AMEI UM ASSASSINO (1948); CLASSICLINE

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Vi mais essa pérola, em DVD, lançada pela ClassiclineAMEI UM ASSASSINO, de Norman Foster, veste uma roupagem iconográfica de film noir, com todos os elementos visuais característicos, para narrar um melodrama denso e muito interessante. O filme é um realização da Norma Productions, que tinha o ator Burt Lancaster, que é o protagonista aqui, como um dos fundadores. Foi ele quem lutou para manter o título original da fita, o belíssimo KISS THE BLOOD OFF MY HANDS, que é homônimo ao romance que fora adaptado. Com esse título irresistível, fica difícil não dar um conferida.

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Ambientado numa Londres pós-Segunda Guerra Mundial, Lancaster é um típico outsider à deriva ferrado na vida. Ex-combatente, vive à margem tentando viver um dia de cada vez. A coisa piora pro sujeito quando acaba se metendo numa briga em um pub. Após acidentalmente matar um homem, parte em fuga e cruza o seu caminho com o da enfermeira interpretada por Joan Fontaine. Adicionado ao tempero, temos ainda um Robert Newton inspirado, como um bandido lowlife, que testemunhou o crime do protagonista e tenta o manter sob o seu controle.

O legal é que AMEI UM ASSASSINO sempre vai brincando com as expectativas, com um enredo que tece de formas inesperadas o seu desenvolvimento particularmente surpreendente. Nunca se sabe o que vai acontecer a seguir e o filme vai sempre se renovando, especialmente na relação amorosa que surge entre Lancaster e Fontaine. Ainda em início de carreira, Lancaster começa meio travado, mas aos poucos vai se soltando e ao final, temos mais uma grande atuação do sujeito. O filme faz um bom trabalho ao mostrar suas ações como resultado dos efeitos da guerra. Na verdade, o filme possui essa relação sombria e evidente do trauma e desilusão do pós-guerra na Europa.

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AMEI UM ASSASSINO até pode ser considerado do gênero noir, possui alguns elementos gráficos e temas que o coloquem como tal, embora no fim das contas a coisa vá desaparecendo de certa maneira, tomando outra forma, mais ligada à herança do melodrama, restando apenas essa roupagem estética da cinematografia de Russell Metty, que é expressiva e que traz toda a nebulosidade da Londres pós-guerra para a tela. Os becos escuros e apertados, um trabalho de sombras fantástico digno dos melhores noirs

A perseguição que acontece no início, com Lancaster fugindo da polícia pelas ruelas escuras, é um bom exemplo, além de ser uma aula de enquadramentos e movimentos de câmera. Prova que o diretor Norman Foster aprendeu tudo direitinho como assistente de Orson Welles. A sequência em que envolve a personagem de Joan Fontaine, Robert Newton e uma tesoura também é um primor em como se trabalhar o suspense utilizando apenas luzes, sombras e close-ups.

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AMEI UM ASSASSINO foi lançado pela Classicline em dezembro do ano passadoO disco é apresentado em uma excelente edição de imagem, no formato de tela e áudio originais. Acompanha trailer de cinema e uma galeria de fotos e cartazes como extra. O DVD pode ser adquirido nas melhores lojas ou na loja virtual da própria distribuidora.

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