Lançamento de Julho – CPC-UMES Filmes: BORIS GODUNOV (1986)

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O lançamento de julho da CPC UMES FILMES será BORIS GODUNOV, dirigido e protagonizado por Serguei Bondarchuk (O DESTINO DE UM HOMEM) a partir de um clássico do escritor e poeta russo Aleksandr Pushkin.

O filme já se encontra em em pré-venda no site da distribuidora.

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SOBRE O FILME:
“Um ano após Gorbachev iniciar a introdução na URSS das reformas que dissolveram as derradeiras barreiras à restauração capitalista, Serguei Bondarchuk adapta, dirige e estrela a tragédia de Pushkin, BORIS GODUNOV, ambientada no período 1598-1605, às vésperas da “Era das Perturbações”. Com a morte do czar Ivan, o Terrível, Boris Godunov se torna regente e 13 anos mais tarde, em 1598, assume o trono, com aparente relutância, assombrado por rumores de que fora responsável pelo envenenamento do legítimo herdeiro de Ivan, o filho Dimitry. Alguns anos depois, um pretendente posa como o príncipe perdido e lidera uma revolta para derrubar Boris, personagem, a exemplo do Macbeth de Shakespeare, profundamente dividido entre a ambição e o remorso.”

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SOBRE O DIRETOR SERGUEI BONDARCHUK:
“Serguei Bondarchuk nasceu na Ucrânia. Depois de combater na Segunda Guerra com o Exército Soviético, concluiu seus estudos na Universidade Estatal Russa de Cinematografia Gerasimov (VGIK), em 1948. A partir de então trabalhou como ator no Estúdio Mosfilm, debutando em um papel secundário no filme A JOVEM GUARDA, dirigido pelo próprio Serguei Gerasimov. Em 1951 protagonizou o drama CAVALEIRO DA ESTRELA DE OURO. Em 1955 interpretou o papel principal em uma adaptação de Otelo, de Shakespeare, dirigida por Serguei Yutkevich. Em 1959 estreou na direção em O DESTINO DE UM HOMEM. Do seu trabalho como diretor destacam-se ainda GUERRA E PAZ (1968), adaptação do romance de Lev Tolstoi; ELES LUTARAM PELA PÁTRIA (1975), sobre a Batalha de Stalingrado; e a adaptação da obra de Aleksandr Pushkin, BORIS GODUNOV, que protagonizou e dirigiu em 1986. Seu último trabalho foi ‘O DON TRANQUILO’ (1992), série de TV que realizou com seu filho, Fyodor. Foi distinguido com o título de Artista Popular da URSS em 1952, com o Prêmio Stalin também em 1952, e como Herói do Trabalho Socialista em 1980.”

Vale destacar ainda WATERLOO, produção internacional sob a batuta de Dino De Laurentiis (em parceria com o Mosfilm), um épico de guerra com Rod Steiger no papel de Napolão Bonaparte.

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DOMINO (2019)

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Tem momentos em DOMINO que você percebe que está diante de um grande filme de Brian De Palma, especialmente na primeira meia hora. O filme começa extremamente bem, câmera linda, um trabalho de zoom incrível, e a sequência que culmina numa perseguição pelos telhados em Bruxelas faz uma bela homenagem a UM CORPO QUE CAI. Depois, DOMINO dá uma caída feia, a coisa vai se tornando progressivamente desinteressante e sem se dar conta estamos vendo um thriller direct to video dos mais vagabundos e preguiçosos. O que não deixa de ser, já que foi a cara que o estúdio resolveu dar ao filme (para quem não sabe, DOMINO teve uma produção desastrosa, faltou dinheiro, De Palma não teve o corte final…). Deu pra sentir o estrago. Montagem horrível, ritmo cai, umas cenas sem motivo algum de existir, em termos narrativos a coisa fica bizarra mesmo… No meio disso tudo, temos mais uma sequência genial, a do atentado terrorista num festival de cinema. DOMINO cresce de novo no final, com uma sequência daquelas para entrar numa antologia de momentos fodas do De Palma, um mestre que domina o tempo como poucos.

O saldo final é positivo. Tem falhas, muitas, filme torto pra caralho. Mas é bom pela câmera, pelo estilo, por grandes cenas que o De Palma conseguiu encaixar em alguns momentos. Momentos bem dignos mesmo… Como fã de giallo, nada tenho contra obras construídas a partir de grandes cenas, interligadas de maneira confusa e bagunçadas, como é o caso de DOMINO. E há algumas ideias que De Palma trabalha obsessivamente que são bem interessantes, um manifesto sobre a imagem do terror, em como essa imagem é realizada, manipulada, divulgada, o uso inventivo de mobiles (os dois celulares acoplados numa metralhadora filmando um atentado; o homem-bomba que precisa esperar o drone se aproximar para apertar o botão), na concepção e divulgação dessa imagem… Ideias que têm um significado bem interessante no filme e no cinema de De Palma em geral. Resumindo, é fácil ficar do lado de obras-primas inquestionáveis, difícil mesmo é tentar entender obras tortas como DOMINO. Só acho uma pena mesmo que o estúdio não tenha permitido ao filme qualquer vôo mais alto, mesmo com o esforço do De Palma.

WOMAN OF DESIRE (1994)

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WOMAN OF DESIRE é um desses filmes aleatórios que por algum motivo, provavelmente pelo elenco, acabei catando de algum tracker e assisti um dia desses. E por algum outro motivo que nunca vou saber explicar, vou postar alguma coisa sobre ele… Temos Jeff Fahey, Steven Bauer em papel duplo, temos o maior ator de todos tempos, Robert Mitchum, e a musa dos anos 80 Bo Derek, que, apesar de inexpressiva, não desperdiça nosso tempo com sua beleza e muitas cenas com pouca roupa. Pronto, já temos motivos suficientes para assistir a esse neo-noir sem-vergonha dos anos 90.

Dirigido por Robert Ginty, mais conhecido pelo trabalho na frente das câmeras em filmes de ação exagerados dos anos 80, como THE EXTERMINATOR, de James Glickenhaus, WOMAN OF DESIRE é sobre um sujeito, Jack (Fahey) que é encontrado totalmente nu em uma praia sem lembrar direito o que aconteceu e como chegou ali. Ao mesmo tempo, Christina (Derek) está no hospital local contando sobre uma noite muito estranha dentro de um pequeno iate, no qual, segundo a moça, Jack trabalhava como capitão transportando ela e Ted (Bauer), quando os dois sujeitos começam uma violenta discussão que acaba em briga. Jack teria atirado em Ted, que caiu no mar e seu corpo desapareceu, logo depois o sujeito estuprou Christina e uma tempestade jogou ambos no mar.

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As coisas não parecem boas para Jack, que contacta seu advogado, interpretado por Mitchum, que passa a remontar os eventos como um quebra-cabeça. E o filme vai encaixando as peças, abusando de flashbacks e uma variedade de reviravoltas confusas, envolvendo irmãos gêmeos, um jogo de sedução perigoso entre Jack e Christina, até que a coisa toda vira um filme de tribunal, com um looongo julgamento, que desemboca num tiroteio em um desfile de rua no pequeno balneário onde a trama se passa, e tudo é finalmente explicado.

Parece interessante, mas não é bem assim. A direção pesada e “televisiva” de Ginty não é lá muito inspirada, sem estímulos visuais. Não consegue criar muito a atmosfera que um Eric Red, Bradford May ou Bobby Roth criavam nesse tipo de produto nos anos 90. E a trama é enfadonha na maior parte do tempo, apesar da premissa, inicialmente, ser interessante. Não é das melhores performances de Fahey, ator que geralmente eu gosto bastante, mas não me parece muito feliz aqui. Já o trio restante tenta salvar a sessão. Bauer e Mitchum estão sempre ótimos em cena, mesmo um Mitchum já envelhecido, mamado de uísque em cada frame, mas que tem o vigor que sempre exalou em décadas atuando. E Derek não precisa fazer muita coisa, contanto que esteja beeem à vontade, se é que me entendem. Num bom dia, aquele que você acordar com o pé direito e quiser encarar um thrilerzinho vagabundo, fica a dica de WOMAN OF DESIRE.

MANDINGO (1975)

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Último sábado teve mais uma sessão do Cineclube Vertigo, capitaneado pelo grande Guilherme Ferraro. O filme que passou foi MANDINGO, do Richard Fleischer, que é um diretor que ando atualmente fascinado, descobrindo várias coisas, mas este aqui ainda não tinha assistido. Valeu a pena, é um filmaço, um épico subversivo e polêmico sobre escravidão com uma pegada sensacionalista, abusando de violência e nudez, mas também uma interessante reflexão histórica e precisa do racismo. Produzido pelo lendário Dino De Laurentiis, o filme também foi uma das principais inspirações de Quentin Tarantino em DJANGO LIVRE.

Lixo racista, obsceno… este é um filme pelo qual me senti sujo.

Isso aí foi o que o famoso crítico Roger Ebert escreveu sobre MANDINGO à época do lançamento. O sujeito não entendeu NADA. E se um filme faz um crítico respeitado como o Ebert escrever algo assim, só pode ser coisa boa. Mas realmente não é um filme fácil de se ver, o tratamento de Fleischer sobre o assunto é barra pesada, deixa o público desconfortável, é bem direto em confrontar a brutalidade da escravidão, e não apenas os males óbvios, mas o efeito moral corrosivo sobre todos os envolvidos, tanto vítima quanto opressor. O filme não faz concessão alguma em explorar as degradações diárias quase inimagináveis que são parte integrante de uma sociedade que trata as pessoas de pele negra como inferiores, como animais sem alma.

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O grande James Mason é Warren Maxwell, o dono de uma fazenda no século XIX que mantém seus escravos ignorantes em leitura, escrita e religião. Seu filho coxo, Hammond (Perry King) evita as afeições de mulheres brancas e prefere se deitar com escravas, até se apaixonar por uma delas. Seu pai fica cansado das suas relações inter-raciais e insiste em que ele se case com sua prima Blanche (Susan George) para manter as aparências e, mais importante, lhe arrumar um herdeiro. Certo dia, no mercado de escravos, Hammond compra um imponente mandingo chamado Mede (Ken Norton). Forte como um touro, o sujeito vai servir para a procriação, mas também como ficha de aposta em lutas entre mandingos. Blanche fica chateada que Hammond a despreza, sempre ocupado seduzindo sua escrava favorita, então ela resolve convidar Mede à sua cama. Fica grávida. Quando dá à luz ao tão aguardado herdeiro, adivinhem a cor do bebê…

MANDINGO lida com o tema das relações inter-raciais com bastante sensibilidade, praticamente como um melodrama sentimental. Mas o filme segue em um ritmo sinuoso e chega até a sofrer uma crise de personalidade em alguns trechos. Às vezes Fleischer parece que ele está tentando fazer um …E O VENTO LEVOU 2, outras vezes ele age como se estivesse filmando um exploitation sensacionalista de Gualtiero Jacopetti. Portanto, ao mesmo tempo em que MANDINGO se demonstra crítico e sério ao tratar de um assunto relevante como o racismo, há uma quantidade enorme de situações irreverentes para manter o público a um certo nível de entretenimento. Cenas de nudez e sexo gratuitos temos aos montes; Mason drenando constantemente seus pés reumáticos em meninos escravos; um escravo sendo pendurados de cabeça para baixo e espancados até que o traseiro fique ensanguentado; um líder rebelde de mentalidade moderna pouco antes de ser enforcado, solta uma máxima clássica da era blaxploitation: “Kiss my black ass!“… E por aí vai.

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A direção de Fleischer reflete bastante essa dualidade, é classuda na maior parte do tempo, com planos e enquadramentos bonitos e bem pensados. A fotografia é um deslumbre. Mas aí vem uma cena como a luta organizada entre os Mandingos e o diretor perde a compostura, filma com uma câmera nervosa como se fosse um filme B produzido pelo Roger Corman. A coisa é realmente brutal e está entre os muitos destaques de MANDINGO. O filme fica nesse contraste, que acaba sendo bem-vindo: Na superfície, um autêntico exploitation, mas que revela em suas camadas uma abordagem reflexiva e crítica sobre racismo.

As performances são um pouco desequilibradas, mas funcionam na maior parte do tempo. Mason faz um desempenho magistral, obviamente. É desses atores que dá gosto de ver em cena. Perry King é fraco, mas consegue dar conta, mesmo seu personagem sendo tão complexo, numa ambiguidade interessante em relação aos escravos. Susan George tá canastrona, exagerada e histérica além do necessário. Como disse o amigo Edu Aguilar, só o Peckinpah pra fazê-la atuar… Mas parece ao menos estar se divertindo como a esposa ignorada empunhando um chicote, com os olhos selvagens, espancando uma escrava grávida. Ken Norton também faz uma impressão considerável como Mede.

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Os entusiastas de blues também ficarão satisfeitos quando ouvirem a ótima música tema de Muddy Waters que abre o filme. MANDINGO teve uma continuação no ano seguinte, DRUM, que se passa quinze anos após os acontecimentos deste aqui. Também foi produzido por Dino De Laurentiis e dirigido Burt Kennedy, que teve problemas com o produtor e acabou sendo substituído por Steve Carver, que o finalizou. No elenco, Warren Oates. Uma tentativa discreta de firmar o sub-sub-gênero Slavesploitation no cinema de exploração do período…

ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY (2017), CPC-UMES Filmes

Em Junho do ano passado, a CPC-UMES Filmes fez o lançamento nos cinemas de ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY, e como blog parceiro, tive a oportunidade de assistir na presença do diretor, o grande Karen Shakhnazarov, realizador de CIDADE DOS VENTOS, que já comentei por aqui, e atual presidente do Mosfilm, principal estúdio da Rússia. E no mês passado, a CPC-UMES Filmes lançou ANNA KARENINA em DVD e Blu-Ray.

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Produção russa muito bem cuidada e suntuosa de 2017, adaptação do clássico de Tolstói com um viés diferenciado, com a narrativa sendo temperada com os escritos do autor russo Vikenty Veresaev sobre a guerra russo-japonesa, contando a história a partir do ponto de vista do Conde Vronsky, amante de Anna. Um drama histórico tecnicamente deslumbrante, bem dirigido e com ótimo elenco, que vale a pena uma conferida. Para quem é fã do material e se interessa pelo tema, é uma boa pedida.

ANNA KARENINA – A HISTÓRIA DE VRONSKY pode ser encontrando na loja virtual da distribuidora e em várias lojas do gênero e livrarias, em DVD e Blu-Ray. E não deixe de curtir a página da CPC UMES FILMES no Facebook para ficar sabendo das novidades do cinema soviético e os seus próximos lançamentos.

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