CARTA BRANCA – ISMAIL XAVIER – IMS

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O Instituto Moreira Sales (IMS) tá com uma programação de filmes bacana que começa esta semana. Entre os dias 17 e 27 de maio, o Cinema do IMS Paulista apresenta um programa de nove filmes escolhidos pelo Ismail Xavier: seus clássicos pessoais, que o acompanharam ao longo de seus 70 anos. Ismail é professor emérito da USP, teórico e crítico de cinema.

Segue a programação:

UM CORPO QUE CAI
Alfred Hitchcock
EUA, 1958, 128 min., 14 anos, DCP
17/05 quinta-feira 19h30
23/05 quarta-feira 21h30

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA
Jean-Luc Godard
França, 1966, 90 min., 14 anos, DCP
17/05 quinta-feira 22h
27/05 domingo 20h

O ANJO EXTERMINADOR
Luis Buñuel
Espanha, México, 1962, 95 min., 12 anos, DCP
18/05 sexta-feira 19h30
26/05 sábado 18h30

O ECLIPSE
Michelangelo Antonioni
França, Itália, 1962, 126 min., 14 anos, DCP
19/05 sábado 17h
25/05 sexta-feira 19h30

O CASAMENTO DE MARIA BRAUN
Rainer Werner Fassbinder
Alemanha, 1978, 120 min., 14 anos, DCP
19/05 sábado 21h
26/05 sábado 21h

HIROSHIMA MEU AMOR
Alain Resnais
França, Japão, 1959, 92 min., 12 anos, DCP
20/05 domingo 16h40
25/05 sexta-feira 22h

UM HOMEM COM UMA CÂMERA
Dziga Vertov
União Soviética, 1929, 68 min., 12 anos, DCP
20/05 domingo 18h30
23/05 quarta-feira 17h30

O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA
John Ford
EUA, 1962, 123 min., 12 anos, DCP
20/05 domingo 20h
23/05 quarta-feira 19h

MEMÓRIAS DO SUBDESENVOLVIMENTO
Tomás Gutiérrez Alea
Cuba, 1968, 97 min., 14 anos, DCP
22/05 terça-feira 19h20
27/05 domingo 18h

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DVD REVIEW: CIDADE DOS VENTOS (2007); CPC UMES FILMES

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Estou super atrasado, mas no último feriadão de carnaval eu finalmente parei para assistir ao lançamento em DVD de Dezembro da CPC UMES FILMES, CIDADE DOS VENTOS, um filme russo nostálgico, com tons autobiográficos inspirados nas memórias juvenis do seu diretor, Karen Shakhnazarov.

O cenário é a Moscou de 1973 e a trama gira em torno de Sergei (Aleksandr Lyapin), um jovem estudante de 18 anos, que se auto declara dissidente diante das características políticas do país, ambicioso por parecer cool, comprando calças jeans e discos de rock dos Rolling Stones e Deep Purple no mercado negro. E pelas atitude do rapaz, a faculdade é apenas um lugar para pegar garotas que se impressionam com sua habilidade de andar na moda ou conseguir coisas difíceis, como ingressos grátis para teatro ou um disco de uma banda famosa que acabou de ser lançado.

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Enquanto isso, a União Soviética tenta se manter dentro de sua ideologia, firme e forte, mesmo que os jovens já comecem a se interessar mais pela cultura de outros países. Como o título original em russo indica, é o início do desaparecimento de um império. Continuar lendo

AVENTURA À CHINESA EM DVD – A2 FILMES

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Aportou por aqui em DVD um dos filmes mais esperados dentre os lançamentos dos últimos meses da A2 FILMES, a aventura A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE, dirigido por TSUI HARK, um dos maiores mestres do cinema oriental.

Agora é botar o disco na agulha e aproveitar a sessão. Depois trago as minhas impressões, mas sendo Hark é praticamente impossível ser ruim.

O filme já se encontra disponível em DVD, através do selo Flashstar para venda nas melhores lojas, mas também já pode ser conferido em plataformas digitais, como Now e Look. Não dá pra perder essa. Confira o trailer:

E curta a página de facebook da A2 Filmes para ficar por dentro das novidades.

LEATHERFACE (2017)

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Alexandre Bustillo e Julien Maury, a dupla francesa por trás de À L’INTÉRIEUR, um dos melhores filmes do chamado new french extremity, que surpreendeu os fãs de horror na década passada, e de LIVIDE, uma aterrorizante e atmosférica releitura do conceito de “casa mal assombrada”, são definitivamente dois talentos do gênero para se acompanhar de perto. Este ano eles lançaram LEATHERFACE, uma produção americana que explora o universo d’O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e se você for fã do trabalho dos caras, vai querer ver isso…

Mesmo que o filme não chegue nem perto de ser uma obra-prima, certamente não fosse nem necessário existir – um prequel que mostra as origens do famigerado assassino que Tobe Hooper nos apresentou em seu clássico de 1974, um dos maiores ícones do gênero – mas é legal, surpreende pela visão brutal do horror da dupla francesa, que conduz com segurança um filme agressivo, violento, macabro (a cena de sexo com o cadáver é um troço bizarro), com bons personagens e performances fortes (Stephen Dorff e Lily Taylor estão muito bem), excelentes efeitos de gore práticos, belo clima e até mesmo uma história convincente com uma origem bem tratada e respeitosa ao personagem do título.

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OLHOS FAMINTOS (Jeepers Creepers, 2001)

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Ainda na vibe da atual onda de acusações de violência sexual que anda, merecidamente, atormentando a vida de algumas figuras em Hollywood, me lembrei do diretor Victor Salva. Seu caso não é de hoje, do nada, como surgiu com um Kevin Spacey e Dustin Hoffman, por exemplo. É notório que em 1988, o sujeito foi condenado por “má conduta sexual” com um ator de doze anos que participou do seu primeiro trabalho como diretor, CLOWNHOUSE. Filmagens contendo pornografia infantil também foram encontradas na casa de Salva, que se declarou culpado e foi condenado a três anos de prisão, dos quais serviu 15 meses, seguindo em liberdade condicional o restante da pena.

É evidente que a carreira de Salva no cinema sofreria um baque. Quem contrataria um diretor pedófilo? Alguns anos depois, com a poeira baixa e trabalhando com telemarketing durante os dias úteis, Salva escrevia roteiros no fim de semana e enviava a produtores que nem lembravam mais quem era o tal Victor Salva. E foi assim que em 1995 o sujeito conseguiu voltar à direção com THE NATURE OF THE BEAST, um thriller excepcional realizado direto para o mercado de home video, estrelado por Lance Henriksen e Eric Roberts, num duelo de atuações incrível, personagens inspirados em pessoas que Salva conhecera na prisão, e com um plot twist que faria o Shyamalan se contorcer de inveja.

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O diretor Victor Salva

Depois, Salva foi contratado para comandar a produção de um grande estúdio, ENERGIA PURA (1995), o conto de um menino albino com poderes especiais, produzido pela… Disney. Sim, podem acreditar, nos anos noventa um diretor pedófilo escreveu e dirigiu um filme para a Disney! No meio das filmagens, a informação do passado de Salva veio à tona, o que causou alguma consternação com produtores e elenco, que não faziam ideia que o diretor havia sido condenado por abuso sexual infantil. Mas o filme seguiu em frente e foi lançado, também tornou-se um grande sucesso do VHS…

O lance é que, querendo ou não, Salva é um puta diretor. Portanto, continuou fazendo seus filmes, escrevendo e dirigindo, tentando esconder o seu passado. Pedófilo? Sim… Mas não estou aqui pra fazer julgamentos e até onde sei, o cara não teve mais nenhum caso após ter “pago” por seus crimes. Agora, o cara atrás das câmeras é um talento. E em 2001 veio a consagração. Pelo menos como diretor de gênero, como diretor de horror.

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Apadrinhado por Francis Ford Coppola, Salva dirigiu OLHOS FAMINTOS. Não vi na época que lançou porque sempre pensei que fosse mais um desses terrozinhos adolescentes que vieram na esteira de PÂNICO no final dos anos 90, início dos 2000. Nada contra esse slasher revival desse período, até porque sou fã da série PÂNICO e me divertia com EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO, mas na época estava saturado dessa merda e deixei o filme de Salva passar. Já faz algum tempo, no entanto, que eu tinha a impressão de que OLHOS FAMINTOS fosse algo totalmente diferente e me surpreenderia… Então achei que agora, no auge da polêmica de agressões sexuais, era hora de dar uma conferida num filme deste indivíduo. Continuar lendo

LANÇAMENTO DE NOVEMBRO DA CPC UMES FILMES: BRAÇO DE DIAMANTE

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E o lançamento deste mês está simplesmente imperdível!

SINOPSE: O cidadão soviético Semyon Gorbunkov sai a passeio num cruzeiro marítimo. Em seu retorno, acaba levando à URSS jóias escondidas por engano no gesso colocado em torno de seu braço esquerdo depois de uma queda em Istambul. Enquanto os contrabandistas realizam várias tentativas para recuperar as pedras preciosas, um capitão da polícia russa usa Gorbunkov como isca para pegar os criminosos. Mas a esposa do nosso herói começa a desconfiar que ele foi recrutado pela inteligência estrangeira ou está tendo um caso. Está armado o quiprocó.

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SOBRE O DIRETOR: Nascido em Svobodny, na Sibéria, Leonid Iovich Gayday alcançou imensa popularidade e amplo reconhecimento. Seus filmes quebraram recordes de público – “Braço de Diamante” (1968) atingiu a marca de 76 milhões e 700 mil espectadores. Ainda hoje estão entre os DVDs mais vendidos na Rússia. Gayday ingressou no Exército Vermelho em 1942, foi ferido em 1943. Estudou interpretação, entre 1947 e 1949, no Teatro Dramático de Irkutsk. De 1949 a 1955 cursou o Instituto Estatal de Cinema (VGIK), formou-se diretor e foi trabalhar no Mosfilm. Mestre da comédia em ritmo acelerado, trabalhou com atores excepcionais como Georgiy Vitsin, Leonid Kuravlev, Mikhail Pugovkin, Savely Kramarov, Natalya Seleznyova, Natalya Krachkovskaya e sua esposa Nina Grebeshkova. Dirigiu 24 filmes, entre os quais vários clássicos:  “Os Destiladores” (1961), uma adaptação cinematográfica do conto de O. Henri; “Gente de Negócios” (1962); “Operação Y e Outras Aventuras de Shurik” (1965); “Prisioneira do Cáucaso” (1966); “Braço de Diamante” (1968); “12 Cadeiras” (1970); “De Volta do Futuro” (1973); “Impossível!” (1975); “O Inspetor Geral” (1977).

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BRAÇO DE DIAMANTE é o lançamento de novembro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu! E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

IT (2017)

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Se a revisão recente da adaptação dos anos 90 revelou-se uma decepção, ainda que eu tenha um certo afeto nostálgico pelo filme, o IT de 2017, dirigido por Andy Muschietti (do fraquinho MAMA) por outro lado, foi uma das grandes surpresas do ano em termos de horror

Gosto sempre de abordar as reações do público. É uma curiosidade minha… Este aqui teve diversas e opostas, mas a maioria é positiva, especialmente do público fã de horror. Mas teve quem achou um um lixo, teve quem diz ser um novo clássico do gênero. Há quem diga que nem horror é… Queria entender quem pensa algo assim. Vai ver é sequela do surgimento desse novo termo, “pós-horror”. Eu gostaria de dizer algumas coisas sobre “pós-horror”. Vamos lá? É o seguinte: “Pós-horror” é o meu ovo!

Bom, agora vamos com calma. IT não é a última bolacha do pacote, obviamente, mas estou do lado dos que gostaram. Na verdade, nessa ceara atual que todo mundo procura chifre em cabeça de cavalo com esses termos inúteis, chega a ser um frescor um filme como IT que se assume como um horror puro e basicão, que não faz questão alguma de evocar temas de agendas sociais nem reinventar o gênero. Só quer mesmo trabalhar os dispositivos do medo e dar uns bons sustos de vez em quando…

É evidente que filmes assim ainda sejam produzidos todos os anos, mas com a qualidade de IT já não são muitos. Não que eu desgoste de alguns exemplares que estão sendo classificados como “pós-horror”. Um dos meus filmes favoritos do gênero nos últimos anos é CORRENTE DO MAL. Acho que A BRUXA também entrou na dança, e é uma obra-prima. E curti muito, por exemplo, CORRA, IT COMES AT NIGHT e estou bem interessando neste A GHOST STORY. São filmes que se levam a sério e são honestos nas suas propostas, mas aparentemente não querem ser rotulados como filmes de horror… Ou, as pessoas que assistem, críticos e cinéfilos metidos à besta, não querem que sejam. Foda-se, são horror. Independente de estilo e “mensagens” sociais, não vão deixar de ser.

Bom, já não sei onde quero chegar. Antes que isso aqui fique longo demais, voltemos ao IT. Na sessão que eu estava, eu não sei se a moçada gostou ou não, mas ouvia frequentes gargalhadas em determinadas sequências mais tensas… Normal. Não dá pra esperar muito do público atual. IT é um tipo raro de horror, que pouco se faz atualmente, mas que vem ressurgindo aos poucos. É um horror adolescente estilo trem fantasma, com exageros e extravagâncias, mas assustador na medida certa, e que tínhamos aos montes nos anos 80 e 90. O público de hoje tá em outra, tá numa pegada de horror mais realista… Já IT, com seu horror retrô, achei divertido até o talo.

Algumas mudanças cruciais desta nova versão para a dos anos 90: o foco agora é só na aventura infantil, não chegamos a ver os personagens adultos. Ou seja, o que de melhor restava no filme de Tommy Lee Wallace é trabalhado e até melhorado por aqui. Outra coisa legal, pelo menos pra mim, é a aventura ser transportada da década 60 para os anos 80, um período que pessoalmente me encanta mais, foi a década que nasci e que guardo recordações nostálgicas de referências visuais e sonoras com muito carinho.

Esta versão está intitulada como “Capítulo Um”, o que é bem provável que tenhamos uma continuação focada nos personagens adultos. Vamos ver o que sai… Se for no mesmo nível deste aqui já tá bom demais.

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O cenário de IT é basicamente a mesma pequena cidade do material original, onde um grupo de moleques – apelidados de “otários”, nas legendas nacionais – resolvem fazer algo em relação à onda de desaparecimentos de crianças na região. Um dos desses casos é Georgie, a quem vemos na cena de abertura sendo arrastado de forma brutal para dentro de um bueiro durante uma tempestade por um palhaço bizarro chamado Pennywise (Bill Skarsgård). É uma das minhas cenas favoritas dessa nova versão e que estabelece de prontidão alguns pressupostos por aqui. Como por exemplo deixar bem claro que o “bicho vai pegar”…

A maneira como age, como fala, convence, se expressa, como a luz incinde sobre os olhos, a performance de Skarsgård, tudo me leva a crer que o Pennywise de IT versão recauchutada 2017 é um desses personagens fascinantes que chega para marcar, para ser um ícone do horror moderno, com todos os méritos que lhe cabe. E basta a cena inicial do bueiro para convencer de que isso é uma realidade. O Pennywise de Skarsgård é uma criatura genuinamente ameaçadora. Cheguei a comentar no post anterior que este filme aqui era melhor em todos os sentidos. Muita gente concordou, mas corrigiu que ao menos o Tim Curry era melhor como Pennywise. Mas não sei, há algo de perturbador e doentio no Pennywise de Skarsgård, na sua relação com as crianças, na maneira que ele as seduz e as ameaça que me deixou um tanto arrepiado e até incomodado. O palhaço de Curry nunca vai deixar de ser o ícone do horror que sempre foi, mas confesso que se eu tivesse que entrar num bueiro com algum dos dois, não escolheria de forma nenhuma o Pennywise de Skarsgård…

E ainda tem mais! Comparando novamente com o filme original, algo que não deveria fazer, mas só para exemplificar o que temos aqui, quase todas as mortes do filme de 1990 eram off screen, com a câmera aproximando da vitima e rolando um fade sem mostrar de fato o que acontece. Para um filme de terror, isso é caixão. É um dos detalhes que me chateou na revisão… Em IT 2017, a cena do bueiro é uma aula de tensão e leva o horror até as últimas consequências. É simplesmente chocante, inesperado, violento, subverte toda a nossa concepção de cena de morte de uma criança no horror atual. O filme já me ganhou aqui.

Eu ainda tenho mais algumas impressões sobre esta nova versão de IT que gostaria de registrar aqui no blog, mas já estou cansado, com sono, trabalhei o dia inteiro e vou ficar por aqui. Vou dividir então este texto em dois e provavelmente amanhã termino… Até logo!

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.7: THE LONELY (1959)

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Mais um ALÉM DA IMAGINAÇÃO pra moçada bonita que acompanha o blog! É evidente que só vou conseguir definir os melhores e piores episódios quando terminar de assistir a essa primeira temporada por completo. Mas uma coisa pelo menos já posso confirmar: THE LONELY, sétimo episódio, corre sérios riscos de ser um dos meus favoritos. É bem simples e trata de um dos temas mais frequentes da série – o isolamento humano, como o título do capítulo já indica – mas a premissa é simplesmente genial e teria potencial para algo bem mais ambicioso.

James A. Corry (Jack Warden) é um prisioneiro que vive completamente sozinho num asteroide vagando no espaço, que consiste num novo e particularmente cruel, tipo de prisão. Sim, os condenados são jogados num asteroide no espaço e cumprem suas penas por lá! Isso é fantástico! Óbvio que o que realmente pega para Corry é a solidão, já que passa meses sem viva alma para interagir, jogar xadrez ou beber uma cerveja. Situação que o deixa completamente louco. De tempos em tempos, um foguete pousa no local para lhe trazer mantimentos, entre outras coisas. São esses mínimos contatos que mantêm a cabeça do sujeito no lugar. Mas depois de tanto tempo, nem isso basta.

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Felizmente, o gentil capitão Allenby (John Dehner) trouxe uma caixa a mais na sua última visita. Dentro, um robô chamado Alicia (Jean Marsh), que foi construída com características muito humanas. Incluindo sentimentos. Ela pode sentir dor e solidão, assim como Corry. Embora a rejeite num primeiro momento, o protagonista não está mais sozinho e se entrega à necessidade de uma companhia. Na próxima visita, Allenbe chega com boas notícias. Corry foi perdoado, o sistema de prisão espacial em asteroides foi cancelado e todos os prisioneiros estão voltando para a terra. O problema é que há espaço suficiente no foguete apenas para Corry, Alicia precisa ser deixada para trás.

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Dirigido por Jack Smight, e escrito pelo criador da série, Rod Serling, THE LONELY peca apenas por ser tão urgente, deixa um gostinho de “quero mais” e, talvez, não chegue a fundo no seu estudo sobre o homem em isolamento, nem na ideia de suprir essa necessidade numa relação com um robô. No entanto, a história é tão bem contada nesses vinte e poucos minutos, reduzindo toda a sua potencialidade à essência, que o episódio acaba passando seu recado de forma contundente e divertido às pampas.

Algumas cenas chaves são fantásticas nesse sentido, como quando Corry conhece Alicia e a rejeita porque ela não é uma pessoa real, apenas uma imitação. Mais tarde, ele se deixa consumir pela fantasia, não porque esteja apaixonado por um robô, mas porque ele precisa de algo tangível para se relacionar. No final, quando Allenby atira no rosto de Alicia, revelando nada mais do que fios em curto-circuito, Corry é imediatamente lembrado de quão perto ele chegou de perder a noção de realidade.

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Um dos destaque de THE LONELY é a solução que encontraram para a geografia do asteroide. Foi filmado principalmente no Parque Nacional do Vale da Morte, um lugar que serviria de cenários para muitos episódios da série que se passam em algum planeta distante. O deserto vazio e sem vida proporciona ao espectador a sensação de solidão perturbadora que os personagens encaram. É um oceano de nada. Quando Allenby e seus homens chegam ao local, são um lembrete para Corry que ainda há esperança, mas quando vão-se embora, não importa onde o protagonista vá, em qualquer direção que ele olhe sempre vai haver o vazio.

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Para quem não se lembra, Jack Warden é o jurado # 7 no clássico de Sidney Lumet, DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA. Ator prolífico, marcou presença em várias produções de peso nas três décadas seguintes. E é notória sua participação em THE LONELY, numa atuação expressiva e convencendo como sujeito desesperado pela solidão. O diretor americano Jack Smight é um dos mais interessantes a pintar na série e manda bem na direção, com muito frescor e originalidade. É um sujeito que já fez de tudo um pouco: estudou psicologia, lutou na guerra, dirigiu teatro e até foi Disc-Jockey. No cinema, demonstrou grande talento, mas acabou sendo engolido pelos estúdios e relegado mais à televisão. Mas tem vários bons filmes no currículo. Voltou à ALÉM DA IMAGINAÇÃO mais três vezes: THE LATERNESS OF THE HOUR (1960), THE NIGHT OF THE MEEK (1960) e TWENTY TWO (1961), todos na segunda temporada.

DVD REVIEW: ENCONTRO.COM (Slasher.com, 2017); A2 FILMES

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Confesso que estava um bocado preocupado com a qualidade que eu ia encontrar em ENCONTRO.COM. Não parece ter dos melhores orçamentos e hoje em dia é mais fácil encontrar filmes caseiros que são verdadeiros lixos do que aquelas obras involuntariamente engraçadas e sem pretensão que de tão toscas acabam surpreendendo por serem mais divertidas do que muita coisa com produção classe A por aí… Realmente o orçamento não é dos melhores por aqui, mas felizmente ENCONTRO.COM pertence à segunda categoria.

Só o título que engana um bocado, ENCONTRO.COM remete mais a um cyber-thriller ou torture porn urbano, algo no estilo MENINA MÁ.COM… Mas essa lógica é rapidamente descartada com uma trama que lembra mais os slashers de florestas oitentistas (o título original faz mais sentido, nesse caso).

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Um serial killer está à solta na cidade, fazendo vítimas que conhece em aplicativos de encontros on-line. Neste contexto, Jack (Ben Kaplan) e Kristy (Morgan Carter) se encontram pessoalmente pela primeira vez após se conhecerem num desses aplicativos. Apesar de ser o primeiro encontro, Kristy fez reservas para que eles passem um fim de semana numa cabana na floresta, que pertence a excêntrica família Myers, Momma (a musa dos anos 80 Jewel Shephard, de A VOLTA DOS MORTOS VIVOS), Jesse (R.A. Mihailoff, que já foi o Leatherface em O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA III) e a filha Caitlin (Rebecca Crowley). As coisas vão muito bem até que o casal acorda amarrados num porão e os Myers prontos para uma pequena dose de tortura e assassinato. No entanto, alguns desses personagens possuem segredos sombrios e as regras do jogo podem mudar…

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Chip Gubera, o diretor da bagaça, mantém ENCONTRO.COM em bom ritmo, até mesmo enquanto Jack e Kristy estão ainda se familiarizando um com o outro, conversando bobagens e fazendo longas caminhadas no meio do mato – e eventualmente se “conhecendo melhor”, se é que me entendem – sempre mantendo um clima suspenso de possível ameaça a qualquer momento, especialmente por conta do velho casal caipira que vive no local… O filme tira o melhor possível do elenco, mesmo que se perceba a falta de talento de alguns atores, como Kaplan, que a maior parte do tempo fica fazendo “expressões bem naturais” que me causavam boas risadas… Mas os coadjuvantes são o grande destaque, especialmente os ícones do horror, Shephard e Mihailoff, que aproveitam bastante suas participações.

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As cenas mais tensas e de violência até que não são ruins, apesar do baixo orçamento e da falta de talento dos envolvidos, como nas duas sequências em que Jack encara o brutamontes Jesse no meio da floresta. Acho apenas que faltou mesmo um banho de sangue daqueles para alegrar a moçada, mas temos algumas mortes legais e até uns efeitos especiais old school. Ocasionalmente, um CGI bem cretino aparece para lembrar que estamos vendo um filme atual…

Mas esse tipo de coisa é compensada pelo menos com algumas ceninhas de nudez gratuitas passando na tela… É um filme que reconhece seus defeitos e não se leva a sério em momento algum. E não vejo como alguém pode assisti-lo sem esse espírito. Só assim se aproveitará as situações absurdas que o roteiro tem para oferecer, as reviravoltas bobinhas da trama, mas que funcionam perfeitamente, os diálogos e atuações ruins, os momentos de sangue e peitos de fora, enfim, tudo o que faz um legítimo filme B divertir.

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ENCONTRO.COM é mais um filme lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar e está disponível para locação em DVD e também nas melhores plataformas online, como Google Play e Looke. O filme vai estar disponível no varejo em outubro e é altamente recomendado para quem curte um terrorzinho independente de baixo orçamento, que não se leva a sério e ainda presta uma bela homenagem aos clássicos filmes de florestas dos anos 70 e 80.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.6: ESCAPE CLAUSE (1959)

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Da safra dos episódios cômicos da série, ESCAPE CLAUSE conta a história de Walter Bedecker (David Wayne) um homem tão paranoico com a morte que vive com a ideia de que está com doenças terminais e à beira de comer capim pela raiz, quando na verdade possui uma saúde de ferro e queixa-se de que seu médico e sua esposa estão lhe enganando. Na verdade, Bedeker é tão obcecado pelo medo da morte, fantasiando essas situações patológicas, que o próprio diabo o vê como uma boa fonte para assegurar mais uma alma para o inferno.

O próprio Belzebu (Thomas Gomez) aparece em seu leito e lhe oferece uma tentadora vida eterna. Em troca, Bedecker lhe daria a sua mercadoria mais valiosa. O contrato ainda diz que nada de mal pode lhe acontecer. Seu corpo é indestrutível, não importa que se jogue à frente de um trem ou entre num prédio em chamas… Bedecker não reluta muito e assina o papel…

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O episódio prossegue mostrando que a vida de um imortal pode ser bem entediante. E na sua busca por novas emoções (e muito se jogar no vão do metrô), Bedeker acaba provocando um acidente que mata a sua própria mulher (Virginia Christine). O sujeito acaba preso e é sentenciado à prisão perpétua, o que pra ele é passar toda uma eternidade trancafiado numa cela…

ESCAPE CLAUSE é o típico conto do “contrato com o diabo”, tão explorado na cultura popular. E aqui não foge muito da fórmula – um protagonista que faz um acordo com o tinhoso que vai lhe beneficiar, mas acaba prejudicado exatamente pelo seu desejo – exceto pelo fato de que Rod Serling, o roteirista do episódio e criador da série, tenha escolhido trabalhar o tema num tom de comédia. Se por um lado ESCAPE CLAUSE é simpático e curioso, por outro, essa opção pelo cômico tira imensa força que o episódio poderia ter.

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Acaba tudo soando de maneira leve demais, sem que o conceito desse tipo de história tenha o efeito de reflexão desejado no espectador. No entanto, ESCAPE CLAUSE é o que é. Ou seja, não vale a pena criar hipóteses do que poderia ter sido… E vale ainda como passatempo rápido e rasteiro, especialmente pelas atuações. David Wayne exagera um pouco na dose, mas funciona dentro da proposta do episódio. Mas quem realmente se destaca em ESCAPE CLAUSE é Thomas Gomez no papel do diabo, que se apresenta como o Sr. Cadwallader. Gomez desafia a imagem tradicional do Anjo das Trevas, atraente, refinada e sombria como é habitual, para aparecer aqui com sua aparência de gordinho sorridente e simpático. Toda a sequência em que convence Bedeker a assinar o contrato já vale uma conferida no capítulo.

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A direção de ESCAPE CLAUSE é de Mitchell Leisen, que já havia realizado THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE, o quarto episódio, e ainda viria a dirigir PEOPLE ARE ALIKE ALL OVER, também nessa primeira temporada.

DVD REVIEW: ALEXANDER NEVSKY (1938); CPC UMES FILMES

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Um dos filmes mais importantes do acervo da CPC UMES Filmes é, sem dúvida alguma, ALEXANDER NEVSKY, dirigido por um dos maiores patrimônios que o cinema já criou, o diretor russo Sergei Eisenstein. Embora o filme tenha sido inicialmente concebido como propaganda de guerra, acabou que seu conteúdo foi ofuscado pela técnica. Eisenstein aproveitou algumas de suas próprias habilidades cinematográficas inovadoras para criar uma das mais surpreendentes obras-primas do período e um das mais incríveis batalhas já filmadas.

Na época, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, o então líder soviético Joseph Stalin queria que fosse produzido um filme como ferramenta de propaganda a fim de alertar os cidadãos soviéticos para a crescente ameaça alemã. ALEXANDER NEVSKY surgiu com tais propósitos e conta a história do príncipe Alexander Vasilievich Nevsky que levou os russos a lutar contra o imperialismo teutônico germânico. O ano era 1242, e os Teutons já haviam conquistado uma grande parte do Império Russo, com ataques rápidos e pegando cidades de surpresa. A cidade de Pskov e toda a Rússia ocidental se renderam aos impotentes Teutons, que então colocaram seus olhos em Novgorod, o epítome do progresso da pátria russa no período.

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Os laços entre os alemães alemães do século XIII e a Alemanha nazista do início do século XX são claros, razão pela qual Stalin acabou proibindo ALEXANDER NEVSKY de ver a luz do dia após ter assinado o pacto de não agressão com Hitler. Pacto que foi quebrado em 1941 e Stalin acabou voltando para sua ideia original de apresentar o filme como propaganda de guerra. Era óbvio o quão poderoso o filme era, não só em termos da caracterização dos alemães como animais cruéis e invasores a serem combatidos com violência, que jogam crianças em fogueiras para serem queimadas vivas… Mas também em seu impacto geral como obra cinematográfica. Eisenstein era incapaz de fazer um filme que fosse apenas uma mensagem política e acabou criando uma verdadeira obra de arte.

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Grande parte das atenções de ALEXANDER NEVSKY se concentram na extraordinária sequência de 30 minutos da Batalha do Gelo, na qual o exército de Alexander enfrenta os alemães em um lago congelado. Segundo Eisenstein, em seu livro O sentido do Filme, que eu considero obrigatório, é nesta cena que “o aspecto audiovisual de Alexander Nevsky atinge sua fusão mais completa“. A batalha é um exemplo incrível de encenação, arquitetura da ação e como a combinação de imagem e música pode despertar emoções profundas. As composições visuais são cuidadosamente colocadas em compatibilidade com as notas musicais do compositor Sergei Prokofiev e o resultado é simplesmente magistral em todos os sentidos.

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Em ALEXANDER NEVSKY, Eisenstein demonstra que ele poderia trazer sua visão de autor mesmo trabalhando dentro dos rígidos códigos do estalinismo. Embora ele tenha sido posteriormente humilhado e exilado. Eisenstein prova aqui que o seu brilho não podia ser esquecido tão cedo. E ainda hoje seu trabalho técnico impecável impressiona. É por isso que o filme faz parte do catálogo da CPC UMES Filmes e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página deles no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

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LANÇAMENTO DE SETEMBRO DA CPC UMES FILMES: UM ACIDENTE DE CAÇA

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Adaptado da novela de Anton Chekhov, publicada como folhetim em 1884-85 e considerada precursora do romance policial psicológico, UM ACIDENTE DE CAÇA penetra no vazio moral da aristocracia decadente ao narrar o drama da jovem Olga, filha de um servo, cobiçada por três homens de meia-idade.

O filme é o lançamento de setembro da CPC UMES FILMES e já está disponível na sua loja virtual. Uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. Clique aqui e adquira já o seu!

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E confira a resenha de COSSACOS DE KUBAN, o lançamento do mês passado da CPC UMES FILMES e que vale a pena conhecer.

DVD REVIEW: COSSACOS DE KUBAN (Kubanskie kazaki, 1948); CPC UMES FILMES

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O lançamento de Agosto da CPC UMES Filmes, uma das distribuidoras mais importantes do Brasil atualmente, é COSSACOS DE KUBAN. A produção é uma comédia musical soviética fascinante que vale a pena ser conferida, especialmente por quem curte um cinema exótico que foge do padrão ocidental. E o blog Dementia¹³ inicia a parceria com a distribuidora comentando sobre essa maravilha do cinema.

COSSACOS DE KUBAN conta a história simples de dois líderes kolkhozes (cooperativas agrícolas soviéticas) concorrentes, Galina e Gordey, que se reúnem por ocasião de um festival agrícola e dividem suas atenções entre as competições que o evento promove e a sua atração romântica um pelo outro. Gira em torno também de vários outros personagens que participam do festival, que se divertem, cantam, dançam e se enamoram…

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O filme começa com uma sequência musical que mostra o trabalho de campo em uma fazenda coletiva. Depois de alguns planos dos espaços infinitos de trigo sob o céu azul, dos camponeses que trabalham, e das colheitadeiras que atravessam os campos, a música entra em coros exaltados durante uns cinco minutos hipnóticos de imagem e som, apresentando os personagens da história. É a típica sequência que deveria ser estudada em qualquer escola de cinema: a arte dos planos, de composição e de como a edição faz entrar em acordo imagem e música num nível impressionante de perfeição.

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Tudo a serviço da propaganda que glorifica o trabalho comunitário e igualdade de gênero nas tarefas de serviço à comunidade. OS COSSACOS DE KUBAN era um filme para a distração do público com cenas que apoiavam a necessidade de um esforço coletivo no tempo de reconstrução pós guerra. Dizem que o próprio Stalin era um fervoroso admirador do filme, um espectador voraz que nos últimos anos de vida estava projetando todos os tipos de filmes internacionais em salas privadas de suas várias residências e cuja coleção pessoal foi trazida de Berlim pelo Exército vermelho em 1945. Mas isso é apenas uma curiosidade…

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O papel das mulheres no modelo soviético é bem evocado no filme e assim, a personagem de Galina, uma viúva, cujo marido perdeu a vida na II Guerra Mundial e líder de uma das duas fazendas coletivas, passa grande parte da história a desafiar Gordey, um ex-militar marcado pela guerra, que comanda com mão de ferro sua fazenda. Em outra história paralela, a jovem Dasha confronta seu tio, o mesmo Gordey, para viver seu amor com um jovem da fazenda de Galina. Assim, as mulheres são a espinha dorsal de COSSACOS DE KUBAN que coloca os homens em uma posição surpreendente de inferioridade em que o cinema ocidental do período ainda não tinha experimentado.

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Os atores, desconhecidos para a maioria dos espectadores ocidentais, são grandes nomes do cinema soviético. Para ficar na dupla central, Marina Ladynina, no papel de Galina, foi uma das principais musas do cinema stalinista. A sua carreira parou com a morte de Stalin em 1953. Sergei Lukyanov, no papel de Gordey, encarnara o arquétipo do homem soviético viril antes de sua morte prematura. Continuar lendo

LANÇAMENTOS DE SETEMBRO DA A2 FILMES

Blog Vá e Veja, por Osvaldo Neto

habitantes-a2filmes “Habitantes – Eles Estão Aqui” (Occupants, 2015)

Confiram os lançamentos selecionados da A2 Filmespara o mês de Setembro! Filmes para locação e venda direta ao consumidor dos selos Focus, Flashstar e Mares Filmes. Clique na capinha de cada filme para ser redirecionado ao blog da A2 e ter mais informações, assistir aos trailers e conferir as datas de chegada de todos os títulos nas lojas e locadoras.

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AMERICAN POLTERGEIST – POSSUÍDOS já ganhou uma resenha no blog. Clique aqui para ler o texto de Ronald Perrone sobre esse terror independente.
E também não deixe de ‘curtir’ a página oficial da distribuidora no Facebook para continuar sabendo das novidades.

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BAT*21 – MISSÃO NO INFERNO (1988)

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Voltando ao Gene Hackman casca-grossa dos anos 80. Recapitulando, já falamos aqui de DE VOLTA PARA O INFERNO, ENTREGA MORTAL e O ALVO DA MORTE. Ainda vou comentar mais uns três ou quatro, mas por enquanto vamos de BAT*21 – MISSÃO NO INFERNO.

Curioso é que em 2001 tivemos um filme – mediano, pelo que me lembre – chamado ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS, dirigido por John Moore, no qual Gene Hackman é um almirante que mantém comunicação com o personagem de Owen Wilson ajudando-o a encarar os desafios de estar sozinho literalmente em território inimigo numa guerra. Já este BAT*21, de Peter Markle (VEIA DE CAMPEÃO), é o Hackman quem passa uma situação difícil, vivendo um tenente coronel na Guerra do Vietnã que tem o seu avião abatido por um míssil e acaba sendo o único sobrevivente numa região repleta de soldados vietcongues.

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Hackman é Hambleton, um especialista em armas que tem informações que os vietcongues desejam, e eles sabem que o sujeito está vivo em suas florestas após abaterem seu avião. A coisa esquenta ainda mais, pois Hambleton sabe também que a área em que ele se encontra está prestes a ser bombardeada pelos americanos e por isso precisa sair dali urgentemente. Trabalhando com um piloto de reconhecimento da Força Aérea que sobrevoa o local, o capitão Bartholomew Clark (Danny Glover), eles mapeiam uma rota de fuga antes que seja capturado ou que vá pelos ares…

Baseado num livro de William C. Anderson, a partir de uma história verídica (embora um bocado diferente, já que na época das filmagens o fato ainda era classificado como confidencial), BAT*21 é eficiente ao mostrar um tenente coronel, cuja participação em guerra se dá mais em planejamentos atrás de uma mesa do que combatendo em campo, encalhado no meio da selva rodeado de inimigos. Ajuda muito, portanto, um ator de peso como Hackman em convencer a transformação do seu personagem, que acaba forçado a se defender – e a matar – para manter a pele intacta.

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E esse talvez seja o ponto mais notável de BAT*21, que não é um filme de guerra com ação exagerada e que nunca tenta glorificar soldados americanos no Vietnã. Em vez disso, mostra uma aventura de perspectiva mais humana, o que acaba sendo bem mais contundente quando se trata de perdas de vidas, do ato de matar, e como esse tratamento torna alguns momentos bem mais brutais. Como toda a sequência em que os vietcongs capturam dois pilotos de helicópteros que tinham objetivo de resgatar Hambleton. Mas quando os tiros precisam comer solto, o diretor Peter Markle manda bem em criar um espetáculo explosivo, classudo e truculento. Continuar lendo