BONNIE & CLYDE (1967)

A presepada na entrega do prêmio de melhor filme ontem, no Oscar, foi simplesmente linda! E a melhor maneira que encontrei para homenagear o casal que nos brindou com esses momentos de puro constrangimento, desorganização e magia foi republicar esse textinho de BONNIE & CLYDE direto do blog antigo.

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Dizem que o ator (e produtor do filme) Warren Beatty precisou implorar de joelhos perante a cúpula da Warner para levar às telas de cinema a vida de Bonnie e Clyde, o famoso casal que roubava bancos na época da depressão americana. Cabeças duras, como sempre, os executivos não tinham ideia de que BONNIE & CLYDE (no Brasil, UMA RAJADA DE BALAS) iria se tornar uma das obras mais influentes do cinema americano e mudaria totalmente a maneira de tratar a violência no cinema mainstream de Hollywood.

Hollywood, claro! Porque violência, sangue e gore já existia há muito tempo no cinema americano (Herschell Gordon Lewis que o diga). Mas seria injusto desmerecer a maneira como a violência é abordada aqui. Tomemos por exemplo um dos primeiros assaltos, quando Michael J. Pollard estaciona o que deveria ser o carro de fuga. A situação vira uma cena cômica até que PIMBA! Soa um tiro na cabeça de um funcionário do banco, muito sangue é espalhado na tela e acaba a palhaçada!

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Não é preciso nem tocar no assunto do desfecho de BONNIE & CLYDE também, não é? Aquele brutal, sangrento, perturbador, chocante! Sam Peckinpah deve ter ficado com água na boca imaginando o que poderia fazer com seus próximos filmes, não é a toa que tivemos pouco tempo depois um WILD BUNCH e o cabra ficou conhecido como “poeta da violência”.

Também há a influencia da Nouvelle Vague francesa. As primeiras imagens que mostram Faye Dunaway nua em seu quarto parecem saídas de um filme do Truffaut. Por falar no realizador francês, a direção de BONNIE & CLYDE quase parou em suas mãos antes de ir para o excelente e subestimado Arthur Penn, que realizou por aqui um belíssimo trabalho. Simples, mas moderno, um novo frescor para um estilo de trabalho estético e de câmera que não era muito comum no período no cinema americano. O cara já havia demonstrado traços experimentais em filmes anteriores, especialmente MICKEY ONE, também com o Beatty, que é um autêntico filme de vanguarda.

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Além de Dunaway (que esté maravilhosamente linda), Beatty e Pollard, o filme conta com a presença de Gene Hackman e Estelle Parsons. Todos indicados ao Oscar, mas apenas esta última levou a estatueta pra casa, e merecida, embora todo o elenco esteja ótimo. Temos até uma pequena participação do Gene Wilder. A fotografia também merece destaque, há uma cena em que uma nuvem passa por cima dos atores tapando o sol que é uma coisa absurda de linda…

Assistir a BONNIE & CLYDE é recompensador, principalmente quando é a primeira vez, como foi o meu caso. Retirou um peso da minha consciência cinéfila…

Escrito originalmente em novembro de 2009.

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3 pensamentos sobre “BONNIE & CLYDE (1967)

  1. Classico ! pena que aconteceu esse grande gafe dentre os protagonistas desse filme no Oscar ,mas fazer o que merda acontece ! Eu assisti esse filme em sua primeira exibição na TV Aberta na Rede Globo em 04/03/1984 no Domingo as 22;20 no ” Cinema Especial “,ele foi exibido por que á poderosa Venus Platinada perdeu os direitos de exibição das transmissoes dos Desfiles da Escola de Samba do R.J para á Rede Manchete , as escolas de samba iriam desfiliar pela á primeira vez no recem inaugurado Sambodromo da Marques de Sapucai , á Rede Manchete transmitiu com Som Estereo,alias ! na epoca ela era unica emissora com esse recurso… Boa resenha desse filme classico dos anos 60,com direção impecavel bom roteiro e ótimos atores ,são filmes assim e que da gosto de assistir novamente,pena que o DVD dele lançado no no nosso país no saiu com á Dublagem Classica .

  2. Filmaço! Do Arthur Penn também gosto e muito do THE MISSOURI BREAKS (1976) e do NIGHT MOVES (1975). Ambos grandes e violentos filmes!

    “Hollywood, claro! Porque violência, sangue e gore já existia há muito tempo no cinema americano.”.

    Pode citar alguns exemplos?

    Pois para os gêneros crime/faroeste, sempre achei que o BONNIE AND CLYDE tivesse sido o primeiro filme americano a utilizar uma quantidade mais generosa de sangue falso.
    OBS: Eu ia citar o Bullit, mas depois vi que foi lançado em 1968, um ano depois portanto.

    Abraço!

    • Nos gêneros mainstream realmente não vai ser fácil citar qualquer título, mas se buscar por diretores undergrounds do início da década de 60, fica mais tranquilo. Procure, por exemplo, os filmes do Herschell Gordon Lewis e seja feliz. 🙂

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