AVISEM OS PROFESSORES: O VINGADOR TÓXICO É UM FILME CULT

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por Gabriel Lisboa

Nos tempos em que era comum ainda andar pelas prateleiras de uma locadora para procurar o que assistir, só olhando pelas capas, eles estavam lá. Muitas vezes fora do seu habitat mais adequado e já que você nunca tinha ouvido falar acabava achando que era só um filme estranho. Não sei se foi o canal do Telecine que tornou o termo mais comum, já que antes de se tornar “Cult”, o espaço reservado para os filmes mais antigos e alternativos na TV paga era chamado de Classic. O que ainda acontece é encontrar nas locadoras, uma prateleira de filmes cult, com 2001 – UMA ODISSEIA NO ESPAÇO (68) vizinho de AMÉLIE POULAIN (01). Alguns dizem que filme cult é um filme alternativo, fora do circuito comercial dos grandes cinemas. Acabam classificando filmes não hollywoodianos automaticamente como cult. Tem gente ainda, que diz que o cult é um filme inteligente, que ganha áurea de intelectual. Aí todo mundo sai perdendo. Procurei por algumas explicações para o termo em alguns sites e blogs brasileiros só para ter certeza de como ainda se bate nas mesmas teclas (Godard e Truffaut, cults por excelência)[1]. Continuar lendo

JOE D’AMATO, UM DIRETOR COM COLHÕES

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Não se pode exigir qualidade de todas as produções do diretor italiano Joe D’Amato. Aliás, qualidade é algo que o sujeito não tem muito o costume de prezar mesmo. O que devia ser mais importante pra ele é a quantidade. Que digam os mais de 190 filmes no currículo. D’Amato, cujo nome verdadeiro era Aristide Massaccesi, filmava uns oito filmes por ano e às vezes mais de um ao mesmo tempo! Dentro desse amontoado de filmes, cuja direção era assinada com vários pseudônimos diferente, salva-se mesmo uns 20 filmes.

Mas então o cara era uma droga como diretor? Sim! Em muitos casos, o resultado de seu trabalho não era muito diferente de bosta de cavalo, então por que raios eu gosto do sujeito? Porque Joe D’Amato tinha o que muitos diretores não têm: colhões! Ele foi um dos cineastas mais ousados, corajosos e picaretas de seu tempo e toda e qualquer ideia, por mais perturbadora, iconoclasta, sádica e imoral que tivesse, era aproveitada em seus filmes.

Até aqui, este texto seria a introdução de uma análise que eu iria fazer de um dos seus petardos, o filme ROSSO SANGUE, aka ABSURD, aka ANTROPOPHAGUS 2, de 1982, mas resolvi deixar pra escrever mais tarde. Joe D’Amato vai ser figurinha constante no Dementia 13, seja com suas tralhas de baixa categoria, seja com seus filmes mais famosos.

Eis aí mais alguns motivos para gostar de Joe D’Amato:

• O canibal grego Nikos, interpretado por George Eastman, eleva seu nível de sadismo ao máximo na cena em que mastiga um feto em ANTROPOPHAGUS (1980).

• No mesmo filme, depois ter a barriga perfurada e as tripas colocadas pra fora, Nikos resolve nada mais nada menos que colocar tudo de volta pra dentro. Literalmente, o sujeito “se come”.

• D’Amatao dá uma aula de direção filmando uma autópsia extremamente realista no romance necrófilo BUIO OMEGA (1979).

• Cenas de Snuff Movies de EMANUELLE NA AMÉRICA (1977). Diz a lenda que D’Amato conseguiu imagens reais de snuff’s com mafiosos russos! Hahaha!

• Mistura de sexo explícito com terror e suspense em filmes como PORNÔ HOLOCAUSTO (1981), EMANUELLE NA AMÉRICA (1977) e EROTIC NIGHTS OF LIVING DEADS (1980).

• Realizou um dos filmes mais importantes do subgênero Nunsploitation (aqueles onde freiras sapecas são protagonistas), IMMAGINI DI UN CONVENTO (1979), com mais doses erotismo e atacando a igreja católica de todas as formas possíveis.

• Dirigiu Klaus Kinski em A MORTE SORRIU PARA O ASSASSINO (1973).

D’Amato morreu em 1999 em plena atividade e muitos outros momentos poderiam ser destacados, obviamente…