OBSESSÃO MACABRA (Premature Burial, 1962)

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Terceira adaptação de Edgar Allan Poe realizada pelo Roger Corman, PREMATURE BURIAL é geralmente considerado um dos mais fracos do ciclo, algo que eu concordo bastante, embora não signifique que seja um filme ruim. Muito pelo contrário, apenas não está a altura das outras obras. Acho que tem um bocado a ver com a ausência do grande astro da série, Vincent Price, que não pôde participar… Aliás, é o único filme do ciclo que ele não participa e tenho certeza que sua presença poderia transformar isso aqui num filme totalmente diferente. Para seu lugar foi contratado o Ray Milland, que não deixa de ser um baita ator também e eu não tenho problema algum em vê-lo como protagonista por aqui. Só que ele não tem a capacidade de Price em transmutar figuras fracas em grandes personagens.

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Explico melhor a bagaça. Ray Milland interpreta aqui um pintor que possui um pavor doentio da situação de ser enterrado vivo por engano. Epa, mas nós já vimos isso antes, não é mesmo? Os dois primeiros filmes da série que eu já comentei aqui possuem a catalepsia como um dos temas constantes. Mas isso não é problema algum, na verdade. A questão é que PREMATURE BURIAL peca por ter um protagonista atormentado de forma tola pela tal neurose.

Em HOUSE OF USHER você tem um Roderick Usher (Price) atormentado por uma suposta maldição da família, até que dá pra entender – os Usher tinham realmente um galeria de almas sebosas e psicopatas escrotos na árvore genealógica. Em THE PIT AND THE PENDULUM, a mesma coisa: Medina (Price de novo) é filho de um dos inquisidores mais tenebrosas da Espanha e viu, quando criança, o tio e a mãe serem torturados e a última ser emparedada viva… Já em PREMATURE BURIAL… putz, o cara SUSPEITA que o pai sofria de catalepsia e foi enterrado vivo (sem nenhum fundamento concreto, diga-se de passagem) e, com base nessa desconfiança sem pé nem cabeça, acredita que também sofre de catalepsia e que, fatalmente, será enterrado vivo. E é essa nóia sem lógica que leva o cara a se isolar do convívio social e dispensar uma noiva gata pra caramba e (ao que tudo indica) totalmente apaixonada por ele. Meio difícil não achar que o protagonista é meio tapado. E é apenas com isso que se constrói o filme…

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E tenho certeza que Vincent Price daria a carga de expressão, exagerada e necessária, para que esses detalhes passassem mais batidos… Não que o Milland esteja mal. Ele também encarna o papel com tanta convicção que você só pára para refletir sobre a babaquice do personagem depois de ver o filme umas duas vezes; tanto que na primeira vez que vi, nada disso me ocorreu. E acaba sendo mesmo um dos grandes deleites a presença de Milland, querendo ou não, sendo o personagem um fraco ou não. O curioso é que é um ator soberbo, ganhou um Oscar pelo seu desempenho em FARRAPO HUMANO (1945), de Billy Wilder, mas depois, não me pergunte como, acabou parando nos sets de produções de filmes B. Destaque para a pequena participação de Dick Miller, habitual colaborador de Corman..

Já no departamento visual de PREMATURE BURIAL, não há do que reclamar. A cena do devaneio de Milland testando – e dando tudo errado – as modificações que fez no seu “sepulcro” para o caso de acordar ao ser enterrado vivo, é de encher os olhos. A direção de Corman é econômica como sempre, mas o sujeito sabe como manter certo ritmo, sabe como trabalhar uma riqueza visual do mesmo calibre dos góticos da Hammer e nunca deixou a dever aos italianos, como Mario Bava, Antonio Margheritti e Riccardo Freda. Mais fraco do ciclo Edgar A. Poe sim, mas tão obrigatório quanto qualquer outro da série…

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2 respostas para OBSESSÃO MACABRA (Premature Burial, 1962)

  1. Pingback: FILMES DE FEVEREIRO | O Homem dos Olhos de Raio-X

  2. Ele ficou anos como ator contratado da Paramount, quando encerrou contrato passou a fazer tv e dirigir seus filmes. No fundo valeu a pena porque virou ator cult, principalmente depois de seu retorno pós Love Story.

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