ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.4 – THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE (1959)

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Este quarto episódio da primeira temporada de ALÉM DA IMAGINAÇÃO já se destaca por ter a maravilhosa Ida Lupino como protagonista. Num papel que remete à Gloria Swanson como Norma Desmond no clássico de Billy Wilder, CREPÚSCULO DOS DEUSES. Só que com os elementos fantásticos que são habituais da série criada por Rod Serling.

Na trama de THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE, temos a velha atriz que não se dá conta de que seu momento já passou, que não tem mais idade para papeis de mulheres jovens e bonitas, ou não quer acreditar nisso… Barbara Jean Trenton (Lupino) descarta totalmente a realidade e vive agora enfurnada na sua sala de projeção, vendo e revendo seus antigos filmes românticos de trinta anos atrás, tentando reviver sua juventude. Seu agente (vivido pelo grande Martin Balsam) teme pela sanidade da mulher, assim como sua criada (Alice Frost), e faz de tudo para trazê-la de volta à realidade, que ela se aceite como a grande atriz que fora e siga em frente como uma artista mais madura, com mais gabarito…

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Mas essa é a vida que ela quer, quando todos eram bonitos e românticos, onde ninguém a confundiria com um estrela de cinema obsoleta. Ela continua assistindo a seus antigos filmes e o mundo continua tentando esmagar seus sonhos, mas tudo o que lhe resta são os sonhos, e então, bem… estamos ALÉM DA IMAGINAÇÃO por aqui, onde coisas estranhas acontecem e os sonhos se tornam reais nos limites dessa fronteira.

Mais uma vez escrito por Serling, o episódio obviamente não possui a sátira ácida do filme de Billy Wilder, embora ambos tenham temas similares. Mas não deixa de ser eficiente nas questões que propõem, como viver do passado ou num mundo de fantasia ao invés de aceitar a dolorosa realidade. Ajuda muito ter uma Ida Lupino sublime como Barbara Jean Trenton, evitando a tentação de imitar o desempenho exagerado de Gloria Swanson, mas fazendo uma estrela do cinema tão obsessiva quanto Norma Desmond em CREPÚSCULO DOS DEUSES. Uma curiosidade, Lupino foi a única pessoa a protagonizar um episódio da série e também a dirigir um outro. Na quinta temporada ela realizou THE MASKS.

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Martin Balsam fazia aqui sua primeira participação em ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Voltaria à série em 1963, na quarta temporada, no episódio THE NEW EXHIBIT.

A direção de THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE ficou por conta de Mitchell Leisen, que é segura e elegante, mas nada especial. Não que o episódio precisasse também… Basta as atuações de Lupino e Balsam para a coisa funcionar. Leisen ainda viria a dirigir mais dois episódios em ALÉM DA IMAGINAÇÃO: ESCAPE CLAUSE e PEOPLE ARE ALIKE ALL OVER, ambos da primeira temporada.

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THE TWILIGHT ZONE: THE MOVIE (1983)

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Aproveitando a maratona ALÉM DA IMAGINAÇÃO, que comecei esses dias, vamos falar então da atualização que este clássico da televisão, criado pelo grande Rod Serling, recebeu nos anos 80. Mas estou falando do filme, THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, e não da própria série de TV que retornou nos anos 80 e que teve três temporadas entre 1985 e 1989.

Em 1983, Steven Spielberg produziu e co-dirigiu THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, versão cinematográfica do seriado. A ideia era reunir alguns dos nomes mais interessantes do cinema de fantasia e horror do período e compilar no formato de antologia um longa que fizesse uma homenagem aos clássicos episódios de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, mas também aproveitar dos novos recursos e tecnologias que os anos 80 possuíam em relação ao período em que o seriado clássico fora produzido.

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Além do próprio Spielberg na direção, temos Joe Dante (GREMLINS), George Miller (série MAD MAX) e o grande John Landis (UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES), que é um sujeito que eu tenho dado uma atenção especial aqui no blog recentemente. E obviamente não poderia deixar de citar  THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE como um dos seus principais trabalhos. Não apenas pelo seu talento envolvido nesse projeto, mas por ter acontecido aqui, exatamente aqui, sob a sua direção, a maior TRAGÉDIA já ocorrida e filmada na história do cinema. Mas já vamos falar sobre isso…

Antes, é preciso ressaltar que Landis é o único dos quatro diretores que teve um trabalho extra em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE e realizou também o prólogo. Esta introdução é uma história bem curtinha, no qual temos os astros Dan Aykroyd e Albert Brooks num carro ao longo de uma estrada no meio da noite. Entediado, eles começam a fazer joguinhos para passar o tempo, como tentar adivinhar temas de programas de TV, discutem a série ALÉM DA IMAGINAÇÃO clássica e até que ponto era assustador e tal…. O diálogo é ótimo e eu poderia ver duas horas de filme só com esses dois papeando! Até que em determinado momento, Aykroyd decide mostrar a Brooks algo REALMENTE assustador…

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É uma boa maneira de começar as coisas. Mantém o público ligado porque desconfiamos que alguma coisa vai acontecer, mas não se sabe o que… E configura de forma eficiente o clima do que está por vir em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE. Aykroyd e Brooks têm uma química excelente e é uma pena que nunca tenham trabalhado juntos de novo. Esse pequeno segmento é um dos mais memoráveis de todo o filme – se não for uma das melhores cenas de abertura de qualquer filme de qualquer gênero, de qualquer época…

É de John Landis também o primeiro episódio da antologia. Chama-se TIME OUT e é um típico conto clássico de ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Estrelado por Vic Morrow, vivendo um sujeito preconceituoso, que entra em um bar e insulta todas as minorias possíveis. Quando sai do local, ele simplesmente volta no tempo e se encontra na Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, e todos os nazistas pensam que ele é judeu. Então o prendem e tentam levá-lo para um campo de concentração. Mas então outras viagens temporais entram inexplicavelmente na sua jornada. É, por exemplo, confundido pela KKK, que pensam que ele negro e tentam pendurá-lo pelo pescoço, ou logo depois, quando termina no Vietnã em mais situações em que se vê confrontado pela sua raça ou cor de pele…

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Mas para além da “lição de moral” que o episódio passa, fica um gosto amargo assisti-lo depois de saber que foi  durante as filmagens deste pequeno segmento que Vic Morrow morreu tragicamente num acidente. Mas a coisa foi bem mais desagradável. A cena do episódio é a seguinte: Morrow carregava duas crianças em seu colo enquanto um helicóptero sobrevoava para resgatá-los. E agora já não é mais ficção, é a realidade: O helicóptero deu pane por conta das explosões no cenário, caiu e sua hélice em movimento simplesmente decapitou Morrow E AS DUAS CRIANÇAS. E as câmeras filmaram tudo isso. Apesar de não dar para ver muita coisa (a cena acontece num lago e quando a hélice bate nas vítimas, vê-se mais água do que alguma possível violência), não vou postar o video aqui, mas é fácil de encontrar no youtube.

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ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.3 – MR. DENTON ON DOOMSDAY (1959)

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Uma das coisas mais legais de ALÉM DA IMAGINAÇÃO é o diálogo entre gêneros. Além do sci-fi, do horror e da fantasia, que são o básico da série, sempre teremos uns episódios mais dramáticos, outros mais cômicos, teremos policiais noir, guerra, aventura e até western. Este último é o caso de MR. DENTON ON DOOMSDAY, terceiro episódio da primeira temporada.

Em 1959, os filmes de bangue-bangue ainda dominavam os olhares do público. Mas não esperemos a linguagem básica do western totalmente presente aqui nessa curta história de redenção e destino. O protagonista, por exemplo, não é nenhum cowboy ou xerife durão, mas o retrato exato de um bêbado. A história se passa numa pequena cidade do velho oeste americano e o nosso “herói” é Al Denton, vivido por Dan Duryea, constantemente humilhado por um jovem pistoleiro chamado Dan Hotaling, interpretado pelo inigualável Martin Landau. Tudo o que Denton gostaria era de poder se redimir, de uma nova chance na vida, mas acaba sempre perdido em mais uma garrafa de uísque.

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O elemento fantástico da série vem na espécie de um anjo da guarda transvestido de um vendedor ambulante (Malcolm Atterbury), que chega à cidade e resolve misteriosamente se intrometer no destino de Denton. Agora o sujeito tem a sua segunda chance, se redescobre muito mais homem do que achava que ainda era. Mas será que vai aproveitá-la devidamente?

Novamente escrito pelo criador da série, Rod Serling, MR. DENTON ON DOOMSDAY é um dos episódios sobre “perdedores”, onde o personagem principal é um ferrado que está do lado errado da sorte. Em seguida, acontece algo “mágico”, algo inacreditável que invade a realidade infeliz do personagem, cujo efeito muda para sempre sua vida e sua visão sobre o futuro. Em cada uma dessas histórias, no entanto, há uma escolha fundamental que deve ser feita pelo personagem. O milagre nunca vem de graça e nunca sem a necessidade de uma ação humana como catalisador. MR. DENTON ON DOOMSDAY exemplifica exatamente esse tema, que ainda serão explorados em vários episódios da série.

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Enfim, é um episódio agradável. O cenário do Velho Oeste funciona bem como palco para esse jogo de moralidade. Vale dar ênfase ao elenco, no qual temos um ator gabaritado como Dan Duryea, que já tinha realizado, por exemplo, diversos filmes noir de Fritz Lang. Mas meu destaque vai para um jovem Martin Landau, demonstrando um talento incrível e indícios do grande e expressivo ator que seria futuramente, recebendo o Oscar de melhor ator coadjuvante em ED WOOD, de Tim Burton. Uma pena seu falecimento recente. Malcolm Atterbury tem uma participação menos expressiva, mas sua presença também chama a atenção. Fez uma carreira mais voltada para séries de TV, tendo recebido mais de 150 créditos como ator.

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A direção do episódio ficou por conta de Allen Reisner, prolífico diretor de séries, embora MR. DENTON ON DOOMSDAY seja seu único trabalho em ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.2 – ONE FOR THE ANGELS (1959)

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Este segundo episódio é um bom contraponto ao primeiro, que possui um tom mais sério e angustiante. ONE FOR THE ANGELS representa uma parcela de histórias mais leves e sentimentais que ocasionalmente aparecem em ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

Na trama, novamente escrita pelo criador e narrador da série, Rod Serling, Ed Wynn vive Lou Bookman, um caixeiro que tenta vender tudo o que pode sair de sua mala, geralmente coisas comuns, como robôs de brinquedo e gravatas. Logo no início, ele percebe que está sendo observado por um homem misterioso trajando um terno preto, interpretado por Murray Hamilton. Ao chegar em casa, Lou se surpreende com o homem de preto sentado num canto de seu modesto apartamento de um quarto. O homem anuncia que deve “levá-lo” à meia-noite. Lou custa a descobrir, mas no fim percebe que o sujeito é ninguém menos que a morte.

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A menos que Lou consiga preencher um dos três requisitos de adiamento, não há nada que possa fazer para evitar sua passagem pro outro lado. Mas Lou não tem família, que é o primeiro requisito, salvo um grupo de crianças do bairro que o adoram. Ele também não está trabalhando em qualquer tipo de avanço científico (outro requisito), e ele não tem negócios inacabados, que seria o terceiro item que lhe daria mais algum tempo.

Mas como bom vendedor, sujeito de lábia afiada, Lou convence a Morte de que ele tem sim algo inacabado na vida: quer fazer uma grande venda, um venda daquelas que faria com que os céus se abrissem, “one for The angels” como diz o título do episódio. A morte concede, e Lou rapidamente guarda sua mala e se aposenta. Na sua lógica, se ele não vende, não morre. A morte, no entanto, percebe a jogada e decide levar uma das crianças do bairro. Uma garotinha é atropelada e a morte marca para pegá-la à meia-noite. Passado esse horário, a garotinha vive. É quando Lou bola um plano para a morte se atrasar.

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Uma das grandes sacadas deste episódio é a relação de Lou com a Morte. Ambos são afiados, os atores estão excelentes em cena, o diálogo entre eles é incrível. E Serling e o diretor Robert Parrish nunca deixam a coisa degringolar pra um sentimentalismo besta, mantendo sempre uma boa dose de humor, com situações realmente divertidas – como na cena em que Lou tenta fugir da morte nas escadarias do prédio. A morte, na verdade, não é nem ameaçadora, faz mais o tipo burocrata, enquanto Wynn faz um personagem muito fácil de se gostar.

O papel pelo qual Hamilton talvez seja mais lembrado é o de prefeito da cidade em TUBARÃO (75), do Spielberg. Mas quem merece mesmo os nossos olhares é Wynn, que está formidável. Um comediante à moda antiga, possui mais de quarenta filmes no currículo, incluindo algumas comédias estreladas por Jerry Lewis. A sequência em que seu personagem faz a morte se atrasar é um de seus momentos mais inspirados, digna de aplausos.

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O diretor Robert Parrish era um veterano da indústria naquela altura, tendo sido ator, assistente e montador antes de estrear na direção em 1951, com CRY DANGER, um noir com Dick Powell. Teve uma carreira sólida, mas nunca foi considerado entre os grandes diretores de sua época, embora fosse bastante elogiado pelos franceses. Além deste episódio, Parrish realizou mais duas entradas em ALÉM DA IMAGINAÇÃO: A STOP AT WILLOUGHBY (1960) e THE MIGHTY CASEY (1960), ambos da primeira temporada.

ONE FOR THE ANGELS é bastante simpático e levanta questões interessante que nos faz refletir sobre o tempo e a morte, mas sem soar chato ou pesado. Não deixa de ser melancólico, como é a vida às vezes, mas sem deixar o bom humor de lado.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.1 (The Twilight Zone, 1959)

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Os mais saudosistas vão curtir essa. ALÉM DA IMAGINAÇÃO é uma das séries mais cultuadas da televisão americana e uma das minhas favoritas de todos os tempos e não é de agora que eu tenho planos de escrever sobre essa belezinha aqui no blog, episódio por episódio. Mas sempre acabo adiando… Como finalmente animei rever tudo de novo, vou tentar não perder a chance novamente.

Antes de entrar no primeiro episódio, acho que vale a pena uma ligeira introdução para quem não viu ou nem conhece a série entender a importância da coisa. Criada pelo escritor e roteirista Rod Serling, ALÉM DA IMAGINAÇÃO encantou os ávidos fãs de sci-fi, horror e fantasia durante cinco temporadas, entre 1959 e 1964, em dramas e situações que lidam com o sobrenatural, com a psicologia, com conceitos kafkanianos, resultando em episódios que vão do incomum e insólito até o aterrorizante e perturbador. Devido a grande variedade de temas e abordagens da série, não poderia ser diferente: acabou por ser uma das mais influentes fontes de inspiração de praticamente tudo relacionado a ficção científica no cinema, televisão, literatura e games pós-anos 60.

A série também é notável pela presença de alguns atores gabaritados do período (Dana Andrews, Art Carney, Buster Keaton, Burgess Meredith, etc…) e por apresentar algumas figuras mais jovens em início de carreira e que se tornariam famosos mais tarde, como Charles Bronson, Robert Duvall, Peter Falk, Dennis Hopper, Leonard Nimoy, Robert Redford, e tantos outros… Vale destacar também alguns diretores e roteiristas que contribuíram com seu talento em alguns episódios, como Don Siegel, Richard C. Sarafian, Ida Lupino, Jacques Tourneur, Christian Nyby, Richard Donner, Buzz Kulik, Richard Matherson, Ray Bradbury, Reginald Rose, etc.

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Enfim, hoje assisti ao primeiríssimo episódio da primeiríssima temporada, que se chama WHERE IS EVERYBODY?.  Já dá pra ter uma boa noção do que esperar da série só pela trama deste aqui. Um sujeito, vivido por Earl Holliman, chega a uma pequena cidade, sem saber quem é, de onde veio e como chegou ali, e encontra o local desprovido de qualquer pessoa. A cidade inteira está deserta. O moço passa então a vagar de um lado a outro, de estabelecimento a outro, sempre proferindo um monólogo constante, vivendo situações solitárias. Quase fica preso em uma cabine telefônica, toma sorvete, ouve música, vai ao cinema e sempre encontra evidências de que pessoas estiveram ali recentemente: um charuto aceso num cinzeiro, uma cafeteira assobiando… Mas não encontra uma alma viva.

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Escrito pelo próprio Rod Serling, já é possível identificar por aqui um dos principais temas da primeira temporada de ALÉM DA IMAGINAÇÃO: os efeitos da solidão humana. Desse modo, WHERE IS EVERYBODY? é um episódio que depende muito do desempenho de seu ator principal. E Earl Holliman consegue ser convincente e eficaz como o amnésico perdido nessa situação totalmente insólita. Seu papel não é tão fácil, considerando que seu personagem praticamente não contracena com ninguém e, mesmo assim, consegue manter a atenção de forma expressiva, falando em voz alta – uma maneira de fornecer alguma satisfação ao público.

Outras grandes atuações deste ator praticamente desconhecido hoje pelo público podem ser conferidas em filme como PLANETA PROIBIDO, ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE e LÁGRIMAS DO CÉU (56), pelo qual ganhou o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante.

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WHERE IS EVERYBODY? também deve muito ao diretor Robert Stevens, cujos movimentos de câmera e enquadramentos ousados em alguns momentos dão energia a uma história que poderia resultar num tédio. Há algumas sacadas visuais geniais aqui, uma delas é quando Holliman desce correndo pelas escadas no cinema e se choca contra um espelho estraçalhando-o, causando um efeito bem interessante.

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Stevens fez sua carreira mais voltada para a televisão, realizando um grande número dos mais variados seriados. Apesar de ter dirigido este episódio de estreia, o sujeito só viria a dirigir mais um capítulo de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, chamado WALKING DISTANCE, ainda na primeira temporada. Hoje, ele seria mais lembrado por seu prolífico trabalho na série HITCHCOCK PRESENTS e THE ALFRED HITCHCOCK HOUR, onde dirigiu quase cinquenta episódios entre os dois programas de TV.

WHERE IS EVERYBODY? é um ótimo começo para ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Não chega nem perto de ser o melhor episódio, ainda vamos chegar lá, mas até hoje continua divertido e mantém com segurança o peso da responsabilidade por começar um dos programas de TV mais celebrados e, por isso, tem a sua importância distinta para a série.