Hammer Time: O VAMPIRO DA NOITE (Dracula, 1958)

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Começando o carnaval, época boa pra ficar em casa e assistir a uns filminhos de terror… Estava meio receoso de começar uma série de textos tratando de TODOS os filmes sobre o universo Drácula que a Hammer criou nos anos 50, 60 e 70, porque o meu amigo Paulo Blob já fez isso recentemente no site Boca do Inferno. Todos textos obrigatórios, diga-se de passagem. Mas como resolvi rever alguns exemplares e finalmente conferir os que ainda não tinha visto, acho justo que eu faça pelo menos alguns breves comentários pra ficar registrado por aqui. Começando pelo começo, fiz uma revisão de O VAMPIRO DA NOITE, a primeira incursão da Hammer ao personagem de Bram Stoker e que gerou oito continuações oficiais. O filme reúne novamente Christopher Lee e Peter Cushing, os astros do primeiro filme de monstros clássicos da Hammer, THE CURSE OF FRANKENSTEIN (57), com o diretor Terence Fisher, que é responsável pela grande maioria desses filmes.

Ainda pretendo peregrinar nas outras séries de monstros que a produtora britânica realizou, mas vale destacar, a princípio, sobre essas obras seminais, algumas sacadas que os realizadores tiveram para conseguir atrair de volta a atenção do público a um tipo de horror que já estava em baixa no período e que favorece bastante, por exemplo, O VAMPIRO DA NOITE. A primeira coisa foi evitar o preto e branco tradicional das fitas de horror e colocar cores vivas estourando na tela, ou seja, agora era possível ver o sangue vermelhão derramado, e violência gráfica era algo que Fisher abusava bastante em seus filmes e que, querendo ou não, em plena década de 50 tinha um impacto danado. Em segundo lugar, esses filmes introduziram um bocado de erotismo às obras clássicas do horror, o que não seria comum nas versões da década de 30 e 40… E ver uma senhorita com um belo decote e olhar insinuoso era tudo que um senhor britânico de meia idade poderia querer ao entrar numa sala de cinema naqueles dias.

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O roteiro de Jimmy Sangster em O VAMPIRO DA NOITE não faz questão alguma de ser fiel aos escritos de Stoker. Entre as principais mudanças há o personagem de Jonathan Harker, interpretado por John Van Eyssen, que aqui aparece como aspirante a caçador de vampiros, assistente de Van Helsing (Peter Cushing), chegando ao castelo de Drácula (Christopher Lee) já ciente da natureza vampírica do Conde, mas passando-se por um bibliotecário. Drácula, que não é bobo, descobre a jogada e lasca uma mordida no pescoço do sujeito, que acaba se transformando num vampiro. Já Van Helsing deve ter ficado com saudade e, sem notícias do jovem Harker, acaba indo procurá-lo, seguindo seus passos até chegar no Castelo, descobrindo o que aconteceu com seu pupilo. Nada que uma estaca no coração não resolva. O problema é que o Conde já partiu para a Inglaterra em busca de uma nova vítima: Lucy, noiva de Harker. Van Helsing retorna a Londres para tentar impedir as intenções do vampirão.

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A partir daí, o filme se desenrola nos mesmo moldes dos tradicionais filmes de Drácula, até chegar no ponto onde Van Helsing e o Conde têm um duelo final. E aí, meus caros, a diferença está exatamente em ter em cena um Peter Cushing e Christopher Lee para tornar tudo mais genial. Cushing, especialmente, está excepcional como o caçador de vampiros incansável, uma mistura de cérebro com coragem, embora lhe falte porte físico. Já Christopher Lee tem presença física de sobra, tanto que seu Conde Drácula possui o total de apenas treze falas durante todo o filme. Mas nem faz muita falta, basta seu olhar esbugalhado, com sangue escorrendo da boca, sua expressividade incrivelmente magnética. Não à toa O VAMPIRO DA NOITE consagra Christopher Lee, assim como seu antecessor, Bela Lugosi, três décadas antes, como um ícone do horror vampiro para toda uma nova geração. O elenco de apoio também ajuda bastante e o destaque vai para Michael Gough, que interpreta o irmão de Lucy. Gough é lembrado bem mais velho por ser o mordomo Alfred dos filmes do Batman dirigidos pelo Tim Burton e Joel Schumacher.

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Em termos de direção, estética, fotografia e cenários, que belo filme é O VAMPIRO DA NOITE! Os planos nos interiores são muitíssimo interessantes, com o uso das cores vibrantes. E do lado de fora, aquelas paisagens pintadas à mão que tanto me encantam. A sequência final do já citado confronto entre Van Helsing e Drácula mostra bem do que esses caras eram capazes de fazer na construção da tensão, na elegância da ação, ao mesmo tempo tão seco e cru. Fisher não tava de brincadeira não… É um baita diretor, embora quase nunca seja lembrado como o mestre do horror que é.

Agora preciso ver o resto da série. Mas antes, mais uma revisão, AS NOIVAS DO VAMPIRO (60), novamente dirigido pelo Fisher e estrelado pelo Cushing, mas infelizmente sem Christopher Lee no papel de Drácula. O sujeito tava com medinho de ficar estigmatizado no personagem e tentou variar um bocado, mas acabou retornando em DRACULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS, em 1966… Mas a gente chega lá.

THE WHIP AND THE BODY (La Frusta e il Corpo, 1963)

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Muitos sites famosos de cinema por aí estão dando a notícia da morte do grande Christopher Lee relembrando seus “principais trabalhos”, ou seja, Saruman, na série O SENHOR DOS ANÉIS, e o Conde Dooku na última trilogia de STAR WARS. E tem gente que ganha dinheiro escrevendo essas merdas… Como eu não ganho nada para estar aqui escrevendo, também não vou tentar fazer jus ao nome deste magnífico ator, um dos últimos ícones do cinema clássico que nos deixa e que merecia vários artigos e resenhas de seus filmes espalhados para todo canto. Mas deixo aqui as minhas impressões sobre um filme especial, um dos meus favoritos com o Chris Lee, e que dificilmente será lembrado nos obituários dos grandes veículos de comunicação: THE WHIP AND THE BODY, dirigido pelo mestre Mario Bava. Continuar lendo

PETER JACKSON, FAÇA-ME O FAVOR…

Só não é o filme mais asqueroso de 2012 porque este ano tivemos CLOUD ATLAS, dos irmãos Wachowski e Tom Tykwer.

O HOBBIT é um repeteco de tudo que vimos em SENHOR DOS ANÉIS, de maneira ainda mais pavorosa. As mesmas soluções simplistas e preguiçosas, as mesmas tomadas aéreas que enchem o saco, a mesma trilha sonora, os mesmos discursos “edificantes” a cada cinco minutos, as mesmas batalhas mal filmadas, mal editadas, mal decupadas, mal encenadas, a mesma falta de noção de mise en scène… tudo que irritou ao longo de três filmes o sujeito conseguiu acumular em um só. E vem mais dois por aí.

De bom, a curta presença do Christopher Lee.

E pra que inovação tecnológica, os tais 48 quadros por segundo, se o diretor é um incompetente? No dia que o senhor Jackson for capaz de filmar algo do nível de qualquer um desses filmes aí abaixo, voltamos a falar sobre o assunto.

CONAN, O BÁRBARO (1982), John Millius

EXCALIBUR (1981), John Boorman

KRULL (1983), Peter Hyates

CONAN, O DESTRUIDOR (1984), Richard Fleischer
PRINCIPE GUERREIRO (1982), Don Coscarelli
GUERREIROS DO FOGO (1985), Richard Fleischer
A ESPADA E OS BÁRBAROS (1982), de Albert Pyun
WILLOW NA TERRA DA MAGIA (1988), de Ron Howard

YOR, O CAÇADOR DO FUTURO (1983), de Antonio Margheriti

SHE (1982), Avi Nesher
HERCULES 87 (1983), Luigi Cozzi

CÍRCULO DE FERRO (1978), de Richard Moore

DEATHSTALKER, O GUERREIRO INVENCÍVEL (1983), de James Sbardellati
SORCERESS (1982), de Jack Hill
O MATADOR DE DRAGÕES (1981), de Matthew Robbins
ATOR, A ÁGUIA GUERREIRA (1982), de Joe D’Amato
RAINHA GUERREIRA (1985), Hector Olivera
OS BÁRBAROS (1987), Ruggero Deodato

E muitos outros…

BURKE AND HARE (2010)

Eu não ando muito ligado nas comédias atuais, mas resolvi me arriscar neste aqui porque a) me pareceu ser um bom caso do típico humor britânico; b) além do tipo de humor, me pareceu ter uma mescla interessante com mistério e terror; c) tem o Simon Pegg, que é dos poucos rostos do gênero que acho bacana atualmente e d) o motivo principal, é que BURKE AND HARE é o retorno de John Landis à direção depois de não sei quantos anos sem fazer algo para cinema.

Duas escolas de anatomia na cidade de Edimburgo, por volta de 1820, competem pelo posto de melhor instituição, uma liderada pelo Dr. Monro (Tim Curry) e outra pelo Dr. Knox (Tom Wilkinson), que se vê obrigado a adquirir corpos por meios ilegais, já que Dr. Monro consegue um monopólio sobre a oferta de cadáveres na cidade. É aí que entram Burke (Pegg) e Hare (Andy Serkis), dois malandros que estão dispostos a tudo para ganhar uns trocados, o que incluí conseguir alguns defuntos para o Dr. Knox, mesmo que nem sempre encontrem o artefato sem vida.

O filme é ligeiramente baseado em histórias verdadeiras, inspiradas em assassinatos reais da época, e possui um tema interessante para criar situações engraçadas. Pena que na prática a coisa não funcionou tão bem pra mim. BURKE AND HARE não é ruim ao ponto de você desistir no meio do filme, mas também não possui nada de mais para chegar ao fim como uma experiência agradável. É longo demais e perde tempo com situações desinteressantes (como o romance de um dos protagonistas) e, já que estamos falando de algo assumidamente dentro do gênero comédia, falha por ser sem graça na maior parte do tempo. Não existem sequências memoráveis que ficam marcadas na mente, a não ser a curta cena onde Christopher Lee dá as caras.

Por outro lado, John Landis mantém a mão firme para o suspense e em alguns momentos envolvendo uma atmosfera mais densa o filme ganha um pouco de força. Não deixa ainda de ser meia boca o resultado final, mas prefiro um Landis ou John Carpenter fazendo filmes menores como este do que vê-los “coçando o saco em casa”.