O PLANETA PROIBIDO (Forbidden Planet, 1956)

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Comecei a ver o segundo disco do box Clássicos Sci-Fi, volume 1, da Versátil, que contém duas preciosidades obrigatórias (o primeiro disco tinha ELES VIVEM e A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO). Eu mesmo acabei corrigindo uma falha grotesca como apreciador de ficção científica, porque nunca tinha visto por inteiro O PLANETA PROIBIDO, de Fred M. Wilcox, a não ser algumas cenas passando na TV há muito tempo… Obviamente, quando falo em “obrigatório” me refiro aos autênticos fãs do sci-fi clássico, o público atual não aguentaria meia hora dessa belezinha.

Trama shakespereana, efeitos especiais datados, mas que ainda enchem os olhos, monstros freudianos, um robô desengonçado que se tornou ícone do cinema sci-fi, subtexto feminista e sexual e um elenco encabeçado pelo grande Leslie Nielsen, são apenas alguns atrativos de O PLANETA PROIBIDO, uma superprodução caríssima na época que se tornou um autêntico clássico e influenciou meio mundo de filmes e séries do gênero nas décadas seguintes.

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O PLANETA PROIBIDO é sobre uma expedição espacial rumo ao planeta Altair IV, lá nos confins do espaço sideral, com o objetivo de verificar que raios aconteceu com a tripulação de uma nave que foi parar lá há vinte anos. O líder da expedição é o comandante Adams, interpretado pelo Leslie Nielsen, o que é um bocado estranho… Vê-lo num papel sério me dá a impressão de que a qualquer momento ele vai fazer alguma besteira nonsense engraçadíssima bem ao estilo Frank Drebin, de CORRA QUE A POLÍCIA VEM AÍ. Neste caso, acho que a sua nave explodiria antes de chegar ao seu destino. Não é o que acontece.

Ao se aproximar de Altair IV, descobre-se que há um único sobrevivente da antiga expedição no local, o Dr. Morbius (Walter Pidgeon), que informa que toda a tripulação morreu e que não garante a segurança de Adams e seus homens caso insista em pousar no planeta. É óbvio que o comandante Adams vai teimar e descer sua nave, mesmo com a dúvida de que sua tripulação corre os maiores riscos… Caso contrário, o filme não teria sentido de existir. Mas já no local, aparentemente, não há nada de errado no planeta e são muito bem recebidos por Robby, o robô que se tornou um dos símbolo mais representativos do gênero. É ele quem leva Adams e dois membros de sua tripulação para conhecerem o tal Dr. Morbius.

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O sujeito acaba recebendo muito bem seus convidados, mostra sua casa modernosa, com jardins exuberantes e um zoológico privado, apresenta-lhes seu robô e suas habilidades especiais, mas mais uma vez avisa-os de que não se responsabiliza pela segurança dos novos visitantes do planeta… Entra em cena também a filha de Morbius, Altaira (Anne Francis), uma adolescente que usa pouquíssimas e apertadas vestimentas. O filme começa a ficar meio bizarro aqui… Em dado momento ela diz  algo parecido com “eu sempre quis conhecer um homem, e agora conheço três de uma só vez“… E então, um dos oficiais começa a xavecar a moça na cara dura, segundos depois de conhecê-la, bem na frente do pai dela… E eu imaginando “que merda é essa?“. A tensão sexual que essa personagem apresenta até hoje salta aos olhos, fico pensando nos anos 50… Mais tarde, Altaira descobre como é beijar um homem (o tal oficial sem noção do parágrafo anterior, apesar dela não ter achado grandes coisas). Adams descobre a safadeza e resolve afastar o sujeito de seus serviços e ainda dá uma lição de moral machista na menina, dizendo que ela se veste como puta… Bem, estamos em 1956 aqui, vamos relevar.

Já mencionei lá em cima que a trama de O PLANETA PROIBIDO tem relação com Shakespeare, certo? O roteiro é inspirado na peça A Tempestade, tendo um pai e a filha ingênua vivendo num local desabitado e tal. Mas não passa mesmo dessa inspiração base… Até porque não lembro de nenhum monstro invisível tocando o terror nos escritos de Shakespeare como acontece no acampamento montado por Adams e sua tripulação. Os efeitos especiais aqui são incríveis, feito com animação por um desenhista da Disney, que combinado com as imagens do filme dá um resultado divertido de se ver.

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Depois o filme entra na parte teórico-explicativa, que não vou entrar em detalhes, mas é bem interessante e envolve histórias sobre uma civilização antiga e muito avançada que viveu no planeta há milhares de anos, tudo explanado enquanto os personagens fazem um tour em um cenário subterrâneo grandioso que essa civilização construiu, cujo visual na tela é realmente impactante, com efeitos óticos que criam ambientes futuristas épicos numa proporção pouco visto antes de 1956.

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O grande lance de O PLANETA PROIBIDO e que essas criaturas milenares, chamadas de Krells, desenvolveram máquinas que impulsionam a capacidade mental a níveis astronômicos e a relação dessa circunstância com a aparição do monstro que ataca os pobres coitados, com base lógica na psicologia freudiana, é simplesmente genial! O fato é que agora o Dr. Morbius botou as mãos nesses equipamentos super-ultra-avançados, testando a si mesmo para elevar sua capacidade mental, e sabe a merda que vai dar…

O restante do filme é pura aventura no melhor molde dos sci-fi dos anos 50, com muita correria e tiros laser. Falei do Leslie Nielsen fazendo personagem sério, mas realmente ele só conseguiu se encontrar mesmo fazendo comédias. Sem dúvida alguma é um dos grandes comediantes da minha geração. Mas aqui o seu desempenho não fede nem cheira e, pra piorar, o romancezinho que seu personagem encara não convence nem minha avó. Na verdade, não há muito o que dizer em termos de atuação em PLANETA PROIBIDO, a grande maioria dos atores faz o básico e os únicos que eu destacaria mesmo são Walter Pidgeon, fazendo um típico cientista maluco que eu adoro nesses filmes, e Anne Francis, ingênua e sexy. Ambos se sobressaem facilmente ao restante do elenco. Outra exceção é Robbie, o robô, que é muito simpático apesar de ser um trambolho, mas acabou virando ícone da ficção científica. Nas décadas seguintes foi até utilizado em programas de TV e filmes que não tem qualquer relação com este aqui.

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Então não é exagero algum ressaltar a importância que possui O PLANETA PROIBIDO para o universo da ficção científica. Mesmo que não seja uma obra-prima, é um autêntico filme seminal em vários aspectos estéticos e ideológicos. muitos elementos e soluções visuais daqui podem ser vistos em obras futuras, como nas séries STAR TREK e PERDIDOS NO ESPAÇO, e em filmes do calibre de STAR WARS. Mais que isso, é um sci-fi inteligente e divertido que até hoje mantém suas qualidades intactas.

Vale a pena conferir, também, para quem tem o box da Versátil, um documentário que acompanha o filme, com vários depoimentos de pessoas bacanas, como John Landis e Joe Dante, que confirmam tudo isso que eu disse aí em cima. Há um outro material exclusivo sobre Robby, o robô, que é da mesma forma, altamente recomendado. E antes que me esqueça, o outro filme do CD é o sensacional italiano PLANETA DOS VAMPIROS, do mestre Mario Bava.

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3 respostas para O PLANETA PROIBIDO (Forbidden Planet, 1956)

  1. Anselmo Luiz disse:

    Reata: escrevi errado : cenário incrivel para os padrões da época .

  2. Anselmo Luiz disse:

    Esse filme não passa ha anos na TV Aberta sua ultima exibição foi no começo de 2000 no Canal 21, eu assisti ele duas vezes nesta emissora e me arrependo em não ter gravado ele nessas exibições ,para um publico como eu o filme é fantastico, cinenario incrivel pata os padrões da epoca e as cores dele realçam que esta assistindo-o .. publico de hoje é de cinema acerelado, um filme desse é ignorado por esses jovens que se deixa se levar por esse cineminha de hoje,cheio de efeitos visuais e pouca historia.

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