A MANCHA DE UM PASSADO (Going Home, 1971)

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Ah, o bom e velho cinema americano dos anos 70… Cada dia é uma nova descoberta. Hoje assisti A MANCHA DE UM PASSADO. Não fez muito sucesso na época do lançamento e hoje é praticamente esquecido entre os vários filmes americanos que marcaram esse período conhecido como “Nova Hollywood”. Eu mesmo não fazia a menor ideia da existência. Só acabei vendo porque ando numa onda de ver uns filmes do Robert Mitchum ❤ . E que agradável surpresa! Filme de drama forte, sombrio, com alguns momentos realmente densos sobre uma família que sofre os impactos de uma tragédia ocorrida mais de uma década atrás.

Mitchum interpreta um sujeito que numa noite qualquer enche a cara de cachaça, fica bebaço e mata sua esposa brutalmente cortando-lhe uma artéria do pescoço com a ponta de uma garrafa quebrada. A mulher ainda cambaleia sob o olhar do filho pequeno do casal e acaba perdendo a vida diante do menino. Treze anos mais tarde, Mitchum obtém liberdade condicional, vai morar num acampamento de trailers e se apaixona por uma moça (Brenda Vaccaro). E tem de lidar com a presença de seu filho (Jan-Michael Vincent), agora com dezoito anos.

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E é do ponto de vita do moleque que acompanhamos A MANCHA DE UM PASSADO. No entanto, o filme se constrói mesmo em torno de Mitchum, que é gênio, engole as atenções. Um filme que parece tão disposto a confiar num ator, como se fosse um jogo de atração e ao mesmo tempo repulsa entre a incógnita personagem de Mitchum e o espectador.

Na cena inicial, a deste frame aí embaixo, o sujeito surge apenas com as cuecas e a garrafa quebrada com o corpo da mulher aos seus pés, uma dessas imagens que mostram o monumento que era Mitchum. Mas também o apresenta como um assassino psicótico de filme de terror. Depois, quando o filho reaparece para ele pela primeira vez, após de treze anos, e diz “Oi, pai“, chega a ser tocante ver a reação daquele monstro assassino embargar e adentrar seu trailer sem dizer uma palavra sequer, totalmente arrasado…

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Mas não pensem que tomamos simpatia pelo rapaz. O mundo é sórdido em A MANCHA DE UM PASSADO, há mais nobreza num velho bêbado assassino na condicional do que num rapaz inocente que tenta perdoar o pai pelos pecados do passado. E o filme aproveita-se disso para nos pregar umas peças. talvez seja por isso que várias críticas que li são negativas e reclamam da dificuldade de se identificar com os personagens… Mas é exatamente um dos principais motivos que me fez gostar do filme.

A direção é de Herbert B. Leonard, cuja carreira é mais ligada à produção para a televisão. Tem pouquíssimos longas como diretor. Aqui faz um bom trabalho, ousado na condução dos atores, com sequências pesadas, como a cena do galinheiro com os galos de briga, ou no climax, o provável último encontro dramático entre pai e filho. Tão singelo e brutal ao mesmo tempo.

Vale a pena conhecer A MANCHA DE UM PASSADO. Vale, acima de tudo, pela estupenda atuação de Mitchum.

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Um pensamento sobre “A MANCHA DE UM PASSADO (Going Home, 1971)

  1. Foi esse filme que segundo as lendas de Hollywood que Jan Michael Vincent conheceu o vicio do alcool atraves do Robert Mitchum ( que alias! é um monstro com ator e ao qual eu sou fã de seu trabalho ) e continua ate hoje nesse vicio ,inclusive aparecia em cenas do seus filmes completamente bebado ,vai gostar de mé assim lá no inferno ,beber é bom mas não vamos exagerar ..Hollywood e suas estorias regradas á alcool,drogas e sexo.

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