ESPECIAL DON SIEGEL #24: PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL (Dirty Harry, 1971)

DIRTY HARRY é desses clássicos quase incontestáveis do cinema badass. Um dos filmes policiais mais influentes do gênero, ao lado de BULLIT e OPERAÇÃO FRANÇA, na renovação do policial americano tendo até inspirado a italianada a desenvolver o poliziesco, o tipo de filme equivalente realizado no país da bota. Além de criar um dos personagens mais controversos do gênero, “Dirty” Harry Callahan, o tira durão que age de acordo com suas próprias leis, cujos ideais nem sempre vão de acordo com os burocráticos métodos da policia e por aí vai…

Atores para encarnar esse tipo de personagem nos anos 70 não faltavam. Charles Bronson, Burt Reynolds, Lee Marvin, Warren Oates, enfim, a lista é gigantescas de figuras cascas-grossas que dariam vida com perfeição a “Dirty” Harry. Aliás, DIRTY HARRY foi originalmente anunciado tendo Frank Sinatra no papel título. O sujeito vinha fazendo personagens interessantes no fim dos anos sessenta em thrillers policiais e de ação. Mas antes de ser o escolhido, John Wayne, Steve McQueen e Paul Newman também estavam brigando pelo papel. Porém, quando Sinatra desistiu, quem acabou encarnando Harry Callahan foi mesmo o bom e velho Clint Eastwood.

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Eastwood já era um rosto conhecido após a enorme popularidade da trilogia de Spaghetti Westerns que fez com Sergio Leone, além de outras produções, mas foi com “Dirty” Harry que o sujeito atingiu o merecido status de grande astro de Hollywood naquele período por parte do público, que encarou o filme como um thriller de ação dos bons, e não como o produto fascista que alguns críticos apontavam. Sim, “Dirty” Harry tortura e mata bandido sem qualquer remorso… Me chamem de reacionário, mas no cinema e apenas no cinema isso é bom demais!

Com Sinatra pulando fora, o diretor original Irvin Kershner também não quis mais saber do projeto. Melhor pra nós, já que Don Siegel, o intelectual da ação, que já havia dirigido Clint antes diversas vezes, acabou assumindo o posto em mais uma parceria com o ator e fez bonito como sempre. Não faltam por aqui momentos classudos para entrar no currículo do diretor, como a clássica sequência do início, na qual Callahan impede um roubo a banco e aproveita para soltar um de seus discursos mais celebrados:

I know what you’re thinking, punk. You’re thinking “did he fire six shots or only five?” Now to tell you the truth I forgot myself in all this excitement. But being this is a .44 Magnum, the most powerful handgun in the world and will blow you head clean off, you’ve gotta ask yourself a question: “Do I feel lucky?” Well, do ya, punk?

Cortesia de alguns bons roteiristas daquele período do cinema americano, incluindo John Milius, que trabalhou numa das primeiras versões do script.

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Um detalhe que ajudou muito para o sucesso do filme na época, e que talvez não seja um fato tão conhecido assim, é que  DIRTY HARRY foi inspirado na série de assassinatos reais cometidos pelo serial killer chamado Zodíaco. Aquele mesmo que acabou virando um filme bem mais realista nas mãos do David Fincher em 2007. Um baita filmaço, aliás… Mas uma diferença crucial, obviamente, é que por aqui não há moleza para um assassino tendo um policial casca-grossa como “Dirty” Harry Callahan em seu encalço.

Clint Eastwood tem aqui uma atuação magnífica, daquelas que dá pra perceber que o sujeito realmente entende o personagem. E que presença que o sujeito tem na tela! “Dirty” Harry é um ícone, sem dúvida alguma! A cena na qual o bandido mantém um ônibus escolar como refém e avista de longe a figura de Dirty Harry estática, fria, esperando tranquilamente em cima de uma ponte, pronto para fazer sua magnum 44 cuspir chumbo grosso, é algo que não dá para esquecer facilmente.

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Na direção, o estilo de Siegel é magistral, como não poderia ser diferente. DIRTY HARRY praticamente sintetiza tudo o que eu disse em todos outros textos sobre o estilo de direção do homem: simples, cru, essencial… Quando se pensa em DIRTY HARRY, você não necessariamente pensa em grandes sequências de tiroteios e perseguições mirabolantes,  ou enquadramentos e movimentos de câmera elaborados. Você simplesmente pensa que temos aqui um filme bom pra porra, com um personagem principal badass pra caceta! E é exatamente isso que Siegel quer, que o espectador aprecie o grande filme que está diante dos olhos sem interferir, sem chamar a atenção para o seu trabalho. Mas obviamente está tudo lá em termos de direção, é surpreendente como tudo é bem construído, sem pressa, só filmando o essencial… E é evidente que as cenas de ação resultam em momentos de encher os olhos sem precisar agitar a câmera ou acelerar os cortes. Em tempos de HARDCORE HENRY, isso aqui é mágico.

DIRTY HARRY acabou tendo quatro sequências que vou postar logo a seguir… E vejam só, mesmo este aqui sendo essa grandiosidade, gosto mais de MAGNUM FORCE, o segundo filme da série. Mas, questão de gosto pessoal mesmo… A série de filmes do policial “Dirty” Harry Callahan é toda boa, com alguns mais interessantes, como IMPACTO FULMINANTE, outros mais fracos, como THE ENFORCER, mas nunca deixam de divertir com um dos policiais mais controversos do cinema. E os chatos de plantão podem achar o filme fascista ou não, eu prefiro ressaltar a importância que DIRTY HARRY teve para o gênero, a direção magistral de Don Siegel, a atuação de Clint e de Andrew Robinson como Scorpion, o tal serial killer, as sequências de ação pelas ruas de São Francisco e a sensacional trilha de Lalo Schifrin. O resto é resto.

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6 pensamentos sobre “ESPECIAL DON SIEGEL #24: PERSEGUIDOR IMPLACÁVEL (Dirty Harry, 1971)

  1. Pra mim esse é o melhor da série, seguido de perto pelo Magnum 44. O primeiro é meis enxuto, o roteiro é redondinho, Scorpio é um vilão bem fdp e acho o climado filme bem sombrio, San Francisco parece que não tem poste, puta escuridão, kkkkkkk!
    O segundo é muito bom, mas falta o toque de Siegel, acho um filme um tantinho menos refinado e com arestas, além de ter uma barriguinha, a cena do sequestro do avião poderia ser limadas em dó.

  2. Esse filme é sensacional ,Don Siegel mostrou que é um grande diretor neste trabalho deste policial controverso e polemico na epoca .. mas na quela epoca do anos 70 a violencia imperava em varias grande cidades da terra do Tio Sam e ” Dirty Harry ” foi um resposta bruta ao mostrar essa violencia na tela do cinema … se arrependimento mata-se … o velho John Wayne não quis o papel por causa do palavrões que Harry fala o tempo todo no filme .. ele fez depois o filme McQ ( 1974 ) lançado em VHS pela Warner Home Video há anos atras no mercado daqui do Brasil que tambem passou na TV há anos atras. ele ( Wayne ) faz um policial que descobre rede corrupção na policia .
    O filme foi exibido na primeira vez na TV Aberta em 09/06/1990 no Super Cine da Rede Globo e foi exibido varias vez ate sumir da TV Aberta lá pelos anos 2000.

  3. Pingback: MAGNUM 44 (Magnum Force, 1973) – DEMENTIA¹³

  4. Ah, John Millius, a última palavra em matéria de violência bem orquestrada e escrita e com conteúdo… Conan, o Bárbaro, Apocalipse Now, Roma… Pena que não consegue mais escrever

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