20 FILMES DE CABECEIRA

O Sérgio Alpendre postou uma relação dos seus vinte filmes de cabeceira e eu, como obcecado por listas que sou, por mais efêmeras que sejam, fiquei pensando, após uns dois ou três anos sem postar algo parecido, quais seriam meus vinte filmes de cabeceira atualmente… Filmes de cabeceira, na minha visão, não tem necessariamente relação com qualidade, não são “os melhores filmes favoritos”, mas são produções que de algum modo tiveram um impacto pessoal, que arrebatam, são contextos na formação cinéfila, influenciam no modo de ver cinema e te acompanham pro resto da vida, independente de qualquer coisa…  Por isso, quem já acompanha o blog sabe que não vai encontrar Bergman, Truffaut, Dreyer, Fellini, Antonioni e etc, por mais que adore esses caras.

Vinte é um número mesmo ingrato, é realmente muito pouco e a quantidade de filmes e de diretores que amo que ficaram de fora é de chorar e já até me arrependi de ter feito essa lista. Mas, como resolvi arriscar, puxei um pouco da memória, consultei minhas listas antigas, dei uma olhada nos meus rankings anuais e, sem pensar muito e gastar tanto tempo, cheguei nesses vinte filmes que listo abaixo, em ordem cronológica, apenas um filme por diretor. Daqui uns dois ou três anos posto outra pra saber o quanto mudou…

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PARAÍSO INFERNAL (Only Angels Have Wings, 1939) Howard Hawks
O HOMEM QUE QUIS MATAR HITLER (Man Hunt, 1941) Fritz Lang
RASTROS DE ÓDIO (The Searchers, 1956) John Ford
O HOMEM DOS OLHOS DE RAIO-X (The Man with the X-Ray Eyes, 1963) Corman
TRÊS HOMENS EM CONFLITO (The Good, the Bad and the Ugly, 1966) Sergio Leone
A MARCA DO ASSASSINO
(Branded to Kill, 1967) Seijun Suzuki
MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (Wild Bunch, 1969) Sam Peckinpah
TAXI DRIVER (1976) Martin Scorsese
ROLLING THUNDER (1977) John Flynn
O PORTAL DO PARAÍSO (Heaven’s Gate, 1980) Michael Cimino
MAD MAX 2 (Mad Max 2: The Road Warrior, 1981) George Miller
UM TIRO NA NOITE (Blow Out, 1981) Brian de Palma
CONAN – O BÁRBARO (Conan, the Barbarian, 1982) John Milius
FIRST BLOOD
(1982) Ted Kotcheff
O ENIGMA DO OUTRO MUNDO (The Thing, 1982) John Carpenter
CÃO BRANCO (White Dog, 1982) Samuel Fuller
O SELVAGEM DA MOTOCICLETA
(Rumble Fish, 1983) Francis F. Coppola
VIVER E MORRER EM LOS ANGELES (To Live and Die in L.A., 1985) Friedkin
DURO DE MATAR (Die Hard, 1988) John McTiernan
FOGO CONTRA FOGO (Heat, 1995) Michael Mann

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ESPECIAL DON SIEGEL #19: OS IMPIEDOSOS (Madigan, 1968)

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por GABRIEL LISBOA

Quando possível prefiro assistir a qualquer filme sem nenhuma informação sobre sua trama. Nem a sinopse eu procuro ler. Algumas vezes é recompensador se surpreender com algo tão básico como o próprio enredo do filme. Fui ver MADIGAN, assim, só pelo pôster. Não reconheci nem o protagonista do filme, Richard Widmark (a cara de Peter Weller em NAKED LUNCH) já que só havia visto ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE dos filmes em que atua e há muito tempo. Então achei que a batida no apartamento de um suspeito por uma dupla de detetives era mesmo somente uma introdução ao ambiente, quem sabe uma cena para apresentar algum personagem secundário. Foi uma boa surpresa.

O filme abre com uma sequência de créditos composta por imagens de Manhathan; prédios, ruas, carros e trens, enquanto a noite vira dia e a cidade acorda. Enquanto isso, a música que acompanha os takes da cidade parece vir da abertura de uma série de TV da época, num tom alegre e empolgante. Parecia que ia assistir o piloto de Law and Order dos anos 1960. A câmera segue um trem até enquadrar na dupla de policias já mencionada. Como só havíamos visto até então partes da cidade, o movimento contínuo da câmera leva até a entender que os policiais portanto são parte das ruas, indissociáveis de seus problemas e conflitos, não há fronteiras entre a vida profissional e pessoal. Esta é a espinha do filme.

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Mas vamos voltar a cena inicial. Os policiais sobem um prédio de apartamentos e arrombam a porta do suspeito sem dar muitas chances para o mesmo atender a porta. O homem está deitado na cama com uma mulher e os policiais dizem que ele precisa ir até uma “entrevista” de rotina. Barney, o suspeito, pede para ver o mandato, sem entender porque aqueles policiais vieram lhe perturbar. Ele até pede para que um dos detetives tome cuidado para não quebrar os seus óculos que estavam no chão. Mais um coitado nas mãos de policiais truculentos. Mas é só a dupla de policiais se distraírem com a donzela nua no quarto para que Barney saque sua arma e faça os policiais de bobos. De vítima ele se revela um homicida ensandecido (“e de costumes sexuais peculiares”) em poucos segundos. Ele foge deixando os dois com um baita problema logo cedo. Essa confusão fisgaria qualquer espectador casual do Corujão.

Depois da perseguição sem sucesso para recapturar o bandido somos apresentados ao personagem de Henry Fonda, o velho e cansado comissário de polícia Anthony X. Russel, com outros problemas para resolver durante os três dias pelos quais esse o filme se desenrola. Eu até preferia o título original, FRIDAY, SATURDAY, SUNDAY que estampava o roteiro, em vez de levar somente o sobrenome do detetive, Daniel Madigan, já que o filme realmente acompanha duas tramas paralelas. Russel tem lidar com a notícia de que seu melhor amigo, também policial, foi pego num grampo telefônico combinando um encontro com um criminoso, para acertar uma dívida. Além disso precisa resolver um caso de denúncia de abuso de dois policiais contra um jovem negro. O próprio pai, um padre, aparece na sala do comissário, para interceder pelo filho.

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Por isso acho que cabe analisar este como um filme de transição. Siegel antecipa alguns elementos de OPERAÇÃO FRANÇA e um de seus trabalhos mais conhecidos, DIRTY HARRY, ambos de 1971. O modus operandi seco e violento da dupla de policiais na rua, o modo como tentam levar adiante um casamento fadado ao fracasso, e vendo como amigos os tipos que tem de lidar no dia a dia. O próprio Madigan diz: “Para ele (Russel) existe o certo e o errado, não há meio termo”. É nesse ambiente cinza que habita a maioria dos policias da próxima geração, a do início dos anos 1970, no cinema americano. Russel seria o policial a moda antiga: firme, incorruptível, mas de coração mole. Dá a cara a tapa sem pedir atenção ou reclamar dos seus problemas para ninguém, mas precisa do conforto de sua amante e do respeito de seus companheiros. Isso fica evidente no desabafo da mulher de Madigan para Russel no fim do filme. É quando as duas linhas do filme se encontram. Seja nas ruas ou no serviço público é difícil ser valorizado quando você será sempre visto como corrupto ou truculento pela sociedade. E é assim que tem que ser como indica o fim do filme. Amanhã é só mais um dia de trabalho.

O tom do filme é meio estranho. A maioria das cenas que mostravam a intimidade dos policiais parecia desacelerar e fugir da urgência da trama. É difícil encaixar esse tipo de situação nesses filmes sem que pareçam somente uma maneira humanizar os policias. No caso de Madigan é até estranho como que um policial azarado e pobretão como ele tenha esposa e uma amante (mesmo que ela apareça só como uma amiga), lindas e bem de vida. No caso de Russel é até mais crível seu affair, já com uma colega de trabalho. Parece que essas cenas seriam para tentar interessar também o público feminino da época, já que o filme explora bastante esses conflitos de relacionamentos, lembrando ainda mais seriado que, por fim, se tornaria em 1972. A trilha musical reforça essa sensação. As vezes melodramática às vezes grandiloquente. Há um pequeno trecho em que a trilha usa de um mickeymousing com um jovem policial que carrega coletes a prova de balas, em que os cellos (eu acho) acompanham seus passos. Algo que nenhum compositor usaria hoje em dia para um filme policial. É um detalhe, mas acho interessante porque a música é o principal fio condutor das emoções de um filme.

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O tiroteio no final, dentro do apartamento me lembrou uma cena em ALVO DUPLO 2 em que Chow Yun Fat e seu rival trocam tiros com uma arma em cada mão, frente a frente caindo pelo batente das portas. Infelizmente o clima meio televisivo do filme não deu muito espaço para que Don Siegel aproveitasse completamente seu talento cinematográfico. A maioria das cenas é de internas (inclusive cenas dos personagens dentro dos carros são gravadas em estúdio). Um ambiente totalmente diferente de OS ABUTRES TÊM FOME, que inclusive conferi antes desse e que vou comentar depois de DEATH OF A GUNFIGHTER.

PS: Um pequeno comentário. Um dos lances que acho mais bacana de assistir filmes policiais dessa época são os figuras que os policiais têm de interrogar; seus informantes, agiotas ou gigolôs. Geralmente personagens caricatos e que algumas vezes roubam a cena em que aparecem, seja em blaxploitations até poliziotteschi. Em MADIGAN, o anão trambiqueiro Castiglione e o adolescente de 30 anos Hughie, entram para o Hall da Fama Elisha Cook Jr.

SEIJUN SUZUKI PELA VERSÁTIL

Não ganho absolutamente nada pra fazer esse tipo de postagem, mas a Versátil merece. Tem lançado muita coisa boa em termos de gênero, especialmente Horror, Giallo, Film Noir, Faroeste, Spaghetti Western e também o cinema outlaw realizado no Japão. Além de caixas com filmes de Yakuza e Samurais, a Versátil anunciou agora há pouco essa lindeza aí:

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“A Arte de Seijun Suzuki em maio!!!

Com entrega a partir de 25 de abril, a Versátil apresenta A ARTE DE SEIJUN SUZUKI, digistack com 2 DVDs que reúne 4 obras-primas em inéditas versões restauradas do iconoclasta cineasta japonês Seijun Suzuki, um mestre da invenção visual reverenciado por Quentin Tarantino, Jim Jarmusch, entre outros diretores. E ainda mais de uma hora de extras, incluindo depoimentos e especiais. Se você gosta de cinema japonês, curta e compartilhe!

DISCO 1
TÓQUIO VIOLENTA (“Tokyo Nagaremono”, 1966, 83 min.)
Com Tetsuya Watari, Chieko Matsubara, Tamio Kawachi.

Braço direito da Yakuza resolve abandonar a carreira criminosa com seu chefe, mas uma gangue rival não deixará que isso aconteça. Suzuki implode os paradigmas do filme de yakuza nesse delírio visual e musical.

HISTÓRIA DE UMA PROSTITUTA (“Shunpu Den”, 1965, 96 min.)
Com Tamio Kawachi, Yumiko Nogawa, Isao Tamagawa.

Uma prostituta é humilhada por um oficial. Ela resolve se vingar, usando um soldado para provocar ciúmes no oficial. Impressionante melodrama de Suzuki que questiona os códigos de honra da sociedade japonesa.

DISCO 2
A VIDA DE UM TATUADO (“Irezumi Ichidai”, 1965, 86 min.)
Com Hideki Takahashi, Masako Izumi, Akira Yamauchi.

Dois irmãos yakuza tentam ter uma vida honesta numa cidadezinha do interior, mas não conseguem fugir do passado criminoso. Suzuki subverte o ninkyo eiga (filme de yakuza tradicional) com um final de pura criação visual.

PORTAL DA CARNE (“Nikutai no Mon”, 1964, 90 min.)
Com Joe Shishido, Koji Wada, Yumiko Nogawa.

Após a Segunda Guerra, nas favelas de Tóquio, algumas prostitutas adotam um código estrito de conduta. Melodrama erótico com forte crítica social e uso extremamente inventivo das cores.

VÍDEOS EXTRAS: Especial sobre “História de uma Prostituta” (27 min.) ∙ Depoimentos (34 min.) ∙ Trailers (11 min.)”

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PORTAL DA CARNE, um dos filmes obrigatório da caixa.

Para ficar perfeito, só faltou colocar BRANDED TO KILL (1967), o meu favorito do homem. Mas deve ficar pra um eventual volume 2, que deverá ser tão essencial quanto este aqui.

ESPECIAL DON SIEGEL #18: OS ASSASSINOS (The Killers,1964)

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por DANIEL VARGAS

A terceira adaptação do conto de Ernest Hemingway no cinema, (A primeira, um longa de 1946 de Robert Siodmak, e a segunda, o primeiro curta-metragem, de 1956, de Andrei Tarkovsky) esse OS ASSASSINOS de Don Siegel é, com certa facilidade, a melhor de todas. Originalmente era fruto para ser o primeiro de uma série de outros filmes para televisão chamada “Projeto 120”, mas foi considerado tão brutal que resolveram lançar para o cinema. O filme em momento algum tem medo de mostrar cenas gráficas de violência, contra mulheres inclusive. Chega a ser chocante até mesmo para quem o vê hoje. O fato do Siegel ter filmado em Scope também ajudou bastante.

O filme muda completamente o ponto de vista do original, colocando-o sob a perspectiva dos assassinos contratados para matar Johnny North (John Cassavetes), que chocados pela reação submissa diante à própria morte, não tentando escapar do seu destino por nenhum momento sequer, vão atrás da verdadeira história por trás daquele contrato. Eles acabam descobrindo que Johnny se envolveu em um roubo de 1 milhão de dólares, mas esse dinheiro acabou sumindo. Eles então vão atrás dos conhecidos do Johnny, um por um, para descobrirem de fato do porquê sua vítima não tentar fugir, quem os contratou para o serviço, e o paradeiro do dinheiro. Descobrem que Johnny se envolveu com Sheila Farr (Angie Dickinson), a namorada do mentor do plano, Jack Browling (Ronald Reagan, surpreendentemente bem).

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Vendo hoje, é quase impossível não enxergar a forte influência que esse filme exerceu sobre PULP FICTION. Toda a essência do filme em colocar a camaradagem (e química) entre os dois assassinos está lá. Enquanto Lee (Clu Gulager) faz a vez de Vincent Vega do Travolta, silencioso, intempestuoso, e sempre o mais disposto à atos violentos, Charlie Strom (Lee Marvin) fica com a essência do Jules, de Sam Jackson; o mais falante e intimidador, e realmente o cérebro da dupla, sempre pensando pelos dois. Sem falar que enquanto Lee parece estar no auge da sua “carreira” como criminoso, Charlie já tem um semblante amargo e esgotado, tentando justificar sua busca pelo dinheiro como sua “aposentadoria” garantida, e sair da vida de matança uma vez por todas.

O filme também parece tirar o melhor de cada integrante do elenco. Além de Ronald Reagan fazer a performance da sua vida (infelizmente iria se aposentar da carreira artística para se dedicar a política de vez logo depois), Angie Dickinson merece destaque exclusivo e está em seu esplendor como uma femme fatale (contra o tipo) que assim como todo o resto dos personagens, não parece ter qualidades redentoras nenhuma. Ela conhece e seduz o personagem do Cassavetes, e como uma boa e clássica femme fatale, o manipula com sexo e acaba com sua carreira como piloto de corrida, o obrigando a entrar no plano do assalto do seu igualmente inescrupuloso namorado. Sheila Farr é a perfeita Lady MacBeth, que demonstra simpatia para onde o vento estiver soprando. Cassavetes também está excelente como o pato arrogante da vez no gênero.

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OS ASSASSINOS é um grande “pulp” neo-noir, que parece sempre estar tentando se engrandecer, apesar do baixo custo de produção. Em um plano aéreo incrível vendo pessoas saindo de um hotel, descobrimos que estamos de fato diante de uma câmera subjetiva de um sniper que começa à atirar em seus alvos. Orçamentos à parte, é de fato, um grande filme. E o começo do melhor momento da carreira do Siegel.

DELIRIUM (Le Foto di Gioia, 1987)

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Já disse por aqui que Lamberto Bava deveria ter investido seu talento mais em produções de ação, como o filmaço BLASTFIGHTER, do que tentar seguir os passos do papai Mario Bava em produções de horror… Claro, Bava filho tem seus bons exemplares do gênero no currículo, em especial quando se juntava a outro gênio, Dario Argento, e saia umas belezinhas como DEMONS, mas de uma forma geral nunca conseguiu chegar no nível de maestria dos grandes realizadores do horror italiano.

Isso ficou ainda mais claro depois que vi essa semana DELIRIUM. Quero dizer, não é um trabalho ruim, não tô falando que o Bavinha não deveria realizá-lo, mas percebe-se que o material tinha mais potencial nas mãos de um Argento, Lucio Fulci, Michele Soavi… Acaba resultando num filme sem tanta energia, sem inspiração – exceto nas sequências de tensão e assassinato mostrando a visão de um assassino perturbado. Mas na maior parte do tempo, Bava é bem burocrático com a câmera, pra não dizer preguiçoso…

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Mas pra falar a verdade, confesso que até que gostei do filme. E um dos principais motivos é o elenco. Temos a beldade Serena Grandi como protagonista, que surpreende interpretando uma editora famosa de uma revista masculina chamada Pussycat e que passa maus bocados quando um assassino à solta começa a deixar corpos de modelos espalhados no seu caminho. Serena é quem carrega o filme, com bastante presença (um mulherão desses… ai, ai), carisma e sem vergonha alguma de tirar a roupa, o que é importante… Aliás, o que faz DELIRIUM não perder o pique é justamente a boa dose de nudez, suficiente pra segurar a atenção. O que inclui outras figuras interessantes balançando os peitos na tela, como a cantora Sabrina Salerno. Tanto a cena do seu ensaio fotográfico, com as múmias se esfregando nela, quanto a sequência que é atacada por um enxame de abelhas são de encher os olhos; Daria Nicolodi e o grande George Eastman são sempre legais de se ver e estão realmente bem por aqui, mas não são os papéis pelos quais serão lembrados…

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Outro aspecto que gosto em DELIRIUM são os tais momentos de suspense e de assassinato, quando Bavinha mostra o ponto de vista doentio do serial killer, estilizando os cenários, emulando um Dario Argento na manipulação da fotografia, das cores, e mostrando as vítimas como criaturas híbridas, com cabeças monstruosas ou de inseto… Ideias inventivas que surgem no meio de uma direção que mais parece de telenovela na maior parte do tempo. O que é uma pena, porque nas cenas de suspense, Bava filho manda muito bem. Há um plano sequência no clímax que é de cair o queixo… Acaba sendo divertido de qualquer forma, pelo elenco, pela quantidade de nudez, a trama de giallo oitentista  – fazendo de tudo pra esconder a identidade do assassino do público – com uma pitada excitante de erotismo e surrealismo… Enfim, apesar de problemático, vale uma conferida. Continuar lendo