SEIZURE (1974)

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SEIZURE é o primeiro longa de Oliver Stone e encontra-se à milhas de distância do tipo de cinema que o sujeito faria ao longo da carreira. Ao contrário dos dramas políticos, traumas de guerra, ou tratados sobre a violência, o que temos aqui nada mais é que um exemplar de horror independente organicamente inserido no contexto do gênero feito nos anos 70. Um bocado pretensioso e bastante problemático no que cerne à narrativa, ao ritmo e etc, como é de praxe quando se trata do trabalho inicial de um cineasta sem muita experiência. Mas nada melhor que um filme seminal de um diretor hoje consagrado para descobrir algumas características da sua personalidade e histórias curiosas de bastidores.

Após retornar do Vietnã, em meados dos anos 60, Stone resolveu aliar sua habilidade na escrita com algo que nunca havia experimentado antes: a sétima arte. Entrou para NYU film school e teve como professor um sujeitinho de sobrancelhas grossas que faria uns filmes “razoáveis” como TAXI DRIVER e TOURO INDOMÁVEL… Nessa época, Stone chegou a realizar um curta metragem, muito bom aliás, LAST YEAR IN VIETNAM, o qual recebeu vários prêmios em festivais estudantis. Com este curta no currículo e mais a bagagem adquirida na universidade, Stone partiu para o Canadá com o propósito de realizar seu primeiro longa metragem.

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Juntamente com um amigo, Jeff Kapelman, que foi um dos produtores de SEIZURE, Stone foi em busca de investidores. Os problemas começam por aí. Não demorou muito para arranjarem cerca de cento e cinquenta mil dólares, que é uma boa grana para um primeiro e pequeno filme de horror. A questão é que um dos produtores era Michael Thevis, um gangster novaiorquino que utilizava seus investimentos no mercado da música e do cinema para fazer lavagem de dinheiro. Portanto, não seria surpresa para quem já conhece um pouco da vida do diretor, sua visão política e sua afetuosa ligação com entorpecentes, constatar que seu primeiro filme foi feito com dinheiro sujo da máfia. Aliás, nada mais óbvio em se tratando de Oliver Stone.

Mas isso não serve de desculpa para a má administração que esse dinheiro acabou recebendo. Talvez pela falta de experiência Stone gastou mais que devia, sei lá… sabe-se apenas que o diretor, em pleno début, se viu no meio das filmagens com os atores fazendo motim por não terem recebido salário e reza a lenda que o anão Hervé Villechaize tentou negociar com Stone segurando uma faca… uma versão de Herzog vs Kinski em AGUIRRE, mas em miniatura.

Ao fim do torturante processo de filmagem, Stone precisou montar o filme às pressas no seu quarto de hotel ainda no Canadá e contrabandeou os negativos pela fronteira devendo rios de dinheiro. A ideia de Stone era ele próprio vender o filme, mas foi totalmente ignorado pelos distribuidores. Conseguiu finalmente vender para uma companhia ligada à American International Pictures por um preço irrisório e teve uma cretina circulação comercial, da qual Stone demonstra desapontamento até hoje. Não é a toa que essa experiência traumática o afastou da direção por vários anos. Em 1981 a coragem voltou e ele fez A MÃO, mais um thriller de horror, com Michael Caine no elenco. Ainda bem.

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Rapidamente sobre o filme. SEIZURE realmente não é lá grandes coisas, mas tem momentos e ideias interessantes. A trama transcorre num fim de semana, na casa de campo de um escritor (Johnathan Frid, o Barnabas Collins original) que recebe alguns convidados. Os problemas começam quando as criações mentais do protagonista, figuras macabras (uma gostosona chamada Queen of Evil; um grandalhão deformado com roupa de carrasco; e Spider, um bizarro anão), tomam vida e começam a aterrorizar os personagens. O elenco é excelente e Stone demonstra boa capacidade em criar climas surreais, atmosféricos e sequências mais intensas, como a que o protagonista é obrigado a encarar uma luta de facas com uma de suas convidadas. Só peca mesmo pela falta de noção de ritmo e por conta de uma exagerada pretensão psicológica. Leva-se à serio demais. Não deixa, no entanto, de ser um bom filme de horror.

Nos tempos áureos do VHS, durante os anos 80, SEIZURE foi lançado no mercado americano com o título QUEEN OF EVIL. É bem pouco comentado… talvez até tenha sido pouco visto. Como não foi lançado em DVD, deverá continuar assim por um bom tempo ainda.

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2 pensamentos sobre “SEIZURE (1974)

  1. Pingback: A MÃO (The Hand, 1981) | Dementia¹³

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