SHOCKING DARK (1989)

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Textinho que escrevi para o Action News, sobre o sci-fi mequetrefe SHOCKING DARK, de Bruno Mattei, mestre do eurotrash, que copia na cara dura os clássicos de James Cameron, O EXTERMINADOR DO FUTURO e ALIENS.

Conheça mais este petardo lendo o meu texto aqui.

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ESPECIAL HALLOWEEN 2013 #4: THE BURNING MOON (1997)

Sempre fui fanático por antologias de horror, filmes compostos por várias pequenas histórias de medo e mistério, como CREEPSHOW (83), de George A. Romero, ou os clássicos da Amicus, como ASILO SINISTRO (72), de Roy Ward Baker. Para incrementar o mês especial de Halloween aqui no blog, resolvi conferir THE BURNING MOON, produção alemã de orçamento minúsculo dirigido pelo mago dos efeitos especiais do cinema extremo Olaf Ittenbach e que tem no currículo alguns exemplares adorados pelos fãs de splatter movies recheado de muito gore. E, não por acaso, este aqui é uma antologia.

São apenas três historinhas em THE BURNING MOON. A primeira é a que serve de base para as outras duas e mostra o dia de um jovem pagando de rebelde, com calças rasgadas no joelho e cabelo bagunçado, vivido pelo próprio diretor. Começando com uma entrevista de emprego na qual não faz a mínima questão de passar, depois, o sujeito se mete numa violenta briga de gangues e, logo, chega em casa tocando o terror pra cima de seus pais, que já não sabem o que fazer. Por fim, o mancebo resolve injetar na veia alguma substância saudável e vai ao quarto da irmã mais nova contar algumas histórias de ninar para fazê-la dormir…

Assim, surgem os dois episódios seguintes. Mas não se preocupem. Não teremos pôneis ou fadas por aqui. A primeira história contada pelo rapaz (ou a segunda do filme, seguindo a ordem) é JULIA’S LOVE, sobre um psicopata apaixonado que até chegar à sua amada vai deixando um rastro de corpos estraçalhados pelo caminho. E quando a encontra, decide passar a faca na família da moça também. A trama se desenrola de maneira boba, mas a quantidade de nojeira, sanguinolência e mutilações – no mais puro gore old school – farão o deleite do espectador. Inclusive com alguns planos bem criativos, como uma barriga sendo perfurada visto de dentro do corpo; um olho enfiado garganta abaixo sob o ponto de vista da goela, e por aí vai. Ao final, um policial chega ao local metendo bala, chateado porque uma cabeça decepada foi jogada em seu carro pelo assassino… Hahaha!

O último segmento de THE BURNING MOON é bem melhor. Chama-se THE PURITY e a premissa é sobre um padre num pequeno vilarejo que costuma realizar a missa ao dia, mas durante as noites resolve estuprar e assassinar aleatoriamente. A culpa cai pra cima de um jovem agricultor que não tem nada a ver com os assassinatos, mas os moradores da região decidem contratar um jagunço para matá-lo. O negócio é que após ser brutalmente assassinado, o sujeito volta do mundo dos mortos para se vingar, levando seus desafetos ao inferno.

É aí que temos a famosa sequência que justifica a reputação e a existência de THE BURNING MOON. São quase dez minutos no inferno de Olaf Ittenbach, um espetáculo visual de brutalidade desenfreada com violência explicitamente detalhada, exagerada e sem qualquer remorso com o espectador. E tudo realizado com os efeitos especiais de fundo de quintal, mas com uma perturbadora eficiência que me deixou hipnotizado. Um final perfeito para esta tranqueira divetidíssima do cinema extremo alemão, que não tenta empurrar lições de moral, nem trata de temas edificantes e filosóficos. Mas também não tem vergonha de se assumir como produto de um sujeito apaixonado por cinema e que descobriu que poderia transformar sangue falso e efeitos hardcore de maquiagem em subversão visual cinematográfica.

ESPECIAL HALLOWEEN 2013 #03: LA LLAMADA DEL VAMPIRO (1972)

Não poderia faltar um Eurohorror obscuro neste especial de Halloween. LA LLAMADA DEL VAMPIRO, dirigido por José María Elorrieta, é uma produção espanhola do período áureo do exploitation daquele país e que combina com muita desenvoltura algumas doses de sexo com o universo dos chupadores de sangue. O filme até pode não ser uma maravilha, uma obra prima do horror (e não é mesmo), mas sexo e vampiros são dois elementos perfeitamente compatíveis quando misturados.

Após uma introdução na qual uma loura vampira tenta atacar um velhote num castelo e tem o peito cravado por uma estaca, somos apresentados a uma jovem doutora e sua bela assistente que chegam a um vilarejo espanhol para substituir o médico local, que acabara de bater as botas. Logo, são instaladas num antigo castelo local para ficarem à disposição especial do Barão que vive por lá, um ancião muito doente, que por coincidência trata-se do mesmo velho e do mesmo castelo do início do filme.

O problema é que uma onda de mortes tem acontecido na região. Os corpos estão sempre secos, sem sangue, e com dois furinhos no pescoço. No diário do falecido médico surge a palavra vampirismo, uma besteira para a cética médica, que tem seus conceitos baseados na ciência e acaba confrontando com as superstições do vilarejo, sem imaginar que a verdade pode não ser aquilo que acredita.

E diferente de outros exemplares do gênero, até que LA LLAMADA DEL VAMPIRO tenta explorar de alguma maneira o mistério das crenças e do ceticismo de alguns personagens. E por isso a trama acaba tendo momentos parados, só de conversa fiada, e isso prejudica o ritmo… Mas não impede de ter também os ingredientes que o tornam um típico exploitation, como a violência, que abusa do sangue fake avermelhado, e umas sequências de, digamos, putaria: espanholas em trajes mínimos, peitos gratuitos, sexo lésbico, essas coisas…

Claro, se você nunca tiver assistido a um Eurotrash na vida, não conhece Jess Franco, Jean Rollin, Joe D’Amato, José Ramon Larraz, não há sangue e mulher pelada que te ajude. A minha recomendação é distância de LA LLAMADA DEL VAMPIRO! Agora, para quem já está familiarizado, vai desfrutar tranquilamente do que o filme tem a oferecer. O visual, por exemplo, não possui a mesma sofisticação de um Mario Bava ou as produções da Hammer, mas há uma certa atmosfera e soluções estéticas interessantes; há pelo menos um detalhe tosquíssimo para servir de humor involuntário: o tal vampiro do título, vivido por Nicholas Ney, que é extremamente ridículo! E nunca é demais lembrar que temos algumas espanholas bem à vontade…

Confesso que não conhecia o realizador José María Elorrieta até por os olhos em LA LLAMADA DEL VAMPIRO. Descobri no imdb que o sujeito já era um veterano na época que dirigiu este aqui e já possuía um currículo de mais de três décadas, incluindo vários exemplares de horror. Talvez algum dia eu explore um pouco mais a filmografia do homem. Este aqui, garanto, foi uma boa surpresa dentro do gênero.

FEMALE VAMPIRE (1973)

A abertura de FEMALE VAMPIRE é uma beleza! Lina Romay se revela através de uma densa bruma vestindo apenas uma capa preta, com os seios à mostra, vagando lentamente em direção ao público, hipnotizado pela sua formosura. A câmera do diretor Jess Franco aproveita para dar alguns dos seus zoons característicos, mostrando em planos detalhes os dotes íntimos e robustos da vestal que continua seu trajeto diretamente para a câmera até a imagem escurecer.

É uma bela homenagem do Franco à exuberância de sua atriz, esposa, musa inspiradora, Lina Romay, que faleceu recentemente, vítima de câncer, aos 58 anos… E aqui prestamos a nossa singela homenagem à ela, pelo amor e dedicação que sempre teve ao cinema extremo e por ter inspirado esse prolífico cineasta a fazer mais de 200 obras!

FEMALE VAMPIRE é um dos filmes ideais para homenageá-la, embora não seja um dos meus favoritos do Franco. Na verdade, trata-se uma dessas produções mais discretas do diretor, realizado com pouquíssimo recurso, talvez filmado em três dias no máximo, com várias cenas claramente improvisadas e sem foco (da câmera mesmo!), sem roteiro, sem sentido algum. No entanto, a presença de Romay é um espetáculo. Nunca a considerei uma grande atriz, tecnicamente falando, mas para uma beldade que se vestia apenas quando o roteiro pedisse e praticava felaccios não simulados para as câmeras do marido, o talento pode ficar em segundo plano, não tem problema… hehe! Ela era perfeita naquilo que fazia.

Se há uma trama para ser descrita aqui, seria algo parecido com isso: Lina Romay é uma vampira muda que ao invés de utilizar os convencionais caninos para perfurar o pescoço e chupar o sangue de suas vítimas, prefere fazer um sexo mortal, cujo orgasmo leva o parceiro(a) à morte. E o filme inteiro segue nessa linha, só na sacanagem e mais sacanagem. Mas tanta sacanagem também cansa e é muito comum o Franco perder totalmente a noção de ritmo. Por outro lado, é justamente nesse tipo de filme que Franco ia às favas com a lógica ou a opinião pública, aproveitava de sua liberdade criativa, botava seu lado safado pra funcionar e ainda criava praticamente do nada uma espécie de narrativa de sonho, cheio de imagens oníricas… Talvez não funcione para o espectador comum, mas o autêntico fã de Jess Franco é igual ao sujeito que adora comer jiló, ninguém convence de que aquilo é ruim de doer!

O filme possui três cortes diferentes com graus de erotismo que variam de um para o outro, todas editadas pelo próprio Franco, utilizando pseudônimos. Na versão que eu vi, conhecida como FEMALE VAMPIRE, não há sexo explícito, apesar de uma ceninha rápida na qual Romay se empolga e abocanha o pinto do ator que contracenava. Mas se querem ver a versão mais quente, se não estou enganado, o título é EROTIKILL. Há ainda uma versão que acredito ser mais branda cujo título é LES AVALEUSES.
Eu não como jiló, mas sou fã de Jess Franco e por mais que FEMALE VAMPIRE tenha seus problemas, é um belo conto erótico sobre vampirismo que cresce a cada revisão, graças, especialmente, ao brilho da musa Lina Romay. Requiescat in pace, bella…

LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO, aka The Girl Who Knew Too Much (1963), de Mario Bava

Mario Bava dirgiu tantos filmes sem receber o devido crédito como diretor que só mesmo tendo em mãos o livro do Tim Lucas pra ter certeza o que ele realmente realizou ou não (e eu não tenho), mas é provável que este aqui seja o primeiro filme contemporâneo do diretor. Bava foi um gênio de grande influência no cinema italiano e até então só havia recriado outras épocas em seus filmes, como o terror gótico LA MASCHERA DEL DEMONIO e o peplum ERCOLE AL CENTRO DELLA TERRA.
O roteiro escrito pelo próprio Bava e outras cinco pessoas (!) para LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO é bem simples, mas consegue segurar o espectador até o último minuto com um suspense de primeira qualidade. Conta a estória de Nora Davis (Letícia Román), uma jovem america que viaja à Roma e fica hospedada na casa de uma senhora doente. Em certa noite chuvosa, após ter sua bolsa furtada, Nora bate a cabeça no chão e ainda atordoada testemunha (ou não) o assassinato de uma mulher. Com a ajuda do Dr. Marcello (John Saxon), ela tenta investigar por conta própria o mistério, sem ter a certeza se tudo não passou de uma simples ilusão, o que é mais provável para todos ao redor.

Mesmo trabalhando com algo mais próximo da realidade, LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO carrega todas as características que marcaram o cinema de Bava. É um filme que apresenta, especialmente, grande poder visual. Emoldurado por um preto e branco expressionista e de atmosfera densa, o diretor abusa de grande inventividade nos movimentos de câmera, esbanja criatividade no uso da luz e cria vários elementos que serviram de matéria prima para a criação do famigerado subgênero conhecido como giallo. Algo que seria amadurecido no ano seguinte em seu SEI DONNE PER L’ASSASSINO.

A cena em que Nora testemunha o assassinato possui uma sutileza experimental muito interessante, com a câmera distorcida e ótima edição, mostrando o delírio visual da protagonista interpretada de forma bastante segura pela bela italiana Letícia Román. Outro destaque do elenco é o grande ator americano John Saxon, sujeito subestimado em seu país e que fez mais sucesso em território europeu.

O título original e em inglês faz referência ao clássico de Alfred Hitchcock, O HOMEM QUE SABIA DEMAIS. No Brasil ficou conhecido como OLHOS DIABÓLICOS.