ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.8: TIME ENOUGH AT LAST (1959)

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Hey! Já fazia um tempinho que não postava sobre algum episódio da série ALÉM DA IMAGINAÇÃO por aqui. Ainda estamos na primeira temporada e chegamos a um dos episódios mais divertidos e, ao mesmo tempo, cruéis de todo o seriado. TIME ENOUGH AT LAST é o nome do episódio que traz o grande Burgess Meredith no papel de Henry Bemis, um sujeito que não quer nada na vida além de um lugar calmo e tempo para apreciar as palavras de uma página… Sejam livros, revistas, jornais, se deixar, é capaz de ler até a bula de remédios. O cara só quer ler.

Uma atividade saudável, certo? Não para Bemis, que é tão obcecado pela leitura que prejudica seu convívio social, sua mulher lhe proíbe de ler, escondendo ou hachurando livros, interfere até no seu desempenho no trabalho como caixa de banco, sempre com um romance de Dickens escondido na gaveta para dar umas lidas ao mesmo tempo em que precisa atender as pessoas na fila, deixando seu chefe furioso. A única coisa que o sujeito gosta de fazer é ler, e é a única coisa que não lhe deixam fazer.

Como um dos temas habituais da série (e de vários outros veículos de ficção científica do período) é a paranoia da corrida atômica, Guerra Fria e bombas nucleares, o episódio avança justamente quando uma grande bomba finalmente acaba com toda a vida no planeta. Menos Bemis, que estava na sua pausa para o almoço e resolveu se esconder no cofre do banco para ler um pouquinho… Ao sair do local, descobre uma nova realidade, a de que ele é o único ser vivo vagando pela terra devastada.

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O nosso herói até tenta levar numa boa, mas a solidão que lhe angustia lhe faz pensar em acabar também com a sua própria vida. Tudo muda quando ele encontra uma biblioteca cujos livros milagrosamente sobreviveram intactos à explosão. Milhares e milhares de livros lhe esperando e todo o tempo do mundo para ler… Um verdadeiro paraíso para Bemis. Seria terrível se algo acontecesse para evitar que ele finalmente desfrutasse de uma paz literária, não é? Hehe!

Escrito pelo criador da série, Rod Serling (baseado num conto de Lynn Venable) TIME ENOUGH AT LAST é um episódio mais leve e divertido na maior parte do tempo, mas muito efetivo na sua “mensagem”, alertando para um contexto desesperador. Uma leveza que se contrapõe perto da complexidade de sentimentos que o episódio desperta, mas por isso mesmo tão interessante.

É o tipo de exemplar que vai se perdendo ao longo do seriado, que vai ficando cada vez mais sério e sombrio nas abordagens dos temas a cada episódio. Mas aqui, como estamos ainda no início, era possível ter um contexto sério num episódio bem humorado, embora em determinado momento a situação de Bemis fique mais dramática e o desfecho seja um soco muito bem dado na fuça do espectador. Mas TIME ENOUGH AT LAST é notável devido à astúcia do enredo, o final irônico e cruel é simplesmente inesquecível e a performance de Burgess Meredith, uma das mais marcantes de ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

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Outro destaque de TIME ENOUGH AT LAST é o design de produção deslumbrante do cenário pós-apocalíptico, muito efetivo em sua desolação e bem utilizado pelo diretor John Brahm, que faz aqui sua estreia na série. Brahm foi um dos cineastas mais requisitados de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, trabalhando em doze episódios ao longo do seriado. Nascido na Alemanha, o sujeito seguiu os passos de vários profissionais do cinema daquele país, que deram no pé quando Hitler assumiu o poder no início da década de trinta. Possui uma filmografia bem interessante, apesar de hoje não ser muito lembrado, e dedicou grande parte da carreira a fazer seriados.

Já o ator principal de TIME ENOUGH AT LAST, Burgess Meredith, apareceu em um total de quatro episódios de ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Mas sem dúvida alguma foi aqui que fez seu desempenho mais conhecido da série, como o infeliz, abatido e ávido leitor Henry Bemis, numa atuação cativante. Os fãs da série de filmes ROCKY vão se lembrar dele como Mickey, o treinador de Rocky Balboa.

Se você não viu este episódio, dê uma conferida. deve ter no youtube. Mesmo que não vá assistir a série inteira, pelo menos TIME ENOUGH AT LAST é diversão garantida, uma pequena joia da ficção científica televisiva que não vai decepcionar.

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FAREWELL TERMINATOR (1987)

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FAREWELL TERMINATOR é o primeiro filme de Isaac Florentine, realizado ainda em seu país natal, Israel, uma mistura de ficção científica pós-apocalíptica com ação e artes marciais, e que não chega a 30 minutos de duração.

O clima lembra os filmes do gênero daquele período, os rip-off de MAD MAX, principalmente os produzidos pelos italianos e também as tralhas do Cirio H. Santiago e gente dessa laia, mas já demonstra um modesto talento e estilo próprio de Florentine em coduzir cenas de ação e pancadaria. Além da capacidade de trabalhar com pouquíssimo recurso, mas muita criatividade, utilizando como cenário uns entulhos de concreto e sujeira, ruinas de prédios e carros batidos para compor uma atmosfera que funciona muito bem.

A história não é nada de mais. Mas não era intenção do Florentine, que escreveu o roteiro junto com Yehuda Bar-Shalom, gastar fosfato em um roteiro mais elaborado que serviria apenas de veículo para que o próprio Florentine explorasse seus interesses intelectuais e filosóficos… como tiros e pontapés na cara, por exemplo.

Ainda assim, a trama não deixa de ser interessante: no futuro, o governo utiliza uma espécie de polícia especial, conhecida como Terminators, para eliminar os rebeldes. Acompanhamos Dror, um policial que está prestes a se aposentar e ganhar passe livre para sair do país. Em seu último dia de trabalho, precisa enfrentar Schneider (o próprio Florentine), um ex Terminator que trocou de lado. Ainda na trama, Dror descobre que está com sua cabeça a prêmio e que a polícia está por trás disso. É uma boa premissa… com menos de meia hora de duração então, dá pra se divertir um bocado.

E o foco fica mesmo na ação e nas cenas de luta. Não são perfeitas, tão bem montadas e coreografadas como os filmes posteriores do diretor, como NINJA e UNDISPUTED III. No entanto, percebe-se claramente porque o cara conseguiu emprego rapidinho em solo americano, a princípio fazendo alguns B Movies e episódios de Power Ranges (Argh!)… depois voltou a se dedicar a fazer B Movies, mas com um pouco mais de grana, com atores conhecidos, como Van Damme, Dolph Lundgren, Gary Daniels e seu ator habitual, Scott Adkins.

FAREWELL TERMINATOR não é tão fácil de encontrar, eu suponho, mas se você tiver a oportunidade, não perca. Vale muito como curiosidade para quem já é fã de filmes de ação de baixo orçamento, especialmente do trabalho do Isaac Florentine, e também para os fanáticos por obras obscuras de ficção pós-apocalíptica dos anos 80.

MAD MAX: ESTRADA DA FÚRIA (Mad Max: Fury Road, 2015)

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Divagações rápidas sobre este novo episódio, pra fechar a série de comentários que fiz na semana passada. Estava aqui pensando… Trinta anos separam ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO de MAD MAX: FURY ROAD e, durante esse tempo, o cenário do cinema de ação foi de mal a pior. Tirando, claro, as raras exceções que ainda encontramos a cada ano, frequentemente soltamos um “não se faz mais filmes de ação como antigamente…”, lamento quase unânime entre os fãs de ação old school. E aí precisou vir esse senhor de setenta anos, que atende pelo nome de George Miller, retornando ao universo que criou há quase quatro décadas, para mostrar à maioria dos diretores atuais do gênero que, na verdade, eles não têm a mínima noção do que fazem. Continuar lendo

MAD MAX – ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO (Mad Max Beyond Thunderdrome, 1985)

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E ontem foi o grande dia da estreia do tão aguardado MAD MAX: FURY ROAD, o quarto episódio da saga do personagem Max Rockatansky e suas desventuras no universo definitivo do pós-apocalipse. Mas, como só vou poder ver o filme hoje à noite, seguimos ainda com um dos antigos, MAD MAX – ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO, que até outro dia era responsável por fechar a trilogia com chave de ouro. Continuar lendo