barril selado. Acabam aportando numa ilha mágica, onde uma princesa em forma de cisne realiza todos os seus desejos, após Gvidon salvá-la de um feiticeiro na forma de uma águia. Uma cidade mística, um esquilo que produz ouro em abundância, um exército de gigantes que vem do fundo do mar, uma bela princesa com uma joia preciosa brilhando em sua testa… Mas nada disso parece satisfazer o jovem príncipe, que parte numa jornada fantástica em busca de seu pai e ao desmascaramento das farsantes.

Tudo é tratado com muita leveza, até mesmo com uma pegada infantil. Os conflitos são resolvidos seguindo as cartilhas dos contos de fada e a narrativa nunca é truncada. Pelo contrário, o filme é uma delícia. Sobra muito, é claro, o talento de Ptushko em transformar tudo isso numa bela obra de arte, num espetáculo visual de efeitos especiais muito à frente do seu tempo, em composições barrocas extraordinárias e pelo seu gosto impecável por cores fortes que saltam aos olhos a cada segundo.

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Tudo é tão ambicioso, os trajes são arrojados e brilhantes, os cenários são estonteantes, o cuidado com as criaturas que povoam o filme, como animais falantes e os trolls que atacam a cidade do Czar. Tudo é resolvido com muita inteligência, como na cena dos gigantes, em que Ptushko trabalha a perspectiva forçada. Na cena na qual os gigantes atacam um navio, o diretor usa planos com uma embarcação em tamanho real e gigantes em sobreposição de imagens, intercalando com outros planos com gigantes de tamanho normal e um navio em miniatura com bonecos no interior. O resultado é sensacional.

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Mesmo que hoje seja muito fácil identificar essa trucagem toda, a magia de O CONTO DO CZAR SALTAN permanece intacta e admirável. Até mesmo as crianças de hoje, desmamadas com efeitos em CGI ultra modernos, podem se encantar com o visual e a história. Portanto, recomendo muito para crianças, jovens e adultos que ainda possuem sensibilidade para se maravilhar com uma pequena obra de fantasia, mas grandiosa artisticamente.

O CONTO DO CZAR SALTAN foi lançado este mês de outubro pela CPC UMES Filmes e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.