DIFÍCIL DE MATAR (Hard to Kill, 1990)

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Para os fãs de Steven Seagal, pode-se dizer que o homem entrou no mundo do cinema com pé direito com NICO – ACIMA DA LEI, um puta filme policial de ação ignorado ou subestimado pelo fato de ser estrelado pelo ator de rabinho de cavalo. E olha que ele nem usava ainda o rabinho em sua estreia! DIFÍCIL DE MATAR é o seu segundo trabalho e confirma que o sujeito veio para ficar, detonar com muitos bandidos e fazer a alegria da moçada! Pode até não ser melhor que NICO, mas para quem quer apenas sentar no sofá e assistir ao nosso herói distribuindo bala, quebrando alguns braços e jogando os malandros por vidraças, este aqui é o filme ideal.

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Para quem não se lembra (o que eu acho improvável, já que o filme passava toda semana nas tardes do SBT), a trama é uma variação da velha história do sujeito que quase morre após ser atacado pelos seus adversários, se recupera e volta para se vingar. Em DIFÍCIL DE MATAR Seagal interpreta o policial Mason Storm, que depois de ter a carcaça perfurada a balas, entra em coma, acorda após alguns anos, descobre que sua mulher e seu filho foram mortos, treina para ficar forte de novo e sai para vingar-se dos responsáveis que estragaram sua vida. Lembrando que KILL BILL veio muito tempo depois deste aqui…

Storm, já na cena de abertura, aparece espreitando por entre os becos escuros de uma doca com uma câmera para tentar registrar a reunião de um grupo suspeito. Acaba descobrindo um plano para matar um importante político. Mas sua presença é logo notada e o sujeito resolve sair de cena sem precisar partir para a violência. Como ninguém viu seu rosto, segue tranquilo seu caminho, passa numa loja de licores para comprar um champanhe e estourar com a patroa mais tarde, mesmo tendo em mãos uma verdadeira bomba prestes a explodir. O que ele não sabe é que a organização que ele investigava, que conta com policiais corruptos, já sabe muito bem quem era o abelhudo das docas.

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A cena que se passa na loja de licores é interessante porque serve para explorar um pouco quem é o nosso herói, o que significa que vamos ter uma sequência de pancadaria… Totalmente à parte da trama principal, um grupo de ladrõezinhos de quinta categoria invade o local para assaltar, mas acaba deparando-se com Storm, que utiliza todo seu conhecimento em artes marciais par quebrar a cara dos malandros. Depois disso, leva o champanhe pra casa, porque ninguém é de ferro…

Chegando no conforto do lar, encontra a esposa já em trajes íntimos o esperando para estourar o inebriante. Mas bem na hora do “bem bom”, uns bandidos empatam a foda atirando pra tudo “quanté” lado, matando a esposa de Storm e alvejando o sujeito, que não morre, como já disse antes ele entra em coma e só vai acordar daqui a sete anos com sede de vingança. Porque como o título auto-explicativo informa, ele é DIFÍCIL DE MATAR!

O filho do casal acaba se safando pela janela deixando os meliantes putos da vida. Estes espalham cocaína pelo quarto pra dar a impressão de que se tratava de um dirty cop… não basta matar, tem que amaldiçoar as próximas gerações também. No hospital, o médico informa o que ninguém nem imagina. Mason Storm ainda está vivo, mas em coma. Kevin O’Malley, um dos poucos policiais confiáveis do distrito e amigo do herói, pede ao médico que não deixe vazar a informação ou Storm estaria correndo risco de vida. E assim ele passa sete anos sossegado, tendo a bundinha limpa por enfermeiras. Aliás, por uma enfermeira que eu faria questão de me machucar feio só pra ficar sob seus cuidados: Kelly Le Brock, a mulher nota 1000, musa dos anos 80 e esposa do Seagal na época.

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Resumo da ópera: Storm acorda com uma barba escrota, de pijamas e já precisa fugir do hospital, onde um assassino deseja terminar o serviço mal feito realizado sete anos antes. Le Brock ajuda o protagonista a escapar e o leva para a casa de um médico que está na China. Lá, Storm se recupera, treina como dar socos novamente, conta suas histórias de vida, de como aprendeu a lutar, etc, claro que vai aproveitar para apagar o fogo da enfermeira, que desde quando estava em coma, já elogiava a manjuba do sujeito. Porque além de fodão, o sujeito tem que ser o kid Bengala…

Enfim, depois de descobrir que seu filho não morreu e está muito bem sob os cuidados de O’Malley, é hora de limpar seu nome e vingar-se. O legal é que ele nem precisa ir atrás da bandidagem. Os próprios malfeitores o encontram na casa do tal médico que está na China, e vai levar um susto daqueles quando retornar e notar o estado de sua sala, cheio das decorações orientais estraçalhadas… Sem contar os corpos que Storm deixa antes de fugir com seu jipe à prova de balas. A sequência da fuga é bem bacana, com Seagal revezando tiros e golpes de Aikido em seus inimigos, cada vez mais convencidos de que o sujeito é realmente difícil de matar… Essa piadinha já deu, né?

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O filme tem muita ação, todas trabalhadas organicamente, servindo bem à narrativa. Onde quer que Storm passe, sempre há um engraçadinho pronto pra levar um pontapé, ou ser jogado através de uma vidraça. O principal alvo do nosso herói é o senador Vernon Trent, o mesmo de sete anos antes, quando ainda era um politico de classe menor e que planejava a morte do então senador. Quem encarna o vilão é ninguém menos que o William Sadler, ator subestimado, mas sempre marcando presença com ótimas performances. Especialmente quando encarna vilões, como em DURO DE MATAR 2.

O grande mérito de DIFÍCIL DE MATAR é o roteiro escrito por Steven McKay, na qual teve a sabedoria de contar uma história simples, sem rodeios, com todos aqueles clichês que sabemos previamente que vamos encontrar, mas de forma bem trabalhada, até porque é justamente o que buscamos ao assistir a um filme como esse. Ou alguém aí vai parar para assistir a um trabalho de Steven Seagal tentando encontrar reflexões humanistas que vão te inspirar a escrever um texto de treza parágrafos? Claro que não! Aqui, o máximo de humanismo que você encontra é o personagem de Seagal gritando “NOOOOO” no momento em que sua esposa leva um balaço de escopeta!

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O roteiro ainda é responsável por colocar bastante situações de ação acompanhadas de várias frases para os fãs de cinema bad ass se deliciarem, como quando Storm reconhece quem é o verdadeiro vilão da trama, o atual senador, comentando na TV que não acrescentaria novas taxas, impostos, etc, e que levassem isso para os bancos, e o protagonista diz para si mesmo, mas em voz alta, “I’m gonna take you to the bank, senator. To the blood bank”!!! Genial!

A direção é por conta de Bruce Malmuth, que não chega a ser um Andrew Davis, muito menos John Flynn (que viria a trabalhar com Seagal mais tarde), mas cumpre bem o papel com seriedade e eficiência como um bom artesão, algo meio difícil de se encontrar no cinema de ação americano atual. É o responsável por outro filme bem legal que eu comentei por aqui há algum tempo, FALCÕES DA NOITE, com Sylvester Stallone.

DIFÍCIL DE MATAR é um filme que eu realmente adoro e representa muito todo um cinema de ação dos anos 80 e 90 em sua essência non sense de exageros e falta de pretensão, a não ser a de divertir seu público, com muita liberdade criativa, elementos feitos sob medida, sem qualquer obrigação com a realidade. É isso que importa e por isso dou muito mais valor a este tipo de cinema do que essas frescuradas que compõem o grande cenário de cinema de ação e aventura atual.

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16 respostas para DIFÍCIL DE MATAR (Hard to Kill, 1990)

  1. Pingback: MARCADO PARA A MORTE (Marked for Death, 1990) | DEMENTIA¹³

  2. Show de atuação do Seagal, hahahaha

  3. Anselmo Luiz disse:

    Filme campão de reprises no Sbt . eu mesmo já assisti uma porrada de vezes ,apesar que no meu top 5 ele não entraria .. Meu deus esse ” EM TERRENO SELVAGEM ” eu lembro ate hoje á minha irmã e os colegas da classe ( que estudavam no periodo noturno ) estava rezando para o professores faltarem naquele dia para ver esse filme quando foi anunciando na Globo no Tela Quente e um dos professores não veio e outro tambem não todos sairam correndo da classe em direção das suas respectivas residencias para assistir tal filme que foi exibido em 18/11/1996 e depois ela me contou que todo mundo na noite seguinte havia achado do filme a opinião foi unanime o filme era uma bosta e com certeza ele é … e isso tambem na minha opinião eu tambem acho um filme horrivel .. mas outro que paguei para assistir em VHS antes de passar na TV Aberta foi o ” Agente Biologico ” outro filme horroroso dessa fase do Seagal ecologico e que me recomendou para pega-lo foi o dono da locadora ,pois ele tambem era fã Seagal.. perdei o dinheiro ,pois esse filme tambem é uma bosta ,quando ele foi exibido na TV Aberta eu nem fiz questão de assisti-lo.ótima resenha desse filme campeão de reprises da concorrente da venus platinada.Abraço de Anselmo Luiz.

    • Ronald Perrone disse:

      Acredita que nunca assisti aO AGENTE BIOLÓGICO? Qualquer hora dessas vou encarar! Mas EM TERRENO SELVAGEM acho bem legal… Preciso rever, mas tenho boas lembranças.

      • Anselmo Luiz disse:

        Você não ira perder nada se assistir um dia esse filme do ” O Agente Biologico ” eta filme ruim da fase ecologica do nosso postado.. eu nem tenho saudades de assistir esse filme do Seagal.

  4. Bruce Torres disse:

    “Ou alguém aí vai parar para assistir a um trabalho de Steven Seagal tentando encontrar reflexões humanistas que vão te inspirar a escrever um texto de treza parágrafos?”
    Tipo Em Terreno Selvagem? :V

  5. Fabiano disse:

    O melhor Seagal, pra mim, é o Out for Justice, em que ele bate na mãe e até no telespectador, se ficar olhando muito pra tv. Certa vez, vi em algum documentário por aí que esses filmes de exércitos de um homem só (Stallone, Schwarzenegger, Van Damme, Dolph Lundgren) foram quase extintos no cinemão por conta do Matrix, que, para o bem ou para o mal, foi considerado um divisor de àguas nos filmes de ação.

    • Ronald Perrone disse:

      Os filmes de ação ao estilo dos anos 80, “exército de um homem” só e tal já tinha perdido quase totalmente a sua força no fim dos anos 90… MATRIX acabou aproveitando do gênero enfraquecido para dar uma renovada mesmo. Apesar de ser um bom filme, o cinema de ação pós-MATRIX passou metade da década passada às duras penas, com raras exceções… Já faz alguns anos que as coisas meio que voltaram pro lugar e até um filme atual da série VELOZES E FURIOSOS tem seu valor. Mas ainda nada que se compare aos tempos áureos de Seagal, Sly, Arnie, Van Damme, Chuck e Dolph nos anos 80 e 90…

  6. Esse e´ um dos meus favoritos do Steven Seagal. Alias, meu top 5 pessoal do Seagal:
    1 – Ameaça Subterrânea
    2 – Difícil de Matar
    3 – A Força em Alerta
    4 – A Força em Alerta 2
    5 – Nico, Acima da lei

  7. Daniel Pena disse:

    Inebriante. Uso essa palavra que você hilariantemente colocou no texto para definir a obra. Aliás, desde sempre, belos textos! Sou visitante de longa data. Aproveitando o ensejo, me permita uma sugestão: Chen Zhen com Donnie Yen. Voltando a SS, esse é um dos preferidos do meu papa e eu. Abraçamente!

  8. Anônimo disse:

    Eu prefiro. “Um homem difícil de matar”, com Lee Marvin (Mont Walch) filme da década de 70 que jamais encontrei para rever.Foi refilmado mas o original é melhor.

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