VÍCIO FRENÉTICO

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Vício Frenético (1992, Abel Ferrara)

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Vício Frenético (2009, Werner Herzog)

Porque cinema e este blog são meus vícios particulares. Encararemos essa nova denominação (sim, sei que já fui e já voltei ao longo desses dez anos) não como uma mudança, mas como uma renovação desse espírito vicioso. Em 2019 Dementia 13 continua, mas como VÍCIO FRENÉTICO.

(Obviamente inspirado no filmaço de Abel Ferrara. Mas também, por que não, no maravilhoso filme de Herzog? Ambos me representam)

AMEI UM ASSASSINO (1948); CLASSICLINE

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Vi mais essa pérola, em DVD, lançada pela ClassiclineAMEI UM ASSASSINO, de Norman Foster, veste uma roupagem iconográfica de film noir, com todos os elementos visuais característicos, para narrar um melodrama denso e muito interessante. O filme é um realização da Norma Productions, que tinha o ator Burt Lancaster, que é o protagonista aqui, como um dos fundadores. Foi ele quem lutou para manter o título original da fita, o belíssimo KISS THE BLOOD OFF MY HANDS, que é homônimo ao romance que fora adaptado. Com esse título irresistível, fica difícil não dar um conferida.

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Ambientado numa Londres pós-Segunda Guerra Mundial, Lancaster é um típico outsider à deriva ferrado na vida. Ex-combatente, vive à margem tentando viver um dia de cada vez. A coisa piora pro sujeito quando acaba se metendo numa briga em um pub. Após acidentalmente matar um homem, parte em fuga e cruza o seu caminho com o da enfermeira interpretada por Joan Fontaine. Adicionado ao tempero, temos ainda um Robert Newton inspirado, como um bandido lowlife, que testemunhou o crime do protagonista e tenta o manter sob o seu controle.

O legal é que AMEI UM ASSASSINO sempre vai brincando com as expectativas, com um enredo que tece de formas inesperadas o seu desenvolvimento particularmente surpreendente. Nunca se sabe o que vai acontecer a seguir e o filme vai sempre se renovando, especialmente na relação amorosa que surge entre Lancaster e Fontaine. Ainda em início de carreira, Lancaster começa meio travado, mas aos poucos vai se soltando e ao final, temos mais uma grande atuação do sujeito. O filme faz um bom trabalho ao mostrar suas ações como resultado dos efeitos da guerra. Na verdade, o filme possui essa relação sombria e evidente do trauma e desilusão do pós-guerra na Europa.

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AMEI UM ASSASSINO até pode ser considerado do gênero noir, possui alguns elementos gráficos e temas que o coloquem como tal, embora no fim das contas a coisa vá desaparecendo de certa maneira, tomando outra forma, mais ligada à herança do melodrama, restando apenas essa roupagem estética da cinematografia de Russell Metty, que é expressiva e que traz toda a nebulosidade da Londres pós-guerra para a tela. Os becos escuros e apertados, um trabalho de sombras fantástico digno dos melhores noirs

A perseguição que acontece no início, com Lancaster fugindo da polícia pelas ruelas escuras, é um bom exemplo, além de ser uma aula de enquadramentos e movimentos de câmera. Prova que o diretor Norman Foster aprendeu tudo direitinho como assistente de Orson Welles. A sequência em que envolve a personagem de Joan Fontaine, Robert Newton e uma tesoura também é um primor em como se trabalhar o suspense utilizando apenas luzes, sombras e close-ups.

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AMEI UM ASSASSINO foi lançado pela Classicline em dezembro do ano passadoO disco é apresentado em uma excelente edição de imagem, no formato de tela e áudio originais. Acompanha trailer de cinema e uma galeria de fotos e cartazes como extra. O DVD pode ser adquirido nas melhores lojas ou na loja virtual da própria distribuidora.

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NOVIDADES DE HORROR DA A2 FILMES

PIRANHA SHARKS JÁ CHEGOU EM DIGITAL

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SINOPSE: “Um cientista consegue mudar geneticamente tubarões-brancos para que eles fiquem do tamanho de pequenas piranhas, com o objetivo de satisfazer a vontade de um milionário de aumentar seu aquário de espécies exóticas. Quando os peixes mutantes caem na rede de esgotos da cidade de Nova York, rapidamente se espalham e começam a matar.

Quando o caos toma conta da cidade e os ataques só aumentam, o prefeito só tem uma solução: contratar um grupo nada comum de exterminadores, que parece ser a última chance de salvar a população dessa bizarra ameaça.”

Elas são pequenas, elas são mortais, elas são mutantes!

ALUGUE AGORA MESMO!
Now: http://bit.ly/piranhasharksNOW
Vivo Play: http://bit.ly/piranhasharksVIVOPLAY
Looke: http://bit.ly/piranhasharksLOOKE
Microsoft: http://bit.ly/piranhasharksMICROSOFT
iTunes: http://bit.ly/piranhasharksITUNES

Ficha técnica:
PIRANHA SHARKS
 (Piranha Sharks)
DIREÇÃO: Leigh Scott
ELENCO: Collin Galyean, Ramona Mallory, Josh Hammond, John Wells, Frederic Doss, Jon-Christian Costable, GinaMarie Zimmerman e Kevin Sorbo
PAÍS/AN]O DE PRODUÇÃO: EUA/2016
GÊNERO: Terror / Ação / Comédia
MINUTAGEM: 79 minutos, aproximadamente

 


JÁ DISPONÍVEIS

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EM BREVE

Acesse também a página da A2 FILMES no FACEBOOK, ou o site da distribuidora, a2filmes.com.br, e fique por dentro dos lançamentos e novidades.

LANÇAMENTO CPC UMES FILMES: QUANDO VOAM AS CEGONHAS

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O primeiro lançamento em DVD de 2019 da CPC UMES FILMES será QUANDO VOAM AS CEGONHAS, de Mikhail Kalatozov, clássico obrigatório do cinema soviético, produzido pelo Mosfilm e vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 1958. A edição é a partir de cópia restaurada.

Sinopse: “Veronika e Boris, um jovem casal de namorados, são separados pela convocação do rapaz para se juntar ao Exército Vermelho durante a 2ª Guerra Mundial. Ansiosa por notícias do front, a moça é acolhida pela família de Boris, quando sua casa é destruída por um bombardeio, e acaba forçada a se envolver com o primo do rapaz, com quem resignadamente se casa. Mas continua a esperar por Boris.”

O lançamento de QUANDO VOAM AS CEGONHAS está previsto para o dia 08 de março.

Acesse a loja virtual da distribuidora para mais informações e para adquirir o seu exemplar na pré-venda.

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E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook
para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

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ÁTILA – O REI DOS HUNOS (1954); CLASSICLINE

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De vez em quando o diretor Douglas Sirk dava um tempo dos seus habituais melodramas hollywoodianos, carregados dos conflitos emocionais que davam dignidade às lágrimas do público, e resolvia fazer outra coisa completamente diferente, explorar outros gêneros, respirar novos ares. Daí surgia obras como ÁTILA, O REI DOS HUNO, um maravilhoso épico de aventura histórica, do estilo “sandália e espada”, que para os fãs dos famosos melodramas do diretor pode até soar, à primeira vista, um bocado estranho… No entanto, lá pelas tantas, deve ter batido em Sirk uma saudade de trabalhar certos temas e, sem abandonar a proposta de aventura épica, toda a angústia humana da marca registrada do diretor acaba surgindo por aqui.

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Com isso, o recorte histórico do personagem título ganha um outro sentido, que ultrapassa as batalhas e conquistas de territórios e transcende a outras coisas, a uma dissecação da jornada dessa figura histórica chamada Átila. Uma jornada que já não é mais física, mas espiritual. Não são mais as lutas de espadas, os conflitos entre os povos da época ou a fidelidade histórica, mas sim uma religiosidade que é inerente a este mundo povoado por figuras apegadas na fé que interessa a Sirk.

O título original de ÁTILA – O REI DOS HUNOS parece concordar mais com as intenções do diretor. O seu belo título é THE SIGN OF THE PAGAN. Trata-se, portanto, menos de uma biografia, que é o que o título nacional parece indicar, sobre o mais famoso dos líderes bárbaros, e mais um filme sobre o homem em conflito com sua fé, num choque de civilizações entre o Império Romano e os bárbaros, e mais particularmente entre o cristianismo representado por Roma e o culto pagão celebrado pelos hunos. É menos o “cinema do corpo” dos filmes de “sandália e espadas” e os pepla italianos, e mais uma odisseia espiritual do indivíduo diante da sorte…

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O cerne do filme acaba sendo Jack Palance, num desempenho tão magistral, tão poderoso, talvez o maior de sua carreira. Num primeiro momento, Palance entrega um Átila orgulhoso, confiante e ávido guerreiro com um ódio mortal do Império Romano, com uma filosofia da barbárie que se contrapõem com seu brilho tático e habilidades militares. E uma presença física em cena fenomenal, como na cena de sua chegada à festa dada pelo imperador Teodósio aos bárbaros, em Constantinopla, onde Átila impõe autoridade pra cima dos romanos e tem a chance de humilhar o melhor guerreiro local. Mas não demora muito o filme começa e revelar-lhe as fraquezas, as dúvidas, o conflito com a fé… E Palance vai crescendo, cada vez mais sublime.

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Seu oposto é Jeff Chandler, que interpreta Marciano, o centurião romano que, por fim, carrega o fardo de salvar todo o Império. Os dois se encontram pela primeira vez quando o personagem de Chandler é capturado a caminho de Constantinopla levando uma mensagem para o imperador. O sujeito consegue fugir e se apressa para a famosa cidade, onde encontra um aliado de importância, a adorável Princesa Pulcheria. Só que as advertências de Marciano sobre a ameaça bárbara são ignoradas. Enquanto isso, Átila decide realizar a ousada ação de atacar Roma, apesar das sombrias previsões de seu vidente.

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Previsões, fé, conflitos do espírito são coisas que Douglas Sirk se apega. E algumas das melhores sequências do filme partem da dialética cristianismo vs paganismo. Destaco duas: a primeira é um clichezão, mas que nunca perde a sua força: logo depois de um discurso de cólera de Átila contra Roma e promovendo um grande ataque contra seus muros, um raio atinge e parte ao meio a árvore mais próxima do grupo, trazendo à tona a possibilidade de uma resposta do divino às afrontas do bárbaro. A segunda é o ponto alto do filme, quando já nos arredores de Roma, o próprio papa se aproxima num pequeno barco pelo rio, envolto em uma névoa celestial, para tentar influenciar os bárbaros a desistirem do ataque… É bem provável que esta seja uma das sequências mais belas que Sirk filmou em sua carreira.

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A partir daí, os presságios do vidente acabam se mostrando verdadeiros, Átila se vê encarando um longo processo de definhamento espiritual e se perde no abismo, enquanto Marciano convoca os romanos para um ataque surpresa. O confronto final do exército romano contra os Hunos de Átila, apesar de curto e sintético, também serve para provar que Sirk definitivamente tinha talento para dirigir ação com o mesmo vigor de seus dramas suburbanos pelos quais ele é mais conhecido. Mas é mesmo no prazer de narrar essa grande jornada espiritual de Átila que reside um filme magnífico. E claro, em Jack Palance, que é o centro das atenções. Um verdadeiro monumento.

Assisti a ÁTILA, O REI DOS HUNOS em DVD, lançamento fresquinho de Janeiro da Classicline. O disco é apresentado em uma edição com uma cópia excelente, num belíssimo widescreen, áudio original e dublagem em português para aumentar o clima nostálgico. Acompanha trailer de cinema e uma galeria de imagens como extra. O DVD pode ser adquirido nas melhores lojas ou na loja virtual da própria distribuidora.

 

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EMBRUTECIDO PELA VIOLÊNCIA (1951)

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O jovem Kirk Douglas em início de carreira parecia um ator esforçado. Aprendeu a lutar boxe para o seu papel em O INVENCÍVEL (1949), de Mark Robson, e teve intensas aulas de instrumentos de sopro para dar veracidade como trompetista em ÊXITO FUGAZ (1950), de Michael Curtiz. Para EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA (Along the Great Divide), Douglas teve que aprender a montar num cavalo e a lidar com um revolver de seis balas, e contou com a ajuda do veterano diretor de ação e aventura Raoul Walsh, para lhe mostrar como se faz. O filme é a estreia de Douglas no Western, gênero do qual o sujeito dedicaria uma boa parte da carreira (dezenove filmes).

Douglas aparece em EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA como um Marshal recém-eleito, chamado Len Merrick. Durante seu trajeto para assumir o posto, na companhia de seus dois ajudantes policiais, Merrick impede um grupo de linchar o velho Keith, vivido pelo grande Walter Brennan, a quem o fazendeiro Ed Roden (Morris Ankrum) acredita ser o assassino de seu filho. Merrick e seus policiais levam o Keith em custódia. Se o prisioneiro é ou não inocente, se ele será condenado à morte ou não, é de pouca importância para Merrick, que vive sob o código da lei. Desde que a lei tenha uma palavra a dizer e a sentença seja aplicada de acordo com o veredito do júri, o sujeito tem a consciência tranquila de dever cumprido.

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Mas aí começam a transportar Keith por quilômetros e quilômetros até a cidade de Santa Loma, onde o velho será julgado. O filme é, em grande parte, sobre o que acontece ao longo do caminho. E como sabemos, uma longa jornada pode mudar a natureza de um homem. Especialmente se uma mulher estiver no meio, como é caso de Ann (Virginia Mayo), filha de Keith, que insiste em acompanhá-los. Durante a viagem, além de constantes trocas de tiros com os homens de Roden, que querem o velho morto de qualquer jeito, é revelado também o lado frágil de Merrick, traumatizado e cercado de medos por conta da morte de seu próprio pai, também um Marshal, e que teria sido causado por ele.

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Com isso, EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA fecha uma espécie de trilogia da “psicologia no western” do diretor Raoul Walsh, que começa com SUA ÚNICA SAÍDA (1947) e continua em GOLPE DE MISERICÓRDIA (1949). Mas apesar desse estudo mais profundo das emoções humanas, em nenhum momento o filme se torna uma tese séria sobre o assunto. Walsh se interessa mesmo é pela forma, pela imagem, pela fotografia em preto-e-branco expressionista de Sidney Hickox, o colaborador habitual de Walsh, que é realmente extraordinária, seja nas locações ao ar livre ou no estúdio. Já com os atores, o que parece ecoar sobre as filmagens é que Walsh teria perdido o interesse pelo projeto durante a realização e deixava de lado inclusive páginas inteiras de diálogos do roteiros.

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O bom é que com Kirk Douglas, Walter Brennan e Virginia Mayo não tem erro, basta ligar a câmera e deixá-los trabalhar, especialmente quando Douglas e Mayo se afastam dos demais e dão origem a algumas sequências com alto potencial erótico para o período. Douglas ainda não havia despontado como um dos maiores atores de todos os tempos na época de EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA, mas já dava demonstrações consideráveis disso, com um carisma extraordinário e exalando uma tremenda força física como herói. John Agar, James Anderson e Ray Teal são outros atores que merecem destaque por aqui. Quanto à encenação da ação, Walsh é sempre de uma eficiência notável quando se trata dos tiroteios, perseguições, do deslocamento dos personagens no espaço, da arquitetura da iconografia do western.

EMBRUTECIDOS PELA VIOLÊNCIA foi lançado recentemente pela Classicline em DVD, oferecendo sua qualidade habitual, preservando o ‘aspect ratio’ original. Uma bela maneira de redescobrir este clássico do faroeste americano que merece um lugar na coleção, para ver e rever e rever…

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Texto originalmente escrito e publicado no blog Vá e Veja.

95 ANOS DO MOSFILM

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O mais antigo estúdio de filmes da Europa, o MOSFILM, está completando 95 anos de fundação. Além disso, cinco grandes diretores do cinema russo também fazem anivesário no mês de janeiro. Por isso, a CPC UMES FILMES, distribuidora parceira do blog, está realizando até domingo (03/02) uma super promoção na sua loja virtual.

Treze filmes dos diretores aniversariantes e produzidos pelo MOSFILM com descontos, de 39,90 por 24,90.

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Sergei Eisenstein é um dos aniversariantes de Janeiro

Diretores aniversariantes:
Lev Kuleshov (13/01), Serguei Eisenstein (22/01), Grigori Aleksandrov (23/01), Mikhail Romm (24/01) e Leonid Gayday (30/01).

Filmes em promoção:

As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques
O Velho e o Novo
Aleksandr Nevsky
Volga-Volga
Circus
Primavera
Lenin em Outubro
O Fascismo de Todos os Dias
Lenin em 1918
Bola de Sebo
A Questão Russa
12 Cadeiras
Braço de Diamante 

Clique aqui para acessar o site da CPC UMES FILMES e aproveitar a promoção!