SETTE WINCHESTER PER UN MASSACRO, aka PAYMENT IN BLOOD (1967)

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A princípio, uma das coisas mais legais em percorrer a carreira do diretor italiano Enzo G. Castellari é descobrir e escrever sobre alguns Spaghetti’s que eu demoraria décadas para conferir. Eu nunca tinha ouvido falar de SETTE WINCHESTER PER UN MASSACRO, um bom exemplar que, diferente de POCHI DOLLARI PER DJANGO, que comentei aqui outro dia, trata-se da oficial estreia do Castellari como diretor, assinando com um pseudônimo americanizado, E. G. Rowland.

O filme é sobre um ex-coronel sulista, Thomas Blake (Guy Madison), que não aceita a derrota na guerra de secessão e reúne um grupo de peculiares bandidos para tocar o terror pelos territórios por onde passa. Até que um dia, um misterioso pistoleiro, Stuart (Edd Byrnes) se junta ao bando e propõe a todos a ir recuperar um tesouro de duzentos mil dólares enterrado num cemitério indígena.

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O tema caça ao tesouro seria abordado por Castellari em alguns de seus filmes seguintes, como VOU, MATO E VOLTO e VOU, VEJO E DISPARO, formando uma espécie de trilogia… Refletindo aqui um bocado, acho que é provável que este aqui seja o melhor deles. É um filme bem cuidado e que me fisgou logo de cara, nos créditos iniciais, com aquelas telas com uma cor predominante, mesmo estilo de TRÊS HOMENS EM CONFLITO e outros Spaghettis, com imagens da guerra civil americana e a trilha sonora composta por Francesco De Masi. Depois disso há um prólogo inspirado, violento e cheio de ação (algumas cenas reaproveitas de POCHI DOLLARI PER DJANGO) que apresentam os personagens do bando, cada um com suas habilidades especiais, como o uso da faca, chicote, um deles dá uma voadora e corta a garganta de um sujeito com as esporas!!!

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SETTE WINCHESTER já demonstra também um Castellari mais à vontade na direção, experimentando na montagem e em alguns enquadramentos interessantes, como a cena em que o coronel Blake aparece pela primeira vez em seu esconderijo em território mexicano, mostrado em super closes de partes da face, como a boca ou os olhos, antes de mostrar seu rosto. Na sequência da ação no final, no cemitério indígena, Castellari faz um belo jogo de sombras e incrementa com elementos de horror. Como Peckinpah ainda não havia mostrado ao mundo o que se pode fazer com tiroteios filmados poeticamente em câmera lenta, Castellari ainda filmava ação de modo convencional, o que não quer dizer que seja ruim. A cena do massacre de xerifes é um belíssimo exemplo disso.

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Mas o filme sofre um pouco com o ritmo, tem alguns momentos de marasmo e alguns personagens são bem desinteressantes. Outro problema é que não consigo ver o ator Edd Byrnes na pele de herói de Spaghetti Western, como é o caso aqui… embora grande parte do elenco esteja ótimo, especialmente Guy Madison. Apesar disso, ainda acho obrigatório para os fãs do gênero e do diretor.

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FAREWELL TERMINATOR (1987)

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FAREWELL TERMINATOR é o primeiro filme de Isaac Florentine, realizado ainda em seu país natal, Israel, uma mistura de ficção científica pós-apocalíptica com ação e artes marciais, e que não chega a 30 minutos de duração.

O clima lembra os filmes do gênero daquele período, os rip-off de MAD MAX, principalmente os produzidos pelos italianos e também as tralhas do Cirio H. Santiago e gente dessa laia, mas já demonstra um modesto talento e estilo próprio de Florentine em coduzir cenas de ação e pancadaria. Além da capacidade de trabalhar com pouquíssimo recurso, mas muita criatividade, utilizando como cenário uns entulhos de concreto e sujeira, ruinas de prédios e carros batidos para compor uma atmosfera que funciona muito bem.

A história não é nada de mais. Mas não era intenção do Florentine, que escreveu o roteiro junto com Yehuda Bar-Shalom, gastar fosfato em um roteiro mais elaborado que serviria apenas de veículo para que o próprio Florentine explorasse seus interesses intelectuais e filosóficos… como tiros e pontapés na cara, por exemplo.

Ainda assim, a trama não deixa de ser interessante: no futuro, o governo utiliza uma espécie de polícia especial, conhecida como Terminators, para eliminar os rebeldes. Acompanhamos Dror, um policial que está prestes a se aposentar e ganhar passe livre para sair do país. Em seu último dia de trabalho, precisa enfrentar Schneider (o próprio Florentine), um ex Terminator que trocou de lado. Ainda na trama, Dror descobre que está com sua cabeça a prêmio e que a polícia está por trás disso. É uma boa premissa… com menos de meia hora de duração então, dá pra se divertir um bocado.

E o foco fica mesmo na ação e nas cenas de luta. Não são perfeitas, tão bem montadas e coreografadas como os filmes posteriores do diretor, como NINJA e UNDISPUTED III. No entanto, percebe-se claramente porque o cara conseguiu emprego rapidinho em solo americano, a princípio fazendo alguns B Movies e episódios de Power Ranges (Argh!)… depois voltou a se dedicar a fazer B Movies, mas com um pouco mais de grana, com atores conhecidos, como Van Damme, Dolph Lundgren, Gary Daniels e seu ator habitual, Scott Adkins.

FAREWELL TERMINATOR não é tão fácil de encontrar, eu suponho, mas se você tiver a oportunidade, não perca. Vale muito como curiosidade para quem já é fã de filmes de ação de baixo orçamento, especialmente do trabalho do Isaac Florentine, e também para os fanáticos por obras obscuras de ficção pós-apocalíptica dos anos 80.

POCHI DOLLARI PER DJANGO (1966)

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Apesar de não receber o crédito de diretor, este Spaghetti Western é a estréia não-oficial de Enzo G. Castellari na direção. Há um trecho na biografia do Anthony Steffen, em que o próprio ator diz que o argentino Leon Klimovsky (famoso pelos filmes de terror com Paul Naschy) não filmou uma cena sequer, apesar de ser o seu nome que estampa o crédito, e acabou parando nas mãos de Castellari o serviço, que se não o fez com excelência, ao menos demonstrou que tinha talento para a coisa. O filme não é dos melhores do gênero, e acho que nem tinha essa pretensão, mas é um exemplar divertido, sem o “glamour” dos filmes do Leone, Corbucci, Sollima, Damiani, Lizzani, Questi e etc…

Um detalhe que vale lembrar é que esses italianos eram todos picaretas. Mudavam títulos, redublavam cenas, faziam o que fosse possível para promover seus filmes. Naquela época, DJANGO, de Sergio Corbucci, foi um dos grandes sucessos do gênero e o que surgiu de produção explorando a popularidade do personagem não é brincadeira! POCHI DOLLARI PER DJANGO é um bom exemplo disso, já que não há personagem algum com o nome que aparece no título.

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O ítalo-brasileiro Anthony Steffen, na verdade, se chama Regan, um caçador de recompensas que vai até Montana em busca de dois foras da lei, mas no meio do caminho encontra o corpo do sujeito que iria ocupar o posto de xerife da cidade e resolve assumir a identidade do homem para ganhar uma moral entre a população e facilitar as buscas pelos bandidos.

O problema é que Regan acaba envolvido numa complexa situação, que envolve uma guerra entre um poderoso barão do gado com os pequenos agricultores da região. Isso o leva a Jim Norton (Frank Wolff), um ex-bandido que assumiu a identidade de seu irmão gêmeo, Trevor, 1ue liderava o bando cujos dois bandidos com as cabeças à prêmio faziam parte, mas agora vive tranquilo ao lado de sua sobrinha (que na verdade, é a filha).

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O roteiro, apesar de um pouco confuso pela minha descrição, consegue ser simples ao trabalhar com o lance das trocas de identidade. As poucas sequências de tiroteios não são as melhores do mundo e a trilha sonora, elemento de extrema importância aqui, está mais para os clássicos westerns americanos do que para as marcantes melodias do spaghetti.

Mas acompanhar a trama e os desdobramentos de POCHI DOLLARI PER DJANGO se torna algo prazeroso, especialmente com o Anthony Steffen em cena e o sempre excelente Frank Wolff, um dos grandes atores do cinema popular italiano. Percebe-se também claramente o baixo orçamento da produção, o que pode ter influenciado no acabamento mais discreto. No fim das contas, não chega a ter as peculiaridades de seu (verdadeiro) diretor, Enzo G. Castellari, mas não deixa de ser um westen bem decente

THE PUNISHER (1989)

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Ano passado tivemos uma memorável participação do personagem Justiceiro na segunda temporada da série do Demolidor, da Marvel. Interpretado por Jon Bernthal, a presença de uma das minhas figuras favoritas dos quadrinhos deu uma elevada no seriado e trouxe alguns dos momentos mais brutais que assisti em 2016, como a sequência da pancadaria na prisão e muita morte à sangue frio, pra deixar o Matt Murdock de cabelo em pé.

Foi um retorno digno do personagem, bem melhor que os anteriores e recentes, THE PUNISHER (2004) e PUNISHER: WAR ZONE (2008). No entanto, a adaptação do personagem em live action que mais me encanta e que este do seriado não chega aos pés, é o clássico épico THE PUNISHER, de 1989. Dirigido por Mark Goldblatt e estrelado pelo único e inigualável Dolph Lundgren, essa é a versão que permanece a mais truculenta, trágica e fiel sobre Frank Castle. E eu realmente AMO essa merda…

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Um detalhe sobre essa adaptação que me agrada é o fato de não haver uma preocupação com as origens do Justiceiro. Quero dizer, a trama não é sobre os acontecimentos que fizeram Frank Castle se tornar o sádico e violento vigilante como acontece em 99% das adaptações de quadrinhos para o cinema.

THE PUNISHER se passa cinco anos depois do trágico destino que levou a família do ex-policial, com o Justiceiro já em atividade, sedento por vingança, eliminando a escória humana que assola a cidade e deixando um rastro de mais de 125 corpos ao longo dos anos, especialmente membros da máfia italiana, que são os responsáveis pela morte de seus familiares. Há uma cena em que o Justiceiro aparece nu, em meditação no seu esconderijo, nos subterrâneos da cidade, relembrando a morte de seus entes, mostrado apenas num rápido flashback. O suficiente pra não encher muito o saco com o passado do cara… Até porque o Justiceiro fica entediado muito rápido e não demora para sair novamente pelas ruas para matar o primeiro mafioso italiano que encontrar pela frente.

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O grande problema é que exterminar praticamente todo o crime organizado local deixou os pobres italianos mafiosos vulneráveis a uma invasão hostil da yakuza. Como tirar um pirulito de uma criança, os japoneses execultam um plano que consiste em sequestrar os filhos de cada chefe de família como insentivo para que entreguem todo o império da máfia italiana de mão beijada. Isso inclui o filho de um dos gangsters mais poderosos do pedaço, Gianni Franco (Jeroen Krabbe, excelente!), que negocia uma trégua com o Justiceiro o tempo suficiente para resgatar seu filho e se possível eliminar vários “olhinhos puxados” vestidos de quimono.

A trama ainda tem espaço para um subplot com Louis Gossett Jr. vivendo um detetive que conhecia Castle antes de toda a tragédia de cinco anos atrás. E agora o caça incansavelmente. Algumas das melhores sequências de THE PUNISHER são os dois contracenando. Porra, vamos ser sinceros, algumas das melhores cenas de qualquer filme adaptado de quadrinhos são com Gossett e Dolph em cena. Eu desafio a qualquer um a me mostrar numa adaptação de HQ recente uma cena tão poderosa como esta:

Como você chama 125 cadáveres em 5 anos?
Um trabalho em andamento.

Simplesmente do CARALHO!

A escolha de Dolph como Castle/Justiceiro é uma das grandes sacadas do filme. Por mais que no período tivéssesmo vários atores casca-grossas, não consigo pensar em ninguém no lugar do sueco… Porra, Dolph Lundgren tem o look, conseguiu imprimir uma intensidade lacônica para o papel, que sem dúvida alguma é o melhor desempenho de sua carreira. Seu justiceiro até pode pertencer ao mesmo universo de um Capitão América e de um Homem-Aranha, mas ele é humano. Quebra pescoços, dá tiros, facadas, socos, chutes, mas chega a um ponto que o cara fica exausto e Dolph realmente representa alguém que consegue lidar com uma horda de ninjas de forma brutal, mas no fim das contas é apenas um homem cansado, precisando de uma boa noite de sono.

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Na época do lançamento, a New World Pictures, que produziu THE PUNISHER, tava bem mal das pernas e o filme acabou indo parar no mercado de vídeo bem antes do planejado… Aqui no Brasil mesmo, se não estou enganado, nem chegou a passar nos cinemas. O orçamento também não é lá grandes coisas, algo em torno de dez milhões de dólares, o que é uma pena pela grandeza do projeto e do roteiro casca-grossa que conseguiram aqui… Mas até que isso não é necessariamente uma coisa ruim quando temos um diretor do calibre de Mark Goldblatt no comando. O sujeito já possuia na época vasta experiência como montador e editou dezenas de filmes de ação porretas, como RAMBO II (85), O EXTERMINADOR DO FUTURO (84) e COMANDO PARA MATAR (85).

Goldblatt tirou leite de pedra com THE PUNISHER, mas o resultado das sequências de ação é fantástico. Se por um lado um orçamento maior fizesse a coisa toda ser um espetáculo visual deflagrador, o baixo orçamento fez com que o cara tivesse que usar a criatividade, filmar ação sem frescuras, crua, com boa contagem de corpos e doses cavalares de violência. Dá pra perceber que Goldblath edita o filme na câmera, filmando o essencial, com poucos movimentos, mas com equadramentos precisos, bom uso dos cenários e grandes sacadas estéticas. A sequência final na base yakuza, por exemplo, deveria servir de base para qualquer cineasta que se interessa por sequências de ação, tanto pela energia, ritmo, gramática da ação quanto pela beleza estética e uso das cores…

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Aliás, essa sequência final é simplesmente épica em todos os sentidos! Castle e Franco invadem o quartel general da Yakuza enchendo samurais e ninjas de chumbo grosso sem piedade alguma. Castle ainda tem que enfrentar no combate corporal alguns capangas e salvar Franco de estourar os próprio miolos na iminência de ter o filho assassinado. Depois, quando tudo parece terminado e Castle já não aguenta nem “uma gata pelo rabo” de tão exausto, o próprio Franco tenta matá-lo como vingança dos 125 corpos ao longo dos anos. Por fim, temos a clássica cena do menino botando o revolver na cabeça de um estafado Justiceiro, que é de lascar. E Castle ainda desafia o moleque a puxar o gatilho! Como um filme desse não é reconhecido como uma obra-prima dos cinema de ação oitentista?!

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Há ainda algumas outras tantas cenas que eu destacaria. O tiroteio nas docas, com os Yakuzas exterminando os italianos e o Justiceiro chegando no local para acabar com a festa dos japas… Temos Dolph Lundgren zanzando de motocicleta dentro dos túneis do esgoto, a cena do cassino, o tiroteio eletrizante no parque de diversões abandonado, a cena em que Castle é torturado pelos Yakuza… Será que só eu consigo enxergar a grandeza e a beleza desse filme?

Bem, não é muito difícil entender a falta de aceitação dos fãs com essa adaptação. Especialmente os mais xiitas que encrencam até com a camisa sem caveira do Justiceiro. Tá certo que é um ícone, o emblema do cara, a mesma coisa que levar o Batman para às telas sem o morcego no uniforme, mas não é pra tanto. O grande lance é que THE PUNISHER não possui um clima de história em quadrinhos, aquele estilo que flui com a leveza da maioria dos filmes da Marvel, especialmente os de hoje.

Mas acho que o filme realmente capta a essência do personagem e coloca na tela com o tom que deveria ter. É uma porrada violenta! THE PUNISHER possui uma carga pesadíssima de desgraça e melancolia que se mistura entre as cenas de ação. A persona que Dolph cria para Castle é deplorável e depressiva, dá até pena do cara… E isso tem tudo a ver com o Castle dos quadrinhos. Revisto hoje, só consigo pensar na atual geração das adaptações de super-heróis para o cinema, uma das vertentes mais em voga do cinema hollywoodiano atual, e que até possui alguns exemplares bacanas, como GUERRA CIVIL, HOMEM DE FERRO 3 e DR. ESTRANHO, mas é tudo tão limpinho e bonitinho, cheio de efeitos especiais, não chegam nem perto de ter o clima amargo e pesado de THE PUNISHER, ou personagens realmente trágicos como o Frank Castle de Dolph, ou sequências de ação cruas e violentíssimas… Enfim, só consigo pensar que realmente se trata da minha adaptação de HQ de super-heróis favorita de todos os tempos. Lidem com isso.

McBAIN (1991)

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O título McBAIN, é óbvio, instantaneamente me faz lembrar do personagem McBain d’Os Simpsons, que aparece no desenho tentando derrubar um chefe das drogas, um latino chamado Mendoza. “MEEEENNNNDDDOOOOOZZAA !!!”. Tinha esperança que Christopher Walken pudesse fazer algo parecido… Aqui ele é apenas um mercenário que aniquila um ditador colombiano e seu exército e ainda sobra tempo pra derrubar um jato com um tiro de pistola…

O filme começa quando a guerra no Vietnã já estava oficialmente encerrada. Santos (Chick Vennera) e seu fiel grupo de soldados de elite partem em retirada num helicóptero. Quando sobrevoam um campo de prisioneiros vietcong, percebem que o inimigo ainda não admitiu que a guerra acabou. Decidem descer no local, encher os facínoras de chumbo e resgatar os americanos que ainda se encontram presos. Um desses prisioneiros é McBain (Christopher Walken), que está em maus lençóis numa jaula de bambu servindo de entretenimento para seus sádicos captores… Em meio a uma leva generosa de tiros, explosões e arremesso de facas, McBain é resgatado e pergunta “- Como posso te retribuir?”. Santos rasga uma nota de cem dólares ao meio e diz que caso McBain veja a outra metade da nota novamente, vai saber que está sendo cobrada a dívida.

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Corta para dezoito anos mais tarde, na Colômbia. Santos, agora um guerrilheiro revolucionário, é assassinado à sangue frio por um ditador (Victor Argo) durante uma ação que tinha como objetivo destronar o famigerado déspota. Enquanto isso, nos Estados Unidos, McBain vive uma vida pacata trabalhando como soldador, longe de situações de risco. Está lá de boa tomando uma cerveja num bar, assistindo TV e se depara horrorizado com seu salvador, Santos, sendo executado ao vivo em rede nacional. Pouco tempo depois, Cristina, a irmã de Santos, aparece com a metade da nota de cem em busca de McBain.

O sujeito reúne, então, os remanescentes do grupo de soldados liderados por Santos, que agora mais velhos, fora de forma, aceitam entrar nessa missão suicida: Invadir a Colômbia, fazer uma revolução infernal no local, colocar abaixo o ditador e vingar a morte do antigo companheiro. O grupo conta com uma turma boa da velha guarda dos anos 80 e 90 como Michael Ironside e o grande Steve James… E tome sequências de ação exageradas bem ao estilo dos grandes filmes explosivos dos anos oitenta. Não existe tempo pra frescuras e a narrativa se resume a várias cenas de ação hiperbólicas, uma atrás da outra ou simultaneamente em alguns casos. Tudo em McBAIN serve de muleta para cenas de ação. E a contagem de corpos é altíssima, ultrapassa fácil a casa dos duzentos. Lógico que não sou doido de ficar contando, mas o imdb tem essa informação… De todo modo, tem mortes para todos os gostos, principalmente à base de chumbo, mas não faltam facadas e explosivos em vários formatos para aumentar o número. Não duvido que o Stallone tenha assistido isso aqui antes de filmar OS MERCENÁRIOS…

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A ação cartunista é bem divertida, mérito do diretor James Glickenhaus (do clássico cult exploitation EXTERMINATOR, de 1980) que realizou esta aula de pirotecnia e tiroteios desenfreados (grande parte filmada nas Filipinas)… Tá certo que o roteiro não se preocupa muito com alguns detalhes, situações plausíveis e profundidade dos personagens, mas quem é que vai ligar pra isso quando a contagem de corpos ultrapassa o número de 200? A coisa é totalmente exacerbada, inverossímil e nonsense ao extremo. E atinge os píncaros do absurdo na tal cena em que McBain derruba um jato inimigo com um único tiro de pistola disparado de outro avião em plenos ares!!!

Daqueles momentos inacreditáveis que só um filme desse pode oferecer… Mas acho que é daquelas ocasiões que vale a máxima “é ver para crer“. Mesmo assim vou explicar: Há dois aviões voando lado a lado, um deles é um caça da força aérea colombiana, estilo TOP GUN, e o outro é um pequeno avião sem qualquer tipo de armas, transportando apenas os protagonistas. O jato dá uma ordem de comando qualquer e Chris Walken simplesmente tira uma arma do coldre, uma pistola comum, absolutamente normal, e dispara de um avião a outro, acertando o piloto do caça… Tudo isto a uma altitude e velocidade ridículas e SEM PERFURAR OS VIDROS!!! É genial… Muito genial.

Vou fazer o seguinte, vou colocar o vídeo… Assista por sua conta e risco

 

Pronto, agora já sabem com o que estamos lidando aqui. E é aquela coisa, se você estiver na vibe de um filmeco recheado de cenas de ação sem-noção, McBAIN foi feito sob medida, ainda mais com a oportunidade de ver Christopher Walken pagando de casca-grossa, demonstrando que sabe ser badass. Agora, se você é daqueles que precisa de mais coerência e lógica em filmes de ação, pode se afastar. Fique bem longe de McBAIN.

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“MEEEENNNNDDDOOOOOZZAA !!!”

TOP 12 PAUL W.S. ANDERSON

A essa altura, obviamente, já terminei de ver todos os onze longas que o Paul W. S. Anderson realizou, como disse que ia fazer… Não sei se vou comentar todos, mas pelo menos os coloco em ordem de preferência e com estrelinhas (máximo cinco estrelas) indicando o quanto eu gosto de cada filme.

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12. THE SIGHT (2000) ★ ★ ★

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11. RESIDENT EVIL (2002) ★ ★ ★

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10. AVP: ALIEN VS. PREDATOR (2004) ★ ★ ★

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09. DEATH RACE (2008) ★ ★ ★

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08. SOLDIER (1998) ★ ★ ★

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07. MORTAL KOMBAT (1995) ★ ★ ★ ★

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06. THE THREE MUSKETEERS (2011) ★ ★ ★ ★

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05. POMPEII (2014) ★ ★ ★ ★

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04. RESIDENT EVIL: AFTERLIFE (2010) ★ ★ ★ ★

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03. SHOPPING (1994) ★ ★ ★ ★

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02. EVENT HORIZON (1997) ★ ★ ★ ★

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01. RESIDENT EVIL: RETRIBUTION (2012) ★ ★ ★ ★

Que venha agora o episódio final da série RESIDENT EVIL, que vai chegar agora no fim do mês. Já estou devidamente preparado para o que der e vier…

BORN AMERICAN (1986)

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Houve uma fase na carreira do diretor finlandês Renny Harlyn em que ele era apontado como uma das grandes promessas do cinema de ação. Hoje, no entanto, já deu para perceber que o sujeito não conseguiu atingir o potencial que era aguardado, mas chegou a realizar alguns bons filmes. Nada muito profundo, mas muito sólido e sempre divertido, demonstrando um bom olho para sequências de ação, como é caso de DURO DE MATAR 2 e RISCO TOTAL. Hoje quero falar um pouco do seu primeiro trabalho, BORN AMERICAN, um filmeco de ação oitentista com certas peculiaridades…

Produzido com dinheiro americano e finlandês, BORN AMERICAN é estrelado por um jovem chamado Mike Norris. Sim, trata-se do filho do homem, do mito, Chuck Norris, tentando seguir os passos do pai. Nunca achei o velho Chuck muito carismático, o fascínio pelos seus filmes e pela figura que criou como herói de ação vale justamente pela ausência de variação expressiva e falta de talento dramático. Seu filho segue pelo mesmo caminho por aqui e constrói uma figura que também não possui carisma algum. A diferença do rapaz em relação a seu pai é que seu persoangem é tão irritante que não dá para torcer por ele como herói. Aliás, os três personagens centrais são detestáveis e estúpidos… Aí complica.

São três amigos americanos que vão passar férias na Finlândia e resolvem atravessar a fronteira com a Rússia por mera diversão, se achando no direito de invadir território alheio, talvez uma alusão ao próprio Estados Unidos. Não demora muito são avistados pelo exército russo, perseguidos, capturados e trancados numa prisão de segurança máxima que faria uma penitenciária brasileira parecer um hotel cinco estrelas. A premissa é simplesmente excelente! Mas existem alguns detalhes que pegam pra cima de BORN AMERICAN.

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Uma delas, como eu disse, é a falta de identificação com os protagonistas. Outra é como o filme carece um bocado de ação. Chega num certo ponto que eu já estava com o dedo coçando para apertar o botão fast forward… Há, de qualquer forma, dois ótimos momentos bem movimentados. O primeiro num pequeno vilarejo russo, muito explosivo e com direito ao Norris Jr. Dando alguns chutes em russos malvados; o outro é na fuga da prisão no final, um tiroteiro frenético bem ao estilo dos anos 80. Há uma ideia GENIAL de um jogo de xadrez humano que ocorre dentro da prisão que é, infelizmente, ignorado. Aparece rapidamente numa cena, mas fico imaginando que poderia render bons momentos…

Mas há também um clima curioso que atravessa o filme, uma mistura de action movie americano dos anos 80 com a atmosfera pesada e o visual do cinema do leste europeu daquele período, estilo VÁ E VEJA, que é bem interessante, funciona muito bem. Em termos de ação, BORN AMERICAN não tem muito o que oferecer, mas no fim das contas é um exemplar um tanto singular que vale uma conferida, nem que seja para saber como o Harlin foi parar em Hollywood e entender porque o filho do Chuck não teve muito sucesso como herói de ação.

A VINGANÇA DO NINJA (Revenge of the Ninja, 1983)

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Seria complicado fazer A VINGANÇA DO NINJA começar de onde ENTER THE NINJA terminou, porque o personagem de Shô Kosugi, um mestre ninja “do mal”, foi decapitado por Franco Nero no confronto final. No entanto, como resolveram trazer o ator japonês de volta nesta “continuação” oficial do filme de Menahem Golan, o jeito foi fazer um filme totalmente independente. Ou seja, A VINGANÇA DO NINJA não tem qualquer ligação com o filme “anterior”.

Sendo assim, Kosugi é um bom sujeito por aqui. Seu personagem vive uma vida tranquila e pacata com o seu clã no Japão, numa bela casa, com grandes jardins, é um artista que trabalha com bonecas de porcelana japonesas, um bom marido, pai de família e… Enfim, é tudo tão tocante que um filme sobre a vida desse cara deveria ser dirigido por um Mizoguchi ou Yasujiro Ozu. Mas A VINGANÇA DO NINJA é realizado pelo Sam Firstenberg, e é mais uma produção da Cannon Films, portanto, podem esquecer uma provável beleza poética da coisa. O tal clã é logo atacado por um grupo de ninjas, estrelinhas na testa prá todo lado, a esposa do protagonista é assassinada (os únicos sobreviventes, na verdade, são o próprio Kosugi e o filho recém nascido) e temos aí a premissa montada para um belo filme de ação ninja. Até porque o personagem do Kosugi, além de tudo aquilo que eu disse ali em cima, não poderia deixar de ser também um mestre ninja!

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Para recomeçar a vida, um amigo americano convence Kosugi a levar seu filho para os EUA e abrir uma galeria para suas bonecas. Ok, eu não vou ficar fazendo piadinhas com o fato do protagonista produzir bonecas, seria muito óbvio. Prefiro acreditar que se trata de um elemento da teoria de que todo herói badass tem um lado sensível. Exemplos temos aos montes: Schwarza em COMANDO PARA MATAR (1985) alimentando um veadinho nos créditos de abertura; Steven Seagal salvando o cachorrinho em OUT FOR JUSTICE (1991); Van Damme com seu coelhinho de estimação em BORDER PATROL (2008)… qual é o problema do Kosugi ter uma coleção de bonecas, caralho?!?!

Bom, Kosugi aceita a proposta do amigo e vai para os EUA brincar de bonecas. Os anos se passam, o moleque cresce e tudo anda bem encaminhado na galeria de bonecas de Kosugi. Há até um esforço do filme em trabalhar o choque cultural nos personagens, como na cena em que a assistente do herói, uma loura americana, resolve praticar treinamento ninja sem calcinha, num dos momentos mais dramáticos do filme…

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Er… De todo modo, ainda há uma história que poderia ser dirigida por um Shohei Imamura ou Nagisa Oshima… mas, repito, o filme é do Firstenberg! Pra quem não se lembra, o Firstenberg talvez seja o maior especialista em filmes de ninja em solo americano, tendo dirigido o clássico AMERICAN NINJA, com o Michael Dudikoff… Portanto, para dar uma esquentada na trama, Kosugi descobre que o tal amigo americano utiliza a exportação das bonecas para traficar drogas no interior delas… Quem poderia imaginar?

As surpresas não acabam por aqui, porque depois que toda a ação começa pra valer, com a presença de vários ninjas para Kosugi chutar na cara, descobrimos que seu amigo americano também é um… mestre NINJA!!! Um ninja branco como no filme anterior, só que em papel invertido. Desta vez o ninja branco é o vilão.

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Em termos de ação, o nível de qualidade das cenas de luta em A VINGANÇA DO NINJA são muito boas, com longas sequências de pancadaria, muitos ninjas sendo abatidos e todo o tipo de armamento ninja sendo utilizado em vários tipos de cenários. O duelo final, que se passa no topo de um arranha céu, é um bom exemplo onde espaço é muito bem aproveitado para o tipo de ação que temos aqui.

Portanto, em vários aspectos A VINGANÇA  DO NINJA acaba por ser um exemplar de respeito dentro do subgênero feito nos Estados Unidos. Talvez até mais que o primeiro filme em termos de cultura ninjitsu e artes marciais. Mas ENTER THE NINJA tem Franco Nero, com aquela piscadela de olho no freeze frame final, é bem mais ingênuo e muito mais divertido na minha opinião. O que não tira os méritos deste aqui, é claro. Obrigatório para quem curte um bom filme de ninja.

MORTAL KOMBAT (1995)

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Depois de assistir a SHOPPING, filme de estreia de Paul W. S. Anderson que eu comentei aqui outro dia, coloquei como missão neste início de ano rever todos os filmes do diretor e, obviamente, conferir o que não assisti ainda. Tô cagando se o cara é mal visto em alguns círculos… Vou ver mesmo assim. Então me deparei já de cara com MORTAL KOMBAT, que é o segundo trabalho do sujeito. Nem me lembro da última vez que vi essa tralha, mas lá nos meus doze, treze anos, era um verdadeiro espetáculo! Não era assim um grande fã do jogo (preferia Street Fighter), mas dava os meus “Fatality” de vez em quando. Além disso, não perdia uma Sessão Kickboxer, na Band…Bons tempos… Como basicamente, no fim das contas, MORTAL KOMBAT não deixa de ser apenas um filme de luta, era o paraíso um garoto da minha idade deparar-se com uma obra desse quilate.

Mas estava ainda com receio de saber como seria assistir hoje… Na época do lançamento, me lembro do filme ser recebido por muitos como a grande adaptação de videogame para o cinema. Tá certo que a concorrência não era das melhores… o que é aquele filme do Super Mario? E não vou nem falar nada do STREET FIGHTER, com JCVD… O fato é que Paul W. S. Anderson e sua turma conseguiram realmente captar a essência do jogo e combinar com certa perspicácia dentro de uma linguagem de cinema tudo aquilo que um fã de MK poderia almejar. Scorpion dizendo: “Get over here!“, Sub Zero congelando pessoas, Shang Tsung dizendo “Flawless Victory!” e “Finish Him!“, Goro com seus quatro braços destroçando seus adversários, Johnny Cage deixando sua foto autografada após uma peleja, etc, etc, etc… Tá tudo aqui!

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Portanto, revê-lo agora depois de tantos anos apenas confirmou a grande adaptação que é. Não que o resultado seja a oitava maravilha do universo do cinema… Longe disso, continua sendo uma tralha. Mas em termos de adaptação o filme merece seus elogios por conseguir manter os traços característicos do jogo na narrativa.

Além disso, é bem divertido como filme de fantasia e artes marciais. Algumas lutas são realmente bacanas, bem coreografadas e Anderson tem excelente noção de como utilizar os cenários, os espaços, na interação com os combates e os poderes dos personagens. Toda a sequência do confronto entre Cage e Scorpion, por exemplo, é de um cuidado que impressiona, tanto na manipulação dos ambientes quanto na encenação física, na trocação de socos e pontapés entre os personagens. De uma riqueza visual notável! A coisa começa em uma floresta conspícua e totalmente simétrica, com Scorpion lançando sua famosa “corrente” sobre o pobre Johnny, que não tem defesa, exceto fugir e arranjar uma solução para contra-atacar. Depois os dois são transportados a uma espécie de porão infernal onde o pau come de verdade… É disparado a melhor sequência de MK. É legal que em alguns momentos Anderson tenta realmente recriar os enquadramentos do jogo, o que torna tudo tão familiar e fascinante, como no confronto entre Liu Kang e Sub-Zero.

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MORTAL KOMBAT possui boa produção, com efeitos especiais decentes para o período (a concepção do Goro é simplesmente incrível), exceto algumas cenas de CGI que já na época eram ridículas e acabaram ficando muito datadas. O elenco é muito bom, a maioria dos atores não são apenas competentes, como Robin Shou (Liu Kang) e Linden Ashby (Johnny Cage), mas também representações físicas bastante precisas de seus personagens no jogo. Destaque para Christopher Lambert como Raiden, cheio de gracinhas constrangedoras, mas que me racham de rir, e o grande e expressivo Cary-Hiroyuki Tagawa fazendo o feiticeiro Shang Tsung, sempre um deleite vê-lo como vilão. O elenco ainda tem Trevor Godard, como Kano, Bridgette Wilson fazendo Sonya Blade e Talisa Soto encarnando a Kitana.

Só acho uma pena a classificação PG-13 para a adaptação de um jogo que abusava da violência gráfica, dos famigerados “Fatality” sangrentos. MORTAL KOMBAT é bem limpinho e a violência é praticamente zero. Não estraga a diversão, mas para os fãs mais xiitas e admiradores de um gore, a coisa fica a desejar. O filme possui alguns outros problemas mais estruturais, o próprio fio condutor do entrecho, o torneio de lutas, é mal explicado, nunca sabemos quem luta com quem, onde e quando; há momentos que é numa arena com público, em outros parece que os lutadores estão num universo paralelo completamente sozinhos. Pode ser relevado, mas são coisas que poderiam ser melhor exploradas. E não vou entrar em muitos detalhes sobre a trilha sonora… Uma insuportável batida eletrônica que é simplesmente um horror…

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Torto e falho em alguns pontos sim, mas MORTAL KOMBAT continua sem dúvida alguma uma das mais admiráveis adaptações de video-game para as telas de cinema e um competente exemplar de artes marciais dos anos 90, que envelheceu muito bem, dependendo do seu gosto pra esse tipo de filme… MK ainda teve mais duas continuações, mas esses eu não tenho coragem ainda de me aventurar tão cedo. Já tinha achado ruin na época e acho que não vai ser agora que vou mudar de opinião.

MOSCOU CONTRA 007 (From Russia with Love, 1963)

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Escrevi sobre 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO ano passado e já me bateu saudade do espião britânico, encarnado aqui ainda por Sean Connery. MOSCOU CONTRA 007, o segundo capítulo da série, novamente dirigido pelo Terence Young, é um dos filmes do agente secreto que eu menos me recordava. Tirando a luta entre Bond e um assassino russo chamado Grant (Robert Shawn) dentro de um vagão de trem, eu tinha pouca coisa em mente da trama, dos personagens, de cenas… não lembrava de mais porra nenhuma! A revisão que fiz recentemente valeu, portanto, por dois motivos: primeiro pra redescobrí-lo, obviamente. Segundo, para notar que é um dos meus filmes favoritos de toda a série de James Bond.

MOSCOU CONTRA 007  é sério, inteligente, dramático, com a ação mais concentrada na caracterização e no clima de suspense, bem ao estilo mais clássico dos filmes de espionagem. Em comparação com o episódio anterior, é uma melhoria gigantesca sobre DR NO, com melhor ritmo e uma trama bem mais elaborada e interessante, na qual Bond tem a missão de capturar uma máquina de decodificação russa, sem saber que está sendo manipulado pela famigerada SPECTRE para causar um mal estar entre os governos britânicos e Russos e, em suma, foder os dois países.

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Quem acompanha os filmes do espião, deve ter percebido que à medida em que a série progrediu, houve uma tendência a focar mais na ação exacerbada, no espetáculo visual e até os enredos em alguns episódio eram voltadaos para isso. MOSCOU CONTRA 007, assim como DR. NO é a antítese dessa abordagem mais popular. Um filme que mantém o público em seus assentos com suspense e atmosfera ao invés de perseguições e explosões. Até mesmo o duelo entre Bond e Grant acontece na maior parte do tempo de maneira mais psicológica do que física, a não ser quando o confronto é inevitável no vagão do trem. Ambos são caras inteligentes e vê-los nessa peleja de uma forma lógica é uma das melhores coisas de um thriller de espionagem. É claro que o filme tem algumas pirotecnias, mas a cena de ação mais memorável é a já citada brutal e grosseira luta entre Bond e Grant nos apertados confins de um compartimento de trem. E que está a milhares de anos luz de uma batalha de armas lasers no espaço, como acontece com 007 CONTRA O FOGUETE DA MORTE.

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E antes que me entendam mal, não estou criticando filmes mais focados na ação e menos no fator humano, com tiroteios espetaculares, explosões e perseguições exagerados. Até porque adoro essas coisas. Estou apenas apontando que há essa diferença de tom entre os primeiros 007 com do final da década de 70, por exemplo, que era o auge do exagero “jamesbondiano“…

MOSCOU CONTRA 007 ostenta a estreia de dois elementos cruciais da série e que não haviam em DR. NO (além de ser o único filme da série que o protagonista não diz a sua famosa apresentação “Meu nome é Bond, James Bond“): possui a primeira sequência de pré-créditos e a aparição de Desmond Llewelyn como Q, aqui chamado por seu nome real, Major Boothroyd. A importância de Q para os filmes é óbvia para aqueles que, como nós, amam as engenhocas, as armas e equipamentos secretos que Bond utiliza para se safar…
Já a cena de pré-créditos é interessante saber que não era algo originalmente planejada. Foi o editor Peter Hunt (que mais tarde viria a se tornar diretor, e dos bons, tendo até realizado o meu 007 favorito, 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE) veio com a idéia quando estava montando o filme. É nessas horas que percebo porque alguns dos melhores diretores veio da edição e como o trabalho de montagem pode ser tão criativo e crucial para um filme. Aliás, a sequência pré-título é genial, com Grant perseguindo e matando um sósia de Bond num grande jardim, deixando o público ciente da ameaça letal que o espião irá encarar.

Os produtores de MOSCOU CONTRA 007 estavam tão confiantes com o sucesso deste segundo filme que não hesitaram a anunciar já um terceiro exemplar nos créditos finais: “James Bond retornará no próximo thriller de Ian Fleming, GOLDFINGER“.

BLACK EAGLE (1988)

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Um avião que transporta um sistema de orientação de mísseis a laser de última geração cai em Malta. O governo americano age rápido e envia seu melhor agente, Sho Kosugi, até lá para recuperá-lo. Só que o sujeito tem trabalhado demais e quase não tem tempo pra família e isso tem o deixado chateado… Qual é a solução? Leve as crianças junto pra Malta e coloque-as num hotel cinco estrelas até que Kosugi termine o trabalho. Só que os russos também estão atrás do sistema e, obviamente, vão fazer de tudo para atrapalhar a vida do nosso herói, até mesmo sequestrar seus filhos e tentar tornar a trama de BLACK EAGLE mais agitada…

Um dos vilões russos é um tal de Jean-Claude Van Damme. É divertido vê-lo ainda em início de carreira tentando ganhar seu espaço. O sujeito basicamente desempenha o mesmo personagem que fez em NO RETREAT NO SURRENDER,  um meliante, guarda-costa e braço direito de um facínora russo. Embora este seja um papel precoce e minúsculo, Van Damme já demonstra suas qualidades que ajudariam a torná-lo um astro do cinema de ação dos anos 90, como por exemplo sua arte que justifica o cinema feito em 16:9: o espacate.

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Mas tirando a presença de Van Damme, BLACK EAGLE é bem problemático em vários sentidos. sei lá, os produtores não estavam pagando o cara? E como é o protagonista, que carrega grande parte do filme, o resultado é insoso, sem muita energia. Mas o pior de tudo são as cenas de Kosugi com os filhos. Quero dizer, precisamos mesmo de um herói que leva seus filhos para a praia e museus durante a METADE de um filme de ação? Tenho certeza de que enquanto mata russos e tenta cumprir a misão ele gostaria de sair com os filhos e tal, mas isso só retardam um filme que já é lento até para os padrões do cinema de ação do período. Enfim, se Van Damme aproveita cada minuto por aqui, como veículo para Kosugi BLACK EAGLE é puro lixo.

Vale mais a pena concentrar a atenção em Van Damme, cujo personagem é bem mais interessante e expressivo. De resto, BLACK EAGLE é maçante e previsível. O pior é que Van Damme e Kosugi ficam muito pouco tempo juntos na tela e têm apenas duas lutas, nenhuma das quais são exatamente muito boas. A primeira termina abruptamente a segunda é muito mal ilumiada, numa escuridão desnecessária. Claro, ambos demosntram suas habilidades e alguns momentos de luta são bons, mas levando em conta o material humano que temos aqui, era para ter coisa melhor.

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Em suma, os fãs de Sho Kosugi vão sair frustrado de BLACK EAGLE, já os admiradores do belga tem aqui um lado curioso de vê-lo aprontando as suas em início de carreira. De qualquer forma, os apreciadores de filmes de ação não vão sair muito satisfeitos, exceto por um ou outro momento. Faça um favor a si mesmo e ao invés de assistir a este aqui priorize um PRAY FOR DEATH ou REVENGE OF NINJA se querem ver o Kosugi na sua melhor forma, e reveja KICKBOXER, O GRANDE DRAGÃO BRANCO, DUPLO IMPACTO e etc… Este aqui pode esperar.

ALIEN³ (1992)

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Alguns dos meus últimos posts do ano passado aqui no blog foram sobre os dois primeiros filmes da franquia ALIEN, então não vejo porque não continuar… Até porque revi o terceiro episódio da série mais um vez por esses dias e vale a pena tecer uns breves comentários.

ALIEN³ é o primeríssimo trabalho de David Fincher como diretor, que era técnico de efeitos especiais e diretor de video clipes. O sujeito só aceitou a função de comandar a coisa aqui após alguns nomes (Renny Harlin, Walter Hill, que é o produtor) abandonarem o barco durante a pré-produção. Aliás, é um filme que até hoje possui uma carga de polêmicas de bastidores. Problemas com o roteiro (que fora reescrito trocentas vezes), interferências dos executivos dos estúdios pra cima do Fincher, diretor de primeira viagem, e o resultado final foi muito questionado na época. Por muito tempo ALIEN³ foi considerado a ovelha negra da série, até, é claro, surgir o quarto filme, dirigido pelo francês Jean-Pierre Jeunet, que assumiu esse posto…

Hoje, tenho certeza de que ALIEN³ é uma obra equivocadamente subestimada. Tá certo que não chega a ser melhor que os dois filmes anteriores, dirigidos pelo Ridley Scott e James Cameron, respectivamente, mas basta as sequências da baratona alienígena perseguindo os personagens pelos corredores apertados de uma prisão num planeta qualquer para colocá-lo entre os melhores filmes de horror dos anos noventa. É uma autêntica aula de tensão e horror atmosférico, que se aproxima bastante do filme de 78, embora este aqui seja o mais sombrio, melancólico e dramático exemplar da série. 

O final deve ter feito muitos fãs ferrenhos deixarem as salas de cinema da época xingando a mãe do diretor, mas eu adoro e acho que fecha a trilogia de maneira sublime. Mas, inventaram de fazer um quarto filme… Agora preciso rever também antes de crucificar o francês maluco que dirigiu.

Leia também:

ALIEN – O OITAVO PASSAGEIRO (1979)

ALIENS (1986)

18 FILMES EXISTENCIALISTAS, ARTÍSTICOS E FILOSÓFICOS PARA ESPERAR EM 2017

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THE FATE OF THE FURIOUS, de F. Gary Gray
JOHN WICK: CHAPTER TWO, de Chad Stahelski
FREE FIRE, de Ben Weathley
THE COMMUTER, de Jaume Collet-Serra. Com Liam Neeson
RESIDENT EVIL: THE FINAL CHAPTER, de Paul W. S. Anderson
TRANSFORMERS: THE LAST KNIGHT, de Michael Bay
KONG: SKULL ISLAND, de Jordan Vogt-Roberts
GUARDIANS OF THE GALAXY VOL.2, de James Gunn
BLADE RUNNER 2049, de Dennis Villeneuve
KILL’EM ALL, de Peter Malota. Com Jean-Claude Van Damme e Peter Stomare
LACERNY, de R. Ellis Frazier. Com Dolph Lundgren
DON’T KILL IT, de Mike Mendez. Com Dolph Lundgren
STOIC, de Isaac Florentine. Com Antonio Banderas, Karl Urban, Robert Foster
BOYKA: UNDISPUTED IV, Todor Chapkanov. Com Scott Adkins
SAVAGE DOG, de Jesse V. Johnson. Com Scott Adkins e Marko Zaror
ACCIDENT MAN, de Jesse V. Johnson. Com Scott Adkins
DEATH WISH, de Eli Roth. Com Bruce Willis
DEATH RACE 2050, de G. J. Echternkamp. Produção do grande Roger Corman

SHOPPING (1994)

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Entrei numa de redescobrir a carreira do Paul W.S. Anderson… Acho que é por causa do fechamento da saga RESIDENT EVIL no final do mês, uma franquia das atualidades que me interessa muito e do qual quatro filmes são dirigidos pelo homem. Sempre gostei dos filmes do Anderson, mas nunca parei pra pensar no sujeito como diretor de talento, um sujeito que possui uma visão tão rara dentro do cinema de ação atual, com estilo próprio, inventivo e até mesmo poético sobre o espetáculo popular e gêneros subestimados pelos cinéfilos acadêmicos (da mesma forma que eu penso sobre um Michael Bay e os caras da franquia VELOZES E FURIOSOS). Estilo que às vezes pode passar batido. É só reparar: Boa parte da crítica séria o despreza, a maioria dos cinéfilos o ignora, e o cara fica jogado de lado entre os realizadores genéricos. Quando não é bem assim.

Resolvi assistir ao SHOPPING, que é o filme de estreia de Anderson, um trabalho quase experimental, tão estilizado quanto existencialista, de baixo orçamento feito ainda na Inglaterra, e me surpreendi positivamente de todas as formas possíveis. O filme é fantástico, principalmente quando se percebe o quanto o cara saca pra cacete de mise en scène e trabalho de câmera. Me peguei pensando se os filmes seguintes, já sob a batuta dos grandes estúdios ele mantinha essa assinatura autoral. Lá atrás, ainda nos anos 90, Anderson fez uma das primeiras adaptações de Video Game realmente interessante, MORTAL KOMBAT, e realizou um dos filmes de horror espacial mais atmosféricos e arrepiantes daquela década, O ENIGMA DO HORIZONTE. Pelo menos é a impressão que eu guardo… Preciso rever e avaliar esses exemplos e até mesmo o que ele dirigiu em RESIDENT EVIL – apesar do quarto, AFTERLIFE, estar bem fresco ainda, acho um puta filmaço – pra confirmar essa tese. Por enquanto, SHOPPING foi uma descoberta das boas!

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Na época em que foi realizado, havia uma preocupação das autoridades britânicas em relação a um fenômeno marginal no qual jovens roubavam carros e dirigiam-se contra vitrines de lojas. Apesar do propósito ser claramente o roubo, descobriu-se que a ideia era mais pela diversão do que lucro. SHOPPING pega esse fenômeno e o transporta para uma cidade futurista, dark e estilizada, onde temos Billy (Jude Law fazendo sua estreia em longas), um jovem viciado em adrenalina, em carros e velocidade, que é praticante assíduo desses roubos. O rapaz começa o filme saindo da prisão e deixa bem claro que não tem intenção alguma de se ajustar, mesmo com a persuasão ineficaz do delegado (Jonathan Pryce). Uma relação fracassada com seu pai, mostrada posteriormente, deu a Billy uma total falta de respeito por qualquer autoridade.

A única influência boa que poderia surtir algum efeito em Billy é Jo (Sadie Frost), sua parceira no crime, que ocasionalmente o incita a sair dessa vida e oferece a possibilidade de algum tipo de relacionamento mais maduro. Mas Billy tem a mentalidade de um adolescente petulante, niilista, cujas energias hormonais são canalizadas para a busca de adrenalina em perseguições de carro com a polícia e um comportamento anti-social sem objetivo. Não é difícil ver que nada disso vai acabar bem.

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Mas enquanto o filme é infundido pela imaturidade do protagonista, não dá pra dizer o mesmo sobre Paul W.S. Anderson e suas habilidades no comando desse seu debut. O cara dirige com uma energia do caralho! É impressionante como a câmera simplesmente não pára em constantes travellings, panorâmicas elaboradas, ângulos dinâmicos, cenas de ação alucinantes habilmente encenadas, tirando leite de pedra do orçamento minúsculo. Além disso, consegue extrair excelentes desempenhos de seu elenco, tanto dos novatos (Law, Frost) quanto dos atores mais experientes (há uma breve participação de Sean Bean). E tem ainda um olho fantástico para a luz, a textura, os espaços, transformando paisagens industriais e áreas abandonadas de Londres em uma cidade apocalíptica desprovida de qualquer tipo de calor ou esperança humana.

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Na época, o filme foi uma reação à indústria cinematográfica britânica do início dos anos 90, a hegemonia das adaptações literárias dos James Ivory da vida e dramas realistas sociais em detrimento do cinema “entretenimento”, dos filmes que despertam os prazeres visuais e narrativos de gênero, como ação, thriller, etc. Em outras palavras, SHOPPING era o manifesto rebelde de Anderson dentro da industria britânica. Menos de um ano depois do lançamento,  Danny Boyle aparece com COVA RASA e logo, TRANSPOTTING. Não estou querendo dizer que Anderson reinventou o cinema britânico com SHOPPING, mas não dá pra negar que ao menos dentro de um contexto do cinema comercial, Anderson e Boyle estiveram trabalhando na vanguarda de uma nova onda no cinema britânico.

Paul W.S. Anderson pode até não ser um cineasta sofisticado, mas é inegável seu notável senso estético e formal, e espero encontrar esse estilo único mesmo nos seus blockbusters de Hollywood atuais. Já SHOPPING é meu novo “queridinho” dos anos 90, uma bela descoberta que ainda pretendo revisitar algumas vezes.

HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS (1988)

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Começando as atividades de 2017 com um dos filmes que me fez apaixonar pelo cinema B de uns caras como Jim Wynorski, Fred Olen Ray, Charles Band e outras figuras dessa mesma laia: HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS, de Fred Olen Ray! Um clássico do cinema exploitation oitentista divertidíssimo, curto e cheio de mulher pelada, filmado em cinco dias com um orçamento abaixo dos 50 mil dólares.

O filme já começa de forma sensacional, com esse aviso:

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Depois, temos a majestosa Michelle Bauer fazendo um strip tease e, totalmente nua, destroça um sujeito com uma motosserra! Os efeitos gore, se é que podemos chamar assim, são tão ridiculamente baratos que não podem ser levados a sério… Aliás, o filme inteiro não deve ser levado assim.

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Na trama, temos Jack Chandler (Jay Richardson), um detetive obviamente inspirado em Raymond Chandler, com direito a narração de Film Noir, cansado do mundo, sem dinheiro, fodido trabalha na procura de uma moça desaparecida, Samantha (a lindeza Linnea Quigley), nos arredores de Los Angeles.

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Enquanto ele segue as pistas da moça, a polícia local vem investigando uma bizarra série de assassinatos cujas vítimas são feitas picadinho por motosserras, como é mostrado na cena de abertura… Entre uma investigação e outra, Jack encontra um paralelo entre os assassinatos com a sua garota desaparecida, o que o leva a Mercedes, a prostituta interpretada por Bauer. Jack arranja um encontro com Mercedes num bar de strip tease e ao mesmo tempo em que investe na prostituta ele vê Samantha girando no palco. Pouco depois desta revelação Jack cai inconsciente por causa de uma droga que Mercedes colocou em sua bebida.

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Jack desperta para encontrar-se numa situação bem bizarra, amarrado e na presença de Mercedes, Samantha e um terceiro sujeito chamado de “The Master” numa espécie de seita misteriosa. E o filme vai ficando cada vez melhor. “The Master” (que é encarnado pelo próprio Leatherface do original O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA, Gunnar Hansen) explica um bocado sobre a as propriedades sagradas da motosserra. WTF!!!

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O lance é que Samantha foi parar nesse culto da motosserra formado por prostitutas e stripers. O tal Mestre explica que a motosserra é a ligação cósmica que une todas as coisas no universo, num culto secreto que se originou há muito tempo no antigo Egito… Naturalmente! haha! Prestes a ser sacrificado e virar picadinho, Jack consegue escapar quando uma das serras fica sem gasolina e foge com Samantha.

De volta a seu escritório, os dois arranjam tempo para um pequeno romance, que serve também para preencher o tempo do filme, que já é breve demais. Logo, Samantha e Jack descobrem a localização secreta do templo cerimonial do culto de motosserra (ajuda muito que haja um cartaz de papelão apontando o caminho) e antes que você perceba, terá testemunhado um duelo de motosserras e o espetáculo cultural que é A Dança Virgem das Serras Elétricas Duplas!!!

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Dá pra perceber que o diretor e roteirista Fred Olen Ray não tem absolutamente nenhuma pretensão com HOLLYWOOD CHAINSAW HOOKERS, a não ser nos divertir com essa historinha besta, uma boa dose de humor pastelão e de um elenco feminino lascivo que não tem receio de mostrar alguns pares de peitos, que é o grande e verdadeiro atrativo do filme. Os fãs das rainhas do VHS, como Michelle Bauer e Linnea Quigley, vão desfrutar bastante disso aqui. Principalmente quando estão com pouca roupa empunhando motosserras… Um fetiche estranho, mas que o filme entrega com perfeição.

FAVORITOS DEMENTIA¹³ 2016

A relação final com todos filmes favoritos do ano que se passou no top 20 maroto:

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20. 10 CLOVERFIELD LANE (2016), de Dan Trachtenberg
19. HIGH-RISE (2015), de Ben Wheatley
18. THE REVENANT (2015), de Alejandro González Iñárritu
17. TRIPLE 9 (2016), de John Hillcoat
16. THE MAGNIFICENT SEVEN (2016), de Antoine Fuqua
15. THE NICE GUYS (2016), de Shane Black
14. THE NEON DEMON (2016), de Nicolas Winding Refn
13. MIDNIGHT SPECIAL (2016), de Jeff Nichols
12. STAR WARS: THE FORCE AWAKENS (2015), de J.J. Abrams
11. SULLY (2016), de Clint Eastwood
10. GREEN ROOM (2015), de Jeremy Saulnier
09. HELL OR HIGH WATER (2016), de David Mackenzie
08. 13 HORAS: THE SECRET SOLDIERS OF BENGHAZI (2016), de Michael Bay
07. ROGUE ONE (2016), de Gareth Edwards
06. CREED (2015), de Ryan Coogler
05. CAVALO DINHEIRO (2014), de Pedro Costa
04. THREE (2016), de Johnnie To
03. CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL (2016), de Anthony e Joe Russo
02. A BRUXA (2015), de Robert Eggers
01. ELLE (2016), de Paul Verhoeven

FAVORITOS DEMENTIA¹³ 2016 – PARTE FINAL

E chegamos ao top five!

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05. CAVALO DINHEIRO (2014), de Pedro Costa
E o top 5 começa com uma errata… Só agora, depois de postar os outros quinze filmes anteriores, percebi que incluí um filme de 2014 na lista. Erro meu, falha minha, não tem problema. Não vamos sofrer por causa disso, até porque eu só fui conferir CAVALO DINHEIRO em 2016 mesmo, e valeu a pena porque é um baita filme! Não sou tão ligado no cinema do Pedro Costa, mas sei que ele faz muita ligação entre seus filmes, sempre na mesma ambientação, os mesmos personagens… Aqui é o Ventura, esse sujeito aí em cima, uma figura carimbada de outros trabalhos do Costa, como no excelente JUVENTUDE EM MARCHA, quem protagoniza essa viagem por uma espécie de submundo/purgatório onde evoca seu passado. O sujeito é uma presença fantasmagórica que vaga em suas próprias memórias, por espaços alegóricos, corredores de hospital, ruínas, encontrando pessoas com as quais interage e confessa seus dilemas mais profundos dentro de certos contextos históricos, e eu, este pobre cinéfilo de meia-tijela, que coloca tanto um Michael Bay quanto um Pedro Costa num mesmo top 10, completamente hipnotizado e embasbacado com cada plano, com cada movimento de Ventura, com tudo o que ele evoca… Enfim, uma fábula sobre a história de um homem contada da maneira mais sublime possível.

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04. THREE (2016), de Johnnie To
Não tem jeito, toda vez que o To resolve fazer filme policial, gangster, crime, ação, por mais simples que seja, acaba parando numa posição privilegiada nas minhas listas. Em THREE tudo se passa num mesmo espaço e temos um policial, um bandido ferido algemado à um leito de hospital e uma médica, que são as peças que To precisa para construir sua fábula dos pequenos acasos, de dilemas morais e muito suspense, num domínio de direção a um nível que poucos realizadores possuem atualmente. E ainda sobra tempo para realizar o tiroteio mais badass, estilizado e surrealista do ano!

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03. CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL (2016), de Anthony e Joe Russo
Outra bizarrice na lista. Uma produção da Marvel no terceiro lugar… Mas finalmente temos um filme de super-heróis maduro, com dramatização bem construída, personagens fortes e, principalmente, sequências de ação que são verdadeiros espetáculos cinematográficos. Duas, em particular aqui, são das melhores coisas que eu já vi num filme de heróis: a batalha épica no aeroporto, com vários super heróis trocando sopapos entre si, com um dos melhores usos de super poderes que eu já vi nesse, digamos, “subgênero”; e o quebra-pau final, Bucky e Capitão vs Homem de Ferro. Só essas duas cenas já valem a terceira posição.

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02. A BRUXA (2015), de Robert Eggers
Escrevi sobre essa coisa linda aqui.

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01. ELLE (2016), de Paul Verhoeven
Só poderia ser o tão aguardado novo filme do grande Paul Verhoeven pra coroar a lista de melhores filmes de 2016. E o retorno do holandês tinha que ser bem ao seu estilo: perverso, polêmico, ambíguo, amoral e colhudo pra cacete! Longe de ser dos seus melhores filmes, um Verhoeven menor ainda encabeça uma lista de favoritos do ano facilmente. Mas ELLE é porrada! Pesado, em vários momentos eu me senti estranho acompanhando as desventuras de uma protagonista que tem o corpo violado e passa a ter uma relação com seu estuprador. Sem julgamentos morais e soluções fáceis, apenas Verhoeven sendo Verhoeven, um dos maiores pervertidos do cinema fazendo seu manifesto sobre desejos e tabus. Obviamente vale destacar a atuação monstruosa de Isabelle Huppert e finalizo por aqui essa relação de melhores filmes de 2016, porque já não aguento mais…

FAVORITOS DEMENTIA¹³ 2016 -PARTE III

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10. GREEN ROOM (2015), de Jeremy Saulnier
O top 10 começa com o tal filme no qual uma banda de Punk Rock encara um grupo de Skinheads. Isso mesmo, Punks x Skinheads. Só por essa ideia o filme já merecia estar na lista. Mas vai além, é um dos troços mais ásperos, violentos e tensos que eu vi este ano. Lembra um STRAW DOGS, de Sam Peckinpah, mas com neo-nazistas no lugar dos caipiras ingleses: Uma banda de punk rock testemunha um crime após uma apresentação num bar alternativo e ermo e acaba encurralada no local, cercado de skinheads sedentos por sangue, armados com facões, pistolas, escopetas e cães famintos…  Precisa falar mais alguma coisa? Sem qualquer frescura e com fotografia de encher os olhos, o filme mantém um estado constante de suspense, nervoso pra caralho, e algumas ceninhas de violência explícita que me gelou a espinha. Saulnier já havia me chamado a atenção com seu trabalho anterior, BLUE RUIN. Agora ganhou meu coração. ❤

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09. HELL OR HIGH WATER (2016), de David Mackenzie
Visão mordaz do Oeste americano moderno que entra na mesma categoria de obras como ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ. Dois irmãos que roubam bancos em pequenas cidadezinhas pelo Texas são perseguidos por uma dupla de homens da lei pelas estradas da região. Não conhecia esse David Mackenzie, mas aqui o cara comanda tudo com precisão e equilíbrio entre cenas mais tensas de ação, assalto e perseguições, com longas e lentas tomadas dos cenários e num belo estudo de personagens, que é de fato o que interessa aqui. O filme tem ganhado merecidos destaques pelos diálogos, o fascínio por personagens tão humanos e por toda a construção narrativa que desemboca num epílogo que engradece ainda mais a obra. E nem preciso falar o quão monstruoso o Jeff Bridges tá nessa porra, né?

13 HOURS: THE SECRET SOLDIERS OF BENGHAZI

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Agora vocês devem estar pensando, “o Perrone pirou de vez“. Mas é isso, um Michael Bay no top 10. Não é pra qualquer um… Mas vamos lá, eu não escondo minha admiração pelo sujeito, que pode não ser lá um bom diretor dentro dos moldes canonizados pelos cinéfilos acadêmicos, mas quero é que se foda. O cara sabe criar um espetáculo explosivo de ação como poucos e dentro do seu universo, dentro de um tipo específico de cinema, Bay não deixa de ser um autor. Portanto, 13 HORAS tá aí, o filme é fodão mesmo, baseado numa história real na qual um grupo de soldados americanos se vê encurralado na Líbia, tendo que se defender à base de tiros. Um prato cheio para Bay brincar de explodir coisas e corpos, mas ao mesmo tempo fazer um de seus filmes mais controlados e humanos.

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07. ROGUE ONE (2016), de Gareth Edwards
Não é sempre que podemos dar ao luxo de ter dois filmes da série STAR WARS na mesma lista de melhores do ano… Claro, se você não é fã da bagaça então deve estar achando isso aqui um saco, mas o que posso fazer? Se o episódio VII foi aquela diversão deliciaosa que trouxe o espírito da aventura clássica, matinée, de volta, ROGUE ONE escolheu um caminho mais sombrio…  É o capítulo mais pesado de toda a série. O filme se encaixa entre o III e IV e mostra como os rebeldes conseguiram obter os planos da Estrela da Morte… O grande lance é que não temos Jedis por aqui, ninguém com poderes especiais, então a luta agora é na trincheira, é no campo de batalha, e o couro come pra valer em cenas de ação espetaculares! Pode até ter um roteiro meio troncho, uns buracos, uns personagens mal desenvolvidos, mas putz, quando a ação começou eu simplesmente não conseguia tirar os olhos da tela! E ainda temos Donnie Yen chutando Stormtroopers e a presença do ícone Darth Vader, um dos maiores vilões da história do cinema… A rápida aparição do sujeito nos minutos finais é simplesmente uma das cenas mais antológicas de 2016. Que venha o episódio VIII e o filme do Han Solo e qualquer merda mais que queiram fazer com STAR WARS!

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06. CREED (2015), de Ryan Coogler
Também conhecido como o sétimo, e provavelmente o último, capítulo da série protagonizada por Rocky Balboa (Sylvester Stallone), que aqui é um coadjuvante de luxo, passando o bastão adiante para outra geração, Adonis Johnson, o filho de Apollo. Não faço ideia se CREED vai continuar sua própria série, mas este aqui por si só possui sua grandeza peculiar digna de estar inserida na série iniciada lá em 1976… Um pequeno milagre o que faz esse diretor, Coogler, que tem bom olhar para os detalhes, para os atores, no que poderia ter sido apenas mais um genérico filme de boxe. CREED tem muita alma, a maneira como o filme respeita seus ícones, como utiliza as imagens de arquivo de Carl Weathers, a cena em que Stallone olha pra uma foto com seu filho, e é o seu próprio filho, Sage, que morreu em 2012… Aliás, o que é o Stallone aqui? Gênio… Simplesmente gênio.

FAVORITOS DEMENTIA¹³ 2016 – PARTE II

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15. THE NICE GUYS (2016), de Shane Black
Enquanto esperamos o próximo filme do PREDADOR, que só me interessa porque é o Shane Black que está desenvolvendo (e torcendo pra que ele traga o Arnie de volta), o sujeito lançou primeiro essa comédia de ação policial que é simplesmente uma das coisas mais deliciosas que eu vi este ano. Black é mestre em criar duplas, o rei dos Buddie Movies (foi o roteirista, por exemplo, de MÁQUINA MORTÍFERA), e aqui coloca Ryan Gosling e Russell Crowe hilários, numa trama neo-noir movimentada e cheia de situações tão perigosas quanto engraçadas. Alguns detalhezinhos e personagens sem interesse de vez em quando tentam estragar a diversão, mas não demora muito para as gargalhadas voltarem.

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14. THE NEON DEMON (2016), de Nicolas Winding Refn
Esse eu já escrevi aqui.

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13. MIDNIGHT SPECIAL (2016), de Jeff Nichols
Um road movie-thriller-sci-fi naturalista e minimalista com ecos em John Carpenter, especialmente STARMAN. Precisa dizer mais alguma coisa? A trama é sobre um menino com poderes extraordinários sendo perseguido pelas estradas americanas por agentes do governo e uma seita religiosa que espera o dia do juízo final. Mas o filme nunca se transforma em algo escapista e a coisa toda é preenchida com espaços vazios, elementos ambíguos, performances dos atores, conflitos internos não ditos e um final que parece desvendar algo, mas não revela nada realmente. Nichols é um cara que tem me chamado a atenção nos últimos anos no cinema americano. TAKE SHELTER e MUD demonstram que o cara tem estilo próprio e muito talento… Não vi ainda o primeiro filme dele nem o mais recente, mas este aqui é a prova de que ainda há vida inteligente por aí fazendo cinema de gênero…

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12. STAR WARS: THE FORCE AWAKENS (2015), de J.J. Abrams
O episódio VII pode até ser uma reciclagem no pior sentido da expressão, uma vítima das circunstâncias, engessado dentro dessa própria reciclagem… Mas o que eu posso fazer se é um dos filmes que eu mais me diverti dentro de uma sala de cinema em 2016? Porra, eu ri, eu vibrei, me emocionei, me deu vontade até de aplaudir em alguns momentos… Mas consegui me conter. É um espetáculo genuíno, com boa energia e homenagens que de alguma forma faz reviver o espírito da essência da trilogia original de STAR WARS.

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11. SULLY (2016), de Clint Eastwood
Honestamente, eu não sabia direito o que esperar de SULLY, mesmo tendo total confiança no Clint como diretor. Lembro bem da ocasião lá em 2009 quando um avião precisou fazer um pouso forçado em pleno Rio Hudson em Nova York. Mas estava curioso, como caralhos alguém iria preencher 90 minutos dessa história num filme minimamente interessante? Bem, Clintão conseguiu e eu fiquei toda a projeção absorvido pela direção do homem, pela belíssima atuação de Tom Hanks e por um roteiro, que é uma espécie de RASHOMON do desastre aéreo. Li em algum lugar um paralelo oposto entre SULLY e o filme anterior de Clint, SNIPER AMERICANO, que achei bem curioso. Não lembro quem escreveu ou disse isso, mas era mais ou menos que SNIPER era sobre um cara que fazia o errado achando que era o certo e que SULLY era sobre um sujeito que faz o certo mas acha que fez o errado… Claro, no fim ele prova o contrário, mas até lá temos um dos personagens mais fascinantes do ano.

FAVORITOS DEMENTIA¹³ 2016 – PARTE I

Este ano resolvi fazer uns breves comentários dos meus filmes favoritos de 2016, portanto vou dar umas quebradas no top, postando aos poucos, pra dar um suspense… Serão, como de costume, vinte filmes relacionados em ordem de preferência, com margem até 2015, com as produções que não assisti naquele ano e só parei pra conferir em 2016. Vamos começar com as cinco últimas posições, do 20 ao 16.

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20. 10 CLOVERFIELD LANE (2016), de Dan Trachtenberg.
A historia da moça que acorda de um acidente carro e encontra-se encarcerada num bunker de um sujeito que diz tê-la salva de um ataque químico que deixou o mundo exterior inabitável não parece ter muito a ver com CLOVERFIELD, o monster movie de 2008. Mas isso nem importa tanto, o lance é que trata-se de uma das melhores surpresas deste ano,  claustrofóbico, bem dirigido e com um final pra soltar um “puta que pariu” daqueles! Obviamente, nem todo mundo curtiu os últimos minutos… Eu achei um barato! Mas o que realmente se destaca é o desempenho do grande John Goodman, assustador, monstruoso, magnífico! Um dos grandes personagens do ano.

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19. HIGH-RISE (2015), de Ben Wheatley.
Escrevi sobre este aqui.

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18. THE REVENANT (2015), de Alejandro González Iñárritu.
Também já escrevi sobre este.

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17. TRIPLE 9 (2016), de John Hillcoat
Putz, como eu adoro o Hillcoat. O cara só fez filmes fodas até agora e este aqui não é diferente. Pode até não ser dos melhores trabalhos do homem, mas tem força suficiente pra entrar na lista deste ano. É impressão minha ou há uma ligeira ligação espiritual de TRIPLE 9 com o universo policial de Michael Mann? Tiras honestos, desonestos, assaltantes de bancos fazendo cagadas, máfia, incluindo uma Kate Winslet badass como chefona, tudo numa trama sobre lealdade e escolhas que podem dar merda… E quase sempre dá. Os personagens são notavelmente humanizados e a escolha do elenco é de encher os olhos. Hillcoat tem boa intuição pra sequências de ação e tensão, especialmente quando envolve ação tática policial. O filme sofre um bocado pela falta de tempo para construir um universo mais palpável. Uma minissérie talvez rendesse algo ainda melhor… Mas o resultado aqui é bem bom, um policial sólido e casca-grossa que realmente me prendeu.

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16. THE MAGNIFICENT SEVEN (2016), de Antoine Fuqua
Outro filme que me pegou de surpresa total! Quem iria imaginar que o Fuqua refilmando o clássico do John Sturges conseguiria fazer algo tão divertido e realmente interessante em termos dramáticos e de construção de personagens? Quero dizer, o filme presta uma homenagem honesta às suas fontes (tanto do Sturges quanto do Kurosawa), é respeitoso, mas ao mesmo tempo consegue ter personalidade e cria seu próprio caminho. E Fuqua conduz a coisa com mão firme, com ritmo, sem perder muito tempo reunindo os sete homens e caprichando ao máximo nas sequências de ação. O final é épico, bem arquitetado e sem frescuras. Sem dúvida uma das melhores sequências de batalha do ano. É preciso elogiar o Denzel como líder, substituindo Yul Brynner, uma escolha acertada, mas cada um dos sete homens tem seus momentos de brilho (especialmente Byung-hun Lee, provavelmente meu personagem favorito). Pra entrar entre os westerns mais divertidos do século XXI.