SHOCKING DARK (1989)

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Textinho que escrevi para o Action News, sobre o sci-fi mequetrefe SHOCKING DARK, de Bruno Mattei, mestre do eurotrash, que copia na cara dura os clássicos de James Cameron, O EXTERMINADOR DO FUTURO e ALIENS.

Conheça mais este petardo lendo o meu texto aqui.

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ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.7: THE LONELY (1959)

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Mais um ALÉM DA IMAGINAÇÃO pra moçada bonita que acompanha o blog! É evidente que só vou conseguir definir os melhores e piores episódios quando terminar de assistir a essa primeira temporada por completo. Mas uma coisa pelo menos já posso confirmar: THE LONELY, sétimo episódio, corre sérios riscos de ser um dos meus favoritos. É bem simples e trata de um dos temas mais frequentes da série – o isolamento humano, como o título do capítulo já indica – mas a premissa é simplesmente genial e teria potencial para algo bem mais ambicioso.

James A. Corry (Jack Warden) é um prisioneiro que vive completamente sozinho num asteroide vagando no espaço, que consiste num novo e particularmente cruel, tipo de prisão. Sim, os condenados são jogados num asteroide no espaço e cumprem suas penas por lá! Isso é fantástico! Óbvio que o que realmente pega para Corry é a solidão, já que passa meses sem viva alma para interagir ou tomar, jogar um xadrez ou beber uma cerveja. Situação que o deixa completamente louco. De tempos em tempos, um foguete pousa no local para lhe trazer mantimentos, entre outras coisas. São esses mínimos contatos que mantêm a cabeça do sujeito no lugar. Mas depois de tanto tempo, nem isso basta.

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Felizmente, o gentil capitão Allenby (John Dehner) trouxe uma caixa a mais na sua última visita. Dentro, um robô chamado Alicia (Jean Marsh), que foi construída com características muito humanas. Incluindo sentimentos. Ela pode sentir dor e solidão, assim como Corry. Embora a rejeite num primeiro momento, o protagonista não está mais sozinho e se entrega à necessidade de uma companhia. Na próxima visita, Allenbe chega com boas notícias. Corry foi perdoado, o sistema de prisão espacial em asteroides foi cancelado e todos os prisioneiros estão voltando para a terra. O problema é que há espaço suficiente no foguete apenas para Corry, Alicia precisa ser deixada para trás.

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Dirigido por Jack Smight, e escrito pelo criador da série, Rod Serling, THE LONELY peca apenas por ser tão urgente, deixa um gostinho de “quero mais” e, talvez, não chegue a fundo no seu estudo sobre o homem em isolamento, nem na ideia de suprir essa necessidade numa relação com um robô. No entanto, a história é tão bem contada nesses vinte e poucos minutos, reduzindo toda a sua potencialidade à essência, que o episódio acaba passando seu recado de forma contundente e divertido às pampas.

Algumas cenas chaves são fantásticas nesse sentido, como quando Corry conhece Alicia e a rejeita porque ela não é uma pessoa real, apenas uma imitação. Mais tarde, ele se deixa consumir pela fantasia, não porque esteja apaixonado por um robô, mas porque ele precisa de algo tangível para se relacionar. No final, quando Allenby atira no rosto de Alicia, revelando nada mais do que fios em curto-circuito, Corry é imediatamente lembrado de quão perto ele chegou de perder a noção de realidade.

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Um dos destaque de THE LONELY é a solução que encontraram para a geografia do asteroide. Foi filmado principalmente no Parque Nacional do Vale da Morte, um lugar que serviria de cenários para muitos episódios da série que se passam em algum planeta distante. O deserto vazio e sem vida proporciona ao espectador a sensação de solidão perturbadora que os personagens encaram. É um oceano de nada. Quando Allenby e seus homens chegam ao local, são um lembrete para Corry que ainda há esperança, mas quando vão-se embora, não importa onde o protagonista vá, em qualquer direção que ele olhe sempre vai haver o vazio.

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Para quem não se lembra, Jack Warden é o jurado # 7 no clássico de Sidney Lumet, DOZE HOMENS E UMA SENTENÇA. Ator prolífico, marcou presença em várias produções de peso nas três décadas seguintes. E é notória sua participação em THE LONELY, numa atuação expressiva e convencendo como sujeito desesperado pela solidão. O diretor americano Jack Smight é um dos mais interessantes a pintar na série e manda bem na direção, com muito frescor e originalidade. É um sujeito que já fez de tudo um pouco: estudou psicologia, lutou na guerra, dirigiu teatro e até foi Disc-Jockey. No cinema, demonstrou grande talento, mas acabou sendo engolido pelos estúdios e relegado mais à televisão. Mas tem vários bons filmes no currículo. Voltou à ALÉM DA IMAGINAÇÃO mais três vezes: THE LATERNESS OF THE HOUR (1960), THE NIGHT OF THE MEEK (1960) e TWENTY TWO (1961), todos na segunda temporada.

GODZILLA RAIDS AGAIN (1955)

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Primeira continuação de GODZILLA, que já comentei aqui no blog no no início de 2017. Não é melhor que seu antecessor, mas para quem curte esses clássicos filmes de Daikaiju (monstro gigante), GODZILLA RAIDS AGAIN é um prato cheio, até porque já aqui ele tem um outro monstro como oponente, o espinhoso Anguirus, para deixar as coisas mais hiperbólicas e divertidas. Só acho que perde para o anterior pelo tom muito sério e uma falta de refinamento, um certo cuidado visual e dramático que não vejo por aqui e que GODZILLA esbanjava. Obviamente a troca na direção, do genial Ishirō Honda, por Motoyoshi Oda tenha um bocado a ver com isso…

Na trama, temos Kobayashi, um piloto que durante um vôo precisa fazer um pouso de emergência em uma ilha. Só que não é uma ilha qualquer, e não demora muito o sujeito avista dois grandes monstrengos trocando desaforos numa batalha épica. Um piloto colega consegue resgatar Kobayashi em algum momento e eles sobrevoam a ilha e percebem que confronto é entre Anguirus e Godzilla. Todo mundo fica encucado quando ouvem que Godzilla foi avistado numa ilha em algum lugar do Pacífico.

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O que é estranho, já que Godzilla havia morrido por um dispositivo de destruição em massa no filme anterior… Mas GODZILLA RAIDS AGAIN não se preocupa muito em explicar seu retorno, e eu não faço questão em saber. Só quer ver monstros lutado, quebrando e explodindo coisas!

O exército japonês é convocado para reuniões de emergência para discutir a situação dos monstros. A oportunidade perfeita para apagarem as luzes e Takashi Kimura, um dos protagonistas do antecessor, levante e comece a falar da ameaça que estão lidando, além de mostrar “filmes caseiros” sobre Godzilla. O que nada mais é que cenas do primeiro filme, quando o espectador que já assistiu a GODZILLA tem a oportunidade de tirar um cochilo enquanto os realizadores resolvem resumir e reviver tudo o que aconteceu no filme de 1954.

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O sujeito disserta como Godzilla é um monstro fodão, praticamente indestrutível, arrasou cidades inteiras e como só foi possível pará-lo com um dispositivo destruidor de oxigênio. O problema é que o cara que criou tal arma está morto e levou consigo o segredo da fórmula para o túmulo. A apresentação do cara continua e continua, só faltou um power point, mas pelo menos temos as imagens do primeiro filme com Godzilla causando a maior destruição…

Eventualmente, Godzilla e Anguirus aparecem em alguma cidade japonesa e acabam numa refinaria de petróleo, como se fossem dois elefantes numa loja de cristal, explodindo tudo que vêem pela frente, num trabalho de efeitos especiais de maquetes sensacionais como é o habitual dessas produções japonesas.

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Após quebrar a cara de Anguirus, Godzilla resolve bater em retirada e os militares tentam rastreá-lo para não perdê-lo de vista. Mas perdem. Como você perde uma lagartixa de trinta andares que está fodendo com a vida dos japoneses? Talvez seja porque seu rastreamento envolve pessoas escrevendo em tabuletas de giz, empurrando pequenos barcos modelo em mapas de mesas e enviando barquinhos de pesca para procurá-lo.

Mas o bom e velho Kobayashi finalmente localiza Godzilla na mesma ilha que havia realizado o pouso forçado no início do filme. O que leva a uma das cenas mais absurdas de todo o filme – Godzilla sendo derrotado, enterrado em uma avalanche (causada por Kobayashi), que mais parecem ser um monte de cubos de gelo, com seus bracinhos acenando freneticamente no ar! E pronto. Fácil assim. A arma de hidrogênio não foi capaz de matar Godzilla como todos esperavam, mas enterrá-lo em uma avalanche de neve e gelo é a solução perfeita! Esperem só até a chegada da primavera pra ver o que acontece…

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Apesar dessa galhofa toda no final, GODZILLA RAIDS AGAIN possui uma pegada mais séria do que deveria, o que os próximos filmes vão deixando de lado. Quero dizer, se você quer assistir a filmes do Godzilla pela gozação, este aqui não deve funcionar. Tirando os momentos mais insanos, o filme é bem paradão e mesmo assim não chega ao nível do tratamento de GODZILA, cuja história é realmente impactante sobre o alvorecer da era atômica. Mas, também não deixa de ser uma continuação digna do grande clássico que é o filme de 1954.

A MORTE NOS SONHOS (Dreamscape, 1984)

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Não sei porque nunca havia conferido DREAMSCAPE antes. Devo ter tido azar na infância, nunca peguei passando na TV, não lembro de ter visto nas locadoras. E embora soubesse da sua existência quando já não era mais moleque, acabava empurrando pra frente. Pensei até que DREAMSCAPE fosse mais um rip-off de Indiana Jones por algum motivo e isso me desanimava. Não que eu não goste de rip-off de Indiana Jones, mas nunca tava no clima pra encarar este aqui. Na verdade, o verdadeiro motivo que me fazia pensar tal coisa era o cartaz maldito deste filme, que toda vez que via me parecia uma cópia descarada de OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA. Não estou zoando, podem comparar e tirar suas próprias conclusões:

Enfim, DREAMSCAPE foi um dos filmes mais legais que assisti nos últimos dias. E não! Não tem NADA A VER com qualquer aventura de Indiana Jones. Na verdade é uma ficção científica divertidíssima, bem movimentada e aterrorizante que lembra mais um outro filme, atual, de um certo Christopher Nolan… DREAMSCAPE explora algumas noções fascinantes envolvendo a natureza dos sonhos e o desejo de poder controlá-los. Em seguida, dá um passo adiante com a hipótese de ser capaz de entrar nos sonhos de outras pessoas e salvá-los de algum tormento, pesadelo ou até mesmo matar o indivíduo que sonha.

Dennis Quaid interpreta Alex Gardner, um jovem com poderes mentais extraordinários, que é recrutado por Max Von Sydow para se juntar a um projeto experimental secreto que permite que uma pessoa se torne um participante ativo dos sonhos de outrem. Alex é um bocado cético quanto a sua finalidade, mas começa a acreditar na potencialidade do projeto depois de entrar no universo dos sonhos de algumas cobaias. Por exemplo, os pesadelos de um menino onde ele ajuda a combater um sinistro monstro, metade homem, metade cobra, que tormenta as noites do pobre garoto.

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Christopher Plummer, que vive um engravatado do governo, planeja usar tal tecnologia para enviar um assassino (o sempre excelente David Patrick Kelly) para dentro dos sonhos do presidente dos Estados Unidos (Edward Albert). No calor do último ato, Alex entra no sonho do presidente para salvá-lo de Kelly, que domina o universo dos sonhos como ninguém, podendo lutar como Bruce Lee, se transformar no homem-cobra e fazer suas unhas se tornarem grandes e afiadas como facas (como Freddie Krueger, outro personagem de unhas letais que ataca nos sonhos de suas vítimas… Coincidência? Ambos filmes, este aqui e A HORA DO PESADELO, foram lançados no mesmo ano).

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Algumas sequências são impressionantes e não vão sair da memória tão cedo. Especialmente as que acontecem nos sonhos: há uma incrível que se passa no alto de um arranha-céu; o garotinho cortando a cabeça do “homem-cobra”; o sonho “molhado” da secretária do projeto, interpretada pela Senhora Spielberg, Kate Capshaw; e o grande final, com Alex dentro do sonho do presidente, encarando uma horda de zumbis num mundo pós-apocalíptico. Continuar lendo

THE TWILIGHT ZONE: THE MOVIE (1983)

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Aproveitando a maratona ALÉM DA IMAGINAÇÃO, que comecei esses dias, vamos falar então da atualização que este clássico da televisão, criado pelo grande Rod Serling, recebeu nos anos 80. Mas estou falando do filme, THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, e não da própria série de TV que retornou nos anos 80 e que teve três temporadas entre 1985 e 1989.

Em 1983, Steven Spielberg produziu e co-dirigiu THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, versão cinematográfica do seriado. A ideia era reunir alguns dos nomes mais interessantes do cinema de fantasia e horror do período e compilar no formato de antologia um longa que fizesse uma homenagem aos clássicos episódios de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, mas também aproveitar dos novos recursos e tecnologias que os anos 80 possuíam em relação ao período em que o seriado clássico fora produzido.

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Além do próprio Spielberg na direção, temos Joe Dante (GREMLINS), George Miller (série MAD MAX) e o grande John Landis (UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES), que é um sujeito que eu tenho dado uma atenção especial aqui no blog recentemente. E obviamente não poderia deixar de citar  THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE como um dos seus principais trabalhos. Não apenas pelo seu talento envolvido nesse projeto, mas por ter acontecido aqui, exatamente aqui, sob a sua direção, a maior TRAGÉDIA já ocorrida e filmada na história do cinema. Mas já vamos falar sobre isso…

Antes, é preciso ressaltar que Landis é o único dos quatro diretores que teve um trabalho extra em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE e realizou também o prólogo. Esta introdução é uma história bem curtinha, no qual temos os astros Dan Aykroyd e Albert Brooks num carro ao longo de uma estrada no meio da noite. Entediado, eles começam a fazer joguinhos para passar o tempo, como tentar adivinhar temas de programas de TV, discutem a série ALÉM DA IMAGINAÇÃO clássica e até que ponto era assustador e tal…. O diálogo é ótimo e eu poderia ver duas horas de filme só com esses dois papeando! Até que em determinado momento, Aykroyd decide mostrar a Brooks algo REALMENTE assustador…

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É uma boa maneira de começar as coisas. Mantém o público ligado porque desconfiamos que alguma coisa vai acontecer, mas não se sabe o que… E configura de forma eficiente o clima do que está por vir em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE. Aykroyd e Brooks têm uma química excelente e é uma pena que nunca tenham trabalhado juntos de novo. Esse pequeno segmento é um dos mais memoráveis de todo o filme – se não for uma das melhores cenas de abertura de qualquer filme de qualquer gênero, de qualquer época…

É de John Landis também o primeiro episódio da antologia. Chama-se TIME OUT e é um típico conto clássico de ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Estrelado por Vic Morrow, vivendo um sujeito preconceituoso, que entra em um bar e insulta todas as minorias possíveis. Quando sai do local, ele simplesmente volta no tempo e se encontra na Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, e todos os nazistas pensam que ele é judeu. Então o prendem e tentam levá-lo para um campo de concentração. Mas então outras viagens temporais entram inexplicavelmente na sua jornada. É, por exemplo, confundido pela KKK, que pensam que ele negro e tentam pendurá-lo pelo pescoço, ou logo depois, quando termina no Vietnã em mais situações em que se vê confrontado pela sua raça ou cor de pele…

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Mas para além da “lição de moral” que o episódio passa, fica um gosto amargo assisti-lo depois de saber que foi  durante as filmagens deste pequeno segmento que Vic Morrow morreu tragicamente num acidente. Mas a coisa foi bem mais desagradável. A cena do episódio é a seguinte: Morrow carregava duas crianças em seu colo enquanto um helicóptero sobrevoava para resgatá-los. E agora já não é mais ficção, é a realidade: O helicóptero deu pane por conta das explosões no cenário, caiu e sua hélice em movimento simplesmente decapitou Morrow E AS DUAS CRIANÇAS. E as câmeras filmaram tudo isso. Apesar de não dar para ver muita coisa (a cena acontece num lago e quando a hélice bate nas vítimas, vê-se mais água do que alguma possível violência), não vou postar o video aqui, mas é fácil de encontrar no youtube.

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