DVD REVIEW: RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO (Rampage: Capital Punishment, 2014); A2 Filmes

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Uwe Boll ataca novamente neste segundo capítulo da jornada de Bill Williamson (Brendan Fletcher), o exército de um homem só, fortemente armado e blindado, que saiu atirando contra tudo e contra todos em RAMPAGE (2009), como vocês puderam conhecer no post anterior. Sim, esse cara está de volta e mais chateado do que nunca… E a A2 Filmes nos brindou lançando RAMPAGE 2 – A PUNIÇÃO no mercado de home video nacional.

Como não conseguiram pegar o rapaz no primeiro filme, Bill mais uma vez sai pelas ruas com seu traje de kevlar e artilharia suficiente para armar um pequeno batalhão depois de ficar um ano escondido. Mas neste novo capítulo da série RAMPAGE, Bill tem um plano definido, não é só matança desenfreada. Ele invade uma estação de notícias local, coloca um grupo de pessoas como refém e obriga a transmitir ao vivo em rede nacional seu discurso anti-sistema. Claro que quem entra em seu caminho eventualmente acaba levando uma dose de chumbo…

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Inclusive, o filme abre com uma situação bem bizarra. Num beco qualquer da cidade, Bill senta numa cadeira, fuma um cigarro e tranquilamente espera uma pessoa qualquer passar. Atira. Depois de acertar um desavisado, ele levanta, arrasta o corpo para ficar fora da vista, senta-se na cadeira e repete o processo até acumular uma boa quantidade de corpos, sem que ninguém faça nada, ou que a polícia seja acionada… Dessas cenas que só poderia sair da mente perturbada do alemão maluco. Continuar lendo

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RAMPAGE (2009)

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Pouca gente consegue aceitar isso de forma natural, mas de alguma maneira o alemão maluco que atende pelo nome de Uwe Boll se tornou um bom diretor no final da década passada. Sim, o cara que já foi considerado um dos piores cineastas de todos os tempos tem talento, especialmente quando começou a fazer filmes que vomitavam seu desprezo pela raça humana, combinando dramas reais, medos coletivos, com exemplares de ação que muitas vezes são tão frontais em seus ataques que é difícil ficar indiferente ao ódio do diretor em propostas tão niilistas e inconsequentes. E por mais banal e inofensivo que Boll possa ser na dinâmica dos seus rasos discursos, sobrava filmes de gênero que ao menos empolgavam e divertiam.

RAMPAGE é um bom exemplar dessa safra. Tem como protagonista Bill Williamson (Brendan Fletcher), um sujeito acomodado, um zé ninguém que ainda vive com seus pais. Ele tem vinte e poucos anos e a vida é uma merda. Mas o que ninguém sabe é que sua acomodação e conformismo é apenas uma fachada enquanto planeja um manifesto. Um ato solitário, que envolve armamento pesado e um traje de kevlar à prova de balas.

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Quando chega a hora, armado até os dentes, Bill sai para as ruas de sua cidade e simplesmente começa a atirar em todas as pessoas que vê na frente. Mas que beleza de manifesto, heim? Por que ele faz isso? Bem, não temos muita clareza na sua revolta, porque ele simplesmente não parece se importar com nada. Ao mesmo tempo que seu discurso é contra o sistema vigente e a favor dos pobres inocente que vivem sob a égide das engrenagens capitalistas, essa mente caótica e perturbada não hesita em matar qualquer transeunte que vê pela frente. Continuar lendo

AL CAPONE (1959); Classicline

Al Capone (1959)

directed by Richard Wilson

shown: Rod Steiger

AL CAPONE começa com o jovem personagem título chegando a Chicago, em 1919. O filme abre num longo plano sequência que apresenta o sujeito de modo magistral. A câmera se movimenta e passeia pela vastidão de um bar, entre figurantes bêbados, garçonetes, mesas e balcão, até que adentra no recinto Rod Steiger na pele do famigerado gangster, com o nome do filme preenchendo a tela, enquanto o plano continua por um bom tempo. Poderia durar até mais, poderia durar para sempre; desses momentos que provam que não estamos diante de um filme qualquer. Há, no mínimo, personalidade por parte dos realizadores de AL CAPONE.

Richard Wilson é o nome do diretor. Richard quem? Sim, um talento subestimado e desconhecido. Foi assistente de Orson Welles em CIDADÃO KANE e SOBERBA, dirigiu uma dezena de filmes, mas nunca teve o merecido reconhecimento, o que é uma pena, porque o sujeito tem bons trabalhos no curto currículo, como ARMADO ATÉ OS DENTES, CONVITE A UM PISTOLEIRO, PAGA OU MORRE e obviamente este aqui, que é cheio de detalhes e sacadas visuais, como a da abertura, que enriquece ainda mais a experiência.

Voltando, Al Capone chega ao local para trabalhar como guarda-costas para Johnny Torrio, um mafioso que age sob a batuta do seu tio, um velho capo de influência política, Big Jim Colosimo. O velho, com a administração de Johnny, dirige vários clubes onde jogo e prostituição rolam soltos. Quando a Proibição de álcool chega em 1920, Johnny e Big Jim entram para o contrabando de inebriantes e ficam ricos. Quando Big Jim se recusa a fazer um acordo com os líderes de outras gangues para decidir os direitos de distribuição de bebidas alcoólicas em Chicago, é Capone quem convence Johnny a esquecer os laços familiares e a tomar uma decisão, “puramente comercial”, de permitir que ele execute Big Jim. Continuar lendo

SANGUE DE HERÓIS (Fort Apache, 1948); Classicline

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SANGUE DE HERÓIS é o primeiro filme da “trilogia da cavalaria” de John Ford – o segundo eu já comentei por aqui, LEGIÃO INVENCÍVEL – e é mais um dos grandes westerns do diretor e que veio em boa hora na sua carreira. Ford vinha de um desastre comercial com o belíssimo DOMÍNIO DOS BÁRBAROS, um de seus filmes mais intimistas, mas que o público não recebeu muito bem, e precisava agora desesperadamente de algum material que fosse resultar num sucesso comercial. E foi SANGUE DE HERÓIS que colocou Ford de volta ao topo.

Na trama, o tenente-coronel Owen Thursday (Henry Fonda) é um ilustre oficial da Guerra Civil que acaba tendo que assumir um posto em tempos de paz que não é lá muito da sua vontade. Para ser sincero, Thursday considera sua nomeação como o novo oficial comandante do Fort Apache, no Território do Arizona, como um insulto e deixa isso bem claro à todos ao seu redor.

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O território vive em problemas com os Apaches, cujo líder, Cochise, desenterrou a machadinha de guerra e leva seus guerreiros ao longo da fronteira com o México em protesto contra a corrupção de um agente indígena local que está mais interessado em vender uísque do que cobertores e comida decente. Como Thursday está ansioso para encontrar alguma maneira de conquistar a glória e sair daquele território o mais rápido possível, a missão de trazer Cochise e seu povo de volta à reserva o atrai.

Só que Thursday acaba se demonstrando um cabeça dura arrogante e um péssimo líder. Thursday não sabe nada sobre os Apaches e não está disposto a seguir o conselho de oficiais experientes, como por exemplo o Capitão Kirby York (John Wayne), e todos seus atos anunciam uma inevitável tragédia que se aproxima. Continuar lendo

THE LAST MOVIE (1971)

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THE LAST MOVIE foi uma bomba que explodiu na universal em 1971, o filme maldito de Dennis Hopper. Era uma daquelas obras que eu sempre morria de curiosidade, mas acabava adiando e adiando, especialmente depois do livro do Biskind, o maravilhoso “Como a Geração Sexo-drogas-e-rock’n’roll Salvou Hollywood“, cuja parte que fala do filme me deixou salivando.

As histórias que cercam a produção são simplesmente geniais e complementam a experiência de assistir de fato a obra. O filme em si é um trabalho realmente fascinante e conceitualmente forte na sua desconstrução estrutural, narrativa e formal, que reflete muita coisa do próprio cinema e, de certa forma, reverencia uma mística cinematográfica… Infelizmente, o público e crítica da época não conseguiu entrar na onda do Hopper, acabou sendo um fiasco e quase destruiu a carreira do homem como diretor. Ainda hoje não é uma tarefa muito fácil digerir THE LAST MOVIE, menos ainda escrever qualquer coisa a respeito, imagine então há quase cinco décadas… Mas vamos começar pelo começo.

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Após o sucesso do clássico SEM DESTINO, Hollywood estava em polvorosa com o Hopper e Peter Fonda, estava de lua-de-mel com uma turma de diretores cheios de novas ideias e com possibilidades de encher os bolsos dos grandes estúdios de dinheiro, mas que davam total liberdade para diretores como Francis Ford Coppola, Hal Ashby, Robert Altman, Bill Friedkin e muitos outros. A chamada “Nova Hollywood”, aparentemente, era um sucesso. E Hopper, então, era um dos mais cotados pelos estúdios a estourar como o grande nome dessa geração. Executivos brigavam para contratá-lo, não importa o projeto que o sujeito tivesse em mente, porque tinham certeza que iria fazer dinheiro, tendo em vista o que havia sido seu filme de estreia.

Mas já em EASY RIDER, Hopper havia demonstrado o tipo de artista difícil de lidar que era. As histórias de bastidores deste icônico filme são tão incríveis quanto as de THE LAST MOVIE. O fato é que os rumores sobre a falta de confiabilidade de Hopper, sem contar o seu apetite excessivo por drogas e álcool, se espalharam pelos quatro cantos de Hollywood, e o sujeito, cuja carreira estava em tão alta cota, de repente viu os estúdios retirarem suas ofertas. Mas foi nessa que a Universal resolveu fazer uma jogada arriscadíssima, apostando em Hopper, mesmo sabendo que estavam se metendo numa enrascada, dando a ele carta branca e um milhão de dólares para fazer THE LAST MOVIE.

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Era um projeto antigo de Hopper, mais de uma década tentando realizar. Como era muito jovem e não havia nenhuma experiência à frente de uma produção, era impossível alguém bancar o intento do sujeito, que já no papel devia ser totalmente indescritível e absurdamente maluco. No entanto, tendo EASY RIDER no currículo, cedo ou tarde iria aparecer algum trouxa para financiar seu projeto. Continuar lendo

[CAGESPLOITATION] LOOKING GLASS (2018)

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Estamos ainda em março e LOOKING GLASS já é o segundo lançamento do incansável Nicolas Cage no ano (o primeiro foi o excelente MOM AND DAD, que comentei aqui outro dia). Trata-se de um pequeno thriller lançado direto no mercado de home video e que se sai bem cumprindo a sua proposta de ser um suspense intrigante e divertido. Na trama, basicamente, temos um casal em crise depois da perda da filha pequena, arrendando um pequeno motel à beira de estrada para manter a cabeça ocupada, respirar novos ares e mudar de vida. Só que misteriosos assassinatos do passado que aconteceram no local “voltam” para atormentar a vida do protagonista vivido por Cage.

O roteiro em si não tem nenhuma novidade, é bem convencional e até mesmo previsível, não vão faltar por aqui situações curiosas, personagens estranhos, assim como os típicos clichês dos filmes de Motel à beira da estrada… Mas LOOKING GLASS tem a vantagem de ser bem curtinho e o diretor Tim Hunter (mais conhecido para quem acompanha os seriados da atualidade) não deixa muito espaço para encheção de linguiça, usando a figura de Cage para atrair a atenção durante todo o filme. Um Cage mais contido, mas sempre com muita presença em cena e alguns bons momentos para suas surtadas habituais… O elenco de apoio também é bom, com Robin Tunney, Marc Blucas e o bom e velho Ernie Lively. Bill Bolender faz uma pequena participação. O filme é simples, rápido e eficiente, exatamente o tipo que aprecio quando quero matar um tempinho. Vale assisti-lo num sábado à noite para reviver os bons tempos dos Supercine na Globo nos anos 90.

DVD REVIEW: A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE (2014); A2 FILMES

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Tsui Hark é desses monumentos do cinema asiático que eu ainda estou descobrindo aos poucos. De uma filmografia de mais de quarenta obras devo ter visto cerca de uma dúzia. É pouco, mas suficiente pra dizer que o homem é um dos diretores mais interessantes em atividade, mesmo que seu trabalho atual não seja do mesmo nível de algumas coisas que fez nos anos 80 e 90. De todo modo, é um nome obrigatório a ser seguido. Por isso, imaginem a minha felicidade quando a A2 Filmes anunciou o lançamento em DVD de um dos melhores trabalhos recentes do sujeito, o espetáculo de guerra A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE

Trata-se de um épico chinês de ação e aventura que não economiza na panfletagem e glorificação do exército chinês, no heroísmo grandiloquente presente ao longo de um conto que celebra a criação das lendas, dos mitos e de como essas histórias permanecem vivas de gerações em gerações.

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O filme começa nos tempos atuais, quando um jovem chinês relembra a famosa Batalha na Montanha do Tigre enquanto viaja de Nova York até à China. História que deve ter sido contada e recontada pelos seus avós incontáveis vezes, e agora nos é mostrada como uma fábula de guerra repleta de exageros e prováveis impossibilidades. O que significa um intencional excesso de bravura visual por parte dos heróis numa overdose de tiros e explosões filmado como espetáculo vertiginoso.

A narrativa, portanto, volta no tempo, logo após a segunda guerra mundial. Os japoneses, rendidos, deixam a China, certos locais se transformam numa terra de ninguém, na qual bandidos enriquecem, juntam arsenais e estocam comida em bases militares de difícil acesso, enquanto pequenos vilarejos são dizimados pela miséria e fome. Na trama, um pequeno grupo do exército de libertação chinês resolve colocar um ponto final na nessa situação, encarando um gigantesco grupo de foras-da-lei, liderados pelo misterioso The Hawk (um irreconhecível Tony Leung carregado de maquiagem), que se esconde numa base secreta praticamente inacessível na famigerada Montanha do Tigre.

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Um dos grandes méritos de Hark sempre foi trabalhar bem o drama e aqui até consegue balancear a emoção da aventura com a tragédia dos soldados diante de uma terra arrasada, diante de um povo que sofre de fome, doenças e perdas. Mas a verdadeira razão para se apreciar uma obra como A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE é mesmo o espetáculo de ação que nos é proporcionado, com o máximo de eventos que podemos imaginar num cenário de guerra nas montanhas geladas da China: escaladas perigosas, avalanches, o fator homem vs natureza, perseguições de esqui, batalhas épicas e até uma sequência impressionante de um dos heróis encarando um imenso tigre feito de uma computação gráfica muito bem feita.

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Se levarmos em consideração ainda que o filme foi rodado em 3D, aí que a coisa vira um carnaval de fragmentos de explosões, sangue e balas em excesso sendo atirados em direção ao público, o que acaba dando um charme a mais. É o espetáculo de ação com seus exageros deliciosos e muito bem orquestrado que a gente sempre espera do Hark.

No final, o diretor escancara de vez suas intensões por trás de um filme de guerra patriótico, oferecendo uma reflexão sobre a criação das fábulas, das histórias contadas pelos antigos, histórias que o tempo, a distância ou mesmo a vontade de transmitir valores se transformaram em lendas, muitas vezes completamente malucas ou inacreditáveis, como a narrada em A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE, que até é inspirada em eventos reais, mas extremamente agradáveis de ouvir por toda a mitologia que as cercam​​.

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Recomendado aos fãs de um bom festival eletrizante e barulhento de ação, A BATALHA NA MONTANHA DO TIGRE já se encontra no acervo da A2 Filmes, através do selo Flashstar, e pode ser encontrado nas melhores lojas do ramo. O filme também se encontra disponível para ser assistido hoje mesmo em plataformas digitais como NOW e Looke. E curta a página de facebook da A2 Filmes para ficar por dentro das novidades.