FAVORITOS DEMENTIA¹³ 2017

Chegou a hora de relacionar os meus filmes favoritos da nova safra que vi ao longo de 2017. Como não sou nenhum devorador de filmes recentes e procuro ver apenas o que julgo essencial, prefiro passar ano após ano a tentar redescobrir e conhecer alguns clássicos e exemplares obscuros, ou fazer ciclos com diretores e atores que me interessam do que ver qualquer porcaria que chega aos cinemas. Ainda assim, este ano vi bastante coisa, pelo menos para os meus padrões, e aqui estão os meus 20 filmes favoritos de 2017 em ordem de preferência (com margem até 2016, com produções que não assisti naquele ano):

wired_atomic-blonde-stairway-fight-420. ATOMIC BLONDE (2017), de david Leitch

wind-river-movie-elizabeth-olsen-jeremy-renner-19. WIND RIVER (2017), de Taylor Sheridan

life18. LIFE (2017), de Daniel Espinosa

shallow17. THE SHALLOWS (2016), de Jaume Collet-Serra

corra16. CORRA (Get Out, 2017), de Jordan Peele

it15. IT (2017), de Andy Muschietti

re_final14. RESIDENT EVIL: FINAL CHAPTER (2016), de Paul W. S. Anderson

raw13. RAW (2016), de Julia Ducournau

personal-shopper-movie-images-kristen-stewart-2612. PERSONAL SHOPPER (2016), de Olivier Assayas

the-disaster-artist-tda-01994_rgb_preview_wide-a1165e520eb32e31c09967280739cc5d728780ea-s900-c8511. THE DISASTER ARTIST (2017), de James Franco

thelma_a22_eiliharboe_copyrightmotlysas10. THELMA (2017), de Joachin Trier

Fate-of-the-Furious-Screencap-109. THE FATE OF THE FURIOUS (2017), de F. Gary Gray

nintchdbpict00035929190908. STAR WARS – THE LAST JEDI (2017), de Ryan Johnson

split07. FRAGMENTADO (Split, 2017), de M. Night Shyamalan

good_time06. BOM COMPORTAMENTO (Good Time, 2017), de Ben e Josh Safdie

mother05. MOTHER! (2017), de Darren Aronofski

Brawl-in-Cell-Block-9904. BRAWL IN CELL BLOCK 99 (2017), de S. Craig Zahler

keanu-kraze-john-wick-chapter-203. JOHN WICK: CHAPTER 2 (2017), de Chad Stahelski

blade-runner-2049-image02. BLADE RUNNER 2049 (2017), de Denis Villeneuve

the-lost-city-of-z-official-uk-trailer-in-cinemas-march-24th-mp4_20170120_172631-55801. THE LOST CITY OF Z (2016), de James Gray

 

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TOP 10 HORROR – 2017

Mais uma listinha, dessa vez com os meus dez filmes de horror favoritos deste ano (margem até 2016, com filmes que assisti em 2017):

alien10. ALIEN COVENANT (2017), de Ridley Scott

life09. LIFE (2017), de Daniel Espinosa

shallow08. THE SHALLOWS (2016), de Jaume Collet-Serra

corra07. CORRA (2017), de Jordan Peele

it06. IT (2017), de Andy Muschietti

re_final05. RESIDENT EVIL: FINAL CHAPTER (2016), de Paul W. S. Anderson

raw04. RAW (2016), de Julia Ducournau

shopper03. PERSONAL SHOPPER (2016), de Olivier Assayas

split02. SPLIT (2017), de M. Night Shyamalan

mother01. MOTHER! (2017), de Darren Aronofsky

PAINEL DO CINEMA BADASS 2017

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Começando as postagens de final de ano com a minha tradicional lista de filmes BADASSES, ou o melhor e o pior do cinema casca-grossa, truculento e colhudo do cinema de ação, crimethriller, western, policial, épico, sci-fi e etc, etc, etc, que eu consegui assistir no ano de 2017.

A margem vai até 2016 com filmes que acabei só assistindo este ano e a relação está em ordem alfabética. Comecemos com os filmes que se destacaram, que ficaram acima do nível geral em termos de badassness em vários aspectos:

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ATOMIC BLONDE (2017), de david Leitch
BABY DRIVER (2017), de Edgar Wrhigt
BLADE RUNNER 2049 (2017), de Denis Villeneuve
BOYKA – UNDISPUTED IV (2016), de Todor Chapkanov
BRAWL IN CELL BLOCK 99 (2017), de Craig S. Zahler
CALL OF HEROES (2016), de Benny Chan
THE FATE OF THE FURIOUS (2017), de F. Gary Gray
THE FOREIGNER (2017), de Martin Campbell
GOOD TIME (2017),  de Ben e Josh Safdie
JOHN WICK: CHAPTER 2 (2017), de Chad Stahelski
MESSAGE FROM THE KING (2016), de Fabrice Du Welz
PARADOX (2017), de Wilson Yip
RACKSAW RIDGE (2016), de Mel Gibson
RESIDENT EVIL: THE FINAL CHAPTER (2016), de Paul W.S. Anderson
STAR WARS: OS ÚLTIMOS JEDI (2017), de Ryan Johnson
WIND RIVER (2017), de Taylor Sheridan

Outros 26 exemplares que, se não possuem o mesmo nível desses aí em cima, ao menos são bons divertimentos, não são de se jogar fora (em ordem alfabética):

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AMERICAN MADE (2017), de Doug Liman
BLADE OF THE IMMORTAL (2017), de Takashi Miike
DETROIT (2017), de Kathryn Bigelow
DOCTOR STRANGE (2016), de Scott Derrickson
ELIMINATORS (2016), James Nunn
FREE FIRE (2016), de Ben Weathley
GUARDIÕES DAS GALÁXIAS VOL.2 (2017), de James Gunn
HEADSHOT (2016), de Timo Tjahjanto, Kimo Stamboel
THE HITMAN’S BODYGUARD (2017), de Patrick Hughes
THE HUNTER’S PREYER (2017), de Jonathan Mostow
INSTANT DEATH (2017), de Ara Paiaya
KINGSMAN: THE GOLDEN CIRCLE (2017), de Matthew Vaugh
KONG: SKULL ISLAND (2017), de Jordan Vogt-Roberts
LIGA DA JUSTIÇA (2017), de Zack Snyder (e Josh Whedon)
LOGAN (2017), de James Mangold
LOGAN LUCKY (2017), de Steven Soderbergh
OPERATION MEKONG (2016), de Dante Lam
SAVAGE DOG (2016), de Jesse V. Johnson
SECURITY (2017), de Alain Desrochers
SLEEPLESS (2017), de Baran bo Odar
SPIDER-MAN: HOMECOMING (2017), de Jon Watts
S.W.A.T.: UNDER SIEGE (2017), de Tony Giglio
THE VILLAINESS (2017), de Jung Byung-Gil
THE WALL (2016), de Doug Liman
WHEELMAN (2017), de Jeremy Rush
WONDER WOMAN (2017), de Patty Jenkins

Algumas óbvias porcarias e/ou decepções, filmes que estavam no meu radar e que apostava algumas fichas, mas se revelaram banais ou simplesmente horríveis mesmo…

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THE ASSIGNMENT (2016), de Walter Hill
THE BAD BATCH (2016), de Ana Lily Amirpour
THE DARK TOWER (2017), de Nikolaj Arcel
DEATH RACE 2050 (2016), de G.J. Echternkamp
DUNKIRK (2017), de Christopher Nolan
FIRST KILL (2017), de Steven C. Miller
GHOST IN THE SHELL (2017), de Rupert Sanders
THE GREAT WALL (2017), de Zhang Yimou
THE GUARDIANS (2017), de Sarik Andreasyan
JACK REACHER: NEVER GO BACK (2016), de Edward Zwick
KILL ‘EM ALL (2017), de Peter Malota
KILLING GUNTHER (2017), de Taran Killam
LARCENY (2017), de R. Ellis Frazier
LIVE BY NIGHT (2016), de Ben Affleck
ONCE UPON A TIME IN VENICE (2017), de Mark Cullen
SHIN GODZILLA (2016), de Hideaki Anno, Shinji Higuchi
TRANSFORMERS: THE LAST KNIGHT (2017), de Michael Bay
XXX: RETURN OF XANDER CAGE (2017), de D.J. Caruso

Se sentiu falta de algum filme dos últimos dois anos na lista (o que é óbvio, vai ter muito filme faltando), deixe-me saber, algumas recomendações são sempre bem-vindas.

Painéis anteriores:
2011 – 2012 – 2013 – 2014 – 2015 – 2016

 

DVD REVIEW: KRAMPUS – O JUSTICEIRO DO MAL (2013); A2 Filmes

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E vem chegando o natal, aquele momento bonito de celebrar uma data tão especial, reunindo a família em volta da árvore de bolinhas (que você vai ter uma puta preguiça de desmontar depois), mastigar um pedaço de peru assado com uma taça de champanha e assistir aquele filme temático enquanto o espírito natalino invade os ambientes…

Agora, se quiserem que as coisas sejam um bocado diferente este ano, num clima de mau gosto e também de ódio e malevolência (já que o restante de sua família vai desejar sua cabeça numa estaca), a dica é arrumar o DVD de KRAMPUS – O JUSTICEIRO DO MAL! Você não vai se arrepender! 😀

Pode ser que aqui no Brasil a figura mitológica de Krampus não seja tão conhecida, mas em várias partes do mundo faz parte do folclore natalino. Em suma, trata-se do irmão malvado do Papai Noel, uma criatura que, na época de Natal, sequestra e pune as crianças que se comportaram mal durante o ano, em oposição ao bom velhinho, que dá presente às crianças que foram boas, fizeram o dever de casa e obedeceram aos pais.

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Nos últimos anos tem saído vários exemplares de horror que tem Krampus como figura central, uma autêntica onda de krampusploitation! KRAMPUS – O JUSTICEIRO DO MAL foi um dos primeiros dessa leva recente. Só que, ao contrário de alguns concorrentes, digamos que a produção não é das mais abastadas. Na verdade, estamos diante de um autêntico filme de micro orçamento (custou em torno de vinte mil dólares), o que significa muita coisa… Claro, quem me acompanha há mais tempo sabe que eu adoro esses filmes mixurucas produzidos em fundo de quintal, cujas imagens estão no mesmo nível de vídeo caseiro de festinha de quinze anos dos anos 90… E é nesse sentido que o filme pode arruinar seu natal, não é para todos os gostos, mas os “privilegiados” por um certo apreço por este tipo de tralha vão se deliciar. Continuar lendo

DVD REVIEW: FLASHES – DEIXE A REALIDADE PARA TRÁS (2015); A2 FILMES

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Nessas andanças pelo cinema de orçamento mixuruca que alguns malucos da cinefilia ainda encaram (como eu e o Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja), de vez em quando é possível se deparar com algumas coisas interessantes que obviamente vão causar náuseas aos adoradores de Iñarritu’s e Nolan’s da vida por conta da qualidade duvidosa e precariedade das produções, que mais parecem vídeos amadores…

Nada contra o Nolan e Iñarritu, mas se tu não for desse tipo de cinéfilo elitista metido à besta e não tiver preconceito com produções de baixíssimo orçamento, talvez FLASHES – DEIXE A REALIDADE PARA TRÁS, de Amir Valinia, seja uma boa pedida. Trata-se de um pequeno sci-fi de boas ideias que aborda alguns conceitos curiosos sobre teoria das cordas, mecânica quântica, dimensões paralelas, enfim, essas coisas da física que eu não entendo bulhufas, mas que sempre achei ótimos pontos de partida para histórias de ficção científica.

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A trama é sobre um jovem arquiteto bem-sucedido, John Rotit* (Donny Boaz), que está vendo o mundo desmoronar ao seu redor por conta de uns flashes perturbadores que passou a ter após um acidente e que, curiosamente, o envia para outras existências, em dimensões paralelas… Um troço muito louco! Continuar lendo

JOHNNIE TO NA PARADA…

Um dos melhores filmes do ano passado, INFILTRADO (Three), do mestre Johnnie To, chegou às melhores plataformas digitais aqui no Brasil, pela A2 FILMES, através do selo Focus Filmes.

Não tem jeito, toda vez que Johnnie To resolve fazer filme policial, gangster, crime, ação, por mais simples que seja, acaba parando numa posição privilegiada nas minhas listas de melhores do ano. Com INFILTRADO não foi diferente e entrou no meu top five. Um filme aparentemente menor, que se passa todo num mesmo espaço, um hospital, onde a trama gira em torno de um policial, um bandido ferido algemado à um leito e uma médica, que são as peças que To precisa para construir sua fábula dos pequenos acasos, de dilemas morais e muito suspense, num domínio de direção a um nível que poucos realizadores possuem atualmente. E ainda sobra tempo para realizar o tiroteio mais badass, estilizado e abstrato dos últimos anos.

Além de estar disponível para ser assistido agora no Looke e Now, INFILTRADO será lançado em DVD para locação em breve. 

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LEATHERFACE (2017)

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Alexandre Bustillo e Julien Maury, a dupla francesa por trás de À L’INTÉRIEUR, um dos melhores filmes do chamado new french extremity, que surpreendeu os fãs de horror na década passada, e de LIVIDE, uma aterrorizante e atmosférica releitura do conceito de “casa mal assombrada”, são definitivamente dois talentos do gênero para se acompanhar de perto. Este ano eles lançaram LEATHERFACE, uma produção americana que explora o universo d’O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA e se você for fã do trabalho dos caras, vai querer ver isso…

Mesmo que o filme não chegue nem perto de ser uma obra-prima, certamente não fosse nem necessário existir – um prequel que mostra as origens do famigerado assassino que Tobe Hooper nos apresentou em seu clássico de 1974, um dos maiores ícones do gênero – mas é legal, surpreende pela visão brutal do horror da dupla francesa, que conduz com segurança um filme agressivo, violento, macabro (a cena de sexo com o cadáver é um troço bizarro), com bons personagens e performances fortes (Stephen Dorff e Lily Taylor estão muito bem), excelentes efeitos de gore práticos, belo clima e até mesmo uma história convincente com uma origem bem tratada e respeitosa ao personagem do título.

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THE SHAPE OF WATER NOS GOLDEN GLOBES

É sempre motivo de celebração quando um exemplar de cinema fantástico ganha destaque em determinados círculos… O novo filme do Guillermo Del Toro, por exemplo, foi agraciado com maior número de indicações no próximo Golden Globes. THE SHAPE OF WATER concorre nas categorias de Melhor Filme Dramático, atriz (Sally Hawkins), direção, roteiro, atriz coadjuvante (Octavia Spencer), ator coadjuvante (Richard Jenkins) e trilha sonora. Não assisti ainda, mas já na torcida.
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DERSU UZALA (1975)

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Sobre a sessão de ontem de DERSU UZALA, de Akira Kurosawa, na Cinemateca, na 4º Mostra Mosfilm de Cinema Soviético e Russo, foi uma experiência daquelas assistir a esta belíssima obra na tela grande, à céu aberto, com direito à barraquinhas com bebidas e comidas típicas da Rússia. A mostra vai até hoje e é um trabalho incrível da CPC UMES Filmes, que os mais habituados aqui do blog já conhecem.

Mas peralá, um filme de Akira Kurosawa, um dos mais reverenciados diretores japoneses, numa mostra de cinema russo? Vamos com calma. Para quem não conhece, DERSU UZALA é uma produção russa, dirigida pelo mestre japonês, o único longa do diretor realizado fora de seu país e talvez o mais importante de sua carreira, representando um renascimento criativo após um tempo sombrio na vida do cineasta. Kurosawa vivia maus momentos no final da década de 60, com o fracasso comercial de DODESKADEN e a falta de financiamento dos produtores para futuros projetos. Isso abalou até a vida pessoal do diretor, que caiu numa profunda depressão que culminou numa tentativa de suicídio no início dos anos 70. Foi com o convite da grande produtora russa, Mosfilm, que DERSU UZALA foi possível.

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Na verdade, o projeto de DERSU UZALA vinha de longa data. Kurosawa tinha planos já na década de 50 para sua produção, mas teve dificuldade em adaptar a história a um cenário japonês, sem imaginar que um dia ele poderia realmente filmá-la na Rússia, com atores russos. O filme é baseado em um livro autobiográfico de Vladimir Arsenev, que narra as suas aventuras explorando territórios selvagens de seu país para realizar um trabalho topográfico na região. Nas mãos de Kurosawa, a aventura ganha o status de poesia existencialista, com um estudo de caráter abordando o impacto que um primitivo de bela alma tem em um sujeito do mundo civilizado. Continuar lendo

JEAN-PIERRE MELVILLE NO IMS

MELVILLE, JEAN-PIERRE

Tá rolando uma mostra do Jean-Pierre Melville, o mestre do cinema “polar” (como é conhecido o policial francês), no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, e resolvi dar uma averiguada. Já tinha ido na sala de cinema do IMS pra ver SUSPIRIA, do Dario Argento, numa cópia fenomenal. A sala é boa, confortável, o som é alto, mas achei a tela pequena e posicionada um pouco acima do necessário. Mas nada que estrague a experiência, vale muito a pena visitar e acompanhar a programação do local.

Mas voltando ao Melville, ontem vi O EXÉRCITO DAS SOMBRAS (L’Armée des Ombres, 1969). Já tinha assistido há uns mil anos, mesmo assim me deixou atordoado. Não lembrava o quão sinistro e poderoso é essa merda, uma das obras mais perturbadoras e melancólicas de Melville… Acho que ainda prefiro O CÍRCULO VERMELHO, que assisti hoje, mais pela minha identificação particular com o cinema policial, porém os dois ficam no mesmo patamar em excelência.

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A trama se passa durante a Segunda Guerra Mundial e acompanha a rotina de vários membros da resistência numa França ocupada. O protagonista é Phillipe Gerbier, interpretado por Lino Ventura, um engenheiro civil que se revela um dos principais líderes da resistência e que vai gradualmente descobrindo que ele e seus companheiros devem trair a sua humanidade em prol de seus ideais. No final, niilista até o talo, os seus esforços são essencialmente inúteis e desesperançosos. O modo com que o diretor opera o psicológico dos personagens, trabalhando o medo da traição, o conflito moral, a relação com a morte e o fato de se tornarem verdadeiras sombras, gera uma boa dose de reflexão e vários momentos incríveis. Reparem na cena na qual Gerbier e outros dois membros da resistência discutem como vão apagar um traidor – sendo que o próprio se encontra no mesmo local, ouvindo tudo angustiado – é coisa de gênio.

Alguns filmes de Melville são marcados por uma pegada bressoniana em retratar emoções, especialmente em O SAMURAI, seu trabalho mais famoso. Mas os pontos de contatos com o cinema de Robert Bresson não ficam tão evidente em O EXÉRCITO DAS SOMBRAS, provavelmente porque seria impossível para o diretor tratar do tema sem que colocasse uma carga emotiva pessoal, já que o próprio Melville fora membro da resistência francesa. Além de Ventura, todo o elenco é de primeira, com destaque para Jean-Pierre Cassel e a grande participação de Simone Signoret, numa personagem fascinante. Não sei direito como tá a programação, mas se passar de novo esta semana, não deixem de conferir.

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E hoje à tarde fui rever O CIRCULO VERMELHO (Le Cercle Rouge, 1970), um verdadeiro épico do cinema policial francês, com Alain Delon, Gian Maria Volonte e Yves Montad. Na trama, Vogel (Volonte) é um prisioneiro que escapa debaixo do nariz do comissário de policia que o levava de trem sob custódia para uma penitenciaria. No mesmo dia, Corey – Alain Delon, que já havia trabalhado com o Melville em O SAMURAI, agora com um bigodinho pra dar um ar de bandido cafajeste – sai da prisão após cumprir pena por roubo. Os dois cruzam o caminho do outro. Com a ajuda de um ex-policial – Montand, outro monstro – planejam roubar uma joalheria, mas para atrapalhar os planos do furto, eles têm atrás de si o mesmo comissário, obcecado, que vacilou na fuga de Vogel, além de uma turma de criminosos que Corey resolveu sacanear. Vão me dizer que não é um p@#$% enredo pra um filme policial?

LE CERCLE ROUGE possui algumas sequências brilhantes, como a delirante introdução do personagem de Montand, por exemplo, ou o próprio roubo da joalheria, que Melville havia pensado vinte anos antes, mas desistiu de realizar porque John Huston lançou primeiro o seu clássico THE ASPHALT JUNGLE, que aparentemente havia uma sequência de roubo parecido com a sua (RIFIFI também tinha e nem por isso Jules Dassin deixou de fazer). De qualquer maneira, passado o tempo, cá estamos, Delon, Volonte e Montand roubando jóias numa sequência de quase 25 minutos sem diálogos, sem trilha sonora, mas com Melville num rigoroso trabalho de câmera e edição, concebendo mais uma de suas obras-primas…

Vou ver se durante a semana consigo pegar mais algumas sessões. Ouvi uma velhinha dizendo que  na quarta passa O SAMURAI. E como fazem uns dez anos que assisti, seria uma boa…

DVD REVIEW: BRAÇO DE DIAMANTE (1969); CPC UMES FILMES

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A última semana foi uma correria danada, mudei de apartamento, o trabalho no fim do mês também foi mais pesado que o habitual, não tive muito tempo pra ver muitos filmes nem postar alguma coisa por aqui. Tudo parece estar voltando ao normal de novo agora que começou Dezembro e pude conferir o lançamento em DVD do mês de novembro da CPC UMES FILMES, a deliciosa comédia soviética BRAÇO DE DIAMANTE, dirigido por Leonid Gayday e estrelado por várias rostos que, embora desconhecidos para nós, eram populares do cinema russo. O próprio BRAÇO DE DIAMANTE nunca foi muito comentado aqui no Brasil, mas se tornou um filme cultuado em alguns países e é considerado uma das melhores comédias realizadas na Rússia, tendo sido um sucesso de bilheteria levando mais de setenta milhões de espectadores aos cinemas. Portanto, um verdadeiro achado esse lançamento da CPC UMES FILMES.

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O enredo de BRAÇO DE DIAMANTE é inspirado numa notícia real sobre contrabandistas suíços que tentaram transportar jóias em acessórios ortopédicos. Na trama, um misterioso criminoso do mercado negro (conhecido apenas como “O Chefe”) tenta contrabandear um lote de jóias da Turquia para a União Soviética, escondendo os artefatos dentro do gesso que seria colocado no braço de seu capanga, Gennadiy Kozodoyev (interpretado por Andrey Mironov, que se revelou um gênio da comédia).

O pilantra viaja para o estrangeiro num navio de cruzeiro turístico para pegar os diamantes, mas os contrabandistas locais não sabem como é a aparência de Gennadiy; só sabem que ele deve fingir uma queda e dizer um código para se identificar. Devido a uma atrapalhada, os bandidos acabam confundindo Gennadiy com seu companheiro de viagem, que havia conhecido no cruzeiro, um cidadão soviético comum, Semyon Gorbunkov (interpretado por Yuiy Nikulin). Colocam um gesso ao redor do braço de Semyon juntamente com as jóias.

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Ao retornar do cruzeiro, Semyon conta o que aconteceu para a polícia e o capitão, trabalhando disfarçado de taxista, usa o pobre Semyon como isca para pegar os criminosos. A partir daí, a maior parte do filme se constrói nas várias tentativas, uma mais engraçada que a outra, dos capangas ineptos do chefe, Gesha e Lyolik (Anatoliy Papanov), para atrair Semyon em situações nas quais possam remover o gesso e recuperar as jóias. As coisas melhoram ainda mais quando a esposa de Semyon começa a suspeitar que ele foi recrutado como agente secreto da polícia, ou pior, está tendo um caso com uma amante…

Paródia inteligente e hilária de filmes de crime e espionagem, com um toque Hitchcockiano do “homem errado em circunstâncias erradas”, BRAÇO DE DIAMANTE ainda reflete de forma satírica o estilo de vida soviético do período, com interessantes informações que podemos captar nos diálogos e situações, como na cena em que Gorbunkov chega em casa após a viagem e uma das primeiras coisas que sua esposa pergunta é se ele havia tomado Coca-Cola e visto a Sophia Loren.

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E é bacana perceber essa contextualização sobre as realidades soviéticas para entrar mais na graça do filme, mas tenho certeza de que os cinéfilos vão apreciar também o trabalho de Gayday como diretor, a maneira como constrói as situações de humor, como um autêntico Jerry Lewis soviético, as composições visuais, a diversidade estilística e principalmente o encanto do elenco, especialmente Mironov, que rouba o filme e dá uma aula de expressão corporal e comédia física como o capanga atrapalhado posando de dândi, e que não fica nada a dever aos grandes comediantes do cinema ocidental, como Lewis, Peter Sellers, Leslie Nielsen, Chevy Chase, etc.

Enfim, BRAÇO DE DIAMANTE não tem lá grandes ambições além de nos divertir e nos fazer soltar boas risadas, mas o faz com muito estilo, muita eficiência, conferindo seu humor à uma estatura de arte. Foi lançado em DVD no mês passado pela CPC UMES FILMES, mas ainda dá tempo de acessar a loja virtual da distribuidora e adquirir mais um item essencial que eles têm lançado. E não deixe de curtir a página da distribuidora no Facebook para ficar sabendo de todas as novidades e os seus próximos lançamentos.