ESPECIAL DON SIEGEL #14: CONTRABANDO DE ARMAS (The Gun Runners, 1958)

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CONTRABANDO DE ARMAS é baseado no mesmo conto do bom e velho Ernest Hemingway que Howard Hawks usou para realizar UMA AVENTURA NA MARTINICA (To Have and Have Not, 1944) e Michael Curtiz em REDENÇÃO SANGRENTA (The Breaking Point, 1950). Chega a ser constrangedor da minha parte (especialmente sendo um grande admirador de Hawks), mas nunca assisti a nenhum dos dois, ao contrário do diretor Don Siegel antes de dirigir este aqui: “Me arrependi muito de tê-los assistidos, porque percebi como era totalmente absurdo que eu fizesse (mais uma versão)”. 

Siegel ainda completa: “(…) ambos contaram com elencos melhores, argumentos melhores, mais dinheiro e mais tempo.” Bom, Siegel sempre conseguiu se sair bem com pouco tempo e orçamentos apertados. Agora, sobre argumentos, não tenho como comparar, mas mesmo não tendo assistido às versões anteriores, deve ser difícil não concordar com o sujeito sobre o seu elenco. Especialmente em se tratando do protagonista, o herói do filme, a não ser que alguém aí seja fã do Audie Murphy… Herói de guerra que acabou virando ator, Murphy conseguiu relativo sucesso nos anos 50. Tanto que CONTRABANDO é o segundo filme que estrelou sob a direção de Siegel. O primeiro foi o western ONDE IMPERA A TRAIÇÃO, já comentado aqui no blog.

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O fato é que Murphy nunca foi lá um dos meus atores de ação favoritos desse período. Longe disso, aliás… Seu rostinho de bom moço não se encaixa bem aos papeis durões que tentava fazer. E comparando com as outras versões do conto de Hemingway, temos um John Garfield, na versão de Curtiz, e Hawks tinha a sua disposição ninguém menos que o gigante Humphrey Bogart. Quem é Murphy perto de Bogart?

A trama se passa no início da Revolução Cubana, a mesma que levou Fidel Castro ao poder em Cuba. O que provavelmente já é a atualização de um contexto que não deve existir nos filmes de Hawks e Curtis, que foram filmados antes desses acontecimentos revolucionários. Somos apresentados a Sam Martin (Murphy), um sujeito que trabalha alugando seu barco para pescadores em Key West, na Flórida, mas vive atolado em dívidas de jogo. Pressionado por cobradores, Martin concorda em levar o misterioso Hanagan – que conhecera numa noite em um cassino – até Havana. O problema é que o sujeito acaba se envolvendo tanto com a mulher do cara, que é uma sueca de arrasar o coração, quanto num esquema de contrabando de armas no meio da revolução.

E o que deveria ser um excitante thriller de aventura, resulta num filme com acontecimentos esporádicos de tensão perdidos numa história que não consegue empolgar. Siegel diz que foi o filme mais difícil que fez, especialmente as cenas que se passam em alto mar, o que é grande parte da história, mas é somente no clímax final que a mão do diretor parece acertar, numa cena de ação bem interessante. De todo modo, apesar de não ser um desastre, longe disso aliás, CONTRABANDO fica a desejar.

Talvez um Humphrey Bogart no papel principal… Nah! Acho que nem assim.

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