IT (2017)

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Se a revisão recente da adaptação dos anos 90 revelou-se uma decepção, ainda que eu tenha um certo afeto nostálgico pelo filme, o IT de 2017, dirigido por Andy Muschietti (do fraquinho MAMA) por outro lado, foi uma das grandes surpresas do ano em termos de horror

Gosto sempre de abordar as reações do público. É uma curiosidade minha… Este aqui teve diversas e opostas, mas a maioria é positiva, especialmente do público fã de horror. Mas teve quem achou um um lixo, teve quem diz ser um novo clássico do gênero. Há quem diga que nem horror é… Queria entender quem pensa algo assim. Vai ver é sequela do surgimento desse novo termo, “pós-horror”. Eu gostaria de dizer algumas coisas sobre “pós-horror”. Vamos lá? É o seguinte: “Pós-horror” é o meu ovo!

Bom, agora vamos com calma. IT não é a última bolacha do pacote, obviamente, mas estou do lado dos que gostaram. Na verdade, nessa ceara atual que todo mundo procura chifre em cabeça de cavalo com esses termos inúteis, chega a ser um frescor um filme como IT que se assume como um horror puro e basicão, que não faz questão alguma de evocar temas de agendas sociais nem reinventar o gênero. Só quer mesmo trabalhar os dispositivos do medo e dar uns bons sustos de vez em quando…

É evidente que filmes assim ainda sejam produzidos todos os anos, mas com a qualidade de IT já não são muitos. Não que eu desgoste de alguns exemplares que estão sendo classificados como “pós-horror”. Um dos meus filmes favoritos do gênero nos últimos anos é CORRENTE DO MAL. Acho que A BRUXA também entrou na dança, e é uma obra-prima. E curti muito, por exemplo, CORRA, IT COMES AT NIGHT e estou bem interessando neste A GHOST STORY. São filmes que se levam a sério e são honestos nas suas propostas, mas aparentemente não querem ser rotulados como filmes de horror… Ou, as pessoas que assistem, críticos e cinéfilos metidos à besta, não querem que sejam. Foda-se, são horror. Independente de estilo e “mensagens” sociais, não vão deixar de ser.

Bom, já não sei onde quero chegar. Antes que isso aqui fique longo demais, voltemos ao IT. Na sessão que eu estava, eu não sei se a moçada gostou ou não, mas ouvia frequentes gargalhadas em determinadas sequências mais tensas… Normal. Não dá pra esperar muito do público atual. IT é um tipo raro de horror, que pouco se faz atualmente, mas que vem ressurgindo aos poucos. É um horror adolescente estilo trem fantasma, com exageros e extravagâncias, mas assustador na medida certa, e que tínhamos aos montes nos anos 80 e 90. O público de hoje tá em outra, tá numa pegada de horror mais realista… Já IT, com seu horror retrô, achei divertido até o talo.

Algumas mudanças cruciais desta nova versão para a dos anos 90: o foco agora é só na aventura infantil, não chegamos a ver os personagens adultos. Ou seja, o que de melhor restava no filme de Tommy Lee Wallace é trabalhado e até melhorado por aqui. Outra coisa legal, pelo menos pra mim, é a aventura ser transportada da década 60 para os anos 80, um período que pessoalmente me encanta mais, foi a década que nasci e que guardo recordações nostálgicas de referências visuais e sonoras com muito carinho.

Esta versão está intitulada como “Capítulo Um”, o que é bem provável que tenhamos uma continuação focada nos personagens adultos. Vamos ver o que sai… Se for no mesmo nível deste aqui já tá bom demais.

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O cenário de IT é basicamente a mesma pequena cidade do material original, onde um grupo de moleques – apelidados de “otários”, nas legendas nacionais – resolvem fazer algo em relação à onda de desaparecimentos de crianças na região. Um dos desses casos é Georgie, a quem vemos na cena de abertura sendo arrastado de forma brutal para dentro de um bueiro durante uma tempestade por um palhaço bizarro chamado Pennywise (Bill Skarsgård). É uma das minhas cenas favoritas dessa nova versão e que estabelece de prontidão alguns pressupostos por aqui. Como por exemplo deixar bem claro que o “bicho vai pegar”…

A maneira como age, como fala, convence, se expressa, como a luz incinde sobre os olhos, a performance de Skarsgård, tudo me leva a crer que o Pennywise de IT versão recauchutada 2017 é um desses personagens fascinantes que chega para marcar, para ser um ícone do horror moderno, com todos os méritos que lhe cabe. E basta a cena inicial do bueiro para convencer de que isso é uma realidade. O Pennywise de Skarsgård é uma criatura genuinamente ameaçadora. Cheguei a comentar no post anterior que este filme aqui era melhor em todos os sentidos. Muita gente concordou, mas corrigiu que ao menos o Tim Curry era melhor como Pennywise. Mas não sei, há algo de perturbador e doentio no Pennywise de Skarsgård, na sua relação com as crianças, na maneira que ele as seduz e as ameaça que me deixou um tanto arrepiado e até incomodado. O palhaço de Curry nunca vai deixar de ser o ícone do horror que sempre foi, mas confesso que se eu tivesse que entrar num bueiro com algum dos dois, não escolheria de forma nenhuma o Pennywise de Skarsgård…

E ainda tem mais! Comparando novamente com o filme original, algo que não deveria fazer, mas só para exemplificar o que temos aqui, quase todas as mortes do filme de 1990 eram off screen, com a câmera aproximando da vitima e rolando um fade sem mostrar de fato o que acontece. Para um filme de terror, isso é caixão. É um dos detalhes que me chateou na revisão… Em IT 2017, a cena do bueiro é uma aula de tensão e leva o horror até as últimas consequências. É simplesmente chocante, inesperado, violento, subverte toda a nossa concepção de cena de morte de uma criança no horror atual. O filme já me ganhou aqui.

Eu ainda tenho mais algumas impressões sobre esta nova versão de IT que gostaria de registrar aqui no blog, mas já estou cansado, com sono, trabalhei o dia inteiro e vou ficar por aqui. Vou dividir então este texto em dois e provavelmente amanhã termino… Até logo!

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ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.7: THE LONELY (1959)

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Mais um ALÉM DA IMAGINAÇÃO pra moçada bonita que acompanha o blog! É evidente que só vou conseguir definir os melhores e piores episódios quando terminar de assistir a essa primeira temporada por completo. Mas uma coisa pelo menos já posso confirmar: THE LONELY, sétimo episódio, corre sérios riscos de ser um dos meus favoritos. É bem simples e trata de um dos temas mais frequentes da série – o isolamento humano, como o título do capítulo já indica – mas a premissa é simplesmente genial e teria potencial para algo bem mais ambicioso.

James A. Corry (Jack Warden) é um prisioneiro que vive completamente sozinho num asteroide vagando no espaço, que consiste num novo e particularmente cruel, tipo de prisão. Sim, os condenados são jogados num asteroide no espaço e cumprem suas penas por lá! Isso é fantástico! Óbvio que o que realmente pega para Corry é a solidão, já que passa meses sem viva alma para interagir ou tomar, jogar um xadrez ou beber uma cerveja. Situação que o deixa completamente louco. De tempos em tempos, um foguete pousa no local para lhe trazer mantimentos, entre outras coisas. São esses mínimos contatos que mantêm a cabeça do sujeito no lugar. Mas depois de tanto tempo, nem isso basta.

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Felizmente, o gentil capitão Allenby (John Dehner) trouxe uma caixa a mais na sua última visita. Dentro, um robô chamado Alicia (Jean Marsh), que foi construída com características muito humanas. Incluindo sentimentos. Ela pode sentir dor e solidão, assim como Corry. Embora a rejeite num primeiro momento, o protagonista não está mais sozinho e se entrega à necessidade de uma companhia. Na próxima visita, Allenbe chega com boas notícias. Corry foi perdoado, o sistema de prisão espacial em asteroides foi cancelado e todos os prisioneiros estão voltando para a terra. O problema é que há espaço suficiente no foguete apenas para Corry, Alicia precisa ser deixada para trás.

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Dirigido por Jack Smight, e escrito pelo criador da série, Rod Serling, THE LONELY peca apenas por ser tão urgente, deixa um gostinho de “quero mais” e, talvez, não chegue a fundo no seu estudo sobre o homem em isolamento, nem na ideia de suprir essa necessidade numa relação com um robô. No entanto, a história é tão bem contada nesses vinte e poucos minutos, reduzindo toda a sua potencialidade à essência, que o episódio acaba passando seu recado de forma contundente e divertido às pampas.

Algumas cenas chaves são fantásticas nesse sentido, como quando Corry conhece Alicia e a rejeita porque ela não é uma pessoa real, apenas uma imitação. Mais tarde, ele se deixa consumir pela fantasia, não porque esteja apaixonado por um robô, mas porque ele precisa de algo tangível para se relacionar. No final, quando Allenby atira no rosto de Alicia, revelando nada mais do que fios em curto-circuito, Corry é imediatamente lembrado de quão perto ele chegou de perder a noção de realidade.

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Um dos destaque de THE LONELY é a solução que encontraram para a geografia do asteroide. Foi filmado principalmente no Parque Nacional do Vale da Morte, um lugar que serviria de cenários para muitos episódios da série que se passam em algum planeta distante. O deserto vazio e sem vida proporciona ao espectador a sensação de solidão perturbadora que os personagens encaram. É um oceano de nada. Quando Allenby e seus homens chegam ao local, são um lembrete para Corry que ainda há esperança, mas quando vão-se embora, não importa onde o protagonista vá, em qualquer direção que ele olhe sempre vai haver o vazio.

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Para quem não se lembra, Jack Warden é o jurado # 7 no clássico de Sidney Lumet, DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA. Ator prolífico, marcou presença em várias produções de peso nas três décadas seguintes. E é notória sua participação em THE LONELY, numa atuação expressiva e convencendo como sujeito desesperado pela solidão. O diretor americano Jack Smight é um dos mais interessantes a pintar na série e manda bem na direção, com muito frescor e originalidade. É um sujeito que já fez de tudo um pouco: estudou psicologia, lutou na guerra, dirigiu teatro e até foi Disc-Jockey. No cinema, demonstrou grande talento, mas acabou sendo engolido pelos estúdios e relegado mais à televisão. Mas tem vários bons filmes no currículo. Voltou à ALÉM DA IMAGINAÇÃO mais três vezes: THE LATERNESS OF THE HOUR (1960), THE NIGHT OF THE MEEK (1960) e TWENTY TWO (1961), todos na segunda temporada.

DVD REVIEW: ENCONTRO.COM (Slasher.com, 2017); A2 FILMES

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Confesso que estava um bocado preocupado com a qualidade que eu ia encontrar em ENCONTRO.COM. Não parece ter dos melhores orçamentos e hoje em dia é mais fácil encontrar filmes caseiros que são verdadeiros lixos do que aquelas obras involuntariamente engraçadas e sem pretensão que de tão toscas acabam surpreendendo por serem mais divertidas do que muita coisa com produção classe A por aí… Realmente o orçamento não é dos melhores por aqui, mas felizmente ENCONTRO.COM pertence à segunda categoria.

Só o título que engana um bocado, ENCONTRO.COM remete mais a um cyber-thriller ou torture porn urbano, algo no estilo MENINA MÁ.COM… Mas essa lógica é rapidamente descartada com uma trama que lembra mais os slashers de florestas oitentistas (o título original faz mais sentido, nesse caso).

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Um serial killer está à solta na cidade, fazendo vítimas que conhece em aplicativos de encontros on-line. Neste contexto, Jack (Ben Kaplan) e Kristy (Morgan Carter) se encontram pessoalmente pela primeira vez após se conhecerem num desses aplicativos. Apesar de ser o primeiro encontro, Kristy fez reservas para que eles passem um fim de semana numa cabana na floresta, que pertence a excêntrica família Myers, Momma (a musa dos anos 80 Jewel Shephard, de A VOLTA DOS MORTOS VIVOS), Jesse (R.A. Mihailoff, que já foi o Leatherface em O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III) e a filha Caitlin (Rebecca Crowley). As coisas vão muito bem até que o casal acorda amarrados num porão e os Myers prontos para uma pequena dose de tortura e assassinato. No entanto, alguns desses personagens possuem segredos sombrios e as regras do jogo podem mudar…

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Chip Gubera, o diretor da bagaça, mantém ENCONTRO.COM em bom ritmo, até mesmo enquanto Jack e Kristy estão ainda se familiarizando um com o outro, conversando bobagens e fazendo longas caminhadas no meio do mato – e eventualmente se “conhecendo melhor”, se é que me entendem – sempre mantendo um clima suspenso de possível ameaça a qualquer momento, especialmente por conta do velho casal caipira que vive no local… O filme tira o melhor possível do elenco, mesmo que se perceba a falta de talento de alguns atores, como Kaplan, que a maior parte do tempo fica fazendo “expressões bem naturais” que me causavam boas risadas… Mas os coadjuvantes são o grande destaque, especialmente os ícones do horror, Shephard e Mihailoff, que aproveitam bastante suas participações.

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As cenas mais tensas e de violência até que não são ruins, apesar do baixo orçamento e da falta de talento dos envolvidos, como nas duas sequências em que Jack encara o brutamontes Jesse no meio da floresta. Acho apenas que faltou mesmo um banho de sangue daqueles para alegrar a moçada, mas temos algumas mortes legais e até uns efeitos especiais old school. Ocasionalmente, um CGI bem cretino aparece para lembrar que estamos vendo um filme atual…

Mas esse tipo de coisa é compensada pelo menos com algumas ceninhas de nudez gratuitas passando na tela… É um filme que reconhece seus defeitos e não se leva a sério em momento algum. E não vejo como alguém pode assisti-lo sem esse espírito. Só assim se aproveitará as situações absurdas que o roteiro tem para oferecer, as reviravoltas bobinhas da trama, mas que funcionam perfeitamente, os diálogos e atuações ruins, os momentos de sangue e peitos de fora, enfim, tudo o que faz um legítimo filme B divertir.

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ENCONTRO.COM é mais um filme lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar e está disponível para locação em DVD e também nas melhores plataformas online, como Google Play e Looke. O filme vai estar disponível no varejo em outubro e é altamente recomendado para quem curte um terrorzinho independente de baixo orçamento, que não se leva a sério e ainda presta uma bela homenagem aos clássicos filmes de florestas dos anos 70 e 80.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.6: ESCAPE CLAUSE (1959)

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Da safra dos episódios cômicos da série, ESCAPE CLAUSE conta a história de Walter Bedecker (David Wayne) um homem tão paranoico com a morte que vive com a ideia de que está com doenças terminais e à beira de comer capim pela raiz, quando na verdade possui uma saúde de ferro e queixa-se de que seu médico e sua esposa estão lhe enganando. Na verdade, Bedeker é tão obcecado pelo medo da morte, fantasiando essas situações patológicas, que o próprio diabo o vê como uma boa fonte para assegurar mais uma alma para o inferno.

O próprio Belzebu (Thomas Gomez) aparece em seu leito e lhe oferece uma tentadora vida eterna. Em troca, Bedecker lhe daria a sua mercadoria mais valiosa. O contrato ainda diz que nada de mal pode lhe acontecer. Seu corpo é indestrutível, não importa que se jogue à frente de um trem ou entre num prédio em chamas… Bedecker não reluta muito e assina o papel…

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O episódio prossegue mostrando que a vida de um imortal pode ser bem entediante. E na sua busca por novas emoções (e muito se jogar no vão do metrô), Bedeker acaba provocando um acidente que mata a sua própria mulher (Virginia Christine). O sujeito acaba preso e é sentenciado à prisão perpétua, o que pra ele é passar toda uma eternidade trancafiado numa cela…

ESCAPE CLAUSE é o típico conto do “contrato com o diabo”, tão explorado na cultura popular. E aqui não foge muito da fórmula – um protagonista que faz um acordo com o tinhoso que vai lhe beneficiar, mas acaba prejudicado exatamente pelo seu desejo – exceto pelo fato de que Rod Serling, o roteirista do episódio e criador da série, tenha escolhido trabalhar o tema num tom de comédia. Se por um lado ESCAPE CLAUSE é simpático e curioso, por outro, essa opção pelo cômico tira imensa força que o episódio poderia ter.

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Acaba tudo soando de maneira leve demais, sem que o conceito desse tipo de história tenha o efeito de reflexão desejado no espectador. No entanto, ESCAPE CLAUSE é o que é. Ou seja, não vale a pena criar hipóteses do que poderia ter sido… E vale ainda como passatempo rápido e rasteiro, especialmente pelas atuações. David Wayne exagera um pouco na dose, mas funciona dentro da proposta do episódio. Mas quem realmente se destaca em ESCAPE CLAUSE é Thomas Gomez no papel do diabo, que se apresenta como o Sr. Cadwallader. Gomez desafia a imagem tradicional do Anjo das Trevas, atraente, refinada e sombria como é habitual, para aparecer aqui com sua aparência de gordinho sorridente e simpático. Toda a sequência em que convence Bedeker a assinar o contrato já vale uma conferida no capítulo.

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A direção de ESCAPE CLAUSE é de Mitchell Leisen, que já havia realizado THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE, o quarto episódio, e ainda viria a dirigir PEOPLE ARE ALIKE ALL OVER, também nessa primeira temporada.

DVD REVIEW: ALEXANDER NEVSKY (1938); CPC UMES FILMES

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Um dos filmes mais importantes do acervo da CPC UMES Filmes é, sem dúvida alguma, ALEXANDER NEVSKY, dirigido por um dos maiores patrimônios que o cinema já criou, o diretor russo Sergei Eisenstein. Embora o filme tenha sido inicialmente concebido como propaganda de guerra, acabou que seu conteúdo foi ofuscado pela técnica. Eisenstein aproveitou algumas de suas próprias habilidades cinematográficas inovadoras para criar uma das mais surpreendentes obras-primas do período e um das mais incríveis batalhas já filmadas.

Na época, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, o então líder soviético Joseph Stalin queria que fosse produzido um filme como ferramenta de propaganda a fim de alertar os cidadãos soviéticos para a crescente ameaça alemã. ALEXANDER NEVSKY surgiu com tais propósitos e conta a história do príncipe Alexander Vasilievich Nevsky que levou os russos a lutar contra o imperialismo teutônico germânico. O ano era 1242, e os Teutons já haviam conquistado uma grande parte do Império Russo, com ataques rápidos e pegando cidades de surpresa. A cidade de Pskov e toda a Rússia ocidental se renderam aos impotentes Teutons, que então colocaram seus olhos em Novgorod, o epítome do progresso da pátria russa no período.

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Os laços entre os alemães alemães do século XIII e a Alemanha nazista do início do século XX são claros, razão pela qual Stalin acabou proibindo ALEXANDER NEVSKY de ver a luz do dia após ter assinado o pacto de não agressão com Hitler. Pacto que foi quebrado em 1941 e Stalin acabou voltando para sua ideia original de apresentar o filme como propaganda de guerra. Era óbvio o quão poderoso o filme era, não só em termos da caracterização dos alemães como animais cruéis e invasores a serem combatidos com violência, que jogam crianças em fogueiras para serem queimadas vivas… Mas também em seu impacto geral como obra cinematográfica. Eisenstein era incapaz de fazer um filme que fosse apenas uma mensagem política e acabou criando uma verdadeira obra de arte.

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Grande parte das atenções de ALEXANDER NEVSKY se concentram na extraordinária sequência de 30 minutos da Batalha do Gelo, na qual o exército de Alexander enfrenta os alemães em um lago congelado. Segundo Eisenstein, em seu livro O sentido do Filme, que eu considero obrigatório, é nesta cena que “o aspecto audiovisual de Alexander Nevsky atinge sua fusão mais completa“. A batalha é um exemplo incrível de encenação, arquitetura da ação e como a combinação de imagem e música pode despertar emoções profundas. As composições visuais são cuidadosamente colocadas em compatibilidade com as notas musicais do compositor Sergei Prokofiev e o resultado é simplesmente magistral em todos os sentidos.

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Em ALEXANDER NEVSKY, Eisenstein demonstra que ele poderia trazer sua visão de autor mesmo trabalhando dentro dos rígidos códigos do estalinismo. Embora ele tenha sido posteriormente humilhado e exilado. Eisenstein prova aqui que o seu brilho não podia ser esquecido tão cedo. E ainda hoje seu trabalho técnico impecável impressiona. É por isso que o filme faz parte do catálogo da CPC UMES Filmes e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página deles no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

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