FIRST BLOOD em Cannes

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Passa hoje no Festival de Cannes numa cópia restaurada, em 4K, a obra-prima FIRST BLOOD, de Ted Kotcheff, mais conhecido no Brasil como RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR, um dos meus filmes de cabeceira. A sessão vai contar com a presença do próprio Sylvester Stallone (apresentando também as primeiras imagens do novo filme do personagem, RAMBO V – LAST BLOOD). Mas o que eu quero realmente saber é: será que agora, que vai passar num festival de tamanho prestígio e conceito, FIRST BLOOD vai finalmente receber o devido valor daquela parcela da crítica preconceituosa e cinéfilos elitistas que acham que o filme é só um exemplar exagerado de ação oitentista? Será que finalmente vão reconhecer a sua magnitude colossal? Espero que sim…

PARASITE

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Dois tweets de críticos direto do Festiva de Cannes que me fizeram ficar com água na boca por esse novo filme do Bong Joon-ho, PARASITE:

De A.A. Dowd:

Mostly loved Bong Joon-ho’s PARASITE, an insane, ingenious farce about desperate times calling for some very desperate measures. Bong being Bong, the tone veers wildly, but always in service of the class politics.

Rory O’Connor:

PARASITE: A near perfect film from Bong Joon-ho. Further confirms the director as cinema’s greatest large canvas political satirist since Verhoeven.

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Autenticidade

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Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic.

Jim Jarmusch.

TARANTINO EM CANNES [+trailer]

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O novo filme de Tarantino era um dos mais aguardados na competição oficial do Festival de Cannes desde quando fora anunciado aos 45 minutos do segundo tempo. A sessão de estreia foi exatamente hoje e, pelas reações do povo por lá, aparentemente ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD será mais um grande filme do diretor. Indiewire, The Guardian, Screendaily, e vários outros falaram bem. Só que as reações positivas não foram unânimes e, curiosamente, vi vários críticos brasileiros desgostosos com o filme… Tinha que ser.

A impressão inicial que deu pra sentir em alguns comentários que andei lendo é a de que se você é fã do trabalho de Tarantino, provavelmente não vai se decepcionar, e vai “sacá-lo” mais do que o frequentador médio de cinema, que só quer conferir as novidades do fim de semana. Parece que não é um filme perfeito, mas demonstra muita paixão pelos filmes, pelo cinema que Tarantino tanto ama e que os fãs do cara vão se sentir em casa. Enfim, tô só fazendo um registro. Eu particularmente caguei pra essas opiniões e continuo com as minhas boas e velhas expectativas. E depois deste novo trailer que soltaram hoje, minha animação aumentou ainda mais:

RICK DALTON é o cara!

Não conhecem RICK DALTON? Trata-se de um personagem fictício do novo filme de Quentin Tarantino, ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD, interpretado por Leonardo DiCaprio. Um ator de filmes de ação e western spaghetti nos anos 60, cujos filmes, que não existem obviamente, ganharam esses fake-posters lindões:

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ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD estréia hoje em competição oficial no Festival de Cannes.

TRÊS NOTÍCIAS

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Três boas notícias que podem alegrar sua segunda-feira:

 

• John Hillcoat, diretor de umas coisas fenomenais, como A PROPOSTA e A ESTRADA, foi escalado para dirigir um remake de WITCHFINDER GENERAL, clássico de Michael Reeves estrelado por Vincent Price. Será produzido por Nicolas Winding Refn.

• Assim que finalizar a ficção científica AD ASTRA, o próximo trabalho de James Gray será ARMAGEDDON TIME, que está sendo anunciado como um filme autobiográfico, baseado nas memórias de infância do diretor.

• Provavelmente meu diretor francês favorito em atividade, Leos Carax (LES AMANTS DU PONT-NEUF, POLA X, HOLY MOTORS), está preparando um novo filme, um musical chamado ANNETTE, que já tem confirmado Adam Driver e Marion Cotillard no elenco.

CEMITÉRIO MALDITO (1989)

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Acho que a força de CEMITÉRIO MALDITO, uma certa grandeza que o coloca acima de boa parte dos filmes de horror nos anos oitenta, reside na maneira como o filme lida com a morte. Vidas são tiradas a todo instante no cinema de horror e o público, obviamente, torce para que isso aconteça. A morte é banalizada e se torna uma diversão, ninguém quer assistir a uma continuação de SEXTA-FEIRA 13 e ver o Jason saindo de mãos vazias, certo? Mas aqui a morte, a perda, tem um peso dramático muito forte e coloca o espectador em confronto com a situação trágica da morte de um filho de forma extrema e direta.

A própria ideia básica do filme, notória adaptação de Stephen King, é muito perturbadora. A trama gira em torno de uma família que se muda para uma nova casa em Ludlow, no Maine. É uma típica família feliz, recomeçando a vida, até que um caminhão em alta velocidade muda tudo isso. E a existência de um cemitério de animais de estimação amaldiçoado que reanima os mortos piora ainda mais a situação…

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É evidente que há muitas coisas boas típicas do horror, elementos fundamentais, em CEMITÉRIO MALDITO para acalentar o coração dos fãs do gênero. É um filme muito sombrio com uma atmosfera densa em alguns momentos, especialmente nas sequências das visitas ao tal cemitério; temos algumas mortes criativas, uma boa dose de sangue, um gato zumbi, sonhos bizarros, aparições de uma figura fantasmagórica, entre outras coisas… No entanto, acima de tudo, CEMITÉRIO MALDITO funciona por causa do drama central que se desenrola a partir da perda trágica de um ente querido.

A sequência do caminhão é um primor. Mesmo quem percebe na hora o que está prestes a acontecer, acaba chocado pela coragem do filme em realmente chegar nos finalmentes e fazer o que tinha que fazer… Até porque sempre existiu o tabu de se matar crianças nos filmes dessa maneira. Mas só é mostrado o essencial: o moleque indo para a rodovia, o caminhão desatento se aproximando, um sapatinho vazio que rola no asfalto. O suficiente para nos deixar sem chão e passarmos a sentir a dor do protagonista (interpretado por um Dale Midkiff). Algo que no universo de King acaba sendo bem mais aterrorizante que o horror tradicional.

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Por muito tempo, quem esteve à frente do projeto e meio que possibilitou sua existência foi o pai dos zombie movies, George A. Romero, que já era naquela altura grande amigo de Stephen King, já haviam trabalhado juntos em CREEPSHOW, e acabou comprando os direitos do livro. No contrato, duas condições: a primeira é que o filme deveria ser rodado no Maine. Depois, o próprio King deveria escrever o roteiro. E foi o que aconteceu. A dupla preparou o filme por bom tempo até que surgiram algumas atribulações entre o diretor e o estúdio, que convocou Romero no meio desse processo insistindo em refilmagens de algumas sequências de INSTINTO FATAL (Monkey Shines), que Romero havia dirigido pouco tempo antes. Para não deixar a produção parada, Romero acabou pulando fora de CEMITÉRIO MALDITO, sendo rapidamente substituído por Mary Lambert, uma diretora de video clipes que só havia feito um longa até então, SIESTA, de 87, mas que já era vista como um talento promissor.

E Lambert deu conta, conseguiu dar vida ao roteiro de King, ao universo sempre tão particular de seu criador, com muita precisão e criatividade visual. Claro, seria ótimo ver como CEMITÉRIO MALDITO seria sob a batuta de Romero, mas não aconteceu. E eu simplesmente não tenho do que reclamar desta versão, que se tornou um dos meus clássicos favoritos do horror oitentista.

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No elenco, vale destacar Brad Greenquist, a figura fantasmagórica que mostra ao protagonista o limite que não se deve ultrapassar no “semitério”; Fred Gwynne, o eterno Herman Munster, da série dos anos 60 OS MONSTROS (ou A FAMÍLIA MONSTRO); e Miko Hughes, o garotinho zumbi demoníaco com um bisturi afiado nas mãos empenhado a matar.

Aparentemente, CEMITÉRIO MALDITO é a adaptação da obra de King mais apreciada pelo próprio autor; Óbvio, considerando que ele mesmo escreveu o roteiro e que detesta, por exemplo, a adaptação de O ILUMINADO, do Kubrick, não é muito difícil o cara ter preferência por este aqui. King até faz uma breve participação como um reverendo. O filme teve uma continuação nos anos 90, dirigido pela mesma Mary Lambert, e que preciso rever, não lembro de quase nada. E aí sim, estarei devidamente preparado para encarar a nova versão que ainda não parei pra ver.

10 DOUBLE ZERO, um cagesploitaion

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A sinopse oficial do filme diz que 10 DOUBLE ZERO será ambientados na Louisiana, onde dois policiais partem numa jornada de vingança caçando assassinos de policiais. Mas à medida em que se aproximam dos alvos principais, eles se vêem envolvidos numa conspiração dentro da força policial.

Nic Cage, pelo visto, anda com certa moral. Deve estrelar este aqui e já possui uma fila de produções a serem lançadas este ano, sendo que algumas eu estou realmente interessado em conferir, como COLOR OUT OF SPACE, de Richard Stanley, que eu já anunciei aqui, e PRISONERS OF THE GHOSTLAND, dirigido pelo japonês maluco Sion Sono.

10 DOUBLE ZERO já está em fase de pré-produção e será dirigido por Christian Sesma, um especialista em filmes de ação de baixo orçamento “direct to video” cujo trabalho eu não conheço. Quem sabe tá aí um novo talento a ser descoberto?

MAD MEL E SEU BANDO SELVAGEM

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Eu nem lembrava mais desse projeto, mas o site Deadline me lembrou hoje que Mel Gibson está envolvido na direção e no roteiro da refilmagem do clássico MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA. Aparentemente, Mad Mel começou a reunir o seu bando selvagem: Michael Fassbender, Jamie Foxx e o anão mais querido da atualidade, Peter Dinklage, entraram em negociações para fazerem parte do grupo.

É legal lembrar que a ideia de refilmar a obra-prima de Sam Peckinpah não é nenhuma novidade. Em 2006, por exemplo, o diretor e roteirista David Ayer estava em negociações para dirigir o remake. Na época, Ayer só tinha um trabalho no currículo como diretor, o ótimo TEMPOS DE VIOLÊNCIA (Harsch Times, 2005). Como se sabe, a coisa não foi pra frente. Por volta de 2011, Tony Scott era o nome anunciado para comandar a bagaça. No ano seguinte Toninho pulou de uma ponte e não está mais entre nós… Infelizmente, porque eu adorava o que ele vinha fazendo nos últimos anos antes de sua morte. E agora surge Mel Gibson e, pela primeira vez, a coisa toda não parece um boato. Aparentemente, o projeto está avançando.

E, olha, tô encarando isso com muita boa vontade. “Ain, mas não podem refilmar esse clássico do meu Peckinpah“. Porra, eu tô cagando que é um remake! Relevo totalmente esse fato! É um western com uma premissa massa dirigido pelo MEL GIBSON, bicho, com todas as liberdades criativas que ele quiser fazer. Ponto. O resto é resto… Só o fato de ter um anão no elenco já mostra que será diferente. Deve ser mais uma homenagem, algo que reverencia o original, do que um remake xerox.

O filme original, dirigido por Peckinpah é sobre um grupo envelhecido de foras-da-lei à procura de um último grande golpe enquanto o tradicional oeste americano desaparece ao seu redor e a era industrial começa a tomar conta de tudo. Eles são perseguidos por um bando liderado por um ex-parceiro. O filme tinha os casca-grossas Wiliam Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates e Ben Johnson no elenco.

Por isso, a única coisa discutível até o momento é que o elenco que tem se formado até o momento é bem mais jovem, e eu preferia que pelo menos isso fosse como no original, com atores mais envelhecidos. Mas não dá pra querer tudo. Mel Gibson é um puta diretor e tem tudo pra ser um western fodido, cheio de sequências de ação com o primor que lhe é capaz, como em APOCALYPTO (2006) e ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Racksaw Hidge, 2016). Este, aliás, foi o último trabalho de Gibson na direção, e deve ter dado novamente uma moral ao sujeito. O filme foi um sucesso de crítica e comercial, arrecadando mais de US $ 170 milhões nas bilheterias e conquistando seis indicações ao Oscar, vencendo melhor mixagem de som e melhor edição.

BACURAU EM CANNES

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BACURAU, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é o representante brasileiro em competição em Cannes. Ontem teve a sua estreia e parece que surpreendeu o público do festival. O tweet do crítico A. A. Dowd, do A.V. Club, me deixou bem animado:

BACURAU is wild shit. I would not have guessed that dude who made NEIGHBORING SOUNDS would turn around and (co)direct a movie that reminds me of John Carpenter, Wes Craven, and FIRST BLOOD. But this is where we are, and I’m glad we got here.

O filme ainda tem o grande Udo Kier no elenco… Enfim, agora BACURAU entrou definitivamente  na lista de prioridades para este ano.

CANNIBAL APOCALYPSE (1980)

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Apesar do título, é no mínimo questionável classificar CANNIBAL APOCALYPSE dentro do subgênero cannibal, tão comum no final dos anos 70 e início dos 80 no cinema popular de exploração italiano. Caso seja classificado, que seja então como um representante bastante alternativo, não compartilha virtualmente quase nada em comum com os outros filmes do subgênero. Não é uma aventura na selva, com exploradores se metendo com tribos canibais, por exemplo. E, embora eu não tenha do que reclamar da brutalidade por aqui, o nível de violência não chega nem perto dos excessos de um CANNIBAL HOLOCAUSTO, CANNIBAL FEROX e outros similares. Mas há comedores de carne no filme, obviamente, só que eles são habitantes “civilizados” da cidade de Atlanta, infectados por um vírus que lhe despertam desejo de carne humana.

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No entanto, CANNIBAL APOCALYPSE inicia realmente nas selvas do Vietnã, durante a guerra, quando o oficial das Forças Especiais do Exército dos EUA, Norman Hopper (John Saxon), lidera um pelotão de soldados em uma missão de busca num complexo de cavernas Vietcong onde são mantidos prisioneiros de guerra. Depois de eliminar o inimigo num espetáculo de tiros e explosões, eles descobrem um buraco onde estão dois americanos capturados, Charlie Bukowski (sim, podem acreditar que esse é o nome do personagem vivido por Giovanni Lombardo Radice) e Tommy (Tony King).

Hopper fica feliz de vê-los ainda com vida – até porque conhece os sujeitos, ambos são de sua cidade natal – mas ao mesmo tempo, acaba tendo a visão aterradora deles devorando avidamente a carne de uma guerrilheira inimiga que havia caído lá dentro. Então, num rosnado selvagem, Tommy salta e dá uma mordida no braço estendido de Hopper.

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Nesse ponto, Hopper acorda de um pesadelo febril, na cama com sua esposa Jane (Elizabeth Turner) em Atlanta, anos depois da guerra. A sequência de abertura do filme foi um flashback/sonho de Hopper no Vietnã revelando um incidente que realmente aconteceu. Hopper está preocupado com o sonho; ultimamente ele desenvolveu uma estranha atração pela carne crua. Lutar contra esse desejo torna-se cada vez mais difícil, colocando uma pressão até sobre o seu casamento (isso sem falar na vizinha adolescente que lhe “atormenta” a vida com visitas inusitadas…).

Enquanto isso, Bukowski é libertado de uma ala psiquiátrica local, onde está encarcerado desde o fim da guerra. Supostamente curado, em seu primeiro dia de liberdade ele entra em conflito com uma gangue de motoqueiros, ataca uma mulher em um cinema (morde um pedaço sangrento do pescoço), depois mata duas pessoas em um mercado e fica encurralado enquanto os policiais cercam o prédio. Fiquei com a impressão que o sujeito não estava tão curado assim…

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Daqui pra frente, CANNIBAL APOCALYPSE se transforma num festival de mordidas violentas! Ao saber da situação de Bukowski, Hopper aparece no local e consegue convencê-lo a se entregar. Mas Charlie morde um policial no momento de ser colocado pra dentro do camburão. Em vez da prisão, Bukowski é transportado de volta para o hospital psiquiátrico, onde ele se reúne novamente com seu companheiro de guerra, Tommy. Este, acaba mordendo a perna de uma enfermeira, que o deixa amarrado a uma maca ao lado de Charlie, na ala de alta segurança.

Os médicos determinam que ambos são portadores de um vírus misterioso que de alguma forma os transforma em canibais. Mais tarde Hopper aparece no hospital e resolve libertar Charlie e Tommy e fugir com eles sabe-se lá pra onde… A enfermeira infectada por Tommy se junta a eles depois de morder a língua de um médico excitado. O inusitado quarteto rouba uma ambulância e parte para a noite fazendo deixando algumas vítimas no caminho, enquanto a polícia, liderada pelo Capitão McCoy (Wallace Wilkenson), se engaja em uma caçada frenética para deter os canibais antes que eles possam espalhar ainda mais o suposto vírus.

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Pois é, CANNIBAL APOCALYPSE é essa loucura absurda, mas interessante e divertido exemplar que se beneficia bastante da direção imaginativa e segura de Margheriti, que eleva o filme um ou dois níveis acima do habitual do cinema de exploração, além das performances sólidas do elenco, com destaque para Saxon e Radici. O conceito de um vírus canibal também é certamente uma das melhores ideias do filme, a de um fenômeno social representado no canibalismo como uma doença contagiosa, que é algo bem mais, digamos, reflexivo do que as filmagens de mortes de animais reais usadas nos cannibal movies tradicionais.

Eu sei, os efeitos especiais de CANNIBAL APOCALYPSE são de Giannetto De Rossi, que possui no currículo obras contendo algumas das mais extremas imagens do cinema italiano de gênero. Portanto, não é que não existam cenas de extrema violência gratuita e muitos efeitos sanguinolentos por aqui, só acho que não é somente nisso que Margheriti estava interessado… Mas os fanáticos por tais elementos mais impactantes não precisam se preocupar e vão se esbaldar, especialmente na cena de morte do personagem de Radice, filmado em toda a sua glória visceral. Não é a toa, portanto, que CANNIBAL APOCALYPSE tenha sido marcado por um histórico de censura e cortes em lançamentos pelo mundo. No Reino Unido, por exemplo, até 2005 o filme estava banido, assim como em outros países. No Brasil, foi exibido sem cortes em 1981 sob o título OS CANIBAIS DO HOLOCAUSTO. 

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DRAGGED ACROSS CONCRETE (2018)

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Assisti recentemente a DRAGGED ACROSS CONCRETE e não só confirma a belezura de filme que eu esperava (afinal, fora anunciado como um policial casca-grossa estrelado pelo Mel Gibson de bigode), um dos melhores do ano até o momento, como também coloca em definitivo o seu diretor, S. Craig Zahler, se é que havia alguma dúvida, entre os melhores da atualidade nesse ofício de fazer filmes.

Então temos Mel Gibson – de bigode – e Vince Vaughn (repetindo a parceria com o diretor) como uma dupla de detetives cujos ideais nem sempre vão de acordo com os burocráticos métodos da força policial. São do tipo que atiram primeiro e fazem perguntas depois. O tipo de policial asqueroso que só é bom no cinema. Na vida real, desprezo qualquer tipo de fascismo, obviamente. Como cinéfilo, no entanto, aceito qualquer ideologia radical que seja colocada na tela, até porque acima do discurso sempre tem o cinema, a linguagem e a ética de olhar o mundo sem falsidade. Zahler tem esse olhar e usa bem esse contexto como como trampolim narrativo, para a habitual jornada ao inferno que seus personagens traçam (como em BONE TOMAHAWK e BRAWL IN CELL BLOCK 99). E porque esse tipo de personagem – policiais reacionários – é foda pra caralho (no cinema).

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Ainda na trama, a dupla acaba se ferrando quando é flagrada por uma gravação de celular usando de força bruta pra cima de um suspeito durante uma batida policial. A mídia está pronta para cair matando em cima e o capitão da esquadra, interpretado pelo grande Don Johnson, dá à dupla uma suspensão não remunerada de seis semanas. Isso não ajuda muito os dois policiais, que precisam de seus contracheques para enfrentar os problemas financeiros do cotidiano, já que a vida é dura, policial ganha mal pra cacete, e trabalhar honestamente não “dignifica a alma”, como muitos dizem… Preocupações latentes no cinema de Zahler: amargas questões sociais e o tênue limite entre a justiça e a arbitrariedade.

Em determinado momento começa a tal “descida ao inferno”. O desespero começa a beliscar os calcanhares e os dois detetives decidem emboscar um grupo de ladrões de banco que acabou de fazer um puta assalto. O filme vira uma trama de gato e rato, com planejamentos, perseguições, tiroteios, assassinatos à sangue frio… Tudo o que precisamos num filme policial badass temos aqui. Mas bem ao estilo Zahler, o que significa acompanhar esses personagens ao submundo mais escabroso possível, onde os habitantes cruéis e sádicos não valem o peido de uma égua ​​e ainda assim é impossível tirar os olhos da tela.

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E Zahler me parece muito apaixonado por contar exatamente a história que quer contar, insistindo em cada detalhe de todas situações, personagens e possibilidades, e até cheguei a me perguntar se precisava daquilo tudo (o filme tem mais de 2h30m), que uma edição mais disciplinada poderia ter feito alguns favores… Mas ao final eu já estava tão imerso e envolvido no papo do Zahler, no ritmo lento, na tensão crescente cirurgicamente construída, no universo daqueles personagens, que sequências como a da participação de Jennifer Carpenter, por exemplo, que é totalmente descartável, nem me incomodaram. E o que poderia ser excesso nas mãos de uns, Zahler transforma em enriquecimento narrativo.

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E tudo é filmado com precisão, longos planos, com uma câmera rígida, um mínimo de edição, fundamental para sentir o peso das imagens, da atmosfera e da dor. Desde seu primeiro filme, Zahler trabalha com o mesmo diretor de fotografia, Benji Bakshi, o que deve ajudar a criar uma certa uniformidade autoral e visual na obra do diretor. A violência, outro elemento constante no cinema de Zahler, ainda que em menor escala por aqui, permanece brutal e fascinante como nos seus filmes anteriores. E assim S. Craig Zahler tem se estabelecido como uma das vozes mais distintivas do moderno cinema de ação/policial americano. E do horror, talvez?

Mel Gibson está do jeito que sempre gostamos. Em estado de graça, no papel de um policial cansado e fodido, uma espécie de Martin Riggs envelhecido, em descompasso com o mundo, anacrônico, enfim, um personagem que se encaixa como uma luva ao ator, que oferece uma de suas melhores performances desde os anos 90. Vê-lo descarregando chumbo em desafetos e recarregando seu revolver com uma agilidade impressionante é um dos grandes momentos do cinema em 2019. E, obviamente, tem o bigode mais badass do ano.

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Vaughn sempre a tentar se dissociar das comédias que fez ao longo da carreira, mas não tenho problema algum com ele fazendo papéis puramente dramáticos. Óbvio que de vez em quando dá a sensação de que fará uma piada a qualquer momento, mesmo em situações pesadas ou tensas. Mas seu desempenho aqui é sólido. Já tinha demonstrado que podia fazer sujeitos sérios e trágicos em BRAWL ON CELL BLOCK 99. Mas o filme não é apenas Gibson e Vaugh. É também Tory Kittles, que rouba o filme para si em vários momentos, vive um dos assaltantes de banco e possui o seu próprio arco dramático. No elenco ainda se destacam Michael Jai White (numa participação bem maior que eu esperava) e uma pontinha sempre bem-vinda de Udo Kier.

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Infelizmente, é mais um trabalho poderoso do Zahler que não teremos o prazer de ver nos cinemas. Portanto, assista da maneira que conseguir. Vale a pena.

Anna Karenina: A História de Vronsky em Blu-Ray e DVD

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ANNA KARENINA: A HISTÓRIA DE VRONSKY chega às lojas e sites no final de maio através da distribuidora CPC UMES FILMES.

Lançamento nos formatos DVD e Blu-Ray, o filme foi o primeiro que a CPC UMES FILMES lançou no circuito comercial de cinemas do país, no ano passado. O longa foi muito bem recebido, tanto pelo público quanto pela crítica especializada. O aclamado romance de Tolstoi ganhou nova perspectiva nas mãos do diretor Karen Shakhnazarov, que temperou a narrativa com os escritos de Vikenty Veresaev sobre a guerra russo-japonesa e contou a história a partir do ponto de vista do Conde Vronsky, amante de Anna.

No link a seguir, a pré-venda, já disponível no site da CPC UMES FILMES:
http://www.cpcumesfilmes.org.br/prestashop/37-anna-karenina-a-historia-de-vronsky