PICASSO TRIGGER (1988)

Este é o segundo filme da série criada pelo diretor Andy Sidaris que conta com as agentes secretas gostosas Donna (Dona Speir) e Taryn (Hope Mary Carlton), além de um bocado de outros personagens sobreviventes de HARD TICKET TO HAWAII. De alguma maneira, Sidaris acredita que a CIA é habitada por um bando de beldades… melhor para nós, na maioria das vezes. Mas no caso de PICASSO TRIGGER, temos uma série de desapontamentos.

Começando pela trama. Um chefão do crime, Salazar (John Aprea), também conhecido por um apelido que dá nome ao filme, é assassinado logo após doar para um museu em Paris um valioso quadro de um peixe cujo nome também é o título do filme. De alguma forma que eu até agora procuro entender, esse acontecimento possui relação com uma série de mortes de agentes secretos. Os agentes remanescentes, ou seja, os personagens do filme anterior, montam uma equipe para desvendar o caso e impedir algo terrível que os vilões planejam, er… que eu não faço idéia do que seja.

Além de faltar um pouco mais de cuidado em alguns detalhes, essa espécie de sinopse aí em cima se transforma numa narrativa extremamente bagunçada e chata. Eu ficava o tempo inteiro tentando me lembrar porque tal personagem fazia isso em determinado momento, porque fazia aquilo em outra cena, até que me lembrei que eu não havia esquecido. Eu realmente não sabia… É tanta situação, lugares diferentes e personagens borbulhando que eu acabei perdido.

No entanto, se for parar para analisar, os filmes anteriores do diretor que eu comentei aqui, não eram muito diferentes nesse sentido. O negócio eram os elementos característicos do Sidaris que compensavam o péssimo roteiro: peitos e ação. Em PICASSO TRIGGER também temos esses artifícios, só que não funcionam muito bem. Tirando a divertida ação final, com bastante tiros, explosões, armas de tecnologia anos 80, e um pouquinho de kung fu, não sobra muita coisa que beneficie o ritmo do filme. E as cenas de nudez gratuitas, que surgiam naturalmente nas fitas anteriores, aparecem aqui forçadas, quase que obrigadas, além de esporádicas durante a narrativa. A primeira teta só é mostrada numa rápida ceninha já com quase 20 minutos de filme…

PICASSO TRIGGER é mesmo fraco ou eu que estou assistindo a muito Walter Hill e ficando exigente? Vou descobrir quando assistir a SAVAGE BEACH, próxima pérola do Sidaris a ser comentada por aqui.

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HARD TICKET TO HAWAII (1987)

Enquanto MALIBU EXPRESS era um produto que formava a base do cinema de Andy Sidaris, é com HARD TICKET TO HAWAII que o sujeito cristaliza seu estilo, com todo aquele conjuto de elementos que não falta em seus filmes e faz a cabeça de seus fãs. Ou seja, muitas playmates com peitos à mostra, sexo softcore, banheiras de hidromassagem, em tramas de espionagem com bastante sequências de ação, tiroteios, artes marciais muito mal filmadas e excesso de explosões… E pra não dizer que todos os trabalhos do Sidaris são iguais – só mudam os atores e os peitos – sempre há um ingrediente especial a mais para diferenciar uma obra da outra. HARD TICKET TO HAWAII, por exemplo, também é lembrado como o filme da cobra gigante mutante assassina!

São apresentadas por aqui a dupla de beldades, Donna (Dona Speir) e Taryn (Hope Mary Carlton), agentes especiais do governo disfarçadas que ainda protagonizariam mais outras duas produções de Sidaris: PICASSO TRIGGER e SAVAGE BEACH. As duas “atrizes” eram playmates na época e seus maiores talentos era não ter problema algum em mostrar seus atributos naturais. Isso antes da estética do silicone entrar em vigor, porque já nos anos 90, a coisa começa a ficar feia, surgem aquelas bolas siliconadas que muita gente chama de seios… mas é apenas um detalhe de preferência pessoal.

Na trama, essas duas belezinhas entram em atrito com uma rede criminosa de… de que mesmo? Aliás, eu já nem lembro do enredo, pra ser sincero. Mas isso não importa! O que vale mesmo é a quantidade de peitos e ação que isso faz render, sem contar as situações excêntrica que saem do imaginário fértil de Andy Sidaris. Eu prefiro MALIBU EXPRESS em todos os sentidos, mas entendo perfeitamente porque HARD TICKET TO HAWAII é considerado a obra prima do homem. Além dos constantes e belos pares de peitos balançando pela tela, da já citada subtrama com a cobra assassina e vários outros exemplos que comprovam a insanidade do diretor, temos a antológica e sangrenta sequência do “frisbee da morte”. Deixo apenas a imagem abaixo como ilustração:

E essa nem é a cena mais bizarra. Acho que merece esse posto a parte em que surge um sujeito de meia idade em cima de um skate, de ponta-cabeça, tentando atacar os heróis (um deles interpretado pelo canastrão Ronn Moss) num jipe e estes resolvem simplesmente explodir o cara com uma bazuca! Mas o que realmente chama a atenção é que o skatista, inexplicavelmente, traz consigo uma boneca inflável usando como escudo humano!!! Quando você pensa que já viu de tudo, um pequeno filme que você assiste apenas para ver uns peitinhos de fora acaba lhe surpreendedo com uma série de imagem como essa… não tem como não se apaixonar pelo cinema de Sidaris.

MALIBU EXPRESS (1985)

Uma boa maneira de se iniciar no cinema de Andy Sidaris é conferir, antes de qualquer coisa, MALIBU EXPRESS. Não tem erro! É o primeiro trabalho do sujeito que contém a sua assinatura, com todos os elementos característicos que fizeram-no ganhar, er… “notoriedade”, digamos assim. Entre aspas mesmo. É que Sidaris não chegou nem perto de ter alguma notoriedade no mundo do cinema. Apenas os fãs mais ferrenhos de tralhas classe B ainda lembram o seu nome quando vão citar os diretores de filmes B prediletos.

Uma injustiça, por sinal. Basta observar os tais “elementos característicos” para perceber que Sidaris, na verdade, é um dos diretores mais importantes da história. Se esta arte, que chamamos de cinema, não foi criada para mostrar mulheres com peitos de fora atirando com metralhadoras freneticamente, então eu não sei pra que foi… E nisso, Sidaris era um genuino mestre!

Diretor de séries esportivas nos anos 70, Sidaris só foi arriscar em longas apenas duas vezes naquela década, com STACEY (73) e SEVEN (79), filmecos de ação com algumas gostosas de brinde, que serviram de ensaio para o que fez em MALIBU EXPRESS. Este seu terceiro longa impulsionou a carreira de Sidaris, que se especializou num estilo peculiar, o soft-core de ação. Todos os seus trabalhos seguintes são narrados como tramas criminais (com boa dose de humor) recheados de explosões, tiros, e mulheres de topless! Apesar do seu conteúdo e da vulgaridade da violência e do sexo, o cinema de Sidaris, por incrível que pareça, é muito inocente, sincero e possui estilo próprio… Você bate o olho e sabe que está vendo uma produção do Sidaris!

Há algumas semanas, postei aqui, todo orgulhoso, por ter adquirido o box contendo 12 filmes do diretor e prometi que comentaria cada um à medida que fosse assistindo. Comecei, então, pela revisão de MALIBU EXPRESS, um dos meus favoritos do diretor. A trama é uma bagunça deliciosa e apresenta o detetive particular decadente Cody Abilene, típico herói oitentista, bigodudo, fã de Dirty Harry, mora num barco… o único problema é que é péssimo atirador. Ele é contratado pela Condessa Luciana (a musa Sybil Danning) para investigar a morte de seu marido e, para isso, precisa se infiltrar na mansão de Lady Lilian Chamberlain, pois os possíveis suspeitos se encontram todos no local. Só que o sujeito acaba, sem querer, descobrindo um complexo caso de conspiração internacional envolvendo espiões russos.

A grande variedade de suspeitos inclui figuras interessantes que vão surgindo ao longo do filme, aumentando ainda mais a confusão narrativa, mas sem tirar o interesse do espectador, já que a maioria são belos exemplares do sexo feminino que não se acanha em tirar a blusa logo que surge em cena. Mas há também os casos bizarros, como o travesti, o motorista garanhão cheio de músculo, o trio de vilões que fica sempre na cola do nosso herói. Ao longo da trama, Cody recebe ajuda de mais algumas garotas, que também não demoram muito para mostrar os peitões, como a policial Beverly (Lori Sutton) e a corredora de carros Khnockers (Lynda Wiesmeier). Sem contar a constante aparição de uma família de caipiras querendo bater um racha com Cody…

É tanta coisa acontecendo, um turbilhão de situações, peitos, ação, que em determinado momento eu já não fazia idéia o que Cody estava investigando. É claro que se você vai assistir a um exemplar de Andy Sidaris esperando acompanhar cada detalhe do enredo, vai perceber que escolheu o filme errado! O negócio é relaxar e se divertir com toda a zombaria. E Sidaris não decepciona o seu público, principalmente quando se trata de mulheres sem roupa. Não passa 5 minutos sem um peito balançando na tela.

Há uma cena no meio do deserto, num local cheio de carros usados cuja proprietária aparece apenas para tirar a blusa assim que Cody aparece lhe pedindo um carro pra fugir. Não satisfeito, Sidaris ainda cria mais mais situações e personagens apenas para encher a tela com mais peitos, como as duas ninfetas taradas que vivem no barco vizinho ao do protagonista, a telefonista que sempre põe o peito pra fora pra conversar com Cody, ih, são tantas… Mas claro, não podia faltar Sybil Danning, no auge da formosura, beirando os quarenta, não fazendo feio diante das mocinhas, apesar da participação pequena.

Bom, se por um acaso eu ainda não consegui convencê-los de assistir a esta belezinha com meu texto, acho que as imagens que eu coloquei devem dar conta do recado! Boa sessão.

POPATOPOLIS (2009), de Clay Westervelt

Não me lembro de ter escrito sobre algum documentário, mas este aqui vale a pena, principalmente aos fãs de B movies. Mais do que um simples acompanhamento de bastidores de uma obra dirigida pelo Jim Wynorski, POPATOPOLIS é uma homenagem ao universo do cinema de baixo orçamento representado na figura de Wynorski, uma lenda viva que já fez mais de 75 filmes B ao longo da carreira.
O mote central do documentário dirigido por Clay Westervelt é que Jim decide filmar seu novo trabalho, o suspense erótico THE WITCHES OF BREASTWICK, em apenas três dias! Seguindo-o constantemente com sua câmerra, Clay acompanha todo o processo das filmagens, além de mostrar quem realmente é Jim Wynorski, contando um pouco sua história, mostrando cenas de seus filmes e entrevistando figuras que fizeram parte de sua jornada, como o mestre Roger Corman, o falecido Andy Sidaris, Julie Strain, Julie K. Smith e outras atrizes, até a mãe do Wynorski não escapa!
Dentro de sua casa, Jim exibe cartazes de todos os seus filmes espalhados pelas paredes, inclusive as do banheiro. Os armários da cozinha são cheios de livros, VHS e DVD’s ao invés das vasilhas e pratos. Já as filmagens de THE WITCHES acontecem em um local isolado, sem cobertura para celular, numa cabana na floresta que serve tanto como locação para a estória como habitação para o elenco e a equipe. Claro que isto se resume em pouquíssimas pessoas, mas nem mesmo verba para o lanche está incluída no orçamento.
Os sinais de como a tarefa de fazer um filme em três dias pode ser preocupante, por mais barato e descompromissado que seja, já inicia na primeira reunião de elenco. Wynorski descreve as cenas e a equipe começa a apresentar expressões alarmantes. Mas POPATOPOLIS carrega um tom muito bem humorado, com excelente edição e uma trilha sonora divertida. É engraçado ver Wynorski se estressando com erros e contratempos de filmagens e as várias soluções que ele encontra para driblar o baixo orçamento.
Nas entrevistas com as atrizes, todas elas falam como Jim é ótimo sujeito, respeitador, solidário, ao mesmo tempo em que pode agir como um bastardo mal educado. A cena em que Jim faz Julie K. Smith repetir dezenas de vezes a sua fala é impagável! Até eu fiquei agoniado. E olha que era questão de palavrinhas faltando numa frase que nem ia fazer diferença, principalmente para o público que só vai parar pra ver o filme por causa da boa dose de peitos! Mas Jim a fez repetir até que a frase estivesse correta.
Há também o lado melancólico do filme, quando alguns entrevistados comentam sobre a atual situação do cinema classe B e de como as coisas mudaram de alguns anos pra cá. Mas POPATOPOLIS é um desses esforços para manter viva a essência dos filmes independentes de baixo orçamento.
PS1: O título POPATOPOLIS vem de um dos pseudônimos de Jim Wynorski: Tom Popatopolous.
PS2: Já escrevi sobre vários filmes do Wynorski por aqui. Para conhecer mais do trabalho dele, é só clicar em seu nome nos marcadores aí em baixo.