ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.2 – ONE FOR THE ANGELS (1959)

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Este segundo episódio é um bom contraponto ao primeiro, que possui um tom mais sério e angustiante. ONE FOR THE ANGELS representa uma parcela de histórias mais leves e sentimentais que ocasionalmente aparecem em ALÉM DA IMAGINAÇÃO.

Na trama, novamente escrita pelo criador e narrador da série, Rod Serling, Ed Wynn vive Lou Bookman, um caixeiro que tenta vender tudo o que pode sair de sua mala, geralmente coisas comuns, como robôs de brinquedo e gravatas. Logo no início, ele percebe que está sendo observado por um homem misterioso trajando um terno preto, interpretado por Murray Hamilton. Ao chegar em casa, Lou se surpreende com o homem de preto sentado num canto de seu modesto apartamento de um quarto. O homem anuncia que deve “levá-lo” à meia-noite. Lou custa a descobrir, mas no fim percebe que o sujeito é ninguém menos que a morte.

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A menos que Lou consiga preencher um dos três requisitos de adiamento, não há nada que possa fazer para evitar sua passagem pro outro lado. Mas Lou não tem família, que é o primeiro requisito, salvo um grupo de crianças do bairro que o adoram. Ele também não está trabalhando em qualquer tipo de avanço científico (outro requisito), e ele não tem negócios inacabados, que seria o terceiro item que lhe daria mais algum tempo.

Mas como bom vendedor, sujeito de lábia afiada, Lou convence a Morte de que ele tem sim algo inacabado na vida: quer fazer uma grande venda, um venda daquelas que faria com que os céus se abrissem, “one for The angels” como diz o título do episódio. A morte concede, e Lou rapidamente guarda sua mala e se aposenta. Na sua lógica, se ele não vende, não morre. A morte, no entanto, percebe a jogada e decide levar uma das crianças do bairro. Uma garotinha é atropelada e a morte marca para pegá-la à meia-noite. Passado esse horário, a garotinha vive. É quando Lou bola um plano para a morte se atrasar.

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Uma das grandes sacadas deste episódio é a relação de Lou com a Morte. Ambos são afiados, os atores estão excelentes em cena, o diálogo entre eles é incrível. E Serling e o diretor Robert Parrish nunca deixam a coisa degringolar pra um sentimentalismo besta, mantendo sempre uma boa dose de humor, com situações realmente divertidas – como na cena em que Lou tenta fugir da morte nas escadarias do prédio. A morte, na verdade, não é nem ameaçadora, faz mais o tipo burocrata, enquanto Wynn faz um personagem muito fácil de se gostar.

O papel pelo qual Hamilton talvez seja mais lembrado é o de prefeito da cidade em TUBARÃO (75), do Spielberg. Mas quem merece mesmo os nossos olhares é Wynn, que está formidável. Um comediante à moda antiga, possui mais de quarenta filmes no currículo, incluindo algumas comédias estreladas por Jerry Lewis. A sequência em que seu personagem faz a morte se atrasar é um de seus momentos mais inspirados, digna de aplausos.

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O diretor Robert Parrish era um veterano da indústria naquela altura, tendo sido ator, assistente e montador antes de estrear na direção em 1951, com CRY DANGER, um noir com Dick Powell. Teve uma carreira sólida, mas nunca foi considerado entre os grandes diretores de sua época, embora fosse bastante elogiado pelos franceses. Além deste episódio, Parrish realizou mais duas entradas em ALÉM DA IMAGINAÇÃO: A STOP AT WILLOUGHBY (1960) e THE MIGHTY CASEY (1960), ambos da primeira temporada.

ONE FOR THE ANGELS é bastante simpático e levanta questões interessante que nos faz refletir sobre o tempo e a morte, mas sem soar chato ou pesado. Não deixa de ser melancólico, como é a vida às vezes, mas sem deixar o bom humor de lado.

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AMERICAN POLTERGEIST: POSSUÍDOS (Encounter, 2016)

Mais uma contribuição da minha parte no blog Vá e Veja, escrevi sobre este pequeno filme de horror independente, AMERICAN POLTERGEIST: POSSUÍDOS, que foi lançado no Brasil pela A2 Filmes, através do selo Flashstar. O filme está disponível em DVD para aluguel ou compra, assim como em serviços ‘on demand’ como o Looke e o NOW. O longa é recomendado para quem curte filmes de assombração com uma pitada de sci-fi.

Clique aqui para ler os meus comentários sobre
AMERICAN POLTERGEIST: POSSUÍDOS no blog Vá e Veja.

American Poltergeist - Possuídos

ALÉM DA IMAGINAÇÃO 1.1 (The Twilight Zone, 1959)

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Os mais saudosistas vão curtir essa. ALÉM DA IMAGINAÇÃO é uma das séries mais cultuadas da televisão americana e uma das minhas favoritas de todos os tempos e não é de agora que eu tenho planos de escrever sobre essa belezinha aqui no blog, episódio por episódio. Mas sempre acabo adiando… Como finalmente animei rever tudo de novo, vou tentar não perder a chance novamente.

Antes de entrar no primeiro episódio, acho que vale a pena uma ligeira introdução para quem não viu ou nem conhece a série entender a importância da coisa. Criada pelo escritor e roteirista Rod Serling, ALÉM DA IMAGINAÇÃO encantou os ávidos fãs de sci-fi, horror e fantasia durante cinco temporadas, entre 1959 e 1964, em dramas e situações que lidam com o sobrenatural, com a psicologia, com conceitos kafkanianos, resultando em episódios que vão do incomum e insólito até o aterrorizante e perturbador. Devido a grande variedade de temas e abordagens da série, não poderia ser diferente: acabou por ser uma das mais influentes fontes de inspiração de praticamente tudo relacionado a ficção científica no cinema, televisão, literatura e games pós-anos 60.

A série também é notável pela presença de alguns atores gabaritados do período (Dana Andrews, Art Carney, Buster Keaton, Burgess Meredith, etc…) e por apresentar algumas figuras mais jovens em início de carreira e que se tornariam famosos mais tarde, como Charles Bronson, Robert Duvall, Peter Falk, Dennis Hopper, Leonard Nimoy, Robert Redford, e tantos outros… Vale destacar também alguns diretores e roteiristas que contribuíram com seu talento em alguns episódios, como Don Siegel, Richard C. Sarafian, Ida Lupino, Jacques Tourneur, Christian Nyby, Richard Donner, Buzz Kulik, Richard Matherson, Ray Bradbury, Reginald Rose, etc.

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Enfim, hoje assisti ao primeiríssimo episódio da primeiríssima temporada, que se chama WHERE IS EVERYBODY?.  Já dá pra ter uma boa noção do que esperar da série só pela trama deste aqui. Um sujeito, vivido por Earl Holliman, chega a uma pequena cidade, sem saber quem é, de onde veio e como chegou ali, e encontra o local desprovido de qualquer pessoa. A cidade inteira está deserta. O moço passa então a vagar de um lado a outro, de estabelecimento a outro, sempre proferindo um monólogo constante, vivendo situações solitárias. Quase fica preso em uma cabine telefônica, toma sorvete, ouve música, vai ao cinema e sempre encontra evidências de que pessoas estiveram ali recentemente: um charuto aceso num cinzeiro, uma cafeteira assobiando… Mas não encontra uma alma viva.

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Escrito pelo próprio Rod Serling, já é possível identificar por aqui um dos principais temas da primeira temporada de ALÉM DA IMAGINAÇÃO: os efeitos da solidão humana. Desse modo, WHERE IS EVERYBODY? é um episódio que depende muito do desempenho de seu ator principal. E Earl Holliman consegue ser convincente e eficaz como o amnésico perdido nessa situação totalmente insólita. Seu papel não é tão fácil, considerando que seu personagem praticamente não contracena com ninguém e, mesmo assim, consegue manter a atenção de forma expressiva, falando em voz alta – uma maneira de fornecer alguma satisfação ao público.

Outras grandes atuações deste ator praticamente desconhecido hoje pelo público podem ser conferidas em filme como PLANETA PROIBIDO, ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE e LÁGRIMAS DO CÉU (56), pelo qual ganhou o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante.

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WHERE IS EVERYBODY? também deve muito ao diretor Robert Stevens, cujos movimentos de câmera e enquadramentos ousados em alguns momentos dão energia a uma história que poderia resultar num tédio. Há algumas sacadas visuais geniais aqui, uma delas é quando Holliman desce correndo pelas escadas no cinema e se choca contra um espelho estraçalhando-o, causando um efeito bem interessante.

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Stevens fez sua carreira mais voltada para a televisão, realizando um grande número dos mais variados seriados. Apesar de ter dirigido este episódio de estreia, o sujeito só viria a dirigir mais um capítulo de ALÉM DA IMAGINAÇÃO, chamado WALKING DISTANCE, ainda na primeira temporada. Hoje, ele seria mais lembrado por seu prolífico trabalho na série HITCHCOCK PRESENTS e THE ALFRED HITCHCOCK HOUR, onde dirigiu quase cinquenta episódios entre os dois programas de TV.

WHERE IS EVERYBODY? é um ótimo começo para ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Não chega nem perto de ser o melhor episódio, ainda vamos chegar lá, mas até hoje continua divertido e mantém com segurança o peso da responsabilidade por começar um dos programas de TV mais celebrados e, por isso, tem a sua importância distinta para a série.

SCHLOCK (1973)

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Meu “diretor favorito do fim de semana” foi o John Landis (UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES), que peguei pra passar a régua em alguns dos seus trabalhos que eu ainda não tinha visto, como ANIMAL HOUSE, KENTUKY FRIED MOVIE e este SCHLOCK, que é o seu primeiro filme como diretor. Uma comédia deliciosa que presta homenagem aos filmes B dos anos 50 e 60, cheio de clichês de filmes de monstro.

A trama é simples e direta. Uma espécie de “pé-grande” chamado Schlock, que ficou congelado por 20 milhões de anos, acorda de seu longo sono e toca o terror em uma pequena cidade no sul da Califórnia, deixando um rastro de corpos, comendo muitas bananas e criando o caos em qualquer lugar que se mete. Em meio às investigações policiais e reportagens sensacionalistas da mídia local, o monstro encontra uma garota temporariamente cega e se apaixona, mas infelizmente ela acha que Schlock é apenas um cachorro. Depois que seus olhos melhoram, ela vê a criatura peluda à sua frente e grita desesperada, machucando o coração do pobre macaco pré-histórico…

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O plot é basicamente isso. O resto do filme se constrói em como os indivíduos da cidade reagem a Schlock, numa série de situações engraçadas e absurdas. O que não quer dizer que teremos 78 minutos de pessoas correndo e gritando ao ver a criatura sedenta de sangue. O que torna este filme tão único é que é totalmente imprevisível. Não temos a menor ideia de como Schlock ou alguém da cidade reagirá um ao outro nos mais diversos tipos de ambientes, locais e interação. Uma mais ridícula que a outra…

Há uma cena em que as pessoas estão assistindo a polícia e cientistas investigarem a cena de um crime na entrada de uma caverna e Schlock espreita por trás da multidão. Uma senhora acaba percebendo e em vez de fugir, diz: “Por que você não corta esse cabelo? Por que não arruma um emprego?“. O chefe da polícia vê Schlock, mas não parece assustado e tenta algemá-lo enquanto lê seus direitos. Assim, na maior naturalidade… Umas ceninhas bestas, mas que fazem uma sutil alegoria ao estado de espírito americano do período, a reação da sociedade com o outsider, com as pessoas que não se encaixam no padrão “certinho” que as instituiçõs idealizam… É por isso que no fim das contas acabamos por nos simpatizar por Schlock, essa criatura desajustada com suas atitudes rebeldes diante dos chatos e hipócritas que erguem os bastiões da moral, bons costumes e do politicamente correto… Felizmente, nosso grande Schlock quebra as algemas com facilidade e continua tocando o terror.

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Na sua jornada, Schlock varia desde atitudes violentas para o extremamente amigável. Em um minuto ele arranca o braço de um repórter sensacionalista e no instante seguinte vai tomar sorvete com algumas crianças. Num outro momento, ele destroça o carro de um sujeito, e é hilário porque ele fica sentado no seu assento e não faz nada. Mas a minha parte favorita de SCHLOCK é quando o monstro vai ao cinema! Pra começar, ele senta ao lado do grande Forrest J. Ackerman, de quem rouba a pipoca, e os filmes que assiste são deliciosos B movies antigos – como THE BLOB, com o Steve McQueen – e um monte de coisa acontece para atrapalhar a sessão do macaco… E eu só posso dizer que vi essa cena com um largo sorriso no rosto.

Vale destacar o visual de de Schlock, um dos primeiros trabalhos do maquiador Rick baker, apesar do baixo orçamento, e a performance da criatura, ou o ator dentro da “fantasia de macaco”. Um belo trabalho inusitado e espontâneo de expressão corporal e que, curiosamente, é o próprio John Landis quem o faz.

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Há muitos outros detalhes que Landis joga pra dentro, há muitas referências a outros filmes, alguns bem conhecidos, como uma genial paródia da famosa cena de esmagamento de ossos de 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO, de Stanley Kubrick, e, obviamente, o clímax do clássico KING KONG original. No geral, SCHLOCK é uma bobagem divertida, uma produção capenga de apenas 60 mil dólares que se destaca devido à sua estranheza, às referências apaixonadas de seu diretor e a uma espécie de humor cretino que raramente é visto hoje em dia.