LANÇAMENTOS CPC UMES FILMES

Os dois últimos lançamentos em DVD da CPC UMES Filmes estão imperdíveis. Em julho tivemos O DESTINO DE UM HOMEM (1959), de Serguei Bondarchuk, e que já estou com o DVD em mãos para conferir:

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SINOPSE: Convocado pelo Exército Vermelho para atuar como motorista de caminhão durante a Segunda Guerra, Andrei é capturado pelos alemães e jogado em um campo de concentração.

Quando retorna ao lar não encontra sua mulher e filhos, mortos pelos fascistas. O fantasma de uma vida sem propósito o atormenta, mas não abala seu espírito. Adaptação do romance homônimo de Mikhail Sholokhov, que ganharia o Prêmio Nobel de Literatura em 1965.

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Em breve comento algo a mais sobre O DESTINO DE UM HOMEM.

O Lançamento de Agosto é O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES (1987), de Alla Surikova.

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SINOPSE: Na alvorada do século 20, Mr. Johnny First chega ao Oeste Selvagem com um projetor e alguns rolos de filme. O título dessa deliciosa sátira ao western way of life é uma alusão ao Salão Indiano do Grand Café do Boulevard des Capucines, onde os Irmãos Lumière encantaram as plateias com sua maravilhosa invenção. O filme foi visto por mais de 60 milhões de espectadores na URSS.

Ambos os filmes já estão disponíveis (CAPUCINES ainda em pré-venda) na loja virtual da CPC UMES FILMES, uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e seus próximos lançamentos.

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OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU (1976) | CPC UMES FILMES

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Acho que nunca tinha visto um filme tão autêntico sobre ciganos, que faz tanto um estudo realista antropológico desse universo quanto extrai um lirismo, uma poesia imagética cheia de artificialidades e clichês a partir dessa cultura. E tudo funciona lindamente… Produzido pela Mosfilm e baseado no conto “Makar Chudra” (1892), a primeira obra literária publicada pelo escritor russo Maximo Gorky, OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, de Emil Loteanu, romantiza esse universo habitado por figuras tão enigmáticas, marginalizadas e excêntricas, com uns bigodões de fazer o Tom Selleck morrer de inveja… Figuras sempre festivas, alegres, de espírito livre e aventureiro. Mas também melancólicas e trágicas por natureza.

O filme se contextualiza no final do século XIX, na província austro-húngara da Bessarabia e tem como fio condutor uma história de amor: o ladrão de cavalos cigano Loiko Zobar (Grigore Grigoriu) – “Não há cavalo que Loiko não pudesse roubar e nenhuma garota que pudesse resistir a ele…” que se apaixona perdidamente pela clarividente e sedutora Radda (Svetlana Toma), cujo olhar seria capaz de parar uma manada de cavalos descontrolados. Como pano de fundo, uma região ocupada militarmente que enfatiza o tom opressivo dos poderosos em contraste com a linhagem libertária cigana.

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Sem prezar tanto por um rigor narrativo, é nos costumes culturais, no carnaval de cores, sons, na musicalidade e imagens que desfilam na tela que o diretor Loteanu foca suas atenções e reside o charme de OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU. Algumas de suas imagens grudam na memória e da paixão do ladrão de cavalos por Radda surgem momentos de pura poesia: Radda, de seios nus, tira as suas longas saias coloridas, uma após a outra, e há dezenas delas! Ou o último encontro do casal que termina de maneira digna das mais famosas tragédias de Shakespeare…

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Há também alguma ação, perseguições à cavalo, brigas de facas e situações de perigo… Se OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU tivesse inaugurado um gênero mais movimentado, eu chamaria de “gypsie western“…

Eu já havia ficado embasbacado com o outro filme do diretor moldávio Emil Loteanu, que foi uma dessas descobertas das mais interessantes que fiz nos últimos tempos. Descoberta graças ao lançamento em DVD da CPC UMES FILMES no final do ano passado de UM ACIDENTE DE CAÇA, que eu já comentei por aqui. Agora a distribuidora nos brinda com OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, mais uma obra peculiar, de rara beleza poética, da coleção “Cinema Soviético” que todo mês a CPC UMES FILMES tem lançado.

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Para conhecer mais o trabalho da distribuidora, descobrir as maravilhas de seu acervo, comprar (que é o mais importante) e saber das novidades, não deixe de visitar a loja on line da distribuidora e também a página no Facebook (aliás, ainda não divulguei o próximo lançamento deles, o que farei ainda esta semana!).

DUAS NOTÍCIAS: CPC UMES FILMES

a CPC UMES FILMES, que já vem fazendo um belíssimo trabalho de distribuição em DVD’s no Brasil, contemplando clássicos soviéticos e novidades do atual cinema russo, faz agora seu primeiro lançamento nos cinemas. Trata-se de ANNA KARENINA: A HISTÓRIA DE VRONSKY, que está em cartaz nos cinemas de São Paulo. Produção muito bem cuidada de 2017, dirigido por Karen Shakhnazarov, realizador de CIDADE DOS VENTOS, que já comentei por aqui, e atual presidente do principal estúdio da Rússia, a Mosfilm, o filme é mais uma adaptação do clássico de Tolstói e para quem é fã do material e se interessa pelo tema, é uma boa pedida para ver algo diferente da mesmice do circuito na tela grande. Confira a programação dos cinemas e não perca.

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E por falar em lançamento, a CPC UMES FILMES lança em Julho, em DVD, OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, do diretor Emil Loteanu, o mesmo que realizou UM ACIDENTE DE CAÇA, que já comentei por aqui.

Segundo o site da CPC UMES FILMES, OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU é uma obra inteligente, com atmosfera fascinante, cuja ação transcorre nas estepes da Bessarábia, na periferia do Império Austro-Húngaro. Foi lançado em 1976 e teve mais de 64 milhões de espectadores nos cinemas da União Soviética na época. Com trilha musical de Evgeniy Doga, habitual colaborador de Loteanu, e baseado no conto de Gorky “Makar Chudra” (1892), o longa narra a tempestuosa história de amor entre a bela jovem Rada e o ladrão de cavalos Loyko Zobar.

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Em breve posto minhas impressões. O filme estará disponível a partir do dia 27/06 no site da CPC UMES FILMES e nas lojas parceiras. Clique aqui para conferir mais informações.

DERSU UZALA EM DVD – CPC UMES FILMES

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No ano em que se completa vinte anos da morte do diretor japonês Akira Kurosawa, a CPC UMES FILMES está lançando DERSU UZALA, produzido pela Mosfilm, numa bela edição restaurada. No final do ano passado, publiquei por aqui algumas impressões dessa obra-prima quando vi na mostra de cinema soviético organizado pela própria CPC UMES FILMES e mal posso esperar para rever em DVD. Vai ficar bonito na estante. Em breve trago mais detalhes dessa edição.

DERSU UZALA já está disponível na loja virtual da distribuidora, que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video no Brasil, com filmes que realmente valem a pena ter na coleção. Clique aqui para adquirir o seu!

E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

DVD REVIEW: CIDADE DOS VENTOS (2007); CPC UMES FILMES

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Estou super atrasado, mas no último feriadão de carnaval eu finalmente parei para assistir ao lançamento em DVD de Dezembro da CPC UMES FILMES, CIDADE DOS VENTOS, um filme russo nostálgico, com tons autobiográficos inspirados nas memórias juvenis do seu diretor, Karen Shakhnazarov.

O cenário é a Moscou de 1973 e a trama gira em torno de Sergei (Aleksandr Lyapin), um jovem estudante de 18 anos, que se auto declara dissidente diante das características políticas do país, ambicioso por parecer cool, comprando calças jeans e discos de rock dos Rolling Stones e Deep Purple no mercado negro. E pelas atitude do rapaz, a faculdade é apenas um lugar para pegar garotas que se impressionam com sua habilidade de andar na moda ou conseguir coisas difíceis, como ingressos grátis para teatro ou um disco de uma banda famosa que acabou de ser lançado.

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Enquanto isso, a União Soviética tenta se manter dentro de sua ideologia, firme e forte, mesmo que os jovens já comecem a se interessar mais pela cultura de outros países. Como o título original em russo indica, é o início do desaparecimento de um império. Continuar lendo

DERSU UZALA (1975)

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Sobre a sessão de ontem de DERSU UZALA, de Akira Kurosawa, na Cinemateca, na 4º Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo, foi uma experiência daquelas assistir a esta belíssima obra na tela grande, à céu aberto, com direito à barraquinhas com bebidas e comidas típicas da Rússia. A mostra vai até hoje e é uma trabalho incrível da CPC UMES Filmes, que os mais habituados aqui do blog já conhecem.

Mas peralá, um filme de Akira Kurosawa, um dos mais reverenciados diretores japoneses, numa mostra de cinema russo? Vamos com calma. Para quem não conhece, DERSU UZALA é uma produção russa, dirigida pelo mestre japonês, o único longa do diretor realizado fora de seu país e talvez o mais importante de sua carreira, representando um renascimento criativo após um tempo sombrio na vida do cineasta. Kurosawa vivia maus momentos no final da década de 60, com o fracasso comercial de DODESKADEN e a falta de financiamento dos produtores para futuros projetos. Isso abalou até a vida pessoal do diretor, que caiu numa profunda depressão que culminou numa tentativa de suicídio no início dos anos 70. Foi com o convite da grande produtora russa, Mosfilm, que DERSU UZALA foi possível.

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Na verdade, o projeto de DERSU UZALA vinha de longa data. Kurosawa tinha planos já na década de 50 para sua produção, mas teve dificuldade em adaptar a história a um cenário japonês, sem imaginar que um dia ele poderia realmente filmá-la na Rússia, com atores russos. O filme é baseado em um livro autobiográfico de Vladimir Arsenev, que narra as suas aventuras explorando territórios selvagens de seu país para realizar um trabalho topográfico na região. Nas mãos de Kurosawa, a aventura ganha o status de poesia existencialista, com um estudo de caráter abordando o impacto que um primitivo de bela alma tem em um sujeito do mundo civilizado. Continuar lendo

DVD REVIEW: BRAÇO DE DIAMANTE (1969); CPC UMES FILMES

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A última semana foi uma correria danada, mudei de apartamento, o trabalho no fim do mês também foi mais pesado que o habitual, não tive muito tempo pra ver muitos filmes nem postar alguma coisa por aqui. Tudo parece estar voltando ao normal de novo agora que começou Dezembro e pude conferir o lançamento em DVD do mês de novembro da CPC UMES FILMES, a deliciosa comédia soviética BRAÇO DE DIAMANTE, dirigido por Leonid Gayday e estrelado por várias rostos que, embora desconhecidos para nós, eram populares do cinema russo. O próprio BRAÇO DE DIAMANTE nunca foi muito comentado aqui no Brasil, mas se tornou um filme cultuado em alguns países e é considerado uma das melhores comédias realizadas na Rússia, tendo sido um sucesso de bilheteria levando mais de setenta milhões de espectadores aos cinemas. Portanto, um verdadeiro achado esse lançamento da CPC UMES FILMES.

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O enredo de BRAÇO DE DIAMANTE é inspirado numa notícia real sobre contrabandistas suíços que tentaram transportar jóias em acessórios ortopédicos. Na trama, um misterioso criminoso do mercado negro (conhecido apenas como “O Chefe”) tenta contrabandear um lote de jóias da Turquia para a União Soviética, escondendo os artefatos dentro do gesso que seria colocado no braço de seu capanga, Gennadiy Kozodoyev (interpretado por Andrey Mironov, que se revelou um gênio da comédia).

O pilantra viaja para o estrangeiro num navio de cruzeiro turístico para pegar os diamantes, mas os contrabandistas locais não sabem como é a aparência de Gennadiy; só sabem que ele deve fingir uma queda e dizer um código para se identificar. Devido a uma atrapalhada, os bandidos acabam confundindo Gennadiy com seu companheiro de viagem, que havia conhecido no cruzeiro, um cidadão soviético comum, Semyon Gorbunkov (interpretado por Yuiy Nikulin). Colocam um gesso ao redor do braço de Semyon juntamente com as jóias.

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Ao retornar do cruzeiro, Semyon conta o que aconteceu para a polícia e o capitão, trabalhando disfarçado de taxista, usa o pobre Semyon como isca para pegar os criminosos. A partir daí, a maior parte do filme se constrói nas várias tentativas, uma mais engraçada que a outra, dos capangas ineptos do chefe, Gesha e Lyolik (Anatoliy Papanov), para atrair Semyon em situações nas quais possam remover o gesso e recuperar as jóias. As coisas melhoram ainda mais quando a esposa de Semyon começa a suspeitar que ele foi recrutado como agente secreto da polícia, ou pior, está tendo um caso com uma amante…

Paródia inteligente e hilária de filmes de crime e espionagem, com um toque Hitchcockiano do “homem errado em circunstâncias erradas”, BRAÇO DE DIAMANTE ainda reflete de forma satírica o estilo de vida soviético do período, com interessantes informações que podemos captar nos diálogos e situações, como na cena em que Gorbunkov chega em casa após a viagem e uma das primeiras coisas que sua esposa pergunta é se ele havia tomado Coca-Cola e visto a Sophia Loren.

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E é bacana perceber essa contextualização sobre as realidades soviéticas para entrar mais na graça do filme, mas tenho certeza de que os cinéfilos vão apreciar também o trabalho de Gayday como diretor, a maneira como constrói as situações de humor, como um autêntico Jerry Lewis soviético, as composições visuais, a diversidade estilística e principalmente o encanto do elenco, especialmente Mironov, que rouba o filme e dá uma aula de expressão corporal e comédia física como o capanga atrapalhado posando de dândi, e que não fica nada a dever aos grandes comediantes do cinema ocidental, como Lewis, Peter Sellers, Leslie Nielsen, Chevy Chase, etc.

Enfim, BRAÇO DE DIAMANTE não tem lá grandes ambições além de nos divertir e nos fazer soltar boas risadas, mas o faz com muito estilo, muita eficiência, conferindo seu humor à uma estatura de arte. Foi lançado em DVD no mês passado pela CPC UMES FILMES, mas ainda dá tempo de acessar a loja virtual da distribuidora e adquirir mais um item essencial que eles têm lançado. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

LANÇAMENTO DE NOVEMBRO DA CPC UMES FILMES: BRAÇO DE DIAMANTE

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E o lançamento deste mês está simplesmente imperdível!

SINOPSE: O cidadão soviético Semyon Gorbunkov sai a passeio num cruzeiro marítimo. Em seu retorno, acaba levando à URSS jóias escondidas por engano no gesso colocado em torno de seu braço esquerdo depois de uma queda em Istambul. Enquanto os contrabandistas realizam várias tentativas para recuperar as pedras preciosas, um capitão da polícia russa usa Gorbunkov como isca para pegar os criminosos. Mas a esposa do nosso herói começa a desconfiar que ele foi recrutado pela inteligência estrangeira ou está tendo um caso. Está armado o quiprocó.

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SOBRE O DIRETOR: Nascido em Svobodny, na Sibéria, Leonid Iovich Gayday alcançou imensa popularidade e amplo reconhecimento. Seus filmes quebraram recordes de público – “Braço de Diamante” (1968) atingiu a marca de 76 milhões e 700 mil espectadores. Ainda hoje estão entre os DVDs mais vendidos na Rússia. Gayday ingressou no Exército Vermelho em 1942, foi ferido em 1943. Estudou interpretação, entre 1947 e 1949, no Teatro Dramático de Irkutsk. De 1949 a 1955 cursou o Instituto Estatal de Cinema (VGIK), formou-se diretor e foi trabalhar no Mosfilm. Mestre da comédia em ritmo acelerado, trabalhou com atores excepcionais como Georgiy Vitsin, Leonid Kuravlev, Mikhail Pugovkin, Savely Kramarov, Natalya Seleznyova, Natalya Krachkovskaya e sua esposa Nina Grebeshkova. Dirigiu 24 filmes, entre os quais vários clássicos:  “Os Destiladores” (1961), uma adaptação cinematográfica do conto de O. Henri; “Gente de Negócios” (1962); “Operação Y e Outras Aventuras de Shurik” (1965); “Prisioneira do Cáucaso” (1966); “Braço de Diamante” (1968); “12 Cadeiras” (1970); “De Volta do Futuro” (1973); “Impossível!” (1975); “O Inspetor Geral” (1977).

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BRAÇO DE DIAMANTE é o lançamento de novembro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu! E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

DVD REVIEW: O CONTO DO CZAR SALTAN (1966); CPC UMES Filmes

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Fiquei bem feliz quando vi que o lançamento do mês de outubro da distribuidora parceira do blog, CPC UMES Filmes, seria um trabalho de Alexander Ptushko. Para quem não conhece, Ptushko foi o grande mago dos efeitos especiais do cinema russo, considerado o Ray Harryhausen dos lados de lá. Trabalhou, por exemplo, no clássico VIY (1967). Mas acabou vingando também como diretor. E dos bons! Quase sempre trabalhando com cinema fantástico, construiu uma obra rara de contos de fantasia e de cores. O cara sabia pintar com a câmera como poucos, como podem ver nos screenshots que ilustram o post. Entre seus filmes mais famosos estão SADKO (1953, a versão russa do personagem Sinbad), ILYA MUROMETS (1957) e RUSLAN E LUDMILA (1972). Vale destacar também um mais raro, mas igualmente brilhante, FLOR DE PEDRA (1946). O CONTO DO CZAR SALTAN entra fácil no meio desse bolo e agora pode ser conferido em DVD no Brasil através da CPC UMES Filmes.

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A trama é de uma simplicidade tocante, mas repleto de elementos de contos de fada. Foi baseado num poema de Aleksandr Pushkin, inspirado num conto popular russo, e até os diálogos são retirados exatamente como no poema, incluindo as rimas. Uma czarina escolhida a dedo pelo seu czar, o Saltan do título, é traída por suas irmãs invejosas e, juntamente com seu filho, o príncipe Gvidon, é lançada ao mar dentro de um grande barril selado. Acabam aportando numa ilha mágica, onde uma princesa em forma de cisne realiza todos os seus desejos, após Gvidon salvá-la de um feiticeiro na forma de uma águia. Uma cidade mística, um esquilo que produz ouro em abundância, um exército de gigantes que vem do fundo do mar, uma bela princesa com uma joia preciosa brilhando em sua testa… Mas nada disso parece satisfazer o jovem príncipe, que parte numa jornada fantástica em busca de seu pai e ao desmascaramento das farsantes.

Tudo é tratado com muita leveza, até mesmo com uma pegada infantil. Os conflitos são resolvidos seguindo as cartilhas dos contos de fada e a narrativa nunca é truncada. Pelo contrário, o filme é uma delícia. Sobra muito, é claro, o talento de Ptushko em transformar tudo isso numa bela obra de arte, num espetáculo visual de efeitos especiais muito à frente do seu tempo, em composições barrocas extraordinárias e pelo seu gosto impecável por cores fortes que saltam aos olhos a cada segundo.

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Tudo é tão ambicioso, os trajes são arrojados e brilhantes, os cenários são estonteantes, o cuidado com as criaturas que povoam o filme, como animais falantes e os trolls que atacam a cidade do Czar. Tudo é resolvido com muita inteligência, como na cena dos gigantes, em que Ptushko trabalha a perspectiva forçada. Na cena na qual os gigantes atacam um navio, o diretor usa planos com uma embarcação em tamanho real e gigantes em sobreposição de imagens, intercalando com outros planos com gigantes de tamanho normal e um navio em miniatura com bonecos no interior. O resultado é sensacional.

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Mesmo que hoje seja muito fácil identificar essa trucagem toda, a magia de O CONTO DO CZAR SALTAN permanece intacta e admirável. Até mesmo as crianças de hoje, desmamadas com efeitos em CGI ultra modernos, podem se encantar com o visual e a história. Portanto, recomendo muito para crianças, jovens e adultos que ainda possuem sensibilidade para se maravilhar com uma pequena obra de fantasia, mas grandiosa artisticamente.

O CONTO DO CZAR SALTAN foi lançado este mês de outubro pela CPC UMES Filmes e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

DVD REVIEW: O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO (1956); CPC UMES FILMES

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Grigoriy Chukhray ganharia certa fama internacional em 1959 pelo clássico A BALADA DE UM SOLDADO, seu segundo trabalho. Mas já na sua estreia, com O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO, demonstra um talento ímpar pelos lados do cinema soviético, não apenas como esteta – suas composições visuais são simplesmente extraordinárias – mas também como alguém que entende de emoções humanas. O filme é sobre um romance envolvente e ideologicamente complicado entre duas figuras divididas pela guerra civil russa: uma atiradora de elite do exército vermelho, Maria (Izolda Izvitskaya), e um oficial do exército branco, o tenente aristocrata Vadim (Oleg Strizhenov), que fora capturado pelos primeiros.

Baseado nos escritos de Boris Lavrenyev, o “quadragésimo primeiro” do título refere-se ao número das vítimas deflagradas pelo rifle de Maria. Na verdade, ela matou quarenta e errou o tiro seguinte… Na trama, ela faz parte de unidade derrotada do Exército Vermelho, que vaga em retirada do deserto de Karakum onde, em determinado momento, captura Vadim, que por um acaso sobrevive à tal quadragésima primeira bala de Maria.

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Vadim é um prisioneiro importante. Carrega uma mensagem oral secreta destinada a um general do Exército Branco, então os Vermelhos o mantêm vivo, colocando-o sob a guarda de Maria. Quando finalmente chegam ao Mar de Aral, Maria e outros dois soldados são confiados para levar Vadim num pequeno barco até a sede em Kazaly. Mas o tempo tormentoso vira o barco e apenas Maria e Vadim sobrevivem, náufragos em uma ilha deserta. E o que seria uma situação de extremo desespero, acaba possibilitando o desabrochar do afeto mútuo e proibido que os consumia ao longo da jornada.

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Uma situação que os aproxima, não como inimigos, mas como duas almas apaixonadas, num parágrafo cintilante de uma vida de guerra e violência. Eles compartilham o tempo mais felizes de suas vidas na ilha, apesar da disparidade ideológica que vem à tona em alguns momentos, algo que os coloca em conflito e que devem ajustar e reconciliar por causa do amor.

Considerando o período em que O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO foi realizado, é interessante perceber como Chukhray vai um bocado contra a lógica da propaganda soviética vigente, humanizando a imagem de um oficial do Exército Branco, inspirando o público à simpatizar seu afeto genuíno por uma guerreira do exército vermelho. O desfecho até pode ser entendido como uma façanha heroica da lealdade aos Bolcheviques, quando um barco se aproxima para resgatá-los e Maria toma uma atitude espontânea que elimina qualquer possibilidade de final feliz quando a verdadeira identidade do barco é revelada. Mas não dá para descartar a ideia do fator prejudicial que é seguir um código radical com fanatismo. Na verdade, ao invés de escolher lados, o objeto de repúdio de Chukhray é a própria guerra, um ato diabólico disfarçado de patriotismo com resultados desastrosos.

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O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO foi lançado em DVD no Brasil, numa versão remasterizada belíssima, pela distribuidora CPC UMES filmes e está disponível para compra em sua loja virtual e nas melhores casas do ramo. A mesma distribuidora já lançou por aqui A VIDA É MARAVILHOSA, também do mesmo diretor, e já comentado aqui no blog. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos. Um acervo obrigatório que vale a pena comprar.

LANÇAMENTO DE OUTUBRO DA CPC UMES FILMES: O CONTO DO CZAR SALTAN

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Imortalizado na ópera de Rimsky-Korsakov, o célebre poema de Aleksandr Pushkin baseado num conto popular russo recebe a adaptação cinematográfica de um mestre dos efeitos especiais, cujas animações se integram à realidade com rara inteligência e beleza. Em O CONTO DO CZAR SALTAN, a czarina traída por suas irmãs invejosas aporta numa ilha mágica depois de ter sido lançada ao mar com seu filho, o príncipe Gvidon, dentro de um barril selado. Com a ajuda de um cisne encantado que realiza os seus desejos, o príncipe inicia uma fantástica aventura que o levará ao encontro do pai e ao desmascaramento das farsantes.

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Aleksander Lukish Ptushko nasceu em Lugansk, Ucrânia. Iniciou sua carreira no cinema construindo bonecos para curtas metragens de animação, e tornou-se diretor de longas do gênero fantasia que combinam atores com animação stop-motion no mesmo quadro, efeitos especiais e mitologia russa. Seu sucesso atravessou fronteiras. Ganhou prêmio especial no Festival de Cannes (1946) e o Leão de Prata no Festival de Veneza (1960). SADKO foi lançado nos EUA em 1962 dublado para o inglês, com o título AS AVENTURAS DE SINDBAD e a assinatura de Francis Ford Coppola como “adaptador do script”. Entre os filmes que dirigiu estão incluídos O NOVO GULLIVER (1935), A CHAVE DE OURO (1939), FLOR DE PEDRA (1946), SADKO (1952), SAMPO (1959), VELAS ESCARLATES (1961), O CONTO DO CZAR SALTAN (1966), RUSLAN E LUDMILA (1972).

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O CONTO DO CZAR SALTAN é o lançamento de outubro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu!

 

DVD REVIEW: UM ACIDENTE DE CAÇA (1978); CPC UMES FILMES

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As descobertas dos filmes soviéticos lançados pela CPC UMES Filmes tem sido uma das melhores coisas do ano. O lançamento deste mês, por exemplo, UM ACIDENTE DE CAÇA, uma pequena obra-prima baseada num romance clássico de Chekhov, é uma belíssima surpresa e mais um exemplo que merecia maior reconhecimento por esses lados.

Dirigido por Emil Loteanu, o filme retrata uma aristocracia russa em seu glamour decadente numa trama que gira em torno de três nobres que se apaixonam pela jovem Olenka. Nascida em uma família pobre, ela tem a ideia de que precisa se casar casar com um homem rico para sair da vida de pobreza. Temos um velho viúvo, um conde beberrão e um jovem e belo investigador, que formam os três homens que lutam por seu coração. A partir disso, o filme se desdobra em cima desses personagens revelando suas turbulentas bases morais, suas paixões, suas fraquezas, que constituem a própria matéria deste denso relato.

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No entanto, diferente do que possa parecer, UM ACIDENTE DE CAÇA não é nem de longe um dramalhão histórico, pesado e chato. É claro que esse olhar sobre a burguesia russa de fim de século levanta certas reflexões, até porque a história de amor que gira em torno desses personagens é, na verdade, destrutiva e serve como pretexto para examinar as classes dominantes da aristocracia. Mas o romance clássico em que o filme se baseia, é um Chekhov puro, com humor, ironia, sarcasmo, lirismo e sutilezas, e o filme mantém essa mesma pegada.

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Ou seja, o filme tem uma leveza que ajuda muito o olhar, em especial porque formalmente UM ACIDENTE DE CAÇA é uma pequena maravilha. Quase todos os quadros são lindamente filmados, com composições visuais muito bem cuidadas e uso dramático de cores. Uma câmera excepcional e atraente em seu virtuosismo moderado, Loteanu se permite deslumbrar com o décor, com os objetos de cena, especialmente estátuas, como um mundano maravilhado pela aristocracia. Mas também os figurinos e paisagens, há muito para se olhar e admirar, um filme que encanta pelo que mostra.

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A música de Evgeniy Doga também merece destaque, por ser explorada quase como um personagem, convivendo com as imagens e acentuando o clima dialético entre a festividade de fachada e o esgotamento moral. O filme tem alguns momentos que remetem a musicais, como no primeiro ato, na sequência da festa de despedida de bebedeiras do Conde, que está com o fígado gastado e os médicos lhe deram pouco tempo de vida. A mise en scène dessas cenas é simplesmente deslumbrante. A parceria entre Doga e Loteanu já vinha de quase uma década e acabou se tornando bem popular no período.

O tema principal possui até uma certa importância histórica. A valsa de casamento composta para o filme foi chamada por Ronald Reagan, então presidente americano na época, de “valsa do século” quando visitou Moscou nos anos 80. A música foi usada também na abertura dos Jogos Olímpicos de Moscou em 1980 e nos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, e foi ainda escolhida pela UNESCO como a quarta obra-prima musical do século XX. Como sou legal, deixo vocês ouvirem por aqui:

Atores russos famosos e talentosos do período interpretam os personagens principais. Entre eles, Oleg Yankovsky, o protagonista e narrador da trama (e que trabalhou em alguns filmes do Tarkovski, como O ESPELHO e a obra-prima NOSTALGIA). Kirill Lavrov (OS IRMÃOS KARAMAZOV, de Ivan Pyryev) é quem faz o conde doente e corrompido. E o veterano Leonid Markov encarna o viúvo de meia-idade.

Mas talvez a grande força de UM ACIDENTE DE CAÇA seja Galina Belyaeva, que na época estava com 17 anos, a mesma idade que sua personagem no livro de Chekhov, e que possui uma beleza poética arrebatadora. Sua primeira aparição no filme diante dos três homens, os principais pretendentes, faz você entender por que os sujeitos literalmente perderam suas mentes e pagariam qualquer preço para tê-la.

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UM ACIDENTE DE CAÇA é o lançamento do mês de setembro da CPC UMES filmes, cujo DVD traz o filme numa qualidade impecável de imagem e som, além de apresentar várias informações sobre o diretor Emil Loteanu, do compositor Evgeniy Doga e outros detalhes. Mas só pelo filme e pela possibilidade de ver e rever uma obra tão sublime e obscura aqui no Brasil, já vale a pena ter na estante. Basta acessar a loja virtual da distribuidora e adquirir este e tantos outros clássicos obrigatórios. E não deixe de curtir a página da CPC UMES filmes no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

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DVD REVIEW: A VIDA É MARAVILHOSA (1979); CPC UMES FILMES

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O que mais me surpreende foi terminar de assistir a um belíssimo exemplar como A VIDA É MARAVILHOSA e perceber o quanto ele é obscuro em relação a outros thrillers políticos italianos do período. Não sei se chegou a ser lançado no Brasil nos cinemas ou em VHS na época, mas pelo menos hoje não existe desculpa, temos a oportunidade de conferir essa preciosidade desconhecida em DVD, pela distribuidora CPC UMES filmes.

A expressão “A vida é Maravilhosa” utilizada no título, na verdade trata-se de um código utilizado por revolucionários que lutam contra uma ditadura. A produção, que é uma parceria Russa e Italiana, é sobre o piloto Antonio Murillo (Giancarlo Gianinni) que, após ser expulso do exército depois se recusar a atirar contra uma embarcação que transportava mulheres e crianças em algum local na África, só quer uma vida sossegada dirigindo seu taxi e fumando um cigarro atrás do outro. Mas acaba entrando numa enrascada política com as autoridades locais depois que se apaixona por Mary (Ornella Muti), a garçonete de um café, que serve de fachada para revolucionários que tentam desmantelar o autoritarismo que assola o país.

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Dirigido por Grigory Chukhray (A BALADA DE UM SOLDADO), A VIDA É MARAVILHOSA se estrutura basicamente em duas partes. A primeira é como híbrido de thriller político italiano e romance barroco russo, com o personagem de Gianinni tendo que espreitar pela noite para não levar chumbo da polícia ou participando de reuniões secretas, com direito até de um MacGuffin Hitchcockiano representado numa bolsa misteriosa que passa de mão em mão até chegar em Murillo, no qual tanto as autoridades quanto os revolucionários querem tomar posse. Tudo isso em conjunto com sequências mais tenras, em que Gianinni divide a tela com Muti, e o olhar mais humano e poético de Chukhray se reforça, como na sequência na praia ou quando Murillo mostra a Mary seu sonho de consumo, um avião de pequeno porte, o que representa um alento em meio a tempos complicados.

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A segunda parte da trama é um “prison movie“, não tão barra pesada, mas com o suficiente para que o personagem de Gianinni coma o pão que o diabo amassou por conta da enrascada que entrou. E aí temos um gostinho do que é estar preso sob uma ditadura: a trama passeia entre torturas físicas e psicológicas, mas também a angústia da distância da pessoa amada, além da elaboração de um plano de fuga que culmina numa rebelião na prisão e uma perseguição de carro num climax bem agitado. Mas o filme nunca descamba nem para a ação poliziesca, nem para o dramalhão carregado, mas consegue passar o efeito catártico das situações mesmo com um incomum tom de humor que paira sobre toda a narrativa.

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Apesar de italianos e dublados em russo, grande parte da força de A VIDA É MARAVILHOSA se concentra em Ornella Muti e Giancarlo Gianinni. Este último num desempenho inspirado, é o sarcasmo em pessoa, o que ajuda a manter uma certa dignidade ao personagem de Murillo mesmo quando acuado por autoridades e nas situações mais adversas. Já Muti, uma das mulheres mais lindas da história do cinema, demonstra grande talento representando uma figura forte e determinada, embora ambígua em alguns momentos.

A direção Chukhray é simples e possui um tratamento realista, reforçado com uma pontuada câmera na mão que dá um maior dinamismo, mas também de rara beleza com composições visuais requintadas, que coloca o filme no mesmo penteão dos thrillers políticos europeus ao lado de obras de diretores como Costa-Gavras, Marco Bellochio, Gillo Pontecorvo, Damiano Damiani e Elio Petri.

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Embora nunca se fale o nome do país onde a história se passa, há vários momentos que aparecem placas e pichações nos muros no idioma português. Portanto, enquanto assistia, achei bem provável que A VIDA É MARAVILHOSA fosse filmada na Portugal do ditador Salazar, nos anos 70. Informações e resenhas sobre este filme são escassas, o que me deixa ainda mais estupefato como ele é obscuro. Mas num fórum que encontrei num canto da internet, veio a confirmação com uns gajos lusitanos a discutirem:

No último excerto, a montagem/edição não fez coincidir as zonas de Lisboa captadas pelas diferentes câmaras… Na que “olha para a frente” o taxi anda pela zona riberinha perto alcântara (há uma parte inclusive na Ponte 25 de Abril, ainda com duas faixas), e na que está de lado e apanha o protagonista, vejo zona aleatórias de Lisboa – a Almirante Reis, o Jardim Constantino, a saída do túnel do Campo Grande...”

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Nesse mesmo fórum descobri que existem duas versões do filme. A Russa, que é esta restaurada pela Mosfilm e que a CPC UMES Filmes lançou aqui no Brasil, e a Italiana, que me parece inacessível, não faço ideia se existe em circulação. A diferença é que nesta versão do país da bota algumas coisas ficam mais explícitas, como deixar claro que a trama realmente se passa em Portugal e que o país africano que está sob ataque no início do filme é Angola.

De qualquer maneira, é um filme que não precisa de posições geográficas, o que o torna universal e necessário. E em períodos obscuros como a que vivemos atualmente, vale a pena se deparar com um A VIDA É MARAVILHOSA para lembrar que independente de visões políticas, censura, autoritarismo e fascismo são merdas que precisam ser combatidas.

E é preciso também que  A VIDA É MARAVILHOSA seja descoberto o mais rápido possível. O filme está disponível no catálogo da CPC UMES Filmes e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página deles no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

DVD REVIEW: ALEXANDER NEVSKY (1938); CPC UMES FILMES

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Um dos filmes mais importantes do acervo da CPC UMES Filmes é, sem dúvida alguma, ALEXANDER NEVSKY, dirigido por um dos maiores patrimônios que o cinema já criou, o diretor russo Sergei Eisenstein. Embora o filme tenha sido inicialmente concebido como propaganda de guerra, acabou que seu conteúdo foi ofuscado pela técnica. Eisenstein aproveitou algumas de suas próprias habilidades cinematográficas inovadoras para criar uma das mais surpreendentes obras-primas do período e um das mais incríveis batalhas já filmadas.

Na época, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, o então líder soviético Joseph Stalin queria que fosse produzido um filme como ferramenta de propaganda a fim de alertar os cidadãos soviéticos para a crescente ameaça alemã. ALEXANDER NEVSKY surgiu com tais propósitos e conta a história do príncipe Alexander Vasilievich Nevsky que levou os russos a lutar contra o imperialismo teutônico germânico. O ano era 1242, e os Teutons já haviam conquistado uma grande parte do Império Russo, com ataques rápidos e pegando cidades de surpresa. A cidade de Pskov e toda a Rússia ocidental se renderam aos impotentes Teutons, que então colocaram seus olhos em Novgorod, o epítome do progresso da pátria russa no período.

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Os laços entre os alemães alemães do século XIII e a Alemanha nazista do início do século XX são claros, razão pela qual Stalin acabou proibindo ALEXANDER NEVSKY de ver a luz do dia após ter assinado o pacto de não agressão com Hitler. Pacto que foi quebrado em 1941 e Stalin acabou voltando para sua ideia original de apresentar o filme como propaganda de guerra. Era óbvio o quão poderoso o filme era, não só em termos da caracterização dos alemães como animais cruéis e invasores a serem combatidos com violência, que jogam crianças em fogueiras para serem queimadas vivas… Mas também em seu impacto geral como obra cinematográfica. Eisenstein era incapaz de fazer um filme que fosse apenas uma mensagem política e acabou criando uma verdadeira obra de arte.

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Grande parte das atenções de ALEXANDER NEVSKY se concentram na extraordinária sequência de 30 minutos da Batalha do Gelo, na qual o exército de Alexander enfrenta os alemães em um lago congelado. Segundo Eisenstein, em seu livro O sentido do Filme, que eu considero obrigatório, é nesta cena que “o aspecto audiovisual de Alexander Nevsky atinge sua fusão mais completa“. A batalha é um exemplo incrível de encenação, arquitetura da ação e como a combinação de imagem e música pode despertar emoções profundas. As composições visuais são cuidadosamente colocadas em compatibilidade com as notas musicais do compositor Sergei Prokofiev e o resultado é simplesmente magistral em todos os sentidos.

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Em ALEXANDER NEVSKY, Eisenstein demonstra que ele poderia trazer sua visão de autor mesmo trabalhando dentro dos rígidos códigos do estalinismo. Embora ele tenha sido posteriormente humilhado e exilado. Eisenstein prova aqui que o seu brilho não podia ser esquecido tão cedo. E ainda hoje seu trabalho técnico impecável impressiona. É por isso que o filme faz parte do catálogo da CPC UMES Filmes e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página deles no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

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LANÇAMENTO DE SETEMBRO DA CPC UMES FILMES: UM ACIDENTE DE CAÇA

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Adaptado da novela de Anton Chekhov, publicada como folhetim em 1884-85 e considerada precursora do romance policial psicológico, UM ACIDENTE DE CAÇA penetra no vazio moral da aristocracia decadente ao narrar o drama da jovem Olga, filha de um servo, cobiçada por três homens de meia-idade.

O filme é o lançamento de setembro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu!

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E confira a resenha de COSSACOS DE KUBAN, o lançamento do mês passado da CPC UMES FILMES e que vale a pena conhecer.

DVD REVIEW: COSSACOS DE KUBAN (Kubanskie kazaki, 1948); CPC UMES FILMES

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O lançamento de Agosto da CPC UMES Filmes, uma das distribuidoras mais importantes do Brasil atualmente, é COSSACOS DE KUBAN. A produção é uma comédia musical soviética fascinante que vale a pena ser conferida, especialmente por quem curte um cinema exótico que foge do padrão ocidental. E o blog Dementia¹³ inicia a parceria com a distribuidora comentando sobre essa maravilha do cinema.

COSSACOS DE KUBAN conta a história simples de dois líderes kolkhozes (cooperativas agrícolas soviéticas) concorrentes, Galina e Gordey, que se reúnem por ocasião de um festival agrícola e dividem suas atenções entre as competições que o evento promove e a sua atração romântica um pelo outro. Gira em torno também de vários outros personagens que participam do festival, que se divertem, cantam, dançam e se enamoram…

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O filme começa com uma sequência musical que mostra o trabalho de campo em uma fazenda coletiva. Depois de alguns planos dos espaços infinitos de trigo sob o céu azul, dos camponeses que trabalham, e das colheitadeiras que atravessam os campos, a música entra em coros exaltados durante uns cinco minutos hipnóticos de imagem e som, apresentando os personagens da história. É a típica sequência que deveria ser estudada em qualquer escola de cinema: a arte dos planos, de composição e de como a edição faz entrar em acordo imagem e música num nível impressionante de perfeição.

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Tudo a serviço da propaganda que glorifica o trabalho comunitário e igualdade de gênero nas tarefas de serviço à comunidade. OS COSSACOS DE KUBAN era um filme para a distração do público com cenas que apoiavam a necessidade de um esforço coletivo no tempo de reconstrução pós guerra. Dizem que o próprio Stalin era um fervoroso admirador do filme, um espectador voraz que nos últimos anos de vida estava projetando todos os tipos de filmes internacionais em salas privadas de suas várias residências e cuja coleção pessoal foi trazida de Berlim pelo Exército vermelho em 1945. Mas isso é apenas uma curiosidade…

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O papel das mulheres no modelo soviético é bem evocado no filme e assim, a personagem de Galina, uma viúva, cujo marido perdeu a vida na II Guerra Mundial e líder de uma das duas fazendas coletivas, passa grande parte da história a desafiar Gordey, um ex-militar marcado pela guerra, que comanda com mão de ferro sua fazenda. Em outra história paralela, a jovem Dasha confronta seu tio, o mesmo Gordey, para viver seu amor com um jovem da fazenda de Galina. Assim, as mulheres são a espinha dorsal de COSSACOS DE KUBAN que coloca os homens em uma posição surpreendente de inferioridade em que o cinema ocidental do período ainda não tinha experimentado.

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Os atores, desconhecidos para a maioria dos espectadores ocidentais, são grandes nomes do cinema soviético. Para ficar na dupla central, Marina Ladynina, no papel de Galina, foi uma das principais musas do cinema stalinista. A sua carreira parou com a morte de Stalin em 1953. Sergei Lukyanov, no papel de Gordey, encarnara o arquétipo do homem soviético viril antes de sua morte prematura. Continuar lendo