R.I.P. PETER FONDA (1940 | 2019)

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Hammer Time: AS NOIVAS DO VAMPIRO (The Brides of Dracula, 1960)

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O sucesso das primeiras incursões da Hammer Film no terror gótico, nas releituras dos clássicos monstros como Frankenstein, Drácula, a Múmia e Lobisomem, fez com que as suas continuações fossem, obviamente, inevitáveis. No caso da sequência de O VAMPIRO DA NOITE (que comentei por aqui há alguns anos), primeiro exemplar da Hammer sobre o famigerado personagem Conde Drácula, a produtora se deparou com um pequeno problema: a ausência de seu astro, Christopher Lee. Existem relatos variados sobre o motivo pelo qual Lee não quis reprisar seu icônico papel (o principal seria para não ficar marcado pelo personagem, o que acabou acontecendo de qualquer maneira, já que o sujeito voltou a encarnar o vampirão diversas vezes nas duas décadas seguintes), mas seja lá qual for a verdadeira razão, a Hammer teve que se virar e encontrar um novo vampiro.

Encontraram David Peel, que não chega nem no calcanhar de Christopher Lee, mas faz um bom vilão vampírico. Felizmente, eles ainda tinham também o diretor Terence Fisher, bons roteiristas, como Jimmy Sangster, o ator Peter Cushing e praticamente a mesma equipe técnica que realizou O VAMPIRO DA NOITE. O resultado foi AS NOIVAS DO VAMPIRO, que se não possui a mesma força que o anterior, não deixa de ser também um filme de vampiro agradável, que possui todos os mesmos elementos visuais que adoramos nos filmes da Hammer.

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No final do século XIX, uma jovem professora, Marianne (Yvonne Monlaur), está à caminho para ocupar uma posição numa academia de jovens moças na Transilvânia. Meio perdida durante o trajeto, uma mulher mais velha, a baronesa Meinster (Martita Hunt), oferece à moça estadia em seu castelo. Os aldeões parecem aterrorizados com a baronesa, mas Marianne, que é uma jovem inocente, fica feliz em aceitar sua oferta. Ela logo descobre que a baronesa não mora sozinha. Em outra ala do castelo ela vê um jovem jeitoso, filho da baronesa, mas que se encontra acorrentado. Diante dessa situação, o rapaz a convence de libertá-lo.

E é claro que o jovem barão Meinster (Peel) é um vampiro. Apesar do título original aparecer o nome “Drácula”, isso nunca é mencionado no filme. O que leva o título nacional a ter uma maior coerência, mas de fato temos aqui as noivas vampiras. Marianne parece destinada a se juntar a elas, mas felizmente o Dr. Van Helsing (Cushing) está passando pela aldeia fazendo algumas pesquisas sobre vampirismo e novamente terá que entrar em ação.

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Aliás, ação é o que não falta por aqui. AS NOIVAS DO VAMPIRO é bem mais agitado que o seu antecessor. O roteiro aparentemente passou por várias reescritas e nota-se uma certa bagunça na história e na quantidade de personagens. Como resultado, certas sub-tramas foram deixadas penduradas enquanto a trama principal é cheia de buracos. O diretor Terence Fisher, mestre do gênero, ignora sabiamente esses detalhes e se concentra na atmosfera, no visual e em manter a ação em movimento, consciente de que o filme tem força suficiente para compensar suas fraquezas.

No elenco, vale destacar Peel (como já disse, consegue fazer um bom vilão se não for comparado a Lee) e Cushing, que está em boa forma, como na maioria das vezes nessas produções da Hammer. Yvonne Monlaur faz pouco além de parecer assustada e inocente, mas Martita Hunt está bem expressiva como baronesa, que se revela mais vítima do que vilã. Freda Jackson dá uma exagerada como a velha enfermeira do jovem barão, mas funciona. E Miles Malleson oferece um bom alívio cômico como um médico de moral duvidosa.

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Os cenários estão entre os melhores das produções de horror gótico do Hammer. O Castelo Meinster é particularmente impressionante. Bernard Robinson foi responsável pelo design de produção e é um dos seus melhores trabalhos. A maravilhosa fotografia em cores Technicolor de Jack Asher é outro grande trunfo.

Sem qualquer desrespeito a Christopher Lee, de certa forma dá para refletir em como AS NOIVAS DO VAMPIRO se beneficia de sua ausência, uma vez que libera os roteiristas dos grilhões da história de Drácula e permite que eles se desviem em uma direção diferente. É óbvio que um monumento como Christopher Lee faz falta, mas o esforço de fazer algo original e fora dos padrões é o que torna AS NOIVAS DO VAMPIRO num dos melhores exemplares do gênero produzidos pela Hammer.

MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS (1980)

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O planeta Akir é habitado por indivíduos que renunciaram à guerra e à violência e estão prestes a descobrir o que acontece quando pacifistas são ameaçados por alguém que não renunciou à guerra e à violência… O malvadão do espaço sideral, Sador (John Saxon), e seu exército de mutantes, ameaça os pobres cidadãos do planeta à destruição caso não se curvem diante dele. Como não sabem se defender, decidem enviar o jovem Shad (Richard Thomas) na missão de encontrar e contratar mercenários espaciais que estejam dispostos a lutar pelo pequeno planeta Akir (cujo nome não é nenhuma coincidência, como veremos a seguir).

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Sim, MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS (Battle Beyond the Stars), produzido pelo grande Roger Corman, poderia ser definido como uma mistura entre OS SETE SAMURAIS, de Akira Kurosawa, e STAR WARS, num período em que fervilhava produções aproveitando do sucesso da clássica space opera de George Lucas. Se você já viu algum desses filmes (ou o remake do filme japonês, SETE HOMENS E UM DESTINO), o enredo não trará surpresa alguma. Mas a falta de originalidade da trama não é necessariamente um problema. A maneira como os realizadores brincam com essa mistura toda é o que acaba importando. São as sequências de ação, batalhas espaciais explosivas e muito tiro de raio laser, a variedade de personagens exóticos, maquiagens e efeitos especiais graciosos que esse tipo de produção classe B proporcionava…

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As filmagens não foram das melhores, apesar do orçamento ter sido dos mais abastados para os padrões de Corman (dois milhões de dólares). Atrasos na construção dos cenários e um mau tempo que fez o estúdio trabalhar com água até os tornozelos na maior parte do tempo não ajudava muito. O então futuro diretor James Cameron começou trabalhando aqui como um humilde modelador, mas pouco antes das filmagens começarem fizeram a preocupante descoberta de que o diretor de arte não tinha a menor ideia do que estava fazendo. E Cameron de repente se viu promovido à função. Mandou bem. O visual dos cenários e as miniaturas de naves e outros elementos estéticos são ótimos.

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O jovem James Cameron trabalhando em MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS

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Quem escreveu o roteiro foi outro futuro cineasta, o independente John Sayles, que dá um bom trato nos diálogos e na construção dos personagens, percebendo a importância de acentuar as diferenças entre os vários mercenários que pintam por aqui, com suas peculiaridades e culturas. Por mais bobinha que seja essa aventura, é esse tipo de detalhe que ajuda a tornar MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS um exemplar tão interessante e divertido.

No elenco, Richard Thomas tenta fugir de seu personagem mais famoso, John-Boy Walton, da série de TV THE WALTONS. Até que se sai bem, faz o jovem ingênuo, mas aventureiro que se arrisca em desbravar o universo em busca de salvar seu planeta. São curiosos os momentos em que precisar lidar com a dualidade da sua essência pacífica em contraste à necessidade de lutar e eventualmente tirar a vida de seus inimigos.

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Dos vários atores que retratam os mercenários, temos a presença de algumas figuras interessantes. Robert Vaughn, que estava em SETE HOMENS E UM DESTINO, faz um fascinante personagem trágico e atormentado. É praticamente o mesmo papel que fez no western de John Sturges. George Peppard, por outro lado, parece se divertir com o seu cowboy espacial. E Sybil Danning acrescenta um toque erótico ao filme, fazendo uma guerreira amazonas de outra galáxia com generosos decotes. Obviamente, vale destacar o desempenho de John Saxon como o tirano vilão imponente e cruel.

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A ação de MERCENÁRIOS DAS GALÁXIAS é um bom exemplo da abordagem de Roger Corman na produção, baseada em criatividade e imaginação – fazendo um pequeno orçamento durar mais do aparenta (até porque grande parte do dinheiro era para pagar os salários de Vaugh e Peppard) – e coube ao diretor Jimmy T. Murakami comandar sequências que não ficam nada a dever aos filmes B de batalhas espaciais do período. 

No fim das contas, temos aqui uma ópera espacial completamente agradável, um dos melhores dos muitos clones de STAR WARS.

CPC UMES FILMES – PROMOÇÃO DIA DOS PAIS

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A CPC UMES FILMES Selecionou uma coleção de DVDs imperdíveis do seu catálogo que estão com 30% de desconto, para presentear os papais antenados com o bom cinema!

São 15 títulos que estão de R$ 39,90 por R$ 27,90 por tempo limitado.

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Hammer Time: O MONSTRO DO HIMALAIA (1957)

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O MONSTRO DO HIMALAIA (The Abominable Snowman), é o terceiro filme da colaboração entre o diretor Val Guest e o escritor Nigel Kneale sob a batuta da Hammer Film. Apesar de não estar no mesmo nível de TERROR QUE MATA (The Quatermass Xperiment, 1955) e QUATERMASS 2 (1957), não fica muito atrás. Peter Cushing é um montanhista/cientista que lidera uma expedição no Himalaia em busca do lendário Yeti, mais conhecido como o abominável homem das neves. O sujeito quer capturar um espécime para fins científicos, ao contrário de seu parceiro, Tom Friend (Forest Tucker), que encara a expedição como uma maneira de fazer fortuna.

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Muito antes de TUBARÃO, de Steven Spielberg, Val Guest já estava determinado a usar a velha tática de mostrar o mínimo possível do monstro, o que não só aumenta a tensão nas sequências de suspense, especialmente para o público da época, mas também coloca o foco nos personagens e suas motivações. Enquanto buscam encontrar um Yeti  ao escalar os colossais montes do Himalaia, acabam, na verdade, se deparando com seus próprios medos.

A produção de O MONSTRO DO HIMALAIA é caprichada, e percebe-se que fizeram um bom trabalho de filmagens em locação, imagens aéreas, que dão uma autenticidade visual especial ao filme. A fotografia em preto e branco (de Arthur Grant, responsável pelo visual extraordinário de vários clássicos da Hammer) é de encher os olhos. O roteiro de Nigel Kneale é inteligente, levanta questões interessantes sobre as origens e o destino final de nossa própria espécie, e sobre as relações entre ciência e entretenimento. No elenco, destaca-se obviamente Cushing, que mesmo em um modo mais discreto consegue sobressair-se. E Forest Tucker, que nunca chamou muito a atenção, mas faz um trabalho louvável aqui, sem deixar seu personagem se transformar numa mera caricatura.

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Um dos filmes mais subestimados da Hammer, pouco visto ultimamente, mas é altamente recomendado. Muito mais do que apenas um simples monster movie.

FUGA PARA ATHENA (1979)

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FUGA PARA ATHENA (Escape to Athena) é um típico produto de sua época, especialmente em termos de tom. É característico como as experiências de guerra, naquela altura no cinema, ficaram tão filtradas até o entretenimento em sua forma mais pura que começa a se assemelhar a um pastiche e repleto de humor e ação. É o tipo de filme em que os nazistas são rotineiramente filmados em cima de telhados ou torres para permitir que o dublê realize um mergulho quando alvejado e dê às sequências de ação um pouco mais de emoção.

Mas se há uma coisa legal que posso dizer logo de cara sobre FUGA PARA ATHENA é o elenco fantástico, que é outro ponto característico desse tipo de filme nesse período. Temos aqui Roger Moore, David Niven, Telly Savalas, Claudia Cardinale, Sonny Bono, Elliott Gould e Richard Rountree – ou seja, James Bond, Shaft, Kojak, etc – o que deixa essa aventura de guerra e comédia ainda mais divertida.

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O cenário é um campo nazista de prisioneiros em uma ilha grega em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial. É um campo de concentração diferente. Sua finalidade é um trabalho de escavação em busca dos tesouros arqueológicos do local. O saque deve ser enviado para Berlim, mas o comandante do campo, major Otto Hecht (Moore), é um trambiqueiro que faz alguns desvios com alguns dos itens mais valiosos. Personagem ambíguo e fascinante, antes da guerra Hecht era um traficante de antiguidades e está espoliando seus comandantes em Berlim da mesma forma que enrolava seus clientes pré-guerra. Não deixa de ser um patriota, desde que isso não interfira em seus planos de enriquecer a si mesmo.

Em outros aspectos, no entanto, é um sujeito decente. Não tem lá muito interesse ideológico e trata com respeito e dignidade os prisioneiros que utiliza para desenterrar os tesouros arqueológicos, alguns bastante adequados para seus propósitos, incluindo o arqueólogo Professor Blake (David Niven). Mas essa sua falta de fervor nazista o coloca em desacordo com o comandante da SS na ilha, um desses oficiais alemães brutais e cruéis.

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O filme mostra ainda a chegada de dois prisioneiros peculiares, duas figuras americanas  capturadas no local: Dottie del Mar (Stefanie Powers), uma nadadora campeã, cantora e dançarina, cujas habilidades de natação serão úteis para a Hecht na procura de possíveis tesouros afundados no mar. E Charlie Dane (Gould), um comediante que não tem qualquer utilidade, mas Hecht acaba por simpatizar pelo sujeito, em parte porque compartilha uma paixão pelo jazz americano.

Enquanto isso, a resistência grega está ativa na ilha. Seu líder é um monge destituído chamado Zeno (Savalas). Sua namorada, Eleana (Cardinale), dirige o bordel local que é na realidade o centro de coleta de informações da resistência. Com uma iminente invasão dos aliados, Zeno tem ordens para assumir o controle da ilha e destruir as instalações nazistas, incluindo algumas bases secretas, que contém mísseis e representam uma grande ameaça para uma frota invasora.

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Para assumir a ilha, Zeno contará com a ajuda de alguns prisioneiros, ganhando suas cooperações prometendo que saquem o mosteiro da região e seus tesouros bizantinos. Este aspecto da operação é particularmente forte para Charlie, e também para o cozinheiro italiano do acampamento Bruno Rotelli (Bono) e Nat Judson (Roundtree), um soldado americano baaaadaaasss. A dificuldade potencial é que os planos da Resistência também exigirão a ajuda do Major Hecht, que não gosta da ideia de traição, mas acaba sendo favorável à persuasão, especialmente por estar apaixonado por Dottie.

Os produtores de FUGA PARA ATHENA dispunham de muito dinheiro para brincar e o diretor George P. Cosmatos (RAMBO II e COBRA), que veio com a ideia original, aproveitou bastante dos recursos que tinha em mãos. As cenas de ação não são nada espetaculares, mas a utilização dos cenários como palco para tiroteios e explosões, incluindo o mosteiro em que se passa a ação final, construído especificamente para o filme (e completamente explodido ao final), são suficientes para manter os fãs do gênero felizes. Há também uma perseguição de motocicleta pelas ruas estreitas de uma aldeia que é muito bem elaborada.

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O aspecto do filme que provavelmente seja mais problemático é a comédia, que de vez em quando ameaça sobressair demais. Gould e Powers parecem estar envolvidos em um filme totalmente separado daquele em que Savalas e Roger Moore estão fazendo. Se isso realmente é um problema depende de quanta tolerância você tem para os momentos cômicos exagerados. A mim, não incomoda tanto, embora reconheça que saia um pouco do tom de vez em quando…

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Uma das coisas que gosto em FUGA PARA ATHENA é a ideia de colocar Roger Moore como um comandante nazista, algo que não estava esperando e que, a princípio, o coloca como um dos vilões da história. O próprio ator já declarou que se sentiu deslocado no papel… Como dizem, um miscasting (aparente escolha transversal de algum integrante do elenco). Para quem cresceu vendo o sujeito interpretar James Bond, soa meio estranho, mas destaco a ousadia. Pessoalmente, gostaria de vê-lo tendo mais a fazer nesta aventura, mas não tenho do que reclamar quando quem acaba dominando o filme é o grande Telly Savalas, que transforma Zeno num personagem muito forte, dramático, mas com um toque de humor irônico.

FUGA PARA ATHENA é bem divertido. Como disse antes, um pastiche ao tratar da guerra, em que aprendemos que nem todos os soldados alemães eram nazistas, porque até James Bond poderia ser um oficial alemão desde que ajudasse o Kojak a salvar o dia. Para quem sabe apreciar esse tipo de ficção da história, é uma boa pedida.

Lançamento de Julho – CPC-UMES Filmes: BORIS GODUNOV (1986)

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O lançamento de julho da CPC UMES FILMES será BORIS GODUNOV, dirigido e protagonizado por Serguei Bondarchuk (O DESTINO DE UM HOMEM) a partir de um clássico do escritor e poeta russo Aleksandr Pushkin.

O filme já se encontra em em pré-venda no site da distribuidora.

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SOBRE O FILME:
“Um ano após Gorbachev iniciar a introdução na URSS das reformas que dissolveram as derradeiras barreiras à restauração capitalista, Serguei Bondarchuk adapta, dirige e estrela a tragédia de Pushkin, BORIS GODUNOV, ambientada no período 1598-1605, às vésperas da “Era das Perturbações”. Com a morte do czar Ivan, o Terrível, Boris Godunov se torna regente e 13 anos mais tarde, em 1598, assume o trono, com aparente relutância, assombrado por rumores de que fora responsável pelo envenenamento do legítimo herdeiro de Ivan, o filho Dimitry. Alguns anos depois, um pretendente posa como o príncipe perdido e lidera uma revolta para derrubar Boris, personagem, a exemplo do Macbeth de Shakespeare, profundamente dividido entre a ambição e o remorso.”

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SOBRE O DIRETOR SERGUEI BONDARCHUK:
“Serguei Bondarchuk nasceu na Ucrânia. Depois de combater na Segunda Guerra com o Exército Soviético, concluiu seus estudos na Universidade Estatal Russa de Cinematografia Gerasimov (VGIK), em 1948. A partir de então trabalhou como ator no Estúdio Mosfilm, debutando em um papel secundário no filme A JOVEM GUARDA, dirigido pelo próprio Serguei Gerasimov. Em 1951 protagonizou o drama CAVALEIRO DA ESTRELA DE OURO. Em 1955 interpretou o papel principal em uma adaptação de Otelo, de Shakespeare, dirigida por Serguei Yutkevich. Em 1959 estreou na direção em O DESTINO DE UM HOMEM. Do seu trabalho como diretor destacam-se ainda GUERRA E PAZ (1968), adaptação do romance de Lev Tolstoi; ELES LUTARAM PELA PÁTRIA (1975), sobre a Batalha de Stalingrado; e a adaptação da obra de Aleksandr Pushkin, BORIS GODUNOV, que protagonizou e dirigiu em 1986. Seu último trabalho foi ‘O DON TRANQUILO’ (1992), série de TV que realizou com seu filho, Fyodor. Foi distinguido com o título de Artista Popular da URSS em 1952, com o Prêmio Stalin também em 1952, e como Herói do Trabalho Socialista em 1980.”

Vale destacar ainda WATERLOO, produção internacional sob a batuta de Dino De Laurentiis (em parceria com o Mosfilm), um épico de guerra com Rod Steiger no papel de Napolão Bonaparte.

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DOMINO (2019)

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Tem momentos em DOMINO que você percebe que está diante de um grande filme de Brian De Palma, especialmente na primeira meia hora. O filme começa extremamente bem, câmera linda, um trabalho de zoom incrível, e a sequência que culmina numa perseguição pelos telhados em Bruxelas faz uma bela homenagem a UM CORPO QUE CAI. Depois, DOMINO dá uma caída feia, a coisa vai se tornando progressivamente desinteressante e sem se dar conta estamos vendo um thriller direct to video dos mais vagabundos e preguiçosos. O que não deixa de ser, já que foi a cara que o estúdio resolveu dar ao filme (para quem não sabe, DOMINO teve uma produção desastrosa, faltou dinheiro, De Palma não teve o corte final…). Deu pra sentir o estrago. Montagem horrível, ritmo cai, umas cenas sem motivo algum de existir, em termos narrativos a coisa fica bizarra mesmo… No meio disso tudo, temos mais uma sequência genial, a do atentado terrorista num festival de cinema. DOMINO cresce de novo no final, com uma sequência daquelas para entrar numa antologia de momentos fodas do De Palma, um mestre que domina o tempo como poucos.

O saldo final é positivo. Tem falhas, muitas, filme torto pra caralho. Mas é bom pela câmera, pelo estilo, por grandes cenas que o De Palma conseguiu encaixar em alguns momentos. Momentos bem dignos mesmo… Como fã de giallo, nada tenho contra obras construídas a partir de grandes cenas, interligadas de maneira confusa e bagunçadas, como é o caso de DOMINO. E há algumas ideias que De Palma trabalha obsessivamente que são bem interessantes, um manifesto sobre a imagem do terror, em como essa imagem é realizada, manipulada, divulgada, o uso inventivo de mobiles (os dois celulares acoplados numa metralhadora filmando um atentado; o homem-bomba que precisa esperar o drone se aproximar para apertar o botão), na concepção e divulgação dessa imagem… Ideias que têm um significado bem interessante no filme e no cinema de De Palma em geral. Resumindo, é fácil ficar do lado de obras-primas inquestionáveis, difícil mesmo é tentar entender obras tortas como DOMINO. Só acho uma pena mesmo que o estúdio não tenha permitido ao filme qualquer vôo mais alto, mesmo com o esforço do De Palma.

WOMAN OF DESIRE (1994)

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WOMAN OF DESIRE é um desses filmes aleatórios que por algum motivo, provavelmente pelo elenco, acabei catando de algum tracker e assisti um dia desses. E por algum outro motivo que nunca vou saber explicar, vou postar alguma coisa sobre ele… Temos Jeff Fahey, Steven Bauer em papel duplo, temos o maior ator de todos tempos, Robert Mitchum, e a musa dos anos 80 Bo Derek, que, apesar de inexpressiva, não desperdiça nosso tempo com sua beleza e muitas cenas com pouca roupa. Pronto, já temos motivos suficientes para assistir a esse neo-noir sem-vergonha dos anos 90.

Dirigido por Robert Ginty, mais conhecido pelo trabalho na frente das câmeras em filmes de ação exagerados dos anos 80, como THE EXTERMINATOR, de James Glickenhaus, WOMAN OF DESIRE é sobre um sujeito, Jack (Fahey) que é encontrado totalmente nu em uma praia sem lembrar direito o que aconteceu e como chegou ali. Ao mesmo tempo, Christina (Derek) está no hospital local contando sobre uma noite muito estranha dentro de um pequeno iate, no qual, segundo a moça, Jack trabalhava como capitão transportando ela e Ted (Bauer), quando os dois sujeitos começam uma violenta discussão que acaba em briga. Jack teria atirado em Ted, que caiu no mar e seu corpo desapareceu, logo depois o sujeito estuprou Christina e uma tempestade jogou ambos no mar.

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As coisas não parecem boas para Jack, que contacta seu advogado, interpretado por Mitchum, que passa a remontar os eventos como um quebra-cabeça. E o filme vai encaixando as peças, abusando de flashbacks e uma variedade de reviravoltas confusas, envolvendo irmãos gêmeos, um jogo de sedução perigoso entre Jack e Christina, até que a coisa toda vira um filme de tribunal, com um looongo julgamento, que desemboca num tiroteio em um desfile de rua no pequeno balneário onde a trama se passa, e tudo é finalmente explicado.

Parece interessante, mas não é bem assim. A direção pesada e “televisiva” de Ginty não é lá muito inspirada, sem estímulos visuais. Não consegue criar muito a atmosfera que um Eric Red, Bradford May ou Bobby Roth criavam nesse tipo de produto nos anos 90. E a trama é enfadonha na maior parte do tempo, apesar da premissa, inicialmente, ser interessante. Não é das melhores performances de Fahey, ator que geralmente eu gosto bastante, mas não me parece muito feliz aqui. Já o trio restante tenta salvar a sessão. Bauer e Mitchum estão sempre ótimos em cena, mesmo um Mitchum já envelhecido, mamado de uísque em cada frame, mas que tem o vigor que sempre exalou em décadas atuando. E Derek não precisa fazer muita coisa, contanto que esteja beeem à vontade, se é que me entendem. Num bom dia, aquele que você acordar com o pé direito e quiser encarar um thrilerzinho vagabundo, fica a dica de WOMAN OF DESIRE.