GHIDORAH – THE THREE-HEADED MONSTER (1964)

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Vi outro Godzilla. Tô ficando viciando nesses filmes de monstro japoneses, também conhecidos como filmes de monstros de roupa de borracha destruidores de maquetes. Tenho assistido aos poucos, devagar quase parando, os tempos atuais não me permitem assistir tudo de uma vez, mas tá bacana acompanhar essa franquia em sequência e perceber a progressão de cada produção, como cada obra se esforça para superar o filme anterior especialmente em termos de destruição e grandiosidade.

Em GHIDORAH – THE THREE-HEADED MONSTER, o diretor Ishiro Honda e sua turma chutaram o pau da barraca e colocaram quatro monstros no mesmo filme (um deles o Godzilla), que não apenas lutam entre si, mas também se unem para encarar um inimigo em comum, que neste caso é Ghidorah, o monstro espacial de três cabeças. E essa é uma fórmula que vai marcar a franquia para sempre, que passa a povoar cada filme da série com o maior número de monstros possíveis em alianças e tretas em escalas gigantescas.

bscap0184bscap0181A trama começa com uma chuva de meteoros que chamam a atenção da população que observa os céus maravilhado. Um meteorito específico cai numa região montanhosa e intriga os cientistas com suas propriedades magnéticas poderosas. Numa história paralela a essa, a princesa de uma pequena nação é misteriosamente poupada da morte, saltando instantes antes de seu avião explodir no ar. Quando a garota atordoada, que milagrosamente sobreviveu à queda devido a uma força alienígena, aparece em público, ela sofre de amnésia e fala para todos que veio de outro planeta. Além disso, a moça começa a fazer premonições, como a que Godzilla e Rodan irão ressurgir e causarão destruição mais uma vez.

Mas o verdadeiro problema é um monstro do espaço chamado Ghidorah, que ela alerta com mais ênfase, dizendo ser capaz de destruir toda a raça humana. Eventualmente, o tal meteorito ultra magnético que caiu nas montanhas se abre e liberta o grandioso Ghidorah.

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Em algum lugar no Japão, Godzilla e Rodan aparecem e começam a brigar. Mothra (que eu já apresentei aqui no blog) intervém na briga e pede aos outros dois monstros para que ajudem a defender a humanidade do monstro espacial de três cabeças. GHIDORAH – THE THREE-HEADED MONSTER marca portanto um importante ponto de virada na história da série Godzilla. Afinal, é aqui que o famoso monstro japonês se torna um defensor da raça humana… Claro, na cena em que surge ele explode um navio cheio de inocentes tripulantes, mas no decorrer da trama acaba convencido a virar a casaca… Então, no fim das contas temos Godzilla, Mothra e Rodan vs. Ghidorah. Parece covardia, mas Ghidorah é foda pra cacete e daria uma surra em qualquer um deles caso resolvesse bancar o fodão sozinho…

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A subtrama com os humanos também evolui e se desdobra num thriller de ação interessante com a descoberta de que o avião da princesa fora sabotado. Como ela ainda se contra viva, mesmo com amnésia, há toda uma conspiração para matá-la e assassinos profissionais são enviados com esse objetivo. Um policial resolve se meter à guarda-costas da moça, o que nos leva a algumas sequências rápidas de tiroteios em meio ao festival de destruição de cidades em miniatura causada pelos monstrengos.

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Godzilla e Mothra são duas figuras já conhecidas por aqui, embora este último só compareça em GHIDORAH na sua forma de larva, do jeito que termina o filme anterior, MOTHRA VS GODZILLA. Quem faz estreia na série é Rodan, que já havia estrelado seu próprio kaiju, RODAN (1956), também dirigido por Honda, e Ghidorah, que acaba por ser um dos mais poderosos vilões dentre os quais Godzilla e sua turma tiveram que encarar. Mesmo que demore um pouco para que todos os kaijus apareçam juntos na tela e comecem a esmagar as coisas e bater uns nos outros, ainda temos sempre alguns momentos absurdos proposto pelo roteiro que, apesar de risíveis e altamente questionáveis, é o que fazem a obra ser ainda mais divertida, como a sequência em que Mothra consegue interferir na batalha entre Godzilla e Rodan para convencê-los de encarar Ghidorah, enquanto as duas gêmeas em miniatura (sim, elas estão de volta!) narram o que os monstros estão falando… Desses momentos inacreditáveis que de tão constrangedor acaba por ser também hilário!

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No comando da coisa toda, Ishiro Honda manda bem novamente nas sequências de pancadaria de kaijus, abusando de efeitos especiais cada vez melhores e miniaturas cada vez mais realistas sendo destruídas enquanto os monstros trocam golpes e raios, com um trabalho de câmera bem legal, enquadramentos tortos, planos abertos, à distância, que dão noção da grandiosidade dessas batalhas…

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GODZILLA (1954) ainda pode ser o melhor exemplar, com sua seriedade e um contexto histórico relevante, e fica evidente que nenhuma das sequências são refinadas em termos de roteiro, narrativa e atuações, como o clássico que deu origem a isso tudo, mas isso não importa muito. Esses filmes são sobre monstros destruindo miniaturas e trocando socos entre si. E a esse respeito, GHIDORAH – THE THREE-HEADED MONSTER definitivamente não decepciona, especialmente por Honda acertar em cheio ao escalar vários monstros nipônicos para tretarem num único filme, o que acaba por ser um registro importante de uma época onde a imaginação e a inocência eram cruciais para encantar o público. Tá certo que tudo isso não passou de um ensaio para o que estaria por vir, já que em 1968, Honda ainda faria um compêndio de monstros ainda maior, em DESTROY ALL MONSTERS. Mas a gente ainda chega lá.

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MOTHRA VS. GODZILLA (1964)

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Mothra é uma mariposa gigante criada pelo estúdio Toho em 1961 num filme que apresentava suas origens e levava seu nome no título, MOTHRA. Ao longo dos anos acabou se tornando um dos mais populares Daikaijus da Toho, perdendo apenas para Godzilla em seu número total de aparições em produções. E já em seu segundo filme, como o título indica, Mothra é colocado para tretar com o Rei dos Monstros em MOTHRA VS GODZILLA!

Se KING KONG VS GODZILLA já foi bizarro o suficiente, como comentei neste post, esperem só para ver a doidera que é MOTHRA VS GODZILLA. A trama é muito simples, mas recheada de elementos esquisitos que me faziam soltar um “pqp” em voz alta a cada revelação estranha que aparecia na tela…

Executivos capitalistas inescrupulosos estão à solta, construindo um resort à beira-mar em algum lugar qualquer do Japão. O filme abre com um tufão que atinge o local com toda a sua fúria e arrasa com os preparativos da inauguração do empreendimento. Quando as coisas se acalmam, um ovo gigantesco é encontrado em terra.

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Os capitalistas perversos não perdem a chance e compram o ovo dos aldeões que vivem na região com a intenção de torná-lo a principal atração do local. Surgem então duas criaturinhas do tamanho de um latão de Itaipava, duas moças minúsculas, que suplicam se poderiam por favor ter seu ovo de volta. Sim, são bem educadas. O repórter Ichiro Sakai (Akira Takarada), a fotógrafa Junko Nakanishi (Yuriko Hoshi) e o professor Miura (Hiroshi Koizumi) são simpáticos e fazem o melhor que podem para convencer aos devotos capitalistas a devolverem o gigantesco ovo. Mas não conseguem…

O artefato veio trazido pelo tufão de uma ilha misteriosa e logo descobrimos que é um ovo de Mothra, a mariposa gigante. A tal ilha tinha sido local de testes de bombas nucleares que naturalmente, ao longo dos anos, produziu todo tipo de coisas estranhas, como mariposas gigantescas e mocinhas em miniatura. Com isso, MOTHRA VS GODZILLA não ia perder a chance de cutucar os causadores de males humanitários, todo o filme é marcado por um monte de propaganda sobre os perigos dos testes atômicos, uma das paranoias recorrentes do período.

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Enquanto isso, do nada, de repente, Godzilla está de volta… Já nem me recordo qual foi o fim que lhe deram em seu último filme, KING KONG VS. GODZILLA, mas o fato é que ele sempre retorna, sempre procurando coisas para pisar e esmagar. O exército tenta de todos os meios possíveis, em vão, parar o réptil gigante jogando o que podem em cima dele, raios elétricos, tanques de guerra que não economizam chumbo, bombas lançadas pela força aérea e até redes gigantescas jogadas sobre o Daikaiju.

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Mas o trio protagonista percebe que apenas Mothra pode salvar a humanidade de Godzilla. E não demora muito, o monstrengo surge nos ares – não o do ovo, este continua quietinho – mas outro, um protetor da ilha radioativa, que encara Godzilla numa batalha daquelas que só o grande diretor especialista em Kaijus, Ishirô Honda, sabia filmar. Foi ele quem realizou o GODZILLA original e também o filme sobre a origem de Mothra… E é difícil imaginar como, em 1964, uma mariposa gigante seria retratada voando e lutando contra Godzilla, mas MOTHRA VS. GODZILLA não poderia estar em mãos melhores.

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Óbvio que não chega no nível do confronto entre King Kong e Godzilla, no filme anterior, também dirigido por Honda, mas é interessante ver como o diretor se vira para tornar a coisa divertida, com uso de stop motion, bom trabalho de câmera, planos sempre abertos, mostrando tudo o que tinha direito e aproveitando ao máximo dos poderes dos dois monstrengos.

Desta vez, Tóquio não é atingida pelo caos e destruição que esses monstros causam quando resolvem trocar desaforos. Mas ainda há estrago suficiente para alegrar os corações dos fãs de filmes de monstros gigantes. Cidades costeiras são devastadas, um complexo industrial é esmagado por Godzilla e o caos generalizado habitual acontece de forma linda. E tudo é muito bem feito, os efeitos especiais são muito bons para o período e o uso de maquete é aquela coisa incrível de sempre.

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E o tal ovo? Bom, lá pelas tantas saem de dentro duas larvas de Mothra que cospem uma teia e ajudam a derrotar Godzilla. Mas a essa altura, a gente já se acostumou com as bizarrices do filme… Ou não…

Aparentemente, há uma versão americana de MOTHRA VS GODZILLA que elimina algumas cenas e acrescentam outras. A que eu assisti é a japonesa mesmo, que é altamente recomendável. Filminho de monstro divertido, bobo mas cheio de momentos memoráveis para os fãs de Daikaiju.

KING KONG VS GODZILLA (1962)

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Parecia uma ideia absurda, reunir os dois monstros gigantes mais famosos do cinema, King Kong e Godzilla, num mesmo filme, só para vê-los brigar e destruir coisas… Mas aconteceu, KING KONG VS. GODZILLA é um fato. Tudo por causa de Willis O’Brien, que tinha feito os efeitos especiais para o KING KONG original lá de 1933. No final da década de 50, ainda nos Estados Unidos, O’Brien tentou levar adiante um projeto que seria intitulado KING KONG vs. FRANKENSTEIN, em que “Frankenstein” seria um monstro gigante criado de diferentes animais. Mas nenhum estúdio americano se interessou, exceto um produtor, John Beck, que acabou oferecendo o projeto para produtora japonesa Toho, que substituiu Frankenstein por Godzilla e voilá, o resultado foi este petardo.

Na trama, eventos meteorológicos misteriosos no Ártico estão causando preocupação suficiente para a ONU enviar um submarino para investigar. Não demora muito, Godzilla aparece no local. emergindo de um enorme iceberg. Lembrando que no desfecho de GODZILLA RAIDS AGAIN, o segundo filme da série, o lagartão é soterrado por pedras de gelo numa ilha misteriosa… Como foi parar no Ártico eu já não sei e o filme, dessa vez, não faz questão alguma de explicar.

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Enquanto isso, uma empresa farmacêutica japonesa envia um cientista para uma remota ilha do Pacífico para garantir suprimentos de uma nova droga que é encontrada apenas nesta ilha. A empresa também está procurando uma grande atração publicitária, então os relatos de um gigante gorila no local torna a ilha ainda mais interessante para eles: o monstro poderia ser uma ótima jogada de marketing e vendas. Continuar lendo

GODZILLA RAIDS AGAIN (1955)

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Primeira continuação de GODZILLA, que já comentei aqui no blog no no início de 2017. Não é melhor que seu antecessor, mas para quem curte esses clássicos filmes de Daikaiju (monstro gigante), GODZILLA RAIDS AGAIN é um prato cheio, até porque já aqui ele tem um outro monstro como oponente, o espinhoso Anguirus, para deixar as coisas mais hiperbólicas e divertidas. Só acho que perde para o anterior pelo tom muito sério e uma falta de refinamento, um certo cuidado visual e dramático que não vejo por aqui e que GODZILLA esbanjava. Obviamente a troca na direção, do genial Ishirō Honda, por Motoyoshi Oda tenha um bocado a ver com isso…

Na trama, temos Kobayashi, um piloto que durante um vôo precisa fazer um pouso de emergência em uma ilha. Só que não é uma ilha qualquer, e não demora muito o sujeito avista dois grandes monstrengos trocando desaforos numa batalha épica. Um piloto colega consegue resgatar Kobayashi em algum momento e eles sobrevoam a ilha e percebem que confronto é entre Anguirus e Godzilla. Todo mundo fica encucado quando ouvem que Godzilla foi avistado numa ilha em algum lugar do Pacífico.

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O que é estranho, já que Godzilla havia morrido por um dispositivo de destruição em massa no filme anterior… Mas GODZILLA RAIDS AGAIN não se preocupa muito em explicar seu retorno, e eu não faço questão em saber. Só quero ver monstros lutado, quebrando e explodindo coisas!

O exército japonês é convocado para reuniões de emergência para discutir a situação dos monstros. A oportunidade perfeita para apagarem as luzes e Takashi Kimura, um dos protagonistas do antecessor, levante e comece a falar da ameaça que estão lidando, além de mostrar “filmes caseiros” sobre Godzilla. O que nada mais é que cenas do primeiro filme, quando o espectador que já assistiu a GODZILLA tem a oportunidade de tirar um cochilo enquanto os realizadores resolvem resumir e reviver tudo o que aconteceu no filme de 1954.

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O sujeito disserta como Godzilla é um monstro fodão, praticamente indestrutível, arrasou cidades inteiras e como só foi possível pará-lo com um dispositivo destruidor de oxigênio. O problema é que o cara que criou tal arma está morto e levou consigo o segredo da fórmula para o túmulo. A apresentação do cara continua e continua, só faltou um power point, mas pelo menos temos as imagens do primeiro filme com Godzilla causando a maior destruição…

Eventualmente, Godzilla e Anguirus aparecem em alguma cidade japonesa e acabam numa refinaria de petróleo, como se fossem dois elefantes numa loja de cristal, explodindo tudo que vêem pela frente, num trabalho de efeitos especiais de maquetes sensacional como é o habitual dessas produções japonesas.

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Após quebrar a cara de Anguirus, Godzilla resolve bater em retirada e os militares tentam rastreá-lo para não perdê-lo de vista. Mas perdem. Como você perde uma lagartixa de trinta andares que está fodendo com a vida dos japoneses? Talvez seja porque seu rastreamento envolve pessoas escrevendo em tabuletas de giz, empurrando pequenos barcos modelo em mapas de mesas e enviando barquinhos de pesca para procurá-lo.

Mas o bom e velho Kobayashi finalmente localiza Godzilla na mesma ilha que havia realizado o pouso forçado no início do filme. O que leva a uma das cenas mais absurdas de todo o filme – Godzilla sendo derrotado, enterrado em uma avalanche (causada por Kobayashi), que mais parecem ser um monte de cubos de gelo, com seus bracinhos acenando freneticamente no ar! E pronto. Fácil assim. A arma de hidrogênio não foi capaz de matar Godzilla como todos esperavam, mas enterrá-lo em uma avalanche de neve e gelo é a solução perfeita! Esperem só até a chegada da primavera pra ver o que acontece…

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Apesar dessa galhofa toda no final, GODZILLA RAIDS AGAIN possui uma pegada mais séria do que deveria, o que os próximos filmes vão deixando de lado. Quero dizer, se você quer assistir a filmes do Godzilla pela gozação, este aqui não deve funcionar. Tirando os momentos mais insanos, o filme é bem paradão e mesmo assim não chega ao nível do tratamento de GODZILA, cuja história é realmente impactante sobre o alvorecer da era atômica. Mas, também não deixa de ser uma continuação digna do grande clássico que é o filme de 1954.

GODZILLA (Gojira, 1954)

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Revendo o primeiro GODZILLA, de Ishiro Honda. Uma metáfora pesada dos horrores provenientes de armas nucleares. É um filme que carrega ressonância alegórica muito séria… Quero dizer, deve ser o único filme dentre os mais de trinta que compõe a série GODZILLA que até mesmo um “crítico sério” poderia admitir ter gostado sem medo de ter sua credibilidade revogada. Bem, no meu caso não sou nem crítico nem sou sério, portanto curto até as bagaceiras divertidas e exageradas que são as continuações… Não vi todos ainda, vou aos poucos. Mas este aqui é um clássico obrigatório.

A sequência do ataque à Tóquio é um dos momentos mais marcantes. Claro, quem se propõe a ver GODZILLA espera mesmo ver o caos causado pelo monstro em todo seu esplendor. Mesmo assim a coisa surpreende, as cenas de destruição são um espetáculo de primeira. O reinado de terror de Gojira é brutal, deixando Tóquio às migalhas, em chamas, com seus hospitais abarrotados de mortos e feridos. Mas entre todas as imagens, precisamente criadas a partir de efeitos especiais, há uma que me assombra sempre que me lembro do filme. Em meio a destruição, um plano de uma mãe que abraça e consola seus filhos, prometendo que logo todos estariam junto com o pai deles, provavelmente morto também pelo monstrão. Não consigo imaginar o quão tocante e assustador deve ter sido ver uma cena dessas no Japão em 1954…

Outro momento que não dá pra esquecer é essa cena da imagem aí debaixo, quando Gojira aparece pela primeira vez e ecoa o rugido mais amedrontador da história do cinema. É de arrepiar!

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Aparentemente, a única maneira de destruir Gojira é utilizando o “Oxygen Destroyer“, do Dr. Serizawa, uma arma tão terrível que seu seu inventor hesita em relação ao seu uso. É mexer com um poder que está além do seu alcance, da mesma forma quando experimentamos armas nucleares, adverte o filme. A princípio, Serizawa recusa, dizendo que a arma seria usada em última instância para o mal. Quando a televisão transmite um coro de crianças cantando uma oração pela destruição de Gojira, Serizawa finalmente cede e concorda em usar seu dispositivo. Junto com Ogata, um dos protagonistas da trama, ele desce às profundezas do oceano e enfrenta Gojira com o seu “Oxygen Destroyer“. Mas Serizawa também sabe que o segredo de sua invenção deve morrer junto com o monstro

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Os efeitos especiais de GODZILLA até hoje impressionam. São eficazes para o seu período, Honda soube aproveitar bem e combinado com a fotografia em preto e branco o resultado é ainda mais dramático. Se eles tivessem filmado em cores acho que não teria o mesmo efeito. Claro, visto hoje GODZILLA não é perfeito nesses quesitos, percebe-se os “truques” facilmente… Mas quando se pensa nessas cenas como algo seminal, o primeiro filme de sua espécie na indústria de cinema japonesa, é preciso reconhecer o talento de um sujeito como Eiji Tsuburaya, o diretor de efeitos especiais, e toda a sua equipe.

Tsuburaya era influenciado pelo stop-motion, mas o curto tempo que teve para trabalhar em GODZILLA tornou impossível o uso desse tipo de efeito. Imaginem só, uma única sequência pode levar várias semanas para se filmar em stop-motion. Em vez disso, Tsuburaya optou por construir um traje de monstro, que seria operado por um sujeito dentro. Acabou que deu certo, Gojira é imponente, um monumento, consegue ter certo realismo na medida do possível, e o visual ficou famoso no mundo todo.

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GODZILLA até hoje se mantém fascinante como um filme sci-fi catástrofe, mas também é uma obra-prima que serve de reflexo ao seu tempo, produzido ainda na ressaca do pós-guerra, aproximadamente 10 anos depois que as bombas atômicas cairam no Japão. O impacto cultural do filme é enorme, Gojira é um ícone! E seu legado, mais de 30 filmes, é simplesmente notável. Curioso que dois anos depois, foi lançado no mercado americano com um corte totalmente diferente e o título GODZILLA – KING OF THE MONSTERS, que omite referências à bomba atômica com receio de chatear o público norte-americano. Nessa versão também filmaram outras cenas e incluiram a participação de um repórter americano que acaba entrando na aventura… Nunca vi essa versão, mas vale ressaltar sua existência.