LANÇAMENTO DE OUTUBRO DA CPC UMES FILMES: O CONTO DO CZAR SALTAN

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Imortalizado na ópera de Rimsky-Korsakov, o célebre poema de Aleksandr Pushkin baseado num conto popular russo recebe a adaptação cinematográfica de um mestre dos efeitos especiais, cujas animações se integram à realidade com rara inteligência e beleza. Em O CONTO DO CZAR SALTAN, a czarina traída por suas irmãs invejosas aporta numa ilha mágica depois de ter sido lançada ao mar com seu filho, o príncipe Gvidon, dentro de um barril selado. Com a ajuda de um cisne encantado que realiza os seus desejos, o príncipe inicia uma fantástica aventura que o levará ao encontro do pai e ao desmascaramento das farsantes.

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Aleksander Lukish Ptushko nasceu em Lugansk, Ucrânia. Iniciou sua carreira no cinema construindo bonecos para curtas metragens de animação, e tornou-se diretor de longas do gênero fantasia que combinam atores com animação stop-motion no mesmo quadro, efeitos especiais e mitologia russa. Seu sucesso atravessou fronteiras. Ganhou prêmio especial no Festival de Cannes (1946) e o Leão de Prata no Festival de Veneza (1960). SADKO foi lançado nos EUA em 1962 dublado para o inglês, com o título AS AVENTURAS DE SINDBAD e a assinatura de Francis Ford Coppola como “adaptador do script”. Entre os filmes que dirigiu estão incluídos O NOVO GULLIVER (1935), A CHAVE DE OURO (1939), FLOR DE PEDRA (1946), SADKO (1952), SAMPO (1959), VELAS ESCARLATES (1961), O CONTO DO CZAR SALTAN (1966), RUSLAN E LUDMILA (1972).

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O CONTO DO CZAR SALTAN é o lançamento de outubro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu!

 

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IT (2017); continuando…

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Então, só para deixar claro, eu dizia que o Pennywise de Skarsgård me causa mais impressão, é mais perturbador que o do Curry, bem mais eficaz como agente causador de horror. Mas numa reflexão estrutural, IT segue mais uma linha da “aventura de horror” típica dos anos 80, com personagens infantis, como alguns que já citei no post anterior. Claro, é um filme que tem bons momentos atmosféricos, de tensão e uns sustos bem colocados, elaborados, e nada sutis, para gerar alguns gritos – a sequencia do projetor é excepcional -, no entanto, me parece que há mais a ideia de medo na sensação de que todas as crianças do filme estão lidando com abusos em algum nível do que quando encaram o Palhaço Pennywise, que acaba sendo uma representação do medo coletivo dessas personagens; A mãe superprotetora de Eddie, o racismo pra cima de Mike, que é negro, o bullying agressivo e violento que todos sofrem do maldoso Henry (muito melhor desenvolvido aqui) e principalmente o abuso literal de Berverly nas mãos de seu pai.

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Cada uma das crianças possui sua própria personalidade muito bem definida. Têm também suas próprias perseguições personalizadas por Pennywise. Por exemplo, Mike tem visões de seus pais morrendo queimados num incêndio, enquanto a pia do banheiro de Berverly soltar jatos de sangue parece especificamente relacionado à compra de sua primeira caixa de absorventes. Muschietti demonstra muito carinho pelo grupo, e isso faz com que nos preocupemos com o destino de cada um, algo raro hoje em dia. E é divertido vê-los contracenando, o elenco possui uma química muito forte, os diálogos são inteligentes e convincente, atados com algumas tiradas engraçadíssimas, especialmente dos personagens vividos por Finn Wolfhard e Jack Dylan Grazer.

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Muito tem se comparado IT com a série STRANGER THINGS. Não vejo muita relação, a não ser o fato da história se passar nos anos 80 e por roubar um dos atores da série (Wolfhard). Claro, Muschietti aproveita muito da iconografia de aventura dos anos 80 na tela: o cenário da cidade pequena com seu passado sombrio; crianças de bicicletas; cartazes de filmes clássicos do período, como GREMLINS e BEETLEJUICE; um cinema que está passando A HORA DO PESADELO 5: O MAIOR HORROR DE FREDDY e BATMAN… Está tudo aqui, mas diferente de STRANGER THINGS esses elementos nunca se sobrepõem em causa de uma nostalgia barata. Mas é certamente um filme apaixonado por suas inspirações e pelo período fantástico que foi a década de 80…

Para o cenário atual, IT pode até estar causando gargalhadas da moçada dentro dos multiplexes, mas acho um filme com um conceito bem estabelecido por Muschietti, bem construído dentro de seus propósitos, e os fãs de horror quem possum certa bagagem e tem consciência do que faz um bom filme de horror, vão perceber isso, vão ter em IT uma experiência fascinante e com sabor especial.

IT (2017)

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Se a revisão recente da adaptação dos anos 90 revelou-se uma decepção, ainda que eu tenha um certo afeto nostálgico pelo filme, o IT de 2017, dirigido por Andy Muschietti (do fraquinho MAMA) por outro lado, foi uma das grandes surpresas do ano em termos de horror

Gosto sempre de abordar as reações do público. É uma curiosidade minha… Este aqui teve diversas e opostas, mas a maioria é positiva, especialmente do público fã de horror. Mas teve quem achou um um lixo, teve quem diz ser um novo clássico do gênero. Há quem diga que nem horror é… Queria entender quem pensa algo assim. Vai ver é sequela do surgimento desse novo termo, “pós-horror”. Eu gostaria de dizer algumas coisas sobre “pós-horror”. Vamos lá? É o seguinte: “Pós-horror” é o meu ovo!

Bom, agora vamos com calma. IT não é a última bolacha do pacote, obviamente, mas estou do lado dos que gostaram. Na verdade, nessa ceara atual que todo mundo procura chifre em cabeça de cavalo com esses termos inúteis, chega a ser um frescor um filme como IT que se assume como um horror puro e basicão, que não faz questão alguma de evocar temas de agendas sociais nem reinventar o gênero. Só quer mesmo trabalhar os dispositivos do medo e dar uns bons sustos de vez em quando…

É evidente que filmes assim ainda sejam produzidos todos os anos, mas com a qualidade de IT já não são muitos. Não que eu desgoste de alguns exemplares que estão sendo classificados como “pós-horror”. Um dos meus filmes favoritos do gênero nos últimos anos é CORRENTE DO MAL. Acho que A BRUXA também entrou na dança, e é uma obra-prima. E curti muito, por exemplo, CORRA, IT COMES AT NIGHT e estou bem interessando neste A GHOST STORY. São filmes que se levam a sério e são honestos nas suas propostas, mas aparentemente não querem ser rotulados como filmes de horror… Ou, as pessoas que assistem, críticos e cinéfilos metidos à besta, não querem que sejam. Foda-se, são horror. Independente de estilo e “mensagens” sociais, não vão deixar de ser.

Bom, já não sei onde quero chegar. Antes que isso aqui fique longo demais, voltemos ao IT. Na sessão que eu estava, eu não sei se a moçada gostou ou não, mas ouvia frequentes gargalhadas em determinadas sequências mais tensas… Normal. Não dá pra esperar muito do público atual. IT é um tipo raro de horror, que pouco se faz atualmente, mas que vem ressurgindo aos poucos. É um horror adolescente estilo trem fantasma, com exageros e extravagâncias, mas assustador na medida certa, e que tínhamos aos montes nos anos 80 e 90. O público de hoje tá em outra, tá numa pegada de horror mais realista… Já IT, com seu horror retrô, achei divertido até o talo.

Algumas mudanças cruciais desta nova versão para a dos anos 90: o foco agora é só na aventura infantil, não chegamos a ver os personagens adultos. Ou seja, o que de melhor restava no filme de Tommy Lee Wallace é trabalhado e até melhorado por aqui. Outra coisa legal, pelo menos pra mim, é a aventura ser transportada da década 60 para os anos 80, um período que pessoalmente me encanta mais, foi a década que nasci e que guardo recordações nostálgicas de referências visuais e sonoras com muito carinho.

Esta versão está intitulada como “Capítulo Um”, o que é bem provável que tenhamos uma continuação focada nos personagens adultos. Vamos ver o que sai… Se for no mesmo nível deste aqui já tá bom demais.

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O cenário de IT é basicamente a mesma pequena cidade do material original, onde um grupo de moleques – apelidados de “otários”, nas legendas nacionais – resolvem fazer algo em relação à onda de desaparecimentos de crianças na região. Um dos desses casos é Georgie, a quem vemos na cena de abertura sendo arrastado de forma brutal para dentro de um bueiro durante uma tempestade por um palhaço bizarro chamado Pennywise (Bill Skarsgård). É uma das minhas cenas favoritas dessa nova versão e que estabelece de prontidão alguns pressupostos por aqui. Como por exemplo deixar bem claro que o “bicho vai pegar”…

A maneira como age, como fala, convence, se expressa, como a luz incinde sobre os olhos, a performance de Skarsgård, tudo me leva a crer que o Pennywise de IT versão recauchutada 2017 é um desses personagens fascinantes que chega para marcar, para ser um ícone do horror moderno, com todos os méritos que lhe cabe. E basta a cena inicial do bueiro para convencer de que isso é uma realidade. O Pennywise de Skarsgård é uma criatura genuinamente ameaçadora. Cheguei a comentar no post anterior que este filme aqui era melhor em todos os sentidos. Muita gente concordou, mas corrigiu que ao menos o Tim Curry era melhor como Pennywise. Mas não sei, há algo de perturbador e doentio no Pennywise de Skarsgård, na sua relação com as crianças, na maneira que ele as seduz e as ameaça que me deixou um tanto arrepiado e até incomodado. O palhaço de Curry nunca vai deixar de ser o ícone do horror que sempre foi, mas confesso que se eu tivesse que entrar num bueiro com algum dos dois, não escolheria de forma nenhuma o Pennywise de Skarsgård…

E ainda tem mais! Comparando novamente com o filme original, algo que não deveria fazer, mas só para exemplificar o que temos aqui, quase todas as mortes do filme de 1990 eram off screen, com a câmera aproximando da vitima e rolando um fade sem mostrar de fato o que acontece. Para um filme de terror, isso é caixão. É um dos detalhes que me chateou na revisão… Em IT 2017, a cena do bueiro é uma aula de tensão e leva o horror até as últimas consequências. É simplesmente chocante, inesperado, violento, subverte toda a nossa concepção de cena de morte de uma criança no horror atual. O filme já me ganhou aqui.

Eu ainda tenho mais algumas impressões sobre esta nova versão de IT que gostaria de registrar aqui no blog, mas já estou cansado, com sono, trabalhei o dia inteiro e vou ficar por aqui. Vou dividir então este texto em dois e provavelmente amanhã termino… Até logo!

IT – UMA OBRA PRIMA DO MEDO (1990)

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Assistir a IT – UMA OBRA PRIMA DO MEDO, a primeira adaptação do livro de Stephen King, lá nos anos 90 quando era moleque, foi uma experiência, digamos, interessante. Especialmente para a minha formação como admirador de filmes de horror.

Rever agora, depois dos 30, tendo uma consciência do que é realmente um bom filme do gênero para os “meus padrões”, tendo na bagagem John Carpenter, Dario Argento, Lucio Fulci, Tobe Hooper, David Cronenberg, Clive Barker e até o Tommy Lee Wallace (diretor deste aqui, e que fez o maravilhoso HALLOWEEN III), já não foi tão agradável assim… Se levar em consideração que na mesma semana conferi a nova adaptação, aí que a coisa fica mais feia ainda para o filme de 1990.

Confesso que nunca li It. Portanto, não farei aqui nenhum tipo de comparações com o material original. Algo que, na verdade, eu provavelmente não faria mesmo que tivesse lido… Mas é notório que se trata de um romance que é um calhamaço de mais de mil páginas e esta primeira adaptação deve ter tentado esgotar ao máximo o que havia no livro. Acabou acabou virando uma mini-série de TV com três horas de duração. Depois foi lançado em vídeo, inclusive no Brasil, com uma duração menor, mas ainda um loooongo filme que, querendo ou não, marcou muito o período, principalmente no meio da molecada que assistia escondido dos pais para comentar com os colegas no recreio no dia seguinte.

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A trama, para quem tiver curiosidade, se passa nos anos 60, com um grupo de sete adolescentes na cidade de Derry, no Maine. Uma série de desaparecimentos e assassinatos misteriosos assola o local, incluindo o garotinho Georgie, o irmão mais novo de Bill, quem podemos chamar de personagem central dessa história. Esses amigos têm uma ideia do que está acontecendo, pois todos tiveram visões estranhas e encontros assustadores com a figura de um palhaço bizarro que chamam de Pennywise (Tim Curry). O grupo decide fazer algo em relação a isso e se aventuram nos subterrâneos para tentar destruí-lo.

Trinta anos depois, o grupo relutantemente retorna para Derry quando Mike, o único que continuou morando na cidade, os chama para lhes dizer que Pennywise está de volta e os assassinatos estão acontecendo de novo. Apesar dos seus medos individuais, os amigos decidem mais uma vez entrar nos esgotos para enfrentar o palhaço do mal, ou seja lá o que for, e acabar com o horror de uma vez por todas.

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Tudo isso em três horas de filme, que se revelou nessa revisão um tédio. Precisei de três noites, assistindo uma hora em cada. Simplesmente não consegui embarcar mais nessa aventura como quando o fiz há vinte e poucos anos atrás… A narrativa até se esforça para manter um certo ritmo, com o enredo se entrelaçando com cenas dos personagens adultos e flashbacks com eles no verão de 1960. Que é onde se concentra as melhores partes de IT, conseguindo criar um clima de nostalgia representado nessas crianças desajustadas que acabam se tornando amigos para toda a vida e unem-se para lidar com o horror que as afeta. É cativante, de certo modo, e bastante identificável se você também foi um moleque desajustado de dez anos… Apesar de exemplos melhores tenham aos montes no período, como OS GOONIES, VIAGEM AO MUNDO DOS SONHOS, DEU A LOUCA NOS MONSTROS e até, por que não, CONTA COMIGO, também adaptado de King.

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Com os personagens menores, Tim Curry, como Pennywise, é mais assustador e memorável. Já adultos, com a turma mais velha lidando com o retorno do horror, a coisa perde a graça. Há algumas cenas divertidas, como quando se encontram depois de tantos anos, mas a química entre eles logo evapora com os atores adultos. É tudo tão frouxo… Algumas das cenas de horror nesses momentos também não têm o mesmo efeito, muito burocrático, sem inspiração, sem clima, especialmente quando voltam a entrar nos subterrâneos para o confronto final, que convenhamos, beira o ridículo.

O que ainda salva é o maravilhoso desempenho de Tim Curry. Sempre que eu recordava do filme durante todos esses anos, obviamente a primeira coisa que vinha na mente é a imagem de Pennywise aprontando as suas. É até desapontante perceber nessa revisão que, na real, ele aprece tão pouco em três horas…

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A verdade é que a cada ano que passa, esta versão de IT vai envelhecendo mal e ficando menos divertida. Revê-la agora gerou algumas pontas de decepção. Apesar disso, há uma parte de mim que sempre gostará de IT, da nostalgia e do que ele representa pra mim como obra de horror num momento mais puro e inocente da minha formação cinéfila. E parte disso tem a ver com Tim Curry, cuja performance como Pennywise é o que faz o filme. Dito isso, a nova versão que está nos cinemas é um daqueles raros casos de ser melhor que o original em todos os sentidos. Provavelmente amanhã devo postar alguma coisa sobre ele…

Mas e quanto a este aqui? Vocês ainda têm boas recordações? Já fizeram alguma revisão atualmente?

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.7: THE LONELY (1959)

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Mais um ALÉM DA IMAGINAÇÃO pra moçada bonita que acompanha o blog! É evidente que só vou conseguir definir os melhores e piores episódios quando terminar de assistir a essa primeira temporada por completo. Mas uma coisa pelo menos já posso confirmar: THE LONELY, sétimo episódio, corre sérios riscos de ser um dos meus favoritos. É bem simples e trata de um dos temas mais frequentes da série – o isolamento humano, como o título do capítulo já indica – mas a premissa é simplesmente genial e teria potencial para algo bem mais ambicioso.

James A. Corry (Jack Warden) é um prisioneiro que vive completamente sozinho num asteroide vagando no espaço, que consiste num novo e particularmente cruel, tipo de prisão. Sim, os condenados são jogados num asteroide no espaço e cumprem suas penas por lá! Isso é fantástico! Óbvio que o que realmente pega para Corry é a solidão, já que passa meses sem viva alma para interagir ou tomar, jogar um xadrez ou beber uma cerveja. Situação que o deixa completamente louco. De tempos em tempos, um foguete pousa no local para lhe trazer mantimentos, entre outras coisas. São esses mínimos contatos que mantêm a cabeça do sujeito no lugar. Mas depois de tanto tempo, nem isso basta.

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Felizmente, o gentil capitão Allenby (John Dehner) trouxe uma caixa a mais na sua última visita. Dentro, um robô chamado Alicia (Jean Marsh), que foi construída com características muito humanas. Incluindo sentimentos. Ela pode sentir dor e solidão, assim como Corry. Embora a rejeite num primeiro momento, o protagonista não está mais sozinho e se entrega à necessidade de uma companhia. Na próxima visita, Allenbe chega com boas notícias. Corry foi perdoado, o sistema de prisão espacial em asteroides foi cancelado e todos os prisioneiros estão voltando para a terra. O problema é que há espaço suficiente no foguete apenas para Corry, Alicia precisa ser deixada para trás.

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Dirigido por Jack Smight, e escrito pelo criador da série, Rod Serling, THE LONELY peca apenas por ser tão urgente, deixa um gostinho de “quero mais” e, talvez, não chegue a fundo no seu estudo sobre o homem em isolamento, nem na ideia de suprir essa necessidade numa relação com um robô. No entanto, a história é tão bem contada nesses vinte e poucos minutos, reduzindo toda a sua potencialidade à essência, que o episódio acaba passando seu recado de forma contundente e divertido às pampas.

Algumas cenas chaves são fantásticas nesse sentido, como quando Corry conhece Alicia e a rejeita porque ela não é uma pessoa real, apenas uma imitação. Mais tarde, ele se deixa consumir pela fantasia, não porque esteja apaixonado por um robô, mas porque ele precisa de algo tangível para se relacionar. No final, quando Allenby atira no rosto de Alicia, revelando nada mais do que fios em curto-circuito, Corry é imediatamente lembrado de quão perto ele chegou de perder a noção de realidade.

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Um dos destaque de THE LONELY é a solução que encontraram para a geografia do asteroide. Foi filmado principalmente no Parque Nacional do Vale da Morte, um lugar que serviria de cenários para muitos episódios da série que se passam em algum planeta distante. O deserto vazio e sem vida proporciona ao espectador a sensação de solidão perturbadora que os personagens encaram. É um oceano de nada. Quando Allenby e seus homens chegam ao local, são um lembrete para Corry que ainda há esperança, mas quando vão-se embora, não importa onde o protagonista vá, em qualquer direção que ele olhe sempre vai haver o vazio.

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Para quem não se lembra, Jack Warden é o jurado # 7 no clássico de Sidney Lumet, DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA. Ator prolífico, marcou presença em várias produções de peso nas três décadas seguintes. E é notória sua participação em THE LONELY, numa atuação expressiva e convencendo como sujeito desesperado pela solidão. O diretor americano Jack Smight é um dos mais interessantes a pintar na série e manda bem na direção, com muito frescor e originalidade. É um sujeito que já fez de tudo um pouco: estudou psicologia, lutou na guerra, dirigiu teatro e até foi Disc-Jockey. No cinema, demonstrou grande talento, mas acabou sendo engolido pelos estúdios e relegado mais à televisão. Mas tem vários bons filmes no currículo. Voltou à ALÉM DA IMAGINAÇÃO mais três vezes: THE LATERNESS OF THE HOUR (1960), THE NIGHT OF THE MEEK (1960) e TWENTY TWO (1961), todos na segunda temporada.