ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.5: WALKING DISTANCE (1959)

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A maioria das pessoas tende a se identificar com WALKING DISTANCE. Quem nunca pensou em voltar no tempo, revisitar um local familiar do mesmo jeitinho que era há vinte, trinta, cinquenta anos, ver a si mesmo na infância, ver seus pais… É o que acontece com Martin Sloan (Gig Young), um homem de negócios de NY. Certo dia, numa viagem de trabalho, precisa parar num posto de gasolina/oficina à beira de estrada e percebe que está a 1,5 km de Homewood, a pequena cidade onde passou sua pequenez e que há 25 anos não retorna. Como seu carro ainda vai demorar algumas horas para fazer um reparo, decide fazer uma caminhada até lá.

Chegando em Homewood, Martin percebe que não só cruzou os 1,5 km, mas também retornou 25 anos de volta no tempo. Ele encontra as ruas, as lojas, o carrossel da praça, as pessoas que conheceu, do mesmo jeito que era na infância… E até bate na porta da sua própria casa. Seus pais atendem e, obviamente, não reconhecem seu filho. Martin se encontra com ele mesmo quando tinha cerca de dez anos de idade, mas afligido com toda essa situação, provoca um acidente que machuca a sua versão criança.

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Seu pai vem falar com ele e, dessa vez entende que está se dirigindo a seu filho adulto, que veio do futuro, pede-lhe para deixar o local porque ele não tem “nada para fazer aqui”. O tempo dele já passou e é a vez do pequeno Martin ter sua chance. Martin Sloan diz adeus ao pai e retorna à estrada de volta ao seu carro, dessa vez mancando da perna por conta do acidente que acabou de causar à criança que fora. Martin Sloan acabou de fazer uma curta viagem para ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

As histórias de viagem do tempo sempre me fascinaram, mas a maioria cede às complexidades do conceito. Não vejo mal, mas é a simplicidade de WALKING DISTANCE que me encanta. Concentra-se na aventura humana e mais emocional de seu personagem sem se preocupar muito com com os efeitos paradoxais de viagem no tempo. É o sentimento físico e metafísico do tempo que passou, das coisas que cresceram e as que se foram.

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Gig Young tem uma performance fantástica como Martin Sloan. Os mais cascudos vão se lembrar dele em TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA, de Sam Peckinpah, fazendo um dos assassinos atrás de Warren Oates. Mas teve uma carreira sólida como coadjuvante, tendo sido indicado três vezes ao Oscar de melhor ator nessa categoria, com DEGRADAÇÃO HUMANA, de Gordon Douglas, UM AMOR DE PROFESSORA, de George Seaton, e A NOITE DOS DESESPERADOS, filmaço de Sydney Pollack em que Young acabou levando a estatueta. Teve uma morte trágica, poucas semanas após se casar com uma editora de revista alemã, Kim Schmidt. O casal foi encontrado morto e supostamente Young meteu bala na esposa e se matou.

A direção de WALKING DISTANCE é de Robert Stevens, que já havia dirigido um episódio da série, o primeiro, WHERE IS EVERYBODY?. Em ambos percebe-se um estilo próprio do diretor na composição dos enquadramentos, como a utilização dos espelhos e nas cenas mais tensas e climáticas, por exemplo, em que a câmera entorta os ângulos para dar um tom de estranheza.

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WALKING DISTANCE é considerado por muitos um dos melhores episódios desta primeira temporada. Mas o próprio roteirista do capítulo e criador da série, Rod Serling, não achava grandes coisas. Acreditava que tudo acontece depressa demais, como Sloan encontrar seus pais muito cedo. Mas estamos falando de uma historinha contada em vinte e poucos minutos, que era a duração habitual dos episódios da série (apenas na quarta temporada os capítulos tiveram uma duração maior), e nesse caso, não dava pra trabalhar tanto os acontecimentos, exceto de uma forma em que tudo se desenvolvesse rapidamente. Mas não sei ainda se concordo também que se trate de um dos melhores episódios, preciso continuar revendo os contos seguintes. Mas sem dúvida alguma é um que me cativa pela simplicidade e pela forma singela de passar sua mensagem.

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TIM LUCAS – 10 FILMES DE HORROR QUE NÃO SÃO FILMES DE HORROR

Tem quatro aí que não vi, mas vale o registro:

5266topJacc1. J’ACCUSE! (1938), de Abel Gance

maxresdefault2. PINOCCHIO (1940)

sunset_blvd-73. CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Boulevard, 1950), de Billy Wilder

miraclefatima-e14991765359114. THE MIRACLE OF OUR LADY OF FATIMA (1952), de John Brahm

032-the-night-of-the-hunter-theredlist5. MENSAGEIRO DO DIABO (The Night of the Hunter, 1955), de Charles Laughton

susanslade26. SUSAN SLADE (1961), de Delmer Daves

large-last-year-at-marienbad-blu-ray1x7. O ANO PASSADO EM MARIEMBAD
(L’Année dernière à Marienbad, 1962), de Alain Resnais

persona28. PERSONA (1966), de Ingmar Bergman

rzfd4izu-720x3409. GIMME SHELTER (1970), de Albert Maysles, Charlotte Zwerin
e David Maysles

blog o quarto verde810. O QUARTO VERDE (La Chambre verte, 1978), de François Truffaut

Tim Lucas é um dos principais críticos de reconhecimento internacional especializado em cinema fantástico. Essa lista foi retirada do livro The Book of Lists – Horror.

OS IRMÃOS CARA DE PAU (The Blue Brothers, 1980)

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Revi OS IRMÃOS CARA DE PAU recentemente e foi como redescobrir um clássico transcendental. Havia milhares de cenas e detalhes que eu tinha simplesmente apagado da mente. Eu já tinha visto o filme dezenas de vezes nos anos 90, mas realmente desde então não tive mais contato algum. Às vezes esqueço de como o tempo tem andado tão rápido e vinte anos atrás foi logo ali…

Mas o grande prazer do cinema, essa arte que eu tanto amo, é a possibilidade de rever um IRMÃOS CARA DE PAU e sentir como se fosse a primeira vez. O filme me fez chorar de rir, vibrar com as cenas de perseguição e relaxar ouvindo as excelentes canções que o filme dispõe. É disparado o melhor musical realizado nos últimos, sei lá, 40 anos… (e sim, é um musical porque os números musicais ajudam a avançar a história). É o filme mais divertido surgido do programa Saturday Night Live (a dupla central interpretada por Dan Arkroyd e John Belushi foi criada como esquete do programa), e um dos melhores filmes perseguição de carros de todos os tempos! É também é um dos melhores filmes que o grande John Landis já dirigiu… Perde somente, talvez, para UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES e INTO THE NIGHT.

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O enredo é simples. Jake Blues (Belushi) sai da prisão e junto com seu irmão, Elwood (Dan Aykroyd), começam a reunir a velha banda de volta para uma causa nobre, conseguir dinheiro suficiente para salvar o antigo orfanato em que passaram suas infâncias. A trama é mais ou menos um fio condutor para um monte de números musicais R&B cheios de energia. Além de tocarem um par de músicas maravilhosas, The Blues Brothers também compartilham o momento com James Brown, Ray Charles, Aretha Franklin, John Lee Hooker e Cab Calloway.

Se OS IRMÃOS CARA DE PAU não passasse de números musicais, já teria sido ótimo, mas Landis demonstra talento na direção, na composição dos quadros, nos momentos mais singelos, como quando Jake chega no apartamento apertado de Elwood pela primeira vez e, em poucos planos, Landis dá uma aula de cinema, edição e composição.

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Também oferece algumas das mais impressionantes acrobacias de carros em alta velocidade já testemunhadas. O Bluesmobile (um velho Dodge, carro da polícia, usado pela dupla) é um dos carros mais icônicos do cinema. Mais de três décadas depois, não houve um carro que pudesse superar essa lata velha.

No coração do filme temos duas ótimas performances de Belushi e Arkroyd. Nunca tiveram uma química tão boa na tela, com um timing cômico impecável. Sejam discutindo seus planos em longos takes dentro do Bluesmobile, seja em cima de um palco cantando e dançando. Seus números musicais são simplesmente incríveis. O elenco ainda tem Charles Napier, Carrie Fisher, John Candy e até uma pontinha do Spielberg (que era muito amigo de Landis, até acontecer o que aconteceu aqui).

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Aykroyd e o diretor John Landis voltariam a se reunir mais vezes, inclusive 18 anos depois de OS IRMÃOS CARA DE PAU para uma continuação, inferior, mas ainda divertida e bem mais exagerada, em OS IRMÃOS CARA DE PAU 2000. Dessa vez, sem John Belushi, que morreu em 1982, aos 33 anos, de overdose. No lugar dele, temos o grande John Goodman.

A MORTE NOS SONHOS (Dreamscape, 1984)

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Não sei porque nunca havia conferido DREAMSCAPE antes. Devo ter tido azar na infância, nunca peguei passando na TV, não lembro de ter visto nas locadoras. E embora soubesse da sua existência quando já não era mais moleque, acabava empurrando pra frente. Pensei até que DREAMSCAPE fosse mais um rip-off de Indiana Jones por algum motivo e isso me desanimava. Não que eu não goste de rip-off de Indiana Jones, mas nunca tava no clima pra encarar este aqui. Na verdade, o verdadeiro motivo que me fazia pensar tal coisa era o cartaz maldito deste filme, que toda vez que via me parecia uma cópia descarada de OS CAÇADORES DA ARCA PERDIDA. Não estou zoando, podem comparar e tirar suas próprias conclusões:

Enfim, DREAMSCAPE foi um dos filmes mais legais que assisti nos últimos dias. E não! Não tem NADA A VER com qualquer aventura de Indiana Jones. Na verdade é uma ficção científica divertidíssima, bem movimentada e aterrorizante que lembra mais um outro filme, atual, de um certo Christopher Nolan… DREAMSCAPE explora algumas noções fascinantes envolvendo a natureza dos sonhos e o desejo de poder controlá-los. Em seguida, dá um passo adiante com a hipótese de ser capaz de entrar nos sonhos de outras pessoas e salvá-los de algum tormento, pesadelo ou até mesmo matar o indivíduo que sonha.

Dennis Quaid interpreta Alex Gardner, um jovem com poderes mentais extraordinários, que é recrutado por Max Von Sydow para se juntar a um projeto experimental secreto que permite que uma pessoa se torne um participante ativo dos sonhos de outrem. Alex é um bocado cético quanto a sua finalidade, mas começa a acreditar na potencialidade do projeto depois de entrar no universo dos sonhos de algumas cobaias. Por exemplo, os pesadelos de um menino onde ele ajuda a combater um sinistro monstro, metade homem, metade cobra, que tormenta as noites do pobre garoto.

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Christopher Plummer, que vive um engravatado do governo, planeja usar tal tecnologia para enviar um assassino (o sempre excelente David Patrick Kelly) para dentro dos sonhos do presidente dos Estados Unidos (Edward Albert). No calor do último ato, Alex entra no sonho do presidente para salvá-lo de Kelly, que domina o universo dos sonhos como ninguém, podendo lutar como Bruce Lee, se transformar no homem-cobra e fazer suas unhas se tornarem grandes e afiadas como facas (como Freddie Krueger, outro personagem de unhas letais que ataca nos sonhos de suas vítimas… Coincidência? Ambos filmes, este aqui e A HORA DO PESADELO, foram lançados no mesmo ano).

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Algumas sequências são impressionantes e não vão sair da memória tão cedo. Especialmente as que acontecem nos sonhos: há uma incrível que se passa no alto de um arranha-céu; o garotinho cortando a cabeça do “homem-cobra”; o sonho “molhado” da secretária do projeto, interpretada pela Senhora Spielberg, Kate Capshaw; e o grande final, com Alex dentro do sonho do presidente, encarando uma horda de zumbis num mundo pós-apocalíptico. Continuar lendo

DVD REVIEW: COSSACOS DE KUBAN (Kubanskie kazaki, 1948); CPC UMES FILMES

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O lançamento de Agosto da CPC UMES Filmes, uma das distribuidoras mais importantes do Brasil atualmente, é COSSACOS DE KUBAN. A produção é uma comédia musical soviética fascinante que vale a pena ser conferida, especialmente por quem curte um cinema exótico que foge do padrão ocidental. E o blog Dementia¹³ inicia a parceria com a distribuidora comentando sobre essa maravilha do cinema.

COSSACOS DE KUBAN conta a história simples de dois líderes kolkhozes (cooperativas agrícolas soviéticas) concorrentes, Galina e Gordey, que se reúnem por ocasião de um festival agrícola e dividem suas atenções entre as competições que o evento promove e a sua atração romântica um pelo outro. Gira em torno também de vários outros personagens que participam do festival, que se divertem, cantam, dançam e se enamoram…

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O filme começa com uma sequência musical que mostra o trabalho de campo em uma fazenda coletiva. Depois de alguns planos dos espaços infinitos de trigo sob o céu azul, dos camponeses que trabalham, e das colheitadeiras que atravessam os campos, a música entra em coros exaltados durante uns cinco minutos hipnóticos de imagem e som, apresentando os personagens da história. É a típica sequência que deveria ser estudada em qualquer escola de cinema: a arte dos planos, de composição e de como a edição faz entrar em acordo imagem e música num nível impressionante de perfeição.

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Tudo a serviço da propaganda que glorifica o trabalho comunitário e igualdade de gênero nas tarefas de serviço à comunidade. OS COSSACOS DE KUBAN era um filme para a distração do público com cenas que apoiavam a necessidade de um esforço coletivo no tempo de reconstrução pós guerra. Dizem que o próprio Stalin era um fervoroso admirador do filme, um espectador voraz que nos últimos anos de vida estava projetando todos os tipos de filmes internacionais em salas privadas de suas várias residências e cuja coleção pessoal foi trazida de Berlim pelo Exército vermelho em 1945. Mas isso é apenas uma curiosidade…

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O papel das mulheres no modelo soviético é bem evocado no filme e assim, a personagem de Galina, uma viúva, cujo marido perdeu a vida na II Guerra Mundial e líder de uma das duas fazendas coletivas, passa grande parte da história a desafiar Gordey, um ex-militar marcado pela guerra, que comanda com mão de ferro sua fazenda. Em outra história paralela, a jovem Dasha confronta seu tio, o mesmo Gordey, para viver seu amor com um jovem da fazenda de Galina. Assim, as mulheres são a espinha dorsal de COSSACOS DE KUBAN que coloca os homens em uma posição surpreendente de inferioridade em que o cinema ocidental do período ainda não tinha experimentado.

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Os atores, desconhecidos para a maioria dos espectadores ocidentais, são grandes nomes do cinema soviético. Para ficar na dupla central, Marina Ladynina, no papel de Galina, foi uma das principais musas do cinema stalinista. A sua carreira parou com a morte de Stalin em 1953. Sergei Lukyanov, no papel de Gordey, encarnara o arquétipo do homem soviético viril antes de sua morte prematura. Continuar lendo

OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE (Murders in the Rue Morgue, 1932)

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De vez em quando eu entro numa de ensaiar uma maratona dos clássicos de horror da Universal, mas sempre assisto dois ou três e já abandono… Vamos ver se escrevendo sobre algum deles eu fico mais animado. OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, de Robert Florey, adaptação de Edgar Allan Poe e com o grande Bela Lugosi no elenco, foi um dos últimos que vi e que vale a pena expor algumas coisas por aqui.

Aliás, diretor e ator quase haviam trabalharam juntos anteriormente no grande clássico do horror, FRANKENSTEIN. Não aconteceu, como se sabe. E tanto para Florey, substituído por James Whale, quanto para Bela Lugosi, a dissociação de FRANKESTEIN sinalizou inúmeros pontos de inflexão na carreira de ambos: Florey nunca mais teve a oportunidade de dirigir uma produção de tanto potencial, e Lugosi, ao se afastar do projeto, permitiu o surgimento de seu rival de tela, Boris Karloff, que, não demoraria muito, acabaria lhe eclipsando.

O prêmio de consolação do estúdio para Lugosi e Florey foi OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, que não teve o sucesso crítico ou popular que suas carreiras precisavam, apesar de ser um dos mais interessante e ousados filmes de horror do período, acredito eu, pelo menos dentre os poucos que já vi até o momento.

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É que Florey pega pesado na referência do expressionismo alemão, criando quadros realmente fortes e atmosféricos de uma Paris carregada e sombria para além da conta, além de nos oferecer algumas imagens inesquecíveis, e transgressoras para o período, de Bela Lugosi amarrando moças sequestradas a quadros de madeira em forma de X e lhes fazendo transfusões de sangue de gorila… De arrepiar.

Na trama, Bela Lugosi é o Dr. Mirakle, cientista que trabalha no campo da evolução humana e que está experimentando a hibridização entre macacos e humanos em Paris em 1845. Ele financia suas experiências exibindo seu gorila de estimação em um espetáculo em festivais. Fruto de suas experiências, ocasionalmente mulheres são encontradas flutuando no Rio Sena. E seu encontro com um estudante de medicina, o famoso Dupin (que nas histórias originais de Poe era um perspicaz detetive aos moldes de Sherlock Holmes), e sua namorada desencadeia uma série de incidentes infelizes…

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A história original de Poe tem o lance do mistério revelado num final surpreendente, mas aqui Florey transforma o texto de Poe num relato de puro horror com o fato de que já sabemos de antemão o que está acontecendo desde o início. Possivelmente uma sacada sábia, mas o roteiro de OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE (que teve ajuda do diretor John Huston) parece cheio de equívocos em alguns momentos, prejudicado pela decisão da Universal de fazer refilmagens e invadir o filme, que já estava concluído. No entanto, é uma obra que espreita um suspiro de inspiração audaz por parte de Florey em uma estética das mais sombrias e sinistras daquele período.

Altamente recomendado para quem quer se enveredar por aquelas plagas do cinema de horror, mas quer conhecer bons exemplares fora dos ciclos dos monstros clássicos, como DRÁCULA, FRANKENSTEIN, A MÚMIA e etc…

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.4 – THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE (1959)

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Este quarto episódio da primeira temporada de ALÉM DA IMAGINAÇÃO já se destaca por ter a maravilhosa Ida Lupino como protagonista. Num papel que remete à Gloria Swanson como Norma Desmond no clássico de Billy Wilder, CREPÚSCULO DOS DEUSES. Só que com os elementos fantásticos que são habituais da série criada por Rod Serling.

Na trama de THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE, temos a velha atriz que não se dá conta de que seu momento já passou, que não tem mais idade para papeis de mulheres jovens e bonitas, ou não quer acreditar nisso… Barbara Jean Trenton (Lupino) descarta totalmente a realidade e vive agora enfurnada na sua sala de projeção, vendo e revendo seus antigos filmes românticos de trinta anos atrás, tentando reviver sua juventude. Seu agente (vivido pelo grande Martin Balsam) teme pela sanidade da mulher, assim como sua criada (Alice Frost), e faz de tudo para trazê-la de volta à realidade, que ela se aceite como a grande atriz que fora e siga em frente como uma artista mais madura, com mais gabarito…

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Mas essa é a vida que ela quer, quando todos eram bonitos e românticos, onde ninguém a confundiria com um estrela de cinema obsoleta. Ela continua assistindo a seus antigos filmes e o mundo continua tentando esmagar seus sonhos, mas tudo o que lhe resta são os sonhos, e então, bem… estamos ALÉM DA IMAGINAÇÃO por aqui, onde coisas estranhas acontecem e os sonhos se tornam reais nos limites dessa fronteira.

Mais uma vez escrito por Serling, o episódio obviamente não possui a sátira ácida do filme de Billy Wilder, embora ambos tenham temas similares. Mas não deixa de ser eficiente nas questões que propõem, como viver do passado ou num mundo de fantasia ao invés de aceitar a dolorosa realidade. Ajuda muito ter uma Ida Lupino sublime como Barbara Jean Trenton, evitando a tentação de imitar o desempenho exagerado de Gloria Swanson, mas fazendo uma estrela do cinema tão obsessiva quanto Norma Desmond em CREPÚSCULO DOS DEUSES. Uma curiosidade, Lupino foi a única pessoa a protagonizar um episódio da série e também a dirigir um outro. Na quinta temporada ela realizou THE MASKS.

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Martin Balsam fazia aqui sua primeira participação em ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Voltaria à série em 1963, na quarta temporada, no episódio THE NEW EXHIBIT.

A direção de THE SIXTEEN MILLIMETER SHRINE ficou por conta de Mitchell Leisen, que é segura e elegante, mas nada especial. Não que o episódio precisasse também… Basta as atuações de Lupino e Balsam para a coisa funcionar. Leisen ainda viria a dirigir mais dois episódios em ALÉM DA IMAGINAÇÃO: ESCAPE CLAUSE e PEOPLE ARE ALIKE ALL OVER, ambos da primeira temporada.

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TOP 10 HITCHCOCK

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Domingão tá acabando, mas ainda dá tempo. Hoje é aniversário de Alfred Hitchcock. 118 anos de nascimento. Nessas horas que percebo que ainda tenho tantos filmes dele para assistir… Mesmo assim resolvi fazer um Top 10 pra não passar batido:

01. UM CORPO QUE CAI (Vertigo, 1958)
02. JANELA INDISCRETA (Rear Window, 1954)
03. OS PÁSSAROS (1963)
04. PSICOSE (Psycho, 1960)
05. INTRIGA INTERNACIONAL (1959)
06. INTERLÚDIO (Notorious, 1946)
07. O HOMEM ERRADO (The Wrong Man, 1956)
08. FRENESI (Frenzy, 1972)
09. PACTO SINISTRO (Strangers on a Train,1951)
10. FESTIM DIABÓLICO (Rope, 1948)

THE TWILIGHT ZONE: THE MOVIE (1983)

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Aproveitando a maratona ALÉM DA IMAGINAÇÃO, que comecei esses dias, vamos falar então da atualização que este clássico da televisão, criado pelo grande Rod Serling, recebeu nos anos 80. Mas estou falando do filme, THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, e não da própria série de TV que retornou nos anos 80 e que teve três temporadas entre 1985 e 1989.

Em 1983, Steven Spielberg produziu e co-dirigiu THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE, versão cinematográfica do seriado. A ideia era reunir alguns dos nomes mais interessantes do cinema de fantasia e horror do período e compilar no formato de antologia um longa que fizesse uma homenagem aos clássicos episódios de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, mas também aproveitar dos novos recursos e tecnologias que os anos 80 possuíam em relação ao período em que o seriado clássico fora produzido.

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Além do próprio Spielberg na direção, temos Joe Dante (GREMLINS), George Miller (série MAD MAX) e o grande John Landis (UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES), que é um sujeito que eu tenho dado uma atenção especial aqui no blog recentemente. E obviamente não poderia deixar de citar  THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE como um dos seus principais trabalhos. Não apenas pelo seu talento envolvido nesse projeto, mas por ter acontecido aqui, exatamente aqui, sob a sua direção, a maior TRAGÉDIA já ocorrida e filmada na história do cinema. Mas já vamos falar sobre isso…

Antes, é preciso ressaltar que Landis é o único dos quatro diretores que teve um trabalho extra em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE e realizou também o prólogo. Esta introdução é uma história bem curtinha, no qual temos os astros Dan Aykroyd e Albert Brooks num carro ao longo de uma estrada no meio da noite. Entediado, eles começam a fazer joguinhos para passar o tempo, como tentar adivinhar temas de programas de TV, discutem a série ALÉM DA IMAGINAÇÃO clássica e até que ponto era assustador e tal…. O diálogo é ótimo e eu poderia ver duas horas de filme só com esses dois papeando! Até que em determinado momento, Aykroyd decide mostrar a Brooks algo REALMENTE assustador…

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É uma boa maneira de começar as coisas. Mantém o público ligado porque desconfiamos que alguma coisa vai acontecer, mas não se sabe o que… E configura de forma eficiente o clima do que está por vir em THE TWILIGHT ZONE – THE MOVIE. Aykroyd e Brooks têm uma química excelente e é uma pena que nunca tenham trabalhado juntos de novo. Esse pequeno segmento é um dos mais memoráveis de todo o filme – se não for uma das melhores cenas de abertura de qualquer filme de qualquer gênero, de qualquer época…

É de John Landis também o primeiro episódio da antologia. Chama-se TIME OUT e é um típico conto clássico de ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Estrelado por Vic Morrow, vivendo um sujeito preconceituoso, que entra em um bar e insulta todas as minorias possíveis. Quando sai do local, ele simplesmente volta no tempo e se encontra na Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, e todos os nazistas pensam que ele é judeu. Então o prendem e tentam levá-lo para um campo de concentração. Mas então outras viagens temporais entram inexplicavelmente na sua jornada. É, por exemplo, confundido pela KKK, que pensam que ele negro e tentam pendurá-lo pelo pescoço, ou logo depois, quando termina no Vietnã em mais situações em que se vê confrontado pela sua raça ou cor de pele…

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Mas para além da “lição de moral” que o episódio passa, fica um gosto amargo assisti-lo depois de saber que foi  durante as filmagens deste pequeno segmento que Vic Morrow morreu tragicamente num acidente. Mas a coisa foi bem mais desagradável. A cena do episódio é a seguinte: Morrow carregava duas crianças em seu colo enquanto um helicóptero sobrevoava para resgatá-los. E agora já não é mais ficção, é a realidade: O helicóptero deu pane por conta das explosões no cenário, caiu e sua hélice em movimento simplesmente decapitou Morrow E AS DUAS CRIANÇAS. E as câmeras filmaram tudo isso. Apesar de não dar para ver muita coisa (a cena acontece num lago e quando a hélice bate nas vítimas, vê-se mais água do que alguma possível violência), não vou postar o video aqui, mas é fácil de encontrar no youtube.

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LANÇAMENTOS DE SETEMBRO DA A2 FILMES

Blog Vá e Veja, por Osvaldo Neto

habitantes-a2filmes “Habitantes – Eles Estão Aqui” (Occupants, 2015)

Confiram os lançamentos selecionados da A2 Filmespara o mês de Setembro! Filmes para locação e venda direta ao consumidor dos selos Focus, Flashstar e Mares Filmes. Clique na capinha de cada filme para ser redirecionado ao blog da A2 e ter mais informações, assistir aos trailers e conferir as datas de chegada de todos os títulos nas lojas e locadoras.

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AMERICAN POLTERGEIST – POSSUÍDOS já ganhou uma resenha no blog. Clique aqui para ler o texto de Ronald Perrone sobre esse terror independente.
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BAT*21 – MISSÃO NO INFERNO (1988)

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Voltando ao Gene Hackman casca-grossa dos anos 80. Recapitulando, já falamos aqui de DE VOLTA PARA O INFERNO, ENTREGA MORTAL e O ALVO DA MORTE. Ainda vou comentar mais uns três ou quatro, mas por enquanto vamos de BAT*21 – MISSÃO NO INFERNO.

Curioso é que em 2001 tivemos um filme – mediano, pelo que me lembre – chamado ATRÁS DAS LINHAS INIMIGAS, dirigido por John Moore, no qual Gene Hackman é um almirante que mantém comunicação com o personagem de Owen Wilson ajudando-o a encarar os desafios de estar sozinho literalmente em território inimigo numa guerra. Já este BAT*21, de Peter Markle (VEIA DE CAMPEÃO), é o Hackman quem passa uma situação difícil, vivendo um tenente coronel na Guerra do Vietnã que tem o seu avião abatido por um míssil e acaba sendo o único sobrevivente numa região repleta de soldados vietcongues.

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Hackman é Hambleton, um especialista em armas que tem informações que os vietcongues desejam, e eles sabem que o sujeito está vivo em suas florestas após abaterem seu avião. A coisa esquenta ainda mais, pois Hambleton sabe também que a área em que ele se encontra está prestes a ser bombardeada pelos americanos e por isso precisa sair dali urgentemente. Trabalhando com um piloto de reconhecimento da Força Aérea que sobrevoa o local, o capitão Bartholomew Clark (Danny Glover), eles mapeiam uma rota de fuga antes que seja capturado ou que vá pelos ares…

Baseado num livro de William C. Anderson, a partir de uma história verídica (embora um bocado diferente, já que na época das filmagens o fato ainda era classificado como confidencial), BAT*21 é eficiente ao mostrar um tenente coronel, cuja participação em guerra se dá mais em planejamentos atrás de uma mesa do que combatendo em campo, encalhado no meio da selva rodeado de inimigos. Ajuda muito, portanto, um ator de peso como Hackman em convencer a transformação do seu personagem, que acaba forçado a se defender – e a matar – para manter a pele intacta.

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E esse talvez seja o ponto mais notável de BAT*21, que não é um filme de guerra com ação exagerada e que nunca tenta glorificar soldados americanos no Vietnã. Em vez disso, mostra uma aventura de perspectiva mais humana, o que acaba sendo bem mais contundente quando se trata de perdas de vidas, do ato de matar, e como esse tratamento torna alguns momentos bem mais brutais. Como toda a sequência em que os vietcongs capturam dois pilotos de helicópteros que tinham objetivo de resgatar Hambleton. Mas quando os tiros precisam comer solto, o diretor Peter Markle manda bem em criar um espetáculo explosivo, classudo e truculento. Continuar lendo

THE KENTUCKY FRIED MOVIE (1977) & AMAZON WOMEN ON THE MOON (1987)

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THE KENTUCKY FRIED MOVIE segue a cartilha de um tipo de comédia que surgiu nos anos 70 com inspirada no programa Saturday Night Live. A coisa era estruturada emulando uma “zapeada na TV”. Sabem como é? Como se você, espectador, estivesse segurando um controle remoto, mudando os canais, ou seja, eram produções concebidas como uma série de esquetes que imitava comerciais, fazia paródias de seriados e filmes, e mostrava programas de auditório ou reportagens absurdas. Alguns exemplos deste tipo de filme incluem THE GROOVE TUBE, de Ken Shapiro, PRIME TIME, de Bradley R. Swirnoff, TUNNELVISION, de Neal Israel e Swirnoff, e esta belezinha aqui, que é o segundo trabalho de John Landis.

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Então temos coisas do tipo, um fake trailer para um filme que nunca existiu: o exploitation Catholic School Girls in Trouble, estrelado pela musa de Russ Meyer, Uschi Digard; Bill Bixby, o eterno Bruce Banner do seriado HULK, fazendo um comercial de dor de cabeça; Jack Baker aprendendo a ter relações sexuais num documentário instrucional; um trailer para um filme catástrofe chamado That’s Armageddon (estrelado por Donald Sutherland como “The Clumsy Waiter“); Henry Gibson como apresentador do The United Appeal for the Dead, uma esquete hilária sobre o que fazer com nossos defuntos, e muitas outras coisas mais… A peça central de KENTUCKY FRIED MOVIE, no entanto, é uma paródia de OPERAÇÃO DRAGÃO, do Bruce Lee, chamado de A FISTFUL OF YEN. De rolar no chão…

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Várias participações especiais tornam a sessão ainda mais interessante, como Rick Baker – vestido do gorila que ele modelou como teste para o filme KING KONG de 1976 -, o ex-James Bond George Lazenby, Felix Silla, Tony Dow, Forrest J. Ackerman, que sempre aparece nos filmes do Landis…

Escrito pela equipe ZAZ – David Zucker, Jim Abrahams e Jerry Zucker – que mais tarde faria algumas das mais representativas comédias dos anos 80, como APERTEM OS CINTOS, O PILOTO SUMIU e CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ – o filme custou algo em torno de 650 mil dólares, considerado baixo já em 1977. Originalmente, os realizadores cogitaram chamar o filme de FREE POPCORN ou CLOSED FOR REMODELING, mas no fim das contas ficou mesmo KENTUCKY FRIED MOVIE. Com seu sucesso, Landis acabou contratado para dirigir ANIMAL HOUSE no ano seguinte.

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Uma década depois, Landis se reuniu com outros diretores e produtores e fez uma espécie de sequência de KENTUCKY FRIED MOVIEAMAZON WOMEN ON THE MOON. Landis dirigiu alguns dos segmentos deste filme, que também apresentam vinhetas humorísticas de Joe Dante, Peter Horton, Robert K. Weiss e Carl Gottleib. Steve Forrest e Sybil Danning protagonizam o “filme central”, o tal Amazon Women on the Moon, uma homenagem aos sci-fi e B movies dos anos 50, que é intercalado com uma variação de esquetes que se estruturam como a tal zapeada na TV.

Com um orçamento melhorzinho, deu pra atrair uma lista imensa de figuras interessantes (muitos dos quais não eram muito conhecidos no momento), mas temos Michelle Pfeiffer, Dick Miller, Monique Gabrielle – pelada, pra variar – Griffin Dunne, Steve Guttenberg, Rosanna Arquette, Arsenio Hall, David Allen Grier, Russ Meyer, Kelly Preston, Andrew “Dice” Clay, apenas para citar alguns…

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Não é tão engraçado quanto KENTUCKY. O segmento do funeral Celebrity Roast com Steve Allen, Henny Youngman e Rip Taylor, por exemplo, demora mais do que deveria e acaba perdendo a graça. Mas temos The Son of the Invisible Man (com Ed Begley, Jr.), que dá pra soltar algumas boas risadas. A paródia do clássico programa de TV, que no Brasil ficou conhecida como Acredite se Quiser, apresentada aqui por Henry Silva também é ótima.

Mas de uma forma geral, AMAZON WOMEN ON THE MOON fica abaixo de KENTUCKY FRIED MOVIE, que veio num momento mais propício pra esse tipo de ideia, enquanto este aqui tentava integrar o lance do boom do Video-Cassete, o que é interessante, mas não tem a mesma força. Ainda assim, obviamente, ganha de lavada de 99% do cenário da comédia atual.

JESS FRANCO EM DVD

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Obras-Primas do Cinema apresenta, CINEMA TRASH: JESS FRANCO, coleção que reúne quatro grandes sucessos do pai do cinema trash espanhol. Inédita edição com quatro filmes REMASTERIZADOS, distribuídos em 2 DVD ‘s.

Disco 01:
– Ela Matou em Êxtase (Sie tötete in Ekstase / She Killed in Ecstasy, 1971, 80 min.)
Direção: Jess Franco. Elenco Principal: Soledad Miranda, Fred Williams, Paul Muller
Depois de suas experiências com embriões humanos, um famoso médico é condenado à prisão. Revoltados com a sentença, ele tira a própria vida. Porém, sua amante inconformada com a perda, jura vingança. Ela então, através da sedução, começa a matar todos os responsáveis pela morte do seu amado.

– Santuário Mortal (Marquis de Sade: Justine / Marquis de Sade’s Justine, 1969, 124 min.)
Direção: Jess Franco. Elenco Principal: Klaus Kinski, Romina Power, Maria Rohm
Baseado na obra do Marquês de Sade, o filme conta a triste história de uma jovem chamada Justine. Ela e a irmã Juliette são expulsas de uma luxuosa escola particular quando sua mãe morre. Juliette resolve prostituir-se e leva uma vida de rainha com o dinheiro que ganha; Justine, por outro lado, tenta viver uma vida normal e honesta, porém, acaba no castelo de um sádico, onde será torturada e abusada sexualmente.

Disco 02:
– Vampiros Lesbos (Vampyros Lesbos, 1971, 89 min.)
Direção: Jess Franco. Elenco Principal: Soledad Miranda, Dennis Price, Paul Muller.
A Condesa Oskudar atrai vítimas femininas para uma ilha remota, para curti-las, amá-las e matá-las eventualmente. Mas ela comete o erro de se apaixonar por sua última vítima, a bela Linda Westinghouse. Uma versão lésbica do livro “Drácula”, de Bram Stoker.

– Lua Sangrenta (Die Säge des Todes/ Bloody Moon, 1981, 85 min.)
Direção: Jess Franco. Elenco Principal: Olivia Pascal, Christoph Moosbrugger, Nadja Gerganoff.
Miguel, um jovem com o rosto desfigurado, ajuda sua irmã a administrar uma escola de línguas para garotas, ali se encanta por uma aluna chamada Angela, ficando obcecado a ponto de segui-la por todos os lados, enquanto isso os amigos da garota passam a ser assassinados um a um.

MAIS DE 1 HORA DE EXTRAS!
Contendo entrevistas com o diretor Jess Franco; Stephen Thrower autor de “Murderous Passions – The Delirious Cinema of Jesús Franco”; depoimentos e muito mais!

Mais informações, confira no site da Obras-Primas do Cinema.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.3 – MR. DENTON ON DOOMSDAY (1959)

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Uma das coisas mais legais de ALÉM DA IMAGINAÇÃO é o diálogo entre gêneros. Além do sci-fi, do horror e da fantasia, que são o básico da série, sempre teremos uns episódios mais dramáticos, outros mais cômicos, teremos policiais noir, guerra, aventura e até western. Este último é o caso de MR. DENTON ON DOOMSDAY, terceiro episódio da primeira temporada.

Em 1959, os filmes de bangue-bangue ainda dominavam os olhares do público. Mas não esperemos a linguagem básica do western totalmente presente aqui nessa curta história de redenção e destino. O protagonista, por exemplo, não é nenhum cowboy ou xerife durão, mas o retrato exato de um bêbado. A história se passa numa pequena cidade do velho oeste americano e o nosso “herói” é Al Denton, vivido por Dan Duryea, constantemente humilhado por um jovem pistoleiro chamado Dan Hotaling, interpretado pelo inigualável Martin Landau. Tudo o que Denton gostaria era de poder se redimir, de uma nova chance na vida, mas acaba sempre perdido em mais uma garrafa de uísque.

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O elemento fantástico da série vem na espécie de um anjo da guarda transvestido de um vendedor ambulante (Malcolm Atterbury), que chega à cidade e resolve misteriosamente se intrometer no destino de Denton. Agora o sujeito tem a sua segunda chance, se redescobre muito mais homem do que achava que ainda era. Mas será que vai aproveitá-la devidamente?

Novamente escrito pelo criador da série, Rod Serling, MR. DENTON ON DOOMSDAY é um dos episódios sobre “perdedores”, onde o personagem principal é um ferrado que está do lado errado da sorte. Em seguida, acontece algo “mágico”, algo inacreditável que invade a realidade infeliz do personagem, cujo efeito muda para sempre sua vida e sua visão sobre o futuro. Em cada uma dessas histórias, no entanto, há uma escolha fundamental que deve ser feita pelo personagem. O milagre nunca vem de graça e nunca sem a necessidade de uma ação humana como catalisador. MR. DENTON ON DOOMSDAY exemplifica exatamente esse tema, que ainda serão explorados em vários episódios da série.

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Enfim, é um episódio agradável. O cenário do Velho Oeste funciona bem como palco para esse jogo de moralidade. Vale dar ênfase ao elenco, no qual temos um ator gabaritado como Dan Duryea, que já tinha realizado, por exemplo, diversos filmes noir de Fritz Lang. Mas meu destaque vai para um jovem Martin Landau, demonstrando um talento incrível e indícios do grande e expressivo ator que seria futuramente, recebendo o Oscar de melhor ator coadjuvante em ED WOOD, de Tim Burton. Uma pena seu falecimento recente. Malcolm Atterbury tem uma participação menos expressiva, mas sua presença também chama a atenção. Fez uma carreira mais voltada para séries de TV, tendo recebido mais de 150 créditos como ator.

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A direção do episódio ficou por conta de Allen Reisner, prolífico diretor de séries, embora MR. DENTON ON DOOMSDAY seja seu único trabalho em ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

DVD REVIEW: MORTOS VIVOS (The Burning Dead, 2015); A2 FILMES

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Um dos primeiros títulos originais que MORTOS VIVOS recebeu durante sua produção foi VOLCANO ZOMBIES. Mudaram depois para THE BURNING DEAD, provavelmente para aproveitar de alguma maneira o sucesso da série THE WALKING DEAD. Mas o título original provisório, VOLCANO ZOMBIES, era simplesmente perfeito porque sintetiza tudo o que um indivíduo poderia querer saber sobre a obra em apenas duas palavras. Temos um vulcão e temos zumbis, que são er… Literalmente cuspidos do vulcão em erupção!

Depois de saber disso, qualquer outro detalhe sobre MORTOS VIVOS torna-se irrelevante. Mas vamos lá… Um vulcão entra em erupção nos arredores de uma pequena cidade do norte dos EUA, causando alarde e a evacuação de sua população. Alguns tontos, no entanto, não querem deixar suas casas. É o caso do velho Ben, que acaba colocando sua filha e neta em risco por conta disso. Além deles, outros personagens acabam presos nos arredores do vulcão, como o xerife local e dois vulcanólogos que trabalham na região. Só que o que esse povo todo não sabe é que o vulcão é o menor dos seus problemas e uma maldição envolvendo mortos-vivos acada despertando juntamente com toda a estrutura geológica.    

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Apesar da trama simplória, MORTOS VIVOS é bem sucedido em pelo menos uma coisa: não perde o humor. Quero dizer, a premissa e os efeitos especiais, por exemplo, são tão ridículos que é preciso ter muito bom humor da parte dos realizadores para mantê-los num filme que fizeram com tanto carinho. Temos aqui uma lista variada de elementos que, vistos com bom humor, vão te fazer soltar algumas boas risadas. Estou falando, obviamente, da lava de CGI mais falsa que nota de três reais; os intestinos das vítimas sendo puxados e mordiscados pelos zumbis; uma cena totalmente gratuita onde uma moça resolve fazer um topless do nada; e claro, o meu favorito, a horda de zumbis sendo arremessada de dentro do vulcão como foguetes rodeados de gosma verde. Uma coisa linda e neste exato momento estou rindo de mim mesmo enquanto escrevo isso só de lembrar.

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Enquanto não temos um roteiro decente, boas atuações, efeitos especiais de primeira qualidade, nem mesmo um clima pra ser chamado de filme de horror,  MORTOS VIVOS ainda assim possui seu charme, com um humor involuntário que não vai decepcionar.

E o Danny Trejo? Seu personagem aparece muito nas artes promocionais do filme, não é? Bem, na verdade, sua participação é mínima, como um índio Cherokee que conta histórias ao redor da fogueira sobre a maldição do vulcão. Seu trabalho é decente, de longe a melhor atuação, mas percebe-se claramente que a imagem do ator só foi utilizada para atrair os desavisados. Seu personagem realmente não participa de nada na ação.

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Como um filme de horror ou catástrofe, MORTOS VIVOS precisaria de muito trabalho… É basicamente um filme amador nesse sentido. No entanto, não tem receio algum de ser ridículo e diverte tranquilamente os fãs que possuem um espaço no coração reservado para esse tipo de tralha.

MORTOS VIVOS foi lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Focus Filmes, que está disponível em DVD para aluguel ou compra, assim como em serviços ‘on demand’ como o Looke e o NOW.

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