DVD REVIEW: A CRIADA (2016); A2 FILMES

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Eu gosto pra cacete do diretor coreano Park Chan-Wook. Vocês não? Só que parece que ele nunca mais vai fazer algo do nível de um OLDBOY (03) ou SYMPATHY FOR MR. VENGEANCE (04), obras que colocaram o sujeito no mapa. Mas isso não quer dizer que Park deixou de fazer bons filmes e obviamente recomendo a apreciação de seus trabalhos posteriores… com algumas exceções. Mas para quem já é fã do homem, vai aí uma dica: A CRIADA, último filme de Park, foi lançado em DVD no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Mares.

A CRIADA é um thriller com viés feminista baseado no romance de estilo vitoriano Na Ponta dos Dedos, de Sarah Waters, só que transferido para a Coreia ocupada pelos japoneses na década de 30.

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A belezinha Kim Min-hee da foto acima interpreta a herdeira Lady Hideko, que vive isolada e dominada por seu tio cruel, Kouzuki (Cho Jin-woong), que cobiça sua herança. A moça nunca sai da propriedade da família e seu único contato com pessoas de fora é numa série de leitura semanal de literatura erótica para convidados exclusivos, que é forçada a participar pelo seu tio.

Entonces, as coisas mudam um bocado quando entra em cena um casal de vigaristas que elaboram um esquema para botar as mãos nos dotes da moça. Kim Tae-ri interpreta uma ladra talentosa que é contratada como criada da mansão e Ha Jung-woo é um vigarista esperto que se finge Conde. O esquema é fazer com que Hideko se apaixone pelo falso conde e assim meter a mão na grana.

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Só que as coisas não saem exatamente como planejado e ao invés de se apaixonar pelo vigarista, o jogo de sedução acaba rolando entre as duas moças… A falsa criada começa a pensar duas vezes sobre o esquema enquanto cresce sua relação com Hideko, e a curiosidade de Hideko sobre o amor/sexo logo resulta nas duas mulheres compartilhando uma cama em sequências muy calientes. Logo, a farsa toma novos contornos numa intrincada narrativa de pontos de vistas e reviravoltas mirabolantes.

O que se segue é um filme sobre essas duas personagens femininas, que lutam contra os homens numa cultura tão dominadora, para se livrar de suas correntes e reivindicar seu próprio destino.

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A única coisa que me incomoda um pouco em A CRIADA é lá pelas tantas perceber que Park exagera um pouco na duração e uma sutil enxugada daria mais ritmo à narrativa, que já é lenta pela natureza do estilo do diretor – o que não é uma crítica, a câmera, os planos, tudo tem uma lentidão poética que faz muito bem ao filme – mas uns 15 minutos a menos teriam ajudado. Mas é preciso destacar algumas coisas que compensam esse pequeno incômodo: a intricada trama nunca deixa de ter interesse, as atuações, o trio de protagonistas funciona maravilhosamente bem e as duas atrizes tem muita química, especialmente nas cenas de sexo. Fazia tempo que não via no cinema mainstream recente cenas de lesbianismo tão excitantes. A fotografia é impecável, a direção de Park demonstra o trabalho de um artista consciente, que sabe contar uma história e ainda agradar aos olhos. E chega, today let’s keep it short, baby.

Como disse antes, a A2 Filmes lançou A CRIADA em DVD por aqui. Podem procurar que vão encontrar nas melhores lojas do ramo. Vale a pena ter um desses na coleção. Park Chan-Wook é sempre obrigatório. Não deixe de curtir também a página da distribuidora no Facebook para ficar por dentro das novidades.

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