GODZILLA RAIDS AGAIN (1955)

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Primeira continuação de GODZILLA, que já comentei aqui no blog no no início de 2017. Não é melhor que seu antecessor, mas para quem curte esses clássicos filmes de Daikaiju (monstro gigante), GODZILLA RAIDS AGAIN é um prato cheio, até porque já aqui ele tem um outro monstro como oponente, o espinhoso Anguirus, para deixar as coisas mais hiperbólicas e divertidas. Só acho que perde para o anterior pelo tom muito sério e uma falta de refinamento, um certo cuidado visual e dramático que não vejo por aqui e que GODZILLA esbanjava. Obviamente a troca na direção, do genial Ishirō Honda, por Motoyoshi Oda tenha um bocado a ver com isso…

Na trama, temos Kobayashi, um piloto que durante um vôo precisa fazer um pouso de emergência em uma ilha. Só que não é uma ilha qualquer, e não demora muito o sujeito avista dois grandes monstrengos trocando desaforos numa batalha épica. Um piloto colega consegue resgatar Kobayashi em algum momento e eles sobrevoam a ilha e percebem que confronto é entre Anguirus e Godzilla. Todo mundo fica encucado quando ouvem que Godzilla foi avistado numa ilha em algum lugar do Pacífico.

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O que é estranho, já que Godzilla havia morrido por um dispositivo de destruição em massa no filme anterior… Mas GODZILLA RAIDS AGAIN não se preocupa muito em explicar seu retorno, e eu não faço questão em saber. Só quer ver monstros lutado, quebrando e explodindo coisas!

O exército japonês é convocado para reuniões de emergência para discutir a situação dos monstros. A oportunidade perfeita para apagarem as luzes e Takashi Kimura, um dos protagonistas do antecessor, levante e comece a falar da ameaça que estão lidando, além de mostrar “filmes caseiros” sobre Godzilla. O que nada mais é que cenas do primeiro filme, quando o espectador que já assistiu a GODZILLA tem a oportunidade de tirar um cochilo enquanto os realizadores resolvem resumir e reviver tudo o que aconteceu no filme de 1954.

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O sujeito disserta como Godzilla é um monstro fodão, praticamente indestrutível, arrasou cidades inteiras e como só foi possível pará-lo com um dispositivo destruidor de oxigênio. O problema é que o cara que criou tal arma está morto e levou consigo o segredo da fórmula para o túmulo. A apresentação do cara continua e continua, só faltou um power point, mas pelo menos temos as imagens do primeiro filme com Godzilla causando a maior destruição…

Eventualmente, Godzilla e Anguirus aparecem em alguma cidade japonesa e acabam numa refinaria de petróleo, como se fossem dois elefantes numa loja de cristal, explodindo tudo que vêem pela frente, num trabalho de efeitos especiais de maquetes sensacionais como é o habitual dessas produções japonesas.

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Após quebrar a cara de Anguirus, Godzilla resolve bater em retirada e os militares tentam rastreá-lo para não perdê-lo de vista. Mas perdem. Como você perde uma lagartixa de trinta andares que está fodendo com a vida dos japoneses? Talvez seja porque seu rastreamento envolve pessoas escrevendo em tabuletas de giz, empurrando pequenos barcos modelo em mapas de mesas e enviando barquinhos de pesca para procurá-lo.

Mas o bom e velho Kobayashi finalmente localiza Godzilla na mesma ilha que havia realizado o pouso forçado no início do filme. O que leva a uma das cenas mais absurdas de todo o filme – Godzilla sendo derrotado, enterrado em uma avalanche (causada por Kobayashi), que mais parecem ser um monte de cubos de gelo, com seus bracinhos acenando freneticamente no ar! E pronto. Fácil assim. A arma de hidrogênio não foi capaz de matar Godzilla como todos esperavam, mas enterrá-lo em uma avalanche de neve e gelo é a solução perfeita! Esperem só até a chegada da primavera pra ver o que acontece…

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Apesar dessa galhofa toda no final, GODZILLA RAIDS AGAIN possui uma pegada mais séria do que deveria, o que os próximos filmes vão deixando de lado. Quero dizer, se você quer assistir a filmes do Godzilla pela gozação, este aqui não deve funcionar. Tirando os momentos mais insanos, o filme é bem paradão e mesmo assim não chega ao nível do tratamento de GODZILA, cuja história é realmente impactante sobre o alvorecer da era atômica. Mas, também não deixa de ser uma continuação digna do grande clássico que é o filme de 1954.

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