ODE À PAUL VERHOEVEN

E hoje no 69° Festival de Cannes, passou na mostra competitiva o filme mais esperado do evento… Melhor dizendo, o filme mais esperado da década! Estamos falando do novo filme do diretor mais badass ainda vivo, Paul Verhoeven, portanto ELLE é daqueles filmes raros da atualidade para ser celebrado e aguardado de joelhos. Ainda mais depois de saber que a sessão foi ovacionada. Esse holandês maluco, no auge dos seus 77 anos continua simplesmente foda!

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Não é difícil explicar toda a veneração que tenho por Verhoeven. Pega-se, por exemplo, um de seus primeiros trabalhos, LOUCA PAIXÃO (Turks Fruit, 1973), belíssimo filme da sua fase holandesa. É a história de amor entre Erik, um escultor interpretado por Rutger Hauer, e Olga, a ruivinha Monique van de Ven. Como é o Verhoeven quem comanda, provocativo e transgressor de sempre, obviamente o resultado desse romance não vai ser do mesmo nível de um LOVE STORY. Está mais para O ÚLTIMO TANGO EM PARIS, só que muito melhor, mais extremo, subversivo e acrescido de escatologia. Tudo encaixado ao próprio estilo do diretor e o resultado é um cinema anarquista, com várias sequências que tocam na ferida da sociedade certinha e ajustada.

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O primeiro encontro do casal é surtadíssimo: Erik pede carona, a ruivinha para o carro, ele pergunta se o cabelo debaixo é da mesma cor que o de cima, em instantes estão fazendo sexo selvagem dentro do veículo, ele prende o pinto no zíper, vão até a casa mais próxima pedir um alicate emprestado e logo depois seguem viagem até o carro capotar. A partir daí, Verhoeven desenvolve uma aproximação humana que transcende qualquer relação íntima que eu já vi no cinema, ao ponto de uma cena como a que Erik examina as fezes com sangue de Olga para tranquilizá-la de que o líquido avermelhado é, na verdade, causado pela beterraba que havia comido na noite anterior e não um câncer como ela, desesperada, suspeitava, seja algo absolutamente afetuoso. Há tanta ternura no ato que até o sujeito de estômago fraco percebe o sentimento, depois do asco.

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Uma curiosidade, o diretor de fotografia do filme é Jan de Bont, que se apaixonou pela atriz principal e os dois tiveram um longo relacionamento. Diferente de Verhoeven, de Bont não fez nada interessante na sua tentativa de trabalhar em Hollywood como diretor (VELOCIDADE MÁXIMA, TWISTER…). Já Verhoeven, como sabemos, é um exemplo perfeito de alguém que conseguiu trabalhar em Hollywood sem deixar de expressar sua visão de mundo, por mais cínica e transgressora que seja. ROBOCOP, O VINGADOR DO FUTURO, INSTINTO SELVAGEM, SHOWGIRLS, TROPAS ESTELARES… Obras-primas absolutas… Ou bem perto disso. Não tem como não considerá-lo um dos meus diretores de cabeceira e é impossível ficar indiferente diante da possibilidade de assistir a um novo filme do cara. Ficamos na expectativa por ELLE!

O resultado das principais categorias do Festival devem sair amanhã. Na torcida, portanto, pro Verhoeven abocanhar uma Palma de Ouro ou pelo menos um prêmio de melhor diretor, não custa torcer…

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Um pensamento sobre “ODE À PAUL VERHOEVEN

  1. Lógico que Jan de Bont nem se compara ao mestre Verhoeven, mas um dos meus filmes-catástrofes favoritos é o divertidíssimo Twister.
    E sobre o Verhoeven, é uma dádiva para nós mais um filme do cara. Estamos no aguardo!

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