DVD REVIEW: RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO (Rampage: Capital Punishment, 2014); A2 Filmes

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Uwe Boll ataca novamente neste segundo capítulo da jornada de Bill Williamson (Brendan Fletcher), o exército de um homem só, fortemente armado e blindado, que saiu atirando contra tudo e contra todos em RAMPAGE (2009), como vocês puderam conhecer no post anterior. Sim, esse cara está de volta e mais chateado do que nunca… E a A2 Filmes nos brindou lançando RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO no mercado de home video nacional.

Como não conseguiram pegar o rapaz no primeiro filme, Bill mais uma vez sai pelas ruas com seu traje de kevlar e artilharia suficiente para armar um pequeno batalhão depois de ficar um ano escondido. Mas neste novo capítulo da série RAMPAGE, Bill tem um plano definido, não é só matança desenfreada. Ele invade uma estação de notícias local, coloca um grupo de pessoas como refém e obriga a transmitir ao vivo em rede nacional seu discurso anti-sistema. Claro que quem entra em seu caminho eventualmente acaba levando uma dose de chumbo…

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Inclusive, o filme abre com uma situação bem bizarra. Num beco qualquer da cidade, Bill senta numa cadeira, fuma um cigarro e tranquilamente espera uma pessoa qualquer passar. Atira. Depois de acertar um desavisado, ele levanta, arrasta o corpo para ficar fora da vista, senta-se na cadeira e repete o processo até acumular uma boa quantidade de corpos, sem que ninguém faça nada, ou que a polícia seja acionada… Dessas cenas que só poderia sair da mente perturbada do alemão maluco. Continuar lendo

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DVD REVIEW: A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE (2014); A2 FILMES

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Tsui Hark é desses monumentos do cinema asiático que eu ainda estou descobrindo aos poucos. De uma filmografia de mais de quarenta obras devo ter visto cerca de uma dúzia. É pouco, mas suficiente pra dizer que o homem é um dos diretores mais interessantes em atividade, mesmo que seu trabalho atual não seja do mesmo nível de algumas coisas que fez nos anos 80 e 90. De todo modo, é um nome obrigatório a ser seguido. Por isso, imaginem a minha felicidade quando a A2 Filmes anunciou o lançamento em DVD de um dos melhores trabalhos recentes do sujeito, o espetáculo de guerra A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE

Trata-se de um épico chinês de ação e aventura que não economiza na panfletagem e glorificação do exército chinês, no heroísmo grandiloquente presente ao longo de um conto que celebra a criação das lendas, dos mitos e de como essas histórias permanecem vivas de gerações em gerações.

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O filme começa nos tempos atuais, quando um jovem chinês relembra a famosa Batalha na Montanha do Tigre enquanto viaja de Nova York até à China. História que deve ter sido contada e recontada pelos seus avós incontáveis vezes, e agora nos é mostrada como uma fábula de guerra repleta de exageros e prováveis impossibilidades. O que significa um intencional excesso de bravura visual por parte dos heróis numa overdose de tiros e explosões filmado como espetáculo vertiginoso.

A narrativa, portanto, volta no tempo, logo após a segunda guerra mundial. Os japoneses, rendidos, deixam a China, certos locais se transformam numa terra de ninguém, na qual bandidos enriquecem, juntam arsenais e estocam comida em bases militares de difícil acesso, enquanto pequenos vilarejos são dizimados pela miséria e fome. Na trama, um pequeno grupo do exército de libertação chinês resolve colocar um ponto final na nessa situação, encarando um gigantesco grupo de foras-da-lei, liderados pelo misterioso The Hawk (um irreconhecível Tony Leung carregado de maquiagem), que se esconde numa base secreta praticamente inacessível na famigerada Montanha do Tigre.

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Um dos grandes méritos de Hark sempre foi trabalhar bem o drama e aqui até consegue balancear a emoção da aventura com a tragédia dos soldados diante de uma terra arrasada, diante de um povo que sofre de fome, doenças e perdas. Mas a verdadeira razão para se apreciar uma obra como A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE é mesmo o espetáculo de ação que nos é proporcionado, com o máximo de eventos que podemos imaginar num cenário de guerra nas montanhas geladas da China: escaladas perigosas, avalanches, o fator homem vs natureza, perseguições de esqui, batalhas épicas e até uma sequência impressionante de um dos heróis encarando um imenso tigre feito de uma computação gráfica muito bem feita.

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Se levarmos em consideração ainda que o filme foi rodado em 3D, aí que a coisa vira um carnaval de fragmentos de explosões, sangue e balas em excesso sendo atirados em direção ao público, o que acaba dando um charme a mais. É o espetáculo de ação com seus exageros deliciosos e muito bem orquestrado que a gente sempre espera do Hark.

No final, o diretor escancara de vez suas intensões por trás de um filme de guerra patriótico, oferecendo uma reflexão sobre a criação das fábulas, das histórias contadas pelos antigos, histórias que o tempo, a distância ou mesmo a vontade de transmitir valores se transformaram em lendas, muitas vezes completamente malucas ou inacreditáveis, como a narrada em A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE, que até é inspirada em eventos reais, mas extremamente agradáveis de ouvir por toda a mitologia que as cercam​​.

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Recomendado aos fãs de um bom festival eletrizante e barulhento de ação, A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE já se encontra no acervo da A2 Filmes, através do selo Flashstar, e pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo. O filme também se encontra disponível para ser assistido hoje mesmo em plataformas digitais como NOW e Looke. E curta a página de facebook da A2 Filmes para ficar por dentro das novidades.

AVENTURA À CHINESA EM DVD – A2 FILMES

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Aportou por aqui em DVD um dos filmes mais esperados dentre os lançamentos dos últimos meses da A2 FILMES, a aventura A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE, dirigido por TSUI HARK, um dos maiores mestres do cinema oriental.

Agora é botar o disco na agulha e aproveitar a sessão. Depois trago as minhas impressões, mas sendo Hark é praticamente impossível ser ruim.

O filme já se encontra disponível em DVD, através do selo Flashstar para venda nas melhores lojas, mas também já pode ser conferido em plataformas digitais, como Now e Look. Não dá pra perder essa. Confira o trailer:

E curta a página de facebook da A2 Filmes para ficar por dentro das novidades.

NOVIDADE DE FEVEREIRO – A2 FILMES

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A A2 Filmes nos brinda em fevereiro com um dos meus filmes favoritos de 2017, o drama misterioso THELMA, do norueguês Joachim Trier (REPRISE, OSLO).

A trama é sobre uma garota, Thelma (Eili Harboe), que sai da casa dos pais religiosos no interior da Noruega e muda para a cidade grande, sozinha, para cursar a faculdade. É quando ela começa a enxergar o mundo e sofrer algumas crises pessoais, como se apaixonar por uma colega de faculdade, além de descobrir habilidades sobrenaturais inexplicáveis ​​e, na maior parte do tempo, muito perigosas.

THELMA chega ao mercado em DVD, através do selo Mares Filmes, a partir do dia 21 de fevereiro.

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DOLPH LUNDGREN EM VOD – A2 FILMES

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Chegou esta semana nas plataformas digitais pela A2 FILMES, um dos filmes mais divertidos que o bom e velho Dolph Lundgren protagonizou nos últimos anos: CAÇADOR DE DEMÔNIOS, de Mike Mendez, um divertido híbrido que mistura horror com ação e boa dose de humor.

Como apreciador assumido do trabalho do sueco, é preciso confessar que tem sido uma jornada árdua acompanhar os lançamentos do sujeito ultimamente. A cada cinco filmes, quatro são lixos completos. E o pior é que Dolph resolveu, a essa altura da carreira, acompanhar a frequência de um Eric Roberts da vida. O cara é incansável. São vários projetos para serem lançados nos próximos meses e nos resta apenas torcer para que não sejam horrendos. Para nossa sorte, de vez em quando aparece um CAÇADOR DE DEMÔNIOS e nossas esperanças são renovadas.

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Nos últimos dois anos, CAÇADOR DE DEMÔNIOS recebeu vários elogios em festivais de terror nos EUA. Portanto, nesse mar de variedades de filmes do velho Dolph, este definitivamente era o que mais me chamou a atenção na época. Primeiro, Dolph não fez muitos filmes de horror em sua carreira, muito menos comédias (apesar de um de seus filmes recentes ser UM TIRA NO JARDIM DE INFÂNCIA 2, um desastre, mas que demonstra que Dolph leva jeito num lado cômico). Em segundo lugar, gostei do conceito de CAÇADOR DE DEMÔNIOS. Lundgren desempenha a função indicada no título nacional, um excêntrico caçador de demônios enfrentando um ser que salta de corpo a corpo quando morto. No caso, se você matar a pessoa possuída, então você acaba possuído.

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Na trama, um mal antigo é desencadeado em uma pequena cidade do Alasca, deixando uma trilha de morte e destruição à medida em que esse espírito do passa de hospedeiro a outro. A única esperança é o caçador de demônios Jebediah Woodley (Dolph) que já havia enfrentado esse mesmo terror antes. Continuar lendo

UWE BOLL EM DVD – A2 FILMES

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“É hora de destruir o sistema. E a mudança não será pacífica”.

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Simples, mas eficiente. Uma belezinha essa edição de DVD de RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO, do infame diretor alemão Uwe Boll, lançado no Brasil pela A2 FILMES, através do selo Flashstar! Em breve coloco algumas impressões do filme por aqui, mas para quem curtiu RAMPAGE (2009), este aqui é obrigatório.

E fiquem ligados que vou estar sempre informando algumas preciosidades lançadas no nosso mercado de homem vídeo e plataformas digitais pela distribuidora que valem a pena ter na coleção.

DVD REVIEW: KRAMPUS – O JUSTICEIRO DO MAL (2013); A2 Filmes

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E vem chegando o natal, aquele momento bonito de celebrar uma data tão especial, reunindo a família em volta da árvore de bolinhas (que você vai ter uma puta preguiça de desmontar depois), mastigar um pedaço de peru assado com uma taça de champanha e assistir aquele filme temático enquanto o espírito natalino invade os ambientes…

Agora, se quiserem que as coisas sejam um bocado diferente este ano, num clima de mau gosto e também de ódio e malevolência (já que o restante de sua família vai desejar sua cabeça numa estaca), a dica é arrumar o DVD de KRAMPUS – O JUSTICEIRO DO MAL! Você não vai se arrepender! 😀

Pode ser que aqui no Brasil a figura mitológica de Krampus não seja tão conhecida, mas em várias partes do mundo faz parte do folclore natalino. Em suma, trata-se do irmão malvado do Papai Noel, uma criatura que, na época de Natal, sequestra e pune as crianças que se comportaram mal durante o ano, em oposição ao bom velhinho, que dá presente às crianças que foram boas, fizeram o dever de casa e obedeceram aos pais.

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Nos últimos anos tem saído vários exemplares de horror que tem Krampus como figura central, uma autêntica onda de krampusploitation! KRAMPUS – O JUSTICEIRO DO MAL foi um dos primeiros dessa leva recente. Só que, ao contrário de alguns concorrentes, digamos que a produção não é das mais abastadas. Na verdade, estamos diante de um autêntico filme de micro orçamento (custou em torno de vinte mil dólares), o que significa muita coisa… Claro, quem me acompanha há mais tempo sabe que eu adoro esses filmes mixurucas produzidos em fundo de quintal, cujas imagens estão no mesmo nível de vídeo caseiro de festinha de quinze anos dos anos 90… E é nesse sentido que o filme pode arruinar seu natal, não é para todos os gostos, mas os “privilegiados” por um certo apreço por este tipo de tralha vão se deliciar. Continuar lendo

DVD REVIEW: FLASHES – DEIXE A REALIDADE PARA TRÁS (2015); A2 FILMES

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Nessas andanças pelo cinema de orçamento mixuruca que alguns malucos da cinefilia ainda encaram (como eu e o Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja), de vez em quando é possível se deparar com algumas coisas interessantes que obviamente vão causar náuseas aos adoradores de Iñarritu’s e Nolan’s da vida por conta da qualidade duvidosa e precariedade das produções, que mais parecem vídeos amadores…

Nada contra o Nolan e Iñarritu, mas se tu não for desse tipo de cinéfilo elitista metido à besta e não tiver preconceito com produções de baixíssimo orçamento, talvez FLASHES – DEIXE A REALIDADE PARA TRÁS, de Amir Valinia, seja uma boa pedida. Trata-se de um pequeno sci-fi de boas ideias que aborda alguns conceitos curiosos sobre teoria das cordas, mecânica quântica, dimensões paralelas, enfim, essas coisas da física que eu não entendo bulhufas, mas que sempre achei ótimos pontos de partida para histórias de ficção científica.

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A trama é sobre um jovem arquiteto bem-sucedido, John Rotit* (Donny Boaz), que está vendo o mundo desmoronar ao seu redor por conta de uns flashes perturbadores que passou a ter após um acidente e que, curiosamente, o envia para outras existências, em dimensões paralelas… Um troço muito louco! Continuar lendo

DVD REVIEW: UNA (2016); A2 FILMES

PDVD_182Alerta de filme polêmico! Só que eu não sabia do que se tratava UNA, de Benedict Andrews, quando fui assistir, mas veio bem a calhar nesses tempos estranhos de acusações de agressões sexuais atormentando a vida de figuras em Hollywood. O filme trata do tema de maneira forte, mas ambígua. Na verdade, é um paradoxo muito bizarro, porque ao mesmo tempo em que não há “agressão”, estamos falando de uma história em que um sujeito de quarenta e tantos se relaciona, sexualmente, com uma menina de treze.

Adaptado de uma peça teatral chamada Blackbird, de David Harrower (o roteiro foi escrito pelo próprio dramaturgo), a trama se passa quinze anos depois do tal acontecimento, com Una (Rooney Mara), a garotinha “abusada”, agora já adulta, indo confrontar-se com seu “abusador”, Ray (Ben Mendelsohn), num duelo de diálogos angustiantes e incômodos que irrompe a narrativa, colocando em cheque todas as questões morais que implicam o delicado tema, cintilando uma intensidade digna de seu assunto, num trabalho ágil e bem elaborado e ancorado de forma magistral pelas performances de Mara e Mendelsohn.

O que pode incomodar o espectador é a já citada ambiguidade do tema, trata de pedofilia num viés em que a criança tem os mesmos desejos que o adulto. A relação de Una e Ray nunca é abusiva ou forçada, e embora ela tivesse treze anos, sem capacidade alguma de responder por seus atos, ambos estão realmente apaixonados, a atração entre eles é verdadeira e tudo leva a crer que, apesar de trágico para uma criança, houve aqui uma grande história de amor envolvendo uma menor e um homem mais velho. Mostrado em flashbacks, o relacionamento é até tratado de forma tenra e poética, e ao longo do filme subverte todas as nossas expectativas, por mais repugnante que seja.

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Controverso, UNA acabou não achando muito seu público, especialmente aqui no Brasil pouco se falou sobre ele. Eu, que tenho queda por temas polêmicos, achei UNA um… não sei se posso falar “belo filme” sem que soe estranho. Obviamente não é uma obra de fácil digestão, mas a maneira como tudo é conduzida me encanta, os atores estão magníficos, e possui substância para muita discussão e reflexão. Vale a pena uma conferida se você tiver a mente aberta e não for da turma do mimimi atual… Foi lançado no Brasil na metade deste ano em DVD pela grande A2 Filmes, através do selo Mares Filmes, e está disponível para compra, locação e também nas plataformas digitais.

DVD REVIEW: APRISIONADOS (LET US PREY, 2014); A2 FILMES

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Confesso que não tinha informações prévias sobre APRISIONADOS, embora me lembre vagamente de alguns comentários quando surgiu lá por 2014/15 pelo título original, LET US PREY. Mas acabei deixando passar… Fui vê-lo agora porque fiquei curioso por se tratar de um filme de horror escocês e por ter sido lançado recentemente no Brasil em DVD pela distribuidora parceira do blog, a A2 Filmes, através do selo Focus Films. E acabei surpreendido por uma trama intrigante, que me prendeu a atenção do início ao fim, e pela ousadia do diretor Brian O’Malley em tentar fazer algo diferente, com personalidade, fora dos padrões, e sem receio de derramar baldes de sangue.

O filme abre de forma desconcertante, com uma série de composições oníricas e hiper estilizadas, de rara beleza, mas estranhamente anacrônicas, parece um video clipe oitentista do A-HA ou Duran Duran, o que, na verdade, é exatamente o tipo de coisa que me encanta. Entre as belíssimas imagens de cores contrastantes, ondas batendo nas rochas de uma baia inóspita e muitos corvos sobrevoando o local, surge uma misteriosa figura (Liam Cunningham, de GAME OF THRONES), um homem chamado Six, com um sobretudo preto e um cigarro na boca, que inicia a sua jornada por aqui, seja lá de onde veio…

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Mas a trama segue Rachel, uma policial prestes a começar seu primeiro turno da noite em uma delegacia de polícia numa pequena cidade escocesa. No caminho para o seu novo local de trabalho, com a noite escura e as ruas completamente desertas, ela acaba pegando no flagra um jovem que atropelou o homem misterioso da abertura. No entanto, quando vai conferir, o sujeito não está mais lá, o provável acidentado simplesmente desapareceu. Mesmo assim, resolve levar o jovem para a delegacia. No recinto, Rachel conhece os outros personagem que habitam esse “universo”, policiais de natureza duvidosas que guardam segredos tão sombrios, sádicos e abjetos quanto os poucos prisioneiros que ocupam as celas. E é nesse cenário de purgatório que o filme se passa e, com Six dando o ar da graça, deflagra um verdadeiro inferno no local.

O legal é que apesar das influências claras, uma configuração à la John Carpenter de ASSALTO AO 13º DISTRITO e PRÍNCIPE DAS TREVAS, APRISIONADOS consegue ter seu próprio frescor num thriller claustrofóbico com momentos genuinamente assustadores e subversivos, ainda que O’Malley minimize tudo o que não lhe importa, exceto os elementos que podem ser usado para criar o horror. A narrativa, os diálogos, algumas situações, tudo é meio troncho e forçado, e a coisa toda acaba existindo em benefício do horror, de uma atmosfera estilizada, da violência…

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A transformação do chefe de polícia, por exemplo, que surge em cena com um jeitão estranho, mas que subitamente reaparece surtado, visualmente macabro, com arames farpados enrolados no corpo, como um mensageiro da morte, é algo que o espectador que estiver procurando uma historinha convencional e mastigadinha vai se decepcionar. A maneira das coisas andarem por aqui é por caminhos tortos, mas quem compreender que estamos lidando com o onírico, com a lógica de pesadelo num universo de purgatório, vai se surpreender com a efetividade do filme na construção de um horror puro, de um horror transgressivo, de um horror estilizado e que não faz concessões.

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E O’Malley reina nos excessos, numa violência que possui dose suficiente para envolver até mesmo os fãs de um terror mais sangrento. E a violência cresce à medida em que as tensões dentro da delegacia transbordam, e o filme se torna sufocante e intenso na mesma proporção em que a trama se torna imprevisível. Não que APRISIONADOS seja uma maravilha do horror contemporâneo, mas é diferente. E como passou meio batido por esses lados na época que surgiu, vale a recomendação. Vale especialmente pela tentativa de sair da mesmice, vale pelas situações de tensão que realmente me seguraram na poltrona, vale pela presença de Cunningham, num personagem fascinante, cujas intenções vão se revelando aos poucos, à medida que o filme progride, e percebe-se que toda onda de violência é causada pela sua presença.

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Há uma ambiguidade muito bem-vinda da verdadeira natureza de Six, que faz com que reflitamos sobre suas origens e intenções. É um demônio? A morte? Um anjo? Não importa, uma coisa é clara, se você lhe der um motivo para que ele conheça os mais profundos segredos sórdidos da sua mente, a coisa pode ficar feia…

Enfim, vamos dizer que tu tá a fim de ver algo diferente em termos de horror, que foge dos padrões, APRISIONADOS é a recomendação certeira pra hoje. Um exemplar que vale a pena procurar. Não é nenhuma obra-prima, mas satisfaz paladares que curtem um bom horror mais estiloso, atmosférico, exagerado e que não tem receio em correr riscos tentando sair do encaixotamento. E agora com o lançamento do filme pela A2 Filmes em DVD e ‘on demand’ em plataformas digitais, ninguém tem desculpa para não conhecer essa obra obscura.

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DVD REVIEW: PARAÍSO (2016); A2 FILMES

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A A2 Filmes acerta mais uma vez com o lançamento, no mês passado, de PARAÍSO, de Andrei Konchalovsky. Para quem não conhece, o sujeito possui uma carreira sólida, especialmente na Europa, mas teve breve passagem em Hollywood nos anos 80. Dentre alguns trabalhos, destaco dois que me marcaram mais. Primeiro, um dos melhores filmes produzidos pela Cannon Films, o maravilhoso EXPRESSO PARA O INFERNO, com Jon Voight e Eric Roberts. O segundo é o filme que reuniu os astros de ação Sylvester Stallone e Kurt Russell, TANGO E CASH. Só por esses filmes na conta, o cara já tem meu respeito.

Mas nem todo diretor europeu consegue se firmar em Hollywood, e Konchalovsky voltou para Rússia nos anos 90, onde continuou realizando filmes, mas sem receber tanto destaque. Até que veio PARAÍSO, no ano passado, e também a consagração inesperada, com o prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza.

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PARAÍSO é uma ambiciosa tentativa de ilustrar as atrocidades do Holocausto. São três histórias de personagens distintos que se cruzam no período da Segunda Guerra. Temos o policial burguês Jules (Christian Duquesne), que atende as ordens da Gestapo numa Paris ocupada; um jovem oficial da SS, Helmut (Christian Clauss), que fiscaliza campos de concentração para descobrir falcatruas e corrupção de oficiais nazistas; e à caráter de ligação entre estas duas partes, temos a nobre russa Olga (Julia Vysotskaya), que é pega enquanto abrigava dois meninos judeus e, mais tarde, enviada para o campo de concentração, onde é reconhecida por Helmut, com quem teve um caso passageiro numas férias na Itália.

Konchalowski dosa bem o tom de tragédia e horror da guerra com uma direção segura e bem elaborada esteticamente, com enquadramentos bem compostos no quadro 4:3, formato pelo qual o filme é capturado. E com um dos melhores usos de preto e branco que vi nos últimos anos no cinema recente. Além de saber manter a distância entre a lente e personagens, criando momentos em que a câmera espreita de longe, nunca deixando o filme cair num dramalhão forçado.

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Se por esses detalhes o filme ganha força – e percebe-se porque deram o prêmio para o diretor – por outro, essa força é frequentemente quebrada com o recurso brechtiniano de colocar os três personagens principais verbalizando seus pensamentos interiores enquanto são entrevistados separadamente em uma sala.

Aos poucos, percebe-se o contexto em que essas entrevistas se dão, um conceito até interessante, mas que Konchalovsky esgota até o ponto de tornar a coisa toda numa distração que quebra um bocado o ritmo, impede de criar um vínculo mais forte com os personagens. Mas não chega a ser um problema grave, até porque os momentos convencionais seguram bem o filme com uma história forte, bem contada e com grandes atuações. Como experiência estética, então, é uma obra-prima.

PARAÍSO é um belo filme, lançado no Brasil, como já disse e reforço, pela A2 Filmes, através do selo Mares. Você encontra disponível em DVD nas locadoras e nas melhores lojas do ramo.

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DVD REVIEW: FORA DA TRILHA (Off Piste, 2016); A2 FILMES

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A primeira coisa a se fazer para apreciar FORA DA TRILHA é ignorar um bocado as artes promocionais, a capa do DVD e até o trailer da obra, que prometem muita ação num filme movimentado e visceral, quando na verdade o que temos aqui é um drama bucólico, lento e pesado sobre cicatrizes do passado. Tendo isso em mente, dá para apreciar melhor, sem decepções, o que temos aqui. Até porque esta pequena produção independente britânica é um belo exemplar que me surpreendeu bastante.

Stanley Winters (Henry Douthwaite) é um ex-membro do SAS (Serviço Aéreo Especial, do Reino Unido), que, após um horrível acidente traumático numa operação em Belfast, na Irlanda, se retira para os alpes franceses para tentar esquecer seu passado sombrio e cuidar de sua mãe cega. Doze anos depois, Niamh O’Brian (Lara Lemon) sai de Belfast à procura de vingança pelo responsável da tragédia que dizimou sua família. No entanto, como a sua saída repentina deixa uma série de perguntas sem resposta, o namorado de Niamh começa a persegui-la para descobrir exatamente onde a moça foi, e quem é a pessoa pelo qual ela viajou centenas de quilômetros para se encontrar…

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Obviamente, a moça vai parar nos alpes franceses e sua busca chega em Stanley. Não é nenhuma surpresa… Não que o filme escancare isso logo de cara, mas é uma coisa que fica óbvia logo no início. A verdadeira surpresa de FORA DA TRILHA, no entanto, é o ótimo estudo desses personagens que possuem marcas profundas de um passado trágico e se encontram cara a cara para resolver as questões que os desequilibraram na vida. Mas nada acontece num tom de thriller tenso como as já citadas artes promocionais indicavam, a coisa funciona mais como um jogo de xadrez melancólico, impossível de prever os próximos movimentos.

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Evitando certos clichês e se arriscando até demais num roteiro que falha em alguns momentos por conta dessa ousadia narrativa (que é bem-vinda, é melhor errar ousando do que acertar ficando na mesmice genérica do cinema atual), FORA DA TRILHA é um belo filme de personagens fortes, um visual estonteante de encher os olhos, muito bem utilizados pelo diretor Glen Kirby – E o cenário branco e montanhoso é perfeito, captura bem a solidão invernal desse conto de retribuição e redenção. Além de um ritmo lento e contemplativo sem pressa alguma na exposição narrativa. Qualidades que às vezes escapam de um produto independente de gênero Direct to Video.

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FORA DA TRILHA é uma baita surpresa lançada no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar e está disponível para locação em DVD e também nas melhores plataformas online do Brasil!

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DVD REVIEW: LILA & EVE – UNIDAS PELA VINGANÇA (2015); A2 FILMES

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Dizem que não há amor maior que o de uma mãe para seus filhos. Então, faz sentido quando um filho é assassinado, uma mãe desejar vingança. Essa é essencialmente a premissa da produção independente LILA & EVE – UNIDAS PELA VINGANÇA, no qual as duas personagens título (Viola Davis e Jennifer Lopez respectivamente) juntam-se para procurar os responsáveis do assassinato de Stephon (Aml Ameen), filho de Lila. Sim, estamos falando de um filme de mães vigilantes.

Aliás, não apenas vigilantes mulheres, mas também vigilantes mulheres que não são brancas, o que na nossa sociedade hipócrita atual já é motivo para jogar um filme desses de escanteio. Se é um thriller de vingança com, sei lá, Scarlett Johanson, ia encher as salas de cinemas, mas como é uma negra, que já passou dos 40 anos querendo vingar a morte do filho, acabou virando peça direct to video. Mas não tem problema, já que temos uma distribuidora como a A2 Filmes prestando esse serviço no mercado brasileiro de home video, lançando algumas pérolas que nem saberíamos a existência.

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Ainda que este “DESEJO DE MATAR de saias” não seja nenhuma obra-prima, longe disso, LILA & EVE possui alguns pontos a favor. É um filme sincero ao trabalhar o tema da dificuldade de lidar com a perda e das consequências de fazer justiça com as próprias mãos, mesmo que se enverede para o estilo camp e exagerado da coisa. Em particular, Viola Davis – que é uma das produtoras do filme e três vezes indicada ao Oscar, levando uma estatueta pra casa este ano com UM LIMITE ENTRE NÓS – está sublime e convence facilmente como a mãe devastada. A complexidade com que ela aborda cada avanço da trama é notável. Jennifer Lopez também surpreende com uma atuação segura, mais envelhecida, ainda com uma beleza natural, fazendo uma espécie de dispositivo de Lila. Ambas trabalham bem juntas, com uma química legal. Especialmente quando saem à noite fazendo o trabalho que a polícia deveria estar fazendo e, eventualmente, atirando em pessoas ligadas à morte do filho de Lila.

Tirando Davis e Lopez, o elenco não possui atores famosos, com exceção da participação de Shea Whigham, como detetive responsável pelo caso de Lila.

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A vingança em si não é lá grandes coisas em LILA & EVE, com algumas ceninhas mais tensas, uns tiros aqui e ali, mas de vez em quando quase aparece em segundo plano na trama quando se olha para o filme como um todo. O foco é mais no peso dramático, na luta de Lila em confrontar seus sentimentos, sua vida cotidiana e na relação com Eve, uma ajudando a outra a seguir em frente ou, ocasionalmente, planejando seus próximos passos para a vingança.

Como já disse, LILA & EVE foi lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar, e chegou em DVD para locação, além de estar disponível para compra ou aluguel digitais nas melhores plataformas virtuais. O DVD chegará às lojas em Outubro e é altamente recomendado para quem curte um thriller de vingança fora do convencional, com excelentes atuações e até algumas boas sacadas de roteiro (o twist no final me pegou de surpresa!).

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LANÇAMENTOS DE SETEMBRO DA A2 FILMES

Blog Vá e Veja, por Osvaldo Neto

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Confiram os lançamentos selecionados da A2 Filmespara o mês de Setembro! Filmes para locação e venda direta ao consumidor dos selos Focus, Flashstar e Mares Filmes. Clique na capinha de cada filme para ser redirecionado ao blog da A2 e ter mais informações, assistir aos trailers e conferir as datas de chegada de todos os títulos nas lojas e locadoras.

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AMERICAN POLTERGEIST – POSSUÍDOS já ganhou uma resenha no blog. Clique aqui para ler o texto de Ronald Perrone sobre esse terror independente.
E também não deixe de ‘curtir’ a página oficial da distribuidora no Facebook para continuar sabendo das novidades.

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