20 FILMES DE CABECEIRA

O Sérgio Alpendre postou uma relação dos seus vinte filmes de cabeceira e eu, como obcecado por listas que sou, por mais efêmeras que sejam, fiquei pensando, após uns dois ou três anos sem postar algo parecido, quais seriam meus vinte filmes de cabeceira atualmente… Filmes de cabeceira, na minha visão, não tem necessariamente relação com qualidade, não são “os melhores filmes favoritos”, mas são produções que de algum modo tiveram um impacto pessoal, que arrebatam, são contextos na formação cinéfila, influenciam no modo de ver cinema e te acompanham pro resto da vida, independente de qualquer coisa…  Por isso, quem já acompanha o blog sabe que não vai encontrar Bergman, Truffaut, Dreyer, Fellini, Antonioni e etc, por mais que adore esses caras.

Vinte é um número mesmo ingrato, é realmente muito pouco e a quantidade de filmes e de diretores que amo que ficaram de fora é de chorar e já até me arrependi de ter feito essa lista. Mas, como resolvi arriscar, puxei um pouco da memória, consultei minhas listas antigas, dei uma olhada nos meus rankings anuais e, sem pensar muito e gastar tanto tempo, cheguei nesses vinte filmes que listo abaixo, em ordem cronológica, apenas um filme por diretor. Daqui uns dois ou três anos posto outra pra saber o quanto mudou…

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PARAÍSO INFERNAL (Only Angels Have Wings, 1939) Howard Hawks
O HOMEM QUE QUIS MATAR HITLER (Man Hunt, 1941) Fritz Lang
RASTROS DE ÓDIO (The Searchers, 1956) John Ford
O HOMEM DOS OLHOS DE RAIO-X (The Man with the X-Ray Eyes, 1963) Corman
TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, the Bad and the Ugly, 1966) Sergio Leone
A MARCA DO ASSASSINO
(Branded to Kill, 1967) Seijun Suzuki
MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (Wild Bunch, 1969) Sam Peckinpah
TAXI DRIVER (1976) Martin Scorsese
ROLLING THUNDER (1977) John Flynn
O PORTAL DO PARAÍSO (Heaven’s Gate, 1980) Michael Cimino
MAD MAX 2 (Mad Max 2: The Road Warrior, 1981) George Miller
UM TIRO NA NOITE (Blow Out, 1981) Brian de Palma
CONAN – O BÁRBARO (Conan, the Barbarian, 1982) John Milius
FIRST BLOOD
(1982) Ted Kotcheff
O ENIGMA DO OUTRO MUNDO (The Thing, 1982) John Carpenter
CÃO BRANCO (White Dog, 1982) Samuel Fuller
O SELVAGEM DA MOTOCICLETA
(Rumble Fish, 1983) Francis F. Coppola
VIVER E MORRER EM LOS ANGELES (To Live and Die in L.A., 1985) Friedkin
DURO DE MATAR (Die Hard, 1988) John McTiernan
FOGO CONTRA FOGO (Heat, 1995) Michael Mann

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ESPECIAL DON SIEGEL #19: OS IMPIEDOSOS (Madigan, 1968)

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por GABRIEL LISBOA

Quando possível prefiro assistir a qualquer filme sem nenhuma informação sobre sua trama. Nem a sinopse eu procuro ler. Algumas vezes é recompensador se surpreender com algo tão básico como o próprio enredo do filme. Fui ver MADIGAN, assim, só pelo pôster. Não reconheci nem o protagonista do filme, Richard Widmark (a cara de Peter Weller em NAKED LUNCH) já que só havia visto ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE dos filmes em que atua e há muito tempo. Então achei que a batida no apartamento de um suspeito por uma dupla de detetives era mesmo somente uma introdução ao ambiente, quem sabe uma cena para apresentar algum personagem secundário. Foi uma boa surpresa.

O filme abre com uma sequência de créditos composta por imagens de Manhathan; prédios, ruas, carros e trens, enquanto a noite vira dia e a cidade acorda. Enquanto isso, a música que acompanha os takes da cidade parece vir da abertura de uma série de TV da época, num tom alegre e empolgante. Parecia que ia assistir o piloto de Law and Order dos anos 1960. A câmera segue um trem até enquadrar na dupla de policias já mencionada. Como só havíamos visto até então partes da cidade, o movimento contínuo da câmera leva até a entender que os policiais portanto são parte das ruas, indissociáveis de seus problemas e conflitos, não há fronteiras entre a vida profissional e pessoal. Esta é a espinha do filme.

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Mas vamos voltar a cena inicial. Os policiais sobem um prédio de apartamentos e arrombam a porta do suspeito sem dar muitas chances para o mesmo atender a porta. O homem está deitado na cama com uma mulher e os policiais dizem que ele precisa ir até uma “entrevista” de rotina. Barney, o suspeito, pede para ver o mandato, sem entender porque aqueles policiais vieram lhe perturbar. Ele até pede para que um dos detetives tome cuidado para não quebrar os seus óculos que estavam no chão. Mais um coitado nas mãos de policiais truculentos. Mas é só a dupla de policiais se distraírem com a donzela nua no quarto para que Barney saque sua arma e faça os policiais de bobos. De vítima ele se revela um homicida ensandecido (“e de costumes sexuais peculiares”) em poucos segundos. Ele foge deixando os dois com um baita problema logo cedo. Essa confusão fisgaria qualquer espectador casual do Corujão.

Depois da perseguição sem sucesso para recapturar o bandido somos apresentados ao personagem de Henry Fonda, o velho e cansado comissário de polícia Anthony X. Russel, com outros problemas para resolver durante os três dias pelos quais esse o filme se desenrola. Eu até preferia o título original, FRIDAY, SATURDAY, SUNDAY que estampava o roteiro, em vez de levar somente o sobrenome do detetive, Daniel Madigan, já que o filme realmente acompanha duas tramas paralelas. Russel tem lidar com a notícia de que seu melhor amigo, também policial, foi pego num grampo telefônico combinando um encontro com um criminoso, para acertar uma dívida. Além disso precisa resolver um caso de denúncia de abuso de dois policiais contra um jovem negro. O próprio pai, um padre, aparece na sala do comissário, para interceder pelo filho.

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Por isso acho que cabe analisar este como um filme de transição. Siegel antecipa alguns elementos de OPERAÇÃO FRANÇA e um de seus trabalhos mais conhecidos, DIRTY HARRY, ambos de 1971. O modus operandi seco e violento da dupla de policiais na rua, o modo como tentam levar adiante um casamento fadado ao fracasso, e vendo como amigos os tipos que tem de lidar no dia a dia. O próprio Madigan diz: “Para ele (Russel) existe o certo e o errado, não há meio termo”. É nesse ambiente cinza que habita a maioria dos policias da próxima geração, a do início dos anos 1970, no cinema americano. Russel seria o policial a moda antiga: firme, incorruptível, mas de coração mole. Dá a cara a tapa sem pedir atenção ou reclamar dos seus problemas para ninguém, mas precisa do conforto de sua amante e do respeito de seus companheiros. Isso fica evidente no desabafo da mulher de Madigan para Russel no fim do filme. É quando as duas linhas do filme se encontram. Seja nas ruas ou no serviço público é difícil ser valorizado quando você será sempre visto como corrupto ou truculento pela sociedade. E é assim que tem que ser como indica o fim do filme. Amanhã é só mais um dia de trabalho.

O tom do filme é meio estranho. A maioria das cenas que mostravam a intimidade dos policiais parecia desacelerar e fugir da urgência da trama. É difícil encaixar esse tipo de situação nesses filmes sem que pareçam somente uma maneira humanizar os policias. No caso de Madigan é até estranho como que um policial azarado e pobretão como ele tenha esposa e uma amante (mesmo que ela apareça só como uma amiga), lindas e bem de vida. No caso de Russel é até mais crível seu affair, já com uma colega de trabalho. Parece que essas cenas seriam para tentar interessar também o público feminino da época, já que o filme explora bastante esses conflitos de relacionamentos, lembrando ainda mais seriado que, por fim, se tornaria em 1972. A trilha musical reforça essa sensação. As vezes melodramática às vezes grandiloquente. Há um pequeno trecho em que a trilha usa de um mickeymousing com um jovem policial que carrega coletes a prova de balas, em que os cellos (eu acho) acompanham seus passos. Algo que nenhum compositor usaria hoje em dia para um filme policial. É um detalhe, mas acho interessante porque a música é o principal fio condutor das emoções de um filme.

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O tiroteio no final, dentro do apartamento me lembrou uma cena em ALVO DUPLO 2 em que Chow Yun Fat e seu rival trocam tiros com uma arma em cada mão, frente a frente caindo pelo batente das portas. Infelizmente o clima meio televisivo do filme não deu muito espaço para que Don Siegel aproveitasse completamente seu talento cinematográfico. A maioria das cenas é de internas (inclusive cenas dos personagens dentro dos carros são gravadas em estúdio). Um ambiente totalmente diferente de OS ABUTRES TÊM FOME, que inclusive conferi antes desse e que vou comentar depois de DEATH OF A GUNFIGHTER.

PS: Um pequeno comentário. Um dos lances que acho mais bacana de assistir filmes policiais dessa época são os figuras que os policiais têm de interrogar; seus informantes, agiotas ou gigolôs. Geralmente personagens caricatos e que algumas vezes roubam a cena em que aparecem, seja em blaxploitations até poliziotteschi. Em MADIGAN, o anão trambiqueiro Castiglione e o adolescente de 30 anos Hughie, entram para o Hall da Fama Elisha Cook Jr.

SEIJUN SUZUKI PELA VERSÁTIL

Não ganho absolutamente nada pra fazer esse tipo de postagem, mas a Versátil merece. Tem lançado muita coisa boa em termos de gênero, especialmente Horror, Giallo, Film Noir, Faroeste, Spaghetti Western e também o cinema outlaw realizado no Japão. Além de caixas com filmes de Yakuza e Samurais, a Versátil anunciou agora há pouco essa lindeza aí:

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“A Arte de Seijun Suzuki em maio!!!

Com entrega a partir de 25 de abril, a Versátil apresenta A ARTE DE SEIJUN SUZUKI, digistack com 2 DVDs que reúne 4 obras-primas em inéditas versões restauradas do iconoclasta cineasta japonês Seijun Suzuki, um mestre da invenção visual reverenciado por Quentin Tarantino, Jim Jarmusch, entre outros diretores. E ainda mais de uma hora de extras, incluindo depoimentos e especiais. Se você gosta de cinema japonês, curta e compartilhe!

DISCO 1
TÓQUIO VIOLENTA (“Tokyo Nagaremono”, 1966, 83 min.)
Com Tetsuya Watari, Chieko Matsubara, Tamio Kawachi.

Braço direito da Yakuza resolve abandonar a carreira criminosa com seu chefe, mas uma gangue rival não deixará que isso aconteça. Suzuki implode os paradigmas do filme de yakuza nesse delírio visual e musical.

HISTÓRIA DE UMA PROSTITUTA (“Shunpu Den”, 1965, 96 min.)
Com Tamio Kawachi, Yumiko Nogawa, Isao Tamagawa.

Uma prostituta é humilhada por um oficial. Ela resolve se vingar, usando um soldado para provocar ciúmes no oficial. Impressionante melodrama de Suzuki que questiona os códigos de honra da sociedade japonesa.

DISCO 2
A VIDA DE UM TATUADO (“Irezumi Ichidai”, 1965, 86 min.)
Com Hideki Takahashi, Masako Izumi, Akira Yamauchi.

Dois irmãos yakuza tentam ter uma vida honesta numa cidadezinha do interior, mas não conseguem fugir do passado criminoso. Suzuki subverte o ninkyo eiga (filme de yakuza tradicional) com um final de pura criação visual.

PORTAL DA CARNE (“Nikutai no Mon”, 1964, 90 min.)
Com Joe Shishido, Koji Wada, Yumiko Nogawa.

Após a Segunda Guerra, nas favelas de Tóquio, algumas prostitutas adotam um código estrito de conduta. Melodrama erótico com forte crítica social e uso extremamente inventivo das cores.

VÍDEOS EXTRAS: Especial sobre “História de uma Prostituta” (27 min.) ∙ Depoimentos (34 min.) ∙ Trailers (11 min.)”

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PORTAL DA CARNE, um dos filmes obrigatório da caixa.

Para ficar perfeito, só faltou colocar BRANDED TO KILL (1967), o meu favorito do homem. Mas deve ficar pra um eventual volume 2, que deverá ser tão essencial quanto este aqui.

ESPECIAL DON SIEGEL #18: OS ASSASSINOS (The Killers,1964)

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por DANIEL VARGAS

A terceira adaptação do conto de Ernest Hemingway no cinema, (A primeira, um longa de 1946 de Robert Siodmak, e a segunda, o primeiro curta-metragem, de 1956, de Andrei Tarkovsky) esse OS ASSASSINOS de Don Siegel é, com certa facilidade, a melhor de todas. Originalmente era fruto para ser o primeiro de uma série de outros filmes para televisão chamada “Projeto 120”, mas foi considerado tão brutal que resolveram lançar para o cinema. O filme em momento algum tem medo de mostrar cenas gráficas de violência, contra mulheres inclusive. Chega a ser chocante até mesmo para quem o vê hoje. O fato do Siegel ter filmado em Scope também ajudou bastante.

O filme muda completamente o ponto de vista do original, colocando-o sob a perspectiva dos assassinos contratados para matar Johnny North (John Cassavetes), que chocados pela reação submissa diante à própria morte, não tentando escapar do seu destino por nenhum momento sequer, vão atrás da verdadeira história por trás daquele contrato. Eles acabam descobrindo que Johnny se envolveu em um roubo de 1 milhão de dólares, mas esse dinheiro acabou sumindo. Eles então vão atrás dos conhecidos do Johnny, um por um, para descobrirem de fato do porquê sua vítima não tentar fugir, quem os contratou para o serviço, e o paradeiro do dinheiro. Descobrem que Johnny se envolveu com Sheila Farr (Angie Dickinson), a namorada do mentor do plano, Jack Browling (Ronald Reagan, surpreendentemente bem).

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Vendo hoje, é quase impossível não enxergar a forte influência que esse filme exerceu sobre PULP FICTION. Toda a essência do filme em colocar a camaradagem (e química) entre os dois assassinos está lá. Enquanto Lee (Clu Gulager) faz a vez de Vincent Vega do Travolta, silencioso, intempestuoso, e sempre o mais disposto à atos violentos, Charlie Strom (Lee Marvin) fica com a essência do Jules, de Sam Jackson; o mais falante e intimidador, e realmente o cérebro da dupla, sempre pensando pelos dois. Sem falar que enquanto Lee parece estar no auge da sua “carreira” como criminoso, Charlie já tem um semblante amargo e esgotado, tentando justificar sua busca pelo dinheiro como sua “aposentadoria” garantida, e sair da vida de matança uma vez por todas.

O filme também parece tirar o melhor de cada integrante do elenco. Além de Ronald Reagan fazer a performance da sua vida (infelizmente iria se aposentar da carreira artística para se dedicar a política de vez logo depois), Angie Dickinson merece destaque exclusivo e está em seu esplendor como uma femme fatale (contra o tipo) que assim como todo o resto dos personagens, não parece ter qualidades redentoras nenhuma. Ela conhece e seduz o personagem do Cassavetes, e como uma boa e clássica femme fatale, o manipula com sexo e acaba com sua carreira como piloto de corrida, o obrigando a entrar no plano do assalto do seu igualmente inescrupuloso namorado. Sheila Farr é a perfeita Lady MacBeth, que demonstra simpatia para onde o vento estiver soprando. Cassavetes também está excelente como o pato arrogante da vez no gênero.

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OS ASSASSINOS é um grande “pulp” neo-noir, que parece sempre estar tentando se engrandecer, apesar do baixo custo de produção. Em um plano aéreo incrível vendo pessoas saindo de um hotel, descobrimos que estamos de fato diante de uma câmera subjetiva de um sniper que começa à atirar em seus alvos. Orçamentos à parte, é de fato, um grande filme. E o começo do melhor momento da carreira do Siegel.

DELIRIUM (Le Foto di Gioia, 1987)

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Já disse por aqui que Lamberto Bava deveria ter investido seu talento mais em produções de ação, como o filmaço BLASTFIGHTER, do que tentar seguir os passos do papai Mario Bava em produções de horror… Claro, Bava filho tem seus bons exemplares do gênero no currículo, em especial quando se juntava a outro gênio, Dario Argento, e saia umas belezinhas como DEMONS, mas de uma forma geral nunca conseguiu chegar no nível de maestria dos grandes realizadores do horror italiano.

Isso ficou ainda mais claro depois que vi essa semana DELIRIUM. Quero dizer, não é um trabalho ruim, não tô falando que o Bavinha não deveria realizá-lo, mas percebe-se que o material tinha mais potencial nas mãos de um Argento, Lucio Fulci, Michele Soavi… Acaba resultando num filme sem tanta energia, sem inspiração – exceto nas sequências de tensão e assassinato mostrando a visão de um assassino perturbado. Mas na maior parte do tempo, Bava é bem burocrático com a câmera, pra não dizer preguiçoso…

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Mas pra falar a verdade, confesso que até que gostei do filme. E um dos principais motivos é o elenco. Temos a beldade Serena Grandi como protagonista, que surpreende interpretando uma editora famosa de uma revista masculina chamada Pussycat e que passa maus bocados quando um assassino à solta começa a deixar corpos de modelos espalhados no seu caminho. Serena é quem carrega o filme, com bastante presença (um mulherão desses… ai, ai), carisma e sem vergonha alguma de tirar a roupa, o que é importante… Aliás, o que faz DELIRIUM não perder o pique é justamente a boa dose de nudez, suficiente pra segurar a atenção. O que inclui outras figuras interessantes balançando os peitos na tela, como a cantora Sabrina Salerno. Tanto a cena do seu ensaio fotográfico, com as múmias se esfregando nela, quanto a sequência que é atacada por um enxame de abelhas são de encher os olhos; Daria Nicolodi e o grande George Eastman são sempre legais de se ver e estão realmente bem por aqui, mas não são os papéis pelos quais serão lembrados…

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Outro aspecto que gosto em DELIRIUM são os tais momentos de suspense e de assassinato, quando Bavinha mostra o ponto de vista doentio do serial killer, estilizando os cenários, emulando um Dario Argento na manipulação da fotografia, das cores, e mostrando as vítimas como criaturas híbridas, com cabeças monstruosas ou de inseto… Ideias inventivas que surgem no meio de uma direção que mais parece de telenovela na maior parte do tempo. O que é uma pena, porque nas cenas de suspense, Bava filho manda muito bem. Há um plano sequência no clímax que é de cair o queixo… Acaba sendo divertido de qualquer forma, pelo elenco, pela quantidade de nudez, a trama de giallo oitentista  – fazendo de tudo pra esconder a identidade do assassino do público – com uma pitada excitante de erotismo e surrealismo… Enfim, apesar de problemático, vale uma conferida. Continuar lendo

90 ANOS DE JERRY LEWIS

 

Mas o filme que eu realmente gostaria de destacar é um mais obscuro chamado VISIT TO A SMALL PLANET, de 1960, que no Brasil saiu com o título de RABO DE FOGUETE, dirigido por Norman Taurog. Não é nenhuma obra-prima e não está nem perto de ser dos melhores filmes estrelados por Jerry Lewis, mas gosto de lembrar com carinho quando descobri esse filme num festival em homenagem ao ator que acontecia em janeiro de 2014, em Madri, na Espanha. Naquela ocasião, estava visitando o meu grande amigo Leopoldo Tauffenbach e na única oportunidade que teríamos não ia passar nenhum dos filmes mais consagrados do sujeito, apenas essa pequena comédia de ficção científica da qual nunca tinhamos ouvido falar. Uma pequena jóia de Lewis, baseado numa peça de Gore Vidal, em que o ator vive um alienígena causando suas habituais confusões. Surpreende muito pelo tom ousado de como tratar o sexo e por uma sequência GENIAL que se passa dentro de um bar beatnik, que só de lembrar já começo a rir… Vale a pena conhecer para homenagear um dos maiores gênios da comédia.

Visit to a Small Planet Quad

MARATONA RICHARD KERN

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Numa noite dessas qualquer perdi o sono e resolvi assistir alguns trabalhos do Richard Kern pra ver se conseguia voltar a dormir… Mas acabei tendo uma das experiências mais transgressivas que tive até hoje em termos de cinema. Mas peralá… Richard quem?

Richard Kern foi o principal representante do cinema underground novaiorquino surgido no início dos anos oitenta conhecido como “Cinema of Transgression“, movimento oriundo do cenário Punk local, que era marcado por produções audiovisuais de orçamentos quase zero, alguns filmados em Super 8 ou com câmera VHS, mas de um radicalismo que extrapolava qualquer ideia do que era ou não aceitável nas convenções fílmicas. Trata-se de uma série de curtas-metragens perturbadores, muitos deles vazios só pra criar um choque e provocar, “mas inegavelmente estimulantes em sua rebeldia desaforada“, como dizia o grande Carlão Reichenbach, que era entusiasta do grupo formado, além de Kern, por atores e artistas como Nick Zedd, Lydia Lunch, David Wojnarowicz e vários outros malucos que aceitavam todo o tipo de ultraje em prol de um cinema livre…

Aliás, uma história que o Carlão relata em um artigo, diz que Kern e Zedd tentaram realmente chegar ao fundo do poço, num projeto de realização de um autêntico snuff movie, ou seja, filme com morte real. “Contrataram uma prostituta bonita que -segundo amigos- estava com os dias contados por causa de um câncer terminal. A dupla arrumou dinheiro emprestado e combinou pagar metade do cachê um dia antes das filmagens. A futura estrela embolsou a grana e deu no pé. A longa e inútil noite de espera terminou com uma bebedeira memorável e risadas sem fim da própria babaquice.” Só pra ter uma noção do que esses caras eram capazes…

Mas vamos aos curtas. Todos eles saíram em uma edição de DVD pela RaroVideo lá nos estrangeiros, chamada “New York Underground Collection – Richard Kern“. Possui uma bela amostra para iniciar e se aventurar no cinema subversivo de Kern e sua turma.

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THE RIGHT SIDE OF MY BRAIN (1985, 23 min.)
Lydia Lunch passa os 23 minutos deste curta exprimindo suas reflexões e divagações sobre sexo e sua própria existência numa narração em off em cima das imagens da atriz se masturbando ou se relacionando sexualmente com outros homens, com direito a uma cena em que Lunch realiza um sexo oral explícito no grande Henry Rollins, quando era vocalista de banda Punk em Nova York. Trabalhinho interessante, vale muito pelas imagens e a estética underground que Kern cristaliza com sua câmera e pelo texto na voz de Lydia Lunch.

MANHATTAN LOVE SUICIDES (1985, 35 min.)
Dividido em quatro capítulos bem bizarros, trata-se de uma coleção de curtas que faz um bom apanhado do trabalho de Kern e suas idiossincrasias.
STRAY DOGS é sobre um artista que é seguido pelas ruas por um fã totalmente surtado, vivido por David Wojnarowicz, até chegarem na casa do primeiro. Lá, o fã é ignorado pelo artista, que fica pintando um quadro, até que coisas absurdas começam a acontecer, como o fã ficar tão nervoso e excitado que sangue começa a jorrar da veia do pescoço ou seu braço se soltar do seu corpo e cair no chão, sem mais nem menos…
WOMAN AT THE WHEEL é sobre uma mulher que acabou de comprar um carro, mas todos os caras que ela sai, nunca a deixam dirigir. Ela passa todo o episódio reclamando, já que o carro é dela, e quando finalmente se coloca atrás do volante, acerta o carro contra um muro.
TRUST IN ME trata de uma mulher que resolve se matar numa banheira. Ao mesmo tempo, seu namorado caminha pelas ruelas sujas de Nova York em direção ao seu apartamento. Ao chegar no local, vê a mulher morta e resolve colocar a manjuba pra fora e inserir na boca da defunta até ejacular… Ambos os papeis são encarnados por Nick Zedd.
I HATE YOU NOW apresenta um traficante de drogas facialmente deformado e sua namorada. O vídeo faz uma reflexão sobre a noção de deformidade e feiura antes de terminar com a moça queimando o próprio rosto com um ferro de passar roupas enquanto o sujeito resolve se matar deixando cair um altere de musculação no seu pescoço. Coisa linda…

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SUBMITE TO ME (1985, 9 min.)
Uma espécie de videoclip experimental, sem narrativa, de uma música da banda de rock alternativo Butthole Surfers, que começa com garotas com pouca roupa se insinuando para a câmera, e gradativamente vai ficando mais sinistro e dark, com imagens realmente perturbadoras e violentas, envolvendo drogas injetadas, sadomasoquismo e bondage, numa câmera frenética e nervosa.

YOU KILLED ME FIRST (1985, 11 min.)
Um drama familiar por Richard Kern: Lung Leg interpreta a adolescente rebelde de uma família tradicional e certinha, que pós várias situações de opressão, decide acertar as contas com seus familiares, botando uma bala na cabeça de cada um, na mesa de jantar. Encenações de cenas dramáticas não é o forte de Kern e sua trupe, nesse que é um dos seus trabalhos que melhor se insere nos padrões narrativos convencionais, mas é perfeito dentro da proposta underground, tocando o foda-se  e criando imagens provocativas que fazem pouca concessão ao público.

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FINGERED (1988, 25 min.)
O mesmo vale para este aqui, talvez a obra mais conhecida de Kern e que também segue uma lógica narrativa tradicional, mas seguindo a linha de que não é cinema para se apreciar, mas para incomodar e desconcertar. John Waters chamou o filme de “the ultimate date movie for psychos”. Lydia Lunch interpreta uma prostituta e operadora de sex phone que atende um cliente, numa cena hardcore onde o sujeito enfia os dedos nas partes íntimas da atriz, uma alusão ao título do filme… A coisa fica frenética a partir disso. Ambos vão pra rua, o rapaz corta a garganta de um homem que olha para Lydia, depois fogem de carro, deixam um rastro de sangue, trepam, sequestram uma moça que pede carona e terminam estuprando e espancando a coitada. A essência do cinema underground de Kern condensada em 25 minutos de subversão fílmica das mais agressivas. Destaque para o desempenho dos dois protagonistas, especialmente Lygia, que se deixa entrar em situações que fariam os moralistas de plantão arregalarem os olhos, o que inclui ser penetrada de algumas formas, até pelo cano de um revolver. Acabou virando musa do cinema underground no período. A estética suja, num preto e branco granulado também contribui bastante… Filmaço!

THE EVIL CAMERAMAN (1990, 12 min.)
Sujeito leva uma japonesinha magrela para determinado espaço, despe-a e começa a amarrá-la com um arame. Depois, uma loura passa pelo mesmo tratamento, mas é amarrada de outra maneira, em outra posição, com outro material… E assim segue mais algumas vezes, com novas mulheres e outras formas de explorá-las… Não faço ideia do que Kern queria aqui, mas trata-se de um vídeo experimental sobre esse sujeito que cria essas instalações artísticas femininas e, ocasionalmente, tenta boliná-las ou coloca o pau pra fora perto delas… Enfim, taradices, revoltas artísticas, cinema underground

E fico por aqui, por enquanto. Depois desse último, o sono acabou voltando e eu consegui dormir. Mas ficaram faltando alguns curtas ainda para assistir e quando o fizer, comento mais Richard Kern por aqui.

FILMES DE HORROR FAVORITOS DA DÉCADA… ATÉ AGORA

Com o  texto de A BRUXA (2015), no último post, comecei a me perguntar então quais seriam os melhores filmes de horror dos últimos anos. Como não resisto a uma lista, resolvi arriscar a relacionar os filmes do gênero que mais me impressionaram, mas limitando apenas as produções desta década, ou seja, de 2010 até hoje; e apenas dez exemplares, listados em ordem alfabética (mas se tivesse que escolher o melhor, com certeza seria A BRUXA)… É óbvio que sintam falta de alguns filmes, eu realmente não dou tanta atenção assim à safra mais recente do gênero, mas vamos lá.

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O barbudão Jeremy Garner em THE BATTERY

BATTERY, THE (2012), de Jeremy Garner
BONE TOMAHAWK (2015), de S. Craig Zahler
CABIN IN THE WOODS, THE (2012), de Drew Goddard
I SAW THE DEVIL (2011), de Jee-Woon Kim
IT FOLLOWS (2014), de David Robert Mitchell
KILL LIST (2011), de Ben Wheatley
SERBIAN FILM, A (2010), de Srdjan Spasojevic
STAKE LAND (2010), de Jim Mickle
WITCH, THE (2015), de Robert Eggers
YOU’RE NEXT (2011), Adam Wingard

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SAFE HEAVEN (episódio do longa V/H/S 2, 2013), de Gareth Evans e Timo Tjahjanto

Menções honrosas: BAY, THE (2012), de Barry Levinson; BURYING THE EX (2014), de Joe Dante; CONJURING, THE (2013), de James Wan; EVIL DEAD (2013), de Fede Alvarez; INNKEEPERS, THE (2012), de Ti West; INSIDIOUS (2011), de James Wan; MAR NEGRO (2013), de Rodrigo Aragão; SCREAM 4 (2011), de Wes Craven; SINISTER (2012), de Scott Derrickson e WE ARE STILL HERE (2015), de Ted Geoghegan.

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E pra vocês? Quais são os seus filmes de horror favoritos desta década até agora?

PS: Se BLACK SWAN (Cisne Negro, 2010), de Darren Aronofsky, for considerado horror, tem lugar fácil na lista dos dez melhores…

A BRUXA (The VVitch: A New-England Folktale, 2015)

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Apenas uns comentários rápidos sobre A BRUXA, de Robert Eggers, pra não passar batido… Até porque é preciso celebrar quando aparece algo assim, desse nível, em tempos que o cinema de horror anda na mesmice, tão genérico, salvo as poucas exceções que aparecem a cada ano. Um caso raro que realmente investe pesado na criação de uma atmosfera densa e angustiante, ao invés de ser mais outro filme de sustos histéricos, gerando momentos que fizeram algumas pessoas saírem um tanto agitadas da sala onde assisti. E foi interessante a experiência de ver um filme como este no escuro do cinema e perceber a reação do público diante de uma obra nada convencional para os padrões que esses comedores de pipoca estão acostumados. Um misto de pessoas que achavam o filme chato e lento com outras que literalmente estavam aterrorizadas de medo. Juro, uma moça bem na minha frente agarrada ao braço do namorado não parava de chorar e dizer “Quero ir pra casa, tô com medo”… Hahaha! Isso é ou não é espetacular?

Quanto a mim, achei A BRUXA uma pequena obra-prima, desses filmes que por mais que elevasse a minhas expectativas, conseguiu me surpreender e desconcertar. Simplesmente o melhor filme de horror desde… Não sei… Acho que o último filme de horror que mexeu tanto comigo assim foi o sueco DEIXE ELA ENTRAR (2008), de Tomas Alfredson… Ou seja, já faz um tempinho que não fico tão impressionado com um filme do gênero. Não que não tenhamos bons exemplos por aí. IT FOLLOWS, só pra citar, é um que não deixa de ser maravilhoso e entrou no meu top 10 do ano passado; mas nada que se compare com A BRUXA.

Não quero ficar descrevendo essa belezinha, mas digamos, basicamente, que é sobre uma família religiosa e puritana pra cacete, no século XVII, que após ser banida da comunidade local por motivos que a trama não faz a mínima questão de explicar, tenta sobreviver em outros cantos, longe de tudo e de todos, no interior da Nova Inglaterra, mas acaba tendo sua fé posta à prova quando se deparam com forças malignas que habitam a floresta próximo ao seu novo lar. O que se segue é uma história pesada, melancólica, cheia de paranoia e medo, com a família se rompendo. Mas sem criar discursos morais em relação a fé cega e desvairada dos personagens… O filme não os julga em momento algum por suas crenças ou por quem eles são, o que torna toda a calamidade da trama ainda mais devastadora.

Principalmente porque os eventos que ocorrem em A BRUXA nunca são sugestivos, ambíguos, ou colocam o espectador para refletir sobre a possibilidade de tudo não se passar de uma espécie de ilusão ou psicose coletiva por causa do fanatismo religioso da família… O filme deixa bem claro desde o início que todos os acontecimentos são reais e se manifestam de forma física. E a partir disso, meus caros, até eu, que me considero um “macaco velho” com filmes de horror, fiquei impressionado com algumas situações perturbadoras que o filme coloca na tela…

Não vou descrevê-las, mas duas cenas em especial tiveram grande impacto enquanto eu assistia ao ponto de não conseguir piscar os olhos. Fiquem atentos à cena do menino enfeitiçado, um dos trabalhos de encenação mais fortes que vi nos últimos anos, com destaque para a atuação do jovem Harvey Scrimshaw, cuja expressão corporal e a maneira que entoa seu monólogo final é de prender a respiração (aliás, o trabalho de todos os atores é simplesmente fantástico). A outra cena é perto do final, quando a violência finalmente explode… Sem querer estragar a surpresa, envolve um certo bode chamado Black Phillip, que tem tudo para se tornar o mais novo ícone do cinema de horror atual.

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Esses e outros momentos me fizeram contorcer na cadeira, de tão desconfortável que eu estava, com o nível de tensão e o clima pesado de medo que o diretor Robert Eggers, um estreante em longas, imprime com bastante cuidado e habilidade, especialmente na construção atmosférica. Todo o visual é trabalhado minunciosamente, com uma fotografia cinzenta e quase todo filmado à luz natural, para engolir o espectador pra dentro filme. E a trilha sonora, com seus acordes agudos e mistura de gritos e vozes cacofônicas, só reforçam esse efeito, criando um cenário de pesadelo enervante com uma tensão crescente que perdura até o final. E que final! Já me disseram que o filme deveria acabar antes, que o diretor não soube o momento de terminar… Discordo totalmente, o desfecho é lindo, é intransigente, é ousado e niilista… Enfim, arrebatador.

Não sei se teremos outro filme de horror em 2016 tão bom quanto A BRUXA, aliás, não sei se teremos um filme, independente do gênero, tão bom quanto este aqui. Claro, ainda é muito cedo pra falar, mas como sou sempre pessimista em relação ao cinema atual, não duvido de nada… Por enquanto, trata-se do melhor filme que vi em 2016. Uma curiosidade é que um dos produtores de A BRUXA é brasileiro, Rodrigo Teixeira, portanto, tem dedo nacional na bagaça. E fica aqui uma sugestão para quem curte um horror mais anacrônico, quem curte mais O BEBÊ DE ROSEMARY e O EXORCISTA do que as merdas que fazem hoje: Corram para as salas e desfrutem do melhor filme de horror dos últimos anos na tela grande. E aproveitem pra rir um bocado com a reação de uma parte do público que não está nem um pouco preparada para ter uma experiência como esta.

FILMES DE FEVEREIRO

Meu segundo mês do ano foi uma bela bosta…

“Novos”:
SAMURAI COP 2: DEADLY VENGEANCE (2015), de Gregory Hatanaka ★ ★
TRUMBO (2015), de Jay Roach ★ ★ ★ ½
BLUE JASMINE (2013), de Woody Allen ★ ★ ★
HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL (2001), de Chris Columbus ★ ★
HARRY POTTER E A CÂMARA SECRETA (2002), de Chris Columbus ★ ★ ★
HARRY POTTER E O PRISIONEIRO DE AZKABAN (2004), de Alfonso Cuarón ★ ★ ★ ½
Sim, me julguem, mas a patroa me convenceu a assistir a todos HARRY POTTER

O VAMPIRO DA NOITE (Dracula, 1958), de Terence Fisher ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2 (1986), de Tobe Hooper ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
DEATHSTALKER (1983), de James Sbardellati ★ ★ ★ – REVISÃO
DEATHSTALKER II (1987) de Jim Wynorski ★ ★ ★
THE CAPITOL CONSPIRACY (1999), de Fred Olen Ray  ★ ★ ★ – REVISÃO
OBSESSÃO MACABRA (1962), de Roger Corman ★ ★ ★ ½ – REVISÃO
FALCÕES DA NOITE (Nighthawks, 1981), de Bruce Malmuth ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
PASSAGEIRO 57 (Passenger 57, 1992), de Kevin Hook ★ ★ ★ ★ – REVISÃO