OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE (Murders in the Rue Morgue, 1932)

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De vez em quando eu entro numa de ensaiar uma maratona dos clássicos de horror da Universal, mas sempre assisto dois ou três e já abandono… Vamos ver se escrevendo sobre algum deles eu fico mais animado. OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, de Robert Florey, adaptação de Edgar Allan Poe e com o grande Bela Lugosi no elenco, foi um dos últimos que vi e que vale a pena expor algumas coisas por aqui.

Aliás, diretor e ator quase haviam trabalharam juntos anteriormente no grande clássico do horror, FRANKENSTEIN. Não aconteceu, como se sabe. E tanto para Florey, substituído por James Whale, quanto para Bela Lugosi, a dissociação de FRANKESTEIN sinalizou inúmeros pontos de inflexão na carreira de ambos: Florey nunca mais teve a oportunidade de dirigir uma produção de tanto potencial, e Lugosi, ao se afastar do projeto, permitiu o surgimento de seu rival de tela, Boris Karloff, que, não demoraria muito, acabaria lhe eclipsando.

O prêmio de consolação do estúdio para Lugosi e Florey foi OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, que não teve o sucesso crítico ou popular que suas carreiras precisavam, apesar de ser um dos mais interessante e ousados filmes de horror do período, acredito eu, pelo menos dentre os poucos que já vi até o momento.

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É que Florey pega pesado na referência do expressionismo alemão, criando quadros realmente fortes e atmosféricos de uma Paris carregada e sombria para além da conta, além de nos oferecer algumas imagens inesquecíveis, e transgressoras para o período, de Bela Lugosi amarrando moças sequestradas a quadros de madeira em forma de X e lhes fazendo transfusões de sangue de gorila… De arrepiar.

Na trama, Bela Lugosi é o Dr. Mirakle, cientista que trabalha no campo da evolução humana e que está experimentando a hibridização entre macacos e humanos em Paris em 1845. Ele financia suas experiências exibindo seu gorila de estimação em um espetáculo em festivais. Fruto de suas experiências, ocasionalmente mulheres são encontradas flutuando no Rio Sena. E seu encontro com um estudante de medicina, o famoso Dupin (que nas histórias originais de Poe era um perspicaz detetive aos moldes de Sherlock Holmes), e sua namorada desencadeia uma série de incidentes infelizes…

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A história original de Poe tem o lance do mistério revelado num final surpreendente, mas aqui Florey transforma o texto de Poe num relato de puro horror com o fato de que já sabemos de antemão o que está acontecendo desde o início. Possivelmente uma sacada sábia, mas o roteiro de OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE (que teve ajuda do diretor John Huston) parece cheio de equívocos em alguns momentos, prejudicado pela decisão da Universal de fazer refilmagens e invadir o filme, que já estava concluído. No entanto, é uma obra que espreita um suspiro de inspiração audaz por parte de Florey em uma estética das mais sombrias e sinistras daquele período.

Altamente recomendado para quem quer se enveredar por aquelas plagas do cinema de horror, mas quer conhecer bons exemplares fora dos ciclos dos monstros clássicos, como DRÁCULA, FRANKENSTEIN, A MÚMIA e etc…

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