O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES (1987); CPC UMES FILMES

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Pode parecer incomum, mas existe um gênero chamado Red Western, formado por produções que recriam o velho oeste americano sob uma visão, e até uma ideologia, do bloco oriental, especialmente a União Soviética. Não sou lá grande especialista no assunto e vi pouquíssimos exemplares, mas recentemente a CPC UMES Filmes lançou o que, definitivamente, deve ser um dos melhores Red WesternO HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES, da diretora ucraniana Alla Surikova. Na verdade, trata-se mais de uma sátira ao mito do western, com toda a sua iconografia e bagagem de gênero mais cinematográfico da sétima arte, servindo como moldura e pretexto para uma bela homenagem ao próprio cinema.

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Um projecionista, chamado Mr.First, chega a uma pequena cidade do Oeste selvagem e traz consigo um primitivo projetor com várias bobinas dos primeiros filmes da história do cinema. Todas as noites, ele faz uma sessão no bar local, o que surte um grande efeito nos caubóis. Logo na primeira dessas sessões, O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES recria o famoso relato dos espectadores que viram pela primeira vez a imagem do trem chegando à estação, no filme dos irmãos Lumière, projetado no Salão Indiano do Grand Café do Boulevard des Capucines, de onde título deste aqui faz uma alusão, e no qual, segundo consta a história, teria sido caótico, com as pessoas se levantando das cadeiras, assustadas, achando que seriam atropelados pelo trem da tela…

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Aqui os personagens recebem essas imagens com chumbo grosso, fazendo vários buracos no lençol branco pendurado na parede do saloon… Mas à medida que as sessões vão acontecendo, seus comportamentos vão mudando. Eles param de brigar um com os outros, começam a falar mais educadamente e se portar com cavalheirismo; e ao invés de doses de whisky, começam a encher a cara com leite…

Obviamente é uma ideia um tanto ingênua essa de O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES  na sua análise sobre a influência do cinema no comportamento humano, no seu poder de transformação através das imagens. Mas não deixa de funcionar como fábula auto-reflexiva nesse sentido. E, além disso, desde o início o filme estabelece claramente suas intenções satíricas, com números musicais e um humor que beira ao pastelão em alguns momentos, e não uma tese acadêmica sobre o assunto. Importa muito a diversão, as sequências e gags que surgem em consequência dessa ideia de levar o cinema a um tempo e lugar remoto, em um universo tão inerente à sétima arte como o velho oeste; e, claro, a ideia da primeira experiência cinematográfica, como o indivíduo é afetado por imagens em movimento projetadas num lençol branco na parede.

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Algumas sequências são memoráveis e afirmam a vitalidade da diretora Surikova na realização. O bar local sendo completamente destruído numa típica e exagerada briga de saloon e, logo depois, os próprios brigões põem-se a trabalhar para consertar o estrago; os trechos em que o pastor da igreja e o dono saloon põem em prática seus planos diabólicos para acabar com as sessões de cinema (ambos representando repartições do sistema que gostam de cagar regra na cultura da sociedade: igreja e capitalistas); ou o épico tiroteio, com balas que não machucam ninguém, mas muito bem coreografado,  quando um bando de índios invade a cidade querendo participar das projeções; mas o simples fato do filme possuir essa ótica soviética de um universo tão ocidental, tão americano, com personagens ultra estereotipados do velho oeste – e a esquisitice de vê-los falando em russo – já seria suficiente para tornar O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES um exemplar notável do cinema soviético.

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Como já disse antes, O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES foi lançado em DVD no Brasil recentemente pela CPC UMES Filmes, e é uma dessas pérolas do cinema mundial que merece ser redescoberto (foi um grande sucesso na Russia, na época de seu laçamento, mas hoje anda esquecido). Merece também um lugar na prateleira e pode ser adquirido na loja virtual da distribuidora. E não deixe de curtir a página da CPC UMES FILMES no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.

kinopoisk.ru

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2 pensamentos sobre “O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES (1987); CPC UMES FILMES

  1. Acho que á grande maioria dos filmes da extinta União Soviética , o povo de lá nem lembra mais desses filmes passaram nas tela grande de lá,mas ainda bem que eles estão sendo restaurados e lançados no mercado de vídeo daqui em nosso país pela CPC FILMES,espero que lançam mais perolas com essa do vasto Cinema Soviético.

  2. pode parecer comum,mas existe um gênero chamado banana western…
    hoje lançaram,o que definitivamente será o melhor dos banana westerns
    “o homem do boné do trump”

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