APONTAMENTOS SOBRE O OSCAR 2016

A todos os envolvidos pela não premiação do Sylvester Stallone como melhor ator coadjuvante: Vão todos tomar no cu.

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DEATHSTALKER (1983)

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DEATHSTALKER é uma típica aventura Sword and Sorcerer oitentista, realizada para ganhar dinheiro durante o aumento da popularidade do gênero estimulado em grande parte pelo sucesso comercial de CONAN – O BÁRBARO (81), de John Milius. O que se viu realmente foi o surgimento de uma safra de exemplares que variavam tanto em qualidade quanto em orçamento. E no caso deste aqui, coitado, a coisa fica complicada em ambos contextos…  Mas quando era moleque, meu pai apareceu com o VHS de DEATHSTALKER em casa para assistirmos, embora eu tenha total convicção de que ele não fazia ideia do conteúdo da obra. Provavelmente foi enganado pela capa, que tem a belíssima arte do Boris Vallejo, ou deve ter pensado que era do nível de um CONAN, GUERREIROS DO FOGO, BEASTMASTER ou alguma outra das boas aventura Sword and Sorcerer da época… Enfim, o negócio é que o filme é uma tralha das mais vagabundas do gênero, com uma violência grotesca, bizarrices doentias e absurdas e muita, mas muita mulher pelada balançando a bunda na tela… Não era mesmo muito recomendável para um moleque na minha idade.

Mas assisti. E apesar de toda estranheza do mundo, adorei! Acabou que, de alguma forma, DEATHSTALKER, um filme praticamente esquecido atualmente, fez parte fundamental da minha formação cinéfila (a quantidade de vezes que assisti aquele VHS só pra ver tetas de fora não é brincadeira). É curioso retornar ao filme depois de tanto tempo, quase vinte anos, acompanhar novamente a jornada do anti-herói, o guerreiro aventureiro apresentado como Deathstalker (Rick Hill), que lhe é encarregado a missão de resgatar uma princesa no castelo de um perigoso feiticeiro conhecido como Munkar (Bernard Erhard). E o melhor de tudo é notar como essa porcaria continua divertidíssima!

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Mas vamos conhecer um pouco melhor quem diabos é esse tal de Deathstalker. A cena em que o sujeito nos é apresentado é bastante emblemática e resume bem toda a construção psicológica do personagem. O filme começa com um indivíduo que sequestrou uma garota e a levou para umas ruínas no meio de uma floresta, mas acaba cercado por um bando de trolls. Surge então um guerreiro de cabelos louros e braços fortes, ui!, para salvar o dia. Agora, vejamos:
1. Primeiro, o guerreiro derrota sozinho o bando inteiro de trolls. Ou seja, ele é fodão.
2. Não satisfeito, ele mata também o sequestrador de mulheres que acabou de salvar a vida. É um homem íntegro.
3. Mas ao invés de libertar a moça, agora livre dos trolls e de quem a capturou, nosso herói tenta a sorte em… Er… ele arranca a roupa da moça e começa a apalpá-la esperando uma recompensa. No seu subconsciente de paladino da justiça, não ia matar esse monte de gente por nada, ora pois…  Bem, o sujeito não é tão íntegro assim, afinal, mas tá aí o Deathstalker e já deu pra perceber o nível do “herói” que temos aqui.

Por sorte, a tentativa de Deathstalker em fazer “amor medieval” é interrompida por um velho empata-foda que o convoca numa audiência na presença do Rei local, que lhe relata uns problemas. Seu trono foi usurpado pelo tal feiticeiro Munkar e sua filha é mantida prisioneira no castelo. Então, o Rei precisa de um bravo guerreiro corajoso suficiente para encarar o usurpador e matá-lo. Simples assim. E o homem que fizer esse feito será bem recompensado. Mas, Deathstalker não está muito interessado, como demonstra no diálogo que se segue:

Um homem corajoso poderia entrar no castelo e matar Munkar! – Especula o Rei.
Você precisa de um tolo. – Responde Deathstalker.
Não! Preciso de um herói!
Heróis e tolos são a mesma coisa…

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É, Deathstalker não tem nada a ver com isso e tá cagando pro Rei, pro trono e pra filha dele – mesmo sendo interpretada pela cocota Barbi Benton, uma playmate do período. Quero dizer, o período aqui é os anos 80, não o período que o filme se passa… Acho que ainda não havia revista de mulher pelada nos tempos de DEATHSTALKER. Enfim, o sujeito sobe no cavalo, dá de ombros ao Rei e vai embora… No entanto, o filme entra num momento um bocado confuso. Deathstalker visita uma bruxa velha que lhe fala dos Três Poderes da Criação. São três artefatos que juntos podem tornar uma pessoa poderosa. Munkar já possui dois deles, o Amuleto da Vida e o Cálice da Magia. Mas ele não tem a Espada do Julgamento. A bruxa afirma que sabe onde está e propõe que o herói tente encontrá-la. “Você vai ser o poder!“, afirma a velha, seja lá o que isso significa, mas parece ser algo bom para Deathstalker… Logo depois, o sujeito se enfia numa caverna apertada onde encontra a tal espada sob a guarda de um pequeno troll, que mais parece um fantoche feito em escola primária, mas ok… O fantoche, quero dizer, o troll lhe diz que a única maneira de obter a espada mágica é libertando a si de sua maldição, transformando-o em homem de novo. “Mas eu só posso ser liberto por um menino que não é menino.” Oi?! Que porra é essa, mano? Mas antes que possamos parar pra refletir sobre essa questão transcendental que o filme propõe, Deathstalker já está no corpo de um menino, com a espada na mão, levando o pequeno troll para fora da caverna. Começo a entender melhor as raízes do meu mau gosto por filmes.

Deathstalker volta para seu corpo habitual e o troll se transforma num velhote que agora passa a acompanhá-lo. Assim, armado com essa espada com poderes misteriosos, o herói inicia sua jornada em direção ao castelo de Munkar e… Mas peralá, Deathstalker não havia recusado a missão do Rei, era contra desfiar Munkar e que os heróis eram tolos e tal? Então, de repente ele mudou de ideia, simples assim? Pelo visto é isso mesmo e ajuda muito a belíssima performance de Rick Hill para esclarecer as coisas, já que o sujeito atuando e uma porta de madeira não têm diferença alguma…

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Reunido com um ajudante velhote e inútil, que nem para alívio cômico serve, embora há essa tentativa, Deathstalker encontra ainda mais dois aventureiros para segui-lo em sua missão. Oghris (Richard Brooker, mais conhecido por ser o Jason em SEXTA-FEIRA 13 – PARTE III) e Kaira (Lana Clarkson), uma guerreira que aborda o grupo como uma figura encapuzada. Uma luta é travada, mas logo interrompida depois que se descobre que por debaixo da capa há uma guerreira com seios nus. Uma guerreira com peitos de fora! Não dá pra enfrentar um oponente com armas tão mortais! Com uma integrante feminina no grupo, a equipe está formada, como um bom e velho Sword and Sorcerer tem que ser. Se bem que o trabalho em equipe naquela noite é só entre Deathstalker e Kaira, por debaixo da capa da moça, só pra aliviar a tensão…

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Enfim, Oghris informa a Deathstalker que Munkar está realizando um torneio de lutas especial para coroar o maior guerreiro de seu reino. E Deathstalker vê nessa situação uma oportunidade de se infiltrar no castelo, libertar a princesa, matar Munkar e obter do feiticeiro os dois itens mágicos restantes, para se tornar o poder!

Assim como o filme, não sei nem se esse texto ainda está fazendo algum sentido, mas vamos lá. Corta para Munkar, um sujeito muito mau. Só pra ter uma noção, ele captura princesas alheias, permite que sejam abusadas sexualmente em seu harém, destrona reis, comanda seus guardas e alimenta seu monstrinho de estimação com globos oculares fresquinhos de seus criados e ainda por cima faz a vítima assistir o processo de alimentação com o outro olho que restou… O sujeito é muito mau! Mas é óbvio, com o “herói” que temos aqui, o vilão precisava ser o diabo em pessoa.

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Antes do início do torneio, é natural rolar uma festinha. Vamos conferir algumas atrações: Anões? Confere! Escravas nuas? Confere! Briga de mulheres na lama? Claro que sim! Além disso, temos uma ótima galeria de convidados, como os nossos quatro heróis e várias figuras estranhas que vão participar do torneio, como um sujeito musculoso com a cabeça porco. E não pode faltar a Barbi Benton, com um vestido todo transparente, acorrentada à uma rocha e com o sujeito de cabeça de porco lhe aliciando. De repente eu me lembrei de novo que vi esse filme com uns doze anos de idade… É um troço meio perturbador, até para os meus padrões. Uma das cenas mais marcantes nesse sentido é a que Munkar tenta assassinar Deathstalker transformando seu capanga, um homem todo machão, na princesa Codille (Benton), toda gostosa em trajes mínimos, para seduzir o nosso herói antes de matá-lo… Surreal do nível de um Luis Buñuel…

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No restante de DEATHSTALKER rola o tal torneio, numa montagem ao estilo OPERAÇÃO DRAGÃO, com batalhas violentíssimas, além do confronto final entre o protagonista, com sua espada mágica, e o poderoso feiticeiro Munkar. Tudo muito tosco, pra manter a coerência com o resto do filme, mas também pra fechar com chave de ouro uma tralha das mais divertidas do gênero.

O filme foi dirigido por James Sbardellati, que trabalhava como assistente de direção em produções do Roger Corman. DEATHSTALKER (que também tem o dedo de Corman) é a sua primeira tentativa de assumir o comando e infelizmente não é dos pontos mais elogiáveis do filme, que poderia ter resultados melhores com um diretor mais talentoso. Mas também não compromete o roteiro de Howard R. Cohen, este sim, o grande responsável pelas qualidades que temos aqui, por todo esse universo que criou e os detalhes absurdos e involuntariamente engraçados.

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Uma pena, no entanto, que DEATHSTALKER seja um daqueles filmes em que a grande maioria vai dizer que a melhor coisa sobre ele é a arte do cartaz. O orçamento baixíssimo não permite grandes cenários e efeitos especiais de ponta, as atuações são péssimas e as cenas de ação são toscas ao extremo. Sim, o “público normal” vai achar uma coisa terrível…

Mas isso não significa que não seja divertido. Especialmente por aqueles cinéfilos de “paladar refinado” que sabe apreciar uma bela tralha. No meu caso, é evidente que os elogios que faço e o grau de divertimento que DEATHSTALKER me proporciona estão muito enraizado na minha relação nostálgica com o filme. Quando era moleque eu já percebia que estava diante de uma obra torta e estranha, e até de má qualidade, mas que de alguma maneira me fascinava e ainda me causa esse efeito. Claro que a quantidade de nudez ajudava bastante naqueles tempos, mas o filme não é só isso. É uma obra que possui ideias, fantasias pessoais de um roteirista e que um sujeito como Roger Corman resolveu bancar e transformar em película. Acabaram criando um universo tosco, de mau gosto, que logo se tornou obscuro, mas que ainda possui sua mágica.

DEATHSTALKER acabou tendo três continuações. Não vi nenhuma ainda e vou corrigir isso em breve. Bagaceiras eu tenho certeza que são (o segundo é dirigido pelo Jim Wynorski), mas só espero que sejam tão divertidos quanto este aqui.

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CAGED HEAT (1974)

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Já estava planejando postar sobre esse filme qualquer hora dessas, mas como hoje é aniversário do diretor Jonathan Demme, resolvi escrever qualquer coisa de uma vez. Há pouco tempo falei sobre os dois trabalhos de estreia do sujeito, na produção e roteiro de ANGELS HARD AS THEY COME e THE HOT BOX, ambos dirigidos por Joe Viola e com Roger Corman também na produção, mas CAGED HEAT entra de fato na filmografia de Demme como seu primeiro trabalho como diretor meeesmo.

Não custa repetir que estamos falando do Jonathan Demme que quase duas décadas mais tarde ganhou o Oscar de melhor diretor por O SILÊNCIO DOS INOCENTES, produção que também abocanhou o prêmio de melhor filme. Mas o cara começou mesmo fazendo filme na zona, exploitations violentos e cheio de mulheres com peitos de fora. E nada melhor que um WIP (Women in Prison) para explorar todas essas possibilidades filosóficas… É por isso que CAGED HEAT começa num assalto que termina muito mal, com dois bandidos cravados de balas pela polícia e a única mulher do grupo, Jaqueline (Erica Gavin) é presa e enviada para uma prisão feminina. E não demora muito para um médico da prisão confessar: “Girls, this isn’t something I enjoy either but I need you to get undressed…” Oh! Yeah!

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E os fãs de cinema grindhouse vão surtar com o material humano que temos aqui. Jaqueline aos poucos vai conhecendo outras garotas na prisão, formando um elenco dos mais interessantes do gênero, incluindo Roberta Collins, Juanita Brown e Cheryl Smith – que é apresentada numa sequência de sonho, sendo bolinada por um misterioso estranho entre as grades de sua cela. A diretora da prisão é ninguém menos que a musa do horror gótico dos anos 60, Barbara Steele. Apesar de sádica, sua personagem, a superintendente McQueen, é confinada à uma cadeira de rodas e, retraída sexualmente, fica ofendida a qualquer insinuação erótica de suas prisioneiras, como na cena da apresentação teatral. Não pensa duas vezes antes punir qualquer garota que lhe cause desconforto por conta de sua condição, trancando quem quer que seja na solitária, mas sem antes, obviamente, lhes arrancar as roupas para que o espectador mantenha a atenção no filme…

Jaqueline entra em apuros com Maggie (Brown), que é a durona do pedaço, e as duas “puxam o cabelo” uma da outra… Ao invés de irem para solitária, McQueen as colocam num tratamento de choque com o taradão Dr. Randolph, o mesmo da frase do início do filme, que se aproveita das pobres moças sedadas para, basicamente, tirar as roupas das meninas, colocar a mão onde não deve, tirar umas fotos de polaroide, coisas dessa natureza… Mas durante um dia de trabalho agrícola forçado nos pomares aos arredores da prisão, Jaqueline e Maggie, agora amiguinhas, conseguem escapulir, roubando um caminhão da prisão. As duas decidem esquecer suas diferenças, unem forças, arrumam armamento pesado e voltam para prisão para acabar, à base de tiro, com a tirania de McQueen e com a situação ultraje e imprópria com a qual as prisioneiras são tratadas.

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Jonathan Demme pode ter deixado sua essência exploitation de lado ao longo da carreira, mas aqui no seu debut como diretor não faz a mínima questão de inventar algo novo ao gênero. CAGED HEAT é praticamente um filme padrão do WIP, com todos os ingredientes que o estilo pede: cenas de chuveiro, briga de garotas, guardas sádicas e reprimidas sexualmente e um final mais explosivo, cheio de ação. Em alguns pequenos e singelos detalhes vê-se um esforço, uma tentativa de dar alguma personalidade, lançar algum olhar pessoal e artístico por parte de Demme. Mas não adianta, aqui é exploitation até o talo. Longe até de ser dos melhores filmes do gênero, mas divertido, sexy e bem humorado como tem que ser.

Assim como os primeiros trabalhos de Demme, CAGED HEAT também foi produzido pelo Corman e chegou a ter algumas continuações vagabundas nos anos 90, como CAGED HEAT II – STRIPPED OF FREEDOM, que não servem pra muita coisa a não ser para ver mais peitos de fora… Ou seja, sempre vale umas conferidas.Cjuve

OSCAR 2016: OS INDICADOS A MELHOR FILME

Daqui a uma semana acontece o Oscar 2016, o principal evento do cinema Hollywoodiano que vai premiar os filmes de 2015 e etc, blá blá blá… Sim, eu confesso que por mais que não dê muita bola para o cinema atual, eu paro pra ver os filmes que concorrem ao Oscar. Quero dizer, vejo na medida do possível, tem coisas que só de olhar a sinopse e o elenco me dá vontade de vomitar… Este ano mesmo eu não vou conferir todos os indicados a melhor filme, mas dentre os que vi, até que existem algumas coisas razoáveis.

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Não é o caso de THE BIG SHORT (2015, Adam McKay). Vi que muita gente tem gostado, deve ser mesmo um filme inteligente. Como eu sou uma verdadeira anta, fiquei perdido a maior parte do tempo, percebendo só por alto o que se passava, isso quando não me esforçava para me manter acordado. Ô, filme chato do c@#$%! A trama é sobre um grupo de empresários que conseguiu premeditar a crise que abalou a economia dos Estados Unidos em 2008 e ainda lucraram em cima disso com apostas altamente arriscadas. No papel a ideia até parece interessante, mas a coisa é tão caótica, bagunçada e confusa que o diretor Adam McKay teve que inserir explicações ao longo do filme pra não deixa o espectador voando… Só piorou ainda mais a situação, porque esses enxertos são ridículos e não tem graça alguma. A própria direção é algo questionável, com uma câmera balançante e uma edição frenética que me deixou enjoado (apesar de tentar refletir a atmosfera do universo das bolsas de valores). Até entendo as pessoas gostarem, especialmente quem saca e acompanha o mercado das bolsas e ações como se fossem campeonatos de futebol. Eu não entendo bulhufas. Caguei pra esse filme.

BROOKLYN (2015, John Crowley). Caguei pra esse também. Não vi e não quero ver.

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BRIDGE OF SPIES (2015, Steven Spielbeg). Este é um que eu poderia ter ignorado também. Mas como é Spielberg sempre dou uma chance, por mais que o sujeito tenha errado mais que acertado na última década. BRIDGE OF SPIES até que começa bem, é sobre um advogado especializado em seguros (Tom Hanks) que acaba aceitando a tarefa atípica de defender um espião soviético (Mark Rylance, muito bom) capturado por americanos em plena Guerra Fria. Mas aí o filme vai se desenvolvendo e quando era para as coisas esquentarem Spielberg não consegue se segurar e aos poucos começa colocar os vários elementos piegas e ceninhas ridículas habituais. E sempre dói ver Spielberg jogando fora o que poderia ser seu melhor filme em muito tempo com mais um festival de pieguice sem fim, com um tom apaziguador e feliz que marca suas obras recentes.

MAD MAX – FURY ROAD (2015, George Miller). Obra-prima e o meu favorito dos indicados. Mas não vai ganhar, obviamente. Não que ele não mereça o Oscar de melhor filme. O Oscar é que não merece um MAD MAX como premiado. Escrevi algumas coisas na época aqui.

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THE MARTIAN (2015, Ridley Scott). Curioso que não curti tanto esse filme quando assisti, mas ele foi crescendo, crescendo, e agora já vejo com muito bons olhos essa história do astronauta (Matt Damon) que é enviado numa missão em Marte e é dado como morto após desaparecer numa tempestade. Abandonado no planeta, tem que se virar para conseguir sobreviver e retornar à Terra. O grande problema de THE MARTIAN é que o filme gasta muito tempo com as pessoas na Terra, tentando resolver a situação daqui. Burocracias, reuniões, uma quantidade exorbitante de personagens que falam e falam e falam e não damos a mínima pra eles. E o que interessa no filme? Matt Damon se fodendo, passando fome, frio, e queimando miolos pra sobreviver! Quando o filme se assume como esse sci-fi de aventura e sobrevivência, a coisa melhora muito. E Damon está realmente ótimo no personagem, consegue ser tão carismático e engraçado mesmo numa situação tão extrema.

THE REVENANT (2015, Alejandro Gonzalez Iñarritu). Deve levar o prêmio principal. E de melhor diretor… E de melhor ator (finalmente, Leo DiCaprio!)… E outros vários prêmios técnicos. Até acho merecido. Não é nenhuma obra-prima, mas é bem divertido quando se aceita como filme de aventura. Escrevi sobre ele aqui.

ROOM (2015, Lenny Abrahamson). Passo…

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SPOTLIGHT (2015, Tom McCarthy). Vem sendo comparado a TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE, mas não consegue alcançar nem o dedinho do pé do filme do Pakula. Mas ainda assim é legalzinho, um bom filme, bem contado, me prendeu a atenção. Narra a história verídica de um grupo de jornalistas de Boston que reúne documentos que provam diversos casos de abuso de crianças causados por padres católicos e que rendeu aquele BOOM de padres pedófilos há alguns anos… Ajuda muito o elenco, com destaque para o Mark Ruffalo e o Michael Keaton, e a maneira sóbria e fria, sem muito confete, que o McCarthy dirige. Não acho nada maravilhoso, mas dentro do contexto do Oscar desse ano, é o único que pode tirar a estatueta do THE REVENANT. Se bem que tem sempre quem goste do THE BIG SHORT…

Agora, cadê o CAROL (2015)? Ótimo filme do Todd Haynes, em moldes clássico, um dos grandes filmes que vi em 2016 até agora. Recebeu algumas indicações, especialmente a dupla de atrizes, Cate Blanchet e Rooney Mara, que estão magníficas, mas foi esnobado na categoria principal… Vai entender. E minha torcida maior vai para o Stallone, é lógico. E vou fazer uma promessa. Se o velho Sly receber o Oscar de melhor ator coadjuvante por CREED, vou postar textos de todos os filmes da série ROCKY aqui no blog! GO ROCKO!

ESPECIAL DON SIEGEL #17: O INFERNO É PARA OS HERÓIS (Hell is for Heroes, 1962)

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por DANIEL VARGAS

“Eu nunca farei um filme sobre guerra a não ser que seja extremamente anti-guerra. Lado nenhum ganha uma guerra. É muita hipocrisia nações que entram em guerra, todos com seus padres e ministros rezando pelo mesmo Deus por vitória. Guerra é fútil e sem sentido. É verdade que o inferno é para os heróis. E também é verdade que o inferno é o único lugar para “heróis”.

E depois de dizer essas palavras que Don Siegel realiza aqui seu único filme de guerra, e também a única parceria dele com Steve McQueen, esse que colhia os frutos do recente sucesso de Sete Homens E um Destino, retoma o papel do durão em combate, novamente se vendo em uma situação de desvantagem, como um sargento rebaixado para posição de soldado por problemas com bebida e de comportamento. Anti-social e com graves problemas com autoridade (ou mesmo psicológicos, ou com a guerra em si), ele se junta a um grupo de soldados em Montigny, França, em 1944, à uma área próxima a perigosa Siegfried Line.

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Rejeitando qualquer interação social com os outros soldados, antipático e de poucas palavras, vira quase uma pária em um grupo que já se preparava para voltar para casa, quando uma nova missão é enviada para seu comandante: tentar segurar tropas alemãs de continuar avançando na região. O único problema é que os nazistas detêm mais dados, maior quantidade de tropas, e maior quantidade de fogo. E a única coisa que os impede de passar por cima do pequeno grupo de aliados é não saber o quão forte é o task-force inimigo. Aí que entra as habilidades do soldado Reese (McQueen), que convence seu sargento superior (Harry Guardino) a bolar um plano mirabolante para fazer eles parecerem que estão em maior número e com maior poder de fogo do que parece. De falsas conversas no telefone com quartel-general (eles descobrem uma escuta alemã em seu bunker) até tentar fazer o barulho de um Jeep parecer com um de tanque, eles precisam quebrar a cabeça para redefinir a arte da ilusão.

Em uma produção obviamente de baixo orçamento, Siegel faz o que pode para construir cenas impactantes (algumas cenas dos soldados morrendo em campos minados são angustiantes), mas o que o filme tem de melhor mesmo é se livrar dos clichês  sobre irmandade entre soldados na guerra. O filme vai construindo sua tensão até o final brutal (obscuro e pessimista, um frescor audacioso para esse tipo de tema). Pena que seu desenvolvimento e narrativa truncada não ajudem muito. O elenco mal aproveitado conta também com James Coburn (que também vinha de Sete Homens) fazendo pouco mais que uma participação, sem desenvolver um personagem realmente forte. Quando lançado, foi visto como o filme de guerra genérico que é, mas com o passar do tempo, e com a popularidade do Siegel, acabou virando “cult”.

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Semelhante à seu personagem, McQueen teve vários problemas com a “autoridade”. De executivos do estúdio até Robert Pirosh, o roteirista e diretor inicial do longa, que logo foi substituído por Siegel e nunca perdoou McQueen por ter tirado seu “bebê” dele. Quando Siegel assumiu, inicialmente também não foi muito lá recebido pelo ator rebelde, mas logo os dois entraram no mesmo ritmo e, aparentemente, terminaram amigos até o resto de suas vidas!  Não foi o caso de Bobby Darin, outro que se desentedia constantemente com o astro. Muito se disse que o comportamento foi uma espécie de “método” que o McQueen estava usando para se manter no personagem, mas logo se percebeu que era apenas uma desculpa esfarrapada para ele continuar sendo um cretino com todos à sua volta. Havia inclusive uma máxima de todos na produção, sobre o protagonista do filme dizendo que “o pior inimigo de Steve McQueen, era ele mesmo”. Certa vez um colunista veio visitar os sets de filmagem e após também testemunhar o comportamento “errático” de McQueen, teria dito a mesma frase para alguém ao lado. Darin, que estava por perto e acabou ouvindo, logo tratou de interromper a conversar e afirmar enfaticamente: “Não enquanto eu estiver por perto!”

FALCÕES DA NOITE (Nighthawks, 1981)

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Ontem revi FALCÕES DA NOITE, um trabalho um tanto atípico do Sylvester Stallone que nunca recebeu a devida atenção que merece. Não sei como foi a recepção na época, mas hoje quando se fala de cinema de ação/policial dos anos oitenta, estrelado pelo Stallone, é quase impossível para seres humanos normais não imaginar filmes recheados de sequências de ação mirabolantes, explosivas, e pancadaria ou tiroteios exagerados. Mas eis que se deparam, por acaso, com este aqui, um drama policial com tom mais realista e com clima de ressaca setentista, que está longe dos exageros de um COBRA ou TANGO & CASH, chega até a ser compreensivo a decepção de alguns… Por outro lado, tem que ser muito chato para não perceber a beleza de FALCÕES DA NOITE e reconhecer que se trata de um bom filme do gênero.

Curiosamente, FALCÕES DA NOITE teria se chamado OPERAÇÃO FRANÇA III. E no lugar do Stallone, Gene Hackman reviveria seu icônico policial, Popeye Doyle. É sério isso. O estilo setentista e mais intimista da obra não é uma simples coincidência. Mas, por alguns motivos (o principal foi que Hackman “deu pra trás”), o projeto de uma segunda continuação do clássico de William Friedkin acabou não dando certo e o roteiro foi adaptado para outros personagens. No entanto, ao que tudo indica, o plot básico permaneceu, mesmo com as constantes interferências que o Stallone fazia no roteiro.

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Portanto, teríamos Doyle enfrentando um sádico terrorista alemão pelas ruas de Nova York. Daria tudo pra ver esse filme… Mas ok, temos FALCÕES DA NOITE, que apresenta Wulfgar (Rutger Hauer), um terrorista que acaba perdendo a linha nos seus negócios, que se resume em explodir lugares e pessoas, e precisa sair de cena por uns tempos após um ataque, antes que seus ex-companheiros o traia ou a polícia o prenda. Então decide ir para Nova York, lugar perfeito para se abrigar terroristas foragidos sem ser incomodado, principalmente depois de uma cirurgia plástica facial.

O que Wulfgar ainda não sabe é que um especialista anti-terrorismo, Peter Hartman (Nigel Davenport) antecipou seus movimentos e já está em Nova York planejando uma forma de capturá-lo. Para isso conta com uma ajudinha extra formada por alguns dos melhores homens do departamento de polícia local: Deke DaSilva (Stallone) e Matthew Fox (Billy Dee Williams), os cabras perfeitos para essa missão. Típicos tiras cascas-grossas, sabem lidar com a bandidagem e conhecem cada canto do submundo nova-iorquino. Logo no início, o filme apresenta a tática da dupla de pegar vagabundos: DaSilva se veste de senhora indefesa e anda pelas ruas escuras à noite. Quando os bandidos se aproximam achando que vão faturar mais uma bolsa, é tarde demais pra perceber que a mulher tem barba e tem uma arma apontada pra eles.

Apesar da experiência, ambos passam por um treinamento anti-terrorismo que martela na cabeça dos policiais a necessidade de matar Wulfgar de qualquer maneira, nem que coloque em risco a vida de inocentes, algo que DaSilva é totalmente contra e quase abandona o barco. Mas no fim das contas, decide permanecer no grupo depois de vários momentos de pura reflexão profunda e filosófica.

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Stallone e Williams estavam em ótima fase, e possuem uma química que funciona legal como parceiros policiais. Williams (mais conhecido por ser o Lando de STAR WARS) é o que chamamos de parceiro cool. Sabemos que é coadjuvante, que não vai ter o mesmo destaque que o protagonista, mas é sempre bom vê-lo em ação ou como contraponto do herói. O que chama a atenção é Stallone estar longe do seu habitual estereótipo do policial brucutu que se acha acima da lei , como em COBRA, por exemplo. Embora seja de fibra, o sujeito se apresenta em FALCÕES DA NOITE um pouco mais comedido, introspectivo, demonstrando uma faceta mais frágil, tentando se reaproximar da ex-mulher… Algo bem diferente da imagem action man dos anos oitenta e noventa que ajudou a solidificar. Se bem que analisando friamente os personagens de Stallone, a grande maioria é bem mais complexa do que aparenta. E filmes como RAMBO (o primeiro), OVER THE TOP, LOCK UP e até mesmo o próprio COBRA, podem revelar como protagonista uma figura com sensibilidade… Mas FALCÕES DA NOITE é um dos exemplos mais claros de que Stallone não é só músculos como muitos imaginam por puro preconceito. E o Oscar deste ano vai reconhecer isso. Estamos na torcida! Há ainda uma pequena participação do grande Joe Spinnel, como chefe de policia, que é sempre um deleite.

Mas o melhor do filme é definitivamente Rutger Hauer  (em seu primeiro filme americano), muito convincente, com um olhar expressivo, louco, fazendo o terrorista sangue frio que mata sem piedade. E o fato é que Stallone percebeu que Hauer estava chamando mais a atenção e resolveu mexer alguns pauzinhos. Como já mencionamos, constantemente Sly era visto conversando com o roteirista David Shaber para alterar algumas cenas, diálogos, a fim de tirar o destaque de Hauer e tentar colocar os holofotes pra si. Não deu muito certo… Digo, Stallone manda bem sempre, é um dos meus atores favoritos. Mas competir com Rutger Hauer é praticamente impossível… Desculpa aí, Sly…

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Há até uma história curiosa envolvendo os dois atores e vai rolar uns spoilers… Se não quiserem saber nenhum detalhe importante do filme, sugiro pular o parágrafo. A primeira cena que gravaram em FALCÕES DA NOITE foi justamente o desfecho, na qual Hauer leva uns tiros do Stallone, que engana o vilão vestido de mulher. Haviam uns cabos amarrados no holandês para que fosse puxado pra trás a cada bala alvejada no personagem. E Sly, não sei porque diabos, pediu aos técnicos que puxassem o sujeito com uma força acima do esperado, o que causou sério, digamos, desconforto em Hauer. Quando descobriu que Stallone que havia pedido que o puxassem com tanta força, o holandês emputeceu, enfiou o dedo na cara de Sly e o restante das filmagens pairou um climão no ar… Mas Hauer estava decidido a não desperdiçar a sua primeira chance em solo americano e mandou bem na performance. Tanto que foi durante as filmagens de FALCÕES DA NOITE que a mãe do ator faleceu, o que não o impediu de continuar fazendo o filme.

Já Sly estava com moral na época. A direção do filme, por exemplo, é creditada a Bruce Malmuth, que mais tarde viria a fazer DIFÍCIL DE MATAR, um dos melhores filmes de Steven Seagal. Mas as filmagens iniciaram sobre a batuta do veterano Gary Nelson. Quando este último pulou fora, por mais confusões com Stallone, pra variar, Malmuth assumiu justamente quando deveriam filmar a sequência de perseguição no metrô de NY. Mas na pressa de substituir o diretor e para não perder um dia de filmagem, quem assumiu a direção foi o próprio Sly, o que gerou até uns problemas no sindicato de diretores. Mas é um dos grandes momentos do filme, uma perseguição tensa e realmente bem filmada, que mostra o talento de Sly atrás das câmeras, algo que já havia demonstrado em PARADISE ALLEY, sua estreia na direção. O filme até oferece alguns ótimos momentos de ação mais agitados e explosivos, mas não é esse o foco de FALCÕES DA NOITE, filme policial de atmosferas, dramas e personagens…

Apesar de tudo, FALCÕES DA NOITE sofreu com vários problemas de finalização. Um primeiro corte teria aproximadamente duas horas e meia e de tanto mexe e remexe, o filme acabou levando a pior em alguns momentos em que se percebe que falta algo, ou que o ritmo não tá legal. Há um certo choque entre o “tema policial urbano” e a “trama de terrorismo internacional” que é meio estranho. Deixa o filme torto, mas não tira o brilho e a diversão do resultado final. que permanece um filmaço, sem dúvida alguma.

PAINEL DO CINEMA BADASS 2015

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Antes tarde do que nunca… Esqueci completamente de publicar esta lista, que desde 2011, acho eu, venho postando. Na verdade, eu a chamava de Painel do Cinema de AÇÃO, mas como nem todos os filmes que colocava eram exatamente do gênero (forço a barra colocando crime, thriller, western, policial, épico, sci-fi, e tem até um western-horror no meio disso tudo neste ano), resolvi mudar para cinema BADASS… Acho que fica melhor e já abrange essas merdas todas.

Vendo aqui por alto, ainda que o cinema badass esteja bem meia-boca nos últimos anos, percebi que consegui reunir até mais filmes que no ano passado, com alguns exemplares que realmente me chamaram a atenção. Alguns mais, outros menos. Vamos à relação então, que está em ordem alfabética e tem margem até 2014, com filmes que acabei só assistindo em 2015. Comecemos com os filmes que se destacaram, ficaram acima do nível geral em termos de badassness em vários aspectos:

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BLACKHAT (2015), de Michael Mann
BONE TOMAHAWK (2015), de S. Craig Zahler
COLT 45 (2014), de Fabrice Du Welz
DE VOLTA AO JOGO (John Wick, 2014), de Chad Stahelski e David Leitch
FRANCO-ATIRADOR, O (The Gunman, 2015), de Pierre Morel
GUEST, THE (2014), de Adam Wingard

HATEFUL EIGHT, THE (2015), de Quentin Tarantino
KINGSMAN: THE SECRET SERVICE (2014), de Matthew Vaughn – A cena da igreja como destaque, uma das melhores sequências de ação do ano.
MAD MAX: FURY ROAD (2015), de George Miller
SICARIO (2015), de Denis Villeneuve
SLOW WEST (2015), de John Maclean
SNIPER AMERICANO (American Sniper, 2014), de Clint Eastwood
SPL 2: TIME FOR CONSEQUENCES (Saat po Long 2, 2015), de Cheang Pou-Soi
VELOZES & FURIOSOS 7 (Furious Seven, 2015), de James Wan – Sim, eu gosto dessa tranqueira, especialmente o quinto filme. Que venha o oitavo, nono, etc…
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Primeira temporada de DEMOLIDOR (Daredevil, 2015) e o curta metragem zoeiro oitentista KUNG FURY (2015), de David Sandberg

Outros oito exemplares que, se não possuem o mesmo nível desses aí em cima, ao menos não são de se jogar fora (em ordem alfabética):

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ANT-MAN (2015), de Peyton Reed
AVENGERS: AGE OF ULTRON, THE (2015), Joss Whedon
CLOSE RANGE (2015), de Isaac Florentine
THE DROP (2014), de Michaël R. Roskam
MAN FROM U.N.C.L.E, THE (2015), de Guy Ritchie
MISSÃO: IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA (2015), de Christopher McQuarrie
RUN ALL NIGHT (2015), de Jaume Collet-Serra
SKIN TRADE (2014), de Ekachai Uekrongtham

Algumas decepções, filmes que estavam no meu radar e que apostava algumas fichas, mas se revelaram banais ou horríveis mesmo…

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CHAPPIE (2015), de Neill Blomkamp
EQUALIZER, THE (2014), de Antoine Fuqua
SPECTRE (2015), de Sam Mendes – Depois daquela maravilha que foi SKYFALL, não esperava que fosse cair tanto o nível…
TERMINATOR GENISYS (2015), de Alan Taylor – Realmente não poderia dar muito certo… Não com esse título cretino…
TURBO KID (2015) de François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell

Mas o prêmio de bosta completa vai pra este aqui. Não chega a ser decepção porque eu já sabia que seria uma total porcaria:

BUSCA IMPLACÁVEL 3 (Taken 3, 2014), de Olivier Megaton

taken-3-mainIT ENDS HERE” Graças à Deus… Porque ninguém aguenta mais!

Se sentiu falta de algum filme dos últimos dois anos na lista (o que é óbvio, vai ter muito filme faltando), deixe-me saber, porque pode ser que eu não tenha visto ainda e algumas recomendações são sempre bem-vindas. Continuemos com 2016 agora…

THE REAL PUNISHER

A primeira temporada da série do Demolidor, DAREDEVIL, produzida pelo Netflix, foi uma das melhores coisas que assisti em 2015 em termos de ação (aliás, agora que me dei conta que não postei minha habitual lista de melhores filmes de ação do ano passado…que não foi lá grandes coisas, mas preciso postar, ainda há tempo). Muito superior àquela porcaria que o Ben Affleck estrelou lá por 2001 ou 2002, a série é badass pra cacete, visceral, humana e é recheada de sequências de ação da mais alta qualidade. Essa semana saiu o trailer da segunda temporada, que tem como trunfo a presença do Justiceiro (Punisher), que sempre foi um dos personagens que mais me interessou quando colecionava quadrinhos na minha adolescência nos anos 90. E o trailer tá de arregaçar:

Vivido por Jon Bernthal, o Shane de THE WALKING DEAD, a participação do Justiceiro/Frank Castle na série tem tudo para ser um dos grandes momentos deste ano, e Bernthal é uma boa escolha. O personagem já tinha chegado às telas duas vezes na década passada. Primeiro com THE PUNISHER (2004), com Thomas Jane no papel principal, e em PUNISHER: WAR ZONE (2008), com o personagem sendo encarnado por Ray Stevenson. O primeiro é passável, dá pra assistir, pelo que me lembre… Mas o segundo é péssimo em todos os sentidos. Tenho certeza absoluta que esse novo Justiceiro de DAREDEVIL vai arrasar com esses dois.

MAAAASSSS… Não vamos esquecer que o melhor Justiceiro de todos é e sempre será o Dolph Lundgren e uma das melhores adaptações de quadrinhos de todos os tempos ainda é (e sempre será também) THE PUNISHER, de 1989, dirigido pelo Mark Goldblatt:

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A segunda temporada de DAREDEVIL vai estrear em março, mas até lá eu revejo essa belezinha, que é insuperável!

OBSESSÃO MACABRA (Premature Burial, 1962)

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Terceira adaptação de Edgar Allan Poe realizada pelo Roger Corman, PREMATURE BURIAL é geralmente considerado um dos mais fracos do ciclo, algo que eu concordo bastante, embora não signifique que seja um filme ruim. Muito pelo contrário, apenas não está a altura das outras obras. Acho que tem um bocado a ver com a ausência do grande astro da série, Vincent Price, que não pôde participar… Aliás, é o único filme do ciclo que ele não participa e tenho certeza que sua presença poderia transformar isso aqui num filme totalmente diferente. Para seu lugar foi contratado o Ray Milland, que não deixa de ser um baita ator também e eu não tenho problema algum em vê-lo como protagonista por aqui. Só que ele não tem a capacidade de Price em transmutar figuras fracas em grandes personagens.

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Explico melhor a bagaça. Ray Milland interpreta aqui um pintor que possui um pavor doentio da situação de ser enterrado vivo por engano. Epa, mas nós já vimos isso antes, não é mesmo? Os dois primeiros filmes da série que eu já comentei aqui possuem a catalepsia como um dos temas constantes. Mas isso não é problema algum, na verdade. A questão é que PREMATURE BURIAL peca por ter um protagonista atormentado de forma tola pela tal neurose.

Em HOUSE OF USHER você tem um Roderick Usher (Price) atormentado por uma suposta maldição da família, até que dá pra entender – os Usher tinham realmente um galeria de almas sebosas e psicopatas escrotos na árvore genealógica. Em THE PIT AND THE PENDULUM, a mesma coisa: Medina (Price de novo) é filho de um dos inquisidores mais tenebrosas da Espanha e viu, quando criança, o tio e a mãe serem torturados e a última ser emparedada viva… Já em PREMATURE BURIAL… putz, o cara SUSPEITA que o pai sofria de catalepsia e foi enterrado vivo (sem nenhum fundamento concreto, diga-se de passagem) e, com base nessa desconfiança sem pé nem cabeça, acredita que também sofre de catalepsia e que, fatalmente, será enterrado vivo. E é essa nóia sem lógica que leva o cara a se isolar do convívio social e dispensar uma noiva gata pra caramba e (ao que tudo indica) totalmente apaixonada por ele. Meio difícil não achar que o protagonista é meio tapado. E é apenas com isso que se constrói o filme…

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E tenho certeza que Vincent Price daria a carga de expressão, exagerada e necessária, para que esses detalhes passassem mais batidos… Não que o Milland esteja mal. Ele também encarna o papel com tanta convicção que você só pára para refletir sobre a babaquice do personagem depois de ver o filme umas duas vezes; tanto que na primeira vez que vi, nada disso me ocorreu. E acaba sendo mesmo um dos grandes deleites a presença de Milland, querendo ou não, sendo o personagem um fraco ou não. O curioso é que é um ator soberbo, ganhou um Oscar pelo seu desempenho em FARRAPO HUMANO (1945), de Billy Wilder, mas depois, não me pergunte como, acabou parando nos sets de produções de filmes B. Destaque para a pequena participação de Dick Miller, habitual colaborador de Corman..

Já no departamento visual de PREMATURE BURIAL, não há do que reclamar. A cena do devaneio de Milland testando – e dando tudo errado – as modificações que fez no seu “sepulcro” para o caso de acordar ao ser enterrado vivo, é de encher os olhos. A direção de Corman é econômica como sempre, mas o sujeito sabe como manter certo ritmo, sabe como trabalhar uma riqueza visual do mesmo calibre dos góticos da Hammer e nunca deixou a dever aos italianos, como Mario Bava, Antonio Margheritti e Riccardo Freda. Mais fraco do ciclo Edgar A. Poe sim, mas tão obrigatório quanto qualquer outro da série…

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THE HOT BOX, aka HELL CATS (1972)

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Há poucos dias postei sobre ANGELS HARD AS THEY COME (1971), primeira investida do diretor Jonathan Demme no cinema, ainda sob a batuta do Roger Corman e tendo seu parceiro de produção publicitária, Joe Viola, na direção. Aqui em THE HOT BOX a coisa se repete. Neste período, Corman entrava numa de enviar seus pupilos às Filipinas onde várias produções exploitation estava aparecendo – Jack Hill, por exemplo, filmou no local THE BIG DOLL HOUSE e THE BIG BIRD CAGE, dois belos exemplares de WIP (Women in Prison) na selva – e a dupla Demme e Viola não perderia a oportunidade. Meteram-se nas Filipinas para fazer também um WIP.

A trama, no entanto, se passa em algum país da América Latina, onde um grupo de enfermeiras americanas fazem um trabalho de socorro no local que vive em guerra, dominado por um tirano qualquer e com revolucionários querendo derrubar o poder. O problema começa quando os tais revolucionários sequestram essas enfermeiras e as obriga a ensinarem técnicas de primeiro socorros aos guerrilheiros. Apesar disso, as moças conseguem simpatizar pelos ideais de seus captores e até mesmo acabam lutando com armas em punho pela causa…

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Não, THE HOT BOX não é um bom filme como aparenta. Mas eu gosto. Gosto de tralha cinematográfica de mau gosto, portanto gosto de THE HOT BOX. Principalmente porque ele possui todos os elementos que eu aprecio num bom WIP. Tá certo que o plot é um bocado diferente dos tradicionais filmes do gênero, mas toda vez que alguma das moças sai da linha, acaba enviada a uma cela para sofrer as consequências, o que inclui alguns itens básicos do gênero, como o excesso gratuito de humilhação feminina* e grande dose de peitos de fora.

O que realmente atrapalha um pouco THE HOT BOX é que apesar da pouca duração, o filme consegue ser lento e chato em alguns momentos e nunca conseguimos criar identificação suficiente com alguns personagens para acompanhá-los com a devida animação, nem entre as enfermeiras, que esperamos apenas que tirem a roupa, e muito menos com os revolucionários. O filme termina com uma bela sequência de batalha, o que deixa as coisas mais interessantes. Destaque para a presença de Charles Dierkop, que já havia me chamado a atenção em ANGELS HARD AS THEY COME, e aqui novamente surpreende na pele de um comandante do exército local que faz jogo duplo para acabar com guerrilheiros.

* Antes que eu seja acusado de machista e misógino, quero deixar claro que tenho tendências ideológicas feministas e sou totalmente contra a qualquer tipo de violência contra a mulher.

NOT OF THIS EARTH (1988)

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Remake de um sci-fi de mesmo título dirigido por Roger Corman em 1957, NOT OF THIS EARTH pode ser considerado tanto como uma gozação quanto uma lúdica homenagem aos clássicos do gênero. A ideia é do próprio Corman, que curtia refilmar os clássicos que dirigia e produzia, e colocou na direção o seu pupilo do momento, Jim Wynorski, que dava seus primeiros passos na carreira de diretor. Infelizmente, em 1988 o grande público já não queria ver um filme B com efeitos especiais fora de moda e historinhas ingênuas que não fazem a mínima questão de se levar a sério. Exceto, obviamente, os fãs ardorosos de tralhas divertidas de baixo orçamento, como esta maravilha da dupla Corman/Wynorski.

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Já nos créditos iniciais de NOT OF THIS EARTH uma montagem com cenas de vários clássicos produzidos pelo Corman insere de uma maneira bem interessante o espectador na onda dos sci-fi classe B, produções de baixo custo realizadas em tempo recorde. As filmagens deste aqui, por exemplo, foram cumpridas em apenas onze dias e meio, sendo que Jim havia apostado com Corman que conseguiria filmar em doze dias. E é com este espírito que o filme também deve ser visto. Uma diversão sem compromisso cheio de clichês que mistura elementos sci-fi com terror e comédia, várias cenas de nudez, situações engraçadas, personagens burlescos, reutilização de imagens de outros filmes, diálogos ridículos e todos os ingredientes de um ótimo filme B dos anos 80.

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Uma das principais atrações de NOT OF THIS EARTH é a atriz principal, a grande Traci Lords, em seu primeiro papel “sério” no ramo, levando em conta que já havia atuado em mais de 60 filmes pornôs até então. É uma pena, no entanto, que seus atributos físicos sejam tão pouco “aproveitados”, protagonizando apenas duas ceninhas de topless (mas algumas tetas fornecidas por outras atrizes são gratuitas suficientes para satisfazer o desejo por peitos). Até que Lords se sai muito bem interpretando uma enfermeira que acaba se envolvendo numa trama na qual um vampiro do espaço precisa colher sangue humano para tentar salvar o seu planeta, gerando situações divertidíssimas. O elenco ainda conta com algumas habituais figuras das produções de Wynorski, como Lenny Juliano e a delicinha Monique Gabrielle.

NOT OF THIS EARTH ainda viria a ser refilmado mais uma vez, em 1995, por Terence H. Winkless e tendo Roger Corman novamente na produção.

O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (Texas Chainsaw Massacre, 1974)

texas_chainsaw_massacre_uk_posterResolvi fazer um post sobre O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA… Porque sim. Postar qualquer coisa sobre esse filme não precisa de muitos motivos. Mas o que falar dessa obra-prima? Trata-se de um dos meus favoritos do cinema de horror sem nenhuma dúvida e sei que vou “chover no molhado” por aqui, porque é impossível não ficar babando o ovo dessa maravilha. E para provar que nem tudo precisa ser complexo para ser genial e transgressor, a trama é de uma simplicidade absurda: Cinco amigos percorrem as estradas texanas para visitar o túmulo e uma velha casa do avô de alguns deles e acabam virando banquete de uma família de canibais que vive na região.

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Uma das estratégia do diretor Tobe Hooper para atrair o público foi começar o filme com o aviso de que os acontecimentos prestes a desenrolar seriam reais (não eram, embora inspirados nos assassinatos cometidos pelo serial killer Ed Gein nos anos 50, e que também serviu de base para PSICOSE, de Hitchcock). Mas de nada adiantaria se O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA não cumprisse o que o seu título sugere. Não só cumpre como vai muito mais além, apesar de enganar muito por não ser um filme de extrema violência e sangue jorrando como suspeitam aqueles que se aterrorizam só de ouvir o título, mas nunca assistiram de fato. O filme choca não pelo que mostra, mas pelo que nos faz acreditar. E o grande efeito desse impacto é causado mais pela atmosfera angustiante de determinadas cenas do que baldes sangue jogado na tela.

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O golpe é mesmo nos sentidos do espectador. “Pesadelo filmado” acabou se tornando uma expressão adulterada pelo seu uso excessivo, mas aqui é perfeitamente cabível. A antológica cena do banquete com a família de canibais, os ângulos oblíquos dos enquadramentos, a luz desorientadora, o pandemônio auditivo, possui todos os ingredientes daquilo que é feito um pesadelo. E convenhamos: a ideia de um psicopata portando uma motosserra perseguindo uma garota inocente é algo simplesmente genial. E que culmina numa das sequências mais inesquecíveis, o final angustiante que tem desfecho na icônica imagem cristalizada de Leatherface (Gunnar Hansen), perfilado contra o sol fumegante, com sua motosserra erguida ao alto. Hooper inovou ao mostrar tudo isso num filme claustrofóbico, em 16mm (dando uma imagem mais próxima da ideia de gravações verdadeiras), totalmente seco… Um clássico.

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Hammer Time: O VAMPIRO DA NOITE (Dracula, 1958)

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Começando o carnaval, época boa pra ficar em casa e assistir a uns filminhos de terror… Estava meio receoso de começar uma série de textos tratando de TODOS os filmes sobre o universo Drácula que a Hammer criou nos anos 50, 60 e 70, porque o meu amigo Paulo Blob já fez isso recentemente no site Boca do Inferno. Todos textos obrigatórios, diga-se de passagem. Mas como resolvi rever alguns exemplares e finalmente conferir os que ainda não tinha visto, acho justo que eu faça pelo menos alguns breves comentários pra ficar registrado por aqui. Começando pelo começo, fiz uma revisão de O VAMPIRO DA NOITE, a primeira incursão da Hammer ao personagem de Bram Stoker e que gerou oito continuações oficiais. O filme reúne novamente Christopher Lee e Peter Cushing, os astros do primeiro filme de monstros clássicos da Hammer, THE CURSE OF FRANKENSTEIN (57), com o diretor Terence Fisher, que é responsável pela grande maioria desses filmes.

Ainda pretendo peregrinar nas outras séries de monstros que a produtora britânica realizou, mas vale destacar, a princípio, sobre essas obras seminais, algumas sacadas que os realizadores tiveram para conseguir atrair de volta a atenção do público a um tipo de horror que já estava em baixa no período e que favorece bastante, por exemplo, O VAMPIRO DA NOITE. A primeira coisa foi evitar o preto e branco tradicional das fitas de horror e colocar cores vivas estourando na tela, ou seja, agora era possível ver o sangue vermelhão derramado, e violência gráfica era algo que Fisher abusava bastante em seus filmes e que, querendo ou não, em plena década de 50 tinha um impacto danado. Em segundo lugar, esses filmes introduziram um bocado de erotismo às obras clássicas do horror, o que não seria comum nas versões da década de 30 e 40… E ver uma senhorita com um belo decote e olhar insinuoso era tudo que um senhor britânico de meia idade poderia querer ao entrar numa sala de cinema naqueles dias.

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O roteiro de Jimmy Sangster em O VAMPIRO DA NOITE não faz questão alguma de ser fiel aos escritos de Stoker. Entre as principais mudanças há o personagem de Jonathan Harker, interpretado por John Van Eyssen, que aqui aparece como aspirante a caçador de vampiros, assistente de Van Helsing (Peter Cushing), chegando ao castelo de Drácula (Christopher Lee) já ciente da natureza vampírica do Conde, mas passando-se por um bibliotecário. Drácula, que não é bobo, descobre a jogada e lasca uma mordida no pescoço do sujeito, que acaba se transformando num vampiro. Já Van Helsing deve ter ficado com saudade e, sem notícias do jovem Harker, acaba indo procurá-lo, seguindo seus passos até chegar no Castelo, descobrindo o que aconteceu com seu pupilo. Nada que uma estaca no coração não resolva. O problema é que o Conde já partiu para a Inglaterra em busca de uma nova vítima: Lucy, noiva de Harker. Van Helsing retorna a Londres para tentar impedir as intenções do vampirão.

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A partir daí, o filme se desenrola nos mesmo moldes dos tradicionais filmes de Drácula, até chegar no ponto onde Van Helsing e o Conde têm um duelo final. E aí, meus caros, a diferença está exatamente em ter em cena um Peter Cushing e Christopher Lee para tornar tudo mais genial. Cushing, especialmente, está excepcional como o caçador de vampiros incansável, uma mistura de cérebro com coragem, embora lhe falte porte físico. Já Christopher Lee tem presença física de sobra, tanto que seu Conde Drácula possui o total de apenas treze falas durante todo o filme. Mas nem faz muita falta, basta seu olhar esbugalhado, com sangue escorrendo da boca, sua expressividade incrivelmente magnética. Não à toa O VAMPIRO DA NOITE consagra Christopher Lee, assim como seu antecessor, Bela Lugosi, três décadas antes, como um ícone do horror vampiro para toda uma nova geração. O elenco de apoio também ajuda bastante e o destaque vai para Michael Gough, que interpreta o irmão de Lucy. Gough é lembrado bem mais velho por ser o mordomo Alfred dos filmes do Batman dirigidos pelo Tim Burton e Joel Schumacher.

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Em termos de direção, estética, fotografia e cenários, que belo filme é O VAMPIRO DA NOITE! Os planos nos interiores são muitíssimo interessantes, com o uso das cores vibrantes. E do lado de fora, aquelas paisagens pintadas à mão que tanto me encantam. A sequência final do já citado confronto entre Van Helsing e Drácula mostra bem do que esses caras eram capazes de fazer na construção da tensão, na elegância da ação, ao mesmo tempo tão seco e cru. Fisher não tava de brincadeira não… É um baita diretor, embora quase nunca seja lembrado como o mestre do horror que é.

Agora preciso ver o resto da série. Mas antes, mais uma revisão, AS NOIVAS DO VAMPIRO (60), novamente dirigido pelo Fisher e estrelado pelo Cushing, mas infelizmente sem Christopher Lee no papel de Drácula. O sujeito tava com medinho de ficar estigmatizado no personagem e tentou variar um bocado, mas acabou retornando em DRACULA – O PRÍNCIPE DAS TREVAS, em 1966… Mas a gente chega lá.

FILMES DE JANEIRO

Coisas que andei vendo no primeiro mês do ano…

Novos:
TUDO POR JUSTIÇA (Out of the Furnace, 2013), de Scott Cooper ★ ★ ★ ½
CREED (2015), de Ryan Coogler ★ ★ ★ ★
O REGRESSO (The Revenant, 2015), de Alejandro Gonzalez Iñarritu ★ ★ ★ ★
A GAROTA DINAMARQUESA (The Danish Girl, 2015), de Tom Hooper ★ ½
STAR WARS: O DESPERTAR DA FORÇA (2015), J. J. Abrams ★ ★ ★ ½
A COLINA ESCARLATE (Crimson Peak, 2015), de Guillermo Del Toro ★ ★ ★
SPOTLIGHT (2015), de Tom McCarthy ★ ★ ★
CAROL (2015), de Todd Haynes ★ ★ ★ ½
A GRANDE APOSTA (The Big Short, 2015), de Adam McKay ★ ★ ½

A FÚRIA DO DRAGÃO (Fist of Fury, 1972), de Wei Lo ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
QUAL SERÁ NOSSO AMANHÃ (Battle Cry, 1955), de Raoul Walsh ★ ★ ★ ★
SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra, 1941), de Raoul Walsh ★ ★ ★ ★
COP LAND (1997), de James Mangold ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
BRADDOCK II – O INÍCIO DA MISSÃO (1985), de Lance Hool ★ ★ ★ – REVISÃO
MAN IN THE WILDERNESS (1971), de Richard C. Sarafian ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
HOUSE OF USHER (1961), de Roger Corman ★ ★ ★ ★ – REVISÃO
THE PIT AND THE PENDULUM (1961), de Roger Corman ★ ★ ★ ★ ½ – REVISÃO
VELUDO AZUL (Blue Velvet, 1986), de David Lynch ★ ★ ★ ★ ½ – REVISÃO
LA SORELLA DI URSULA (1978), de Enzo Milioni ★ ★ ½
ANGELS HARD AS THEY COME (1971), de Joe Viola ★ ★ ★
THE HOT BOX (1972), de Joe Viola ★ ★ ★
FIGHTING MAD (1976), de Jonathan Demme ★ ★ ★ ½
CELAS EM CHAMAS (Caged Heat, 1974), de Jonathan Demme ★ ★ ★

RESPOSTA ARMADA (Armed Response, 1986)

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Tava com saudade de postar algo do Fred Olen Ray, então resolvi republicar esse texto velho do blog antigo. Trata-se de um típico filme que me conquista só de ver o pôster com os nomezinhos de David Carradine e do grande Lee Van Cleef juntos, fazendo expressões de poucos amigos. Coloquei o cartaz no final do post para vocês contemplarem também. Mas de cara já dá pra perceber que a diversão é garantida com RESPOSTA ARMADA, um filme de ação sem frescuras e sem compromisso com seriedade, que não está nem um pouco a fim de se tornar um clássico do gênero ou coisa parecida. Em compensação, é uma experiência totalmente agradável para os autênticos fãs de cinema classe B.

A trama não poderia ser mais simples e é centrada na família Roth, cujo pai, Burt (Cleef), e seus filhos Jim (Carradine), Clay (David Goss) e Tommy (Brent Huff), tornam-se alvos de um mafioso oriental, Akira Tenaka, vivido pelo ator japonês Mako, depois de tomarem posse de uma estátua que possui certo valor para o gangster. Como não estamos lidando com nada muito original ou complexo por aqui, o enredo acaba sendo movido mesmo pelas cenas de ação, pancadarias, tiroteios e perseguições que acontecem ao longo da narrativa e, claro, pelas figuras ilustres que vão surgindo em cena, interpretados por algumas estrelas dos filmes de baixo orçamento que já estamos acostumados a encontrar neste tipo de produção.

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Além de Carradine, Cleef e Mako, o elenco se completa com participações do sempre simpático Dick Miller, o bizarro Michael Barryman, eterno Pluto de QUADRILHA DE SÁDICOS aqui fazendo um capanga oriental (?), e até Ross Hagen. Impossível não se divertir com um elenco deste porte. No entanto, é mesmo o gafanhoto David Carradine quem deixa sua marca com uma ótima atuação. Seu personagem, o único com certa espessura, é um veterano do Vietnã que encara o problema familiar como um verdadeiro soldado traumatizado pela guerra. Mas meu personagem favorito é sem dúvida o calejado Lee Van Cleef, que está muito bem no papel do velho rabugento que não leva desaforo para casa e mesmo com a idade avançada participa da ação bem à vontade distribuindo chumbo e sopapos para cima dos bandidos. Continuar lendo