THE OTHER SIDE OF THE WIND – TRAILER

imagens_15278593500450

Só pra deixar registrado, saiu o trailer do filme THE OTHER SIDE OF THE WIND, que mencionei aqui outro dia, o tal filme nunca completado dirigido pelo Orson Welles na década de 70 e só agora finalizado graças aos esforços de alguns indivíduos e da Netflix (que justifica sua existência só por ter contribuído com esse projeto).

E o trailer? EXCEPCIONAL!!! Se havia alguma dúvida de qual era o filme mais aguardado por mim este ano, agora já não há mais! Não vejo a hora de poder assistir THE OTHER SIDE OF THE WIND! ORSON WELLES VIVE!!!

 

Anúncios

LANÇAMENTOS CPC UMES FILMES

Os dois últimos lançamentos em DVD da CPC UMES Filmes estão imperdíveis. Em julho tivemos O DESTINO DE UM HOMEM (1959), de Serguei Bondarchuk, e que já estou com o DVD em mãos para conferir:

kinopoisk.ru

SINOPSE: Convocado pelo Exército Vermelho para atuar como motorista de caminhão durante a Segunda Guerra, Andrei é capturado pelos alemães e jogado em um campo de concentração.

Quando retorna ao lar não encontra sua mulher e filhos, mortos pelos fascistas. O fantasma de uma vida sem propósito o atormenta, mas não abala seu espírito. Adaptação do romance homônimo de Mikhail Sholokhov, que ganharia o Prêmio Nobel de Literatura em 1965.

PDVD_083PDVD_085PDVD_084PDVD_086

Em breve comento algo a mais sobre O DESTINO DE UM HOMEM.

O Lançamento de Agosto é O HOMEM DO BOULEVARD DES CAPUCINES (1987), de Alla Surikova.

MV5BZDEwNDI2ZDMtZDRjNC00ODk5LWJlOGUtZDZjNTVmMjQyMzQyXkEyXkFqcGdeQXVyNjg3MTIwODI@._V1_SY1000_CR0,0,686,1000_AL_

SINOPSE: Na alvorada do século 20, Mr. Johnny First chega ao Oeste Selvagem com um projetor e alguns rolos de filme. O título dessa deliciosa sátira ao western way of life é uma alusão ao Salão Indiano do Grand Café do Boulevard des Capucines, onde os Irmãos Lumière encantaram as plateias com sua maravilhosa invenção. O filme foi visto por mais de 60 milhões de espectadores na URSS.

Ambos os filmes já estão disponíveis (CAPUCINES ainda em pré-venda) na loja virtual da CPC UMES FILMES, uma distribuidora que vem fazendo um dos melhores trabalhos de curadoria home video, com filmes que realmente valem a pena ter na estante. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e seus próximos lançamentos.

BUÑUEL #3: LAS HURDES (1933)

rmpnpz

Na época do lançamento de A IDADE DO OURO, Luis Buñuel foi convidado a ir à Hollywood como “observador”, portanto, não estava presente quando explodiu o escândalo de seu último trabalho, o choque entre a grã-finagem burguesa numa pré-estreia às portas fechadas na mansão do produtor (que não sabia do que se tratava o filme, deu total liberdade à Buñuel, que também não fazia questão nenhuma de lhe contar nada à respeito).

Em Hollywood, as aventuras de Buñuel, sempre rabugento e agressivo a tudo e a todos, duraram pouco tempo. Certo dia, o produtor da MGM Irving Thalberg pediu ao espanhol uma opinião a respeito de um filme falado em castelhano estrelado por uma atriz chamada Lili Damita, e Buñuel lhe respondeu: “Não quero ouvir putas“. Foi expulso de Hollywood e voltou para a Espanha.

2ljixzn

Na sua terra natal, Buñuel leu um livro sobre a região das Hurdes e percebeu material para um novo filme. O problema era arranjar grana depois da recepção de A IDADE DO OURO, nenhum produtor ia arriscar botar dinheiro nas mãos de um inconformado iconoclasta subversivo… O jeito foi ir atrás de alguns amigos e contar com a sorte. Muita sorte. Um desses amigos era um anarquista chamado Ramón Acin que se apaixonou pelo tema de LAS HURDES e disse a Buñuel: “Se eu ganhar na loteria, dou-te tudo para teu filme“. E ganhou! O valor não era exatamente uma fortuna, mas já era um começo. O diretor de cinema Yves Allegret também contribuiu, pagou o aluguel da câmera e Buñuel partiu para Hurdes com seus colaboradores para filmar.

LAS HURDES é um documentário sobre a tal região que dá nome ao filme, na qual Buñuel compreendia que a realidade já era bastante expressiva e surreal suficiente para ficar fantasiando na ficção. Trata-se de uma região remota da Espanha onde, ainda na década de 30, a civilização mal se desenvolveu e o filme mostra como os camponeses locais tentam sobreviver às duras penas nessa realidade. Buñuel consegue criar imagens impressionantes desse cotidiano e até encontra certa lógica surrealista que lhe é tanto peculiar…

img689_1006_vlcsnap2010030417h10m12

Obviamente é um filme forte para o período pela situação de degradação humana que Buñuel faz questão de mostrar sem qualquer concessão. Só que aí vem a pegadinha genial do diretor. Buñuel recria situações, cenas e “realidades” para enfatizar o todo. Exemplo: há um plano em que o narrador diz que as cabras da região caem com certa frequência do alto dos rochedos e morrem. Exatamente neste momento, o que aparece na tela é uma cabra despencando do alto de um rochedo… E no canto da tela uma fumaça que não fizeram nem questão de tentar esconder, provavelmente de uma espingarda, que alveja o animal e o faz cair morto.

Dessa maneira, LAS HURDES cria um choque de imagem-verdades, que é a essência do próprio cinema. “A câmera mente 24 vezes por segundo“, como diz Brian De Palma. Socialmente, aliás, é muito mais importante para Buñuel mostrar o que podemos chamar de imagem-inquisitório, para acordar o ímpeto de revolta dos espectadores, do que salvar um burro de um enxame de abelhas, uma das cenas que me vem à mente da galeria de “gags” trágicas da narrativa de LAS HURDES, ou evitar a ideia de atirar numa cabra no alto de um rochedo só para filmá-la caindo… Perturbador e fascinante, o documentário não deixa de ser a visão corrosiva de um surrealista.

LAS HURDES tem disponível no youtube, tem só 30 minutos de duração e vale a pena ser visto.

27032017141826

PULSE (Kairo, 2001)

74104463cccb

Eu já tinha assistido a um filme ou outro do Kiyoshi Kurosawa (nenhuma relação com o outro diretor japonês Akira Kurosawa), cuja reputação sempre me chamou a atenção e o pouco que vi do seu trabalho reafirmava seu talento. Mas só este ano resolvi levar a filmografia do homem à sério e devo ter visto, entre março e maio deste ano, uns quinze filmes do diretor. Um dos que mais me surpreendeu foi PULSE, representativo exemplar da renovação do horror japonês, o chamado “J-Horror”, que ganhou força no final dos anos 90 e início dos anos 2000, com O CHAMADO, O GRITO, ÁGUA NEGRA e tal…

Mas conferindo um filme como PULSE é que se percebe porque Kurosawa é considerado um mestre superior do horror, o maior sopro de originalidade que aconteceu no cinema japonês dos últimos anos (ao lado de Takashi Miike) e que leva à sério a ideia de transformar horror em poesia. Não é a toa que é considerado o mais Tarkovskiniano dos japoneses. E no início dos anos 2000 até eu me rendi ao J-Horror, até porque quando começou a onda de remakes americanos desse tipo de produto eu queria estar antenado e sempre procurava assistir antes as versões originais. No caso de PULSE eu acabei vendo a produção americana e comi bola com o filme do Kurosawa.  Antes tarde do que nunca, filme conferido, erro corrigido.

4

É interessantes como PULSE dialoga tão bem com o contexto do período, a expansão da internet e o início da solidão e alienação digital, mas embalado num horror arthouse, nada convencional, que se você assistir esperando tomar sustinhos, vai perder a beleza reflexiva da obra. O uso de metáfora no gênero do horror não é nenhuma novidade, mas no caso de Kurosawa a inserção da alegoria em meio à banalidade do cotidiano tange a transgressão. Em PULSE as linhas violentas do horror são traçadas pelo diretor como análise social: Duas histórias paralelas com personagens que se deparam com manifestações quase física de fantasmas, um surto absurdo de suicídios e desaparecimentos sem explicação da população.

Uma das protagonistas é Michi, cujo colega de trabalho se enforcou. Na casa do rapaz, encontram um disco com um vídeo estranho dele estático parado perto de seu computador. Na outra linha narrativa, seguimos Ryosuke, um jovem que está começando sua aventura em navegação na web, inserindo um CD para iniciar seu provedor de serviços de internet, algo banal que os mais jovens não vão se lembrar, e os mais veiacos como eu talvez sintam certa nostalgia… Quando tudo já está configurado, seu computador imediatamente acessa um site que pergunta “você quer conhecer um fantasma?“, e começam a aparecer vídeos estranhos, aparentemente ao vivo, de pessoas estáticas em ambientes escuros, imagens realmente perturbadoras, tão bizarras quanto o vídeo do colega de Michi.

À medida em que essas duas tramas paralelas vão se fundindo, Tóquio vai gradativamente sendo despovoada em segundo plano. O apocalipse em PULSE acontece de forma sutil, mas no final as ruas e estabelecimentos estão completamente desertos e no horizonte prédios desabitados e uma cidade decrépita como cenário… De vez em quando algum indivíduo se joga de um local muito alto para incrementar ainda mais a atmosfera de desolação.

kairo behind you

Kurosawa não perde tempo tentando explicar o que está acontecendo. Fantasmas, suicídios em massa, eventos que são precisos aceitar dentro do conceito de horror do filme. Durante a narrativa, tomamos conhecimento de alguns detalhes, sabemos que a internet é utilizada pelos espíritos para amenizar a solidão eterna. A reflexão sobre o isolamento e a separação auto-imposta que a tecnologia moderna traz é muito forte em PULSE, onde nos escondemos atrás de uma tela de computador e fazemos apenas as conexões mais superficiais uns com os outros. PULSE explora bem as questões de como a tecnologia e a internet pode nos manter separados em vez de unir. E os fantasmas em PULSE se conectam justamente com as pessoas que se sentem sozinhas e cuja a depressão coletiva possibilita a criação desse vínculo metafísico.

O filme também nunca tenta chocar ou fazer espetáculo a partir da tragédia, mas cria uma atmosfera de isolamento e desesperança com momentos realmente desconfortáveis. Algumas imagens são mais diretas, como a mulher que se joga de uma estrutura numa fábrica, numa das cenas de suicídio das mais realistas que eu já vi. Ou já perto do final, um plano envolvendo um avião em queda que é realmente aterrador. Mas são nos momentos de horror intimista e atmosférico que a coisa fica realmente angustiante. As manchas nas paredes onde as pessoas desapareceram ou se mataram, a maneira como Kurosawa usa a profundidade de campo, o trabalho de luz… A cada sombra ou lugar escuro na tela dá a impressão de estar escondendo uma entidade fantasma que se recusa a se revelar. Pequenos detalhes usados para gelar a espinha do espectador sem precisar apelar para sustos ou clichês do gênero, Kurosawa prefere conduzir o público a um passeio sombrio e angustiante que evidencia gradativa e lentamente as implicações “sociais” da trama.

kairo

O filme foi o maior orçamento que Kurosawa havia trabalhado até então. Numa entrevista para a Fangoria na época, o sujeito disse que após anos desenvolvendo uma carreira relativamente dedicada ao horror durante os anos 90, finalmente teria a oportunidade de fazer algo grande, sem sair de seu estilo intimista. No arremate, ele disse que se o filme não tivesse o sucesso que ele esperava, ele desistiria do gênero. Bom, PULSE acabou mesmo sendo seu filme mais famoso, teve refilmagem nos EUA e Kurosawa não parou de fazer filmes de horror, então acho que a obra teve o resultado que ele queria. Pessoalmente, acho o filme sublime, é quase uma obra-prima do horror contemporâneo pra mim e dentro da filmografia do homem só perde para CURE (1997).

Se bobear, comento outros filmes que andei vendo do sujeito. Kurosawa é realmente essencial para quem curte o gênero e vale a pena acompanhar sua obra mais de perto.

OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU (1976) | CPC UMES FILMES

PDVD_051

PDVD_052

Acho que nunca tinha visto um filme tão autêntico sobre ciganos, que faz tanto um estudo realista antropológico desse universo quanto extrai um lirismo, uma poesia imagética cheia de artificialidades e clichês a partir dessa cultura. E tudo funciona lindamente… Produzido pela Mosfilm e baseado no conto “Makar Chudra” (1892), a primeira obra literária publicada pelo escritor russo Maximo Gorky, OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, de Emil Loteanu, romantiza esse universo habitado por figuras tão enigmáticas, marginalizadas e excêntricas, com uns bigodões de fazer o Tom Selleck morrer de inveja… Figuras sempre festivas, alegres, de espírito livre e aventureiro. Mas também melancólicas e trágicas por natureza.

O filme se contextualiza no final do século XIX, na província austro-húngara da Bessarabia e tem como fio condutor uma história de amor: o ladrão de cavalos cigano Loiko Zobar (Grigore Grigoriu) – “Não há cavalo que Loiko não pudesse roubar e nenhuma garota que pudesse resistir a ele…” que se apaixona perdidamente pela clarividente e sedutora Radda (Svetlana Toma), cujo olhar seria capaz de parar uma manada de cavalos descontrolados. Como pano de fundo, uma região ocupada militarmente que enfatiza o tom opressivo dos poderosos em contraste com a linhagem libertária cigana.

PDVD_049

PDVD_046

Sem prezar tanto por um rigor narrativo, é nos costumes culturais, no carnaval de cores, sons, na musicalidade e imagens que desfilam na tela que o diretor Loteanu foca suas atenções e reside o charme de OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU. Algumas de suas imagens grudam na memória e da paixão do ladrão de cavalos por Radda surgem momentos de pura poesia: Radda, de seios nus, tira as suas longas saias coloridas, uma após a outra, e há dezenas delas! Ou o último encontro do casal que termina de maneira digna das mais famosas tragédias de Shakespeare…

PDVD_080

PDVD_076

Há também alguma ação, perseguições à cavalo, brigas de facas e situações de perigo… Se OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU tivesse inaugurado um gênero mais movimentado, eu chamaria de “gypsie western“…

Eu já havia ficado embasbacado com o outro filme do diretor moldávio Emil Loteanu, que foi uma dessas descobertas das mais interessantes que fiz nos últimos tempos. Descoberta graças ao lançamento em DVD da CPC UMES FILMES no final do ano passado de UM ACIDENTE DE CAÇA, que eu já comentei por aqui. Agora a distribuidora nos brinda com OS CIGANOS VÃO PARA O CÉU, mais uma obra peculiar, de rara beleza poética, da coleção “Cinema Soviético” que todo mês a CPC UMES FILMES tem lançado.

PDVD_041

Para conhecer mais o trabalho da distribuidora, descobrir as maravilhas de seu acervo, comprar (que é o mais importante) e saber das novidades, não deixe de visitar a loja on line da distribuidora e também a página no Facebook (aliás, ainda não divulguei o próximo lançamento deles, o que farei ainda esta semana!).

CENTENÁRIO DE ROBERT ALDRICH

MBDALTH EC143

I don’t think violence on film breeds violence in life. Violence in life breeds violence in films.

O ESSENCIAL DE ROBERT ALDRICH:

VERA CRUZ (54)
A MORTE NUM BEIJO (Kiss me Deadly, 55)
A GRANDE CHANTAGEM (The Big Knife, 55)

Angry Hills ,The 1959 b

MORTE SEM GLÓRIA (Attack, 56)
A 10 SEGUNDOS DO INFERNO (Ten Seconds to Hell, 59)
COLINAS DA IRA (Angry Hills, 59), especialmente por causa disso.

027-what-ever-happened-to-baby-jane-theredlist

O QUE TERÁ ACONTECIDO A BABY JANE? (Whatever Happened to Baby Jane?, 62)
O VÔO DA FÊNIX (Flight of the Phoenix, 65)
OS DOZE CONDENADOS (The Dirty Dozen, 67)

frank mccarthy the dirty dozen

ASSIM NASCEM OS HERÓIS (Too Late the Hero, 70)
O RESGATE DE UMA VIDA (The Grissom Gang, 71)
A VINGANÇA DE ULZANA (Ulzana’s Raid, 72)

maxresdefault

O IMPERADOR DO NORTE (The Emperor of the North Pole, 73)
GOLPE BAIXO (The Mean Machine, 74)
CRIME E PAIXÃO (Hustle, 75)

HUSTLE-1975-Burt-Reynolds-Catherine-Deneuve-Ben-Johnson

O ÚLTIMO BRILHO DO CREPÚSCULO (Twilight’s Last Gleaming,77)
OS RAPAZES DO CORO (The Choir Boys, 77)
O RABINO E O PISTOLEIRO (The Frisco Kid, 79)
GAROTAS DURAS NA QUEDA (…All the Marbles, 81)

* O restante ainda me falta ver ou não são lá tão essenciais…

THE OTHER SIDE OF THE WIND EM VENEZA

MV5BMzkwNGIyYzgtYTdhYy00YjVkLTg5MTMtMzdmZWVkYjEzMDVlXkEyXkFqcGdeQXVyMjkxNDk3MjQ@._V1_

Saiu na semana passada o line up do Festival de Veneza deste ano e, fora de competição, teremos THE OTHER SIDE OF THE WIND. Nunca ouviu falar? Então prepare-se: Trata-se do último filme do gigante Orson Welles nunca completado, talvez a mais lendária e não vista produção de todos os tempos.

Na época, Welles prometeu que THE OTHER SIDE OF THE WIND seria o seu grande retorno triunfal, reuniu um elenco de figurinhas carimbadas, como os diretores John Huston e Peter Bogdanovich, mas também Susan Strasberg, Lilli Palmer, Edmond O’Brien, Cameron Mitchell, Dennis Hopper e por aí vai… As filmagens aconteceram entre 1970 e 1976 e segundo Huston, em sua autobiografia, o set era dos mais pirados que ele já pisou e que Welles simplesmente não tinha roteiro definido, portanto uma desorganização criativa pairava no ar ao mesmo tempo em que andava de mãos dadas com a poesia fílmica de seu diretor. Mas as fontes independentes de financiamento eram diversas e não muito confiáveis, a produção do filme se arrastou por muitos anos e Welles ainda tentava completá-lo quando morreu em 1985.

MV5BY2Q2YjMyN2EtNjlkNC00ZjEyLWExMTktN2MzZWQ4MWY4ZDk1XkEyXkFqcGdeQXVyMDIzMTg5Mw@@._V1_SY1000_CR0,0,1498,1000_AL_

Rymsza inventariando os rolos de THE OTHER SIDE OF THE WIND

Com a ajuda da Netflix, ano passado houve um esforço de crowdfunding que arrecadou 400 mil dólares para concluir essa obra final de Welles. O gerente de produção original do filme, o produtor Frank Marshall, supervisionou a conclusão do projeto, trabalhando em conjunto com o cineasta Filip Jan Rymsza, que foi um dos principais nomes na captação de recursos para esta finalização. Peter Bogdanovich, que era amigo de Welles, trabalhou diligentemente por muitos anos para completar THE OTHER SIDE OF THE WIND, mas sempre encontrou obstáculos e agora serviu de consultor no projeto Netflix. As poucas pessoas que chegaram a ver alguns trechos que Welles conseguiu completar na época de sua morte, apresentaram opiniões contraditórias, alguns dizendo que é um filme estranho e desanimador, enquanto outros o proclamam uma obra de gênio.

THE OTHER SIDE OF THE WIND passa então em setembro no Festival de Veneza e logo depois deve entrar na grade do Netflix. E se não entrar no Netflix Brasil, pelo menos já teremos outros meios de conseguir… Provavelmente, a melhor notícia do ano.

MV5BNDdhOWMzNjQtNDEyNC00YWU4LTkwZDYtOWMyYWYyYjkwYmQ5XkEyXkFqcGdeQXVyMDIzMTg5Mw@@._V1_SY1000_CR0,0,675,1000_AL_

10 ANOS NA TELA

O blog DEMENTIA 13 chega ao seu décimo aniversário hoje. Cansado, desanimado, sem tempo para atualizações mais frequentes e conformado de que a batalha está perdida. O facebook e redes sociais acabaram com este formato de blog, ninguém mais se interessa e é preciso reformular a coisa, se reinventar para ser notado, para conseguir acessos, para ter mais de cinco ou seis leitores.

Há vários meses venho refletindo se este aqui não seria o último post do DEMENTIA 13. Porque não tenho tempo nem ânimo para me reinventar. Mas depois cheguei a conclusão de que ainda vale a pena manter o reduto, meu último refúgio, um cantinho legal que criei ao longo desses dez anos para expressar minha paixão pelo cinema e vai continuar sendo por um bom tempo ainda… Eu acho. Mesmo desse jeito, retrô e ultrapassado, sem grandes atrativos e de conteúdo torpe.

O que posso fazer é tentar renovar as forças, tentar voltar as origens do blog, com a ideia intransigente de compartilhar um painel de prospecção do cinema desconhecido e esquecido, conservando o espírito de confraria e trazer à tona algumas pepitas que valem a pena propagar. Obras, diretores, artistas e atores transgressores e subestimados que sempre tenho encontrado por aí nesse abismo de obscuridades… Enfim, recomeçar os próximos dez anos com o pé direito.

Para vocês, cinco ou seis leitores que ainda me acompanham, espero não decepcioná-los. Para quem chegou agora, seja bem-vindo.

Ronald Perrone
Editor

a9104029d5a5fd40a9f57b8bb51f54f7