O SOLAR MALDITO (House of Usher, 1960)/O POÇO E O PÊNDULO (The Pit and the Pendulum, 1961)

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Resolvi rever HOUSE OF USHER e THE PIT AND THE PENDULUM, os dois primeiros filmes da série de adaptações de Edgar Allan Poe realizado pelo diretor e produtor Roger Corman nos anos 60. No final da década anterior, Corman já se apresentava como o diretor capaz de fazer imaginativos e divertidos filmes de gênero e que poderiam ser produzidos de forma rápida e barata, eram muito lucrativos e ainda serviam de escola para jovens entusiastas por cinema, como Monte Hellman, Jack Hill e Robert Towne. Quando adentrou os anos 60, o sujeito resolveu se meter nessas adaptações do Poe que os produtores da AIP estavam planejando. HOUSE OF USHER foi o primeiríssimo, portanto, não pode ser desconsiderado como um marco na história do cinema de horror.

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Mas apesar de Corman conseguir se aventurar com precisão no universo e espírito atmosférico de Poe, HOUSE OF USHER não poderia ser exatamente fiel ao texto, até porque seria meio complicado de fazê-lo como um filme de horror convencional. A trama se resume na chegada do jovem Winthrop (Mark Damon) na propriedade de Roderick Usher (Vincent Price) cuja irmã, Madeline Usher, está destinada a ser sua noiva. O problema é que Roderick é rebugento pra cacete, completamente obcecado por uma suposta maldição que percorre a linhagem dos Ushers, e faz de tudo para atrapalhar os dois enamorados. Inclusive, consegue convencer a sua irmã de que realmente suas vidas estão execradas.

O filme notabiliza o estilo genial e singular de direção de Corman, que de prolífico diretor de B movies em preto e branco passou a figurar lado a lado com outros mestres do horror gótico e atmosférico do período, como Terence Fisher e, mais tarde, Mario Bava. Econômico ao extremo, trabalhando com orçamento apertado, ao mesmo tempo charmoso e sofisticado, fazendo uso das cores com inteligência, criando atmosferas pertubadoras, se virando com todo tipo de recurso que conseguia com muita criatividade se transformaram em marca registrada da direção de Corman. E contava, aliás, com um time de primeira durante a produção, como o roteirista Richard Matherson, o diretor de arte Daniel Heller, o compositor Les Baxter e por aí vai…

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Um caso curioso em HAUSE OF USHER que mostra bem o estilo econômico de Corman: O sujeito ficou sabendo que um grande e antigo celeiro seria demolido e conseguiu permissão para que a produção pudesse botar fogo no local enquanto filmava. O resultado pode ser visto no climax, em vários planos do fogo consumindo a grande mansão dos Ushers, mas também em vários momentos do ciclo, já que Corman não deixaria de aproveitar essas mesmas imagens em futuras cenas de incêndios em mansões suntuosas em outros filmes…

E ainda temos Vincent Price, que se apresenta aqui num espetacular desempenho, com seus exageradas expressões faciais, que são uma delícia para quem admira seu trabalho. Não só neste aqui, mas toda a sua participação na série de adaptações do Poe significou a sua consagração como um dos gigantes do horror. Especialmente como Roderick Usher, surgindo imponente com uma cabeleira loura, sua atuação é magistral e, na minha opinião, só perde para Prospero, o maléfico príncipe de A ORGIA DA MORTE, um dos últimos e dos melhores exemplares do ciclo.

HOUSE OF USHER foi um sucesso comercial e fez com que os produtores demandassem mais. No ano seguinte veio THE PIT AND THE PENDULUM.

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Se THE PIT AND THE PENDULUM não for realmente a melhor dentre as adaptações da obra de Poe realizada pelo Corman, ao menos é provável que seja a mais assustadora. É desses filmes que faz bater uma melancolia ao refletir o que aconteceu com o cinema de horror… Por que não se filma mais com tanta elegância, beleza e atmosfera? Claro que existem ótimos casos que ainda salvam atualmente, mas de uma maneira geral o plano mais insignificante de um filme do Corman humilha qualquer coisa do gênero produzida por um grande estúdio americano nos últimos anos.

O filme começa nos mesmos moldes de HOUSE OF USHER, com o jovem Francis (John Kerr) chegando ao castelo de Don Nicholas Medina (novamente Vincent Price), mas dessa vez em busca de respostas sobre a recente morte de sua irmã, esposa de Medina. Francis desconfia bastante de seu cunhado, que aparenta estar escondendo alguma coisa, mas uma vez que a trama revela o passado de Nicholas, em sequências alucinatórias bem interessantes e coloridas, Francis passa a tomar conhecimento dos mais profundos medos de Medina, que acredita piamente que sua mulher foi enterrada viva. No caso, emparedada, uma tradição da família Medina… A trama central levanta questões sobre catalepsia e o pavor do enterro precoce, tema explorado com ênfase em vários exemplares da série, especialmente no filme seguinte, PREMATURE BURIAL, estrelado por Ray Miland. O assunto também é abordado em HOUSE OF USHER.

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O tormento por esse pensamento persegue Don Medina desde pequeno, quando viu seu pai, um entusiasta da inquisição espanhola (também vivido por Price) que possuía sua própria câmara de tortura no porão do castelo, praticando o hobby em sua mãe, deixando-a viva somente para poder enterrá-la ainda naquele estado. E Vincent Price está sublime, mais uma vez. Nicholas Medina é ambíguo na medida certa e suas transformações são retratadas com perfeição por Price, figura que se tornou essencial na composição do estilo de Corman, tão importante quanto o visual caprichado e a atmosfera densa. Outro grande destaque é a presença expressiva da musa do horror gótico, Barbara Steele, no papel de Elizabeth, mulher de Medina. Todos esses elementos ajustados num clímax de tirar o fôlego, quando o vilão da trama finalmente utiliza-se do famoso pêndulo cortante que desce gradativamente até partir ao meio a sua vítima amarrada logo abaixo, possibilitam THE PIT AND THE PENDULUM tornar-se digno de antologia.

HOUSE OF USHER e THE PIT AND THE PENDULUM são excelentes pontos de partida para se aventurar no ciclo de adaptações do Poe…O fato é que todos os filmes da série são obrigatórios a qualquer interessado por cinema de horror e alguns são verdadeiras obras-primas altamente recomendadas.

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SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra, 1941)

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Vi outro Raoul Walsh por esses dias, HIGH SIERRA, um filmaço com elementos noir e estrelado pelo Humphrey Bogart, talvez o maior ator que o gênero já teve. Cínico como sempre, mas fazendo um anti-herói, um habilidoso ladrão ao invés do habitual detetive que o consagrou em filmes como O FALCÃO MALTÊS e À BEIRA DO ABISMO, impressiona muito seu desempenho por aqui, na pele de Roy “Mad Dog” Earle. E, convenhamos, companhar um Bogart inspirado torna qualquer filme uma experiência única.

A trama de HIGH SIERRA começa quando Earle sai da cadeia e já tenta emendar um novo golpe: um assalto a um hotel cheio de milionários. Contando com a ajuda de dois cúmplices inexperientes e uma dançarina que se apaixona por ele (Ida Lupino), Earle aguarda instruções em uma cabana nas montanhas, planejando se endireitar após este último assalto. É interessante olhar para Earle, perceber a sua complexidade e peculiaridades. Apesar da “profissão”, o sujeito não é um mal intencionado – embora utilize violência quando precisa. O passado sugere que Earle seja vítima do sistema e por isso se vê obrigado a ajudar uma família que passa necessidades, após perder tudo e tentar a sorte na cidade grande. Um reflexo da própria vida do protagonista, uma maneira de se reconectar com o que realmente gostaria de ser. O filme é sobre Earle tentando aceitar sua identidade, aceitar o fato de que é um bandido e tentar mudar isso é impossível. Continuar lendo

MAIS FORTE QUE A VINGANÇA (Jeremiah Johnson, 1972)

E continua a onda de westerns de aventura setentistas por aqui. No último post, esqueci de citar o belo MAIS FORTE QUE A VINGANÇA. Então republico aqui o que escrevi há uns três anos no blog antigo.

O que dizem os escritos sobre o verdeiro Jeremiah Johnson, um sujeito que decidiu abdicar-se do mundo civilizado para descobrir os mistérios da vida na natureza, caçando animais e enfrentando índios, frio e solidão, é que acabou se tornando um bárbaro assassino comedor de fígados de peles-vermelhas… Lenda ou não, daria um bom exploitation que explorasse essa característica. Ou, nas mãos de um poeta da violência como Peckinpah, poderia render uma obra, digamos, diferenciada. E, de fato, o diretor de STRAW DOGS realmente foi cotado para dirigir MAIS FORTE QUE A VINGANÇA, cujo roteiro é do grande John Milius e teria Clint Eastwood no papel de Johnson.

Provavelmente por conta do álcool e outros entorpecentes, Bloody Sam acabou de lado – como vários outros projetos que o mestre não conseguiu se firmar – e Sydney Pollack ocupou a cadeira de diretor. Robert Redford, no fim das contas, foi quem encarnou o personagem do título original. O roteiro de Milius se manteve, mas aposto que o filme acabou suavizado… Não que isso seja um problema. MAIS FORTE QUE A VINGANÇA segue outra linha. É uma aventura contemplativa e reflexiva, um belíssimo western histórico que conta com um personagem magnífico, cuja vida retratada aqui, independente do grau de violência mostrada na tela, é simplesmente fascinante.

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Nunca sabemos os motivos que levaram Johnson a abandonar tudo. Sabemos apenas que foi soldado e há indícios de desilusões com o ser humano, mas seu passado é misterioso. Acompanhamos o protagonista a partir do momento que decide encarar a hostilidade da natureza. Mas seus primeiros passos como homem das montanhas não é fácil e é interessante vê-lo passando maus bocados em situações que dialogam com os clássicos embates “homem vs natureza”, na qual diretores como Werner Herzog transformariam em temas fundamentais. Continuar lendo

FÚRIA SELVAGEM (Man in the Wilderness, 1971)

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Ainda na toada de O REGRESSO resolvi rever MAN IN THE WILDERNESS, de Richard C. Sarafian pra ver o que dava. Que filme sensacional! É muito melhor do que eu lembrava e bem diferente do filme do Iñarritu… Mas numa estúpida comparação das versões, este aqui ganharia de lavada. O filme me fez pensar um bocado na carreira de Sarafian, diretor de talento gigante mas extremamente subestimado e pouco lembrado. E quando o fazem é por VANISHING POINT, lançado no mesmo ano deste aqui. É um baita filmaço que ganhou seu status de filme cult com merecimento, mas não consigo ver lógica para que MAN IN THE WILDERNESS não tenha virado um clássico entre os westerns de aventura setentistas, ao lado de O PEQUENO GRANDE HOMEM, O HOMEM CHAMADO CAVALO, O GRANDE BUFALO BRANCO, e outros…

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E Sarafian estava em estado de graça quando filmou a história de Zach Bass, vivido por Richard Harris, num de seus melhores desempenhos, um desbravador do velho oeste que, após ser atacado por um urso selvagem, é deixado para morrer no meio do nada. Recupera-se dos ferimentos e parte para se vingar dos antigos companheiros, entre eles o diretor John Huston. Como disse no texto de O REGRESSO, o plot do filme de Iñarritu é exatamente a mesma coisa, mas os desdobramentos a partir desses eventos é que distanciam uma obra da outra. A começar pelo lado alegórico que contempla a obra de Sarafian, e que é justamente a parte piegas do filme de Iñarritu. Na verdade, não tinha intenção de ficar fazendo comparações, mas é difícil num momento em que O REGRESSO está tão em voga e tão fresco na cabeça… Vocês sabem, gosto dessa nova versão como um grande filme de aventura, mas está longe de ser a jornada mística e espiritual que Iñarritu gostaria que fosse em comparação com o que Sarafian realiza em MAN IN THE WILDERNESS. O processo de ressurreição e transformação, tanto na recuperação física, quanto psicológica, de Harris é arrebatador na sua perfeita comunhão com a natureza, na sua busca pela sobrevivência, encarando fome, frio, animais e o caralho e transcendendo seu desejo de vingança à outro nível espiritual… Continuar lendo

THE HOST (1960)

Já tinha escrito sobre esse curta no blog antigo, mas como me deu saudade do Jack Hill, resolvi republicar. Hill já havia  dirigido algumas cenas de THE WASP WOMAN (59), que já comentei por aqui, para o seu mentor, Roger Corman, quando este precisou prolongar a duração do filme. O futuro diretor de SPIDER BABY nem chegou a ser creditado. A produção que marca a estreia oficial de Hill na direção é THE HOST, este curta metragem em preto e branco realizado quando ainda era estudante da UCLA e bem antes de se tornar um dos grandes mestres do cinema grindhouse americano.

Um fugitivo da lei encontra no México uma cidade antiga aparentemente abandonada. Entra para beber água e quase leva um tiro. Descobre que existe uma pequena população vivendo por lá e um espanhol que achou um tesouro no local e precisa roubar um cavalo para fugir. Persuadido por uma bela habitante, o fugitivo acaba matando o espanhol e se torna um deus. Quando descobre, também, onde o tesouro se encontra, decide ir embora levando tudo consigo. Mas é tarde. Já levaram seu cavalo. I Don’t want to be a god!!! – grita desesperado o sujeito nas últimas palavras ecoadas no filme. Continuar lendo

O REGRESSO (The Revenant, 2015)

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2016, o ano em que gostei de um filme de Alejandro Gonzales Iñarritu. E gostei mesmo. Não que eu ache o sujeito dos piores diretores da atualidade, até tenho boas lembranças de 21 GRAMAS, por exemplo… Mas acho que AMORES BRUTOS não se segura numa revisão e BABEL e BIUTIFUL não fedem nem cheiram, na minha opinião. Meu problema era mais com BIRDMAN, uma punhetagem visual e egocêntrica pra lá de chata, que quase me causou úlcera no estômago… Não fosse a bela atuação do Michael Keaton, eu teria me jogado pela janela do meu apartamento… Ainda bem que moro no primeiro andar… Enfim, um ano depois, ou seja, agora, Iñarritu me aparece com O REGRESSO, um filme de aventura que, pelo trailer, já me enchia os olhos. A impressão que dava é que todo o estilo, ou seja, a masturbação visual, de BIRDMAN poderia trazer algo interessante à uma narrativa mais estimulante, como um filme de aventura, por exemplo. E de certa forma isso acabou acontecendo. 

O REGRESSO foi inspirado na mesma obra que deu origem a MAN IN THE WILDERNESS (1971), de Richard C. Sarafian, com Richard Harris interpretando um membro de um grupo de desbravadores do velho oeste que é deixado para morrer depois de ser atacado por um urso selvagem. Recupera-se dos ferimentos e parte para se vingar dos antigos companheiros. O plot do filme de Iñarritu, é exatamente a mesma coisa. Troca-se alguns detalhes, Harris por DiCaprio e a tecnologia atual que permite Iñarritu trabalhar um visual dentro daquilo que é sua verdadeira intenção com o filme. O fato é que O REGRESSO, assim como BIRDMAN, não deixa de ser mais uma demonstração de exibicionismo do diretor, que chega e diz “Olha, mamãe, o que sei fazer!” e começa a punhetagem e fazer acrobacias com a câmera para ser chamado de gênio e logo depois colocar a mão em mais um Oscar. Continuar lendo

ESPECIAL DON SIEGEL #16: FLAMING STAR (1960)

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Elvis Presley pode ter sido o Rei do Rock, mas no cinema seu trabalho se resume a um punhado de bobagens ingênuas em veículos para o sujeito entoar suas canções e beijar garotas. Nada contra, mas também nada muito estimulante. Mas aí vem um diretor badass da estirpe de um Don Siegel, se metendo a dirigir um western que não se priva de tratar de temas delicados, não se esquiva de cenas de extrema violência (em comparação com as produções do período), e lhe é exigido que Elvis, o ator/cantor mimado e mais preocupado com sua imagem do que na qualidade de seus filmes, seja o protagonista.

Para a nossa sorte, prevaleceu o lado mais interessante dessa história. E o resultado do encontro Siegel x Elvis não poderia ser diferente: FLAMING STAR é considerado a obra-prima e o “filme sério” de Elvis Presley, mas mais do que isso, o filme é uma das mais perfeitas demonstrações de como Siegel era um diretor talentoso em vários aspectos. E já que estamos de volta com o especial do homem, nada melhor ressaltar sua grandeza defronte de uma produção como essa, que poderia ter sido mais um exemplar banal de Elvis usando um chapéu e tocando violão, mas que acaba por ser uma joia, um dos grandes westerns do período e maior do que tudo que Siegel havia feito até então.

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Sim, e me me refiro em comparação com VAMPIROS DE ALMAS e THE LINE UP, seus grandes trabalhos até aqui. E Siegel até permite, logo no início da fita, que Elvis pegue um violão e toque e cante para seus familiares, num clima leve de faroeste matinée. Mas esse clima logo se dissipa quando um personagem leva uma machadada na cabeça num ataque índio e o diretor não nos poupa de toda brutalidade. E ele deixa bem claro: estamos diante de um filme de Don Siegel e não de Elvis Presley. Continuar lendo

TOP 10 SYLVESTER STALLONE

O velho Sly recebeu o Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante pela sua atuação no belo CREED (2015) no último domingo e hoje foi indicado ao Oscar pela mesma performance. Para comemorar, resolvi fazer um Top 10 das minhas atuações favoritas do sujeito. Portanto, não levo em consideração a qualidade dos filmes, apenas o trabalho dramático do ator. Podem discutir à vontade:

cobra10. COBRA (1986), de George P. Cosmatos

over-the-top-stallone-face-109. OVER THE TOP (1987), de Menahem Golan

Sylvester-Stallone-creed08. CREED (2015), de Ryan Coogler

lock-up07. CONDENAÇÃO BRUTAL (Lock Up, 1989), de John Flynn

paradise06. A TABERNA DO INFERNO (Paradise Alley, 1978), de Sylvester Stallone

fist-51005. F.I.S.T. (1978), de Norman Jewison

maxresdefault04. COP LAND (1997), de James Mangold

7591275286_Rocky_Balboa_2006_BluRay_720p_x26403. ROCKY BALBOA (2006), Sylvester Stallone

tumblr_npl57iplgG1qetb0ho1_128002. ROCKY (1976), de John G. Avildsen

rambo201. FIRST BLOOD (1982), de Ted Kotchef
(bastavam os dez últimos minutos finais deste aqui pra colocá-lo em primeiro lugar)

BATTLE CRY (1955)

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Um dos primeiros filmes que assisti este ano foi BATTLE CRY, de um senhor chamado Raoul Walsh, que na verdade é um dos meus diretores americanos favoritos, embora eu tenha muita coisa dele pra ver ainda… Acho que vai ser uma boa maneira iniciar as atividades deste ano com essa belezinha porque segue um bocado da tônica que quero dar ao blog, explorando um tipo de cinema que há tempos eu queria tratar por aqui. Do próprio Walsh mesmo eu nunca comentei nada e o sujeito tem vários exemplares excelentes e badasses de cinema de gênero, fez muito ação, policial, noir, westerns

BATTLE CRY, por exemplo, é um filme de guerra. Só que trata-se de um produto do gênero pouco comum para o período, que aliás, lançou várias obras espetaculares nas mãos de mestres como Samuel Fuller, Allan Dwan, Don Siegel, Robert Aldrich e do próprio Walsh, que abusavam de sequências de ação, explosões e muito tiro de metralhadora. Mas o contraste de BATTLE CRY com seus concorrentes surge por não ter praticamente nenhuma cena de batalha, nada que empolgue o espectador nesses termos.

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É muito mais um novelão mexicano à Hollywood, abarrotado de personagens, do que um filme de ação, apesar de toda a narrativa se desenrolar durante a Segunda Guerra Mundial. Mas em se tratando de Walsh, o dramalhão é sólido e bem construído e os personagens cuidadosamente elaborados e interessantes, portanto, estamos numa boa com e acaba sendo daqueles filmes de dar gosto! Continuar lendo

VILMOS ZSIGMOND (1930-2016)

O primeiro óbito do ano que merece destaque por aqui é simplesmente do meu diretor de fotografia favorito de todos os tempos. RIP.

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Só pra dar uma palinha:

mccabe-and-mrs-miller QUANDO OS HOMENS SÃO HOMENS (McCabe & Mrs. Miller, 1971), de Robert Altman

cimino-michael-the-deer-hunter-1978 O FRANCO ATIRADOR (The Deer Hunter, 1978), de Michael Cimino

heavensgate-05 O PORTAL DO PARAÍSO (Heaven’s Gate, 1980), de Michael Cimino

03UM TIRO NA NOITE (Blow Out, 1981), de Brian De Palma

E tantos outros…

FAVORITOS DEMENTIA¹³ 2015

Começando 2016, momento de relacionar os meus filmes favoritos da nova safra que vi ao longo do ano passado. Como venho repetindo ao longo dos anos, não sou um devorador de filmes recentes e procuro ver apenas o que julgo essencial. Prefiro passar ano após ano a tentar redescobrir e conhecer alguns clássicos e exemplares obscuros, ou fazer ciclos com diretores e atores que me interessam do que ver qualquer porcaria que chega aos cinemas. De todo modo, aqui estão os meus 20 filmes favoritos de 2015 em ordem de preferência (com margem até 2014, com produções que não assisti naquele ano):

the-gunman-screenshot-120. O FRANCO-ATIRADOR (The Gunman, 2015), de Pierre Morel

alexandra daddario-anton yelchin in BURYING THE EX19. BURYING THE EX (2014), de Joe Dante

WE-ARE-STILL-HERE_Dagmar18. WE ARE STILL HERE (2015), de Ted Geoghegan

maxresdefault117. SLOW WEST (2015), de John Maclean

The-Guest-Maika-Monroe-Brendan-Myer16. THE GUEST (2014), de Adam Wingard

20150925-evento_img55e9d75fd586815. MIA MADRE (2015), de Nanni Moretti

maxresdefault14. SNIPER AMERICANO (American Sniper, 2014), de Clint Eastwood

nie-yin-niang-2015413. THE ASSASSIN (2015), de Hou Hsiao-Hsien

20151005-sicario-papo-de-cinema-0812. SICARIO (2015), de Denis Villeneuve

Katherine Waterston - Inherent Vice - 1_411. VÍCIO INERENTE (Inherent Vice, 2014), de Paul Thomas Anderson

colt_45_film10. COLT 45 (2014), de Fabrice Du Welz

tumblr_nkzlysUKfD1syv3zao1_128009. SPL 2: TIME FOR CONSEQUENCES (Saat po Long 2, 2015), de Cheang Pou-Soi

PHOENIX-00908. PHOENIX (2014), de Christian Petzold

KurtRussellSamuelLJacksonHatefulEight07. THE HATEFUL EIGHT (2015), de Quentin Tarantino

IF_01 (Custom)06. CORRENTE DO MAL (It Follows, 2014), de David Robert Mitchell

wpid-john-wick-screenshot-008-1500x100005. DE VOLTA AO JOGO (John Wick, 2014), de Chad Stahelski e David Leitch

chris-hemsworth-blackhat-trailer-header04. BLACKHAT (2015), de Michael Mann

homesman203. DÍVIDA DE HONRA (The Homesman, 2014), de Tommy Lee Jones

BoneTomahawk_Still802. BONE TOMAHAWK (2015), de S. Craig Zahler

mad-max-fury-road-trailer-screencaps-801. MAD MAX: FURY ROAD (2015), de George Miller

Antes que me perguntem, ainda não vi o novo STAR WARS, CREED e outros… Ficam pro ano que vem.