DVD REVIEW: ALEXANDER NEVSKY (1938); CPC UMES FILMES

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Um dos filmes mais importantes do acervo da CPC UMES Filmes é, sem dúvida alguma, ALEXANDER NEVSKY, dirigido por um dos maiores patrimônios que o cinema já criou, o diretor russo Sergei Eisenstein. Embora o filme tenha sido inicialmente concebido como propaganda de guerra, acabou que seu conteúdo foi ofuscado pela técnica. Eisenstein aproveitou algumas de suas próprias habilidades cinematográficas inovadoras para criar uma das mais surpreendentes obras-primas do período e um das mais incríveis batalhas já filmadas.

Na época, pouco antes da Segunda Guerra Mundial, o então líder soviético Joseph Stalin queria que fosse produzido um filme como ferramenta de propaganda a fim de alertar os cidadãos soviéticos para a crescente ameaça alemã. ALEXANDER NEVSKY surgiu com tais propósitos e conta a história do príncipe Alexander Vasilievich Nevsky que levou os russos a lutar contra o imperialismo teutônico germânico. O ano era 1242, e os Teutons já haviam conquistado uma grande parte do Império Russo, com ataques rápidos e pegando cidades de surpresa. A cidade de Pskov e toda a Rússia ocidental se renderam aos impotentes Teutons, que então colocaram seus olhos em Novgorod, o epítome do progresso da pátria russa no período.

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Os laços entre os alemães alemães do século XIII e a Alemanha nazista do início do século XX são claros, razão pela qual Stalin acabou proibindo ALEXANDER NEVSKY de ver a luz do dia após ter assinado o pacto de não agressão com Hitler. Pacto que foi quebrado em 1941 e Stalin acabou voltando para sua ideia original de apresentar o filme como propaganda de guerra. Era óbvio o quão poderoso o filme era, não só em termos da caracterização dos alemães como animais cruéis e invasores a serem combatidos com violência, que jogam crianças em fogueiras para serem queimadas vivas… Mas também em seu impacto geral como obra cinematográfica. Eisenstein era incapaz de fazer um filme que fosse apenas uma mensagem política e acabou criando uma verdadeira obra de arte.

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Grande parte das atenções de ALEXANDER NEVSKY se concentram na extraordinária sequência de 30 minutos da Batalha do Gelo, na qual o exército de Alexander enfrenta os alemães em um lago congelado. Segundo Eisenstein, em seu livro O sentido do Filme, que eu considero obrigatório, é nesta cena que “o aspecto audiovisual de Alexander Nevsky atinge sua fusão mais completa“. A batalha é um exemplo incrível de encenação, arquitetura da ação e como a combinação de imagem e música pode despertar emoções profundas. As composições visuais são cuidadosamente colocadas em compatibilidade com as notas musicais do compositor Sergei Prokofiev e o resultado é simplesmente magistral em todos os sentidos.

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Em ALEXANDER NEVSKY, Eisenstein demonstra que ele poderia trazer sua visão de autor mesmo trabalhando dentro dos rígidos códigos do estalinismo. Embora ele tenha sido posteriormente humilhado e exilado. Eisenstein prova aqui que o seu brilho não podia ser esquecido tão cedo. E ainda hoje seu trabalho técnico impecável impressiona. É por isso que o filme faz parte do catálogo da CPC UMES Filmes e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página deles no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

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BAT*21 – MISSÃO NO INFERNO (1988)

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Voltando ao Gene Hackman casca-grossa dos anos 80. Recapitulando, já falamos aqui de DE VOLTA PARA O INFERNO, ENTREGA MORTAL e O ALVO DA MORTE. Ainda vou comentar mais uns três ou quatro, mas por enquanto vamos de BAT*21 – MISSÃO NO INFERNO.

Curioso é que em 2001 tivemos um filme – mediano, pelo que me lembre – chamado ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS, dirigido por John Moore, no qual Gene Hackman é um almirante que mantém comunicação com o personagem de Owen Wilson ajudando-o a encarar os desafios de estar sozinho literalmente em território inimigo numa guerra. Já este BAT*21, de Peter Markle (VEIA DE CAMPEÃO), é o Hackman quem passa uma situação difícil, vivendo um tenente coronel na Guerra do Vietnã que tem o seu avião abatido por um míssil e acaba sendo o único sobrevivente numa região repleta de soldados vietcongues.

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Hackman é Hambleton, um especialista em armas que tem informações que os vietcongues desejam, e eles sabem que o sujeito está vivo em suas florestas após abaterem seu avião. A coisa esquenta ainda mais, pois Hambleton sabe também que a área em que ele se encontra está prestes a ser bombardeada pelos americanos e por isso precisa sair dali urgentemente. Trabalhando com um piloto de reconhecimento da Força Aérea que sobrevoa o local, o capitão Bartholomew Clark (Danny Glover), eles mapeiam uma rota de fuga antes que seja capturado ou que vá pelos ares…

Baseado num livro de William C. Anderson, a partir de uma história verídica (embora um bocado diferente, já que na época das filmagens o fato ainda era classificado como confidencial), BAT*21 é eficiente ao mostrar um tenente coronel, cuja participação em guerra se dá mais em planejamentos atrás de uma mesa do que combatendo em campo, encalhado no meio da selva rodeado de inimigos. Ajuda muito, portanto, um ator de peso como Hackman em convencer a transformação do seu personagem, que acaba forçado a se defender – e a matar – para manter a pele intacta.

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E esse talvez seja o ponto mais notável de BAT*21, que não é um filme de guerra com ação exagerada e que nunca tenta glorificar soldados americanos no Vietnã. Em vez disso, mostra uma aventura de perspectiva mais humana, o que acaba sendo bem mais contundente quando se trata de perdas de vidas, do ato de matar, e como esse tratamento torna alguns momentos bem mais brutais. Como toda a sequência em que os vietcongs capturam dois pilotos de helicópteros que tinham objetivo de resgatar Hambleton. Mas quando os tiros precisam comer solto, o diretor Peter Markle manda bem em criar um espetáculo explosivo, classudo e truculento. Continuar lendo

RED SCORPION (1988)

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RED SCORPION é algo um tanto extraordinário. É um típico escapismo de ação oitentista, de ótima qualidade por sinal, mas que, acreditem, serve também de base para um interessante estudo de personagem, com transformações bem construídas e uma forte intensidade emocional. Nada muito profundo, obviamente, mas fora do comum em relação a outros exemplares do gênero.

Vejamos: Dolph Lundgren interpreta um assassino soviético altamente treinado, uma verdadeira máquina de matar, enviado à África para eliminar um líder rebelde em um país comunista dominado por Cuba, mas acaba falhando em sua missão e é jurado de morte pelo seu próprio país. Foge pelo deserto onde passa por uma experiência transcendental filosófica com um nativo africano que lhe mostra a essência da vida. Ele retorna para os rebeldes agora com o objetivo de unir-se a eles, arranja uma metralhadora bem grande e detona o maior número de carcaça soviética num final explosivo!!! Não é de chorar?

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Há o lado político de RED SCORPION, que é uma das propagandas mais bobas que eu já vi. Um russo que muda de lado e extermina comunista?! Pffff, tinha que ser coisa do produtor Jack Abramoff, famigerado lobista de Washinghton que foi preso há alguns anos condenado por corrupção e fraudes… dizem que hoje trabalha numa pizzaria. Mas houve um tempo em que suas visões políticas eram colocadas nos filmes que produzia, como este aqui.

Mas o que vale mesmo é a atuação de Dolph Lundgren e as transformações, não políticas, mas universais e humanas, que seu personagem sofre no decorrer do filme. No elenco ainda temos Brion James, também fazendo sotaque russo, e M. Emmet Walsh vivendo um jornalista americano preconceituoso que detesta o Dolph, mas deve ser porque é velho, barrigudo e acabado, enquanto Dolph é aquela montanha de músculos e no calor africano, usa pouquíssimas roupas, para alegria da mulherada (ou de alguns rapazes que jogam no outro time… nada contra).

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Outro destaque vai para as sequências de ação, dirigidas pelo grande Joseph Zito, o mesmo cara que fez BRADDOCK e a obra-prima INVASÃO USA, ambos com o Chuck Norris! Então já dá pra confiar, o cara é da pesada e filma ação com uma truculência absurda e RED SCORPION deve ter mais testosterona que a urina do Mike Tyson! É explosão que não acaba mais, armamento pesado cuspindo fogo freneticamente, há uma perseguição no meio do deserto que lembra INDIANA JONES, com Dolph pulando de um caminhão pra uma motocicleta e, depois, de volta para o caminhão, tudo em movimento e trocando balas com seus perseguidores. O final é um espetáculo pirotécnico que só o bom cinema de ação dos anos 80/90 sabia promover.

E vale ressaltar que a direção de Zito não é apenas notável nas cenas de ação. O sujeito realmente sabe tirar proveito das belezas naturais dos cenários africanos, principalmente nas sequências em que Dolph encara o deserto ao lado do nativo e participa do ritual do escorpião, ganhando uma tatuagem e o título de “Red Scorpion”. O visual do filme impressiona e no fim das contas estamos diante de um místico action movie casca-grossa.

RED SCORPION ganhou uma continuação durante os anos 90, sem o Dolph, que acabei não assistindo ainda.

ESPECIAL DON SIEGEL #17: O INFERNO É PARA OS HERÓIS (Hell is for Heroes, 1962)

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por DANIEL VARGAS

“Eu nunca farei um filme sobre guerra a não ser que seja extremamente anti-guerra. Lado nenhum ganha uma guerra. É muita hipocrisia nações que entram em guerra, todos com seus padres e ministros rezando pelo mesmo Deus por vitória. Guerra é fútil e sem sentido. É verdade que o inferno é para os heróis. E também é verdade que o inferno é o único lugar para “heróis”.

E depois de dizer essas palavras que Don Siegel realiza aqui seu único filme de guerra, e também a única parceria dele com Steve McQueen, esse que colhia os frutos do recente sucesso de Sete Homens E um Destino, retoma o papel do durão em combate, novamente se vendo em uma situação de desvantagem, como um sargento rebaixado para posição de soldado por problemas com bebida e de comportamento. Anti-social e com graves problemas com autoridade (ou mesmo psicológicos, ou com a guerra em si), ele se junta a um grupo de soldados em Montigny, França, em 1944, à uma área próxima a perigosa Siegfried Line.

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Rejeitando qualquer interação social com os outros soldados, antipático e de poucas palavras, vira quase uma pária em um grupo que já se preparava para voltar para casa, quando uma nova missão é enviada para seu comandante: tentar segurar tropas alemãs de continuar avançando na região. O único problema é que os nazistas detêm mais dados, maior quantidade de tropas, e maior quantidade de fogo. E a única coisa que os impede de passar por cima do pequeno grupo de aliados é não saber o quão forte é o task-force inimigo. Aí que entra as habilidades do soldado Reese (McQueen), que convence seu sargento superior (Harry Guardino) a bolar um plano mirabolante para fazer eles parecerem que estão em maior número e com maior poder de fogo do que parece. De falsas conversas no telefone com quartel-general (eles descobrem uma escuta alemã em seu bunker) até tentar fazer o barulho de um Jeep parecer com um de tanque, eles precisam quebrar a cabeça para redefinir a arte da ilusão.

Em uma produção obviamente de baixo orçamento, Siegel faz o que pode para construir cenas impactantes (algumas cenas dos soldados morrendo em campos minados são angustiantes), mas o que o filme tem de melhor mesmo é se livrar dos clichês  sobre irmandade entre soldados na guerra. O filme vai construindo sua tensão até o final brutal (obscuro e pessimista, um frescor audacioso para esse tipo de tema). Pena que seu desenvolvimento e narrativa truncada não ajudem muito. O elenco mal aproveitado conta também com James Coburn (que também vinha de Sete Homens) fazendo pouco mais que uma participação, sem desenvolver um personagem realmente forte. Quando lançado, foi visto como o filme de guerra genérico que é, mas com o passar do tempo, e com a popularidade do Siegel, acabou virando “cult”.

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Semelhante à seu personagem, McQueen teve vários problemas com a “autoridade”. De executivos do estúdio até Robert Pirosh, o roteirista e diretor inicial do longa, que logo foi substituído por Siegel e nunca perdoou McQueen por ter tirado seu “bebê” dele. Quando Siegel assumiu, inicialmente também não foi muito lá recebido pelo ator rebelde, mas logo os dois entraram no mesmo ritmo e, aparentemente, terminaram amigos até o resto de suas vidas!  Não foi o caso de Bobby Darin, outro que se desentedia constantemente com o astro. Muito se disse que o comportamento foi uma espécie de “método” que o McQueen estava usando para se manter no personagem, mas logo se percebeu que era apenas uma desculpa esfarrapada para ele continuar sendo um cretino com todos à sua volta. Havia inclusive uma máxima de todos na produção, sobre o protagonista do filme dizendo que “o pior inimigo de Steve McQueen, era ele mesmo”. Certa vez um colunista veio visitar os sets de filmagem e após também testemunhar o comportamento “errático” de McQueen, teria dito a mesma frase para alguém ao lado. Darin, que estava por perto e acabou ouvindo, logo tratou de interromper a conversar e afirmar enfaticamente: “Não enquanto eu estiver por perto!”