RIP UMBERTO LENZI (1931 – 2017)

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DVD REVIEW: O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO (1956); CPC UMES FILMES

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Grigoriy Chukhray ganharia certa fama internacional em 1959 pelo clássico A BALADA DE UM SOLDADO, seu segundo trabalho. Mas já na sua estreia, com O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO, demonstra um talento ímpar pelos lados do cinema soviético, não apenas como esteta – suas composições visuais são simplesmente extraordinárias – mas também como alguém que entende de emoções humanas. O filme é sobre um romance envolvente e ideologicamente complicado entre duas figuras divididas pela guerra civil russa: uma atiradora de elite do exército vermelho, Maria (Izolda Izvitskaya), e um oficial do exército branco, o tenente aristocrata Vadim (Oleg Strizhenov), que fora capturado pelos primeiros.

Baseado nos escritos de Boris Lavrenyev, o “quadragésimo primeiro” do título refere-se ao número das vítimas deflagradas pelo rifle de Maria. Na verdade, ela matou quarenta e errou o tiro seguinte… Na trama, ela faz parte de unidade derrotada do Exército Vermelho, que vaga em retirada do deserto de Karakum onde, em determinado momento, captura Vadim, que por um acaso sobrevive à tal quadragésima primeira bala de Maria.

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Vadim é um prisioneiro importante. Carrega uma mensagem oral secreta destinada a um general do Exército Branco, então os Vermelhos o mantêm vivo, colocando-o sob a guarda de Maria. Quando finalmente chegam ao Mar de Aral, Maria e outros dois soldados são confiados para levar Vadim num pequeno barco até a sede em Kazaly. Mas o tempo tormentoso vira o barco e apenas Maria e Vadim sobrevivem, náufragos em uma ilha deserta. E o que seria uma situação de extremo desespero, acaba possibilitando o desabrochar do afeto mútuo e proibido que os consumia ao longo da jornada.

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Uma situação que os aproxima, não como inimigos, mas como duas almas apaixonadas, num parágrafo cintilante de uma vida de guerra e violência. Eles compartilham o tempo mais felizes de suas vidas na ilha, apesar da disparidade ideológica que vem à tona em alguns momentos, algo que os coloca em conflito e que devem ajustar e reconciliar por causa do amor.

Considerando o período em que O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO foi realizado, é interessante perceber como Chukhray vai um bocado contra a lógica da propaganda soviética vigente, humanizando a imagem de um oficial do Exército Branco, inspirando o público à simpatizar seu afeto genuíno por uma guerreira do exército vermelho. O desfecho até pode ser entendido como uma façanha heroica da lealdade aos Bolcheviques, quando um barco se aproxima para resgatá-los e Maria toma uma atitude espontânea que elimina qualquer possibilidade de final feliz quando a verdadeira identidade do barco é revelada. Mas não dá para descartar a ideia do fator prejudicial que é seguir um código radical com fanatismo. Na verdade, ao invés de escolher lados, o objeto de repúdio de Chukhray é a própria guerra, um ato diabólico disfarçado de patriotismo com resultados desastrosos.

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O QUADRAGÉSIMO PRIMEIRO foi lançado em DVD no Brasil, numa versão remasterizada belíssima, pela distribuidora CPC UMES filmes e está disponível para compra em sua loja virtual e nas melhores casas do ramo. A mesma distribuidora já lançou por aqui A VIDA É MARAVILHOSA, também do mesmo diretor, e já comentado aqui no blog. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos. Um acervo obrigatório que vale a pena comprar.

DVD REVIEW: PARAÍSO (2016); A2 FILMES

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A A2 Filmes acerta mais uma vez com o lançamento, no mês passado, de PARAÍSO, de Andrei Konchalovsky. Para quem não conhece, o sujeito possui uma carreira sólida, especialmente na Europa, mas teve breve passagem em Hollywood nos anos 80. Dentre alguns trabalhos, destaco dois que me marcaram mais. Primeiro, um dos melhores filmes produzidos pela Cannon Films, o maravilhoso EXPRESSO PARA O INFERNO, com Jon Voight e Eric Roberts. O segundo é o filme que reuniu os astros de ação Sylvester Stallone e Kurt Russell, TANGO E CASH. Só por esses filmes na conta, o cara já tem meu respeito.

Mas nem todo diretor europeu consegue se firmar em Hollywood, e Konchalovsky voltou para Rússia nos anos 90, onde continuou realizando filmes, mas sem receber tanto destaque. Até que veio PARAÍSO, no ano passado, e também a consagração inesperada, com o prêmio de melhor diretor no Festival de Veneza.

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PARAÍSO é uma ambiciosa tentativa de ilustrar as atrocidades do Holocausto. São três histórias de personagens distintos que se cruzam no período da Segunda Guerra. Temos o policial burguês Jules (Christian Duquesne), que atende as ordens da Gestapo numa Paris ocupada; um jovem oficial da SS, Helmut (Christian Clauss), que fiscaliza campos de concentração para descobrir falcatruas e corrupção de oficiais nazistas; e à caráter de ligação entre estas duas partes, temos a nobre russa Olga (Julia Vysotskaya), que é pega enquanto abrigava dois meninos judeus e, mais tarde, enviada para o campo de concentração, onde é reconhecida por Helmut, com quem teve um caso passageiro numas férias na Itália.

Konchalowski dosa bem o tom de tragédia e horror da guerra com uma direção segura e bem elaborada esteticamente, com enquadramentos bem compostos no quadro 4:3, formato pelo qual o filme é capturado. E com um dos melhores usos de preto e branco que vi nos últimos anos no cinema recente. Além de saber manter a distância entre a lente e personagens, criando momentos em que a câmera espreita de longe, nunca deixando o filme cair num dramalhão forçado.

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Se por esses detalhes o filme ganha força – e percebe-se porque deram o prêmio para o diretor – por outro, essa força é frequentemente quebrada com o recurso brechtiniano de colocar os três personagens principais verbalizando seus pensamentos interiores enquanto são entrevistados separadamente em uma sala.

Aos poucos, percebe-se o contexto em que essas entrevistas se dão, um conceito até interessante, mas que Konchalovsky esgota até o ponto de tornar a coisa toda numa distração que quebra um bocado o ritmo, impede de criar um vínculo mais forte com os personagens. Mas não chega a ser um problema grave, até porque os momentos convencionais seguram bem o filme com uma história forte, bem contada e com grandes atuações. Como experiência estética, então, é uma obra-prima.

PARAÍSO é um belo filme, lançado no Brasil, como já disse e reforço, pela A2 Filmes, através do selo Mares. Você encontra disponível em DVD nas locadoras e nas melhores lojas do ramo.

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