RAMPAGE (2009)

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Pouca gente consegue aceitar isso de forma natural, mas de alguma maneira o alemão maluco que atende pelo nome de Uwe Boll se tornou um bom diretor no final da década passada. Sim, o cara que já foi considerado um dos piores cineastas de todos os tempos tem talento, especialmente quando começou a fazer filmes que vomitavam seu desprezo pela raça humana, combinando dramas reais, medos coletivos, com exemplares de ação que muitas vezes são tão frontais em seus ataques que é difícil ficar indiferente ao ódio do diretor em propostas tão niilistas e inconsequentes. E por mais banal e inofensivo que Boll possa ser na dinâmica dos seus rasos discursos, sobrava filmes de gênero que ao menos empolgavam e divertiam.

RAMPAGE é um bom exemplar dessa safra. Tem como protagonista Bill Williamson (Brendan Fletcher), um sujeito acomodado, um zé ninguém que ainda vive com seus pais. Ele tem vinte e poucos anos e a vida é uma merda. Mas o que ninguém sabe é que sua acomodação e conformismo é apenas uma fachada enquanto planeja um manifesto. Um ato solitário, que envolve armamento pesado e um traje de kevlar à prova de balas.

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Quando chega a hora, armado até os dentes, Bill sai para as ruas de sua cidade e simplesmente começa a atirar em todas as pessoas que vê na frente. Mas que beleza de manifesto, heim? Por que ele faz isso? Bem, não temos muita clareza na sua revolta, porque ele simplesmente não parece se importar com nada. Ao mesmo tempo que seu discurso é contra o sistema vigente e a favor dos pobres inocente que vivem sob a égide das engrenagens capitalistas, essa mente caótica e perturbada não hesita em matar qualquer transeunte que vê pela frente.

É UM DIA DE FÚRIA, só que mais extremo. Até a recriação da cena que o Michael Douglas reclama de um sanduíche num fast food nós temos aqui. Outra sequência interessante é uma que o sujeito invade e toca o terror num bingo da terceira idade… Realmente um manifestante que sabe atingir bem o seu alvo… Mas até chegar ao caos, é preciso um pouco de paciência. A primeira parte de RAMPAGE é um pouco caída, com uma montagem cansativa e repetitiva que tenta dar uma noção da turbulência que acontece na cabeça de Bill. Mas se você sobreviver a isso, vai se deparar a seguir com um filme que de certa forma surpreende.

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Filmado com câmera na mão chiliquenta, mas com muita energia e improvisações, RAMPAGE tem bons momentos com Bill disparando chumbo grosso ao seu redor. São mesmo as melhores partes, o tour de force… Com armas diferentes e até mesmo uma faca, ele começa a matar qualquer pessoa que entra em seu caminho. O filme não é lá graficamente violento, mas a violência vem de maneira incômoda, execução após execução, mas ao mesmo tempo queremos ver onde isso vai dar, onde Bill é capaz de chegar…

O filme conta ainda com boas performances e uma bela cinematografia, fria e desesperadora, Boll gosta de ficar colado com os atores, especialmente Fletcher, e deixa-os falar e falar até que haja algo de bom. E edita tudo usando intercuts que dariam inveja aos diretores do movimento Dogma 95.

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RAMPAGE é realmente bem feito e, juntamente com os outros filmes “sérios” que Boll andou fazendo no final da década passada, vale uma conferida. Uma pena que o sistema atual do mercado de home video mudou tanto nos último anos ao ponto de caras como Boll não conseguirem mais fazer filmes. Último trabalho dele é de 2016, que é justamente a terceira parte da trilogia RAMPAGE, e desde então nenhum projeto à vista… Muito pouco pra um sujeito que lançava um filme atrás do outro nos anos 2000. E diretores como Boll são necessários no cinema atual, diretores que tomam gosto pela subversão e não tem intenção alguma de nos agradar com seus filmes. Diretores que só querem que nós entendamos que a vida é uma merda e nem sempre o final é feliz.

Na torcida para que Boll consiga voltar a filmar algum dia…

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Um pensamento sobre “RAMPAGE (2009)

  1. Pingback: DVD REVIEW: RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO (Rampage: Capital Punishment, 2014); A2 Filmes | dementia¹³

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