DOMINO – Primeiras impressões

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Algumas opiniões de usuários do Letterboxd sobre DOMINO, novo filme do Brian De Palma:

Some of the most impressive shit Brian De Palma has ever shot. A continuation of the ideas and themes seeded in Redacted by way of Passion’s aesthetic adventures. Definitely not the film it was originally supposed to be, but in a weird way the fragmented quality only makes it more intriguing. I pity the poor bastards who tried to market this as a straight action thriller.

Whew. Clearly botched but still manages to be one of the most formally creative and impressive action/thrillers of the past few years. The final neon-drenched set-piece (mostly in slow motion) is truly something to behold.

90s De Palma with the political intrigue of Redacted. I’m glad this finally came out, this film is fantastic.

CLEARLY compromised yet despite this still manages to be one of De Palma’s best. Almost feel’s like if an amazing director tried to make a thriller in the style of The Room, but as crazy as that sounds it fucking works. This film is pure camp combined with De Palma’s masterful filmmaking. If we ever get his cut, it could truly be a perfect film.

PS: Features the greatest use of split screen in cinema.

Woefully troubled behind-the-scenes. Basically a hunk of scraps, but what scraps! (…) Starts as a Hitchcock riff and ends in a neon slow-motion reality of bodies disconnected from their own frame-of-reference, liberated towards a new plane of action and movement.

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CANNES 2019 – PREMIADOS

COMPETIÇÃO OFICIAL

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Palme d’Or
PARASITE, de Bong Joon-ho

Grand Prize of the Festival
ATLANTIQUE, de Mati Diop

Jury Prize
BACURAU, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles
LES MISÉRABLES, de Ladj Ly

mv5bndc5ywe3odmtntkzzc00mjlklwe4ntmtzddlnzixota2mdmzxkeyxkfqcgdeqxvymtm2mzg4ma4040._v1_.jpgMelhor ator
Antônio Banderas, por DOLOR Y GLORIA, de Pedro Almodóvar

Melhor Atriz
Emily Beecham, por LITTLE JOE, de Jessica Hausner

Melhor Diretor
Jean-Pierre e Luc Dardenne, por LE JEUNE AHMED

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Céline Sciamma, por PORTRAIT DE LA JEUNE FILLE EN FEU

Menção Especial
IT MUST BE HEAVEN, de Elia Suleiman

FIRST BLOOD em Cannes

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Passa hoje no Festival de Cannes numa cópia restaurada, em 4K, a obra-prima FIRST BLOOD, de Ted Kotcheff, mais conhecido no Brasil como RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR, um dos meus filmes de cabeceira. A sessão vai contar com a presença do próprio Sylvester Stallone (apresentando também as primeiras imagens do novo filme do personagem, RAMBO V – LAST BLOOD). Mas o que eu quero realmente saber é: será que agora, que vai passar num festival de tamanho prestígio e conceito, FIRST BLOOD vai finalmente receber o devido valor daquela parcela da crítica preconceituosa e cinéfilos elitistas que acham que o filme é só um exemplar exagerado de ação oitentista? Será que finalmente vão reconhecer a sua magnitude colossal? Espero que sim…

PARASITE

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Dois tweets de críticos direto do Festiva de Cannes que me fizeram ficar com água na boca por esse novo filme do Bong Joon-ho, PARASITE:

De A.A. Dowd:

Mostly loved Bong Joon-ho’s PARASITE, an insane, ingenious farce about desperate times calling for some very desperate measures. Bong being Bong, the tone veers wildly, but always in service of the class politics.

Rory O’Connor:

PARASITE: A near perfect film from Bong Joon-ho. Further confirms the director as cinema’s greatest large canvas political satirist since Verhoeven.

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TARANTINO EM CANNES [+trailer]

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O novo filme de Tarantino era um dos mais aguardados na competição oficial do Festival de Cannes desde quando fora anunciado aos 45 minutos do segundo tempo. A sessão de estreia foi exatamente hoje e, pelas reações do povo por lá, aparentemente ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD será mais um grande filme do diretor. Indiewire, The Guardian, Screendaily, e vários outros falaram bem. Só que as reações positivas não foram unânimes e, curiosamente, vi vários críticos brasileiros desgostosos com o filme… Tinha que ser.

A impressão inicial que deu pra sentir em alguns comentários que andei lendo é a de que se você é fã do trabalho de Tarantino, provavelmente não vai se decepcionar, e vai “sacá-lo” mais do que o frequentador médio de cinema, que só quer conferir as novidades do fim de semana. Parece que não é um filme perfeito, mas demonstra muita paixão pelos filmes, pelo cinema que Tarantino tanto ama e que os fãs do cara vão se sentir em casa. Enfim, tô só fazendo um registro. Eu particularmente caguei pra essas opiniões e continuo com as minhas boas e velhas expectativas. E depois deste novo trailer que soltaram hoje, minha animação aumentou ainda mais:

RICK DALTON é o cara!

Não conhecem RICK DALTON? Trata-se de um personagem fictício do novo filme de Quentin Tarantino, ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD, interpretado por Leonardo DiCaprio. Um ator de filmes de ação e western spaghetti nos anos 60, cujos filmes, que não existem obviamente, ganharam esses fake-posters lindões:

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ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD estréia hoje em competição oficial no Festival de Cannes.

TRÊS NOTÍCIAS

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Três boas notícias que podem alegrar sua segunda-feira:

 

• John Hillcoat, diretor de umas coisas fenomenais, como A PROPOSTA e A ESTRADA, foi escalado para dirigir um remake de WITCHFINDER GENERAL, clássico de Michael Reeves estrelado por Vincent Price. Será produzido por Nicolas Winding Refn.

• Assim que finalizar a ficção científica AD ASTRA, o próximo trabalho de James Gray será ARMAGEDDON TIME, que está sendo anunciado como um filme autobiográfico, baseado nas memórias de infância do diretor.

• Provavelmente meu diretor francês favorito em atividade, Leos Carax (LES AMANTS DU PONT-NEUF, POLA X, HOLY MOTORS), está preparando um novo filme, um musical chamado ANNETTE, que já tem confirmado Adam Driver e Marion Cotillard no elenco.

10 DOUBLE ZERO, um cagesploitaion

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A sinopse oficial do filme diz que 10 DOUBLE ZERO será ambientados na Louisiana, onde dois policiais partem numa jornada de vingança caçando assassinos de policiais. Mas à medida em que se aproximam dos alvos principais, eles se vêem envolvidos numa conspiração dentro da força policial.

Nic Cage, pelo visto, anda com certa moral. Deve estrelar este aqui e já possui uma fila de produções a serem lançadas este ano, sendo que algumas eu estou realmente interessado em conferir, como COLOR OUT OF SPACE, de Richard Stanley, que eu já anunciei aqui, e PRISONERS OF THE GHOSTLAND, dirigido pelo japonês maluco Sion Sono.

10 DOUBLE ZERO já está em fase de pré-produção e será dirigido por Christian Sesma, um especialista em filmes de ação de baixo orçamento “direct to video” cujo trabalho eu não conheço. Quem sabe tá aí um novo talento a ser descoberto?

MAD MEL E SEU BANDO SELVAGEM

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Eu nem lembrava mais desse projeto, mas o site Deadline me lembrou hoje que Mel Gibson está envolvido na direção e no roteiro da refilmagem do clássico MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA. Aparentemente, Mad Mel começou a reunir o seu bando selvagem: Michael Fassbender, Jamie Foxx e o anão mais querido da atualidade, Peter Dinklage, entraram em negociações para fazerem parte do grupo.

É legal lembrar que a ideia de refilmar a obra-prima de Sam Peckinpah não é nenhuma novidade. Em 2006, por exemplo, o diretor e roteirista David Ayer estava em negociações para dirigir o remake. Na época, Ayer só tinha um trabalho no currículo como diretor, o ótimo TEMPOS DE VIOLÊNCIA (Harsch Times, 2005). Como se sabe, a coisa não foi pra frente. Por volta de 2011, Tony Scott era o nome anunciado para comandar a bagaça. No ano seguinte Toninho pulou de uma ponte e não está mais entre nós… Infelizmente, porque eu adorava o que ele vinha fazendo nos últimos anos antes de sua morte. E agora surge Mel Gibson e, pela primeira vez, a coisa toda não parece um boato. Aparentemente, o projeto está avançando.

E, olha, tô encarando isso com muita boa vontade. “Ain, mas não podem refilmar esse clássico do meu Peckinpah“. Porra, eu tô cagando que é um remake! Relevo totalmente esse fato! É um western com uma premissa massa dirigido pelo MEL GIBSON, bicho, com todas as liberdades criativas que ele quiser fazer. Ponto. O resto é resto… Só o fato de ter um anão no elenco já mostra que será diferente. Deve ser mais uma homenagem, algo que reverencia o original, do que um remake xerox.

O filme original, dirigido por Peckinpah é sobre um grupo envelhecido de foras-da-lei à procura de um último grande golpe enquanto o tradicional oeste americano desaparece ao seu redor e a era industrial começa a tomar conta de tudo. Eles são perseguidos por um bando liderado por um ex-parceiro. O filme tinha os casca-grossas Wiliam Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates e Ben Johnson no elenco.

Por isso, a única coisa discutível até o momento é que o elenco que tem se formado até o momento é bem mais jovem, e eu preferia que pelo menos isso fosse como no original, com atores mais envelhecidos. Mas não dá pra querer tudo. Mel Gibson é um puta diretor e tem tudo pra ser um western fodido, cheio de sequências de ação com o primor que lhe é capaz, como em APOCALYPTO (2006) e ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Racksaw Hidge, 2016). Este, aliás, foi o último trabalho de Gibson na direção, e deve ter dado novamente uma moral ao sujeito. O filme foi um sucesso de crítica e comercial, arrecadando mais de US $ 170 milhões nas bilheterias e conquistando seis indicações ao Oscar, vencendo melhor mixagem de som e melhor edição.

BACURAU EM CANNES

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BACURAU, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, é o representante brasileiro em competição em Cannes. Ontem teve a sua estreia e parece que surpreendeu o público do festival. O tweet do crítico A. A. Dowd, do A.V. Club, me deixou bem animado:

BACURAU is wild shit. I would not have guessed that dude who made NEIGHBORING SOUNDS would turn around and (co)direct a movie that reminds me of John Carpenter, Wes Craven, and FIRST BLOOD. But this is where we are, and I’m glad we got here.

O filme ainda tem o grande Udo Kier no elenco… Enfim, agora BACURAU entrou definitivamente  na lista de prioridades para este ano.

TARANTINO EM CANNES

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Depois de alguma hesitação, se Quentin Tarantino conseguiria finalizar seu novo filme, ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD, a tempo de uma premiere no festival de Cannes, que começa no próximo dia 14, a organização do evento anunciou hoje que o filme do sujeito estaria oficialmente pronto para o mundo.

Aos 45 do segundo tempo, portanto, depois de uma primeira lista de filmes em competição já ter sido anunciada, como disse neste post, teremos Tarantino com ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD na disputa pela Palma de Ouro, 25 anos depois de ter ganhado o prêmio neste mesmo festival com PULP FICTION.

Ambientado em Hollywood, no final dos anos 1960, ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD é estrelado por Leonardo DiCaprio e Brad Pitt, respectivamente, como Rick Dalton, um ator de filmes de ação, e Cliff Booth, seu dublê de longa data. Os dois moram ao lado de Sharon Tate (Margot Robbie), a atriz grávida, esposa do diretor Roman Polanski, que foi assassinada pelos seguidores de Charles Manson em 1969.  Curioso para saber como Taranta vai retratar todo o universo que rodeia esses acontecimentos… Emile Hirsch, Timothy Olyphant, Kurt Russell, Bruce Dern, Damian Lewis, Dakota Fanning, Al Pacino, e vários outros, estão no elenco.

THE LIGHTHOUSE

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THE LIGHTHOUSE é o novo trabalho de Robert Eggars, diretor do fantástico A BRUXA, um dos meus filmes de horror favoritos da década.

Existem poucas informações sobre este THE LIGHTHOUSE até agora, mas a primeira imagem (acima), liberada esta semana, já deu um gostinho de ansiedade. Foi anunciado como um filme de fantasia, horror, drama, mas parece ser algo bem intimista, pouco povoado (como era também o trabalho anterior do diretor), centrada em torno desses dois sujeitos e um farol na Nova Escócia. Atualmente, o filme só lista os dois atores no imdb: Willem Dafoe, que interpreta um personagem chamado “Old”, e Robert Pattinson.

Eggers vem se revelando um cineasta defensor da criação de um senso de autenticidade. Pattinson e Dafoe recentemente confirmaram que as condições de filmagem de THE LIGHTHOUSE eram “duras” e que os dois dificilmente se falavam, exceto nas suas cenas juntos. Em uma entrevista recente, Pattinson chegou a dizer que queria dar um soco em Eggers de tão obsessivo ele era. Além disso, Eggers se manteve firme em gravar em filme preto-e-branco de 35mm, evitando a recomendação de filmar em digital e depois converter na pós-produção.

A A24 Films, que também distribuiu A BRUXA, distribuirá THE LIGHTHOUSE, que terá sua estréia no Festival de Cannes agora em maio, fora da competição.

CANNES 2019

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Na última quinta saiu a seleção oficial do Festival de Cannes deste ano e me parece que a competição será bem boa. Obviamente sempre tem um ou outro filme cujo interesse da minha parte é zero, como o novo do Xavier Dolan, diretor de alguns dos piores filmes que vi nos últimos anos. Mas no geral, a seleção deste ano tem uma maioria que me desperta, no mínimo, curiosidade, incluindo trabalhos de diretores dos quais nunca ouvi falar.

Já dos nomes que me interessam do cinema atual, à saber, teremos Jim Jarmusch, Bong Joon-Ho e Marco Bellocchio. Outros, já gostei mais em tempos passados, hoje já não tenho muita paciência, mas mesmo assim acho que é sempre válido uma conferida (Pedro Almodóvar, Terence Malick e os irmãos Dardene)… Vai que acertam…

Segue a lista da seleção (com eventuais comentários gratuitos):

A HIDDEN LIFE, de Terence Malick: É sobre um austríaco que se recusa a lutar pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. É uma boa premissa, o problema é que desde A ÁRVORE DA VIDA Malick, ao invés de fazer FILMES, prefere fazer snapchats, stories de instagram, ou melhor, trailers de três horas de duração… Aí fica difícil.

ATLANTIQUE, de Mati Diop

BACURAU, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles. É o nosso representante brasileiro. Não sou muito fã de O SOM AO REDOR e até hoje não vi AQUARIUS. Mas este aqui pode surpreender. Além disso o filme conta com a presença de Udo Kier… ❤

DOLOR Y GLORIA, de Pedro Almodóvar. Sobre um diretor de cinema que reflete sobre as escolhas que ele fez na vida. Deve ter algo de autobiográfico. Com Antonio Banderas, que já estava virando astro de filmes de ação B em Hollywood.

FRANKIE, de Ira Sachs

IL TRADITORE, de Marco Bellocchio. O diretor é um dos grandes mestres do cinema atual, mas vai ser difícil ver um filme sobre um mafioso chamado Tommaso BUSCETTA sem soltar umas risadas ou fazer piadas… Ainda assim, é um dos mais aguardados.

IT MUST BE HEAVEN, de Elia Suleiman. Uma comédia sobre um cineasta, aparentemente o próprio Elia Suleiman, que viaja para diferentes cidades e encontra paralelos inesperados de sua terra natal, a Palestina… A ideia me lembra um bocado o que o Nanni Moretti fazia nos anos 90.

LE JEUNE AHMED, Jean-Perre e Luc Dardenne. Os irmãos Dardenne têm um estilo muito próprio, muito peculiar, que com o passar dos anos me cansou um bocado acompanhar seus filmes. Mas ainda tenho boas lembranças de ROSETTA e O FILHO. E acho que eles são bons em abordar assuntos espinhosos. Este aqui, por exemplo, será sobre um adolescente que trama um plano para matar seu professor depois de fazer uma interpretação extremista do Alcorão.

LES MISÉRABLES, de Ladj Ly

LITTLE JOE, de Jessica Hausner. Tem uma pegada sci-fi: Uma planta geneticamente modificada espalha suas sementes e parece causar mudanças surpreendentes em criaturas vivas.

MATTHIAS & MAXINE, de Xavier Dolan. Tô fora!

THE WILD GOOSE LAKE (Nan Fang Che Zhan De Ju Hui), de Yi’nan Diao

PARASITE, de Bong Joon-ho. Depois de duas super produções internacionais, O EXPRESSO DO AMANHÃ e OKJA, Bong retorna seu olhar ácido para o lado podre da sua amada Coreia do Sul. Outro dos mais aguardados da competição.

PORTRAIT DE LA JEUNE FILLE EN FEU, de Céline Sciamma

ROUBAIX, UNE LUMIÈRE, de Arnaud Desplechin. O diretor já é um veterano do cinema francês, mas nunca vi nada dele. Este aqui me interessa: Um chefe de polícia do norte da França tenta resolver um caso em que uma mulher idosa foi brutalmente assassinada.

SIBYL, Justine Triet

SORRY WE MISSED YOU, de Ken Loach. Já ganhou um monte de Palma de Ouro esse senhor. Vi pouca coisa dele, mas me parece um diretor interessante, sempre com uma preocupação sobre as questões sociais que afligem os ingleses. Não deve ser diferente este aqui…

THE DEAD DON’T DIE, de Jim Jarmusch. O sujeito já fez desconstrução de alguns gêneros (gangster, vampiros, western…). Agora é a vez do zombie movie. Não sei se vai dar certo, mas adoro o trabalho do Jarmusch e só pelo elenco que reuniu aqui já vai valer a pena: Bill Murray, Steve Buscemi, Tom Waits, Danny Glover, Iggy Pop, Adam Driver, Tilda Swinton, Chloe Sevigny e é melhor parar por aqui… Acho que é o meu favorito dessa seleção.

THE WHISTLERS, de Corneliu Porumboiu

Uma pena que os filmes novos do James Gray, Verhoeven e Tarantino não ficaram prontos a tempo…

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Cartaz deste ano, uma homenage à Agnès Varda

[trailer] DOMINO, DE BRIAN DE PALMA… Bom, pelo menos esperamos que ainda seja

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Sete anos depois de seu último trabalho, o injustamente ignorado PASSION, Brian De Palma parece estar oficialmente de volta com um filme fresquinho. Depois de vários problemas e atrasos que nem valem a pena comentar agora (mas vale dizer que o De Palma não teve o corte final da produção, então temos que torcer para que o estúdio não tenha cagado tudo e seja o que Deus quiser…), o thriller DOMINO finalmente será lançado em maio nos cinemas e no mercado VOD. O  primeiro trailer apareceu hoje.

No elenco temos Nicolaj Coster-Waldau (GAME OF THRONES), Carice van Houten (GAME OF THRONES também) e Guy Pearce (de um monte de filmes). A trama de DOMINO é sobre um policial de Copenhague que procura justiça, numa caçada de gato e rato, pelo responsável do assassinato de seu parceiro, cometido por um homem misterioso.

O RETORNO DE RICHARD STANLEY, COM NIC CAGE, EM ADAPTAÇÃO DE LOVECRAFT

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Não sei o que é melhor nessa notícia. Richard Stanley voltar a dirigir; Nic Cage novamente se envolvendo com os produtores de MANDY; ou o fato dessa turma toda estar adaptando um Lovecraft. De vez em quando coisas boas acontecem… Segundo o site Deadline, Nicolas Cage foi escalado para estrelar uma adaptação de A COR QUE CAIU DO CÉU, do mestre do horror H.P. Lovecraft, de 1927. O filme será dirigido pelo cineasta sul-africano Richard Stanley, em seu primeiro longa (de ficção) em vinte anos. Para Cage, o projeto também é uma nova parceria com a produtora SpectreVision, que realizou MANDY, um dos melhores filmes do ano passado. As filmagens da adaptação de A COR QUE CAIU DO CÉU devem começar já no mês que vem.

Para comemorar, recomendo assistir aos dois principais trabalhos de Stanley: HARDWARE (1990) e DUST DEVIL (1992), este último, uma obra-prima esquecida do horror noventista que merece urgentemente uma redescoberta. Stanley ficou conhecido também pelas atribuladas filmagens da versão de A ILHA DO DR. MOREAU, de 1996, com Val Kilmer e Marlon Brando, finalizado por John Frankenheimer. Depois de ser demitido da produção – e por conta de outras atitudes, como por exemplo usar explosivos em tentativa de sabotar o andamento das filmagens – o diretor entrou numa lista negra e nunca mais conseguiu filmar em condições “normais”. O máximo que conseguiu era um curta-metragem aqui, uns video-clipes ali, documentários acolá… Finalmente Stanley tem sua chance de sair do limbo.

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SCHRADER NO OSCAR

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Os membros da academia não tiveram colhões pra eleger FIRST REFORMED, último trabalho de Paul Schrader, entre os indicados a Melhor Filme. Mas isso já era esperado. Uma pena que Ethan Hawke também não esteja entre os escolhidos na disputa de Melhor Ator. Fará falta. O sujeito entrega aqui uma dos mais fortes desempenhos de sua carreira. Ao menos Schrader concorrerá na categoria Roteiro Original. É difícil, mas ficamos na torcida. Porque FIRST REFORMED merece todo o reconhecimento, seja lá de onde vier, mesmo que todos falem “ah, o Oscar é uma bobagem, é uma premiação feita à base de lobby“. Mas é também o tipo de coisa que define o futuro de um cineasta veterano como Schrader. Receber um prêmio hoje é ganhar fôlego (e financiamento) para um próximo filme.

E isso vale também para o Spike Lee, que está na jogada com o seu sensacional BLACKKKLANSMAN. Esse sim, concorrendo à vários dos prêmios principais, incluindo Melhor Filme e Diretor.

FIRST REFORMED e BLACKKKLANSMAN, os dois maiores filmes do ano passado, já têm minha torcida no Oscar 2019.

PAUL SCHRADER GOES WEST

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Um dos maiores monumentos do cinema americano atual é esse senhorzinho aí em cima, que atende pelo nome de PAUL SCHRADER. Diferente de caras como John Carpenter, William Friedkin, Michael Mann, David Cronenberg, e outros velhinhos que já fizeram muita coisa legal, Schrader continua à pleno vapor, escrevendo e dirigindo, se adaptando e se reinventando no cinema contemporâneo e às novas tecnologias, novos formatos, novos meios de exibição, como um garoto de 72 anos.

Celebremos Paul Schrader… Porque se depender daqueles outros ali em cima, estamos perdidos. Sério, eu espero estar errado, mas vamos cair na real que nunca mais teremos um filme novo do Carpenter, Coppola, Friedkin, Mann, Cronenberg… Clint Eastwood deve fazer mais uns dois no máximo. Brian De Palma não consegue lançar nem seus filmes que já estão prontos. Fora de Hollywood, Paul Verhoeven é um milagre que esteja lançando algo este ano, mas não tenho muita esperanças. Johnnie To já anunciou a aposentadoria… Um ciclo que vai se encerrando aos poucos. E Abel Ferrara? Scorsese ainda se salva. Até quando, já não sei.

Enquanto isso, temos Schrader. Seu último filme, FIRST REFORMED, é maravilhoso e encabeçou a lista dos meus filmes favoritos do ano passado. E o cara disse essa semana, durante a premiação dos Critics Choice Awards, que agora vai fazer um western. No elenco, já apontou Willen Dafoe e Ethan Hawke, e o título por enquanto é NINE MEN FROM NOW, que remete ao clássico de Budd Boetticher, SEVEN MEN FROM NOW, com Randolph Scott e Lee Marvin. Sem mais informações no momento, é só aguardar de joelhos.

UM FILME SAINDO DA TUMBA

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Depois de THE OTHER SIDE OF THE WIND, de Orson Welles, mais um filme perdido/inacabado/não lançado de outro mestre do cinema pode ganhar sua oportunidade de ver a luz do dia. Ao que tudo indica, o grande mestre do horror moderno, George A. Romero, realizou, entre SEASON OF THE WITCH (72) e THE CRAZIES (73), um filme de 60 minutos chamado THE AMUSEMENT PARK, por volta do ano de 1973, aparentemente feito para a TV, mas nunca lançado e agora ressuscitado como uma obra digna do pai dos zombie movies!

Quem anunciou a existência dessa maravilha foi o escritor Daniel Kraus (que trabalhou com Romero) através de sua conta no Twitter. O sujeito disse que procurava o filme há vinte anos e agora estava diante da obra. Em vários tweets, Kraus vai nos deixando com água na boca chamando o filme de “uma revelação” e “o filme mais abertamente horripilante de Romero“.

Kraus ainda diz “Onde você pode ver essa obra-prima selvagem? Você não pode. Mas eu estou me dedicando a mudar isso. Este é realmente um daqueles objetos mágicos (amaldiçoados?) no qual não posso acreditar que tenha caído nas fendas cinematográficas. Vamos arrastar de volta“. Sabe-se que a esposa do falecido, Suzanne Desrocher-Romero, havia dito no começo do ano que um filme de Romero de 1973 seria restaurado e liberado. Agora sabemos que é THE AMUSEMENT PARK.

Então, agora é aguardar a restauração da obra e o seu lançamento, seja lá por qual via. Não sei quanto tempo isso vai levar, mas só de saber que teremos um filme inédito de George A. Romero, filmado nos anos 70, para poder conferir num futuro próximo já é uma das mais belas notícias deste final de década.

THE OTHER SIDE OF THE WIND EM VENEZA

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Saiu na semana passada o line up do Festival de Veneza deste ano e, fora de competição, teremos THE OTHER SIDE OF THE WIND. Nunca ouviu falar? Então prepare-se: Trata-se do último filme do gigante Orson Welles nunca completado, talvez a mais lendária e não vista produção de todos os tempos.

Na época, Welles prometeu que THE OTHER SIDE OF THE WIND seria o seu grande retorno triunfal, reuniu um elenco de figurinhas carimbadas, como os diretores John Huston e Peter Bogdanovich, mas também Susan Strasberg, Lilli Palmer, Edmond O’Brien, Cameron Mitchell, Dennis Hopper e por aí vai… As filmagens aconteceram entre 1970 e 1976 e segundo Huston, em sua autobiografia, o set era dos mais pirados que ele já pisou e que Welles simplesmente não tinha roteiro definido, portanto uma desorganização criativa pairava no ar ao mesmo tempo em que andava de mãos dadas com a poesia fílmica de seu diretor. Mas as fontes independentes de financiamento eram diversas e não muito confiáveis, a produção do filme se arrastou por muitos anos e Welles ainda tentava completá-lo quando morreu em 1985.

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Rymsza inventariando os rolos de THE OTHER SIDE OF THE WIND

Com a ajuda da Netflix, ano passado houve um esforço de crowdfunding que arrecadou 400 mil dólares para concluir essa obra final de Welles. O gerente de produção original do filme, o produtor Frank Marshall, supervisionou a conclusão do projeto, trabalhando em conjunto com o cineasta Filip Jan Rymsza, que foi um dos principais nomes na captação de recursos para esta finalização. Peter Bogdanovich, que era amigo de Welles, trabalhou diligentemente por muitos anos para completar THE OTHER SIDE OF THE WIND, mas sempre encontrou obstáculos e agora serviu de consultor no projeto Netflix. As poucas pessoas que chegaram a ver alguns trechos que Welles conseguiu completar na época de sua morte, apresentaram opiniões contraditórias, alguns dizendo que é um filme estranho e desanimador, enquanto outros o proclamam uma obra de gênio.

THE OTHER SIDE OF THE WIND passa então em setembro no Festival de Veneza e logo depois deve entrar na grade do Netflix. E se não entrar no Netflix Brasil, pelo menos já teremos outros meios de conseguir… Provavelmente, a melhor notícia do ano.

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ENCONTRARAM UM ROTEIRO PERDIDO DE STANLEY KUBRICK

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Não sei bem o que vão fazer com isso agora, mas um roteiro perdido escrito pelo diretor Stanley Kubrick e pelo romancista Calder Willingham, em 1956, foi descoberto pelo escritor Nathan Abrams, enquanto pesquisava e colhia material para um livro que está elaborando sobre a produção do último filme de Kubrick, DE OLHOS BEM FECHADOS. De acordo com Abrams, o tal roteiro foi baseado em “Burning Secret“, um romance de 1913, do escritor austríaco Stefan Zweig, e Kubrick e Willingham adaptaram-no à sociedade americana contemporânea dos anos 50. Só que o roteiro lidava com temas espinhosos e controversos demais para o período: um homem de 30 anos faz amizade com um garoto pré-adolescente com a intenção de usá-lo para ter acesso à sua mãe casada, na esperança de se tornar seu amante. O projeto surgiu num momento em que Kubrick estava começando a carreira como diretor e ainda não tinha a reputação aclamada que teve posteriormente, nem tinha influência nos estúdios. BURNING SECRET chegou a ser considerado pela MGM, mas a produção nunca ganhou sinal verde, possivelmente por causa da sensibilidade do tema em 1956.

Uma versão do romance de Zweig, baseada em outro roteiro, diferente da que fora escrita pelo diretor de LARANJA MECÂNICA, chegou a ser filmada em 1988 pelo ex-assistente de Kubrick, Andrew Birkin. No Brasil chama-se O SEGREDO DE UM HOMEM e tem Klaus Maria Brandauer e Faye Dunaway no elenco.