89 anos de CLINT EASTWOOD

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Clint Eastwood fazendo aniversário hoje. Mesmo beirando os 90 anos é um dos diretores mais talentosos, relevantes e modernos do cinema americano atual. Aqui vai um top 10 dos meus filmes favoritos (hoje) dirigidos pelo sujeito como homenagem:

01. OS IMPERDOÁVEIS (Unforgiven, 1992)
02. UM MUNDO PERFEITO (A Perfect World, 1993)
03. AS PONTES DE MADISON (The Bridges of Madison County, 1995)
04. SOBRE MENINOS E LOBOS (Mystic River, 2003)
05. JOSEY WALES – O FORA DA LEI (The Outlaw Josey Wales, 1976)
06. CORAÇÃO DE CAÇADOR (White Hunter, Black Heart, 1990)
07. HONKYTONK MAN (1982)
08. MENINA DE OURO (Million Dollar Baby, 2004)
09. GRAN TORINO (2008)
10. A MULA (The Mule, 2018)

Vale ressaltar que preciso rever a maioria da filmografia do Clintão. A cada revisão é bem provável que essa lista modifique. O cara só tem filme foda!

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Lançamento de Junho – CPC UMES Filmes: A ASCENSÃO (1977)

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O lançamento de junho da CPC UMES FILMES é o filme A ASCENSÃO, de Larisa Shepitko. Um dos mais importantes da cinematografia soviética, o filme ganhou o Urso de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 1977.

A edição em DVD é a partir de matriz restaurada em 2018, com altíssima qualidade de som e imagem. E como sempre, com tradução e legendas direto do russo.

O lançamento será dia 28/06/19 e já está em pré-venda no site da distribuidora.

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SOBRE FILME:
“No rigoroso inverno que assola a URSS durante a 2ª Guerra Mundial, dois guerrilheiros soviéticos deixam seu acampamento na Bielorrússia à procura de alimentos para o grupo. A jornada é de provações e sofrimento. Capturados pelos nazistas, reagem diferentemente ao mesmo tratamento brutal. Adaptação do romance ‘Sotnikov’, do escritor bielorrusso Vassil Bykov. ”

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SOBRE A DIRETORA LARISA SHEPITKO:
“Diretora de cinema, roteirista e atriz, Larisa Efimovna Shepitko nasceu em 1938 em Artemovsk, na Ucrânia, integrante da então União Soviética. Estudou no Instituto Gerasimov de Cinematografia (VGIK), em Moscou, onde foi aluna do diretor Aleksandr Dovzhenko, até a morte deste em 1956. Como estudante atuou em vários filmes, incluindo O POEMA DO MAR (1958), iniciado por Dovzhenko e concluído por sua esposa, Yulia Solntseva. Larisa graduou-se no VGIK em 1963, com um diploma de honra pelo seu filme CALOR, realizado quando ela tinha apenas 22 anos. O filme conta a história de uma nova comunidade agrícola na Ásia Central em meados dos anos 50. Na montagem de CALOR foi auxiliada por Elem Klimov, também estudante do VGIK, com quem se casou no mesmo ano. Dois de seus filmes seguintes foram ASAS (1966) e VOCÊ E EU (1971), este o único que realizou em cores. A ASCENSÃO (1977), que trata das provações de um grupo de guerrilheiros na luta contra o fascismo no rigoroso inverno da URSS, em 1942, foi o último filme que concluiu. Com ele conquistou o Urso de Ouro no 27º Festival Internacional de Cinema de Berlim. Em 1979, quando filmava ADEUS A MATIORA, sua vida foi abruptamente interrompida aos 41 anos, num desastre de automóvel junto a quatro membros de sua equipe técnica.”

Não deixe de curtir a página da CPC UMES FILMES no Facebook para ficar sabendo das novidades, especialmente do cinema soviético, e os seus próximos lançamentos em DVD e no cinema.

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DOMINO – Primeiras impressões

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Algumas opiniões de usuários do Letterboxd sobre DOMINO, novo filme do Brian De Palma:

Some of the most impressive shit Brian De Palma has ever shot. A continuation of the ideas and themes seeded in Redacted by way of Passion’s aesthetic adventures. Definitely not the film it was originally supposed to be, but in a weird way the fragmented quality only makes it more intriguing. I pity the poor bastards who tried to market this as a straight action thriller.

Whew. Clearly botched but still manages to be one of the most formally creative and impressive action/thrillers of the past few years. The final neon-drenched set-piece (mostly in slow motion) is truly something to behold.

90s De Palma with the political intrigue of Redacted. I’m glad this finally came out, this film is fantastic.

CLEARLY compromised yet despite this still manages to be one of De Palma’s best. Almost feel’s like if an amazing director tried to make a thriller in the style of The Room, but as crazy as that sounds it fucking works. This film is pure camp combined with De Palma’s masterful filmmaking. If we ever get his cut, it could truly be a perfect film.

PS: Features the greatest use of split screen in cinema.

Woefully troubled behind-the-scenes. Basically a hunk of scraps, but what scraps! (…) Starts as a Hitchcock riff and ends in a neon slow-motion reality of bodies disconnected from their own frame-of-reference, liberated towards a new plane of action and movement.

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CEMITÉRIO MALDITO 2 (1992)

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Mesmo não tendo o mesmo nível de qualidade do seu antecessor, CEMITÉRIO MALDITO 2 é bem legal, tem muita coisa boa acontecendo para nos entreter. Edward Furlong, o eterno moleque de O EXTERMINADOR DO FUTURO 2, interpreta Jeff, o filho de uma atriz famosa que morre num acidente durante as filmagens de seu mais recente filme de terror. Para recomeçar uma vida nova, Jeff e seu pai, um veterinário vivido por Anthony Edwards, se mudam para a pequena cidade de Ludlow, no Maine, obviamente a mesma do primeiro filme. Não demora muito, Jeff já está interagindo com os habitantes da cidade, levando porrada dos bullies e se torna amigo de Drew, o enteado do xerife local, Gus Gilbert (Clancy Brown). Numa noite, Gus mata o cachorro de Drew e, claro, ele e Jeff vão para o cemitério de animais para enterrá-lo… E o inferno está de volta à cidade.

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Uma coisa que gosto em CEMITÉRIO MALDITO 2 é que não faz questão alguma de ser uma cópia do primeiro filme, que era mais reflexivo, atmosférico e tinha um cuidado a mais com os personagens. A construção de certos indivíduos aqui é unilateral, como o xerife malvado e completamente surtado de Clancy Brown. E as coisas vão acontecendo de forma atropelada, como a transformação do personagem de Furlong, que de uma hora pra outra fica obcecado pela sua mãe morta, sem muito desenvolvimento. Mas ao mesmo tempo, tudo aqui é mais exagerado e sangrento, bem ao estilo do horror noventista, o que garante uma certa dose de diversão ao mesmo tempo que expande de maneira imaginativa e direta a mitologia criada por Stephen King no livro que deu origem ao filme de 89.

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A violência é quase cartunesca, com uma boa dose de sangue sendo jorrada, com algumas perfurações, uma cabeça explodindo, e uma cena sensacional em que Clancy Brown usa o pneu de uma moto contra o rosto de um adolescente. Não dá pra ver muita coisa, mas a ideia e a forma como fazem é muito boa. A maioria das cenas mais sangrentas é de violência animal. Desde o ciclo de filmes canibais italianos que não vejo tanto animal morto na tela… Tudo falso, claro, efeitos especiais de primeira qualidade, mas ainda assim causa uma certa impressão.

A direção é da mesma Mary Lambert que realizou o primeiro filme. Em uma entrevista, ela comenta que resolveu voltar ao universo de CEMITÉRIO MALDITO para entender o que se passa na cabeça de um adolescente, porque eles fazem coisas estúpidas… Louis Creed, no filme anterior, enterra seu filho por causa de um desejo intenso, um sentimento de culpa pela morte do filho, mas e os adolescentes estúpidos de CEMITÉRIO MALDITO 2? O que levam a enterrar uma pessoa no cemitério amaldiçoado sabendo que ela vai voltar à vida?

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Gosto bastante do trabalho de Lambert no primeiro filme, mas não sei se ela conseguiu desenvolver bem suas ideias aqui e a coisa ficou mais puxado no “estilo” do que no “conteúdo”. Mas como disse, é o tipo de filme exagerado que acaba bem sucedido em propiciar uma experiência de terror sem se preocupar com a psicologia das coisas. E que compreende com inteligência o que torna o horror desse universo de Stephen King tão inquietante. Ou, pelo menos é o tipo de produto que não me deixa entediado em momento algum. E temos um elenco muito sólido, Furlong está fazendo o que ele faz de melhor, Jason McGuire é excelente como Drew e Clancy Brown como vilão é definitivamente a melhor coisa do filme… Enfim, é uma continuação sem grandes pretensões mas que de alguma forma consegue me divertir facilmente.

HOJE É O DIA DOS MORTOS

Tomem muito cuidado hoje ao aproveitar o seu passeio dominical. Vocês podem dar de cara com uma horda de zumbis em plena luz do dia vestindo as cores verde e amarelo. Mas não se preocupem, é só manter a devida distância, esses mortos-vivos são inofensivos e lutam por uma causa perdida… Boa sorte à todos.

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 Post homenagem ao Fábio Gabriel Ravazio,
o “comentador” mais lúcido da blogosfera brasileira.

CANNES 2019 – PREMIADOS

COMPETIÇÃO OFICIAL

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Palme d’Or
PARASITE, de Bong Joon-ho

Grand Prize of the Festival
ATLANTIQUE, de Mati Diop

Jury Prize
BACURAU, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles
LES MISÉRABLES, de Ladj Ly

mv5bndc5ywe3odmtntkzzc00mjlklwe4ntmtzddlnzixota2mdmzxkeyxkfqcgdeqxvymtm2mzg4ma4040._v1_.jpgMelhor ator
Antônio Banderas, por DOLOR Y GLORIA, de Pedro Almodóvar

Melhor Atriz
Emily Beecham, por LITTLE JOE, de Jessica Hausner

Melhor Diretor
Jean-Pierre e Luc Dardenne, por LE JEUNE AHMED

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Céline Sciamma, por PORTRAIT DE LA JEUNE FILLE EN FEU

Menção Especial
IT MUST BE HEAVEN, de Elia Suleiman

FIRST BLOOD em Cannes

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Passa hoje no Festival de Cannes numa cópia restaurada, em 4K, a obra-prima FIRST BLOOD, de Ted Kotcheff, mais conhecido no Brasil como RAMBO – PROGRAMADO PARA MATAR, um dos meus filmes de cabeceira. A sessão vai contar com a presença do próprio Sylvester Stallone (apresentando também as primeiras imagens do novo filme do personagem, RAMBO V – LAST BLOOD). Mas o que eu quero realmente saber é: será que agora, que vai passar num festival de tamanho prestígio e conceito, FIRST BLOOD vai finalmente receber o devido valor daquela parcela da crítica preconceituosa e cinéfilos elitistas que acham que o filme é só um exemplar exagerado de ação oitentista? Será que finalmente vão reconhecer a sua magnitude colossal? Espero que sim…

PARASITE

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Dois tweets de críticos direto do Festiva de Cannes que me fizeram ficar com água na boca por esse novo filme do Bong Joon-ho, PARASITE:

De A.A. Dowd:

Mostly loved Bong Joon-ho’s PARASITE, an insane, ingenious farce about desperate times calling for some very desperate measures. Bong being Bong, the tone veers wildly, but always in service of the class politics.

Rory O’Connor:

PARASITE: A near perfect film from Bong Joon-ho. Further confirms the director as cinema’s greatest large canvas political satirist since Verhoeven.

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Autenticidade

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Nothing is original. Steal from anywhere that resonates with inspiration or fuels your imagination. Devour old films, new films, music, books, paintings, photographs, poems, dreams, random conversations, architecture, bridges, street signs, trees, clouds, bodies of water, light and shadows. Select only things to steal from that speak directly to your soul. If you do this, your work (and theft) will be authentic.

Jim Jarmusch.

TARANTINO EM CANNES [+trailer]

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O novo filme de Tarantino era um dos mais aguardados na competição oficial do Festival de Cannes desde quando fora anunciado aos 45 minutos do segundo tempo. A sessão de estreia foi exatamente hoje e, pelas reações do povo por lá, aparentemente ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD será mais um grande filme do diretor. Indiewire, The Guardian, Screendaily, e vários outros falaram bem. Só que as reações positivas não foram unânimes e, curiosamente, vi vários críticos brasileiros desgostosos com o filme… Tinha que ser.

A impressão inicial que deu pra sentir em alguns comentários que andei lendo é a de que se você é fã do trabalho de Tarantino, provavelmente não vai se decepcionar, e vai “sacá-lo” mais do que o frequentador médio de cinema, que só quer conferir as novidades do fim de semana. Parece que não é um filme perfeito, mas demonstra muita paixão pelos filmes, pelo cinema que Tarantino tanto ama e que os fãs do cara vão se sentir em casa. Enfim, tô só fazendo um registro. Eu particularmente caguei pra essas opiniões e continuo com as minhas boas e velhas expectativas. E depois deste novo trailer que soltaram hoje, minha animação aumentou ainda mais:

RICK DALTON é o cara!

Não conhecem RICK DALTON? Trata-se de um personagem fictício do novo filme de Quentin Tarantino, ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD, interpretado por Leonardo DiCaprio. Um ator de filmes de ação e western spaghetti nos anos 60, cujos filmes, que não existem obviamente, ganharam esses fake-posters lindões:

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ONCE UPON A TIME IN HOLLYWOOD estréia hoje em competição oficial no Festival de Cannes.

TRÊS NOTÍCIAS

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Três boas notícias que podem alegrar sua segunda-feira:

 

• John Hillcoat, diretor de umas coisas fenomenais, como A PROPOSTA e A ESTRADA, foi escalado para dirigir um remake de WITCHFINDER GENERAL, clássico de Michael Reeves estrelado por Vincent Price. Será produzido por Nicolas Winding Refn.

• Assim que finalizar a ficção científica AD ASTRA, o próximo trabalho de James Gray será ARMAGEDDON TIME, que está sendo anunciado como um filme autobiográfico, baseado nas memórias de infância do diretor.

• Provavelmente meu diretor francês favorito em atividade, Leos Carax (LES AMANTS DU PONT-NEUF, POLA X, HOLY MOTORS), está preparando um novo filme, um musical chamado ANNETTE, que já tem confirmado Adam Driver e Marion Cotillard no elenco.

CEMITÉRIO MALDITO (1989)

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Acho que a força de CEMITÉRIO MALDITO, uma certa grandeza que o coloca acima de boa parte dos filmes de horror nos anos oitenta, reside na maneira como o filme lida com a morte. Vidas são tiradas a todo instante no cinema de horror e o público, obviamente, torce para que isso aconteça. A morte é banalizada e se torna uma diversão, ninguém quer assistir a uma continuação de SEXTA-FEIRA 13 e ver o Jason saindo de mãos vazias, certo? Mas aqui a morte, a perda, tem um peso dramático muito forte e coloca o espectador em confronto com a situação trágica da morte de um filho de forma extrema e direta.

A própria ideia básica do filme, notória adaptação de Stephen King, é muito perturbadora. A trama gira em torno de uma família que se muda para uma nova casa em Ludlow, no Maine. É uma típica família feliz, recomeçando a vida, até que um caminhão em alta velocidade muda tudo isso. E a existência de um cemitério de animais de estimação amaldiçoado que reanima os mortos piora ainda mais a situação…

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É evidente que há muitas coisas boas típicas do horror, elementos fundamentais, em CEMITÉRIO MALDITO para acalentar o coração dos fãs do gênero. É um filme muito sombrio com uma atmosfera densa em alguns momentos, especialmente nas sequências das visitas ao tal cemitério; temos algumas mortes criativas, uma boa dose de sangue, um gato zumbi, sonhos bizarros, aparições de uma figura fantasmagórica, entre outras coisas… No entanto, acima de tudo, CEMITÉRIO MALDITO funciona por causa do drama central que se desenrola a partir da perda trágica de um ente querido.

A sequência do caminhão é um primor. Mesmo quem percebe na hora o que está prestes a acontecer, acaba chocado pela coragem do filme em realmente chegar nos finalmentes e fazer o que tinha que fazer… Até porque sempre existiu o tabu de se matar crianças nos filmes dessa maneira. Mas só é mostrado o essencial: o moleque indo para a rodovia, o caminhão desatento se aproximando, um sapatinho vazio que rola no asfalto. O suficiente para nos deixar sem chão e passarmos a sentir a dor do protagonista (interpretado por um Dale Midkiff). Algo que no universo de King acaba sendo bem mais aterrorizante que o horror tradicional.

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Por muito tempo, quem esteve à frente do projeto e meio que possibilitou sua existência foi o pai dos zombie movies, George A. Romero, que já era naquela altura grande amigo de Stephen King, já haviam trabalhado juntos em CREEPSHOW, e acabou comprando os direitos do livro. No contrato, duas condições: a primeira é que o filme deveria ser rodado no Maine. Depois, o próprio King deveria escrever o roteiro. E foi o que aconteceu. A dupla preparou o filme por bom tempo até que surgiram algumas atribulações entre o diretor e o estúdio, que convocou Romero no meio desse processo insistindo em refilmagens de algumas sequências de INSTINTO FATAL (Monkey Shines), que Romero havia dirigido pouco tempo antes. Para não deixar a produção parada, Romero acabou pulando fora de CEMITÉRIO MALDITO, sendo rapidamente substituído por Mary Lambert, uma diretora de video clipes que só havia feito um longa até então, SIESTA, de 87, mas que já era vista como um talento promissor.

E Lambert deu conta, conseguiu dar vida ao roteiro de King, ao universo sempre tão particular de seu criador, com muita precisão e criatividade visual. Claro, seria ótimo ver como CEMITÉRIO MALDITO seria sob a batuta de Romero, mas não aconteceu. E eu simplesmente não tenho do que reclamar desta versão, que se tornou um dos meus clássicos favoritos do horror oitentista.

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No elenco, vale destacar Brad Greenquist, a figura fantasmagórica que mostra ao protagonista o limite que não se deve ultrapassar no “semitério”; Fred Gwynne, o eterno Herman Munster, da série dos anos 60 OS MONSTROS (ou A FAMÍLIA MONSTRO); e Miko Hughes, o garotinho zumbi demoníaco com um bisturi afiado nas mãos empenhado a matar.

Aparentemente, CEMITÉRIO MALDITO é a adaptação da obra de King mais apreciada pelo próprio autor; Óbvio, considerando que ele mesmo escreveu o roteiro e que detesta, por exemplo, a adaptação de O ILUMINADO, do Kubrick, não é muito difícil o cara ter preferência por este aqui. King até faz uma breve participação como um reverendo. O filme teve uma continuação nos anos 90, dirigido pela mesma Mary Lambert, e que preciso rever, não lembro de quase nada. E aí sim, estarei devidamente preparado para encarar a nova versão que ainda não parei pra ver.

10 DOUBLE ZERO, um cagesploitaion

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A sinopse oficial do filme diz que 10 DOUBLE ZERO será ambientados na Louisiana, onde dois policiais partem numa jornada de vingança caçando assassinos de policiais. Mas à medida em que se aproximam dos alvos principais, eles se vêem envolvidos numa conspiração dentro da força policial.

Nic Cage, pelo visto, anda com certa moral. Deve estrelar este aqui e já possui uma fila de produções a serem lançadas este ano, sendo que algumas eu estou realmente interessado em conferir, como COLOR OUT OF SPACE, de Richard Stanley, que eu já anunciei aqui, e PRISONERS OF THE GHOSTLAND, dirigido pelo japonês maluco Sion Sono.

10 DOUBLE ZERO já está em fase de pré-produção e será dirigido por Christian Sesma, um especialista em filmes de ação de baixo orçamento “direct to video” cujo trabalho eu não conheço. Quem sabe tá aí um novo talento a ser descoberto?

MAD MEL E SEU BANDO SELVAGEM

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Eu nem lembrava mais desse projeto, mas o site Deadline me lembrou hoje que Mel Gibson está envolvido na direção e no roteiro da refilmagem do clássico MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA. Aparentemente, Mad Mel começou a reunir o seu bando selvagem: Michael Fassbender, Jamie Foxx e o anão mais querido da atualidade, Peter Dinklage, entraram em negociações para fazerem parte do grupo.

É legal lembrar que a ideia de refilmar a obra-prima de Sam Peckinpah não é nenhuma novidade. Em 2006, por exemplo, o diretor e roteirista David Ayer estava em negociações para dirigir o remake. Na época, Ayer só tinha um trabalho no currículo como diretor, o ótimo TEMPOS DE VIOLÊNCIA (Harsch Times, 2005). Como se sabe, a coisa não foi pra frente. Por volta de 2011, Tony Scott era o nome anunciado para comandar a bagaça. No ano seguinte Toninho pulou de uma ponte e não está mais entre nós… Infelizmente, porque eu adorava o que ele vinha fazendo nos últimos anos antes de sua morte. E agora surge Mel Gibson e, pela primeira vez, a coisa toda não parece um boato. Aparentemente, o projeto está avançando.

E, olha, tô encarando isso com muita boa vontade. “Ain, mas não podem refilmar esse clássico do meu Peckinpah“. Porra, eu tô cagando que é um remake! Relevo totalmente esse fato! É um western com uma premissa massa dirigido pelo MEL GIBSON, bicho, com todas as liberdades criativas que ele quiser fazer. Ponto. O resto é resto… Só o fato de ter um anão no elenco já mostra que será diferente. Deve ser mais uma homenagem, algo que reverencia o original, do que um remake xerox.

O filme original, dirigido por Peckinpah é sobre um grupo envelhecido de foras-da-lei à procura de um último grande golpe enquanto o tradicional oeste americano desaparece ao seu redor e a era industrial começa a tomar conta de tudo. Eles são perseguidos por um bando liderado por um ex-parceiro. O filme tinha os casca-grossas Wiliam Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates e Ben Johnson no elenco.

Por isso, a única coisa discutível até o momento é que o elenco que tem se formado até o momento é bem mais jovem, e eu preferia que pelo menos isso fosse como no original, com atores mais envelhecidos. Mas não dá pra querer tudo. Mel Gibson é um puta diretor e tem tudo pra ser um western fodido, cheio de sequências de ação com o primor que lhe é capaz, como em APOCALYPTO (2006) e ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (Racksaw Hidge, 2016). Este, aliás, foi o último trabalho de Gibson na direção, e deve ter dado novamente uma moral ao sujeito. O filme foi um sucesso de crítica e comercial, arrecadando mais de US $ 170 milhões nas bilheterias e conquistando seis indicações ao Oscar, vencendo melhor mixagem de som e melhor edição.