THE CAREY TREATMENT (1972)

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Blake Edwards é mais conhecido por suas comédias inventivas dos anos 60 estreladas pelo Peter Sellers, como A PANTERA COR DE ROSA, por exemplo. Portanto, foi uma boa descoberta este filme fora do habitual do diretor, que recebeu o título bizarro no brasil de RECEITA: VIOLÊNCIA. Relevemos e vamos tratá-lo pelo original, THE CAREY TREATMENT. Trata-se de um filme que assume uma relevância social interessante quando visto hoje, usando o tema do aborto como ponto de partida para um thriller, num contexto em que os EUA debatia muito a questão e que hoje ainda é assunto no “Fla x Flu” político brasileiro, como sabemos. O filme retrata a situação da gravidez indesejada que resulta em garotas e mulheres desesperadas subornando pessoas não qualificadas para realizarem abortos clandestinos, como até hoje acontece, e faz ecoar um certo lado sombrio de uma América apodrecida, por mais que as aparências demonstrem o contrário, e evoca memórias perturbadoras de um período particularmente controverso na consciência moral americana.

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James Coburn tem aqui um de seus melhores papéis como o Dr. Peter Carey, um patologista de atitude rebelde, mas estimado profissionalmente, que se muda de LA para Boston para ocupar uma posição de destaque num hospital conceituado da cidade. Carey, esbanjando carisma, não perde tempo em fazer amigos, especialmente com a graciosa nutricionista chefe, interpretada por Jennifer O’Neill. No entanto, o sujeito logo se vê envolvido em uma investigação intrincada quando um colega cirurgião (James Hong) é preso por assassinato após realizar um aborto ilegal na filha de 15 anos do administrador do hospital, vivido por Dan O’Herlihy.

Carey acredita piamente na inocência de seu amigo e decide começar sua própria investigação. O caso logo revela a sordidez que algumas pessoas proeminentes e respeitadas da cidade prefeririam manter escondidas sob as aparências. E Carey se vê correndo certos riscos quando se aproxima mais da verdade por trás da morte da jovem.

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Não há nada particularmente excepcional sobre o roteiro e o andamento da coisa em THE CAREY TREATMENT, exceto o tema espinhoso como pano de fundo. No entanto, tudo funciona tão bem dentro dos moldes de um thriller setentista, tão bem conduzido por Edwards, que vale a pena a conferida. E ainda temos Coburn num momento inspirando com seu personagem fascinante, sempre expressivo, sorridente e cativante por fora, mas internamente nutrindo um constante desprezo e desconfiança por figuras de autoridade. Além de ter uma veia badass: uma simpatia de pessoa, mas caso haja a necessidade, no instante seguinte troca socos com quem estiver em seu caminho.

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De vez em quando o filme exagera um bocado na dose e se esforça para deixar as coisas mais movimentadas sem muita necessidade, já que essencialmente a trama de mistério metódica bastaria. A sequência em que Carey praticamente sequestra uma jovem em seu carro e pisa fundo desafiando a morte para induzi-la a revelar informações, é um desses exemplos. Mas é tudo tão bem concebido que esses exageros nem chegam a ser um problema. THE CAREY TREATMENT continua envolvente e Coburn se beneficia de sua química com a galeria de coadjuvantes interessantes que aparecem por aqui, incluindo O’Herlihy, Pat Hingle e James Hong. Há também a excelente trilha sonora do grande compositor Roy Budd que vale a pena destacar.

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DVD REVIEW: A CRIADA (2016); A2 FILMES

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Eu gosto pra cacete do diretor coreano Park Chan-Wook. Vocês não? Só que parece que ele nunca mais vai fazer algo do nível de um OLDBOY (03) ou SYMPATHY FOR MR. VENGEANCE (04), obras que colocaram o sujeito no mapa. Mas isso não quer dizer que Park deixou de fazer bons filmes e obviamente recomendo a apreciação de seus trabalhos posteriores… com algumas exceções. Mas para quem já é fã do homem, vai aí uma dica: A CRIADA, último filme de Park, foi lançado em DVD no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Mares.

A CRIADA é um thriller com viés feminista baseado no romance de estilo vitoriano Na Ponta dos Dedos, de Sarah Waters, só que transferido para a Coreia ocupada pelos japoneses na década de 30.

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A belezinha Kim Min-hee da foto acima interpreta a herdeira Lady Hideko, que vive isolada e dominada por seu tio cruel, Kouzuki (Cho Jin-woong), que cobiça sua herança. A moça nunca sai da propriedade da família e seu único contato com pessoas de fora é numa série de leitura semanal de literatura erótica para convidados exclusivos, que é forçada a participar pelo seu tio.

Entonces, as coisas mudam um bocado quando entra em cena um casal de vigaristas que elaboram um esquema para botar as mãos nos dotes da moça. Kim Tae-ri interpreta uma ladra talentosa que é contratada como criada da mansão e Ha Jung-woo é um vigarista esperto que se finge Conde. O esquema é fazer com que Hideko se apaixone pelo falso conde e assim meter a mão na grana.

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Só que as coisas não saem exatamente como planejado e ao invés de se apaixonar pelo vigarista, o jogo de sedução acaba rolando entre as duas moças… A falsa criada começa a pensar duas vezes sobre o esquema enquanto cresce sua relação com Hideko, e a curiosidade de Hideko sobre o amor/sexo logo resulta nas duas mulheres compartilhando uma cama em sequências muy calientes. Logo, a farsa toma novos contornos numa intrincada narrativa de pontos de vistas e reviravoltas mirabolantes.

O que se segue é um filme sobre essas duas personagens femininas, que lutam contra os homens numa cultura tão dominadora, para se livrar de suas correntes e reivindicar seu próprio destino.

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A única coisa que me incomoda um pouco em A CRIADA é lá pelas tantas perceber que Park exagera um pouco na duração e uma sutil enxugada daria mais ritmo à narrativa, que já é lenta pela natureza do estilo do diretor – o que não é uma crítica, a câmera, os planos, tudo tem uma lentidão poética que faz muito bem ao filme – mas uns 15 minutos a menos teriam ajudado. Mas é preciso destacar algumas coisas que compensam esse pequeno incômodo: a intricada trama nunca deixa de ter interesse, as atuações, o trio de protagonistas funciona maravilhosamente bem e as duas atrizes tem muita química, especialmente nas cenas de sexo. Fazia tempo que não via no cinema mainstream recente cenas de lesbianismo tão excitantes. A fotografia é impecável, a direção de Park demonstra o trabalho de um artista consciente, que sabe contar uma história e ainda agradar aos olhos. E chega, today let’s keep it short, baby.

Como disse antes, a A2 Filmes lançou A CRIADA em DVD por aqui. Podem procurar que vão encontrar nas melhores lojas do ramo. Vale a pena ter um desses na coleção. Park Chan-Wook é sempre obrigatório. Não deixe de curtir também a página da distribuidora no Facebook para ficar por dentro das novidades.

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DVD REVIEW: RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO (Rampage: Capital Punishment, 2014); A2 Filmes

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Uwe Boll ataca novamente neste segundo capítulo da jornada de Bill Williamson (Brendan Fletcher), o exército de um homem só, fortemente armado e blindado, que saiu atirando contra tudo e contra todos em RAMPAGE (2009), como vocês puderam conhecer no post anterior. Sim, esse cara está de volta e mais chateado do que nunca… E a A2 Filmes nos brindou lançando RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO no mercado de home video nacional.

Como não conseguiram pegar o rapaz no primeiro filme, Bill mais uma vez sai pelas ruas com seu traje de kevlar e artilharia suficiente para armar um pequeno batalhão depois de ficar um ano escondido. Mas neste novo capítulo da série RAMPAGE, Bill tem um plano definido, não é só matança desenfreada. Ele invade uma estação de notícias local, coloca um grupo de pessoas como refém e obriga a transmitir ao vivo em rede nacional seu discurso anti-sistema. Claro que quem entra em seu caminho eventualmente acaba levando uma dose de chumbo…

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Inclusive, o filme abre com uma situação bem bizarra. Num beco qualquer da cidade, Bill senta numa cadeira, fuma um cigarro e tranquilamente espera uma pessoa qualquer passar. Atira. Depois de acertar um desavisado, ele levanta, arrasta o corpo para ficar fora da vista, senta-se na cadeira e repete o processo até acumular uma boa quantidade de corpos, sem que ninguém faça nada, ou que a polícia seja acionada… Dessas cenas que só poderia sair da mente perturbada do alemão maluco. Continuar lendo

LOOKING GLASS (2018)

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Estamos ainda em março e LOOKING GLASS já é o segundo lançamento do incansável Nicolas Cage no ano (o primeiro foi o excelente MOM AND DAD, que comentei aqui outro dia). Trata-se de um pequeno thriller lançado direto no mercado de home video e que se sai bem cumprindo a sua proposta de ser um suspense intrigante e divertido. Na trama, basicamente, temos um casal em crise depois da perda da filha pequena, arrendando um pequeno motel à beira de estrada para manter a cabeça ocupada, respirar novos ares e mudar de vida. Só que misteriosos assassinatos do passado que aconteceram no local “voltam” para atormentar a vida do protagonista vivido por Cage.

O roteiro em si não tem nenhuma novidade, é bem convencional e até mesmo previsível, não vão faltar por aqui situações curiosas, personagens estranhos, assim como os típicos clichês dos filmes de Motel à beira da estrada… Mas LOOKING GLASS tem a vantagem de ser bem curtinho e o diretor Tim Hunter (mais conhecido para quem acompanha os seriados da atualidade) não deixa muito espaço para encheção de linguiça, usando a figura de Cage para atrair a atenção durante todo o filme. Um Cage mais contido, mas sempre com muita presença em cena e alguns bons momentos para suas surtadas habituais… O elenco de apoio também é bom, com Robin Tunney, Marc Blucas e o bom e velho Ernie Lively. Bill Bolender faz uma pequena participação. O filme é simples, rápido e eficiente, exatamente o tipo que aprecio quando quero matar um tempinho. Vale assisti-lo num sábado à noite para reviver os bons tempos dos Supercine na Globo nos anos 90.

DVD REVIEW: A VIDA É MARAVILHOSA (1979); CPC UMES FILMES

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O que mais me surpreende foi terminar de assistir a um belíssimo exemplar como A VIDA É MARAVILHOSA e perceber o quanto ele é obscuro em relação a outros thrillers políticos italianos do período. Não sei se chegou a ser lançado no Brasil nos cinemas ou em VHS na época, mas pelo menos hoje não existe desculpa, temos a oportunidade de conferir essa preciosidade desconhecida em DVD, pela distribuidora CPC UMES filmes.

A expressão “A vida é Maravilhosa” utilizada no título, na verdade trata-se de um código utilizado por revolucionários que lutam contra uma ditadura. A produção, que é uma parceria Russa e Italiana, é sobre o piloto Antonio Murillo (Giancarlo Gianinni) que, após ser expulso do exército depois se recusar a atirar contra uma embarcação que transportava mulheres e crianças em algum local na África, só quer uma vida sossegada dirigindo seu taxi e fumando um cigarro atrás do outro. Mas acaba entrando numa enrascada política com as autoridades locais depois que se apaixona por Mary (Ornella Muti), a garçonete de um café, que serve de fachada para revolucionários que tentam desmantelar o autoritarismo que assola o país.

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Dirigido por Grigory Chukhray (A BALADA DE UM SOLDADO), A VIDA É MARAVILHOSA se estrutura basicamente em duas partes. A primeira é como híbrido de thriller político italiano e romance barroco russo, com o personagem de Gianinni tendo que espreitar pela noite para não levar chumbo da polícia ou participando de reuniões secretas, com direito até de um MacGuffin Hitchcockiano representado numa bolsa misteriosa que passa de mão em mão até chegar em Murillo, no qual tanto as autoridades quanto os revolucionários querem tomar posse. Tudo isso em conjunto com sequências mais tenras, em que Gianinni divide a tela com Muti, e o olhar mais humano e poético de Chukhray se reforça, como na sequência na praia ou quando Murillo mostra a Mary seu sonho de consumo, um avião de pequeno porte, o que representa um alento em meio a tempos complicados.

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A segunda parte da trama é um “prison movie“, não tão barra pesada, mas com o suficiente para que o personagem de Gianinni coma o pão que o diabo amassou por conta da enrascada que entrou. E aí temos um gostinho do que é estar preso sob uma ditadura: a trama passeia entre torturas físicas e psicológicas, mas também a angústia da distância da pessoa amada, além da elaboração de um plano de fuga que culmina numa rebelião na prisão e uma perseguição de carro num climax bem agitado. Mas o filme nunca descamba nem para a ação poliziesca, nem para o dramalhão carregado, mas consegue passar o efeito catártico das situações mesmo com um incomum tom de humor que paira sobre toda a narrativa.

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Apesar de italianos e dublados em russo, grande parte da força de A VIDA É MARAVILHOSA se concentra em Ornella Muti e Giancarlo Gianinni. Este último num desempenho inspirado, é o sarcasmo em pessoa, o que ajuda a manter uma certa dignidade ao personagem de Murillo mesmo quando acuado por autoridades e nas situações mais adversas. Já Muti, uma das mulheres mais lindas da história do cinema, demonstra grande talento representando uma figura forte e determinada, embora ambígua em alguns momentos.

A direção Chukhray é simples e possui um tratamento realista, reforçado com uma pontuada câmera na mão que dá um maior dinamismo, mas também de rara beleza com composições visuais requintadas, que coloca o filme no mesmo penteão dos thrillers políticos europeus ao lado de obras de diretores como Costa-Gavras, Marco Bellochio, Gillo Pontecorvo, Damiano Damiani e Elio Petri.

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Embora nunca se fale o nome do país onde a história se passa, há vários momentos que aparecem placas e pichações nos muros no idioma português. Portanto, enquanto assistia, achei bem provável que A VIDA É MARAVILHOSA fosse filmada na Portugal do ditador Salazar, nos anos 70. Informações e resenhas sobre este filme são escassas, o que me deixa ainda mais estupefato como ele é obscuro. Mas num fórum que encontrei num canto da internet, veio a confirmação com uns gajos lusitanos a discutirem:

No último excerto, a montagem/edição não fez coincidir as zonas de Lisboa captadas pelas diferentes câmaras… Na que “olha para a frente” o taxi anda pela zona riberinha perto alcântara (há uma parte inclusive na Ponte 25 de Abril, ainda com duas faixas), e na que está de lado e apanha o protagonista, vejo zona aleatórias de Lisboa – a Almirante Reis, o Jardim Constantino, a saída do túnel do Campo Grande...”

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Nesse mesmo fórum descobri que existem duas versões do filme. A Russa, que é esta restaurada pela Mosfilm e que a CPC UMES Filmes lançou aqui no Brasil, e a Italiana, que me parece inacessível, não faço ideia se existe em circulação. A diferença é que nesta versão do país da bota algumas coisas ficam mais explícitas, como deixar claro que a trama realmente se passa em Portugal e que o país africano que está sob ataque no início do filme é Angola.

De qualquer maneira, é um filme que não precisa de posições geográficas, o que o torna universal e necessário. E em períodos obscuros como a que vivemos atualmente, vale a pena se deparar com um A VIDA É MARAVILHOSA para lembrar que independente de visões políticas, censura, autoritarismo e fascismo são merdas que precisam ser combatidas.

E é preciso também que  A VIDA É MARAVILHOSA seja descoberto o mais rápido possível. O filme está disponível no catálogo da CPC UMES Filmes e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página deles no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

DVD REVIEW: FORA DA TRILHA (Off Piste, 2016); A2 FILMES

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A primeira coisa a se fazer para apreciar FORA DA TRILHA é ignorar um bocado as artes promocionais, a capa do DVD e até o trailer da obra, que prometem muita ação num filme movimentado e visceral, quando na verdade o que temos aqui é um drama bucólico, lento e pesado sobre cicatrizes do passado. Tendo isso em mente, dá para apreciar melhor, sem decepções, o que temos aqui. Até porque esta pequena produção independente britânica é um belo exemplar que me surpreendeu bastante.

Stanley Winters (Henry Douthwaite) é um ex-membro do SAS (Serviço Aéreo Especial, do Reino Unido), que, após um horrível acidente traumático numa operação em Belfast, na Irlanda, se retira para os alpes franceses para tentar esquecer seu passado sombrio e cuidar de sua mãe cega. Doze anos depois, Niamh O’Brian (Lara Lemon) sai de Belfast à procura de vingança pelo responsável da tragédia que dizimou sua família. No entanto, como a sua saída repentina deixa uma série de perguntas sem resposta, o namorado de Niamh começa a persegui-la para descobrir exatamente onde a moça foi, e quem é a pessoa pelo qual ela viajou centenas de quilômetros para se encontrar…

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Obviamente, a moça vai parar nos alpes franceses e sua busca chega em Stanley. Não é nenhuma surpresa… Não que o filme escancare isso logo de cara, mas é uma coisa que fica óbvia logo no início. A verdadeira surpresa de FORA DA TRILHA, no entanto, é o ótimo estudo desses personagens que possuem marcas profundas de um passado trágico e se encontram cara a cara para resolver as questões que os desequilibraram na vida. Mas nada acontece num tom de thriller tenso como as já citadas artes promocionais indicavam, a coisa funciona mais como um jogo de xadrez melancólico, impossível de prever os próximos movimentos.

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Evitando certos clichês e se arriscando até demais num roteiro que falha em alguns momentos por conta dessa ousadia narrativa (que é bem-vinda, é melhor errar ousando do que acertar ficando na mesmice genérica do cinema atual), FORA DA TRILHA é um belo filme de personagens fortes, um visual estonteante de encher os olhos, muito bem utilizados pelo diretor Glen Kirby – E o cenário branco e montanhoso é perfeito, captura bem a solidão invernal desse conto de retribuição e redenção. Além de um ritmo lento e contemplativo sem pressa alguma na exposição narrativa. Qualidades que às vezes escapam de um produto independente de gênero Direct to Video.

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FORA DA TRILHA é uma baita surpresa lançada no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar e está disponível para locação em DVD e também nas melhores plataformas online do Brasil!

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DVD REVIEW: LILA & EVE – UNIDAS PELA VINGANÇA (2015); A2 FILMES

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Dizem que não há amor maior que o de uma mãe para seus filhos. Então, faz sentido quando um filho é assassinado, uma mãe desejar vingança. Essa é essencialmente a premissa da produção independente LILA & EVE – UNIDAS PELA VINGANÇA, no qual as duas personagens título (Viola Davis e Jennifer Lopez respectivamente) juntam-se para procurar os responsáveis do assassinato de Stephon (Aml Ameen), filho de Lila. Sim, estamos falando de um filme de mães vigilantes.

Aliás, não apenas vigilantes mulheres, mas também vigilantes mulheres que não são brancas, o que na nossa sociedade hipócrita atual já é motivo para jogar um filme desses de escanteio. Se é um thriller de vingança com, sei lá, Scarlett Johanson, ia encher as salas de cinemas, mas como é uma negra, que já passou dos 40 anos querendo vingar a morte do filho, acabou virando peça direct to video. Mas não tem problema, já que temos uma distribuidora como a A2 Filmes prestando esse serviço no mercado brasileiro de home video, lançando algumas pérolas que nem saberíamos a existência.

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Ainda que este “DESEJO DE MATAR de saias” não seja nenhuma obra-prima, longe disso, LILA & EVE possui alguns pontos a favor. É um filme sincero ao trabalhar o tema da dificuldade de lidar com a perda e das consequências de fazer justiça com as próprias mãos, mesmo que se enverede para o estilo camp e exagerado da coisa. Em particular, Viola Davis – que é uma das produtoras do filme e três vezes indicada ao Oscar, levando uma estatueta pra casa este ano com UM LIMITE ENTRE NÓS – está sublime e convence facilmente como a mãe devastada. A complexidade com que ela aborda cada avanço da trama é notável. Jennifer Lopez também surpreende com uma atuação segura, mais envelhecida, ainda com uma beleza natural, fazendo uma espécie de dispositivo de Lila. Ambas trabalham bem juntas, com uma química legal. Especialmente quando saem à noite fazendo o trabalho que a polícia deveria estar fazendo e, eventualmente, atirando em pessoas ligadas à morte do filho de Lila.

Tirando Davis e Lopez, o elenco não possui atores famosos, com exceção da participação de Shea Whigham, como detetive responsável pelo caso de Lila.

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A vingança em si não é lá grandes coisas em LILA & EVE, com algumas ceninhas mais tensas, uns tiros aqui e ali, mas de vez em quando quase aparece em segundo plano na trama quando se olha para o filme como um todo. O foco é mais no peso dramático, na luta de Lila em confrontar seus sentimentos, sua vida cotidiana e na relação com Eve, uma ajudando a outra a seguir em frente ou, ocasionalmente, planejando seus próximos passos para a vingança.

Como já disse, LILA & EVE foi lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar, e chegou em DVD para locação, além de estar disponível para compra ou aluguel digitais nas melhores plataformas virtuais. O DVD chegará às lojas em Outubro e é altamente recomendado para quem curte um thriller de vingança fora do convencional, com excelentes atuações e até algumas boas sacadas de roteiro (o twist no final me pegou de surpresa!).

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A MORTE NOS SONHOS (Dreamscape, 1984)

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Não sei porque nunca havia conferido DREAMSCAPE antes. Devo ter tido azar na infância, nunca peguei passando na TV, não lembro de ter visto nas locadoras. E embora soubesse da sua existência quando já não era mais moleque, acabava empurrando pra frente. Pensei até que DREAMSCAPE fosse mais um rip-off de Indiana Jones por algum motivo e isso me desanimava. Não que eu não goste de rip-off de Indiana Jones, mas nunca tava no clima pra encarar este aqui. Na verdade, o verdadeiro motivo que me fazia pensar tal coisa era o cartaz maldito deste filme, que toda vez que via me parecia uma cópia descarada de OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA. Não estou zoando, podem comparar e tirar suas próprias conclusões:

Enfim, DREAMSCAPE foi um dos filmes mais legais que assisti nos últimos dias. E não! Não tem NADA A VER com qualquer aventura de Indiana Jones. Na verdade é uma ficção científica divertidíssima, bem movimentada e aterrorizante que lembra mais um outro filme, atual, de um certo Christopher Nolan… DREAMSCAPE explora algumas noções fascinantes envolvendo a natureza dos sonhos e o desejo de poder controlá-los. Em seguida, dá um passo adiante com a hipótese de ser capaz de entrar nos sonhos de outras pessoas e salvá-los de algum tormento, pesadelo ou até mesmo matar o indivíduo que sonha.

Dennis Quaid interpreta Alex Gardner, um jovem com poderes mentais extraordinários, que é recrutado por Max Von Sydow para se juntar a um projeto experimental secreto que permite que uma pessoa se torne um participante ativo dos sonhos de outrem. Alex é um bocado cético quanto a sua finalidade, mas começa a acreditar na potencialidade do projeto depois de entrar no universo dos sonhos de algumas cobaias. Por exemplo, os pesadelos de um menino onde ele ajuda a combater um sinistro monstro, metade homem, metade cobra, que tormenta as noites do pobre garoto.

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Christopher Plummer, que vive um engravatado do governo, planeja usar tal tecnologia para enviar um assassino (o sempre excelente David Patrick Kelly) para dentro dos sonhos do presidente dos Estados Unidos (Edward Albert). No calor do último ato, Alex entra no sonho do presidente para salvá-lo de Kelly, que domina o universo dos sonhos como ninguém, podendo lutar como Bruce Lee, se transformar no homem-cobra e fazer suas unhas se tornarem grandes e afiadas como facas (como Freddie Krueger, outro personagem de unhas letais que ataca nos sonhos de suas vítimas… Coincidência? Ambos filmes, este aqui e A HORA DO PESADELO, foram lançados no mesmo ano).

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Algumas sequências são impressionantes e não vão sair da memória tão cedo. Especialmente as que acontecem nos sonhos: há uma incrível que se passa no alto de um arranha-céu; o garotinho cortando a cabeça do “homem-cobra”; o sonho “molhado” da secretária do projeto, interpretada pela Senhora Spielberg, Kate Capshaw; e o grande final, com Alex dentro do sonho do presidente, encarando uma horda de zumbis num mundo pós-apocalíptico. Continuar lendo

THE TWILIGHT ZONE: THE MOVIE (1983)

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Aproveitando a maratona ALÉM DA IMAGINAÇÃO, que comecei esses dias, vamos falar então da atualização que este clássico da televisão, criado pelo grande Rod Serling, recebeu nos anos 80. Mas estou falando do filme, THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, e não da própria série de TV que retornou nos anos 80 e que teve três temporadas entre 1985 e 1989.

Em 1983, Steven Spielberg produziu e co-dirigiu THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, versão cinematográfica do seriado. A ideia era reunir alguns dos nomes mais interessantes do cinema de fantasia e horror do período e compilar no formato de antologia um longa que fizesse uma homenagem aos clássicos episódios de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, mas também aproveitar dos novos recursos e tecnologias que os anos 80 possuíam em relação ao período em que o seriado clássico fora produzido.

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Além do próprio Spielberg na direção, temos Joe Dante (GREMLINS), George Miller (série MAD MAX) e o grande John Landis (UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES), que é um sujeito que eu tenho dado uma atenção especial aqui no blog recentemente. E obviamente não poderia deixar de citar  THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE como um dos seus principais trabalhos. Não apenas pelo seu talento envolvido nesse projeto, mas por ter acontecido aqui, exatamente aqui, sob a sua direção, a maior TRAGÉDIA já ocorrida e filmada na história do cinema. Mas já vamos falar sobre isso…

Antes, é preciso ressaltar que Landis é o único dos quatro diretores que teve um trabalho extra em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE e realizou também o prólogo. Esta introdução é uma história bem curtinha, no qual temos os astros Dan Aykroyd e Albert Brooks num carro ao longo de uma estrada no meio da noite. Entediado, eles começam a fazer joguinhos para passar o tempo, como tentar adivinhar temas de programas de TV, discutem a série ALÉM DA IMAGINAÇÃO clássica e até que ponto era assustador e tal…. O diálogo é ótimo e eu poderia ver duas horas de filme só com esses dois papeando! Até que em determinado momento, Aykroyd decide mostrar a Brooks algo REALMENTE assustador…

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É uma boa maneira de começar as coisas. Mantém o público ligado porque desconfiamos que alguma coisa vai acontecer, mas não se sabe o que… E configura de forma eficiente o clima do que está por vir em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE. Aykroyd e Brooks têm uma química excelente e é uma pena que nunca tenham trabalhado juntos de novo. Esse pequeno segmento é um dos mais memoráveis de todo o filme – se não for uma das melhores cenas de abertura de qualquer filme de qualquer gênero, de qualquer época…

É de John Landis também o primeiro episódio da antologia. Chama-se TIME OUT e é um típico conto clássico de ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Estrelado por Vic Morrow, vivendo um sujeito preconceituoso, que entra em um bar e insulta todas as minorias possíveis. Quando sai do local, ele simplesmente volta no tempo e se encontra na Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, e todos os nazistas pensam que ele é judeu. Então o prendem e tentam levá-lo para um campo de concentração. Mas então outras viagens temporais entram inexplicavelmente na sua jornada. É, por exemplo, confundido pela KKK, que pensam que ele negro e tentam pendurá-lo pelo pescoço, ou logo depois, quando termina no Vietnã em mais situações em que se vê confrontado pela sua raça ou cor de pele…

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Mas para além da “lição de moral” que o episódio passa, fica um gosto amargo assisti-lo depois de saber que foi  durante as filmagens deste pequeno segmento que Vic Morrow morreu tragicamente num acidente. Mas a coisa foi bem mais desagradável. A cena do episódio é a seguinte: Morrow carregava duas crianças em seu colo enquanto um helicóptero sobrevoava para resgatá-los. E agora já não é mais ficção, é a realidade: O helicóptero deu pane por conta das explosões no cenário, caiu e sua hélice em movimento simplesmente decapitou Morrow E AS DUAS CRIANÇAS. E as câmeras filmaram tudo isso. Apesar de não dar para ver muita coisa (a cena acontece num lago e quando a hélice bate nas vítimas, vê-se mais água do que alguma possível violência), não vou postar o video aqui, mas é fácil de encontrar no youtube.

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O ALVO DA MORTE (Target, 1985)

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Mais um Hackman pintando por aqui. Achava que com esse O ALVO DA MORTE não teria erro depois de assistir a dois ótimos filmes desse período e estrelado pelo ator. Mais uma vez temos Hackman pagando de badass num thriller de ação dirigido pelo veterano Arthur Penn (BONNIE & CLYDE)… Então, imaginem a frustração, lá pelas tantas, quando descobri que já estava numa furada. Não que o filme seja horrível, a trama até que é interessante, mas não tem nada muito marcante, não consegui entrar muito no clima e algumas soluções me incomodaram bastante na maior parte do tempo.

Hackman é Walter Lloyd, um sujeito pacato de Dallas, administrando uma madeireira, mas que esconde um passado sombrio. O sujeito tem uma relação distante com seu filho (Matt Dillon) e o casamento já teve dias melhores, tanto que sua esposa (Gayle Hunnicutt) resolve tirar umas férias na Europa totalmente sozinha. Antes de viajar, no entanto, ela pede que Walter tente dar uma atenção ao filho, o que acaba acontecendo. São forçados a isso quando um telefonema acorda Walter no meio da noite com a informação de que sua mulher está desaparecida há mais de 48 horas.

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Pai e filho partem para a Europa e, não demora muito, descobrem que a mulher foi sequestrada. E aos poucos Walter vai revelando para o filho (e também para o espectador) detalhes do seu passado desconhecido, como por exemplo, ser um espião da CIA aposentado, que comandou várias operações especiais internacionais ultra-secretas durante a Guerra Fria. Tentando libertar sua esposa, Walter se vê num fogo cruzado entre os sequestradores de sua mulher, que por algum motivo querem encontrá-lo com vida, e outras pessoas que querem matá-lo antes que ele encontre os sequestradores.

Sim, a trama é, aparentemente, intrincada, mas que poderia fluir com mais leveza. Ao invés disso, a mão dos realizadores pesou e O ALVO DA MORTE acaba pecando por situações que não levam a lugar algum e diálogos maçantes que me fizeram soltar grandes bocejos. A química entre Hackman e Dillon não funciona como pai e filho, embora haja um grande esforço do filme em trabalhar o tema, e são poucas as sequências de ação que realmente empolgam.

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Hackman acaba por ser a grande virtude de O ALVO DA MORTE. É quem segura o filme e faz manter o interesse pela trama central. Infelizmente não me lembro de mais nada para elogiar. Algum momento e outro de tensão, talvez, como a cena do assassino que invade o quarto de Walter… Meia hora a menos já faria um bem danado ao ritmo do filme, poderia ter rendido um pequeno thriller divertido se fosse mais enxugado, com algumas doses de ação mais caprichadas, mas simplesmente desperdiçaram qualquer possibilidade disso acontecer.

Foi a última colaboração entre o diretor Arthur Penn com Hackman, que começou em BONNIE & CLYDE (67) e continuou em NIGHT MOVES (75). O diretor já não faria muitas coisas depois de O ALVO DA MORTE… Dois longas, alguns trabalhos para a TV. Mas teve uma carreira sólida, com alguns filmes realmente brilhantes que valem a pena conhecer. Morreu em 2010.

ENTREGA MORTAL (The Package, 1989)

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Houve um tempo em que Gene Hackman ensaiou uma de se transformar num herói de ação badass. Isso aconteceu especialmente nos anos 80 e início dos 90. Nada muito exagerado como fora sua “concorrência” no período, como Stallone, Schwarza, Van Damme… Também não foram muitos filmes assim, mas temos DE VOLTA PARA O INFERNO, O ALVO DA MORTE, DE FRENTE PARA O PERIGO, COMPANHIA DE ASSASSINOS, tem até a comédia de ação UM TIRO QUE NÃO DEU CERTO. Como Hackman era um baita ator, hoje gozando de sua merecida aposentadoria, vou dar uma debruçada nessa fase action hero dele a pedido de um leitor. Começando pelo thriller político ENTREGA MORTAL.

Hackman é Johnny Gallagher, um oficial do exército americano encarregado de transportar um soldado prisioneiro (Tommy Lee Jones) de volta aos EUA para a corte marcial. Já em solo americano, o soldado escapa e Gallagher descobre da pior maneira possível que se meteu numa encrenca daquelas, numa trama internacional intrincada envolvendo espiões, mercenários, polícia, o próprio governo e até mesmo uma conspiração com planos terroristas.

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Contando com a ajuda de sua ex-mulher, Eileen (Joanna Cassidy), e de um detetive de Chicago, Delich (Dennis Franz), Gallagher precisa agora encontrar de volta o seu “pacote”, ou seja, o soldado que escapou (o package do título original), no qual ele descobre se tratar de um assassino profissional contratado que precisava entrar nos EUA sem um passaporte para realizar sua missão – o assassinato do presidente dos Estados Unidos. Continuar lendo

O EMBAIXADOR (The Ambassador, 1984)

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Hoje assisti a’O EMBAIXADOR, uma produção da Cannon Films, estrelada por um velho Robert Mitchum, só pra não perder o costume aqui no blog. O filme foi uma das oito colaborações entre os notórios produtores israelenses, Golan & Globus, com o mestre subestimado do cinema de ação clássico J. Lee Thompson (OS CANHÕES DE NAVARONE) e trata-se de um dos thrillers políticos dos mais sinceros que eu já vi.

O roteiro nem é lá grandes coisas e, na trama, temos Mitchum vivendo um embaixador americano em Israel tentando selar a paz entre judeus e palestinos, tema que até hoje é complicado de tratar. Mas os esforços do sujeito são dificultados quando sua esposa (Ellen Burstyn) acaba pulando a cerca e é filmada na cama com um dos líderes da OLP (Organização para a Libertação da Palestina). A coisa é tão ingênua que as ideias do embaixador para a paz no local é tentar reunir jovens estudantes palestinos e israelenses para conversar, bater um papinho, acender umas velas, gritar por paz… Mas Mitchum passa tanta segurança e credibilidade no seu desempenho que não fica muito difícil relevar certa inocência.

Mas o grande destaque de O EMBAIXADOR é a presença de Rock Hudson, em sua última performance. O sujeito parece se divertir como o braço direito e conselheiro de segurança da Mitchum, e não aparenta nenhum sinal de alguém que sofria com o vírus da AIDS. Hudson morreria um ano depois.  Continuar lendo

MOSCOU CONTRA 007 (From Russia with Love, 1963)

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Escrevi sobre 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO ano passado e já me bateu saudade do espião britânico, encarnado aqui ainda por Sean Connery. MOSCOU CONTRA 007, o segundo capítulo da série, novamente dirigido pelo Terence Young, é um dos filmes do agente secreto que eu menos me recordava. Tirando a luta entre Bond e um assassino russo chamado Grant (Robert Shawn) dentro de um vagão de trem, eu tinha pouca coisa em mente da trama, dos personagens, de cenas… não lembrava de mais porra nenhuma! A revisão que fiz recentemente valeu, portanto, por dois motivos: primeiro pra redescobrí-lo, obviamente. Segundo, para notar que é um dos meus filmes favoritos de toda a série de James Bond.

MOSCOU CONTRA 007  é sério, inteligente, dramático, com a ação mais concentrada na caracterização e no clima de suspense, bem ao estilo mais clássico dos filmes de espionagem. Em comparação com o episódio anterior, é uma melhoria gigantesca sobre DR NO, com melhor ritmo e uma trama bem mais elaborada e interessante, na qual Bond tem a missão de capturar uma máquina de decodificação russa, sem saber que está sendo manipulado pela famigerada SPECTRE para causar um mal estar entre os governos britânicos e Russos e, em suma, foder os dois países.

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Quem acompanha os filmes do espião, deve ter percebido que à medida em que a série progrediu, houve uma tendência a focar mais na ação exacerbada, no espetáculo visual e até os enredos em alguns episódio eram voltadaos para isso. MOSCOU CONTRA 007, assim como DR. NO é a antítese dessa abordagem mais popular. Um filme que mantém o público em seus assentos com suspense e atmosfera ao invés de perseguições e explosões. Até mesmo o duelo entre Bond e Grant acontece na maior parte do tempo de maneira mais psicológica do que física, a não ser quando o confronto é inevitável no vagão do trem. Ambos são caras inteligentes e vê-los nessa peleja de uma forma lógica é uma das melhores coisas de um thriller de espionagem. É claro que o filme tem algumas pirotecnias, mas a cena de ação mais memorável é a já citada brutal e grosseira luta entre Bond e Grant nos apertados confins de um compartimento de trem. E que está a milhares de anos luz de uma batalha de armas lasers no espaço, como acontece com 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE.

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E antes que me entendam mal, não estou criticando filmes mais focados na ação e menos no fator humano, com tiroteios espetaculares, explosões e perseguições exagerados. Até porque adoro essas coisas. Estou apenas apontando que há essa diferença de tom entre os primeiros 007 com do final da década de 70, por exemplo, que era o auge do exagero “jamesbondiano“…

MOSCOU CONTRA 007 ostenta a estreia de dois elementos cruciais da série e que não haviam em DR. NO (além de ser o único filme da série que o protagonista não diz a sua famosa apresentação “Meu nome é Bond, James Bond“): possui a primeira sequência de pré-créditos e a aparição de Desmond Llewelyn como Q, aqui chamado por seu nome real, Major Boothroyd. A importância de Q para os filmes é óbvia para aqueles que, como nós, amam as engenhocas, as armas e equipamentos secretos que Bond utiliza para se safar…
Já a cena de pré-créditos é interessante saber que não era algo originalmente planejada. Foi o editor Peter Hunt (que mais tarde viria a se tornar diretor, e dos bons, tendo até realizado o meu 007 favorito, 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE) veio com a idéia quando estava montando o filme. É nessas horas que percebo porque alguns dos melhores diretores veio da edição e como o trabalho de montagem pode ser tão criativo e crucial para um filme. Aliás, a sequência pré-título é genial, com Grant perseguindo e matando um sósia de Bond num grande jardim, deixando o público ciente da ameaça letal que o espião irá encarar.

Os produtores de MOSCOU CONTRA 007 estavam tão confiantes com o sucesso deste segundo filme que não hesitaram a anunciar já um terceiro exemplar nos créditos finais: “James Bond retornará no próximo thriller de Ian Fleming, GOLDFINGER“.

WESTWORLD (1973)

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Já faz uns bons anos que assisti a WESTWORLD, de Michael Crichton, mas como saiu agora essa série da HBO e muita gente tem elogiado (e eu ainda não parei pra ver), vale a pena relembrar essa pérola dos anos 70.

Há uns tempos atrás eu tinha um preconceito besta com o Crichton por causa das alterações que fez em O 13° GUERREIRO, que na minha cabeça teriam estragado a visão do John McTiernan, que era o diretor da parada e um dos poucos gênios do Studio System dos últimos trinta anos. Mas, quem sabe, o “filme do McT” já era ruim e o Crichton como produtor tentou consertar? Enfim… Acho que nunca vamos saber, é pouco provável que esse filme ganhe uma director’s cut. De todo modo, eu tinha a impressão de que o Crichton era um filho da puta sem talento querendo impor sua vontade nos filmes que produzia. Claro que isso foi mudando com o passar dos anos, fui descobrindo que o cara sempre foi um interessante escritor, roteirista e diretor, que deu uma contribuição ímpar para a fase cerebral do cinema de ficção científica nos anos 70… E tudo isso começou quando vi WESTWORLD.

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A ideia de parque-temático-que-dá-uma-merda-daquelas é algo que parece interessar ao Crichton. Uma de suas obras mais famosas, por exemplo é justamente JURASSIC PARK, que o Spielberg adaptou nos anos 90… Em WESTWORLD temos a Delos Corporation, uma empresa de entretenimento que cria um recinto definitivo para as férias num futuro não muito distante. Consiste em parques temáticos sofisticados que recriam épocas passadas – um mundo medieval, o império romano e um velho oeste, chamado Westworld. A graça da brincadeira é que o usuário encara essas realidades forjadas interagindo com robôs de altíssima geração. Cada um desses mundos é povoado por androides que são quase impossíveis de distinguir de pessoas e animais reais e os hóspedes podem fazer tudo o que desejam aos robôs. Qualquer coisa mesmo! Eles podem atirar neles. Eles podem fazer sexo com eles. Não há regras. E o principal, a tecnologia é tão avançada que é impossível para um robô causar algum dano em um ser humano. Então, nada pode dar errado, não é?

Grande parte da força de WESTWORLD é por essa visão ácida, satírica e consciente sobre a indústria do entretenimento. É como se Crichton já estivesse, há mais de 40 anos, prevendo a ambição das companhias em proporcionar o máximo de experiência interativa dos usuários, algo que hoje já é uma realidade. Cinema 3D, 4D, sei lá quantos D’s, óculos de realidade virtual, video-games hiper-realistas, escape rooms e simuladores com elementos de filmes, até mesmo parques temáticos que colocam o individuo em cenários cinematográficos já existem aos montes por aí. Só falta os robôs para chegarmos a WESTWORLD. Quero dizer, ainda falta também deixarem o moralismo hipócrita de lado e focar naquilo que realmente importa, a verdadeira atração da parada, que é oferecer violência e sexo de uma maneira segura e ilimitada, essa liberdade de regras que é a principal atração neste futuro distópico. Sexo e violência sem culpa.

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Esse subtexto é  tão atual e relevante que agora, mais de 40 anos depois, temos um seriado reformulando todas essas ideias. Bem, pelo menos espero que estejam…

Na trama, Peter Martin (Richard Benjamin) e John Blane (James Brolin, que tá a cara do Christian Bale) escolheram Westworld para suas férias. E simplesmente não conseguem acreditar como é tudo é tão real e agradável. Passada meia hora no local, Martin já está se divertindo por ter matado seu primeiro pistoleiro, o sinistro Black Bart, obviamente um robô, vivido pelo grande Yul Brynner. Depois é festejar no puteiro local. E as garotas podem ser artificiais, mas sabem exatamente como fazer a alegria de um homem… Uma das coisas que mais gosto em WESTWORLD é o fato de que os dois protagonistas não sejam lá muito simpáticos, isso acrescenta mais munição à sátira de Crichton. Eles não são rapazes inocentes e suas ideias do feriado ideal é gastar a metade de seu tempo disparando em robôs e a outra comendo putas de lata.

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Nos bastidores do parque vemos a ação dos homens de casacos brancos, os técnicos que fazem a roda girar, apesar de muito do funcionamento do parque ser completamente automatizada, controlado por computadores poderosos. A tecnologia é tão complexa que os técnicos humanos não conseguem compreender totalmente a coisa toda – até porque muitos dos robôs e outras características do parque foram projetados pelos próprios computadores. Os técnicos humanos simplesmente encaixam peças de reposição nos robôs danificados.

Há algumas falhas ocasionais, mas estão dentro dos limites previstos. Mas quando começam a ser constantes sem nenhuma razão aparente os técnicos começam a observar que as ocorrências seguem o mesmo padrão de doenças infecciosas. É como se houvesse um vírus dentro do sistema infectando os robôs. E uma vez que eles estão lidando com máquinas projetadas por outras máquinas é extremamente difícil agir com esses problemas inesperados. Tudo isso pra enfatizar que quando a merda explode no ventilador, é melhor fugir pra bem longe o mais rápido possível, porque não há muito o que fazer… Uma cascavel de lata ferir um convidado ou uma prostituta medieval robótica rejeitar uma tentativa de sedução, são coisas aceitáveis dentro do programa, mas quando um dos hóspedes é assassinado à tiros num duelo por um pistoleiro androide, é porque já deu merda mesmo… Especialmente quando esse androide é o Yul Brynner, que está simplesmente impagável, totalmente fora de controle tocando o terror. Um pré-TERMINATOR que deixa um rastro de corpos por onde passa. Genial.

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WESTWORLD é este filmaço que aparenta ser. Inteligente, com substância, reflexão e ao mesmo tempo muito divertido. Faz parte de uma era de ouro da ficção científica quando o gênero possuía mais filmes sobre ideias do que sobre efeitos especiais (embora os daqui sejam ótimos para a época). E me fez fazer as pazes com o seu diretor, que manda bem por aqui. Um sujeito legal e bastante subestimado cuja obra precisa ser olhada com mais atenção. WESTWORLD ainda possui uma continuação, FUTUREWORLD (76), com o Peter Fonda e dirigido pelo Richard T. Hefron, outro cara foda que acabou no esquecimento. Nunca vi essa continuação…

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Os anos 70 nos brindou ainda com outra pérola inspirada em WESTWORLD, só que com um bocado de mais… digamos, sacanagem. Acho que deve valer a pena conhecer este aqui:

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ESPECIAL DON SIEGEL #28: O TELEFONE (Telefon, 1977)

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A essa altura do campeonato, Don Siegel já tinha dirigido John Wayne, Steve McQueen, Lee Marvin, Eli Wallach, Richard Widmark, entre outros grandes… Mas o encontro do diretor com um dos maiores astros do cinema badass setentista deveria ter causado uma explosão atômica em termos cinematográficos! Infelizmente não chegou nem perto de ser isso tudo. O que não significa que O TELEFONE, estrelado por Charles Bronson, seja ruim. Um trabalho menor, com certeza, longe dos holofotes de ambos indivíduos, mas que ainda possui imenso interesse como thriller de ação e espionagem. Convenhamos, um filme de ação menor dirigido pelo Siegel e estrelado pelo Bronson em plenos anos 70 ainda é melhor do que 90% do que é feito no gênero nos padrões atuais…

E olha que a ação aqui é mínima, simples e seca, mas se você aceitar a lógica do filme, é bem capaz de entrar num estado de tensão que mantém a diversão do início ao fim. Trata-se de um dos filmes de espionagem com a Guerra Fria de pano de fundo dos mais bizarros que eu já vi. A começar pelo Bronson interpretando um agente secreto soviético… Sim, um filme americano sobre espiões na guerra fria no qual um agente soviético, encarnado pelo Charles Bronson, é o herói…

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Na verdade, herói não seria o termo certo. O filme nunca define para quem devemos torcer, parece que todo mundo tá fazendo merda ou consertando merda de alguém. Mas a trama é um puta achado! A missão de Bronson ir até os Estados Unidos e matar Nicolai Dalchimsky (Donald Pleasence), um ex-KGB que roubou uma lista de nomes de agentes secretos russos infiltrados em várias cidades na terra do Tio Sam. O problema é que, e aí é que entra a graça do filme, esses tais agentes russos, na verdade, sofreram lavagem cerebral e não fazem a menor ideia de que são espiões. Inclusive pensam que são autênticos americanos. Mas basta dar-lhes um comando de voz, um código, para ativar o cérebro desses indivíduos e fazer com que cumpram a missão que lhes foram incumbidos, que basicamente se resume a ataques suicidas e explosivos em pontos militares estratégicos.

Outra questão é que este programa soviético de ataque, intitulado “Telefon”, foi desligado há quinze anos e os próprios alvos que deveriam ser destruídos já não possuem mais tanto valor… No entanto, Nicolai tem a lista de nomes de todos esses agentes, os números de seus telefones e, principalmente, o código de ativação da mente – um poema de Robert Frost – que faz os malucos explodirem coisas. E os russos já não têm intenção de iniciar uma terceira guerra mundial a essa altura, portanto, Bronson entra em cena pra tentar impedir que isso aconteça…

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A missão de Bronson é, naturalmente, Top Secret, uma vez que toda a ideia gira em torno de liquidar Nicolai antes dos americanos descobrirem o que está acontecendo, quem está praticando esses atentados – seria muito embaraçoso para os soviéticos ter que admitir que um programa como “Telefon” sequer existe. A coisa só piora para a KGB, uma vez que os caras nunca se preocuparam em informar o premier soviético de sua existência. E não informaram pelo motivo mais besta possível… Porque esqueceram.

Chegando aos Estados Unidos, Bronson conta com a ajuda da espiã Barbara, encarnada por Lee Remick, a qual o sujeito não pode revelar muitas informações sobre sua missão, e conta apenas o mínimo que ela precisa saber para ajudá-lo. O que ele não sabe é que Barbara também esconde alguns segredos, como pro exemplo, matar o pobre Bronson assim que ele cumprir sua missão…

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O fato de interpretar um espião soviético não parece fazer muita diferença a Bronson, que não faz mais que sua  figura habitual , caladão, carrancudo, mas ao mesmo tempo simpático e muito à vontade. É o tipo de coisa que admiro no sujeito e ele fez tão bem, desempenhando um personagem frio e inexpressivo, mas com uns momentos de ruptura inesperada, com algumas piscadelas, um sorriso de “eu sou foda” e um brilho nos olhos.

Lee Remick também faz sua graça, com uma atuação mais alto astral, como se estivesse numa comédia romântica… O que funciona muito bem como um contraste do protagonista, embora também passe por uma fria assassina quando necessário. Já Donald Pleasence não tem muito tempo pra desenvolver um vilão interessante, apesar de sua presença em cena ser sempre marcante, mesmo usando uma peruca à Elton John de vez em quando… Culpa do roteiro (que tem Peter Hyams como um dos responsáveis), que fica mais preocupado em avançar com a história do que dar atenção ao vilão, mas acaba funcionando nas mãos de Siegel, que consegue dar ritmo a O TELEFONE com habilidade de um mestre, sem muita enrolação, mantendo o filme, de um modo geral, divertido.

O TELEFONE pode não ser lá um filme perfeito e não é todo mundo que consegue entrar no clima, mas tem essa trama maluca, boas atuações e o Charles Bronson interpretando um russo, ou seja, curioso o suficiente para entrar nas listas tanto dos fãs do Siegel quanto do Bronson.

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ESPECIAL DON SIEGEL #26: O MOINHO NEGRO (The Black Windmill, 1974)

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Assisti outro dia a O MOINHO NEGRO pela primeira vez para adiantar este especial eterno aqui no blog. Trata-se de um thriller de espionagem que o Siegel fez lá pelos lados da Europa e meio que sumiu dos radares entre os filmaços que o homem fez nos anos 70, pós DIRTY HARRY e CHARLEY VARRICK. Andei lendo algumas críticas da época e outras que saíram já na era da internet e é curioso como a grande maioria desdenha da obra, que realmente não está a altura dos melhores filmes do sujeito, mas é legal, não deixa de ser interessante, tem vários momentos ótimos. E tem um Michael Caine encabeçando o elenco (que é fantástico e conta com a presença do grande Donald Pleasence), além do climão de policial europeu que de alguma forma dá um charme a mais ao filme e faz uma boa combinação com o estilo secão do Siegel.

John Tarrant (Caine), um agente MI6, serviço secreto britânico, descobre que seu filho, David, foi sequestrado por uma quadrilha chefiada por um sujeito carrancudo, McKee (John Vernon), e seu resgate deverá ser pago com uma certa quantia de diamantes que seu departamento secretamente obteve para uma operação qualquer, ou então o moleque vai sofrer as consequências… Para piorar a situação, os bandidos ainda forjam várias situações que incriminam Tarrant, fazendo parecer que ele faz parte do esquema, algo que seus superiores acabam acreditando, incluindo o desajeitado Cedric (Pleasence). E é nessa situação “Hitchcockiana” e com uma face dura como uma pedra, sem demonstrar qualquer sentimento – “Fomos treinados para isso” – que Tarrant resolve agir por conta própria para ter seu filho de volta.

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Uma dessas ações é justamente roubar os diamantes de seus chefes, que recusaram a negociar com os sequestradores, e levar sozinho à Paris para rastrear os facínoras. Ao final, toda a investigação o leva ao moinho negro do título, onde descobre-se os motivos do sequestro e quem realmente está por trás de todo o esquema, com direito a uma troca de tiros de metralhadora filmada do jeitinho classudo e cru do Siegel, bem diferente da ação dos filmes na época do espião britânico mais famoso, James Bond. Aliás, Caine é um espião do tipo intuitivo que usa mais cérebro que músculos, o que pode ser uma das razões do fracasso de crítica e bilheteria… Apesar da cena típica de um 007, com o herói sendo apresentado a uma arma secreta, uma maleta que dispara tiros.

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O fato é que O MOINHO NEGRO é bem paradão na sua primeira metade, meio enrolado e demora mais que o necessário para engrenar, além de uns furos de roteiro muito mal explicados… Mas Siegel consegue manter as coisas no lugar com uma boa atmosfera britânica e química entre os personagens. Nas mãos de algum diretor mais convencional, por exemplo, a relação de Tarrant e sua esposa, que o culpa a princípio, pelo sequestro do filho, poderia soar piegas e dramático demais, algo que não acontece… Enfim, mesmo com alguns probleminhas, O MOINHO NEGRO não deixa de interessar e até mesmo empolgar os amantes de um bom thriller setentista e também aos fãs do bom e velho Don Siegel.

ESPECIAL DON SIEGEL #25: O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA (CHARLEY VARRICK, 1973)

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por MARCELO NARDI

Os anos 70 foram tão grandiosos para o cinema que além da ascensão dos jovens diretores da geração Nova Hollywood, havia os veteranos como Sam Peckinpah, Robert Aldrich e Don Siegel no auge de suas carreiras engenhando filmes de ação geniais como THE GETAWAY (1972), EMPEROR OF THE NORTH (1973) e CHARLEY VARRICK (1973). Estes trabalhos ainda hoje reverenciados retém uma atmosfera e energia raramente recriada nos dias atuais. São poucos os diretores que conseguem reproduzir 15% da truculência setentista. CHARLEY VARRICK aka O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA é um filme que engloba diversas características desta década e penso que não poderia ter sido feito em outra época com os mesmos resultados.

Em todos os melhores filmes do Don Siegel antes mesmo de 1973 (THE KILLERS, THE BEGUILED, DIRTY HARRY, HELL IS FOR HEROES, COOGAN’S BLUFF, MADIGAN) permeia onipresente uma espécie de violência febril, seja em forma de ameaça ou em forma física. Em CHARLEY VARRICK não podia ser diferente, inclusive fica transparente que a ambientação e algumas situações do enredo são ainda muito bem utilizadas nas tramas de alguns dos melhores filmes e seriados de crime modernos – KILLING THEM SOFTLY do Andrew Dominik, NO COUNTRY FOR OLD MEN dos irmãos Coen e a série BREAKING BAD – só para citarmos três exemplos onde se percebe a influência da obra.

Os créditos de O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA apresentam ao espectador a rotina de uma pacata cidade do interior americano do Estado Novo México, daquelas com apenas uma escola, um mercado, uma delegacia e um banco. Pois é justamente este banco que logo nas primeiras cenas é violentamente assaltado com trágicas consequências para ladrões, funcionários e policiais.

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Após uma fuga explosiva, entre mortos e feridos, contemplando cenas de ação provindas do melhor cardápio do diretor, começamos acompanhar o cabeça do roubo, o astuto Charley (Walter Matthau) e o seu jovem beberrão e inexperiente comparsa e funcionário Harman Sullivan (Andrew Robinson), mesmo ator que interpretou o serial killer em DIRTY HARRY, aqui em um papel bastante diferente. Os sujeitos queriam apenas fazer um roubo prático e não muito ambicioso em um banco pequeno e esperavam sair com uns 20/30 mil dólares, porém na contagem pós-fuga são surpreendidos com mais de meio milhão de dólares em dinheiro. Acontece que a imprensa noticia no rádio e na televisão que foram roubados apenas algo em torno de dois mil dólares.

E é nesse jogo de mentiras que fica evidente para Charley que eles roubaram “dinheiro marcado”, dinheiro lavado proveniente de apostas, drogas e prostituição, portanto dinheiro da máfia e o sujeito inteligente sabe que roubar da máfia é uma sentença de morte. Charley Varrick conclui que terá que olhar por cima dos ombros a cada minuto e a partir desse momento terá que bolar planos ardilosos para se livrar do perigo. Em um dos melhores diálogos do filme, Charley tenta explicar para o seu não tão inteligente comparsa, que seria melhor ser perseguido por 10 agentes do FBI, do que ser perseguido pela incansável organização criminosa, que não sossegará até conseguir o seu dinheiro de volta e mais importante, não descansará até punir de forma exemplar os responsáveis pelo transtorno.

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A partir daquele momento, trabalhando para os donos deste dinheiro, está o brutamontes Molly (Joe Don Baker), camarada de chapéu e cachimbo que parece ter saído diretamente de um faroeste com a missão de colher informações, identificar e ir atrás dos ladrões e não economizar brutalidade quando for necessário (e quando desnecessário também não faz mal). Destaque para a atuação de Joe Don Baker que rouba o filme toda vez que está em cena, como o assassino de aluguel de poucas palavras e de postura ameaçadora e arrogante, intimidando gerentes de banco, mulheres e até mesmo idosos, em uma vertente contínua do politicamente incorreto, mas cinematograficamente permitido.

A curiosidade é que o papel de Molly originalmente foi escrito para Clint Eastwood que recusou o trabalho, por supostamente não ter achado nenhuma característica redentora no personagem que o motivasse a interpretá-lo. Como consequência disto, uma piada interna foi lançada em uma das cenas. Ao adentrar uma sala, Joe Don Baker se apresenta “Eu sou Molly” e recebe a seguinte resposta: “Eu pensei que você fosse o Clint Eastwood”.

A estrutura narrativa do filme é bastante solta e permite ao espectador se divertir com as situações que são criadas em diferentes cenários (prostíbulos, trailers no deserto, lojas de armas, estúdios fotográficos de passaportes clandestinos, escritórios e armazéns) incluindo uma genial ponta do diretor, que aparece em uma cena jogando ping-pong com gangsteres chineses!

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Além de um verdadeiro filmaço, pode-se considerar CHARLEY VARRICK um claro ápice na filmografia do diretor, aqui ele consegue trabalhar com todos os elementos do seu cinema na maior liberdade, em campo aberto entre uma paisagem e outra, mantendo um ritmo preciso e inserindo excelentes cenas de ação que culminam no sensacional clímax do filme que envolve três personagens, um carro e um avião. Um dos motes do filme que se evidencia pelo título traduzido em português é a perspicácia, inteligência e paciência do protagonista, que prefere resolver sozinho e na surdina todos os seus problemas. Aliás o filme ia se chamar “ O último dos independentes”, mas o título foi alterado de última hora para contrariedade do diretor.

Destaque também para a trilha sonora e a fotografia do filme, é realmente impressionante a beleza dos filmes ambientados no Estado do Novo México. A amplitude das paisagens confere vida ao filme e também regulam as dimensões e ações dos personagens. Trata-se de “cinema físico” da mais alta qualidade, utilizando os espaços internos e externos com máxima eficiência para a trama.

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MAGNUM 44 (Magnum Force, 1973)

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O fato do policial Harry Callahan ter jogado fora seu distintivo ao final de DIRTY HARRY não valeu absolutamente de nada. O filme ganhou esta primeira continuação dois anos depois e logo no início o personagem de Clint Eastwood já aparece de volta agindo como homem da lei, seguindo ainda os seus princípios anti-sistema, algo que os críticos de cinema na época acusaram de fascismo. Bando de chatos politicamente corretos…

Em MAGNUM 44 não temos um mestre como Don Siegel na direção, calhou de ser o pau-pra-toda-obra Ted Post no comando, mas como temos John Milius e Michael Cimino assinando o roteiro fica fácil. Até o Uwe Boll e o Albert Pyun conseguiriam fazer um bom filme.

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Basicamente, o que temos em MAGNUM 44 é uma série de assassinatos inusitados acontecendo, colocando a força policial e “Dirty” Harry para esquentar os miolos. As vítimas são sempre pessoas do mundo do crime. Mafiosos, cafetões, meliantes procurados pela polícia, e o assassino é sempre um policial fardado com o uniforme da polícia de trânsito. Portanto já podemos perceber uma diferença crucial entre DIRTY HARRY e este aqui. Os bandidos não são serial killers com motivos banais, mas justiceiros que decidem iniciar um trabalho de execução para limpar as ruas de São Francisco.

É difícil alguém ter simpatia pelo Scorpio, vilão do primeiro filme, mas com esses caras de MAGNUM 44 você pode pensar “bem, eles agem mais ou menos como o Harry, não? Possuem a mesma ideologia“. E essa é a beleza da coisa. Nós já conhecemos o personagem de Harry, podemos confiar nele, sabemos que só vai atirar em bandidos armados e ainda soltar uma frase cool logo depois. Mas e esse bando de motoqueiros fardados? Quão fina é a linha traçada que separa “Dirty” Harry desses justiceiros? É algo a se pensar, mas parece que o personagem de Clint Eastwood já sabe a resposta e não quer perder muito tempo com estudos sociológicos. Seu negócio é ação.

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E neste quesito MAGNUM 44 se sai realmente muito bem. O diretor Ted Post segue a linha dos cineastas artesãos que sabem fazer a coisa muita bem feita, embora lhes falte o talento de um Siegel ou Peckinpah. Há boas ideias em termos de ação sendo aproveitadas aqui com muita eficiência, como a sequência de perseguição ao final que culmina numa embarcação abandonada e toda a tensão que é construída para deixar o espectador vidrado. Ajuda bastante a presença de Clint Eastwood em cena acrescentando seu habitual toque de classe.

Os assassinatos e o modo de agir dos justiceiros também são destaques. Lembro que foi o que mais me marcou quando era moleque e assisti de uma fita VHS que meu velho gravou da Globo no final dos anos oitenta. A sensação era de estar vendo um filme de horror… Me dava arrepio como tudo era conduzido de forma seca e brutal, o policial pedindo a carteira de motorista do indivíduo e do nada puxava o revolver e mandava chumbo na cabeça. Agora que já sou grandinho a sensação se perde, fica a lembrança. Mas essas cenas ainda possuem muita força.

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Como adiantei no post de DIRTY HARRY de ontem, tenho uma certa preferência por MAGNUM 44 em relação aos outros episódios do policial mais durão de São Francisco. Ok, o filme que originou a série, dirigido pelo mestre Don Siegel, é um autêntico clássico, isso não tenho dúvida alguma, mas este aqui de alguma maneira supera seu antecessor na minha opinião… Não sei, é mais tenso, pesado, é mais nostálgico e divertido, me traz certos sentimentos que o primeiro não traz. Mas também não preciso me justificar tanto, né? Este aqui é um baita filmaço e pronto!

007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (Dr. No, 1962)

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A primeira vez que assisti a 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO, de Terence Young, filme de estreia do agente secreto britânico mais famoso do cinema (e talvez da literatura também), eu devia ter meus onze ou doze anos e já estava bastante familiarizado com o personagem e com vários de seus filmes, especialmente os estrelados pelo Roger Moore em incansáveis reprises na Sessão da Tarde. Portanto eu me esbaldava com o lado pitoresco, divertido e extrovertido da série e lembro de ter achado DR. NO um bocado distante dessa lógica, com tom mais sério e narrativa lenta, apesar de não ter achado ruim. Mas foi um pouco decepcionante, devo confessar…

Evidentemente, ao longo dos anos e de várias revisões toda essa impressão ficou lá na infância. Hoje já considero DR. NO um dos grandes clássicos do período e um exemplar notável de spy movie cheio de cenas marcantes dentro da saga de James Bond, apesar de muitas características notadas naquela primeira olhada serem de fato verdadeiras. O filme realmente tem um tom mais verossímil e sisudo em vários sentidos do que qualquer outro exemplar da série, mas que não signifique que seja algo negativo…

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O filme começa já com típica apresentação de créditos que todos os filmes do 007 possuem, mas sem grande elaboração visual, sem uma canção que tenha virado hit de algum músico ou banda… Na verdade, utilizam a própria canção tema de James Bond, depois muda para um som de ritmo latino e em seguida a famosa musiquinha dos três ratos cegos, onde a partir disso o filme começa em grande estilo, na Jamaica, na qual um agente secreto britânico é assassinado à balas por supostos três ceguinhos…

Depois vamos à Londres. A primeira aparição de Bond em DR. NO, interpretado pelo grande Sean Connery, só poderia ser mesmo jogando cartas com a aristocracia britânica. A câmera enquadra apenas mãos, cartas e uma bela mulher de vermelho que se apresenta como “Trench, Sylvia Trench”, ao que o agente secreto responde, agora com a câmera pela primeira vez enquadrada nele, acendendo um cigarro, “Bond, James Bond”. O sujeito é chamado às pressas ao escritório, mas arranja um tempinho para dar seu cartão à Senhorita Trench com segundas intenções. Ao chegar ao local, James joga seu chapéu no cabideiro, uma outra marca registrada de 007, assim como as brincadeiras sem vergonha com a secretária Moneypenny. Na reunião com seu superior, M, que lhe dá a missão de ir à Jamaica investigar o que anda rolando por lá, Bond tem sua arma substituída por uma Walther PPK, que se tornou conhecida como a clássica arma de James Bond. Achei legal que o protagonista comenta que estava usando sua Beretta por dez anos, ou seja, neste ponto, 007 já é agente MI6 por um tempinho considerável. Agora, eu sei que DR. NO não foi o primeiro romance do espião escrito pelo Ian Fleming (CASSINO ROYALE, no caso), por isso é interessante que já tenham escolhido um episódio mais à frente, para elaborar um personagem com certas características e relações já muito bem estabelecidas, o que contribui bastante para esse pontapé inicial que a série possui.

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Na Jamaica, Bond encontra-se fazendo progressos, mas num ritmo devagar, quase parando… Como disse, DR. NO é muito mais vagaroso do que os filmes do agente secreto que viriam depois, mas ressalto que isso nem sempre é uma coisa ruim. É apenas diferente, com uma narrativa bem mais realista e sem os habituais exageros em sequências de ação mirabolantes. Mesmo assim, não faltam por aqui alguns momentos clássicos e espetaculares, guardando as devidas proporções, para entrar na galeria de feitos dos filmes de James Bond.

Uma das coisas que mais me surpreendeu nessa revisão é a maneira como são mostradas as mortes causadas por Bond. Na maioria dos seus filmes, a matança acontece desenfreada com capangas aleatórios sem rosto definido na tela, o que é legal. Mas em DR. NO a morte é tratada de forma mais pesada, não por serem sangrentas ou brutais, mas acontecem em situações mais realistas, causando mais impacto. Há uma cena em que Bond cria uma armadilha (o clássico travesseiro debaixo das cobertas) e quando um sujeito chega para assassinar o herói, Bond lhe surpreende. 007 coloca o sujeito sentado a uma cadeira, faz-lhe algumas perguntas e então atira no homem à queima roupa…

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Outra cena que ficou na minha cabeça é quando um dos capangas do Dr. No procura por Bond e este lhe pega de surpresa por trás com uma faca, perfurando o sujeito sem apresentar remorso algum. Mel (Ursula Andress) ainda lhe pergunta “Por que?” e ele responde “Porque eu tive que fazer”… E é interessante esse diálogo porque mostra um pouco da personalidade de Bond nesse quesito. Ele não apresenta remorso, mas matar não lhe dá prazer. Apenas tem consciência de que é algo que faz parte do seu trabalho e precisa ser feito. Qualquer vacilo nesse sentido é caixão pra ele…

E já que citei a musa Ursula Andress, o que é a cena da sua clássica aparição? Isso sim é um espetáculo! Excelente maneira de apresentar a primeira Bond Girl, embora só entre em cena mesmo depois de uma hora de projeção, quando Bond já havia traçado duas mulheres antes dela durante o filme… Mas, acontece, né? Ela não parece ser muito ciumenta mesmo.

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Outro personagem fascinante é o próprio Dr. No. É legal a ideia de não lhe mostrarem a cara durante a maior parte do filme, apenas deixar ouvir sua voz, o que acrescenta aquele tom de mistério agradável ao vilão, algo que sempre tentaram fazer em vários outros capítulos da série, às vezes com sucesso, outras nem tanto… E James Bond tem boa química com o personagem, uma boa química com seu nêmesis, que é outro detalhe habitual da franquia.

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Para finalizar, temos um Sean Connery que parece ter nascido para ser James Bond, muito à vontade no papel do sofisticado agente à serviço secreto de sua majestade, sendo o galanteador pegador de mulheres ou o bruto frio que mata sem piedade os meliantes quando precisa.

DR. NO sempre me pareceu um grande filme e a cada revisão foi ficando ainda melhor. Não é exatamente o que se espera de um “filme de James Bond” habitual depois de perceber o que a série se tornou, repleta de exageros sem noção, mas que me diverte à beça, mas como um filme de espionagem sério e realista é possível desfrutar desta belezinha aqui.

DELIRIUM (Le Foto di Gioia, 1987)

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Já disse por aqui que Lamberto Bava deveria ter investido seu talento mais em produções de ação, como o filmaço BLASTFIGHTER, do que tentar seguir os passos do papai Mario Bava em produções de horror… Claro, Bava filho tem seus bons exemplares do gênero no currículo, em especial quando se juntava a outro gênio, Dario Argento, e saia umas belezinhas como DEMONS, mas de uma forma geral nunca conseguiu chegar no nível de maestria dos grandes realizadores do horror italiano.

Isso ficou ainda mais claro depois que vi essa semana DELIRIUM. Quero dizer, não é um trabalho ruim, não tô falando que o Bavinha não deveria realizá-lo, mas percebe-se que o material tinha mais potencial nas mãos de um Argento, Lucio Fulci, Michele Soavi… Acaba resultando num filme sem tanta energia, sem inspiração – exceto nas sequências de tensão e assassinato mostrando a visão de um assassino perturbado. Mas na maior parte do tempo, Bava é bem burocrático com a câmera, pra não dizer preguiçoso…

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Mas pra falar a verdade, confesso que até que gostei do filme. E um dos principais motivos é o elenco. Temos a beldade Serena Grandi como protagonista, que surpreende interpretando uma editora famosa de uma revista masculina chamada Pussycat e que passa maus bocados quando um assassino à solta começa a deixar corpos de modelos espalhados no seu caminho. Serena é quem carrega o filme, com bastante presença (um mulherão desses… ai, ai), carisma e sem vergonha alguma de tirar a roupa, o que é importante… Aliás, o que faz DELIRIUM não perder o pique é justamente a boa dose de nudez, suficiente pra segurar a atenção. O que inclui outras figuras interessantes balançando os peitos na tela, como a cantora Sabrina Salerno. Tanto a cena do seu ensaio fotográfico, com as múmias se esfregando nela, quanto a sequência que é atacada por um enxame de abelhas são de encher os olhos; Daria Nicolodi e o grande George Eastman são sempre legais de se ver e estão realmente bem por aqui, mas não são os papéis pelos quais serão lembrados…

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Outro aspecto que gosto em DELIRIUM são os tais momentos de suspense e de assassinato, quando Bavinha mostra o ponto de vista doentio do serial killer, estilizando os cenários, emulando um Dario Argento na manipulação da fotografia, das cores, e mostrando as vítimas como criaturas híbridas, com cabeças monstruosas ou de inseto… Ideias inventivas que surgem no meio de uma direção que mais parece de telenovela na maior parte do tempo. O que é uma pena, porque nas cenas de suspense, Bava filho manda muito bem. Há um plano sequência no clímax que é de cair o queixo… Acaba sendo divertido de qualquer forma, pelo elenco, pela quantidade de nudez, a trama de giallo oitentista  – fazendo de tudo pra esconder a identidade do assassino do público – com uma pitada excitante de erotismo e surrealismo… Enfim, apesar de problemático, vale uma conferida. Continuar lendo